Haiti enfrenta emergência vital uma semana após terremoto

Na sexta-feira, foram realizadas distribuições informais de ajuda humanitária em Los Cayos, a terceira maior cidade do Haiti, destruída em grande parte pelo terremoto, o que provoca conflitos entre a multidão (Reginald Louissaint Jr /AFP) Sobreviventes lutam diariamente para encontrar água e alimentos, enquanto os comboios humanitários começam a distribuir produtos Uma semana depois do terremoto que devastou o sudoeste do Haiti, causando a morte de quase 2.200 pessoas, os sobreviventes lutam para conseguirem água e alimentos, mas responder às necessidades básicas dos afetados continua sendo um desafio para as autoridades. No último sábado, bastaram alguns segundos para que dezenas de milhares de pessoas, algumas das mais vulneráveis do país, perdessem tudo o que possuíam após o terremoto de 7,2 graus de magnitude. Nas ruas, os sobreviventes lutam diariamente para encontrar água e alimentos, enquanto os comboios humanitários começam a distribuir produtos de primeira necessidade, mas geralmente em quantidades insuficientes. Na sexta-feira, foram realizadas distribuições informais de ajuda humanitária em Los Cayos, a terceira maior cidade do Haiti, destruída em grande parte pelo terremoto, o que provoca conflitos entre a multidão. A distribuição da ajuda não contou com nenhuma logística e os sacos de arroz foram jogados contra a multidão, sem que os beneficiários fossem primeiramente identificados como pessoas em situação de vulnerabilidade, segundo observou um fotógrafo da AFP. Em Los Cayos, metade de um comboio de dois caminhões foi saqueado por indivíduos não identificados antes que a polícia haitiana pudesse intervir. O restante da mercadoria foi distribuída na delegacia, em meio a uma grande confusão, acrescentou o fotógrafo. Marcel François vê a ajuda passar em frente às ruínas de sua casa, onde passa os dias, na estrada entre o aeroporto e o centro de Los Cayos. “Vejo muitas autoridades indo de um lado para o outro, procissões de funcionários com suas sirenes, grandes carros das ONGs. Também vejo caminhões passando, mas nada chega até mim”, disse o homem de 30 anos que, como muitas das vítimas, deve sua sobrevivência à generosidade de seus conhecidos. Esta cidade recebeu na sexta-feira a vice-secretária-geral das Nações Unidas, Amina Mohammed, em uma visita de 24 horas ao país. “Ouvimos as necessidades dos que estão sobre o terreno. Há muita carência e seguimos comprometidos a apoiá-los”, disse a diplomata nigeriana. “Vimos um momento incrível de unidade na resposta ao terremoto, portanto acreditamos que isso pode se tornar uma oportunidade de reconstruir para melhor”, disse Mohammed antes de ir embora do Haiti. A ideia de “reconstruir para melhor” não é nova para os haitianos, a quem a ONU já fez essa promessa após o terremoto de 2010, que matou mais de 200.000 pessoas. O lema, no entanto, não se materializou e a reconstrução prometida não aconteceu, em uma capital devastada pelo desastre. AFP
O documentário ‘Pray away’ mostra os estragos da “cura gay” e a desconversão de alguns de seus líderes

Ser ex-ex-gay – Por Carlos Alberto Mattos – Carta Maior John Paulk era um rapaz gay de Portland (EUA) que resolveu se “curar”. Entrou para a organização Exodus, criada nos anos 1970, que advogava a “terapia reparativa ou de conversão”. Tornou-se uma estrela do movimento ex-gay na mídia e nas convenções da organização. Dando-se por “curado”, casou-se com uma ex-lésbica e teve filhos. Um belo dia, foi flagrado num bar gay e virou motivo de escândalo. A partir daí, ele e a Exodus não seriam mais os mesmos. John é o caso mais exemplar entre os vários narrados no documentário Pray Away, em cartaz na Netflix. Há outros, como o de Yvette Cantu, que chegou a ser representante da Family Research Council em Washington, fazendo palestras sobre o “erro”, a “doença” do homosseuxalismo. Depois da “desconversão”, ela se mantém casada com o marido e assumida como bissexual. Agora é uma ex-ex. O título Pray Away, que pode ser traduzido como algo próximo de “exorcismo”, se refere ao mote “pray away the gay” do movimento homofóbico, conduzido majoritariamente por entidades cristãs e organismos conservadores. Através dos depoimentos dos chamados sobreviventes da terapia e de um bom material de arquivo, o filme de Kristine Stolakis retraça um painel assustador. Os participantes passam por uma doutrinação cerrada no sentido de se amoldarem ao que seria “a intenção original de Deus”. A retórica envolve argumentos científicos toscos e o apelo de uma certa “liberdade” que estaria somente na plena heterossexualidade. A “terapia” (preciso usar muitas aspas neste texto) inclui sessões de exorcismo à moda evangélica, conclamações a Jesus, dança de guerreiros e demonização das escolas, onde estaria o germe da orientação gay. Qualquer semelhança com o “kit gay” é apenas mais um sintoma da colonização da direita brasileira pelos americanos. O resultado foram auto-enganos, mentiras públicas, muito sofrimento ocultado, suicídios e traumas que levaram à necessidade de outras terapias. Uma das sobreviventes relembra episódios de automutilação por conta de sua crise de identidade durante o processo. A Exodus foi dissolvida em 2013, quando seus líderes foram forçados a admitir os males que causaram a milhares de pessoas e a si