Venezuela: número de desaparecidos em terremoto pode passar de 40 mil

Mortos sobem para 188, segundo presidente do Congresso venezuelano Subiu para 188 o número de mortos na Venezuela devido aos dois terremotos que atingiram o país no início da noite desta quarta-feira (24). A atualização foi divulgada por Jorge Rodríguez, presidente do Congresso Nacional e irmão da presidente Delcy Rodríguez. Segundo ele, passa de 1.500 o número de pessoas hospitalizadas.Essa quantidade, no entanto, tende a ser bem maior dos que a divulgada até o momento. De acordo com o site Desaparecidos Terremoto Venezuela, criado pela sociedade civil para reunir informações extra oficiais sobre vítimas, há mais de 40 mil pessoas desaparecidas.Na plataforma, a população pode inserir dados sobre desaparecidos como idade, sexo, estado civil e a cidade onde mora. O governo venezuelano não disponibilizou nenhuma ferramenta deste tipo até o momento e não tem uma estimativa de desaparecidos.Segundo levantamento feito pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), o número de mortes pode variar entre 10 mil e 100 mil. O cálculo da entidade leva em consideração a população exposta em áreas atingidas e precariedade das construções. TragédiaOs dois terremotos, de magnitude de 7,5 e 7,2, causaram grande destruição no litoral de Morón, que fica a 160 km de Caracas, capital do país. A região pertence ao estado de La Guaira, o mais afetado pelos tremores. Prédios, casas e outras edificações desabaram.Segundo a imprensa local, oito hospitais foram afetados e os pacientes tiveram de ser transferidos para outras instituições. BrasilOs terremotos na Venezuela foram sentidos em algumas cidades da Região Norte do Brasil, segundo informações do Serviço Geológico do Brasil (SGB).Os tremores atingiram Belém (PA), Manaus (AM), Boa Vista (RR), Macapá (AP) e alguns municípios próximos a essas cidades.Segundo Marcos Ferreira, geofísico e pesquisador do SGB, as magnitudes de 7,2 e 7,5 na escala Richter são consideradas muito elevadas.“[Esse valores] indicam a liberação de uma enorme quantidade de energia. Além disso, quanto mais rasos os sismos, maior potencial e impacto, pois a energia chega de forma mais direta e rápida à superfície.” Fonte: Agência Brasil

Petro denuncia irregularidades e cobra apuração na Colômbia

Presidente questiona formulários eleitorais e sistema de contagem; campanha de Iván Cepeda apresentou 57 mil reclamações ao escrutínio oficial O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, voltou a questionar nesta segunda-feira (22) o processo eleitoral que apontou, na pré-contagem dos votos, a vitória do candidato da extrema direita Abelardo de la Espriella sobre o governista Iván Cepeda. Em publicações nas redes sociais, Petro afirmou que existem evidências de irregularidades nos sistemas utilizados durante a apuração preliminar e defendeu que o resultado da eleição só pode ser reconhecido após a conclusão do escrutínio oficial, etapa prevista na legislação colombiana para revisar manualmente os registros de votação. Segundo o presidente, formulários eleitorais conhecidos como E-14 teriam sido alterados após o envio aos sistemas da Registradoria Nacional.  Petro também afirmou que sua equipe identificou mudanças em registros digitais e vulnerabilidades no software utilizado durante o processo eleitoral. “A manipulação eleitoral já está comprovada; não posso afirmar que o que foi descoberto garanta uma vitória eleitoral, mas é um fato”, denunciou Petro. A disputa ocorre em um cenário extremamente apertado. De acordo com a pré-contagem divulgada pela Registradoria, De la Espriella recebeu 12,95 milhões de votos (49,66%), enquanto Cepeda obteve 12,70 milhões (48,70%), diferença de aproximadamente 250 mil votos. A campanha de Cepeda, porém, evitou até o momento falar em fraude eleitoral. Em pronunciamento após a divulgação dos resultados preliminares, o candidato afirmou que sua coligação apresentou 57,1 mil reclamações às comissões eleitorais responsáveis pelo escrutínio. “Estamos em todo nosso direito legal e constitucional de esperar os escrutínios”, declarou Cepeda, acrescentando que reconhecerá o resultado final após a análise das impugnações apresentadas. Na Colômbia, a pré-contagem divulgada na noite da eleição possui caráter apenas informativo e não tem valor jurídico para definir o vencedor. O resultado oficial é produzido durante o escrutínio, processo conduzido por juízes eleitorais que conferem os formulários físicos de votação e analisam recursos apresentados por partidos e candidatos. Petro também criticou setores da imprensa internacional que trataram suas declarações como uma tentativa de deslegitimar o processo eleitoral. O presidente reiterou que aceitará o resultado proclamado ao final do escrutínio, mas insistiu que as denúncias devem ser investigadas. “Somente ao final da apuração dos votos é declarado o vencedor, e eu o reconhecerei. Essa é a lei da Colômbia”, afirmou. Enquanto isso, missões internacionais de observação eleitoral, incluindo a Organização dos Estados Americanos (OEA), defenderam que o processo siga seu curso institucional e pediram que a população aguarde a conclusão da apuração oficial.

