Polícia Federal retira credenciais de agente de imigração dos EUA

O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, disse nesta quarta-feira (22/4) que a decisão foi uma resposta à retirada das credenciais de Marcelo Ivo O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, retirou as credenciais diplomáticas de um agente de imigração dos Estados Unidos que atuava na sede da PF em Brasília. Segundo ele, a iniciativa é um ato do governo brasileiro em reciprocidade à decisão do governo estadunidense de determinar a saída do delegado brasileiro Marcelo Ivo de Carvalho, também da PF, dos EUA. “Eu retirei, com pesar, as credenciais de um servidor dos EUA pelo princípio da reciprocidade”, afirmou Andrei durante entrevista ao programa Estúdio i, da GloboNews. A Agência Brasil entrou em contato com a assessoria de imprensa da Polícia Federal para confirmar a informação e também para pedir detalhes sobre a substituição do delegado Marcelo Ivo pela delegada Tatiana Alves Torres. Até a redação desta nota, não havia recebido retorno. Entenda Na última segunda-feira (20), o Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental dos Estados Unidos informou que pediu a saída de um “funcionário brasileiro” do país. Embora a postagem não cite nomes, o texto indica que se trata de um delegado da Polícia Federal envolvido na prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem. Ramagem foi solto na última quarta-feira (15) após ficar dois dias preso na Flórida. O ex-deputado foi diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). No ano passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Ramagem a 16 anos de prisão na ação penal relacionada à trama golpista. Na terça-feira (21), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou o caso durante viagem à Alemanha, e falou em em reciprocidade.  “Acho que, se houve um abuso americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com o deles no Brasil. Não tem conversa”, disse Lula

Fim da escala 6×1 é aprovado na CCJ, e pauta segue para comissão especial na Câmara

Com a aprovação na CCJ, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), deverá criar uma comissão para analisar a PEC; texto ainda não irá a plenário A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (22/4), o avanço da proposta de emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6×1 – uma folga a cada seis dias trabalhados.Os deputados ainda não analisaram o conteúdo da PEC. A votação serviu apenas para confirmar que ela não desrespeita as normas da Constituição e pode tramitar.Agora, com o rito cumprido, a PEC irá para a análise em uma comissão especial. A criação dela é tarefa do presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), um dos patrocinadores da proposta, e a tendência é que ele indique, ainda nesta quarta-feira, quem serão o presidente da comissão e o relator da PEC.O regimento da Câmara prevê que o grupo faça a análise do conteúdo e vote o relatório da PEC em até 10 sessões. Nessa etapa, os deputados podem propor emendas – que completam a versão original da PEC, apresentada pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), ou até alteram o sentido dela.Depois, a proposta é enviada ao plenário para votação. São necessários os votos de, pelo menos, 308 dos 513 deputados para aprovar a PEC, que ainda precisa de análise do Senado. AcordoInicialmente, a PEC de Reginaldo Lopes prevê a redução da jornada para 36 horas. Entretanto, ele indicou que, durante a tramitação, apresentará uma emenda à própria PEC: a intenção dele é uma redução para 40 horas – que significa, na prática, duas folgas para cada cinco dias trabalhados.A alteração contempla um acordo costurado em dezembro entre ele e a deputada Erika Hilton (PSOL-SP), que também propôs a redução, e o Palácio do Planalto. Essa emenda, que demandará as assinaturas de 171 deputados, iguala a PEC ao projeto de lei (PL) enviado pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).Os principais pontos de divergência entre oposição e base em relação à PEC, neste momento, são o regime de transição e a possibilidade de compensação para empresários após a redução da jornada. Isto só será tratado na comissão especial.