mesmos. Mas o modelo não saiu de cena. Em contraponto aos sobreviventes que contam suas histórias de conversão e desconversão, temos um personagem que encarna a perpetuação da prática ainda hoje, convocando fiéis na rua e organizando “Marchas da Liberdade”. Pray Away tem recorte clássico de documentário americano: uma narrativa bem construída e amparada por cenas de arquivo que dispensam muito comentário oral. No entanto, fica a impressão de que coisas importantes deixaram de ser contadas. As motivações dos personagens para abandonar o movimento e assumir suas orientações sexuais nem sempre ficam claras. Assim como as razões que levaram à dissolução da Exodus. De uma coisa não resta dúvida: os que deixaram o culto homofóbico para trás não abrem mão do culto ao arrependimento. Esse, afinal, é um dos pilares da ética e da dramaturgia americanas. >> Pray Away está na Netflix. Trailer sem legendas:
Ex-ditadora da Bolívia, Jeanine Áñez, tentou se suicidar na prisão

Jeanine Áñez comandou golpe e repressão na Bolívia (Luis Gandarillas/AFP) Segundo as autoridades do país andino, Jeanine Áñez teve lesões no braço, mas sem maiores riscos à saúde. Advogados alegam ”depressão devido a abusos”, mas diretores carcerários asseguram que foi uma ”tentativa de chamar a atenção” O Ministério do Governo da Bolívia reconheceu neste sábado (21/08) que a ex-presidente de fato Jeanine Áñez sofreu um incidente na última manhã, pelo qual teve que ser atendida pela equipe médica do Centro Penitenciário Feminino de Miraflores, onde está presa desde março passado. Segundo o ministro Eduardo del Castillo, “a senhora Jeanine Añez teria tentado provocar uma automutilação nas primeiras horas de hoje, porém, afirmamos que sua saúde está completamente estável. Ela tem alguns pequenos arranhões em um de seus braços. No entanto, não há nada com que se preocupar”. Questionado sobre os detalhes do caso, o ministro afirmou que “a equipe médica fez as devidas consultas à ex-presidente, que não quis esclarecer quais seriam os motivos pelos quais ela teria tentado se machucar”. Del Castillo também afirmou que Áñez foi submetida a exames médicos durante essas consultas, que mostraram resultados normais, o que permite que ela continue detida. Versão da defesa de Áñez Os advogados da ex-presidente alegam que ela vem sofrendo há meses com “abusos cometidos por agentes penitenciários”. Quem primeiro se manifestou foi a defensora Norka Cuéllar, que justificou o incidente desta manhã dizendo que Áñez “não aguenta mais, porque está enfrentando uma pressão desumana e precisa de liberdade para se defender em sua casa”. “Este foi um pedido de ajuda da ex-presidenta. Ela não pede impunidade, e sim que a deixem se defender em liberdade, caso contrário as consequências serão fatais”, insistiu a defensora, em entrevista coletiva. O outro advogado da ex-presidenta, Luis Guillén, descreveu o que aconteceu na madrugada deste sábado como “uma tentativa de suicídio”. Segundo ele, “este é mais um caso que mostra os abusos a que o ex-presidente tem sido submetido”. Durante este mês de agosto, Jeanine Áñez foi transferida três vezes para hospitais após tentativas de suicídio – a última ocorrência foi na última quarta-feira (18/8). O defensor também argumenta que sua representada enfrenta um quadro forte de depressão devido às péssimas condições que enfrentaria na prisão. Por sua vez, o comandante da polícia boliviana, Jhonny Aguilera, expressou suas dúvidas sobre a versão dos advogados de Áñez e qualificou os acontecimentos deste sábado como “uma tentativa de chamar a atenção”. “Soubemos que a senhora Áñez gerou lesões nela mesma, que não são graves. Ela foi imediatamente encaminhada ao centro médico, como tem acontecido ao longo da semana”, disse a autoridade policial. Jeanine Áñez: do poder à prisão Jeanine Áñez assumiu o poder na Bolívia como presidenta de facto, após o golpe civil-militar de novembro de 2019. A então vice-presidenta do Senado teve o apoio das Forças Armadas, que abriu caminho para sua assunção após uma intervenção militar que levou às renúncias sob ameaça do então presidente Evo Morales, do vice-presidente Álvaro García Linera e da presidenta do Senado, a chilena-boliviana Adriana Salvatierra, todos representantes do partido de esquerda MAS (Movimento pelo Socialismo). Sua ditadura durou um ano e foi marcada por casos de corrupção e por uma repressão muito forte contra os movimentos que tentaram resistir ao golpe de Estado. A prisão preventiva decretada contra Áñez foi baseada na acusação de sedição, conspiração e promoção do terrorismo de Estado, devido à sua participação no golpe de 2019. Porém, a ex-senadora também enfrenta vários outros processos. Em maio, Jeanine Áñez foi denunciada por sua suposta participação em atos de corrupção durante sua gestão, em casos que também envolvem seu ex-ministro de Governo, Arturo Murillo, que foi preso nos Estados Unidos e enfrenta processo de extradição. A última denúncia contra Áñez foi apresentada justamente nesta sexta-feira (20/08) pela Procuradoria Geral da Bolívia, e aceita pelo Supremo Tribunal de Justiça do país, e a acusa de responsabilidade nos massacres de Senkata e Sacaba, onde pelo menos 37 manifestantes foram mortos em ação da polícia militarizada enquanto protestavam contra o seu regime, dias após o golpe de Estado, em novembro de 2019.