Brasil e Interpol apostam em aliança contra o crime organizado

Autoridades discutiram, na França, ações conjuntas e coalizão na América do Sul. No G7, Lula também tratou do tema e defendeu o enfrentamento ao crime com soberania Em reunião realizada em Évian-les-Bains, na França, paralelamente à Cúpula do G7, o Brasil e a Interpol avançaram na articulação para a criação de uma coalizão de combate ao crime organizado transnacional na América do Sul. A ação é um desdobramento de acordo de cooperação técnica assinada entre o País e a organização internacional em fevereiro. Ao mesmo tempo, do ponto de vista político, foi uma sinalização concreta de que o País está comprometido com a pauta, ao contrário do que o governo de Donald Trump tentou fazer crer ao decidir classificar organizações criminosas brasileiras como narcoterroristas. O encontro, de caráter técnico, foi realizado na terça-feira (16) e contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que estava no país para participar da reunião do G7. Durante a cúpula, Lula abordou o tema, salientando que o combate aos crimes transnacionais é “parte da agenda de desenvolvimento”, mas que deve levar em conta “o respeito à soberania dos Estados”. O presidente disse, ainda, que “o enfrentamento ao narcotráfico não pode ser dissociado de outros ilícitos como a lavagem de dinheiro e o tráfico de armas” e que “valorizar o diálogo e a cooperação institucional, inclusive por meio da Interpol, contribuirá para a localização de ativos e indivíduos vinculados a essas atividades criminosas”. Brasil e Interpol Na reunião técnica entre Brasil e Interpol, foram tratados aspectos como os trabalhos desenvolvidos pela organização em âmbito global, com foco especial nas ações concretas a serem implementadas na América do Sul. “Utilizando o escritório da Interpol para a América do Sul, na cidade de Buenos Aires, com tecnologia, bases de dados, equipes especializadas e um projeto do Ministério da Justiça coordenado pela Polícia Federal, vamos reunir os 12 países sul-americanos em um grande esforço conjunto para o enfrentamento ao tráfico de drogas e de armas, aos crimes ambientais e a todos os demais delitos que possam ser investigados de forma integrada nesse esforço coletivo”, explicou Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF, após o encontro. De acordo com o governo, além dessa estrutura na Argentina, o Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, em Manaus, funcionará como um polo complementar de atividades, com foco específico na segurança da região amazônica. Difusão Prateada e crimes financeiros Outro ponto de pauta foi a Difusão Prateada, iniciativa lançada em 2025 pela Interpol, pela qual os países membros podem solicitar informações sobre bens relacionados a atividades criminosas — como fraude, corrupção, tráfico de drogas, crimes ambientais, entre outros —, bem como apreensão, confisco ou recuperação, conforme as leis nacionais. “No ano passado, retiramos mais de R$ 10 bilhões do crime organizado. Com esta nova iniciativa e esta parceria, será possível ampliar essa capacidade operacional e alcançar patrimônios ocultos em diferentes países”, disse Rodrigues. O enfrentamento ao crime financeiro também foi abordado na reunião. Segundo o diretor-geral da PF, estão em andamento tratativas com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e outras instituições financeiras para reforçar os mecanismos de segurança e confiabilidade do setor. Rodrigues disse que a medida acrescentará uma camada extra de verificação de confiabilidade ao sistema, permitindo que as instituições financeiras consultem as bases de dados da PF. Ele também apontou que outro foco é “avançar para o acesso às bases de dados da Interpol, a fim de ampliar ainda mais a confiabilidade do nosso sistema financeiro e dos mecanismos de controle e de conhecimento do cliente”. Na reunião, também foi destacada a luta do Brasil para avançar na regulação das redes sociais, elemento central para o combate aos mais variados tipos de crime que se utilizam dos meios digitais. Nesse sentido, o diretor-geral da PF salientou o papel do ECA Digital na proteção de crianças e adolescentes, bem como a implantação da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado Cyber, a Cyberfico, estrutura ligada à PF pela qual será possível receber dados e fazer o tratamento e difusão para o enfrentamento de delitos dessa natureza.

