Na Olimpíada, os EUA mudam até as regras para demonstrar hegemonia

Corredor dos EUA, Ronnie Baker, e da China, Su Bingtian, disputam prova de atletismo nos Jogos Olímpicos de Tóquio. – Jewel Samad / AFP New York Times adotou nova contagem de medalhas para se manter no topo do ranking dos jogos Estamos às vésperas do fim de mais uma Olimpíada, mas percebemos pudemos notar que levantamento de bandeiras, maratona de ideologias e ginástica de nacionalismo foram parte do megaevento esportivo. Ali, percebe-se que a política da medalha de ouro segue invicta, mostrando que o esporte continua sendo uma poderosa ferramenta de propaganda estatal. “Acho irônico que o Comitê Olímpico Internacional (COI) continue a se apresentar como uma organização apolítica porque o advento dos Jogos Olímpicos modernos foi político”, avalia Gerald Gems, professor emérito da North Central College. “A primeira edição da competição, em 1896, foi organizada por países ocidentais, promovendo modalidades específicas, também ocidentais. Quem quisesse participar tinha de se adequar a essas regras e esse grupo, como funciona até hoje. O COI ainda é controlado, basicamente, por homens brancos ocidentais”, completa. Gems lembra que todas as edições das Olimpíadas foram palcos políticos por diferentes motivos, seja pela busca de igualdade entre gêneros, pela inclusão de negros, de pessoas indígenas, entre outras disputas. O ápice do esporte como ferramenta política veio na edição de 1936, realizada na Alemanha de Hitler. “Ali o mundo viu duas ideologias políticas se enfrentando, com os americanos, e especialmente os atletas negros americanos, derrotando a chamada ‘super raça’ de Hitler’”, explica Gems. Rivalidade semelhante aconteceu durante a Guerra Fria, conforme explica o professor de história do esporte da Universidade da Califórnia, San Diego, Robert Edelman: “De um lado tínhamos o capitalismo, do outro o comunismo. Muita gente diz que, na impossibilidade de atacar um adversário com armas, o fazemos por meio do esporte, que traz à tona esse nível de competição.” A troca de farpas é uma modalidade recorrente nas Olimpíadas. Gerald Gems destaca que os Estados Unidos boicotam os Jogos Olímpicos de 1980, realizados em Moscou, por conta da invasão soviética do Afeganistão; quatro anos depois, foi a União Soviética que boicotou os Jogos Olímpicos, realizados em Los Angeles, nos Estados Unidos. “É tudo parte de um grande jogo político. Nesta edição isso ficou evidente com Taiwan, que só pôde participar com o nome Taipé chinesa, para não desagradar a China”, pontua Gems. Enquanto Taiwan afirma ser um país soberano e independente, e é reconhecido por algumas nações como tal, a China afirma que a ilha faz parte de seu território. A soberania de Taiwan é um assunto sensível nas relações internacionais. Não é de estranhar, portanto, que o topo do ranking dos Jogos Olímpicos seja um reflexo do que vemos no cenário geopolítico. Nas últimas edições do evento, Estados Unidos e China disputam o primeiro lugar do quadro de medalhas, sendo que na edição de 2016, no Rio de Janeiro, os asiáticos ficaram com a pole position por conquistarem o maior número de medalhas de ouro. Na contagem oficial, a medalha dourada tem peso maior que as demais. Neste ano, a China também aparece na frente dos estadunidenses, que resolveram mudar o critério do seu quadro de medalha para refletir sua vitória. O The New York Times passou a adotar o número absoluto de medalhas como critério de classificação, o que dá vantagem aos atletas dos Estados Unidos e coloca a delegação dos EUA no topo da lista. “Está claro que não é um manifesto esportivo, que é sobre hegemonia cultural, financeira e social. Estados Unidos e China sabem que as Olimpíadas são uma das maneiras que têm de demonstrar seu poder de fogo. Há anos a China vem desafiando os Estados Unidos, e é um fato que eles devem nos passar, economicamente, nos próximos 10 anos”, analisa Gems. Decisões individuais também são política, diz professor De acordo com Edelman, porém, nem todas as disputas políticas são tão claras. Enquanto outros Jogos Olímpicos foram marcados pela disputa entre países comunistas e capitalistas e protestos contra o racismo, a edição atual em Tóquio abriu espaço para a pauta “mais subjetiva” de Simone Biles. A ginasta estadunidense, dona de 32 medalhas olímpicas e mundiais, era a favorita ao pódio em Tóquio, mas desistiu de muitas de suas apresentações para proteger sua saúde mental. Na infância, a campeã olímpica Simone Biles sofreu abuso sexual do médico Larry Nassar. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil “Nem toda a manifestação política vista nas Olimpíadas é favorável ao país de origem dos atletas, como foi o caso de Biles, mostrando a pressão psicológica a qual é submetida”, afirma o professor da Universidade da Califórnia. Defensor dos protestos dos atletas, por entender que as Olimpíadas são e devem ser políticas, Edelman diz que faz parte do jogo a “exploração” dos campeões por políticos. “Cada líder tem um jeito de ser e uma troca com os esportistas, como vimos que alguns vencedores se recusaram, por exemplo, a visitar a Casa Branca de Donald Trump. Da mesma forma, houve atletas racistas que não compareceram ao escritório de Obama. Tudo isso é uma grande performance e elas vêm carregadas de simbologias”, analisa Edelman. Via Brasil de Fato
