O cúmplice silêncio dos jogadores da Seleção quanto a Daniel Alves

Jogadores que se uniram pra falar mal do Casagrande já se pronunciaram sobre o estupro de Daniel Alves?, questionam internautas “Neymar, Kaká, Ronaldo e aqueles que se uniram pra falar mal do Casagrande já se pronunciaram sobre o estupro de Daniel Alves?”, indagam O silêncio que fazem os jogadores parceiros de Daniel Alves chega a ser sintomático de uma cumplicidade escancarada. Nenhum dos jogadores que estiveram na Copa do Catar veio a público comentar absolutamente nada quanto ao escândalo de assédio sexual e agressão que teria sido cometido pelo brasileiro, e que o levou à prisão na Espanha. Nem a favor (para mostrar solidariedade) nem contra ele (para mostrar indignação). Claro que ainda precisa ser julgado e provado seu envolvimento no caso, mas Daniel tem nos colegas de elenco uma fidelidade que diz muito sobre o que pensam Após vir à tona uma denúncia de uma jovem de 23 anos que alega ter sido estuprada pelo jogador Daniel Alves, durante uma balada na Espanha, internautas apontaram o silêncio de alguns jogadores, que recentemente estavam bem ativos nas redes criticando e disparando deboches contra o comentarista Carlos Casagrande. Casagrande chama Daniel Alves de “arrogante”; atleta é acusado de estupro O jogador brasileiro segue preso, após ser acusado de estuprar uma jovem de 23 anos Casagrande não se calou perante ao caso de estupro envolvendo o jogador brasileiro Daniel Alves. Em um texto, o ex-atleta chamou o famoso de “arrogante e prepotente” e disse ainda que ele “vive numa soberba enorme”. O desabafo do comentarista de futebol acontece no momento em que Daniel está em uma prisão na Espanha e é investigado pela polícia do país, que recebeu a denúncia de violência sexual a uma jovem de 23 anos, dentro de uma casa noturna de Barcelona. Em seu relato, publicado pelo UOL, Casagrande deixa claro que não está tirando conclusões precipitadas, já que “o assunto ainda está sob investigação”. No entanto, ele pontua que os homens não são superiores: “Os casos de assédios começam dessa maneira, com uma imposição masculina de poder sobre a mulher. Pode ser o diretor da empresa ou de um filme, o produtor de cinema, uma figura famosa ou um jogador de futebol”. Em outro trecho, Walter Casagrande questiona se outros jogadores vão defender Daniel Alves, que está preso e não pode recorrer a fiança: “Mas por que tantos jogadores de futebol aparecem envolvidos com casos de violência sexual nos últimos anos? Será que os jogadores vão se unir para mostrar solidariedade ao “Dani”? Só quero ver quem será o primeiro a postar um apoio do tipo: “Tamo junto, moleque”. Por fim, o jornalista diz que é preciso esperar que as investigações sobre o caso avancem, mas alerta para que é preciso ficar atento ao comportamento dos jogadores brasileiros que, segundo Casagrande, tem mostrado uma “distorção dos valores e princípios do ser humano”. Prisão de Daniel Alves Após a acusação de agressão sexual a uma mulher na boate Sutton, em Barcelona, na Espanha, o jogador Daniel Alves está em prisão provisória aguardando a resolução do seu caso. Segundo o jornal espanhol El Mundo, a mulher teria dito em depoimento que o jogador brasileiro teria uma tatuagem de uma meia-lua que vai do abdome do jogador até a região genital. Ela ainda disse que conseguiu ver a tatuagem no momento em que o atleta a trancou no banheiro e a obrigou a fazer sexo oral.
Brasil e Cuba marca restabelecimento das relações diplomáticas

Petista e Díaz-Canel conversaram sobre políticas para reforçar a integração entre os países da América Latina (Lula e o presidente cubano – Ricardo Stuckert) Os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e de Cuba, Miguel Díaz-Canel, tiveram uma reunião bilateral nesta terça-feira (24/01), durante a sétima edição da Cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac). Este é o primeiro encontro entre os dois mandatários e o primeiro diálogo de Lula com um líder cubano neste seu terceiro mandato. Em seus dois primeiros períodos no Palácio do Planalto, Lula teve diferentes reuniões com dois presidentes que governaram Cuba no período: o líder histórico da Revolução Cubana, Fidel Castro, e seu irmão, Raúl Castro, que assumiu o poder em 2008. Segundo a agência cubana Prensa Latina, Lula e Díaz-Canel conversaram sobre políticas para reforçar a integração entre os países da América Latina, além de possíveis acordos comerciais e de ajuda mútua no setor da saúde. Encontro com o presidente de Cuba, Díaz-Canel. O Brasil restabelecendo suas relações diplomáticas no mundo. ????: @ricardostuckert pic.twitter.com/B1RLaNId4r — Lula (@LulaOficial) January 24, 2023 A agência também ressaltou que os dois presidentes já haviam trocado telefonemas ao menos duas vezes durante este mês: no dia seguinte à posse de Lula e após a tentativa de golpe de Estado por parte de bolsonaristas no dia 8 de janeiro, quando o mandatário cubano expressou seu apoio ao homólogo brasileiro. Por sua parte, Lula assegurou que, em seu governo, o Brasil voltará a ser um defensor de Cuba em instâncias internacionais, especialmente contra o bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos há mais de seis décadas. Em sua conta de Twitter, o presidente brasileiro publicou uma foto sua com Díaz-Canel e comentou que este era mais um exemplo de como “o Brasil está restabelecendo suas relações diplomáticas no mundo”.