Diferença apertada mantém indefinido resultado da eleição no Peru

Com mais de 91% das atas processadas, Keiko Fujimori mantém vantagem estreita sobre Roberto Sánchez; votos das regiões rurais ainda podem alterar resultado O Peru segue sem definição sobre quem será o próximo presidente do país após um segundo turno marcado por diferença apertada entre a candidata da extrema direita Keiko Fujimori e o candidato de esquerda Roberto Sánchez. Com 91,5% das atas processadas pela Oficina Nacional de Procesos Electorales (ONPE) até a manhã desta segunda-feira (8) Keiko aparecia com 50,329% dos votos válidos, contra 49,671% de Sánchez. A diferença entre os dois candidatos era de cerca de 113 mil votos. Apesar da vantagem da candidata do Fuerza Popular, o cenário segue aberto no país andino porque parte significativa dos votos ainda pendentes vem das regiões rurais e andinas, onde Sánchez concentra sua principal base eleitoral Os votos já contabilizados pertencem majoritariamente a Lima e às grandes cidades da costa peruana, redutos históricos do fujimorismo. Nas regiões rurais, conhecidas no país como “Peru profundo”, o candidato de Juntos por el Perú, de esquerda, obteve desempenho superior ao da adversária. A cautela também é alimentada pelo fato de que a contagem rápida divulgada pela Ipsos após o fechamento das urnas projetou Sánchez numericamente à frente, com 50,3% dos votos, contra 49,7% de Keiko. A disputa repete um padrão observado nas eleições de 2021, quando Pedro Castillo derrotou Keiko Fujimori por margem apertada após a chegada dos votos do interior. Naquele pleito, o resultado foi seguido por semanas de disputas judiciais, pedidos de anulação de atas e acusações de fraude sem provas apresentadas pelo fujimorismo. O secretário-geral da associação Transparencia, Omar Awapara, afirmou que ainda não é possível declarar um vencedor e alertou que o resultado oficial poderá demorar semanas para ser concluído. Após a divulgação dos primeiros números, Roberto Sánchez afirmou que aguardará o resultado oficial da ONPE e defendeu o peso eleitoral das regiões historicamente marginalizadas do país. “Nós estamos em condições de respeito irrestrito aos resultados oficiais”, declarou o candidato de Juntos por el Perú. Segundo ele, os votos do “Peru profundo” ainda estão subrepresentados na contagem parcial. Sánchez também comemorou o desempenho de sua candidatura nas regiões indígenas e rurais. “Nossos povos quéchuas, aimaras e amazônicos decidiram recuperar o governo para o povo”, afirmou. Do lado de Fujimori, dirigentes do Fuerza Popular pediram mobilização dos fiscais partidários para acompanhar a validação das atas eleitorais e a defesa dos votos da candidata. Mais de 27 milhões de peruanos foram convocados às urnas para escolher o presidente que governará o país entre 2026 e 2031.  O próximo mandatário assumirá em meio a uma década de forte instabilidade política, marcada por sucessivas destituições presidenciais, confrontos entre Congresso e Executivo e aumento da desigualdade social no país andino. A votação deste domingo ocorreu de forma relativamente tranquila em comparação com o primeiro turno realizado em abril, quando houve atrasos na entrega de material eleitoral e necessidade de ampliação da votação em algumas regiões. Autoridades eleitorais e observadores internacionais afirmaram que não houve incidentes graves durante a jornada eleitoral e pediram respeito aos resultados oficiais da ONPE.