Prefeitura promove a aproximação de Montes Claros com a China

Texto: Daniel Moraes Fotos: Divulgação A Unimontes (Universidade Estadual de Montes Claros) está oferecendo certificações e cursos de formação 100% online, com o objetivo de preparar alunos e profissionais para o mercado de trabalho nas mais diversas áreas da computação, administração e gestão em TI. Os cursos resultam da parceria celebrada entre a Unimontes e a empresa chinesa Huawei e serão abertos a toda a comunidade acadêmica: docentes, discentes e servidores técnico-administrativos. As inscrições podem ser feitas neste link: https://uniportal.huawei.com/uniportal/?redirect=https%3a%2f%2fwww.huawei.com%2fen%2f%3fid%3d1628&lang=pt. Essa parceria e outras, como o convênio firmado entre a Unimontes e a Nanjing University of Chinese Medicine (NJUCM) como parte da rede de cooperação sino-brasileira de Medicina Tradicional para o Enfrentamento da Covid-19, são apenas os frutos mais recentes de um trabalho que conta com a participação, apoio e articulação da Prefeitura de Montes Claros. Um dos primeiros passos dessa aproximação Montes Claros/China foi dado em 2019, durante a realização da 24ª FENICS (Feira Nacional da Indústria, Comércio e Serviços de Montes Claros), no mês de setembro. Durante o evento de negócios, um dos mais relevantes do Norte de Minas, a Prefeitura promoveu o I Seminário de Inovação China-Brasil, que contou com a participação de representantes de mais de 20 grandes empresas chinesas, entre instituições financeiras, companhias de energia, siderúrgicas e fabricantes de celulares. A proposta do encontro foi promover a aproximação econômica e comercial entre Brasil e China, fomentando a comunicação entre empresas chinesas e brasileiras e o governo de Minas Gerais. Em dezembro do mesmo ano, na cidade do Rio de Janeiro, foi promovido o “Seminário sobre Inovação para Comércio Internacional de Serviços”, que reuniu representantes do governo chinês, do Ministério da Economia do Brasil, e dos governos estaduais de Minas, Rio de Janeiro e Espírito Santo. Nessa ocasião, o prefeito de Montes Claros, Humberto Souto, foi representado pelo secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Turismo, Edilson Torquato, que também representou a Unimontes no evento. Segundo Edilson, a Prefeitura vem trabalhando incansavelmente para fortalecer os vínculos com o país oriental, especialmente com Taizhou, localidade chinesa com quase 5 milhões de habitantes, considerada cidade irmã de Montes Claros. Em maio deste ano, foi realizada uma reunião, de forma remota, entre o prefeito Humberto Souto e a vice-prefeita de Taizhou, que é uma referência no ramo de medicamentos, assim como Montes Claros. A ideia é que a troca de experiências entre as duas cidades venha fortalecer ainda mais a posição de Montes Claros como polo farmacêutico nacional. Edilson explica que as ações de aproximação de Montes Claros com a China só puderam acontecer devido ao apoio da empresa Sam Metais e do Consulado Chinês no Rio de Janeiro. “Todas as ações realizadas pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Turismo seguem a orientação do prefeito Humberto Souto, no sentido de fazer de Montes Claros uma cidade cada vez mais desenvolvida e com uma economia sempre mais robusta”, conclui. Via Prefeitura de Montes Claros
Justiça Eleitoral oficializa vitória de Pedro Castillo no Peru

Após amplas mobilizações populares, a Justiça Eleitoral do Peru finalmente reviu e rejeitou as reivindicações da direitista Keiko Fujimori para anular os votos do professor Pedro Castillo, oficializando a vitória eleitoral do candidato da esquerda Após amplas mobilizações populares, a Justiça Eleitoral do Peru finalmente reviu e rejeitou as reivindicações da direitista Keiko Fujimori para anular os votos do professor Pedro Castillo, oficializando a vitória eleitoral do candidato da esquerda. Após uma longa espera de mais de um mês, o professor rural e sindicalista oriundo de uma das áreas andinas mais pobres do país será proclamado neste domingo, 18, presidente eleito. Ele assumirá o cargo em 28 de julho. A direita respondeu com violência nas ruas e com uma última manobra para atrasar a proclamação de Castillo, ao estilo de Donald Trump nos Estados Unidos, que Jair Bolsonaro ameaça imitar caso perca as eleições de 2022 no Brasil.