Inveja branca – Mateus Simões usa expressão racista na cerimônia da Medalha da Inconfidência

O governador de Minas Gerais, Mateus Simões foi condecorar Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, quando disse algo que há anos é tido como notoriamente discriminatório, sem nenhum constrangimento O cenário era a histórica Ouro Preto, palco da tradicional entrega da Medalha da Inconfidência, nesta terça-feira (21), feriado nacional de Tiradentes. No entanto, o que deveria ser um ato de exaltação ao civismo acabou marcado por uma fala carregada de preconceito estrutural. O governador em exercício de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), que substituiu Romeu Zema (Novo) após sua renúncia por razões eleitorais, causou indignação ao utilizar uma expressão racista para elogiar seu homólogo paulista, Tarcísio de Freitas (Republicanos).Durante o discurso de entrega do Grande Colar, a mais alta honraria do estado, reservada aos governantes dos estados e os chefes de Poderes, Simões tentou fazer um aceno à representatividade feminina, mas tropeçou no vocabulário discriminatório.“Dizia ao governador Tarcísio da minha inveja branca de ele ter nomeado a primeira comandante da Polícia Militar mulher”, declarou Simões, sem esboçar qualquer constrangimento ao pronunciar o termo claramente racista. Peso do termoA expressão “inveja branca” é amplamente condenada por especialistas, historiadores e movimentos sociais por reforçar o racismo linguístico. A lógica por trás do termo é a de que o “branco” purifica o sentimento, tornando-o aceitável ou positivo, enquanto o “preto” permanece implicitamente ligado ao que é ruim, pecaminoso ou maléfico. Em um estado como Minas Gerais, cuja história é marcada pela luta e resistência negra, o uso do termo em uma cerimônia oficial foi recebido como um retrocesso e gerou revolta nas redes sociais. Corrida política e aliançasO absurdo verbal ocorreu em um momento em que Simões busca consolidar seu nome para a sucessão de Romeu Zema. A presença de Tarcísio de Freitas e de outras figuras da direita, como o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da pré-campanha de Flávio Bolsonaro e também agraciado com a Grande Medalha, reforça a tentativa de Simões de atrair o Republicanos e o PL para sua futura coligação.Ao tentar “disputar” o pioneirismo na promoção de mulheres em postos de comando, Simões lembrou que Minas já possui a coronel Jordana Filgueiras Daldegan à frente do Corpo de Bombeiros. Contudo, o mérito da pauta foi ofuscado pela escolha infeliz das palavras. Silêncio do governoAté o fechamento desta reportagem, o governo de Minas Gerais e a assessoria pessoal do governador Mateus Simões não se manifesteram em relação aos pedidos de esclarecimento enviados por e-mail e mensagens instantâneas das mais diversas redações de inúmeros veículos de imprensa. O espaço na Fórum permanece aberto para manifestação.A fala de Simões acende um alerta sobre a naturalização de termos discriminatórios no alto escalão da política brasileira, especialmente em eventos que celebram a liberdade e a justiça, pilares do movimento inconfidente.