China reforça apoio ao Brasil e amplia cooperação diante de tensões

Com as tensões comerciais entre os Estados Unidos e seus parceiros internacionais, o Brasil tem contado com o respaldo da China A China reafirmou nesta terça-feira (2) seu apoio à soberania, independência e autonomia do Brasil e manifestou disposição para ampliar a cooperação bilateral em diversas áreas. A declaração foi feita durante o Diálogo Estratégico Abrangente China-Brasil, realizado em Pequim, em um momento marcado pelo aumento das tensões comerciais envolvendo os Estados Unidos e parceiros internacionais.O posicionamento foi apresentado pelo ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, que destacou a importância das relações entre os dois países e ressaltou o interesse chinês em fortalecer os laços com o Brasil e com as demais nações da América Latina e do Caribe.Segundo Wang Yi, a China tem sido uma parceira confiável da região e está preparada para aprofundar a cooperação em diferentes setores. O chanceler afirmou que Pequim apoia o Brasil na defesa de sua soberania nacional, na preservação de sua independência e na busca por maior desenvolvimento econômico e social.A manifestação ocorre em meio às recentes ameaças dos Estados Unidos de aplicar tarifas de até 25% sobre produtos brasileiros que não sejam considerados estratégicos para o mercado norte-americano. Nesse cenário, a aproximação entre Brasília e Pequim ganha ainda mais relevância no contexto das relações comerciais e diplomáticas internacionais.Durante o encontro, Wang Yi defendeu o avanço da construção de uma comunidade de interesses entre China e Brasil, com o objetivo de enfrentar desafios externos, fortalecer os processos de modernização das duas economias e ampliar a cooperação entre os países do chamado Sul Global.O ministro chinês também propôs a expansão dos intercâmbios em áreas como cultura, educação, turismo, esportes, comunicação, juventude e cooperação entre governos locais. Além disso, reiterou a importância da coordenação entre os dois países em organismos multilaterais, incluindo a Organização das Nações Unidas e o BRICS.Representando o governo brasileiro, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que o Brasil compartilha do interesse chinês em ampliar a cooperação prática e fortalecer a coordenação internacional. Vieira reiterou ainda o compromisso brasileiro com o princípio de “Uma Só China”, posição diplomática que reconhece o entendimento de Pequim de que Taiwan faz parte do território chinês.O encontro reforça a parceria estratégica entre Brasil e China em um momento de transformações na economia global e de crescente disputa comercial entre as principais potências mundiais.