Corpos nas ruas e muita destruição: tempestades deixam mais de 150 mortes na Europa

Uma rua completamente destruída pela força da água na cidade de Erftstadt, no oeste da Alemanha, em 16 de julho de 2021 (SEBASTIEN BOZON/AFP) Cenário é destruidor com casas arrasadas pela força da corrente, árvores caídas, veículos arrastados, estradas e pontes afundadas ou corte de energia Alemanha e Bélgica começaram neste sábado(17) a gigantesca tarefa de limpeza e reconstrução das áreas devastadas por temporais nos últimos dias, que causaram pelo menos 165 mortes na Europa e um prejuízo de milhões de dólares, enquanto os serviços de resgate tentam encontrar o paradeiro de dezenas de desaparecidos. O número de vítimas continua a aumentar conforme as equipes de resgate entram nas áreas mais devastadas e encontram os corpos de pessoas presas em destroços deixados pelas intempéries, que também causaram danos materiais em Luxemburgo, Holanda e Suíça. De acordo com o último balanço deste sábado, as mortes foram de 165, 24 na Bélgica e 141 na Alemanha, que também registra centenas de feridos, concentrados principalmente nos estados ocidentais da Renânia-Palatinado e Renânia do Norte-Vestfália. Aos poucos, os moradores que tiveram que sair, quase fugindo, de suas casas ameaçadas pela água estão voltando. Muitos encontram um cenário desolador: paredes arrancadas pela força da corrente, árvores que caíram, veículos arrastados, estradas e pontes afundadas ou corte de energia. “Há 48 horas vivemos um pesadelo. Damos voltas e voltas e não podemos fazer nada”, disse Cornelia Schlösser à AFP, observando o péssimo estado da padaria da família na cidade de Schuld, afetada pelas enchentes. “Em questão de minutos, uma onda entrou na casa”, acrescenta.A chanceler Angela Merkel viajará pela região no domingo, com destino à cidade de Schuld, na Renânia-Palatinado, qualificada de “mártir” após ter sido quase totalmente devastada. Corpos nas ruas À medida que a água represada nas ruas começa a baixar e os serviços de emergência conseguem chegar até as regiões mais críticas atingidas pela enchente dos últimos dias, o estrago causado pela tormenta sem precedentes que castigou o oeste da Alemanha vai ficando mais evidente. De acordo com o último boletim divulgado pelas autoridades, mais de 150 pessoas morreram e centenas seguem desaparecidas. As situações mais críticas foram registradas nos Estados da Renânia do Norte-Vestfália e Renânia-Paladino, ambos localizados na fronteira com a Bélgica. Apesar do progresso nas buscas e da trégua da chuva, autoridades alertam que a situação ainda é preocupante, e há risco de rompimento ou transbordamento de barragens. O Estadão conversou com pessoas que testemunharam a destruição provocada pelas chuvas nos dois Estados. Nos relatos, ficam claros alguns dos efeitos diretos e indiretos da destruição provocada pela tempestade – comparada por um dos entrevistados ao furacão Katrina, nos Estados Unidos. Leia os relatos: Marco Kaschuba – Meteorologista e documentarista – Vale de Ahrweiler (Renânia-Palatinado) Eu sou meteorologista e documentarista especializado em forças da natureza. Já viajei ao redor do mundo: fui aos Estados Unidos para filmar furacões, à Itália para filmar vulcões e tempestades de neve… A previsão do tempo para o oeste da Alemanha apontava que haveria chuva pesada, de mais de 200 litros por metro quadrado. Isso me fez ir até a região de Ahrweiler, no vale do rio Ahr, que é uma região produtora de vinhos bem conhecida na Alemanha, com muitas montanhas e vales, o que o torna o local perfeito para ver enchentes se houver muita chuva. Eu cheguei no vale na quarta-feira, antes das inundações. Eu sabia que teríamos chuva forte, mas nunca imaginei que chegaria ao que realmente aconteceu. O houve foi uma catástrofe histórica. O volume máximo alcançado pelo rio, em altura, nos últimos 100 anos, era de 3,70 metros. Desta vez, chegou a algo em torno de 7 ou 8 metros, o que é uma loucura. Todos os vilarejos do vale foram atingidos fortemente. Quase mil pessoas são consideradas desaparecidas no momento. Dezenas de carros foram arrastados pela correnteza. Centenas de casas desabaram total ou parcialmente. Eu precisei subir às montanhas, porque o vale estava completamente coberto por água. Quando a enchente alcançou as vilas, todas as casas ficaram submersas. Carros flutuavam por onde antes eram ruas e era possível ouvir pessoas gritando por socorro. O pior momento foi a noite de quarta para quinta-feira, mas só depois que o sol nasceu na quinta é que pudemos ver a destruição brutal. Em todas as ruas haviam carros virados. Casas e restaurantes destruídos, corpos nas ruas. Pessoas procuravam por seus parentes, enquanto equipes de limpeza, militares e agentes da Cruz Vermelha procuravam por vítimas. Helicópteros resgatavam pessoas de seus telhados. Durante a noite de quinta para sexta, o céu ficou aberto. Nesta sexta-feira, o mesmo ritual se repetiu: equipes de resgate e de limpeza trabalhavam nos vilarejos, em busca dos desaparecidos. Eu ainda estou em choque. Deixei a região na tarde desta sexta-feira e estou em casa, em Reutlingen, a 200km de onde tudo se passou. Você havia presenciado alguma cena tão trágica quanto essa? Do rio destruindo