Donald Trump se entrega à Justiça americana e ficará sob custódia

O Judiciário acusará formalmente o ex-presidente dos EUA de ter guardado ilegalmente documentos de segurança nacional – O ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump (Partido Republicano) se entregou nesta terça-feira (13) à justiça americana e está sob custódia. O Judiciário acusará formalmente o ex-mandatário norte-americano de ter guardado ilegalmente documentos de segurança nacional quando deixou o cargo e mentiu para autoridades que tentaram recuperar o material. O indiciamento de um ex-presidente dos EUA por acusações federais não tem precedentes na história americana. Fotos incluídas na acusação mostram caixas de documentos armazenadas no palco de um salão de baile, em um banheiro e espalhadas pelo chão de um depósito. De acordo com a acusação, Trump conspirou com Walt Nauta, um assessor, para manter documentos confidenciais e escondê-los de um grande júri federal. Nauta, que trabalhou para Trump na Casa Branca e em Mar-a-Lago, deveria aparecer com Trump. Será a segunda visita de Trump à Justiça nos últimos meses. Em abril, ele se declarou inocente das acusações estaduais em Nova York por conta de um pagamento clandestino a uma estrela pornô. Trump proclamou repetidamente sua inocência e acusa o governo do presidente democrata Joe Biden de atacá-lo. Ele chamou o procurador especial Jack Smith, que lidera a acusação, de “odiador de Trump” nas redes sociais na terça-feira. ???????? URGENTE: Donald Trump se entrega e está sob custódia da justiça americana. O ex-presidente americano será acusado formalmente pela justiça sobre o caso dos documentos sigilosos que estavam em sua casa. pic.twitter.com/5ri3hM9e7r — Eixo Político (@eixopolitico) June 13, 2023

Presidente da Comissão Europeia para Lula: ‘Você trouxe o Brasil de volta’

Ursula von der Leyen e Lula se encontram nesta segunda-feira (12/6), no Palácio do Planalto A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, teceu elogios a Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em encontro com o presidente do Brasil nesta segunda-feira (12/8), no Palácio do Planalto, em Brasília. Para Ursula, Lula “trouxe o Brasil de volta ao cenário mundial”. “Vamos respirar uma nova vida à nossa parceria. Primeiramente, com uma coordenação mais forte em ações climáticas, de comércio e energias renováveis. Também expressei nosso apreço pela condenação do Brasil quanto à participação da Rússia na Ucrânia”, destacou ela. President @LulaOficial you brought Brazil back to the global stage. Let’s breathe new life into our partnership. With, first, stronger cooperation on climate action, trade & renewables. I also expressed our appreciation of Brazil’s condemnation of Russia’s war on Ukraine. pic.twitter.com/wg7PuCFaA8 — Ursula von der Leyen (@vonderleyen) June 12, 2023 O encontro entre Lula e Ursula durou cerca de uma hora. O presidente brasileiro expôs as preocupações do país com “o instrumento adicional ao acordo apresentado pela União Europeia em março deste ano, que amplia as obrigações do país e as torna objeto de sanções em caso de descumprimento”. “A premissa que deve existir entre parceiros estratégicos é a da confiança mútua e não de desconfiança e sanções. Em paralelo, a União Europeia aprovou leis próprias com efeitos extraterritoriais e que modificam o equilíbrio do acordo. Essas iniciativas representam restrições potenciais às exportações agrícolas e industriais do Brasil”, afirmou Lula. No caso, ele se referia à norma aprovada pelo Parlamento Europeu, em abril, que proíbe a venda no continente de produtos oriundos de desmatamento em florestas. Há uma lista de produtos primários na lei: gado, madeira, soja, café, cacau, borracha e dendê. Qualquer outro produto que seja alimentado (no caso da soja, por exemplo) ou derivado dessas commodities também estão contemplados no texto, como couro, chocolate, móveis, carvão vegetal, produtos de papel impresso e derivados de óleo de palma. ‘Impossível de aceitar’ Em entrevista no fim de abril, Lula já havia dito que a atual proposta era impossível de aceitar. Os europeus buscaram estabelecer requisitos sustentáveis mais duros, que apresentaram no início deste ano. O acordo tem padrões de sustentabilidade que não são vinculantes (ou seja, obrigatórios), por isso os blocos estão negociando o termo adicional, chamado de “side letter”, que torna esses compromissos ambientais uma exigência. (Com Folhapress)