Radical católico da Espanha treinou extrema direita brasileira em 2013 com táticas que elegeram Bolsonaro

Antes mesmo de Jair Bolsonaro aparecer como candidato à Presidência e do bolsonarismo existir, a organização e o financiamento dos ultracatólicos brasileiros foram a semente do mal que arrasou a terra da política brasileira. Estão na lista Padre Paulo Ricardo e o blogueiro Allan dos Santos. Os ultraconservadores católicos brasileiros viviam dispersos pela internet até dezembro de 2013. Seus posts em blogs pouco frequentados não tinham impacto nas conversas e debates do dia a dia. Foi nesse cenário que um cidadão espanhol desembarcou no Brasil: Ignacio Arsuaga era o criador da Hazte Oir (Se Faça Ouvir, em espanhol), uma associação criada para defender o que ele chamava de “valores da família natural”. O que unia Arsuaga e os conservadores brasileiros naquele momento? A defesa intransigente da proibição do aborto sob qualquer circunstância, inclusive em casos de estupro ou de fetos com anencefalia. Leia abaixo a íntegra da reportagem de Leandro Demori publicada no The Intercept Brasil Os ultraconservadores católicos brasileiros viviam dispersos pela internet até dezembro de 2013. Seus posts em blogs pouco frequentados não tinham impacto nas conversas e debates do dia a dia. Foi nesse cenário que um cidadão espanhol desembarcou no Brasil: Ignacio Arsuaga era o criador da Hazte Oir (Se Faça Ouvir, em espanhol), uma associação criada para defender o que ele chamava de “valores da família natural”. O que unia Arsuaga e os conservadores brasileiros naquele momento? A defesa intransigente da proibição do aborto sob qualquer circunstância, inclusive em casos de estupro ou de fetos com anencefalia. Arsuaga veio ao Brasil para uma missão: juntar os militantes locais dispersos e ensiná-los como montar e financiar uma organização nos moldes da Hazte Oir – que, àquela altura, já havia crescido e mudado seu nome para CitizenGo (algo como Vamos, Cidadão, em inglês), numa estratégia para expandir sua pauta globalmente. Arsuaga foi recebido em São Paulo por um padre de Osasco e um casal de militantes antiaborto. Depois daquele encontro, o Brasil não seria mais o mesmo. Antes mesmo de Jair Bolsonaro aparecer como candidato à Presidência e do bolsonarismo existir, a organização e o financiamento dos ultracatólicos brasileiros foram a semente do mal que arrasou a terra da política brasileira. Juntos, esses personagens se aproveitaram do rescaldo do caos das ruas de 2013, criaram uma agenda de extrema direita, montaram uma estratégia de combate para a “guerra cultural” que estavam decididos a declarar, ajudaram a derrubar uma presidente eleita e entregaram a Jair Bolsonaro uma plataforma eleitoral enlatada, que saiu dos redutos reacionários católicos diretamente para a campanha eleitoral – e, dali, para a vitória em 2018. Semanas atrás, o Wikileaks publicou dezenas de milhares de documentos privados da CitizenGo. É a partir destes documentos que essa história pode ser contada. O primeiro chamado: a farmacêutica conhecida como ‘a mulher que calou as feministas’ e o influenciador combatente ferrenho da ‘ideologia de gênero’. Fotos: Reprodução/Facebook “Faça sua inscrição para o Workshop com Ignacio Arsuaga, Presidente da Hazteoir – Espanha: Como construir com êxito um movimento social. Dia 05 de novembro das 19 às 21:30 horas. Todos os dados são obrigatórios. Inscrições gratuitas.” Começa assim o anúncio publicado no endereço biopolitca.com.br naquele final de 2013. Não adianta procurar pelo site, ele não existe mais (mas está disponível neste link, arquivado na plataforma Internet Archive). O impacto que aquele pequeno anúncio publicado em um canto obscuro da internet causou na política brasileira, no entanto, é visível e causa estragos até hoje. Poucos meses antes daquele novembro de 2013, o Brasil pegou fogo. Não foi por acaso que Ignacio Arsuaga esteve aqui justamente no fim daquele ano. As manifestações de junho tinham rasgado o tecido social do país. Era a chance que os católicos ultraconservadores esperavam para finalmente fazer prosperar suas pautas reacionárias. Naquela época, o site Biopolítica estava registrado em nome de Renata Gusson Agelune Martins. A farmacêutica tinha virado notícia um ano antes, em 2012, quando apareceu em uma subcomissão do Senado em que se discutiam as políticas públicas do Ministério da Saúde para mulheres. Discursando contra o direito ao aborto, Martins declarou, sem provas, que as pautas feministas no Brasil eram financiadas por interesses internacionais. Ela ficou conhecida na extrema direita como “a mulher que calou as feministas”. Martins é