Após expulsão e luto, Ana Paula Renault vence o BBB 26: saiba quem é a campeã

Ana Paula Renault participou do “Big Brother Brasil 26”, protagonizou a edição, venceu a final com  75,94% dos votos e recebeu o maior prêmio da história da TV brasileira, de R$ 5,7 milhões. A vencedora tem 44 anos, nasceu em Belo Horizonte e iniciou a carreira no jornalismo. De família numerosa, com cinco irmãos, enfrentou a morte da mãe aos 16 anos. Recentemente, perdeu o pai, Gerardo Renault, morto no último domingo (19), aos 96 anos. Após ser informada pela produção do programa, decidiu permanecer no jogo.Ana Paula Renault participou do “Big Brother Brasil” pela primeira vez em 2016, quando ganhou destaque pela postura firme, autenticidade e envolvimento no jogo. Na edição, tornou-se uma das participantes mais populares, com posicionamentos diretos e atuação em alianças dentro da casa. Polêmica e eliminação marcaram sua primeira participaçãoApesar do favoritismo, a trajetória de Ana Paula no programa em 2016 terminou de forma inesperada. Após um conflito com um rival, ela acabou sendo eliminada por agressão, o que interrompeu uma jornada que muitos acreditavam que terminaria com sua vitória.Ainda assim, sua passagem ficou marcada na história do reality. Foi dela um dos bordões mais icônicos do programa: “olha ela!”, criado após retornar de uma falsa eliminação — momento que ajudou a consolidar sua popularidade.A sister campeã tem posições alinhadas ao campo progressista e ao eleitorado do presidente Lula. Suas posições ganharam força ao longo do programa e, depois, com a informação de que seu nome entrou no radar do PT para uma eventual candidatura ao parlamento em 2026. Carreira após o BBB: influência e presença na TVDepois da saída do programa, Ana Paula Renault transformou sua visibilidade em uma carreira sólida como influenciadora digital e personalidade da televisão. Participou de programas de entretenimento, fez aparições em novelas e chegou a comandar um quadro na TV Globo, onde entrevistava ex-participantes do reality sobre a vida após o confinamento.Essa presença constante na mídia ajudou a manter seu nome relevante ao longo dos anos, preparando o terreno para seu retorno ao BBB. Retorno ao BBB 26: favoritismo desde o inícioA volta de Ana Paula Renault ao reality em 2026 causou grande repercussão nas redes sociais logo nos primeiros dias. Embora o sucesso até a final não fosse garantido no início, ela rapidamente se destacou mais uma vez, sendo apontada como uma das jogadoras mais fortes da edição desde a estreia.Agora, na final do programa, Ana Paula disputa o prêmio com Milena e Juliano — ambos seus aliados no jogo — e pode consagrar uma trajetória que mistura polêmica, carisma e estratégia.O favoritismo de Ana Paula Renault no BBB 26 se explica por um conjunto de fatores: sua autenticidade, experiência prévia no jogo, forte conexão com o público e habilidade em construir alianças. Sua história no reality, marcada por altos e baixos, também contribui para o engajamento dos fãs.

Datafolha: 54% dos brasileiros não têm interesse em acompanhar a Copa do Mundo

Pesquisa indica maior desinteresse da série histórica iniciada em 1994, superando o recorde anterior registrado antes da Copa de 2018, na Rússia A maioria dos brasileiros afirma não ter interesse em acompanhar a próxima Copa do Mundo, segundo pesquisa do Datafolha. O levantamento mostra que 54% da população dizem não pretender assistir aos jogos do torneio. O instituto ouviu 2.004 pessoas entre os dias 7 e 9 de abril, e a margem de erro é de dois pontos percentuais, informa o jornal Folha de São Paulo.Trata-se do maior índice de desinteresse da série histórica iniciada em 1994, superando o recorde anterior registrado antes da Copa de 2018, na Rússia. Em 2022, antes do torneio no Qatar, 51% declaravam pouco interesse. A pesquisa também aponta que 31% dos entrevistados afirmam que não pretendem assistir às partidas. Entre as mulheres, o desinteresse chega a 62%, enquanto entre os homens o índice é de 46%.Torcedores ouvidos relacionam a baixa empolgação ao momento da seleção brasileira. Sob comando de Carlo Ancelotti, a equipe encerrou as Eliminatórias em quinto lugar, com derrota para a Bolívia na última rodada, além de resultados negativos em amistosos contra Japão, Tunísia e França.Segundo o Datafolha, apenas 17% dos entrevistados declararam ter “grande interesse” no torneio, o menor percentual da série histórica. O índice já havia sido mais alto em 1994, quando 56% demonstravam forte engajamento.Entre os mais jovens, o interesse é maior. Nas faixas de 16 a 24 anos e de 25 a 34 anos, 24% e 20% disseram estar muito interessados, respectivamente. Já entre pessoas de 35 a 44 anos, o percentual é de 13%, enquanto entre 45 e 59 anos chega a 14%. Entre os com 60 anos ou mais, o índice é de 15%.