Erdogan vence segundo turno e é reeleito presidente da Turquia

Com vantagem apertada, o atual mandatário obteve 52% dos votos, superando o opositor Kemal Kilicdaroglu para conquistar seu terceiro mandato –  Reprodução Youtube O conservador Recep Tayyip Erdogan, atual presidente da Turquia e líder do Partido da Justiça e do Desenvolvimento, venceu o segundo turno das eleições no país, realizado neste domingo (28/05), conquistando sua segunda reeleição consecutiva. O triunfo de Erdogan foi tão apertado que só ocorreu quando havia 98% dos votos apurados, com o atual mandatário chegando a 26,8 milhões de votos, equivalentes a 52,12% do total, enquanto seu adversário, Kemal Kilicdaroglu, do Partido Republicano do Povo [de centro-esquerda], tinha 24,7 milhões, ou 47,88% Com a vitória, Erdogan garante seu terceiro mandato como presidente da Turquia, que durará até 2028. O conservador governa o país desde 2014, quando venceu sua primeira eleição. Vitória no interior O mapa eleitoral turco país não registrou muitas diferenças na comparação entre o primeiro e o segundo turnos, com Erdogan vencendo amplamente na maioria das províncias, mas Kilicdaroglu mostrando pequena vantagem nos principais centros urbanos, como Istambul e Ancara. No primeiro turno, Erdogan superou Kilicdaroglu em 51 das 81 províncias do país. No segundo turno, foram 52 vitórias regionais do presidente reeleito. A única diferença aconteceu em Hatay, no Sul do país, onde o primeiro turno terminou com Kilicdaroglu obtendo 48,08% contra 48,03% de Erdogan. No segundo turno, o atual presidente virou o jogo e ficou com 50,13%, contra 49,87% do opositor. Importância geopolítica As eleições na Turquia eram consideradas muito importantes para o cenário geopolítico atual. Erdogan é tido como um conservador nacionalista que não adere automaticamente às pressões dos Estados Unidos e do Ocidente. Um dos exemplos disso é o fato de que ele tem buscado manter uma posição neutra com relação à guerra entre Rússia e Ucrânia, apesar de seu país ser membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Além disso, Erdogan tem sido resistente às intenções de Washington de aceitar Finlândia e Suécia como novos membros da aliança militar [o que só pode ser concretizado com aprovação unânime dos integrantes atuais]. Em contrapartida, o opositor Kilicdaroglu, embora seja líder de uma aliança de centro-esquerda, é defensor de um discurso que prega maior aproximação da Turquia com os países europeus. Alguns analistas consideravam que uma possível eleição de Kilicdaroglu poderia levar a Turquia a se tornar um novo aliado de Kiev, o que seria decisivo no confronto com Moscou, devido ao tamanho do país e sua posição estratégica. (*) BdF, com informações da agência turca Anadolu

Após denúncias de brasileiros, Google retira do ar jogo que estimula a escravidão