mulher do influenciador Felipe Nery, que se apresenta no Instagram como “Católico, pai de família e trabalhador na vinha do Senhor no apostolado da Educação”. Em seus posts e pregações, Nery é um dos mais ferrenhos combatentes do que ultraconservadores como ele chamam de “ideologia de gênero” e defensor intransigente da ideia de que uma família só pode ser composta por um homem e uma mulher, definidos como pai e mãe pela biologia. Eram esses os temas essenciais que o casal discutia na época em que criou o site. Com o chamado para o evento com Arsuaga publicado no Biopolítica, Martins e Nery estavam interessados em saber como os espanhóis tinham se organizado para interferir em políticas públicas e fazer valer suas ideias no país. Foto: Divulgação/HazteOir.org Ignacio Arsuaga veio ao Brasil com um propósito: aglutinar e equipar os ativistas de extrema direita brasileiros. A ideia era reproduzir aqui o sucesso da organização espanhola. Com a Hazte Oir, Arsuaga pautava conversas públicas, influenciava políticos, tinha encontros no Vaticano, levantava dinheiro e conseguia estar sempre em evidência. A Hazte Oir e o Citizen Go eram notícia constante, por exemplo, na Agência Católica de Informações, a ACI Prensa, serviço em cinco línguas e um dos maiores geradores de conteúdo noticioso católico do mundo. Renata Martins ficou mundialmente famosa por lá, apresentada como a Madre Brasileña antiaborto. Foi a ACI Prensa que, em 2013, espalhou notícias falsas como a de que a Organização Mundial da Saúde, a OMS, ensinava menores a abortar e a se masturbar. Cartão de embarque de Ignacio Arsuaga. Criada em 2001, a Hazte Oir foi o ponto de partida do que se tornaria, mais tarde, a CitizenGo, uma versão turbinada da mesma ONG, mas com propósitos diferentes. A CitizenGo coletava assinaturas para abaixo-assinados a serviços de
Talibã abre fogo contra manifestantes apoiadores da bandeira nacional, há mortes e feridos

Vídeos nas redes sociais mostram pessoas correndo, tentando fugir de disparos do Talibã na província afegã de Nangarhar Sputnik – Na quarta-feira (18), o Talibã (organização terrorista proibida na Rússia e em vários outros países) abriu fogo contra manifestantes na província de Nangarhar que apoiavam a manutenção da bandeira nacional, segundo uma fonte da Sputnik. O tiroteio provocou mortos e feridos. Vídeos postados nas redes sociais mostram pessoas correndo para escapar dos disparos do Talibã. Alguns jornalistas foram agredidos. Veja abaixo: Afganistan/Nangarhar/Celalabad.. Taliban, Afganistan bayrakları ile kendilerine karşı yürüyüş gerçekleştiren Afganlara ateş açtı. Sayı net olmamakla birlikte 2 kişi öldü, 10 kişi yaralandı. pic.twitter.com/0tWshFNEF0 — CorrespondentTR (@TrCorrespondent) August 18, 2021 #Taliban firing on protesters in Jalalabad city and beaten some video journalists. #Afghanidtan pic.twitter.com/AbM2JHg9I2 — Pajhwok Afghan News (@pajhwok) August 18, 2021 Enquanto isso, o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, afirma que a situação no Afeganistão está se estabilizando. O Talibã permite continuar a evacuação. Discursando perante o Parlamento, Johnson disse que o Reino Unido fará tudo para evitar uma crise humanitária no Afeganistão onde a tomada do país pelos islamistas está ocorrendo mais rápido do que se esperava. O Reino Unido mobilizará mais 800 soldados para apoiar a evacuação a partir do Afeganistão, informou o primeiro-ministro britânico. A retirada de funcionários britânicos e afegãos ligados a governos e organizações estrangeiras está sendo realizada através do único aeroporto em Cabul. Os países ocidentais não podiam continuar a missão liderada pelos EUA no Afeganistão sem as capacidades dos Estados Unidos, sua força aérea e logística, afirmou Johnson. O Talibã será avaliado com base em suas ações e não em suas palavras, disse o primeiro-ministro. “Julgaremos este regime com base nas escolhas que fizer, e por suas ações e não por suas palavras, por sua atitude em relação ao terrorismo, ao crime e aos narcóticos, bem como pelo acesso humanitário, e pelos direitos das meninas a receberem educação”, segundo Johnson. Ontem (17), o movimento realizou a primeira coletiva de imprensa após ter tomado o poder na República Islâmica, em 15 de agosto. O Talibã revelou que quer se tornar parte da comunidade internacional e pretende estabelecer diálogo com personalidades oficiais do antigo governo afegão para garantir que se sintam seguros. Os islamistas informaram que os civis afegãos devem entregar suas armas e munições aos membros autorizados do Talibã, adicionando que qualquer queixa de civis contra combatentes talibãs será investigada.