Lula fala em ‘reciprocidade’ após delegado da PF ser expulso dos EUA

Delegado Marcelo Ivo foi expulso dos Estados Unidos uma semana depois da prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou, nesta terça-feira (21/4), que pode agir com “reciprocidade” contra os Estados Unidos após o delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo ser expulso do país.“Se houve um abuso americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com o dele no Brasil”, afirmou o presidente à imprensa na porta de um hotel em Hannover, na Alemanha.“Nós queremos que as coisas aconteçam da forma mais correta possível, mas não podemos aceitar essa ingerência, esse abuso de autoridade que alguns personagens americanos querem ter com relação ao Brasil”, acrescentou Lula.O delegado Marcelo Ivo foi expulso dos Estados Unidos na segunda-feira (20/4), uma semana depois da prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado. Ramagem foi detido pelo serviço de imigração norte-americano, o ICE, em 13 de abril, e foi solto dois dias depois.O governo dos EUA, por meio do Departamento de Estado, disse que o delegado brasileiro tentou “manipular” o sistema de imigração, “contornando pedidos formais de extradição” e “estendendo perseguições políticas ao território dos Estados Unidos”.A Polícia Federal informou que a prisão de Ramagem pelo serviço de imigração norte-americana ocorreu como resultado de cooperação policial internacional entre o Brasil e os Estados Unidos.

Delegado da PF que atuou na prisão de Ramagem nos EUA é expulso do país, diz Casa Branca

Marcelo Ivo de Carvalho exerce a função de oficial de ligação da PF junto ao ICE O Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental da Casa Branca, dos Estados Unidos, anunciou nesta segunda-feira (20) a expulsão do país de um funcionário brasileiro, que, segundo o comunicado, teria ‘manipulado’ o sistema de imigração para driblar pedidos de extradição e promover uma ‘caça às bruxas’ nos EUA.O órgão é ligado ao Departamento de Estado dos EUA.“Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar tanto pedidos formais de extradição quanto prolongar caças às bruxas políticas em território dos EUA. Hoje, solicitamos que o funcionário brasileiro relevante deixe nossa nação por tentar fazer isso”, disse a publicação oficial na rede social X. O tuíte foi repostado pela conta oficial da embaixada dos EUA no Brasil.Mais cedo, o Metrópoles informou que tratava-se do delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo de Carvalho, que atuou na prisão do ex-chefe da Abin Alexandre Ramagem.Ivo exerce a função de oficial de ligação da PF junto ao ICE, órgão de repressão à imigração nos EUA.Ramagem foi preso nos EUA no último dia 13 e posteriormente solto, no último dia 15. À época de sua prisão, a PF informou em nota que ela foi decorrente de cooperação policial internacional entre Brasil e EUA.Ramagem, que fugiu para os EUA, foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 16 anos de prisão por envolvimento na trama golpista.