O Google decidiu remover o ‘jogo’ ‘Simulador de Escravidão” que estava disponível para download na plataforma Google Play. O jogo foi alvo de denúncias por parte de usuários e também do deputado Orlando Silva (PCdoB), relator do PL das Fake News que, dentre outras temáticas, fala sobre a regulação das big techs. De acordo com reportagem do site Ponte Jornalismo, a remoção do aplicativo ocorreu por volta das 13h, conforme relatado por usuários do Google Play. “Entraremos com representação no Ministério Público por crime de RACISMO e levaremos o caso até às últimas consequências, de preferência a prisão dos responsáveis. A própria existência de algo tão bizarro à disposição nas plataformas mostra a URGÊNCIA de regulação do ambiente digital”, escreveu o deputado Orlando Silva em sua conta no Twitter. ????URGENTE! DENÚNCIA CHOCANTE! A Play Store, loja de aplicativos do Android, tem um "jogo" chamado SIMULADOR DE ESCRAVIDÃO, no qual a "brincadeira" consiste em comprar, vender, açoitar pessoas negras escravizadas. É desumano, nojento, estarrecedor. É CRIMINOSO! ???????? A @unegrobrasil… pic.twitter.com/QHi8oaaSOi — Orlando Silva (@orlandosilva) May 24, 2023 A reportagem destaca que  o ‘jogo’ foi baixado por mais de 1.000 pessoas e tinha classificação indicativa livre na plataforma. Sua descrição promovia a compra e venda de “escravos no mercado”, permitindo também a distribuição dos mesmos em diferentes empregos para obter dinheiro. O jogo apresentava um desenho de um homem negro coberto apenas por algo semelhante a uma cueca, algemado no pescoço, mãos e pernas. O Google não respondeu ao pedido da Ponte por resposta. No entanto, no Twitter, em resposta a um usuário que denunciou o jogo, a conta oficial do Google Play sugeriu que o mesmo fez uma denúncia por meio de um site, afirmando: “Levamos essas denúncias muito a sério e agradecemos seu contato”. A empresa Magnus Games, listada como responsável por disponibilizar o jogo na Google Play, também foi contatada pela reportagem por e-mail, mas não respondeu. Há suspeita de que o dono da desenvolvedora de games Magnus Games seja de origem russa ou ucraniana.  

Lula diz que Putin e Zelensky não querem paz e que discurso de Biden não ajuda

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que tanto Vladimir Putin, presidente da Rússia, como Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia, não demonstram interesse em dialogar sobre a pacificação da guerra no país do leste europeu e que, além disso, o discurso do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, “não ajuda” a instauração de uma mesa de negociações. As declarações ocorreram na noite deste domingo 21, a jornalistas, no Japão, após a sua passagem pela cúpula do G7, grupo que reúne Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido. Segundo o petista, havia uma reunião bilateral marcada com Zelensky, mas, apesar de sua equipe ter aguardado no local marcado, o presidente da Ucrânia não compareceu. Em uma coletiva de imprensa posterior, o homólogo ucraniano disse que não tinha espaço na agenda para Lula. “Eu tinha uma bilateral com a Ucrânia aqui nesse salão às 15h15. Nós esperamos, e aí, recebemos a informação de que eles tinham atrasado. Enquanto isso, eu atendi o presidente do Vietnã, e quando o presidente do Vietnã foi embora, a Ucrânia não apareceu”, relatou. “Certamente, teve outro compromisso e não pôde vir aqui.” Segundo Lula, o encontro com o primeiro-ministro vietnamita, Pham Minh Chinh, durou uma hora, e mesmo assim a Ucrânia não se fez presente. O presidente brasileiro também declarou que não foi informado sobre a razão do cancelamento da reunião bilateral. “Eu não fiquei decepcionado. Eu fiquei chateado, porque eu gostaria de encontrar com ele e discutir o assunto. Por isso que eu marquei aqui no hotel. Apenas isso. Veja, o Zelensky é maior de idade, ele sabe o que faz”, disse Lula. Lula afirmou que não há um projeto de pacificação pronto para solucionar a questão ucraniana e que essa iniciativa só será possível com a interrupção do conflito armado. “Os dois não querem. Eu estou dizendo para você que o Celso Amorim foi lá, foi na Rússia, depois foi na Ucrânia, e o Celso Amorim falou: por enquanto, eles não querem conversar sobre paz“, contou Lula. “Ninguém vai querer se render. Negociação não é negociação. E vai ter um momento que vai querer negociação.” O presidente brasileiro também criticou o discurso de Biden em relação à guerra. “Ontem, vocês viram o discurso do Biden. O discurso do Biden é de que tem que ir para cima do Putin até ele se render, pagar tudo o que estragou… Esse discurso não ajuda. Na minha opinião, esse discurso não ajuda. O que ajuda é um discurso de: gente, vamos sentar primeiro?“, afirmou. Lula também disse não saber se um possível acordo deveria prever que a Ucrânia ceda territórios à Rússia e disse cogitar que o país europeu consiga, a partir de um acordo, recuperar a totalidade das áreas invadidas. O presidente brasileiro propôs ainda que a Organização das Nações Unidas antecipe a data de realização da Assembleia Geral, prevista para setembro deste ano, para julho. Ele defendeu que a ONU seja o espaço para a discussão sobre a resolução do conflito, e não o G7 ou no G20. Em discurso aos líderes presentes no G7, Lula havia pregado uma reforma no Conselho de Segurança da ONU que permita a inclusão de novos membros permanentes. Atualmente, o grupo é composto por Estados Unidos, Rússia, França, Reino Unido e China. Neste ano, o Brasil preside a parte rotativa do bloco.