Estado de S. Paulo retrata Flávio Bolsonaro como mordomo de Trump

Editorial do jornal afirma que senador agiu de forma subserviente ao buscar foto na Casa Branca em meio ao escândalo Daniel Vorcaro O jornal O Estado de S. Paulo publicou um duro editorial contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), retratando o parlamentar como um “mordomo da Casa Branca” após sua visita ao atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O texto afirma que a principal intenção do filho de Jair Bolsonaro era obter uma fotografia ao lado do líder norte-americano para tentar fortalecer sua imagem política junto à direita brasileira. No editorial intitulado “O mordomo da Casa Branca”, o Estadão sustenta que a imagem produzida durante o encontro expõe uma postura de “subserviência” de Flávio Bolsonaro em relação a Trump. Segundo o jornal, a fotografia teria sido usada como instrumento para tentar dar “sobrevida” a uma candidatura considerada fragilizada dentro do próprio campo bolsonarista, especialmente após os desdobramentos envolvendo sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro.“O que interessa, para o clã Bolsonaro, é que aconteceu e foi registrado numa imagem que pode dar sobrevida a uma candidatura questionada mesmo por alguns dos mais fiéis adeptos do bolsonarismo”, escreveu o jornal.O Estadão também afirma que, longe de transmitir imagem de liderança de Estado, Flávio apareceu em posição de submissão diante do presidente norte-americano. “Na pose de mordomo da Casa Branca, Flávio transpira subserviência a Trump”, diz o editorial.A publicação argumenta ainda que o comportamento do senador contrasta com aquilo que se espera de um chefe de Estado brasileiro nas relações internacionais. “Tal comportamento é o exato oposto do que se espera de um presidente da República, que representa o Estado brasileiro nas relações internacionais e, por isso, deve ser sempre altivo”, afirma o texto.O editorial amplia as críticas ao clã Bolsonaro ao associar a aproximação com Trump a interesses políticos familiares. Segundo o Estadão, Flávio não teria representado o Brasil no encontro, mas sim os interesses de sua família, especialmente os de Jair Bolsonaro, descrito pelo jornal como estando em prisão domiciliar após condenação relacionada à tentativa de golpe de Estado.A publicação também menciona a presença de Eduardo Bolsonaro na articulação da visita. O deputado licenciado, que vive atualmente no Texas, é acusado pelo jornal de atuar para deteriorar as relações entre Brasil e Estados Unidos com o objetivo de pressionar Trump a agir politicamente em favor de Jair Bolsonaro.O texto recorda ainda o episódio em que Trump impôs tarifas comerciais ao Brasil, movimento interpretado como tentativa de pressionar o País em relação à situação jurídica de Jair Bolsonaro. Segundo o Estadão, posteriormente o presidente norte-americano teria percebido vantagens em manter diálogo com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a quem chamou de “dinâmico”.O editorial também questiona a versão apresentada por Flávio Bolsonaro sobre o encontro. O senador afirmou ter discutido com Trump temas como terras raras, crime organizado, tarifas comerciais e até a saúde de Jair Bolsonaro. No entanto, o jornal observa que nem o site oficial da Casa Branca nem as redes sociais de Trump registraram a reunião.“Todo esse esforço, contudo, resultou apenas numa foto que rapidamente serviu de matéria-prima para todo tipo de piada nas redes sociais”, conclui o Estadão.