Pessoas se agarram ao trem de pouso de avião para fugir de Cabul, com a chegada dos Talibãs

Em outro vídeo é possível ver um corpo caindo de um avião. Não há como afirmar, até o momento, se é a mesma aeronave Com a chegada dos Talibãs à Cabul, capital do Afeganistão, uma multidão correu neste domingo (15), ao aeroporto para tentar deixar o país. Um vídeo que circula nas redes sociais mostra homens se agarrando ao trem de pouso de um jato da Força Aérea dos EUA para tentar escapar. ???????? De outro ângulo: pic.twitter.com/vE2TswwkmC — Eixo Político (@eixopolitico) August 16, 2021 Em outro vídeo é possível ver um corpo caindo de um avião. Não há como afirmar, até o momento, se é a mesma aeronave. Inacreditável e trágico: Na tentativa de fugir do Afeganistão, duas pessoas que se amarraram a uma roda de avião caem do alto, enquanto a aeronave decola. #Afghanistan https://t.co/8oGrOFsd8r — Douglas Protázio (@douglasprotazio) August 16, 2021 Ao contrário das previsões do presidente americano Joe Biden, a situação no aeroporto internacional de Cabul, está em caos e parece repetir Saigon. Um funcionário norte-americano afirmou à Reuters que militares dos EUA que supervisionam a evacuação de seus cidadãos no aeroporto realizaram disparos de advertência para conter a multidão. Os militares dos EUA dizem ter assegurado o perímetro do aeroporto. As imagens foram registradas por alguém que estava tentando voar para a Turquia. “A multidão estava fora de controle. Os disparos apenas evitaram o caos”, afirmou. Fontes locais afirmaram à Sputnik que diversas pessoas foram mortas após os soldados norte-americanos abrirem fogo contra a multidão no aeroporto de Cabul. Revista Fórum
Afeganistão: Talibã toma Cabul e volta ao poder após 20 anos

Combatentes do talibã em Ghanikhel, na província afegã de Nangarhar (Foto: Parwiz Parwiz / REUTERS) A entrada em Cabul ocorreu sem resistência O Talibã voltou ao poder no Afeganistão neste domingo (15), após intensa investida do grupo terrorista contra as principais cidades do país nas últimas semanas. A entrada em Cabul, a capital, ocorreu sem resistência, apesar de relatos de tiroteios esporádicos na madrugada de domingo. Com a tomada da capital, o Talibã volta ao poder após 20 anos. “Queremos uma transição pacífica e evitar derramamento de sangue”, afirmou à rede BBC um porta-voz do Talibã, Suhail Shaheen. O presidente do Afeganistão, Ashraf Ghani, deixou o país e entregou a autoridade para solucionar a crise aos líderes políticos. (Com informações da Folha de S.Paulo). Governo afegão desmorona após a chegada do Talibã a Cabul Presidente deixa o país enquanto os insurgentes entram na capital para assumir o poder 20 anos após a queda de seu regime de terror. O medo da violência se espalha pela cidade Vinte anos depois que a invasão dos Estados Unidos expulsou o Talibã do poder, o Afeganistão está mais uma vez à mercê da milícia fundamentalista. Os insurgentes cercaram Cabul neste domingo por todas as frentes antes de finalmente entrar na cidade, após uma ofensiva relâmpago em que conquistaram uma capital provincial após a outra em duas semanas (30 de 34), até tomarem mais de 90% do território do país da Ásia Central. Pouco depois que a captura de Jalalabad, perto da fronteira com o Paquistão e a única grande cidade do Governo fora de Cabul, foi anunciada pela manhã, a milícia começou o cerco ordenando a seus membros que evitassem derramamento de sangue. A saída do presidente Ashraf Ghani, conhecida horas depois, incorpora a imagem de um Governo em desintegração um dia depois de ele insistir em “remobilizar” suas forças para impedir um avanço dos talibãs, que é implacável desde que eles lançaram seus ataques em maio, coincidindo com o início da retirada das tropas americanas e seus aliados. Aquele que foi o grande rival político de Ghani e que se tornou o principal negociador do Governo afegão com o Talibã, Abdullah Abdullah, confirmou a saída do presidente, a quem se referiu como “ex-presidente”. O gabinete de Ghani se recusou a relatar o paradeiro do presidente “por razões de segurança”, mas algumas fontes sugerem que ele foi para o Tajiquistão com um círculo fechado de colaboradores. Horas após sua partida, Ghani garantiu que foi embora para evitar “um derramamento de sangue em Cabul”. O presidente afirma em mensagem publicada no Facebook que decidiu deixar o país para evitar confrontos com milícias fundamentalistas que teriam colocado em perigo os habitantes da capital. O ministro do Interior em exercício do Afeganistão, Abdul Sattar Mirzakwal, confirmou o início das negociações com o Talibã para entregar o poder a um governo de transição. Em uma aparição, ele indicou que “a transferência de poder para o governo de transição ocorrerá em um ambiente seguro e pacífico”, segundo a rede afegã Tolo News, citada pela Efe. Suhail Shahein, porta-voz dos insurgentes, garantiu em declarações