Índia vira potência industrial à base da superexploração do trabalho

 No centro do pacote de retrocessos está a proposta de elevar a jornada de trabalho, na contramão das tendências em curso mundo afora. * Por André Cintra A transformação da Índia numa potência industrial pode ser marcada por dois fenômenos: o ritmo acelerado das transformações no parque industrial indiano e as tentativas de explorar cada vez mais os trabalhadores. Nos dois casos, o objetivo é o mesmo: qualificar a Índia como uma alternativa à China – uma aspiração que os Estados Unidos e seus aliados ocidentais já não escondem. Reportagem publicada pela Dow Jones na semana passada aponta que há uma espécie de força-tarefa internacional em curso conhecida como “China plus one” (“China mais um”). Em poucas palavras, trata-se da ideia de criar um “novo ‘chão de fábrica do mundo”. A vantagem da Índia em relação a outras nações é óbvia: “a força de trabalho e um mercado interno comparável em tamanho ao da China”. Neste ano, de acordo com a ONU (Organização das Nações Unidas), a população indiana chegou a 1,428 bilhão de habitantes, ultrapassou a chinesa e se tornou a maior do Planeta. A CNN, com base em dados da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), agrega: “Em 2021, a população em idade ativa da Índia era de mais de 900 milhões e deve atingir 1 bilhão na próxima década”. Nesse aspecto, os indianos são imbatíveis. Mas não é só. Empresários reclamam que as políticas trabalhistas e sociais promovidas pelo Partido Comunista na China, com valorização de salários e direitos, elevaram os custos do setor produtivo. Além disso, em troca de investimentos e condições privilegiadas, o governo Xi Jinping passou a pressionar as empresas a transferirem tecnologia. Os prolongados – e necessários – lockdowns promovidos no território chinês para conter a pandemia de Covid-19 igualmente assustaram as multinacionais. O que fazer, então, para não pôr “todos os ovos em um único cesto na China”, conforme metaforiza um executivo da Vestas Assembly India, filial da megafabricante dinamarquesa de turbinas eólicas? A resposta: estimular a concorrência. “Muitos países estão competindo para ser o ‘mais um’, com Vietnã, México, Tailândia e Malásia em uma disputa intensa”, sustenta a Dow Jones. Só que a Índia, para além de fatores populacionais, parece contar com a disposição do conjunto da classe dominante para legalizar a superexploração do trabalho. Nas palavras eufêmicas e descaradas da Dow Jones, “o governo de Nova Déli vem se esforçando para tornar o ambiente de negócios mais amigável do que no passado”. Em uma de suas últimas “cartas semanais”, o historiador indiano Vijay Prashad, diretor-geral do Instituto Tricontinental de Pesquisa Social, elencou projetos e medidas que têm levado a Índia a promover o desmonte da legislação trabalhista. No centro desse pacote de retrocessos está a proposta de elevar a jornada de trabalho, na contramão das tendências em curso mundo afora. Diz Prashad: “Em toda a Índia, há um debate em andamento sobre a revisão dos limites da jornada de trabalho. Um projeto de lei no estado de Tamil Nadu procurou emendar a Lei das Fábricas, de 1948, que permitiria às fábricas aumentar a jornada de trabalho de 8 para 12 horas. Na Assembleia Estadual de Tamil Nadu, o ministro do governo, CV Ganesan, disse que o estado – que tem o maior número de fábricas na Índia – precisava atrair mais investimentos estrangeiros, o que seria mais fácil se a indústria pudesse ter ‘horários de trabalho flexíveis’. Protestos liderados por sindicatos e pela esquerda frearam o governo, apesar de contrapor-se