A ameaça permanente do fascismo, 10 anos depois do golpe contra Dilma

Se a História é escrita pelos vencedores, são os democratas que devem narrar o que aconteceu a partir de 2016, com o golpe contra Dilma Rousseff? Fomos os vencedores, derrotados há 10 anos, mas hoje de novo no poder? * Por Moisés Mendes, em seu blog É isso mesmo? É esse o clichê que nos serve sobre a História contada pelos que vencem? Nós vencemos? Eles sabem que são os derrotados? É o retrato que está aí. Dilma teve o mandato abreviado pela velha direita, no começo da ascensão do fascismo, e é hoje a poderosa presidente do Banco do Brics. Desempenha missão mundial estratégica, como destacam hoje em várias publicações. E Bolsonaro, o produto mais bem acabado do golpe, pelos desdobramentos e sequelas que a trama provocou e o cenário que ajudou a criar, é hoje o inspirador e estrategista da direita para enfrentar Lula em outubro. Doente, alquebrado, desmoralizado como golpista fracassado, humilhado pela tentativa de destruir uma tornozeleira, mas ainda referência salvadora da direita toda, e não só do extremismo bolsonarista. A direita, que já teve a cara de Marco Maciel, tem hoje a cara dos Bolsonaros, porque buscaram mas não há outra saída com as caras pálidas de Zema, Caiado, Eduardo Leite, Ratinho. A História narrada pelos vencedores é essa. O golpe derruba Dilma, encarcera Lula, põe o fascismo no poder, acovarda as corporações de mídia e aciona a resistência de veículos de comunicação progressistas. Parece simples, como sempre foi. A derrota do nazismo fez prevalecer a História contada pelos que de fato venceram. Todas as ditaduras derrubadas, na Europa e na América Latina, na segunda metade do século passado, foram relembradas pela voz dos que venceram. O fim da tirania dos generais brasileiros tem, como versão consagrada, como verdade, as muitas abordagens dos democratas escritas e faladas pelas figuras públicas, pelo jornalismo, pelos historiadores e pela arte. Mas o golpe de 2016 e a tentativa de golpe de 2022 e 2023 não têm uma versão vencedora que se baste como algo que se imponha como verdade. Porque hoje a História é contada por quem quiser contá-la, pelo acesso de todo tipo de narrador à esfera pública das verdades e das mentiras. As histórias narradas pelos que venceram não bastam para que se afirmem como expressão da História que fica. As vozes que mais importam numa democracia, dos que votam e decidem, dizem que o fascismo está vivo, até porque muitas falam por esse fascismo. Os aparentemente derrotados sobrevivem e contam as suas versões com uma vitalidade que não existia antes. Ficou difícil impor o que é verdade. As vozes da direita e da extrema direita, que se misturam e se confundem, falam mais alto e são numericamente mais fortes do que as dos democratas. As vozes da direita são, quem sabe, até mais consequentes, no sentido de que chegam aos seus propósitos – para usar uma palavra que está na boca de jogadores de futebol e influencers. Os propósitos da direita se expressam na perspectiva real de um Bolsonaro suceder o pai como líder do antilulismo. E também no fortalecimento dos vínculos de vendedores e compradores de fé e os políticos. No aumento da violência de machos e da polícia. Os propósitos da direita vislumbram o controle absoluto do Congresso, das emendas, das fábricas de ódios e mentiras. O domínio das corporações de mídia que se encolheram diante do bolsonarismo. O manejo com mais método das redes sociais e das redes de tios do zap. Se os vencedores escreviam a História, essa escrita hoje fica pela metade, diante da capacidade de rearticulação quase imediata dos perdedores. Contar como vencemos como democratas não é suficiente para que nos sintamos de fato vencedores. Naquele dia 17 de abril, quando Bolsonaro exaltou a figura de Brilhante Ustra, começou o que ainda não terminou. Aquele 2016 é mais um ano que não acabou e talvez não acabe, nem mesmo com a vitória de Lula em outubro. A versão contada pelos vencedores já não vale, nem como triunfo moral, o que valia até pouco antes da nova era de disseminação do fascismo no mundo. O balanço desses anos, desde a abertura do processo que levaria ao golpe contra Dilma, pode ser, dependendo do narrador, bastante doloroso. Mas vamos em frente. É preciso pensar como um pessimista e tentar, como se dizia no século 20, radicalizar nossas ações otimistas. Enquanto ainda enfrentamos um Brilhante Ustra por dia * Moisés Mendes é jornalista em Porto Alegre, autor de “Todos querem ser Mujica” (Editora Diadorim) – https://www.blogdomoisesmendes.com.br/

STF derruba lei de SC que proibiu cotas raciais nas universidades

Decisão foi referendada por todos os ministros da Corte Por unanimidade, o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta sexta-feira (17) derrubar a lei de Santa Catarina que proibiu a reserva de cotas raciais para ingresso de estudantes em instituições de ensino que recebem verbas públicas do estado. A votação ocorreu no plenário virtual da Corte e foi finalizada com placar de 10 votos a 0. O plenário julgou ações protocoladas pelo PSOL, PT, PCdoB e o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para considerar inconstitucional a Lei 19.722 de 2026, aprovada pela Assembleia Legislativa e sancionada pelo governador Jorginho Melo. A norma permite a reserva de vagas somente para pessoas com deficiência, alunos oriundos de escolas públicas ou com base em critérios exclusivamente econômicos. O julgamento começou na sexta-feira (10), quando o relator, ministro Gilmar Mendes, declarou que a Corte já reconheceu a constitucionalidade das ações afirmativas. “Não há dúvidas quanto à constitucionalidade, em abstrato, das ações afirmativas baseadas em critérios étnico-raciais”, afirmou. O voto de Gilmar Mendes foi seguido pelos ministros Flávio Dino, Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Cristiano Zanin, Edson Fachin e Cármen Lúcia. Os três últimos votos foram proferidos nesta sexta-feira pelos ministros Luiz Fux, Nunes Marques e André Mendonça. Censo Dados do Censo da Educação Superior mostram que 49% dos estudantes que ingressaram por meio da reserva de vagas em universidades federais concluíram a graduação.