Zema é criticado por destinação de recursos do acordo com a Vale

Rodoanel, privatização do metrô e dinheiro para as prefeituras são algumas ações criticadas pelos movimentos populares – Governador celebrou acordo com a Vale no valor de R$ 37,6 bilhões – Foto: Dirceu Aurélio / Sejusp Passados quase dois anos da celebração do acordo de R$ 37,6 bilhões entre o governo de Minas e a Vale S.A, cujo objetivo seria a reparação dos danos causados pelo rompimento da barragem de Córrego do Feijão, em 2019, atingidos da bacia do Rio Paraopeba e da represa de Três Marias criticam a destinação dada ao recurso. Sem participação popular na definição dos termos do pacto, movimentos e moradores das comunidades impactadas avaliam que o dinheiro vem sendo utilizado por Romeu Zema (Novo) em iniciativas que não interessam aos atingidos. Muito criticado por ambientalistas, as obras do Rodoanel Metropolitano, proposta pelo governador, receberão mais de R$ 3 bilhões vindos do acordo. Para Fernanda Portes, do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), além de não contribuir com a reparação, a proposta tende a ampliar os danos aos atingidos. “É uma mega obra, de interesse das empresas e do Zema, que não repara os atingidos, ameaça fontes de água na região metropolitana e em comunidades remanescentes quilombolas. Além disso, o traçado passa por municípios já atingidos pelo rompimento, como Betim e Brumadinho, só aumentando os danos. Ou seja, mais atingidos na região”, avalia. Entregue à iniciativa privada em dezembro do ano passado, o metrô de Belo Horizonte também vai receber parte da verba do acordo. Ao todo, o governo de Minas passará R$ 440 milhões para a expansão das linhas da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) Minas Gerais, leiloada por apenas R$ 26 milhões, mesmo sendo avaliada em R$ 900 milhões pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Além disso, em 2021, Zema apresentou à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) um Projeto de Lei que destinou às cidades mineiras R$ 1,5 bilhões do recurso do acordo. Porém, na proposta, o repasse seria feito às prefeituras por meio de convênio com o estado. A proposta foi rechaçada pelos deputados mineiros, que conseguiram garantir que o repasse fosse direto, sem a interferência do governo. Reais objetivos do acordo Marcelo Barbosa, do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM), acredita que, ainda que na narrativa criada sobre o acordo se fale bastante em reparação, os reais objetivos da Vale e de Zema sempre foram outros. Para ele, a mineradora buscava dar segurança jurídica aos seus investidores, sobretudo estrangeiros, e, ao mesmo tempo, o governador viu no acordo uma oportunidade eleitoreira. “Não dava para os investidores conviverem com incertezas sobre como e quando a mineradora seria punida pelo Estado brasileiro. Da parte da Vale, é daí que nasce o acordo. Já para Zema, o objetivo era se promover eleitoralmente, por isso ele usou muito essa questão durante a campanha”, argumenta Marcelo. “Realidade é cruel”, afirma atingida Enquanto isso, os moradores das comunidades atingidas sentem na pele as consequências da falta de reparação. A pescadora e artesã atingida Eliana Marques Barros conta que é testemunha de uma “realidade cruel”. Segundo ela, depois do crime que contaminou o rio, famílias ribeirinhas passaram a conviver com a fome e a falta de água. “Animais de pequeno e grande porte estão morrendo. O meio ambiente está adoecido, assim como nós, atingidos. A violência aumentou muito e hoje não temos mais segurança de viver como vivíamos antes do crime bárbaro, premeditado e repetitivo da Vale”, relata Eliana. A pescadora ainda afirma que os atingidos têm dificuldade de acessar até mesmo o valor do acordo destinado às indenizações e auxílios individuais. “A empresa criminosa entrou no território e o dividiu. Para alguns, ela não negou o auxílio, mas a grande maioria não teve acesso ao direito. Além disso, até hoje a Vale não pagou a indenização”, denuncia. Reparação ou propaganda? A dura realidade relatada pelas famílias não é a mesma transmitida pela Vale e pelo governo de Minas nos programas de televisão e rádio. Para Fernanda, do MAB, a reparação que está em curso é a “reparação da propaganda”. “Ao mesmo tempo em que nega direitos, [a Vale] não reconhece os atingidos e terceiriza a responsabilidade para outras executoras. Faz muita propaganda de obras e programas sociais, sem reparar os danos individuais, coletivos e ambientais”, avalia. Anexos estão em disputa Do total de quase R$ 40 bilhões, o anexo 1.3 do acordo garante R$ 2,5 bilhões para projetos de políticas públicas nos municípios ao longo da bacia do Paraopeba e da represa de Três Marias, e o anexo 1.1 destina R$ 3 bilhões para projetos voltados às comunidades atingidas. Além do baixo valor, os atingidos relatam que para participarem do processo de definição da destinação do recurso são enfrentados uma série de desafios. “Para a garantia do recurso do anexo 1.3 para obra de interesses dos atingidos, por exemplo, tivemos de enfrentar propostas que iriam beneficiar empresários. Chegou a ir para votação, graças a Deus não passou. Também enfrentamos segundas intenções de políticos”, relata Francisco Hélio dos Santos, membro da Comissão de Atingidos de São José do Buriti, distrito de Felixlândia. Na votação eletrônica, pela qual os atingidos definiram