os vilarejos? Talvez durante o furacão Katrina, no Mississippi, mas nunca em uma enchente em um vale europeu. Emanoella Martins-Fuhrmann – Enfermeira geriátrica – Solingen (Renânia do Norte-Vestfália) Faz duas semanas que está chovendo por aqui. Uma chuva fraca, constante. Na quarta-feira, quando eu acordei e olhei pela janela, já estava começando a alagar. Tem um estacionamento do lado da minha casa, e a água estava batendo no tornozelo. Eu comecei a pensar em como iria para o trabalho, mas vi que o transporte público estava funcionando. Consegui pegar os dois ônibus que normalmente pego para sair de Solingen e chegar a Langenfeld, onde fica o asilo de idosos em que eu trabalho como enfermeira. Quando eu cheguei lá, ainda estava relativamente normal. Durante o trabalho é que as coisas começaram a piorar. As sirenes do batalhão do Corpo de Bombeiros, que fica lá perto, começaram a tocar. E continuou assim toda hora. Eu não entendi muito bem porque estavam acionando tanto os bombeiros, mas uma colega explicou que quando chove assim, principalmente os porões inundam, e as pessoas chamam por socorro. Em
Suposto mandante do assassinato do presidente do Haiti é médico que morava nos EUA

Polícia do país caribenho chegou ao mentor do crime após interrogar 18 mercenários colombianos detidos como autores do atentado que resultou na morte de Jovenel Moïse A Polícia Nacional do Haiti informou que prendeu o suposto mandante do assassinato de Jovenel Moïse, presidente do país. O acusado é o médico haitiano Christian Emmanuel Sanon, de 63 anos, que morava em Miami, nos EUA, e tinha voltado à terra natal em junho. Segundo os dados da investigação revelados até agora, alguns dos 18 mercenários colombianos presos logo após o atentado teriam ligado diretamente para Sanon momentos depois do ataque. O médico, que estava numa casa de um bairro nobre de Porto Príncipe, foi detido no local e, de acordo com as autoridades, mantinha na residência armas, munições, um boné do DEA (o departamento norte-americano que combate o tráfico de drogas) e duas placas de automóvel da República Dominicana, país vizinho ao Haiti. Os executores do plano eram seus seguranças particulares e entraram legalmente com o médico no país num avião particular. Eles são funcionários de uma empresa venezuelana que presta serviços de escolta e proteção, com sede nos EUA. “A primeira pessoa para quem um dos criminosos telefonou foi Charles Emmanuel Sanon. Ele se colocou em contato com outras duas pessoas, que consideramos também mentores do assassinato do presidente”, declarou Léon Charles, chefe da Polícia Nacional do Haiti, em entrevista coletiva. O fato de Sanon viver em Miami e ter sido preso com um boné do DEA, que segundo testemunhas também eram usados pelos executores do plano, fez com que o governo dos EUA se pronunciasse para afirmar que não tem qualquer relação com o trágico episódio. Membros do FBI e do Departamento de Estado da gestão Joe Biden foram encaminhados ao Haiti para auxiliar nas investigações, confirmaram porta-vozes das duas nações. A ação, ocorrida na madrugada da última quarta-feira (7), deixou também a esposa do presidente haitiano, Martine Moïse, gravemente ferida. Ela foi transferida para um hospital e Miami e segue internada. Leia também: Ai de ti, Haiti – Por José Couto Nogueira* Haiti precisa novamente de ajuda internacional – Por Isaac Risco*
Ai de ti, Haiti – Por José Couto Nogueira*

O ex-presidente do Haiti, Jovenel Moise, com sua esposa e primeira-dama, Martine Moise, em 23 de maio de 2018, em Porto Príncipe (Hector Retamala/AFP) Pouco se fala do país mais pobre do Hemisfério Ocidental; só quando acontece alguma desgraça maior, no meio da desolação permanente. Agora foi o assassinato do presidente Jovenel Moïse, de 53 anos, por tantos motivos que ninguém sabe se teria sido apenas um (droga?), ou vários. O mundo cresce e o Haiti esmorece; sempre foi assim. O ex-presidente do Haiti, Jovenel Moise, com sua esposa e primeira-dama, Martine Moise, em 23 de maio de 2018, em Porto Príncipe A última vez que nos lembramos de falar no Haiti foi aquando do terremoto devastador de 2010, ou da epidemia de cólera que se lhe seguiu. Também houve protestos sobre a forma como a bem-intencionada ajuda humanitária das Nações Unidas desapareceu sem mostrar qualquer benefício para a população. Ninguém sabe se os bilhões foram absorvidos pelas autoridades locais e importadas (houve um corpo de intervenção liderado pelo Brasil), ou pelas ONGs que se multiplicaram no terreno. Nove mil milhões de dólares desapareceram de todas as maneiras possíveis, e hoje o país continua tão pobre e desesperado como em 2010. Leia também Haiti precisa novamente de ajuda internacional – Por Isaac Risco* Certamente não falamos no Haiti das inúmeras vezes que a política local, completamente disléxica, produziu revoluções e mudanças de presidente. Ao contrário da fome, que perturba o mundo todo, mas ninguém no mundo faz nada, a situação política não parece interessar nem os norte-americanos, que mandaram no país durante a época em que se metiam em tudo o que mexesse ao Sul do Rio Grande. Atualmente, para quem queira saber os pormenores, só há dez dos trinta membros do Senado porque os outros