Jogador de basquete Oscar Schmidt morre aos 68 anos em São Paulo

Atleta enfrentou um tumor cerebral por cerca de 15 anos Oscar Schmidt, um dos maiores nomes da história do basquete mundial faleceu nesta sexta-feira (17), em São Paulo.  O atleta enfrentou um tumor cerebral por cerca de 15 anos. “Reconhecido por sua trajetória brilhante dentro das quadras e por sua personalidade marcante fora delas, Oscar deixa um legado que transcende o esporte e inspira gerações de atletas e admiradores no Brasil e no mundo”, disse a assessoria do jogador, em nota.  Segundo a assessoria, a despedida se dará de forma reservada, restrita aos familiares, em respeito ao desejo da família por um momento íntimo de recolhimento. De acordo com a prefeitura de Santana de Parnaíba (SP), onde o ex-jogador morreu, Oscar passou mal em sua residência e foi encaminhado ao Hospital e Maternidade Municipal Santa Ana (HMSA) pelo Serviço de Resgate, “já em parada cardiorrespiratória (PCR), chegando à unidade sem vida”. Trajetória Oscar Daniel Bezerra Schmidt nasceu no dia 16 de fevereiro de 1958, na cidade de Natal, no Rio Grande do Norte.  Começou a se interessar por basquete aos 13 anos, após se mudar para Brasília, por influência de seu técnico Zezão, que o incentivou a procurar o Clube Vizinhança, que era treinado pelo técnico Laurindo Miura. Em 1974, aos 16 anos, Oscar mudou-se para São Paulo, para iniciar a carreira no infanto-juvenil do Palmeiras. Foi convocado para a seleção juvenil de basquete em 1977 e eleito melhor pivô do sul-americano juvenil.  Na seleção principal de basquete do Brasil, foi campeão sul-americano e ganhou medalha de bronze.  Em 1979, ganhou um dos títulos mais importantes de sua carreira: a Copa William Jones, o mundial interclubes de basquete. No ano seguinte, disputou sua primeira Olimpíada, em Moscou.  Disputou outras quatro olimpíadas: Los Angeles (1984), Seul (1988), Barcelona (1992) e Atlanta (1996), sempre se destacando como cestinha da competição.  Oscar jogou 11 temporadas na Itália, 8 pelo Juvecaserta e 3 pelo Pavia Em 1995, Oscar decidiu retornar para o Brasil, passando a jogar no Corinthians, onde ganhou, em 1996, o oitavo título brasileiro de sua carreira. ​​No Brasil, Oscar ainda jogou pelo Banco Bandeirantes, entre 1997 e 1998, Mackenzie, entre 1998 e 1999 e Flamengo, entre 1999 e 2003.  No rubro-negro, alcançou uma das marcas mais expressivas de sua carreira: maior cestinha da história do basquete, com 49,737 pontos. Até então, esse posto pertencia a Kareem Abdul-Jabbar, com 46.725 pontos.  Em 1991, Oscar foi nomeado um dos 50 Maiores Jogadores de Basquete pela Fédération Internationale de Basketball (Fiba). Também integrou o Hall da Fama da NBA,  Em 2003, Oscar se aposentou das quadras.  Vivendo intensamente Em 2022, à época com 64 anos, Oscar recebeu a equipe do Caminhos da Reportagem, da TV Brasil, em sua casa em São Paulo. Em meio a uma sala lotada de medalhas e troféus, ele relembrou a carreira e falou sobre a atuação como palestrante, atividade que assumiu após se aposentar das quadras.  “Eu não acho que eu tenho 64 anos. Eu vivo minha vida intensamente, mas por outro lado, calmamente”, declarou.   “Eu adoro fazer palestra que eu vejo os olhos das pessoas olhando assim para mim, batendo palma. E eu estou contando a minha história para eles. Isso repõe, em parte, tudo aquilo que eu perdi parando de jogar”.