os projetos a serem executados, Francisco Hélio afirma que houve até mesmo suspeita de fraude. “Mais de 20 pessoas quando foram votar constavam que já tinham votado. Eu chamei a Polícia Militar e fiz um boletim de ocorrência, para caso houvesse algum problema”, conta. O outro lado Procurado pela reportagem para comentar sobre o tema, o governo de Minas enviou uma nota, por meio da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag). No texto, é reforçado que as instituições de Justiça também participaram da construção do acordo de reparação aos danos provocados pelo rompimento da barragem da Vale, em Brumadinho, e que o Termo de Reparação tem como “o foco principal as comunidades e as pessoas atingidas”. Quanto à utilização de parte do recurso para projetos, como a construção do Rodoanel Metropolitano, o governo de Minas afirma que as ações executadas por
“Fake news” sobre o BNDES voltam a circular: é mentira que banco público financia países

Ministro da Secretaria de Comunicação, Paulo Pimenta vai às redes combater desinformação bolsonarista – (BNDES tem função estratégica para o país – Agência Brasil) Uma das fake news favoritas surgidas no bolsonarismo é a de que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) “financia” países (de preferência totalitários), em prejuízo da economia brasileira. O ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Paulo Pimenta, foi nesta terça-feira (24) às redes sociais para comentar o assunto, afirmando que “sobra desinformação” a respeito. “O que é feito pelo BNDES é o financiamento para exportação de serviços de empresas brasileiras, com agregação de valor e geração de empregos qualificados no Brasil”. Logo, dizer que o Brasil financia obras no exterior não passa de uma obra de ficção, uma vez que o financiamento é feito para a empresa brasileira que vai exportar e gerar empregos aqui. Falar a verdade faz parte do processo de união e reconstrução do país. — Paulo Pimenta (@Pimenta13Br) January 24, 2023 Assim, o banco não trata de financiamento a países, observa o ministro. “O BNDES financia a empresa brasileira exportadora, não financia outro país!”, ressalta Pimenta. “Não existe risco de calote, uma vez que a garantia do pagamento são os recebíveis dos importadores, se eles não pagarem, o seguro cobre este prejuízo”. Obra de ficção Com isso, emenda o titular da Secom, “dizer que o Brasil financia obras no exterior não passa de uma obra de ficção, uma vez que o financiamento é feito para a empresa brasileira que vai exportar e gerar empregos aqui”. O próprio banco lembra que não empresta dinheiro a países, mas a empresas, muitas realizando obras em diversos países, com retorno em dólares para o Brasil. Na área de engenharia, por exemplo, o BNDES financia operações para obras no exterior desde o final dos anos 1990. BNDES desmente boato Informe de 2019 do próprio BNDES – ou seja, no governo Bolsonaro – mostra que o maior volume de financiamento, no período 1998 a 2017, está longe de ser uma “ditadura socialista”, como repetem os bolsonaristas. O principal destino são os Estados Unidos, com US$ 17 bilhões. Depois vêm Argentina (US$ 3,5 bilhões), Angola (US$ 3,4 bilhões), Venezuela (US$ 2,2 bilhões) e Holanda (US$ 1,5 bilhão). No total, são mais de 40 países. Os próprios resultados do banco, disponíveis no site da instituição, mostram lucro líquido em todos os anos ao longo dos governos Lula e Dilma (2003 a 2015, ano anterior ao golpe que tirou a presidenta do cargo).
Empresário mineiro: ‘Americanas me levou à falência’

Com recuperação judicial da varejista, Moacir de Almeida Reis é um dos pequenos e médios empresários brasileiros que temem nunca receber o que avaliam que Americanas lhes deve. Americanas nega dívida com a transportadora Forte Minas (foto: Arquivo pessoal) notícia da entrada em recuperação judicial da Americanas na quinta-feira (19/1) foi recebida com pesar num sítio em Bonfim, cidade mineira a cerca de duas horas de Belo Horizonte. Ali mora Moacir de Almeida Reis, de 62 anos, casado e pai de três filhos. Moacir mudou para o sítio por não conseguir mais se manter em Belo Horizonte. Ele atualmente dirige um carro emprestado do filho, vende queijos e leite que compra dos sítios vizinhos e tenta administrar com a esposa uma pequena lanchonete na capital mineira. No local, não há funcionários, pois não há dinheiro para contratar ninguém. Para fechar as contas do mês, Moacir e sua esposa contam com a ajuda dos filhos. Mas nem sempre a vida de Moacir foi assim. Até 2021, ele era o dono, com outros dois sócios, da Forte Minas Logística e Transporte, empresa responsável pelas entregas da Americanas no interior de Minas Gerais. Diversas vezes no topo do ranking de excelência da Direct — braço logístico da Americanas, adquirida em 2014 da Tegma Gestão e Logística —, a Forte Minas chegou a ter 29 filiais em Minas Gerais e expandiu sua atuação também para o Espírito Santo. No auge, a empresa faturava cerca de R$ 50 milhões por ano, segundo os sócios, e empregava diretamente 350 funcionários em Minas e outros 200 no Estado vizinho, contando ainda com uma rede de 700 a 800 “agregados”, como eram chamados na companhia os trabalhadores terceirizados proprietários dos veículos e prestadores do serviço de entrega. Moacir e seus sócios João Wanderlay de Oliveira Júnior e Carlos Henrique de Souza viram tudo isso ruir de um dia para o outro, após, de