Papa Leão XIV pede perdão pelo apoio histórico da Igreja à escravidão

Um pedido público de perdão pelo papel histórico da Santa Sé na legitimação da escravidão, foi feito pelo papa Leão XIV, nesta segunda-feira (25). Na encíclica “Magnifica Humanitas” (“Humanidade Magnífica”), o pontífice afirmou que a atuação do Vaticano durante séculos representa uma “ferida na memória cristã” e reconheceu que antigos papas autorizaram a subjugação e a escravização de povos considerados “infiéis”.O documento, primeiro texto doutrinário publicado por Leão XIV desde o início de seu pontificado, aborda os impactos da inteligência artificial e das transformações tecnológicas na sociedade.Ao tratar do tema, o papa relacionou o tráfico transatlântico de pessoas escravizadas a novas formas de exploração associadas à revolução digital, incluindo trabalhos não regulamentados ligados à extração de minerais usados na fabricação de chips para sistemas de IA.Leão XIV destacou que papados anteriores já haviam pedido desculpas pelo envolvimento de cristãos no tráfico de escravizados, mas afirmou que nenhum pontífice havia reconhecido diretamente o papel institucional da própria Santa Sé na autorização dessas práticas.“É impossível não sentir profunda tristeza ao contemplar o imenso sofrimento e humilhação suportados por tantos, em contraste com sua dignidade incomensurável como pessoas infinitamente amadas pelo Senhor”, escreveu o papa. “Por isso, em nome da Igreja, peço sinceramente perdão.”Na encíclica, o papa citou decretos do século XV que concederam respaldo religioso à expansão colonial europeia. Entre eles está a bula “Dum Diversas”, publicada em 1452 pelo papa Nicolau V, que autorizava o rei de Portugal e seus sucessores a “invadir, conquistar, combater e subjugar” “sarracenos, pagãos e outros infiéis”. O texto também permitia reduzir essas populações à “escravidão perpétua”. Outro documento citado foi a bula “Romanus Pontifex”, emitida três anos depois e usada posteriormente como base para a chamada Doutrina da Descoberta, teoria utilizada para justificar a ocupação colonial de territórios na África e nas Américas.Segundo o texto, as permissões concedidas por Nicolau V foram posteriormente confirmadas ou renovadas pelos papas Calisto III, Sisto IV e Leão X. O Vaticano repudiou formalmente a Doutrina da Descoberta em 2023, mas não anulou oficialmente as bulas papais relacionadas ao tema.A Santa Sé sustenta que o documento “Sublimis Deus”, publicado em 1537, reafirmou que povos indígenas não deveriam ser privados de liberdade ou escravizados. Mesmo assim, Leão XIV afirmou que a demora da Igreja em condenar a escravidão precisa ser reconhecida publicamente.O pontífice lembrou ainda que o papa Leão XIII foi o primeiro a condenar explicitamente a escravidão, em 1888, período em que vários países já haviam abolido a prática.“Já no início da era moderna, a Sé Apostólica de Roma, respondendo a pedidos de soberanos, interveio diversas vezes para regular e legitimar formas de subjugação e, em certos casos, inclusive a escravização de ‘infiéis’”, escreveu. “Isso constitui uma ferida na memória cristã, da qual não podemos nos considerar desvinculados”, completou.Leão XIV também afirmou que a Igreja precisa agir diante das novas formas de exploração relacionadas à tecnologia digital. Segundo ele, a instituição deve condenar práticas ligadas ao trabalho degradante e à exploração econômica para evitar novos pedidos de perdão no futuro.O papa ainda possui histórico familiar ligado diretamente ao tema: de acordo com pesquisa genealógica publicada por Henry Louis Gates Jr., sua árvore genealógica inclui tanto pessoas escravizadas quanto proprietários de escravos. Em 1985, João Paulo II já havia pedido perdão aos africanos pelo tráfico de escravizados praticado por cristãos, mas sem citar diretamente o papel dos antigos papas.