à pressão do lobby empresarial (o Vanigar Sangangalin Peramaippu). Em fevereiro, um projeto de lei semelhante foi aprovado no estado vizinho de Karnataka. ‘A Índia está competindo com todo o mundo para atrair investimentos’, disse o ministro de Eletrônica, Tecnologia da Informação e Biotecnologia, CN Ashwath Narayan; ‘Só quando você tem leis trabalhistas flexíveis, os investimentos podem ser atraídos’.” Segundo o historiador, o conceito de “flexibilidade” remete o movimento sindical do país à “liberalização do mercado de trabalho” iniciada em 1991 e marcada pela retirada de direitos. Em resposta, o Comitê Sindical de Campanha Nacional, em parceria com as chamadas Organizações Sindicais Centrais, organizou nada menos que 22 greves gerais desde então. Na última, em março de 2022, cerca de 200 milhões de trabalhadores cruzaram os braços. A exemplo do discurso adotado no Brasil às vésperas da reforma trabalhista (2017) e da primeira campanha de Jair Bolsonaro à Presidência da República (2018), procuraram vender aos trabalhadores indianos a falácia de que, para haver mais empregos, era necessário cortar direitos. Tanto lá como cá, a desregulamentação avançou, mas sem a contrapartida de mais postos de trabalho. O “caminho da Índia” tem contentado a burguesia global. A Dow Jones cita o exemplo da cidade de Sriperumbudur, que já era referência na produção de automóveis e eletrodomésticos. Agora, a essas empresas se somam “corporações multinacionais que fabricam de painéis solares e turbinas eólicas a brinquedos e calçados, todas em busca de uma alternativa à China”. A Índia deve se converter no segundo maior mercado mundial de turbinas ainda nesta década. O sucesso dessa estratégia, no entanto, ainda depende de uma mudança comportamental na Índia, alicerçada num processo de êxodo rural de longo prazo. “A escassez de mão-de-obra começa a aparecer em centros industriais indianos, segundo autoridades locais e empresas. Isso porque, ao contrário da China, muitos trabalhadores relutam em mudar para longe de onde nasceram para procurar emprego”. Por fim, no país mais populoso do mundo, “a força de trabalho continua em grande parte pobre e não qualificada”, ao mesmo tempo em que “a infraestrutura é pouco desenvolvida”. A complacência do governo indiano com a pauta ultraliberal das multinacionais pode até atrair mais indústrias de ponta – mas à custa de um trabalho exponencialmente precarizado. * Jornalista Fonte: Vermelho

Lula parabeniza Santiago Peña, eleito novo presidente do Paraguai

Santiago Peña após votar nas eleições do Paraguai. (Foto: Daniel Duarte/AFP) O presidente Luiz Inácio Lula da Silva parabenizou o novo presidente do Paraguai, Santiago Peña, por sua vitória nas eleições deste domingo (30). O economista de 44 anos é o novo presidente do Paraguai, após vencer as eleições de um único turno contra Efraín Alegre, o candidato da coalizão de esquerda. O novo presidente do Paraguai vai assumir o cargo a partir do dia 15 de agosto, em um mandato de cinco anos. Santiago é do Partido do Colorado, que comanda o país há mais de 70 anos, e foi eleito com 42,67% dos votos. Em sua conta no Twitter, Lula desejou boa sorte em seu mandado, e pediu para que ambos trabalhassem juntos, para relações cada vez melhores entre seus países e uma América do Sul unida. Parabéns ao presidente eleito do Paraguai @SantiPenap pela vitória nas eleições. Boa sorte no seu mandato. Vamos trabalhar juntos por relações cada vez melhores e mais fortes entre nossos países, e por uma América do Sul com mais união, desenvolvimento e prosperidade ???????????????? — Lula (@LulaOficial) May 1, 2023  