acordo com eles, a Americanas romper repentinamente o contrato com a Forte Minas. Segundo os sócios, o rompimento foi feito de forma unilateral e sem aviso prévio pela Americanas, embora o contrato entre as empresas — ao qual a BBC News Brasil teve acesso — estabelecesse um prazo de 30 dias de aviso. Com 85% de sua receita então dependente do grupo Americanas e, segundo o relato dos sócios, R$ 7 milhões em serviços prestados e não pagos pela empresa de Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira, a Forte Minas entrou numa espiral de dívidas que já chegam a R$ 18 milhões, de acordo com os empresários. A Americanas nega dívida com a transportadora Forte Minas. Sem dinheiro sequer para pagar os direitos trabalhistas dos ex-funcionários ou processar a Americanas pelos valores aos quais avaliam ter direito, os sócios se veem atualmente afundados em cobranças e processos judiciais. Perderam o sustento de suas famílias, bens pessoais e a saúde — Moacir sofreu um infarto, Carlos enfrenta uma depressão severa. Agora, com a entrada da Americanas em recuperação judicial após a revelação de uma inconsistência de R$ 20 bilhões no balanço da empresa, eles temem talvez nunca reaver o dinheiro que acreditam que a varejista lhes deve. As famílias de Moacir, João e Carlos são três de milhares de famílias brasileiras afetadas pelo colapso financeiro da rede de lojas e e-commerce. Criada em 1929 como uma lojinha de rua, a Americanas hoje emprega 44 mil funcionários e vende produtos de 150 mil lojistas em seu market place virtual, contando com uma rede de milhares de fornecedores, como foi um dia a Forte Minas. Questionada pela BBC News Brasil, a Americanas afirma que se considera um credor do Grupo Forte Minas/Forte Vix, e não devedor, como alegado. “A companhia instaurou, em 2021, processo para cobrar os valores que entende devidos pela empresa de transporte”, informou a Americanas em nota. A Americanas optou ainda por não comentar a alegação de que teria desrespeitado o contrato com a Forte Minas, ao supostamente rompê-lo de forma unilateral e sem o aviso prévio de 30 dias estabelecido em cláusula contratual. ‘Acabou’ “Eu lembro no dia que ele me contou da falência. A gente estava junto e ele falou: ‘Acabou’ e começou a chorar”, lembra Bernardo Garcia, de 31 anos e filho de Moacir. “Eu não entendi na hora como que do nada [uma empresa acaba] — no dia anterior estava tudo bem.” Bernardo lembra que seu pai ficou muito abatido nos meses posteriores à falência, perdeu 30 quilos e infartou cerca de 3 ou 4 meses depois desse dia fatídico, durante uma viagem de trabalho para fechar uma das filiais, após a ruína financeira da empresa. “O susto foi muito grande. Na UTI, com ele muito fragilizado mentalmente e o sócio dele em condição ainda pior, com crises de pânico, eu dizia para o meu pai: ‘Pai, a gente vai fazer alguma coisa, vamos conseguir alguma justiça para isso’”, lembra Bernardo. Mas, por dois anos, Bernardo ouviu do pai que era melhor deixar para lá, que tentar tomar alguma ação contra a Americanas seria “mexer com cachorro grande” e não daria em nada. “Para você ter uma noção da gravidade da situação da nossa família e como aquilo me doía, teve um dia que minha mãe comprou um amendoim de R$ 6 e ela chorou porque naquele dia ela teve dinheiro para comprar isso”, afirma. “Mas o ponto de virada para mim foi que meus pais já não tinham carro próprio, nem casa própria, e eles usavam uma picapezinha que era da empresa para fazer o caminho entre a roça e BH, trajeto que ele faz agora vendendo leite e queijo. E aí nesse trajeto, o carro parou na blitz e foi apreendido, por conta de processo trabalhista. Eles ficaram na estrada, chorando muito e se sentindo completamente humilhados”, relata o filho do casal. “Minha mãe pegou o telefone, chorando, e falou para mim: ‘Olha onde a gente está, olha o que essa empresa fez com a gente’. Aquilo me doeu demais e foi quando eu decidi que
Como Bolsonaro planejou extinguir a reserva Yanomami – Por Lira Neto

Técnicos do Ministério da Saúde resgataram crianças Yanomami em estado grave por quadros severos de desnutrição e malária – Foto: Condisi-YY/Divulgação O plano teve início há cerca de 30 anos. Em 19 de outubro de 1993, uma terça-feira, em Brasília, o deputado Jair Bolsonaro, do Partido Progressista Reformador (PPR), legenda então liderada nacionalmente por Paulo Maluf, apresentou, na Câmara Federal, um projeto de decreto legislativo. Protocolado sob o número 365, a proposição buscava tornar sem efeito um decreto presidencial, homologado no ano anterior por Fernando Collor de Mello sob recomendação da Funai, criando a reserva Yanomami. O projeto de Bolsonaro, que à época exercia o primeiro mandato de deputado federal, tinha apenas dois curtos artigos. “Torna sem efeito o Decreto de 25 de maio de 1992, que homologa a demarcação administrativa da terra indígena Yanomami”, dizia o primeiro deles. “Este Decreto Legislativo entra em vigor na data de sua publicação, revogando as disposições em contrário”, sentenciava o segundo. Nos meses anteriores à apresentação do projeto, o deputado novato estivera em destaque nos jornais, por ter sugerido, em visita ao município gaúcho de Santa Maria, o fechamento do Congresso Nacional e a implantação de uma ditadura no país, nos moldes da instituída no Peru por Alberto Fujimori, segundo noticiou o jornal Zero Hora. “Sou a