terminaram os mandantos há mais de um ano, o parlamento não tem ninguém, porque os mandatos acabaram o ano passado, e o presidente do Supremo Tribunal acaba de morrer de Covid. O judiciário também está paralizado, com os juízes em greve para chamar a atenção para o perigo que a carreira representa. As gangues que entretanto se formaram não levam a bem condenações em tribunal, nos poucos casos que chegam a julgamento. Segundo a opinião de Didier Le Bret, ex-embaixador francês no Haiti, está tudo na mão do Primeiro Ministro interino, Claude Joseph. Interino, porquê? Porque foi demitido há dois dias pelo presidente asssassinado, o sétimo durante os anos Möise, e o seu substituto, Ariel Henry, neurocirurgião, ainda não tomou posse. Möise governava por decreto há mais de um ano e deixou passar o calendário de eleição presidencial, pelo que era, na prática, um ditador. A presente situação data da eleição de Michel Martelly em 2011, com uma deterioração geral da segurança. Serviços básicos nunca houve, ou o pouco que havia desapareceu no terremoto de 2010. Martelly aguentou e reprimiu diversas revoltas e conseguiu terminar o mandato, passado a presidência para Möise, em 2015. Moïse era precisamente um dos envolvidos no escândalo dos dinheiros internacionais. Exportador de banana, teria emitido faturas falsas para cobrir desvios do dinheiro enviado pelas Nações Unidas. A eleição foi complicadíssima, tanto que ele só tomou posse 14 meses depois de eleito. A oposição nunca levou a sua vitória a bem, o que provocou uma paralização dos serviços públicos, mesmo a tempo para a chegada da pandemia de Covid-19. Aliás, o Haiti é o único país do mundo com zero vacinados, depois de ter recusado a oferta de AstraZeneca dentro do programa Covax, alegando que não era segura (Por favor, não ria. Isto é um dramalhão sem espaço para humor). É interessante notar que o Haiti foi o primeiro país da América Central a conquistar a independência, em 1803, quando os escravos se revoltaram, derrotaram as tropas enviadas por Napoleão e massacraram todos os colonos que os exploravam sem dó. Mas, ao contrário de outros países que mais tarde também conseguiram tornar-se independentes, não havia uma classe média para substituir os senhores franceses. O herói da resistência, Toussaint Louverture (os haitianos costumam ter nomes que parecem inspirados no Asterix), foi morto em combate. Quem conseguiu a vitória final foi o seu lugar-tenente, Jacques Dessalines, mas, como retaliação, a França e a Europa colocaram o país na lista negra, exigindo compensação às famílias dos colonos que tinham escapado. Durante 60 anos o país permaneceu isolado na sua miséria e ignorância, sem quadros nem maneira de os arranjar. Até ao princípio do século 20, houve 20 presidentes, sendo 16 depostos ou assassinados. Finalmente, em 1915, chegaram os norte-americanos, que governaram direta ou indiretamente até 1946, quando permitiram a eleição do primeiro presidente negro, Dusmarsais Estimé. Mais agitação, até surgir o primeiro populista moderno, François Duvalier, eleito em 1957, e que governou com mão de ferro. Com os seus famigerados tontons macutes, Papa Doc manteve-se vitaliciamente e passou o saque para o filho, conhecido como Baby Doc, em 1971. Mas o Baby era sobretudo um menino mimado, educado na Suiça (sim, educado na Suiça) e não soube lidar com a violência necessária para manter o poder, embora se esforçasse bastante. Exilou-se na França em 1986, quando a situação se tornou insustentável. Para encurtar uma longa e dolorosa história, em 1994 os norte-americanos mandaram tropa e impuseram o padre salesiano Jean-Bertrand Aristide, que se aguentou até 2004. Levado quase à força pelos marines, Aristide exilou-se na África do Sul. As Nações Unidas criaram uma Missão para a Estabilização no Haiti (Minustah) constituida por militares de vários países e comandada pelos brasileiros. Em 2010 aconteceu o terremoto. Entretanto, muitos haitianos tinham emigrado para os Estados Unidos, sobretudo quando da grande fome da década de 1980. Lá conheceram duas instituições muito específicas, a violência armada e as gangs de narcotráfico. Muitos acabaram por voltar e nos últimos anos a violência no país tem passado rapidamente da política para o gangsterismo. Regularmente são asssinados estrangeiros das ONGs que ainda insistem em ajudar e a violência entre grupos armados, que incluem militares, não pára de crescer. Por
Haiti precisa novamente de ajuda internacional – Por Isaac Risco*