Índia ultrapassa China e agora é a maior nação; saiba quais são os dez países mais populosos do mundo

Imagem de mercado em Mumbai, na Índia, em 17 de março de 2023 — Foto: Rajanish Kakade/AP China perdeu o posto de país com maior população desde o começo da contagem da Organização das Nações Unidas, ONU, iniciada em 1950. Brasil está na sétima posição. A Índia está ultrapassando a China em tamanho de população ainda neste mês de abril, de acordo com projeção da Organização das Nações Unidas (ONU). Será a primeira vez que os chineses deixarão de ser a nação mais populosa do mundo. A data exata da mudança ainda não foi divulgada, mas a ONU confirmou ao g1 que ela aconteceu “algum momento” deste este mês. A estimativa da ONU contabiliza 1,428 bilhão de habitantes na Índia e 1,425 bilhão na China. As Nações Unidas contabilizam as populações dos países desde 1950 — desde então, a China sempre foi apontada como o país mais populoso. Uma nova campeã: Índia passa a China e se torna o país mais populoso do mundo E a distância de China e Índia para os outros países é grande. O terceiro colocado no ranking populacional são os Estados Unidos, com cerca de 334 milhões de pessoas, aproximadamente 23% da quantidade dos dois primeiros da lista. Já o Brasil aparece na sétima colocação, com cerca de 216 milhões. Com Índia e China no topo, confira a lista dos dez países com as maiores populações do mundo, segundo estimativa da ONU: Índia: 1,428 bilhão; China: 1,425 bilhão; Estados Unidos: 334,6 milhões; Indonésia: 281,6 milhões; Paquistão: 232,9 milhões; Nigéria: 220,5 milhões; Brasil: 216,4 milhões; Bangladesh: 169,3 milhões; Rússia: 146,1 milhões; México: 132,7 milhões. A mudança no topo do ranking pode ser compreendida pelo envelhecimento da população chinesa, que também teve seu crescimento estagnado nas últimas décadas — um dos fatores foi a política do filho único, implementada pelo governo chinês nos anos 1980. Enquanto isso, a Índia caminha no sentido contrário. A população é jovem se comparada à chinesa, com uma taxa de fertilidade anual mais alta e uma queda na mortalidade infantil desde os anos 1990.

Brasil e Espanha assinam três acordos e Lula defende em Madri o “G20 da Paz”