favor, sim, de uma ditadura, de um regime de exceção”, confirmou, em plenário, quando confrontado pelos colegas na volta à capital federal. De acordo com o que ficou registrado nos Anais da Câmara, choveram protestos, apartes, indignações. Foi um escarcéu. “Corremos o risco de promover o deputado Jair Bolsonaro se começarmos a falar demais sobre ele”, observou no calor da contenda, profético, um parlamentar. Ameaçado de cassação por falta de decoro, a figura caricaturesca de Bolsonaro foi motivo de reportagens, assunto para inúmeras notinhas em colunas políticas, convites para entrevistas em programas de tevê. A exposição gratuita alimentou novas bravatas. “Para acabar a crise brasileira, basta três batalhões de infantaria”, argumentou ele à época, segundo o Jornal do Brasil, atraindo ainda mais atenções públicas para si. Publicado na edição do Diário do Congresso Nacional de 10 de novembro de 1993, o projeto de Bolsonaro para a extinção da reserva Yanomami dormitou nas comissões internas da Câmara e, aparentemente natimorto, foi arquivado ao final da legislatura, conforme previsto no artigo 105 do regimento da casa. Em 1995, reeleito como o terceiro deputado federal mais votado no Rio de Janeiro, Bolsonaro solicitou o desarquivamento da proposição. E conseguiu. Encarregado de reanalisar o texto na Comissão de Defesa Nacional, o deputado Elton Rohnelt, do Partido Social Cristão (PSC) de Roraima, ex-diretor de uma madeireira e dono de uma empresa de mineração, deu parecer positivo. No currículo extraparlamentar de Rohnelt constava a invasão, na década de 1980, sob sua assumida liderança, por parte de 40 mil garimpeiros às terras dos Yanomamis. De acordo com o relatório da Comissão da Verdade, houve centenas de mortos em decorrência do ataque. Bolsonaro tinha pressa. Com apoio de 257 colegas deputados, o que lhe garantia o número regimental necessário, solicitou urgência para a votação do projeto em plenário. Em 30 de agosto de 1995, o presidente da Câmara, Luis Eduardo Magalhães, do Partido da Frente Liberal (PFL), acatou a solicitação, sob protestos da bancada oposicionista. Fernando Gabeira, deputado pelo Partido Verde (PV), ponderou: tema tão sensível não poderia ser analisado de afogadilho. “A demarcação das terras indígenas é tão delicada quanto a promoção da paz entre os palestinos e israelenses”, comparou, de acordo com o registro dos anais parlamentares. “Há vidas humanas extremamente vitimadas por uma política de genocídio em nosso país”, advertiu a deputada Socorro Gomes, do Partido Comunista do Brasil, eleita pelo Pará. O também paraense Gerson Peres, correligionário de Bolsonaro do PPR e votando pela liderança, divergiu da conterrânea: “Não temos mais nada a discutir, isso é o que queremos. Acompanhamos o nosso companheiro deputado Jair Bolsonaro. O PPR, portanto, encaminha o voto ‘sim’”. Após intensa discussão, o regime de urgência foi rejeitado: 290 deputados votaram contra; 125, a favor. Houve 10 abstenções. Depois de regressar às comissões internas, recebendo pareceres negativos dos deputados Fernando Gabeira e Almino Afonso (PSB), o projeto foi mais uma vez arquivado. Nem assim Bolsonaro desistiu do objetivo. “A Cavalaria brasileira foi muito incompetente”, ele esbravejou, na sessão da Câmara de 16 de abril de 1998, então filiado ao Partido Progressista Brasileiro (PPB). “Competente, sim, foi a Cavalaria norte-americana, que dizimou seus índios no passado e hoje em dia não tem esse problema no país”. Eleito pelo PPB para um terceiro mandato no final daquele mesmo ano, Bolsonaro repetiu a manobra e pediu um segundo desarquivamento do projeto. De novo, a proposta estacionou nas instâncias internas, sendo arquivada pela terceira vez ao final daquela legislatura. No início de 2003, decorridos dez anos da proposição inicial, já no quarto mandato e filiado ao Progressistas — fusão do PPR com o Partido Progressista (PP) —, o deputado continuava com a mesma ideia fixa. Solicitou mais um desarquivamento, mas o projeto de extinção da reserva Yanomami não avançou na Comissão de Constituição e Justiça e Cidadania. Foi de novo posto de molho, para ser arquivado, em definitivo, no final de 2007, após 14 anos de idas e vindas. Passaram-se outros dez anos. Em 2017, candidato à presidência da República pelo Partido Social Liberal (PSL), Bolsonaro deixou claro o propósito de dar combate aos povos originários: “Não vai ter um centímetro demarcado para reserva indígena”, anunciou. No cargo de presidente, em 2020, propôs o Projeto de Lei 191 — o “Projeto de Lei do Genocídio”, como batizado pelos adversários —, também assinado pelos ministros das Minas e Energia, almirante Bento Albuquerque, e da Justiça, Sergio Moro, autorizando o garimpo e o agronegócio em áreas indígenas. Pressões da sociedade civil e das comunidades indígenas mantiveram o texto na gaveta. Enquanto isso, conforme revelou o site The Intercept Brasil, 21 ofícios com pedidos de ajuda dos yanomamis foram ignorados. Em 2021, 28 anos depois de ter dado entrada na Câmara do
Após 47 anos, Montes Claros volta a presidir a Assembleia Legislativa de Minas Gerais