Tour na Casa Branca e elogios: os bastidores da reunião de Lula e Trump

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniu por cerca de três horas com Donald Trump nesta quinta-feira (7), na Casa Branca, em Washington. O encontro marcou a primeira visita oficial de Lula à residência presidencial dos Estados Unidos durante a gestão trumpista e teve como foco a retomada do diálogo entre os dois países, especialmente nas áreas comercial, diplomática e estratégica. A agenda previa uma declaração conjunta no Salão Oval após a reunião, mas a coletiva foi cancelada. O motivo não foi informado pela Casa Branca nem pelo Planalto.Depois do encontro, Trump publicou uma mensagem na rede Truth Social em que classificou a conversa como produtiva e destacou o tema das tarifas. “Acabei de concluir minha reunião com Luiz Inácio Lula da Silva, o dinâmico presidente do Brasil. Discutimos diversos temas, incluindo comércio e, mais especificamente, tarifas. A reunião foi muito boa”, escreveu.O presidente dos Estados Unidos também afirmou que representantes dos dois governos terão novos encontros para tratar de pontos da agenda bilateral. “Nossos representantes têm reuniões agendadas para discutir alguns pontos-chave. Outras reuniões serão agendadas nos próximos meses, conforme necessário”, disse Trump.Em coletiva, Trump também fez diversos elogios ao brasileiro: “Tivemos uma ótima reunião com o presidente do Brasil. Estamos fazendo muito comércio e vamos aumentar ainda mais esse comércio. Falamos sobre tarifas. Eles gostariam de algum alívio nas tarifas. Mas tivemos uma reunião muito boa”, afirmou. Em seguida, completou: “Ele é um bom homem. É um cara inteligente”. Mais cedo, Trump já havia publicado na Truth Social que tinha acabado de concluir a reunião com “Luiz Inácio Lula da Silva, o muito dinâmico presidente do Brasil”. Segundo ele, os dois discutiram “muitos temas”, incluindo comércio e tarifas, e representantes dos dois países devem se reunir para tratar de pontos estratégicos. Veja quais foram os temas: Relação entre Brasil e Estados Unidos Lula afirmou que a reunião teve como objetivo fortalecer a relação entre Brasil e Estados Unidos. Segundo o presidente brasileiro, os dois países têm interesse em ampliar a cooperação econômica e comercial, depois de um período de distanciamento político.O petista disse que defendeu uma relação baseada no diálogo e no multilateralismo. Segundo ele, o Brasil está disposto a negociar com diferentes parceiros, desde que sejam respeitadas a soberania nacional e os interesses do país. Lula também afirmou que propôs a criação de um grupo de trabalho bilateral para discutir impasses comerciais, incluindo tarifas de importação, com uma proposta a ser apresentada em até 30 dias.“Eu saio muito satisfeito da reunião. Acho que foi uma reunião importante para o Brasil e importante para os Estados Unidos”. Tarifas comerciais e comércio bilateralO tema das tarifas esteve entre os principais pontos da conversa. A gestão Lula chegou ao encontro com a prioridade de evitar novas medidas contra produtos brasileiros e tentar reduzir tensões comerciais abertas desde 2025, quando Trump impôs uma tarifa de 50% sobre itens do Brasil.Lula já havia criticado a medida em outras ocasiões e acusado Trump de agir de forma unilateral. Na avaliação do governo brasileiro, a reunião serviu para abrir um canal direto de negociação e diminuir a influência de aliados bolsonaristas sediados nos Estados Unidos sobre decisões da Casa Branca. Terras raras e minerais críticosOutro assunto tratado foi o potencial brasileiro na exploração de terras raras e minerais críticos, considerados estratégicos para a transição energética, a indústria de tecnologia e a produção de equipamentos avançados.Lula afirmou que o Brasil quer ampliar o conhecimento sobre o próprio território e desenvolver a cadeia produtiva no país, sem repetir o modelo de exportação de matéria-prima sem agregação de valor. O presidente disse que o Brasil está aberto a parcerias internacionais, inclusive com empresas dos Estados Unidos, mas rejeita a ideia de se tornar fornecedor exclusivo de um único país.“O Brasil estará aberto para construir parcerias. O que nós não queremos é ser meros exportadores dessas coisas”, disse. “Nós queremos que o Brasil seja o grande criador dessa riqueza que a natureza nos deu”. Guerras e crises internacionaisLula também afirmou que discutiu com Trump conflitos internacionais e apresentou a posição brasileira sobre guerras em curso. O presidente disse que defendeu o diálogo como alternativa a intervenções militares e mencionou situações como Irã e Venezuela.O petista afirmou que não espera que Trump mude sua postura após uma única reunião, mas considerou importante expor diretamente a visão do Brasil. Ele se colocou à disposição para contribuir com negociações, caso haja interesse das partes envolvidas.“Trump não vai mudar o jeito dele de ser por causa de uma reunião de três horas comigo”, disse. “Conversar é muito mais barato, mais eficaz. Não tem vítima, não tem destruição de casa, não tem morte de criança”.Lula também disse que ouviu de Trump que não há intenção de invadir Cuba, já que Havana tem demonstrado abertura ao diálogo. O presidente brasileiro avaliou a declaração como um sinal positivo. Reforma do Conselho de Segurança da ONUNa conversa, Lula voltou a defender mudanças no Conselho de Segurança da ONU. Segundo ele, a estrutura atual ainda reflete a geopolítica do pós-Segunda Guerra Mundial e não corresponde mais à realidade internacional.O presidente afirmou que países com assento permanente, como Estados Unidos, China e Rússia, precisam assumir protagonismo no debate sobre a reforma. Lula defendeu a ampliação do órgão, com a inclusão de novos membros permanentes, entre eles Brasil, Japão, Índia e países africanos.“A geopolítica de 2026 não é a geopolítica de 1945. O mundo é outro, a comunicação é outra”. Copa do Mundo e momento de descontraçãoLula relatou que o encontro também teve momentos de descontração. Segundo ele, os dois conversaram sobre a próxima Copa do Mundo, que terá jogos nos Estados Unidos.O presidente brasileiro disse que fez uma brincadeira com Trump em referência à política migratória estadunidense. “Eu falei: espero que você não anule o visto dos jogadores brasileiros, porque nós vamos vir aqui para ganhar a Copa do Mundo. E ele riu, porque agora ele vai rir sempre”.Lula afirmou que o clima mais leve ajudou no diálogo entre os líderes. Segundo ele, ver