ao canal britânico BBC que a milícia também busca uma transição pacífica de poder que ocorra nos próximos dias. “Não queremos um único civil afegão inocente ferido ou morto enquanto tomamos o poder, mas não declaramos um cessar-fogo”, disse um chefe do Talibã em Doha (Catar) à Reuters, onde negociações estavam sendo mantidas para o fim das hostilidades. Um porta-voz da milícia garante que agora estão negociando com o Governo a “rendição pacífica” de Cabul. No entanto, outros membros da milícia disseram à Reuters que não estão procurando um executivo de transição após sua vitória retumbante. De qualquer forma, o Talibã lançou apelos por calma e insiste que não busca a tomada do poder. Esses anúncios, no entanto, não impediram que o medo se apoderasse dos cerca de 4,5 milhões de habitantes de Cabul, além dos milhares de deslocados que fugiram de outras áreas por conta do avanço da milícia e se instalaram em parques e ruas. Na memória de muitos está o regime anterior do Talibã, entre 1996 e 2001, quando uma interpretação rigorosa do Islã foi aplicada, segundo a qual punições físicas, como chicotadas e amputações, eram impostas por crimes como roubo, e as mulheres eram forçadas a se cobrir com a burca e proibidas de estudar a partir dos 10 anos. Agora, os fundamentalistas tentam retratar uma imagem de maior pragmatismo e contenção. A iminência da chegada da milícia tem causado cenas de pânico e grandes engarrafamentos. Muitos cidadãos correram para os bancos para obter dinheiro e descobriram apenas então que o Governo restringira a retirada a 2.000 dólares. Os residentes de Cabul também começaram a estocar mantimentos em lojas que também estão prestes a fechar, por medo de uma insegurança prolongada, como aconteceu no passado, quando a cidade mudou de mãos. Algumas ruas estão desertas, enquanto outras ficaram congestionadas enquanto as pessoas correm para casa nos carros —o Governo impôs um toque de recolher. “As pessoas têm medo de possíveis saques generalizados por homens armados e criminosos, sequestros, ataques e outros atos imorais, como estupro. Tememos que haja um vácuo de poder “, disse Haji Imamd Dad, um funcionário público de 48 anos. Em algumas áreas, pequenos saques já foram relatados e dois policiais foram desarmados por uma multidão de jovens. As embaixadas aceleraram a evacuação de seus funcionários e as agências de viagens fecharam, segundo testemunhas. Os voos domésticos e internacionais de e para Cabul foram cancelados. Somente aviões militares dos Estados Unidos e de outras nações da coalizão internacional que apoiavam o Governo conseguiram retirar seus cidadãos e diplomatas, segundo fontes diversas. Fontes diplomáticas e a mídia local sugerem que Ali Ahmad Jalali, ex-ministro do Interior e acadêmico que se formou nos Estados Unidos, poderia chefiar um Executivo provisório de transição, embora não esteja confirmado se o Talibã concordaria. Segundo várias fontes, um grupo de líderes guerrilheiros entrou no palácio presidencial para falar com Ghani sobre uma transferência de
VIROU MODA – Veja o que aconteceu em 7 países onde a direita alegou fraude eleitoral sem provas

Experiências mostram que essa tática produziu instabilidade, mas não foi bem-sucedida em longo prazo Os ataques de Jair Bolsonaro (sem partido) ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) repetem uma tática usada em vários países pela direita no século 21. Segundo pesquisadores ouvidos pelo Brasil de Fato, o objetivo não seria mudar o sistema eleitoral em si, mas conturbar o processo, deslegitimar adversários e se apresentar como alternativa à “ordem global”. Por Daniel Giovanaz – Brasil de Fato Nos últimos oito anos, líderes conservadores difundiram essa mesma narrativa sem provas em pelo menos sete países, com diferentes consequências. Em quase todos, criou-se um ambiente de instabilidade, mas logo o discurso se enfraqueceu e os políticos que atacaram o sistema eleitoral perderam espaço. “Essa onda conservadora mais radical de extrema direita parece já ter atingido seu ápice, a ponto de os regimes democráticos já terem desenvolvido alguns remédios [contra essa narrativa]”, avalia o cientista político Vitor Marchetti. “A gente tem visto alguns sinais de que, do ponto de vista eleitoral, [essas correntes] ainda estão fortes e vivas. Mas, começa a se apontar no horizonte um movimento de arrefecimento.” Relembre alguns casos: Peru, 2021 Filha do ditador Alberto Fujimori (1990-2000), que governou o Peru entre 1990 e 2000, Keiko Fujimori não aceitou a derrota no 2º turno das eleições presidenciais, confirmada em julho deste ano. Já no 1º turno, a candidata havia listado supostas irregularidades ou estranhezas no processo de votação – sempre de maneira vaga e pouco precisa. Durante o 2º turno, ela pediu que os eleitores relatassem e enviassem aos organizadores de sua campanha quaisquer indícios de manipulação