Tadeuzinho será o presidente da ALMG e Leninha, a vice (Fotos: divulgação- ALMG) Desde 1975 que o Norte de Minas não ocupa a cadeira de presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais. O último a presidir aquela casa foi o então deputado Antônio Dias, durante a 8. ª legislatura (1975 a 1979), eleito pela Aliança Renovadora Nacional (ARENA), sendo o presidente mais jovem da ALMG até hoje, aos 31 anos de idade. Antônio Dias faleceu no último dia 29 de novembro, aos 78 anos. Agora, após 47 anos, o deputado estadual Tadeu Martins Leite (MDB) será candidato único à presidência da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). O nome do deputado estadual Tadeu Martins Leite (MDB) ganhou ainda mais força para presidir a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) nesta terça-feira (24/1). Os 20 parlamentares à esquerda fecharam apoio unânime ao emedebista: 12 do PT, quatro do PV, dois da Rede, um do Psol e outro do PCdoB. Ele também já conta com apoio da bancada do PL, a segunda maior da Casa, com nove políticos; e do PDT, que conta com dois. O apoio da esquerda vinha sendo costurado há dias e foi fechado nesta terça-feira em uma reunião. Parte dos deputados participaram de maneira remota, enquanto outros se encontraram com Tadeu Martins Leite pessoalmente. “Não queremos extensão do Poder Executivo no poder Legislativo. Queremos construir pontes e diálogos para a prática da melhor política em Minas e manter a independência do parlamento”, diz a deputada Leninha (PT). O líder da minoria, deputado Ulysses Gomes (PT), foi na mesma linha de Leninha. “Um Legislativo forte, com autonomia e capaz de cuidar do povo mineiro como ele merece. É o que defendemos e queremos para Minas Gerais. O Poder Legislativo precisa de ter a sua frente alguém comprometido com o nosso estado e com a fiscalização das ações do Executivo. Estamos muito confiantes de que este é o melhor projeto para o parlamento”, escreveu no Instagram. Para o parlamentar Leleco Pimentel (PT), Tadeuzinho dialogou de “maneira respeitosa” durante as tratativas, o que aproximou a esquerda de sua candidatura. “O bloco apoia a candidatura de Tadeuzinho porque ele constrói junto uma proposta. Não como vem fazendo Zema, que apresenta candidatos para destruir um candidato que constrói com todos dialogando. Por isso, é importante que o fortalecimento dessa candidatura seja a autonomia deste poder, que é o poder mais ligado ao povo”, diz. Tadeuzinho, como é conhecido pelos colegas, carrega o favoritismo na disputa que acontece em fevereiro por ser visto como conciliador, diante do diálogo aberto com os diferentes blocos da Casa. Pela proximidade com o atual presidente Agostinho Patrus (PSD), o nome do MDB não é visto com os melhores olhos pelo governo Romeu Zema (Novo), que tentou emplacar Roberto Andrade (Patri), fora da disputa desde sábado (21/1). DEFINIÇÃO Governo Zema desiste de candidatura e Tadeu será candidato único na ALMG Governador tomou a decisão após iminente derrota de candidato governista na eleição para comandar o Legislativo Após lançar dois candidatos que não se firmaram, o governador Romeu Zema (Novo) declarou nesta terça-feira (24) que o melhor para Minas Gerais é que haja candidato único na eleição para presidente da Assembleia Legislativa (ALMG). Na prática, isso significa que o governo desistiu de lançar um nome e irá compor com Tadeu Martins Leite (MDB), que já era o favorito para vencer a eleição e agora será candidato único. Tadeuzinho, inclusive, está reunido com Zema na Cidade Administrativa na noite desta terça-feira (24). “A eleição da Mesa é um tema interno da Assembleia, mas tenho certeza de que a unificação dos deputados ao redor de uma candidatura única seria o melhor para os mineiros”, afirmou o governador em declaração enviada a O TEMPO. O governador decidiu convidar o deputado para o encontro após passar a tarde reunido com o núcleo duro do governo, formado pelo vice-governador, Mateus Simões (Novo), o secretário de Governo, Igor Eto (Novo), e o deputado federal Marcelo Aro (PP). A chapa de Tadeu para a Mesa Diretora terá a deputada estadual Leninha (PT) como vice-presidente e Antônio Carlos Arantes (PL) como 1º secretário. O PT e os demais partidos de esquerda da oposição (PCdoB, PV, PSOL e Rede) foram fundamentais para o emedebista já começar a disputa com 20 votos, enquanto o apoio de oito dos nove deputados do PL praticamente definiu a eleição a favor de Tadeuzinho. Zema decidiu não lançar candidatura de alguém da base do governo no momento em que o entorno de Tadeu Martins Leite afirma ter cerca de 45 votos. Desses, 38 já eram declarações públicas, apenas um menos do que os 39 votos necessários. O Palácio Tiradentes decidiu entrar na disputa para a presidência da ALMG após o atual presidente, Agostinho Patrus (PSD) atuar como oposição a Zema durante o primeiro mandato e travar o andamento dos projetos do governador no Legislativo. O maior temor do Palácio Tiradentes é que a situação se repita no segundo mandato. Um dos assuntos que devem ser discutidos entre Zema e Tadeu é justamente a tramitação das propostas do governo na Casa. Aliados do emedebista afirmam que, se eleito, ele manterá a independência do Legislativo, mas que está disposto a ajudar o governo. O governo Zema inicialmente lançou Roberto Andrade (Patriota) como candidato ao comando da ALMG. A candidatura sofreu um baque após o PL, segunda maior bancada, com nove deputados, e base de apoio do governador, declarar apoio a Tadeu na sexta-feira (20). No domingo, Zema retirou a candidatura de Andrade e lançou Duarte Bechir (PSD). A aposta era que, ao contrário do deputado do Patriota, visto como alguém muito próximo do governo, Bechir conseguiria virar votos dos parlamentares que estavam com Tadeuzinho, principalmente no PSD (bancada com 9 deputados) e no PT (12 deputados). O movimento não surtiu efeito. O governo, então, sondou o atual vice-presidente da ALMG, Antônio Carlos Arantes (PL), e o deputado Gustavo Valadares (PMN) sobre a possibilidade deles se lançarem como candidatos. Ambos rejeitaram a proposta. *Com jornal O