Nos últimos anos, o Haiti se tornou um centro de contrabando de drogas da América do Sul para os Estados Unidos (Valerie Baeriswyl) Mais recente missão de paz de ONU deixou uma impressão ruim no país caribenho O Haiti está amaldiçoado, disseram alguns observadores nos últimos anos. É claro que esta não é uma explicação racional para a história particularmente trágica do extremamente pobre país caribenho. A frase reflete um pouco de perplexidade, pessimismo, diante da espiral aparentemente interminável de violência, pobreza e desastre na outrora rica colônia ultramarina francesa. Agora é o brutal assassinato do presidente que está mergulhando o Haiti ainda mais profundamente na crise. Leia também: Ai de ti, Haiti – Por José Couto Nogueira* Jovenel Moïse foi assassinado em sua casa em Porto Príncipe na noite de quarta-feira (7) por um comando de mercenários aparentemente estrangeiros. O pano de fundo do crime ainda é incerto. O assassinato é parte de um golpe de Estado? Ou Moïse, que era acusado de corrupção e agia cada vez mais de forma autoritária, foi vítima de uma guerra de gangues que ele mesmo fomentou? É pouco provável que haja respostas claras em breve. Porque o caos reina no Haiti – o país é, na verdade, um Estado fracassado há anos. Nas eleições presidenciais de 2015, muitos observadores e diplomatas tinham grandes esperanças para Moïse. O proprietário de uma plantação de bananas ganhou a votação – mas ela teve que ser repetida um ano depois devido a uma suposta fraude eleitoral. Moïse só pôde tomar posse em fevereiro de 2017, e seu governo nunca foi estável. Desde 2020 ele só governava por decreto, depois que o Parlamento foi dissolvido no final da legislatura e ninguém pôde ser eleito. De qualquer forma, não existe há muito tempo uma máquina estatal em funcionamento no Haiti. Violentos conflitos entre gangues aterrorizaram recentemente o povo de Porto Príncipe. Nos últimos anos, o país se tornou um centro de contrabando de drogas da América do Sul para os Estados Unidos. A comunidade internacional já teve que intervir no Haiti antes. Em 2004, as Nações Unidas enviaram a missão de paz da Minustah ao Caribe após a queda do então presidente Jean-Bertrand Aristide. Mas as tropas foram cercadas por escândalos: os capacetes azuis nepaleses levaram cólera para o país após o devastador terremoto de 2010, e muitos soldados foram acusados de abusos sexuais. Quando saiu de lá, em 2017, a missão de paz liderada pelo Brasil era odiada por partes da população. Apesar disso, está na hora de a comunidade internacional aprender com os erros do passado e dar ao país mais pobre das Américas um apoio renovado e mais eficaz. Porque um fracasso definitivo do Haiti não é do interesse de ninguém. DW *Jornalista da DW, Isaac Risco cobriu no Haiti a eleição de Jovenel Moïse pela agência de notícias DPA. O texto reflete a opinião do autor, não necessariamente a da DW
Spike Lee chama Bolsonaro de ‘mafioso sem moral’ durante Festival de Cannes

Principal homenageado do festival, Lee criticou Bolsonaro, Trump e Putin: ‘Este mundo é governado por gângsters’ Presidente do júri 74ª edição do Festival de Cannes, o cineasta americano Spike Lee criticou o presidente brasileiro Jair Bolsonaro (sem partido) durante a cerimônia de abertura, nesta terça-feira (6) na França. O chefe de estado brasileiro foi alvo junto do ex-presidente americano Donald Trump e do presidente russo Vladmir Putin. “Este mundo é governado por gângsteres”, disse Lee durante uma coletiva de imprensa. “O Agente Laranja [Donald Trump] , o Cara do Brasil [Bolsonaro] e o [presidente russo Vladimir] Putin. Eles são gângsters e farão o que quiserem. Eles não têm moral nem escrúpulos.” Lee também deplorou a brutalidade contra os negros em América. A tradicional coletiva de imprensa que antecedeu a abertura da maior competição de cinema do mundo imediatamente ganhou contornos políticos, em uma prévia do que pode ser a 74ª edição do festival, após seu cancelamento no ano passado devido à pandemia. Spike Lee é o grande homenageado desta edição do festival e inclusive estampa o pôster oficial. O diretor, de 64 anos, é o primeiro afro-americano a presidir o júri do festival, também composto pelo brasileiro Kleber Mendonça Filho, outro crítico de Bolsonaro. O júri decidirá quem levará a Palma de Ouro. Lee fez menção a ter exibido em Cannes, em 1989, o filme Faça a coisa certa, sobre a violência contra os negros nos Estados Unidos. “Quando vemos como o irmão Eric Garner e o rei George Floyd foram mortos, linchados… podemos pensar que depois de 30 malditos anos, os negros poderiam parar de ser caçados como animais”. O diretor americano, Spike Lee, que preside o júri da 74ª edição do Festival de Cannes: ‘Este mundo é governado por gângsteres’ (Valery Haché/AFP) Cinemateca Mas Lee não foi o único a associar o cinema à militância: os demais membros do júri também usaram da palavra nesse sentido. O diretor brasileiro Kleber Mendonça Filho lembrou a pandemia que vive o país, com mais de meio milhão de mortes por Covid-19. “Segundo dados técnicos, se o governo tivesse feito a coisa certa, 350 mil vidas teriam sido salvas”. Lamentou também o “fechamento há mais de um ano da Cinemateca Brasileira, com 90 mil títulos e todos os técnicos e especialistas demitidos”. “É uma forma muito clara de reprimir a cultura e o cinema”, afirmou Kleber Mendonça, que considera que “uma das formas de resistir é passar a informação e falar sobre ela”. Já as mulheres do júri, que são a maioria, exigiram mais igualdade na indústria. “Mesmo dentro de uma cultura tão masculina, fazemos filmes diferentes, explicamos as histórias de uma outra maneira. Vamos ver o que acontece” com um júri de cinco mulheres e quatro homens, observou a atriz americana Maggie Gyllenhaal. Cannes 2021 Com o musical Annette, Adam Driver e Marion Cotillard na abertura, o Festival de Cannes programou o maior número de filmes em sua mostra oficial em comparação com as últimas edições, apesar das