eleitoral ou fatos atípicos ocorridos durante a votação. Faltando 0,02% da apuração, assim que o candidato de esquerda Pedro Castillo passou à frente, Fujimori pediu ao Jurado Nacional Eleitoral a revisão de 1,2 mil atas de votação e anulação de cerca de 802 mesas eleitorais, abrangendo 500 mil votos. A vantagem de Castillo, naquele momento, era de 71 mil votos. O diretor do Jurado Nacional Eleitoral (JNE), Jorge Luis Salas, afirmou imediatamente à imprensa: “A candidata faz um desfavor à democracia ao falar de fraudes que não existem, não existiram e nem vão existir.” Diante das tensões, o Ministério da Defesa do Peru emitiu um comunicado reiterando o compromisso das Forças Armadas com a Constituição, democracia e a vontade cidadã expressa nas urnas. Os pedidos de revisão atrasaram em mais de um mês o reconhecimento oficial da vitória de Castillo. Presidente eleito do Peru, Pedro Castillo promete levar adiante proposta de reforma constitucional / Agência Andina Assim como Bolsonaro, a filha de Alberto Fujimori convocou várias vezes seus apoiadores às ruas para engrossar o coro contra o sistema eleitoral. No país andino, como mostrou a cobertura do Brasil de Fato, a estratégia fracassou porque o adversário conseguiu reunir ainda mais seguidores na capital Lima. Os eleitores de Castillo permaneceram mais de uma semana em vigília “em defesa do voto e da democracia.” Depois que o resultado das urnas foi respaldado por observadores internacionais e pela Organização dos Estados Americanos (OEA), Fujimori perdeu espaço na mídia local. Ao final do processo, ela deu um pronunciamento contraditório: disse que aceitaria a vitória “ilegítima” de seu adversário. Keiko Fujimori já esteve presa em duas ocasiões, como parte de um processo que a acusa de lavagem de dinheiro em contratos com a construtora Odebrecht. Em 31 de agosto, será realizada uma nova audiência com novas acusações. Segundo o procurador do caso, Rafael Vela, o partido de Fujimori, Força Popular, atuou como uma “organização criminosa” na captação de recursos para a campanha. Alemanha, 2021 Se no Peru a narrativa de fraude foi sepultada, na Alemanha esse discurso vem ganhando adeptos. Sem apresentar provas, o partido extremista AfD questionou o resultado das eleições no estado da Alta Saxônia em junho. Naquele pleito, o AfD foi derrotado pelo CDU, partido da atual chanceler Angela Merkel. Segundo o estudo Campanhas da desinformação contra a eleição: resultados da Alta Saxônia, do Instituto para Diálogos Estratégicos, da Inglaterra, militantes da direita radical inundaram as redes sociais de imagens editadas ou fora de contexto para sustentar a ideia de fraude. Jair Bolsonaro com a deputada de extrema direita Beatrix von Storch, do AfD, em julho / Reprodução/Instagram Beatrix von Storch “Na maioria das postagens, nenhuma suspeita específica era mencionada”, afirma o relatório britânico. A narrativa se baseava, simplesmente, na discrepância entre o resultado das eleições e as pesquisas prévias feitas pelo partido extremista. Nesse caso, o órgão eleitoral sequer autorizou recontagem dos votos, por considerar as denúncias frágeis e inconsistentes. Por outro lado, analistas locais afirmam que o clima de revolta e instabilidade que se criou em junho é um sinal de alerta para as eleições nacionais, que ocorrem em 26 de setembro. Uma das figuras mais conhecidas do partido AfD, criado há oito anos, é a deputada Beatrix von Storch, que visitou Bolsonaro no mês passado. Israel, 2021 O ex-premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, é o único da lista que não atacou o sistema eleitoral em si, mas a formação da coalizão que o derrotou. “Estamos testemunhando a maior fraude eleitoral da história do país e, na minha opinião, na história de qualquer democracia”, disse o aliado de Bolsonaro em junho. Netanyahu concentrou suas alegações na promessa descumprida pelo principal adversário, o nacionalista Naftali Bennett, de não se aliar a partidos árabes, de esquerda e de centro. Investigado por corrupção, Netanyahu estava no cargo desde 2009 e se recusou a cumprimentar seu sucessor no dia da posse. Os serviços de segurança locais alertaram para o risco de violência política, e membros do partido Yamina, que integra a coalizão vencedora, precisaram de escolta policial após receberem ameaças de morte. Como a narrativa de fraude eleitoral não decolou, o partido dele, Likud, colocou panos quentes na história. Pelas redes sociais, a organização informou que trabalharia para “uma transferência pacífica de poder em Israel” e que as palavras de Netanyahu haviam sido distorcidas. Sem chances de reverter a derrota, o aliado de Bolsonaro ordenou a destruição
Depois da líder neonazista, Bolsonaro conversa com príncipe acusado de matar jornalista