Presidente brasileiro encontrou o premiê espanhol Pedro Sánchez durante o encerramento de visita à Europa – Lula e Pedro Sánchez, no Palácio da Moncloa, em Madrid – Ricardo Stuckert/PR O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, concederam coletiva de imprensa nesta quarta-feira (26) em Madri e participaram de cerimônia de assinatura de acordos nas áreas de educação, trabalho e ciência e tecnologia. Os líderes falaram sobre a guerra na Ucrânia e as negociações por um acordo entre Mercosul e União Europeia. A íntegra dos acordos pode ser conferida neste link. O documento prevê um “intercâmbio sobre o processo que se realizou, no final de 2021, para a revisão da reforma trabalhista na Espanha” e também a “criação do grupo de trabalho técnico sobre a regulamentação do trabalho e da atividade econômica em plataformas digitais”. Já durante a coletiva de imprensa, Lula e Sánchez deram ênfase a volta do Brasil ao cenário internacional e também apresentaram visões diferentes sobre a guerra na Ucrânia e coincidentes em relação ao acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. O presidente brasileiro disse que o Brasil condena a invasão territorial da Ucrânia, mas ressaltou que a Organização das Nações Unidas (ONU) deveria fazer mais pela paz, e que seu Conselho de Segurança precisa ser reformulado para incluir mais países. “Nós vivemos num mundo em que o Conselho de Segurança da ONU, os membros permanentes, todos eles são os maiores produtores de armas do mundo, são os maiores vendedores de armas do mundo e são os maiores participantes de guerra do mundo”, afirmou Lula. O presidente brasileiro citou a invasão do Iraque pelos Estados Unidos, da Líbia pela França e Inglaterra, via OTAN, e da Ucrânia pela Rússia como exemplos de guerras de membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU. “Por que Brasil, Espanha, Japão, Alemanha, Índia, Nigéria, Egito, África do Sul não estão [como membros permanentes]? Quem determina atualmente são os vencedores da 2ª Guerra, mas o mundo mudou. Precisamos construir um novo mecanismo internacional que faça a coisa diferente. Acho que tá na hora da gente começar a mudar as coisas e está na hora da gente criar um tal de G20 da Paz, que deveria ser a ONU”. O premiê da Espanha – país que envia armas para a Ucrânia -, reforçou a importância de um “ator global” como o Brasil se preocupar com a construção da paz e ainda ressaltou que a guerra tem um “agressor”, os russos, e um país invadido, a Ucrânia. Nós queremos construir com a Espanha uma parceria ainda mais forte do que a que já existe. Vamos trabalhar juntos para melhorar nossos países e ajudar a melhorar o mundo ???????????????? ????: @ricardostuckert pic.twitter.com/XdJd6n0KkG — Lula (@LulaOficial) April 26, 2023 Acordo UE-Mercosul e declaração conjunta Os dois líderes defenderam a conclusão das negociações por um acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul. Sánchez declarou que neste ano a Espanha ocupará a presidência rotativa da UE e o Brasil, do Mercosul. “Portanto, acho que vamos ter uma conjuntura propícia para verdadeiramente culminar este processo e atingir este acordo. Vamos trabalhar para tentar obter este acordo neste ano”, afirmou o premiê espanhol. A criação de uma área de livre comércio entre os dois blocos comerciais é negociada há décadas e atualmente discordâncias sobre as cláusulas ambientas do acordo são um dos pontos de impasse. “O Brasil também tem seus interesses. A proposta feita no governo anterior é inaceitável por parte do Brasil porque impõe punição e não acho que podemos aceitar”, disse o petista. Na declaração conjunta de Brasil e Espanha, os governos ainda se comprometeram a “impulsionar a assinatura do acordo entre as duas regiões que permita o aumento do comércio e dos investimentos em ambas as direções e a promoção da prosperidade compartilhada”. O documento também ressalta posições em comum como a preocupação com a emergência climática, a defesa da transição energética e afirma que o governo espanhol “saudou a candidatura do Brasil para a realização da Conferência do Clima (COP 30) na cidade de Belém do Pará em 2025”.