Solidariedade – Saiba como ajudar os indígenas Yanomami

O governo decretou situação de Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional e está disponibilizando um link para que interessados possam se inscrever como voluntários – Ministério da Defesa É possível realizar doações por meio da ONG Ação da Cidadania e pela Central Única das Favelas (CUFA) Desde que o governo federal enviou técnicos do Ministério da Saúde para a terra indígena (T.I.) Yanomami, em Roraima, diversas denúncias de violações de direitos humanos estão sendo registradas, sobretudo com a ação do garimpo ilegal na região. Atualmente, estima-se que mais de 30 mil indígenas vivam na terra indígena. A partir deste cenário, o governo Lula decretou situação de Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional na região e está disponibilizando um link para que interessados possam se inscrever como voluntários da Força Nacional do SUS. Para se inscrever basta informar seu nome completo e a área de formação. O cadastro, que existe desde 2011, é permanente e convoca os voluntários inscritos conforme as demandas existentes no país. Aqueles que já foram convocados irão atuar nos postos de médicos, enfermeiros e nutricionistas na Casa de Saúde Indígena Yanomami e no hospital de campanha do Exército. A Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC) também está reforçando o chamado para os seus profissionais associados. Em nota, a organização se solidarizou com a tragédia, colocou a entidade à disposição para atuar na região e exige que os responsáveis sejam investigados e punidos no rigor da lei. Além das ajudas profissionais, os interessados também podem ajudar com doações em portais confiáveis. Por exemplo, a ONG Ação da Cidadania está arrecadando doações a fim de ajudar a situação dos indígenas yanomamis de Roraima. Para contribuir basta acessar o site SOS Yanomami e clicar em “doe já!”. Na sequência a pessoa pode escolher o meio de pagamento da doação, que pode ser realizada por Pix, boleto ou cartão. Outra organização que também está aberta à doações, visando ajudar os yanomamis, é a Central Única das Favelas (CUFA). Para doar basta acessar a página e clicar em “contribuir”. A meta de arrecadação é de R$ 100 mil e até então a Central já juntou R$ 23 mil. Neste último final de semana a Força Aérea Brasileira (FAB) transportou para a T.I. Yanomami cerca de 5 mil cestas básicas adquiridas por meio da parceria entre o Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, Funai, Ministério dos Povos Indígenas, Ministério da Saúde e Forças Armadas.
Justiça evita prescrição de crimes no rompimento da barragem em Brumadinho

Empresas Vale e Tüv Sud se tornam rés, assim como 16 pessoas envolvidas no episódio – O rompimento da barragem da Vale, em Brumadinho, matou 272 pessoas e segue causando impactos na saúde da população – Foto: Isis Medeiros A Justiça Federal aceitou nesta terça-feira (24) denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra 16 pessoas e as empresas Vale e Tüv Süd pelos crimes do rompimento de uma barragem em Brumadinho (MG) em 2019. Com isso, fica garantido que não haverá prescrição, ou seja, que os crimes ficarão sem julgamento por perda de prazo. Segundo a legislação vigente no país, o prazo de prescrição para crimes dessa natureza é de quatro anos. Como a tragédia aconteceu em 25 de janeiro de 2019, o prazo venceria nesta quarta-feira. Na última semana, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou o andamento imediato do processo devido ao risco de prescrição. Entre as pessoas físicas listadas na denúncia do MPF e que agora se tornaram rés estão diretores, gerentes, geólogos, engenheiros, especialistas e consultores da Vale e da Tüv Süd. As duas empresas foram denunciadas pelos crimes contra a fauna, a flora e crime de poluição. Já as pessoas físicas foram indiciadas pelos mesmos crimes e também por homicídio qualificado. A ação do MPF descarta a possibilidade de acordo devido aos danos socioeconômicos e socioambientais em uma faixa de mais de 500 quilômetros da calha do rio Paraopeba. O deslizamento causou 270 mortes, incluindo duas mulheres grávidas (por isso, algumas entidades, como a associação de vítimas, contabilizam 272 óbitos). Atos pelas vítimas Além das vítimas imediatas, houve uma série de consequências posteriores, como o acúmulo de metais nos corpos de crianças que vivem na região, como mostrou levantamento da Fiocruz. Nesta semana, o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) realiza uma série da atos em homenagens às vítimas. A primeira manifestação aconteceu no município de São Joaquim de Bicas, também atingido pelo rompimento, na última segunda-feira. Na quarta-feira, quando completam-se quatro anos do crime, haverá atos em Brumadinho e em Belo Horizonte. Na capital mineira, os manifestantes vão se dirigir ao Tribunal de Justiça e à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Também foram convocadas manifestações nas redes sociais.