Agência oficial da Arábia Saudita confirmou que presidente brasileiro telefonou nesta sexta-feira (13) para Mohammed bin Salman, apontado como mandante do assassinato do Jamal Khashoggi, em 2018 Por Henrique Rodrigues – Revista Fórum A Agência oficial de notícias da Arábia Saudita divulgou que o presidente Jair Bolsonaro telefonou nesta sexta-feira (13) para o príncipe herdeiro do reino, Mohammed bin Salman, para tratar das relações bilaterais entre os dois países e apontar caminhos para uma agenda comum de desenvolvimento para as suas nações. O representante do país árabe teria ainda desejado boa saúde ao mandatário brasileiro, que esteve internado há um mês por conta de uma obstrução intestinal. Mohammed bin Salman, o número dois da monarquia que governa com mão de ferro o país que é maior produtor de petróleo do mundo, é acusado de ser o mandante do assassinato do jornalista Jamal Khashoggi, esquartejado no consulado saudita na Turquia, em 2018. Investigações realizadas por diferentes autoridades da comunidade internacional revelaram que as ordens para a execução de Khashoggi teriam partido o príncipe herdeiro, que via no jornalista um dissidente após uma série de críticas ao governo saudita, de sua autoria, terem sido publicadas na imprensa dos Estados Unidos. Jair Bolsonaro vem mantendo uma agenda de contatos internacionais controversa. Há algumas semanas ele recebeu a deputada alemã Beatrix von Storch, líder do partido radical de extrema direita AfD, que mantém notórias ligações com movimentos neonazistas. O encontro foi no Palácio do Planalto, sede do Executivo brasileiro, e despertou sérias críticas por parte de inúmeros setores da sociedade.
Peru anuncia saída do Grupo de Lima, bloco criado para atacar Venezuela internacionalmente

DIPLOMACIA – Novo ministro das Relações Exteriores também condenou bloqueio contra Cuba e avisou que a política será multilateral O Ministro das Relações Exteriores do Peru, Héctor Béjar anunciou que o país se retira do chamado Grupo de Lima, criado em 2017 para promover ações contra o governo venezuelano na Organização do Estados Americanos (OEA). “Faremos uma política conjunta e multilateral. Os sócios do Grupo de Lima mudaram sua política. Conversaremos com os membros sobre seus pontos de vista”, declarou o chanceler. Além do Peru, os governos da Argentina, Bolívia e México também já se desligaram do grupo, que corre o risco de ser extinto, já que conta com oito membros e perdeu sua sede simbólica, a capital peruana Lima. Em 2019, o Grupo de Lima foi um dos promotores da aplicação do Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (TIAR) contra a Venezuela, por considerar o país uma “ameaça regional”. Leia também: Presidente do México propõe a criação de um organismo para substituir OEA na região Béjar se reuniu com o chanceler venezuelano, Jorge Arreaza, no dia 30 de julho, para discutir relações bilaterais e políticas sobre migração. O Peru abriga cerca de 1,2 milhão de venezuelanos, segundo a Agência de Refugiados da ONU (Acnur). Tuve el honor de ser recibido por el Canciller de Perú, Héctor Béjar. Abordamos la recuperación de nuestras relaciones integrales, el comercio, políticas de atención a l@s migrantes y la necesidad de reforzar los mecanismos de unión en Nuestra América. pic.twitter.com/wKT3uPZLH3 — Jorge Arreaza M (@jaarreaza) July 30, 2021 Após o encontro, o ministro peruano foi questionado sobre a posição do governo em relação à administração de Nicolás Maduro. “Não vou opinar sobre a Venezuela. Meu dever como chanceler é melhorar as relações com a Venezuela, assim como com todos os países da região e do mundo”, declarou. Fim dos bloqueios Além disso, destacou que o governo peruano se soma às nações que exigem o fim do bloqueio econômico contra o povo cubano e venezuelano. Em março deste ano, o Conselho de Direitos Humanos da ONU já havia aprovado uma resolução que condena a aplicação de medidas coercitivas unilaterais. Somente o Conselho da União Europeia sanciona uma lista de 33 países, enquanto os Estados Unidos penalizam 34 nações. O chanceler recém empossado também disse que irá suspender o pedido de saída do Peru da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), que ao contrário voltarão a fortalecer o bloco, assim como irão retornar à Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac). Ex-guerrilheiro Héctor Béjar tem 85 anos, é advogado, sociólogo, e foi professor da Universidade Mayor de San Marcos. Na sua juventude participou do Exército de Liberação Nacional do Peru e do Movimento Esquerda Revolucionária (MIR – siglas em espanhol). Foi preso por quatro anos pela atuação como guerrilheiro. A inspiração para a luta armada veio dos anos em que acompanhou de perto o início da revolução cubana, ao lado dos líderes Fidel Castro e Ernesto Che Guevara. Em 2018, durante as eleições que garantiram o segundo mandato a Maduro, Héctor Béjar havia se manifestado em defesa do direito dos venezuelanos de “decidirem pelo seu próprio destino”. Via Brasil de Fato