Ameaça do gigante chinês. Artigo de Frei Betto

“Na afirmação de nossa soberania, Lula decretou o fim do dólar como moeda de comércio entre a China e o Brasil. E deu um “chega pra lá” no FMI e no Banco Mundial ao valorizar o banco dos Brics, com sede em Xangai e, agora, presidido por Dilma Rousseff, escreve Frei Betto, escritor, autor de “Paraíso perdido – viagens ao mundo socialista” (Rocco), entre outros livros. Eis o artigo. A “Newsweek” noticiou que o ex-presidente Jimmy Carter recebeu telefonema de Trump, preocupado com o crescimento geopolítico da China. Carter reagiu: “Você tem medo que a China nos supere, e concordo com você. Sabe por que a China nos superará? Eu normalizei relações diplomáticas com Pequim em 1979, e desde aquela data sabe quantas vezes a China entrou em guerra com alguém? Nenhuma, enquanto estamos constantemente em guerra. Os EUA são a nação mais guerreira da história do mundo, quer impor aos Estados se submeterem ao nosso governo e aos valores americanos em todo o Ocidente, e controlar as empresas que dispõem de recursos energéticos em outros países. A China, no entanto, investe seus recursos em projetos de infraestrutura, ferrovias de alta velocidade, tecnologia 6G, inteligência robótica, universidades, hospitais, portos e edifícios, em vez de usá-los em despesas militares. Quantos quilômetros de ferrovias de alta velocidade temos em nosso país? Já desperdiçamos U$ 300 bilhões em despesas militares para submeter países que procuravam sair da nossa hegemonia. A China não desperdiçou nenhum centavo em guerras e, por isso, nos ultrapassa em quase todas as áreas. Se tivéssemos U$ 300 bilhões para instalar infraestruturas, robôs e saúde pública nos EUA, teríamos trens bala transoceânicos de alta velocidade. Teríamos pontes que não desabam, sistema de saúde grátis para os americanos não infectarem, por Covid-19, mais conterrâneos do que qualquer outro país do mundo. Teríamos estradas adequadas. Nosso sistema educativo seria tão bom quanto o da Coreia do Sul ou Xangai.” Os EUA estão gastando em orçamento militar, neste ano de 2023, quase US$ 800 bilhões. E mantêm mais de 700 bases militares ao redor do mundo. O orçamento militar da China em 2023 não chega a US$ 300 e ela não dispõe de nenhuma base militar fora de suas fronteiras. Passei um mês na China em 1988 e visitei oito províncias. Então, a China era chinesa. Toda a população vestia a mesma roupa anil estilo Mao Tsé-tung e as diferenças sociais não eram gritantes. Hoje, diz a anedota que, perguntado se atualmente o sistema chinês é híbrido, o presidente Xi Jinping respondeu: “Sim, o Conselho de Estado e o Birô Político são comunistas e, os demais, capitalistas”. Os chineses são pragmáticos. E o governo e as empresas, diante da necessidade alheia, perguntam primeiro pela contrapartida antes do gesto de solidariedade. É um povo autocentrado. A palavra China significa “país do meio”, o centro do mundo. Vi nas escolas mapas-múndi nos quais o território chinês se destacava no centro, assim como muitos mapas no Brasil são eurocentrados. A recente viagem de Lula a China incomodou a Casa Branca que, progressivamente, perde sua hegemonia na América Latina. Sabem quantas vezes o presidente Biden visitou a América do Sul? Nenhuma. Biden, infelizmente, se relaciona com o nosso continente mais pautado por Trump do que por Obama. Este flexibilizou as relações com Cuba, inclusive reatando relações diplomáticas, embora mantendo o bloqueio, enquanto Trump adotou quase 300 medidas para apertar o bloqueio e Biden não ousa revogá-las. A China é, hoje, o principal parceiro comercial do Brasil. É o país que mais importa nossos produtos. Em 2022, as exportações brasileiras para a China (incluindo Hong Kong e Macau) somaram 91,26 bilhões de dólares. O Brasil é o quarto país no mundo onde a China mais investe. Responde por 5% do total. O país asiático importou US$ 90 bilhões do Brasil em 2022 e exportou US$ 60 bilhões. As exportações do Brasil para os chineses somaram, no ano passado, mais do que o total que o país vendeu para os EUA (US$ 37 bilhões) e a União Europeia (US$ 50,8 bilhões). Na afirmação de nossa soberania, Lula decretou o fim do dólar como moeda de comércio entre a China e o Brasil. E deu um “chega pra lá” no FMI e no Banco Mundial ao valorizar o banco dos Brics, com sede em Xangai e, agora, presidido por Dilma Rousseff. Um mundo multilateral favorece o surgimento de uma nova governança global, capaz de assegurar a paz no planeta. Mas, para isso, é preciso que a União Europeia dê o seu grito de independência em relação à Casa Branca e que a ONU sofra uma profunda reforma, a começar pela democratização de seu Conselho de Segurança.