Atirador tenta invadir jantar de gala para assassinar Donald Trump e integrantes do governo dos EUA

Jantar para jornalistas na capital Washington se transformou em noite de pânico quando barulhos de tiro ecoaram pelo evento. Dezenas de agentes do Serviço Secreto e das forças de segurança correram para retirar Trump e autoridades do hotel onde o evento acontecia. O jantar, evento anual em que o presidente dos EUA se reúne com correspondentes que cobrem a Casa Branca, ocorria na noite de sábado (25), em um hotel em Washington, quando foi interrompido após tiros serem ouvidos. Trump foi retirado às pressas e o autor dos disparos foi detido por agentes do Serviço Secreto.O jantar foi interrompido, e jornalistas e autoridades do alto escalão do governo Trump que estavam no local se agacharam. Trump, a primeira-dama Melania Trump e o vice-presidente JD Vance, que estavam em uma mesa no palco do salão, foram retirados, enquanto os jornalistas permaneceram para checagens de agentes do Serviço Secreto.Jornalistas relataram que o esquema de segurança para entrada no evento não foi rigoroso. A equipe da TV Globo que esteve no local afirmou ter passado por apenas uma checagem de segurança.

Lula fala em ‘reciprocidade’ após delegado da PF ser expulso dos EUA

Delegado Marcelo Ivo foi expulso dos Estados Unidos uma semana depois da prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou, nesta terça-feira (21/4), que pode agir com “reciprocidade” contra os Estados Unidos após o delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo ser expulso do país.“Se houve um abuso americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com o dele no Brasil”, afirmou o presidente à imprensa na porta de um hotel em Hannover, na Alemanha.“Nós queremos que as coisas aconteçam da forma mais correta possível, mas não podemos aceitar essa ingerência, esse abuso de autoridade que alguns personagens americanos querem ter com relação ao Brasil”, acrescentou Lula.O delegado Marcelo Ivo foi expulso dos Estados Unidos na segunda-feira (20/4), uma semana depois da prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado. Ramagem foi detido pelo serviço de imigração norte-americano, o ICE, em 13 de abril, e foi solto dois dias depois.O governo dos EUA, por meio do Departamento de Estado, disse que o delegado brasileiro tentou “manipular” o sistema de imigração, “contornando pedidos formais de extradição” e “estendendo perseguições políticas ao território dos Estados Unidos”.A Polícia Federal informou que a prisão de Ramagem pelo serviço de imigração norte-americana ocorreu como resultado de cooperação policial internacional entre o Brasil e os Estados Unidos.