rígidas condições sanitárias. A Palma de Ouro será disputada por cineastas renomados, como o americano Wes Anderson, o holandês Paul Verhoeven, o iraniano Asghar Farhadi e diretores que já receberam o prêmio máximo em Cannes, como o italiano Nanni Moretti e o tailandês Apichatpong Weerasethakul. O festival, que não foi realizado no ano passado devido à pandemia, deseja recuperar o tempo perdido: 24 filmes, rodados antes e durante a pandemia, estão na mostra oficial – o maior número dos últimos anos. Paralelamente, o Festival concederá nesta terça-feira a Palma de Ouro honorária à atriz e diretora Jodie Foster, que compareceu a Cannes pela primeira vez ainda adolescente, há 45 anos, para apresentar Taxi driver, de Martin Scorsese. Nele, contracenou com Robert De Niro. As celebridades poderão tirar a máscara e posar para as câmeras no tapete vermelho, mas a organização do festival estabeleceu estritas condições de acesso. Europeus vacinados, ou com imunidade natural, devem apresentar o documento de saúde reconhecido pela UE, enquanto os demais participantes devem ser submetidos a um teste de PCR a cada 48 horas. As salas não terão, no entanto, limite de capacidade. Dom Total
Manobra de juiz eleitoral impede proclamação do novo presidente e crise se agrava

O presidente eleito Pedro Castilho sofre campanha de difamação de conservadores (Gian Masko/AFP) Magistrado que analisa recursos sobre fraude declina, aumentando a incerteza política A incerteza cresceu ainda mais no Peru após um dos magistrados do Júri Nacional Eleitoral (JNE) anunciar que declinou de continuar no cargo, com o aparente objetivo de impedir o órgão de proclamar o esquerdista Pedro Castillo como vencedor do segundo turno das eleições presidenciais. O movimento do juiz que avaliava os recursos com alegações de fraude apresentados pela candidata de direita Keiko Fujimori para evitar sua derrota deixou o organismo sem quórum e complicou o caminho para a aguardada proclamação dos resultados. “Foi iniciada uma avaliação legal para que se permita tomar medidas imediatas para salvaguardar a democracia e evitar que se afete a conclusão do processo eleitoral após a declinação irrevogável apresentada pelo magistrado Luis Arce na noite de quarta-feira”, segundo anunciou o JNE. Legalmente, o juiz não pode renunciar enquanto não finalizar o atual processo eleitoral, por isso ele utilizou a palavra “declinar” para não continuar com seu trabalho. Um grupo de políticos conservadores pediu nesta quinta-feira ao presidente Francisco Sagasti que solicite à Organização dos Estados Americanos (OEA) para auditar a eleição apertada de 6 de junho. Castillo venceu Keiko por 44 mil votos de acordo com a contagem oficial, mas o JNE precisa decidir sobre os recursos apresentados pela candidata antes de proclamar um vencedor. Na tentativa de desbloquear o impasse, o JNE solicitou ao Ministério Público a designação de um novo membro daquele órgão para evitar “afetar o ápice do processo eleitoral”. O JNE optou por suspender o exercício do cargo a Arce e manifestou seu repúdio às expressões ofensivas constantes na sua carta de desistência, na qual afirma que tudo parecia estar consumado há muito tempo em favor de Castillo. O juiz justificou ainda sua decisão dizendo que ela era uma ação para evitar que seus votos minoritários fossem usados para validar falsas deliberações constitucionais que, segundo ele, são decisões com claras tendências políticas. Observadores atestam correção A decisão de Arce parece estar em sintonia com setores políticos que insistem em denunciar o que chamam de fraude em detrimento de Keiko, embora os Estados Unidos e a OEA tenham afirmado que o processo eleitoral peruano foi limpo e justo. Antes de proclamar o vencedor, o JNE estava fazendo um progresso lento na resolução de todas as solicitações e recursos apresentados por Keiko, e já havia negado a maioria deles. Luis Arce era o único dos quatro magistrados do JNE que até então havia apoiado a tese infundada de Keiko sobre uma suposta fraude. A chefe do Judiciário, Elvia Barrios, pediu uma solução pacífica para o novo obstáculo no processo de proclamação do novo presidente e alertou contra qualquer alternativa antidemocrática. “O ‘declínio’ do magistrado Luis Arce constitui um ataque frontal ao Estado de Direito que visa colocar em risco a democracia”, tuitou José Miguel Vivanco, chefe da ONG Human Rights Watch para as Américas. Na terça-feira, os Estados Unidos destacaram em nota do Departamento de Estado que as eleições peruanas são um modelo de democracia na região e afirmaram apoiar que as autoridades eleitorais tenham tempo para processar e publicar os resultados de acordo com a legislação peruana. No entanto, o lado de Fujimori continua a afirmar que houve fraude e tem procurado bloquear – ou pelo menos atrasar – a proclamação do vencedor com vários pedidos ao JNE, enquanto militares reformados manifestam-se nas ruas e convocam as Forças Armadas para impedir que Castillo assuma o controle, a quem também chamam de comunista. No Peru, a palavra comunista está associada ao terror causado pelo Sendero Luminoso da guerrilha maoísta (que operou entre 1980-2000), ideia que Keiko e seus apoiadores promoveram durante a campanha.