Líderes aplaudem a volta do Brasil à Cúpula da América Latina e Caribe

Alberto Fernández, que deixa hoje a presidência temporária da entidade, destacou que agora “temos uma Celac completa” Em discurso de abertura, Fernández mencionou os bloqueios à Cuba e Venezuela, tema que levou à Cúpula das Américas no ano passado. – Reprodução A abertura da 7ª Cúpula da Comunidade dos Estados da América Latina e do Caribe (Celac), em Buenos Aires nesta terça-feira (24), contou com um discurso do mandatário argentino Alberto Fernández, atual presidente temporário do bloco. Além de elogiar a volta do Brasil à comunidade – abandonada pelo governo Bolsonaro -, ele criticou o avanço da ultra-direita contra as instituições democráticas em toda a região, os bloqueios contra Cuba e Venezuela e os efeitos econômicos e sanitários do mundo globalizado sobre os países latino-americanos e caribenhos. Fernández adiantou que a presidência da Argentina será concluída hoje. O novo país nomeado para o comando temporário da Celac será conhecido após a plenária, que acontece de forma privada entre os chefes e representantes de Estados e, portanto, não será transmitida. Ao iniciar sua fala, Fernández pediu um aplauso pelo retorno do Brasil. “Uma Celac sem o Brasil é uma Celac muito mais vazia. Por isso, sua presença hoje nos completa”, comemorou o presidente argentino, e logo destacou alguns dos problemas do ano que coincidiu com sua presidência do bloco. “Passamos pela pandemia, pela guerra e com nossas economias em crise.” No primeiro ponto de sua fala, o presidente argentino destacou os efeitos desiguais sobre os países caribenhos em tempos de emergência climática. “Vivemos no continente mais desigual do mundo e devemos, de uma vez por todas, encarar um processo que nos leve à igualdade e à justiça social”, disse Fernández. Nesse sentido, mencionou o Fundo de Assistência para o Caribe destinado ao enfrentamento das consequências das mudanças climáticas, que afetam especialmente essa região. Em seguida, destacou o bloqueio econômico contra Cuba e Venezuela empregado pelos Estados Unidos, um tema que levou como presidente da Celac à Cúpula das Américas, em Los Angeles, no ano passado. “Os bloqueios são métodos muito perversos de sanção não aos governos, mas aos povos. Não podemos continuar permitindo isto”, disse. Neste sentido, ressaltou a necessidade de trabalhar regionalmente para garantir a institucionalidade dos países. “A democracia está definitivamente em risco. Depois da pandemia, vimos como setores da ultra-direita se colocaram de pé e estão ameaçando cada um de nossos povos. Não podemos permitir que essa direita recalcitrante e fascista coloque a institucionalidade dos nossos povos em risco”, enfatizou. Como exemplo, Fernández mencionou ainda os ataques bolsonaristas em Brasília, no último dia 8, a tentativa de assassinato da vice-presidenta argentina Cristina Kirchner e o golpe na Bolívia em 2019. Comemorou a vitória do retorno da democracia ao país e se dirigiu ao atual presidente, Luis Arce – a quem se referiu carinhosamente como “Lucho” Arce –, um dos mais de 15 mandatários presentes em Buenos Aires. Além de Arce, participam pessoalmente da cúpula o presidente colombiano Gustavo Petro; Gabriel Boric, presidente do Chile; Xiomara Castro, presidenta de Honduras; Mario Abdo Benítez, presidente do Paraguai; Mia Mottley, de Barbados, Miguel Díaz-Canel, presidente de Cuba; e Luis Lacalle Pou, presidente do Uruguai, próximo destino do presidente Lula, quem também está presente na Celac em Buenos Aires. Alberto Fernández defendeu o trabalho em união entre os países, para fazer efetiva essa integração tão mencionada durante a cúpula. “Vejo que se abre uma nova oportunidade. A Celac voltou, agora completa com o Brasil, e com uma oportunidade na região. O mundo mudou, e a pandemia evidenciou as carências do sistema econômico. Dez pessoas no mundo tem o patrimônio de 40% da humanidade. Na pandemia, 90% das vacinas eram destinadas centralmente a 10 países, que representa 10% da humanidade. Temos a oportunidade de desenvolvermos unidos. O que temos que fazer é aprofundar nosso diálogo e respeitar nossas diferenças”, disse o mandatário. Mencionou os acordos assinados com Lula no dia anterior como um exemplo do que deve acontecer nos próximos anos na região. “Avançamos na nossa relação bilateral entre Argentina e Brasil, e devemos avançar deste modo em todo o continente”, disse. “Temos que transformar todas essas palavras em fatos, e fazer com que a integração seja uma realidade.” Logo, concluiu sua fala com o que pode ser interpretado como um recado para Lacalle Pou, que tem interesse em fechar acordos diretamente com a China, por fora do bloco do Mercosul. “Sozinhos, valemos pouco. Unidos, podemos ser muito fortes. Chegou o momento que o Caribe e a América Latina sejam uma só região que defenda os mesmos interesses para o progresso dos nossos povos.” Posteriormente, o chanceler argentino Santiago Cafiero enumerou os cinco eixos temáticos de ação que foram desenvolvidos entre os países da região durante a presidência pro tempore da Argentina em 2022. Os eixos destacados foram: a recuperação social econômica e produtiva pós-pandemia, com a implementação de um plano de autossuficiência sanitária de países da região; a ciência e tecnologia e a inovação para o desenvolvimento e a inclusão; a cooperação ambiental e a gestão de risco e desastres em um contexto de mudança climática; a cultura e a educação para os povos; e o empoderamento das mulheres e as ações em questões de gênero. Em termos de agenda extrarregional, o chanceler destacou o vínculo regional com a China, a relação da Celac com a União Africana, com a Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), a retomada da relação da Celac com a Índia e a confirmação de uma cúpula do bloco com a União Europeia. “Após 4 anos de silêncio, pudemos ativar o mecanismo Celac-UE, com uma agenda de trabalho consensuada durante o ano passado e que se concretizará com um encontro em meados do ano.” Fonte: Brasil de Fato