Marco sombrio de 500 mil mortes e protestos: a tragédia brasileira na imprensa internacional

Milhares de pessoas protestaram contra o presidente Jair Bolsonaro em todos os estados brasileiros no sábado (19/6), mesmo dia em que o país alcançou o marco de meio milhão de mortos na pandemia. Protesto contra governo do presidente Jair Bolsonaro neste sábado (19) em Brasília — Foto: REUTERS/Adriano Machado O trágico número de 500 mil brasileiros mortos em decorrência da covid-19 registrados no sábado (19/6) e os protestos contra o presidente Jair Bolsonaro ocuparam as páginas dos principais veículos internacionais neste fim de semana. A cobertura da imprensa internacional sobre os 500 mil mortos no Brasil e as marchas afirma que há uma indignação crescente dos brasileiros contra o presidente Jair Bolsonaro – apontado, nos protestos, como culpado pelo número alto de vítimas da pandemia no país. Também retrata a situação “crítica” do Brasil, onde a vacinação lenta e o descontrole do vírus pode levar a uma terceira onda e um número maior de mortos pelo vírus. “Brasil ultrapassa marco sombrio de 500 mil mortes por covid-19 em meio a protestos contra a resposta de Bolsonaro”, diz o título de reportagem do jornal britânico The Independent. O jornal britânico The Independent retrata as manifestações no Brasil no dia em que se atingiu 500 mil mortes por Covid-19. — Foto: Reprodução No sábado (19/06), mesmo dia em que o Brasil alcançou 500 mil mortes na pandemia, milhares de pessoas em todos os 26 Estados do Brasil, além do Distrito Federal e cidades do exterior, saíram em manifestações contra Bolsonaro. “Críticos dizem que a rejeição de Bolsonaro às restrições à covid-19, como medidas de distanciamento social e uso de máscaras, e sua promoção de tratamentos refutados, como a hidroxicloroquina, são em parte responsáveis pelo enorme número de mortes no país e pela lenta campanha de vacinação”, diz a reportagem do Independent. O jornal britânico The Guardian registrou em reportagem que os protestos contra Bolsonaro têm ganhado “impulso” em meio a uma curva ascendente de casos de covid-19 no país. “O presidente brasileiro, que subestimou a pandemia e resistiu às medidas de contenção, está sendo investigado no Congresso porque seu governo ficou para trás na aquisição de vacinas, mas incentivou o uso de drogas ineficazes como a cloroquina”, registrou o jornal. O jornal britânico The Guardian registrou que manifestações contra o presidente Bolsonaro tem ganhado impulso. — Foto: Reprodução A BBC destacou como o Brasil alcançou 500 mil mortes em meio a uma situação “crítica”, com uma crise que pode piorar pela vacinação lenta e o início do inverno. “O vírus continua a se espalhar enquanto o presidente Jair Bolsonaro se recusa a apoiar medidas como o distanciamento social.” O portal do jornal BBC destacou que o Brasil alcançou 500 mil mortes em meio a uma situação “crítica”. — Foto: Reprodução. O espanhol El País publicou reportagem no sábado (19/6) destacando como os “meio milhão de mortos” por covid-19 compõem o segundo maior número do mundo. “O triste marco de 500.000 mortos é chocante. O único país onde mais pessoas perderam a vida devido à doença foram os Estados Unidos”, diz o texto, em que há vozes de brasileiros que perderam entes queridos. O espanhol El País destacou como os “meio milhão de mortos” por covid-19 compõem o segundo maior número do mundo. — Foto: Reprodução “A perda de meio milhão de vidas no Brasil ocorre em um momento em que o governo de Jair Bolsonaro é pressionado por uma investigação do Senado sobre a condução da pandemia”, destaca o El País. “Os depoimentos coletados na investigação do Senado também mostram que por negligência o governo parou de negociar e comprar vacinas em 2020, quando o Bolsonaro ignorou dezenas de e-mails da farmacêutica Pfizer oferecendo seu produto.” A informação de que o Brasil se tornou o segundo país do mundo a superar 500 mil mortos por covid-19, atrás apenas dos Estados Unidos, também foi destaque no jornal The Times of Israel. The Times of Israel também destacou que o Brasil é o segundo país a atingir a marca de 500 mil mortos. — Foto: Reprodução No americano The Washington Post, uma reportagem da Associated Press mostra como manifestantes foram às ruas em diversas cidades do Brasil no dia em que o Brasil chegou a 500 mil mortes por covid-19 – “uma tragédia que muitos críticos atribuem à tentativa do presidente Jair Bolsonaro de minimizar a doença”. The Washington Post mostra como manifestantes foram às ruas em diversas cidades do Brasil no dia em que o Brasil chegou a 500 mil mortes por covid-19. — Foto: Reprodução. Uma reportagem da Al Jazeera apontou como há especialistas que dizem que o número de mortes por covid-19 no Brasil deve crescer ainda mais. Também registrou as críticas que o governo Bolsonaro enfrenta por ter “perdido oportunidades de comprar vacinas”. “Manifestantes em todo o país criticaram o governo pelo alto número de mortos e pediram a saída do presidente”, diz a reportagem. Reportagem da Al Jazeera apontou como há especialistas que dizem que o número de mortes por covid-19 no Brasil deve crescer ainda mais. — Foto: Reprodução. “Brasil superou os 500 mil mortos por coronavírus e manifestantes repetem marcha contra Jair Bolsonaro”, diz o título de reportagem do jornal argentino El Clarín. O texto destacou um tuíte do atual ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, lamentando as “500 mil vidas perdidas” e dizendo estar trabalhando “incansavelmente para vacinar todos os brasileiros no menor tempo possível”. Nas principais cidades do país, diz o Clarín, “milhares de pessoas voltaram a sair às ruas para protestar contra Bolsonaro, a quem chamam de ‘genocida’ por sua política sanitária”. “Brasil superou os 500 mil mortos por coronavírus e manifestantes repetem marcha contra Jair Bolsonaro”, diz o título de reportagem do jornal argentino El Clarín. — Foto: Reprodução. Via G1