Imprensa internacional reage à rebelião em presídio do Pará

– A rebelião deixou pelo menos 52 mortos no presídio de Altamira, no estado do Pará – A rebelião desta segunda-feira (29) que deixou pelo menos 52 mortos no presídio de Altamira, no estado do Pará, repercutiu na imprensa internacional. A AFP chamou o episódio de “novo banho de sangue” para a história das penitenciárias brasileiras. De acordo com a agência de notícias francesa AFP, esse novo “massacre mancha o sistema penitenciário dessa região estratégica, onde facções criminais rivais disputam o tráfico de cocaína”. Já o jornal francês Le Point descreve um “terrível primeiro balanço” da rebelião, enquanto o Figaro abordou o histórico da penitenciária de Altamira, lembrando sete mortes ocorridas em setembro. Le Monde, ressaltando a superpopulação dessas instituições, afirmou que, “nos dias 1° e 2 de janeiro de 2017, cinquenta e dois detentos foram massacrados em uma prisão de Manaus”. “A maioria das prisões do Brasil são administradas pelo Estado. Estão superlotadas e as condições de vida são lamentáveis”, escreve o jornal espanhol El País. “Normalmente, os membros de distintas facções criminais (como o Comando Vermelho, do Rio de Janeiro, e o Primeiro Comando da Capital, de São Paulo) estão separados para evitar confrontos.” Fim da violência: da campanha à realidade O jornal americano The New York Times destacou que “o rarefeito número de guardas tem dificuldade em deter o poder contra uma população de detentos capazes de administrar atividades criminais atrás das grades”. Para o The Washignton Post, a violência “ilustra a crescente insegurança nas complexas e superlotadas prisões brasileiras”. O jornal também citou o presidente Jair Bolsonaro, “eleito no ano passado com promessas de acabar com a violência e que descreveu planos de ‘encher as celas de criminosos’”. As promessas de Bolsonaro também foram lembradas pela rede britânica BBC: “O presidente brasileiro de extrema direita fez votos de ter mais controle das penitenciárias e de construir mais pelo país. Mas [instalar novas prisões] não deve ser fácil já que a maior parte delas são estatais”.

Parlamentares do mundo inteiro manifestam solidariedade com a Venezuela

Reunidos no Foro de São Paulo, deputados e senadores participam de sessão especial na Assembleia Nacional Constituinte – Deputados e senadores de diversos países estão na Venezuela para participar dos debates do foro de São Paulo, que acontece em Caracas de 25 a 28 de julho. Nesse sábado (27), 32 delegações de parlamentares participaram de uma sessão especial da Assembleia Nacional Constituinte da Venezuela onde prestaram solidariedade ao povo e o governo desse país diante das ameças e agressões estrangeiras. A senadora da Catalunha, Ana Surra, criticou o fato de alguns governo da Europa classificarem a Venezuela como uma “ditadura”. “Dizem que existe uma ditadura na Venezuela. Mas veja que na Espanha, o presidente do meu partido está preso por ter colocado urnas para que o povo catalão pudesse votar democraticamente, para definir sua autodeterminação ”. O senador chileno Alessandro Navarro, falou sobre a resistência do setor chavista e suas vitórias eleitorais. “Aqui na Venezuela, em 20 anos, houve muitas vitórias do chavismo. Qual outro povo resistiu a um cerco tão forte? Esta é uma lição histórica para a Venezuela e para a América Latina. A Venezuela hoje necessita da solidariedade de todos”. O senador defendeu ainda “ações concretas a favor da Venezuela por parte de parlamentares estrangeiros e não apenas meras declarações de apoio”. Por sua parte, o parlamentar uruguaio Pablo González disse que os povos devem fazer suas próprias alianças e não depender dos governos de cada país. “Os povos devem estabelecer acordos sindicais e fazer o debate com consciência política para reverter a situação do avanço da direita na América Latina”. A deputada boliviana Edith Mendoza também destacou necessidade da união dos povos. “Temos que passar do discurso à ação. A ação é a unidade dos povos. A Bolívia está com a Venezuela, de mãos dadas. Estivemos dormindo por mais de 500 anos, fomos pisados e discriminados. Mas, acordamos e graças a unidade da povo boliviano hoje temos um líder: Evo Morales. Evo é esperança”, afirmou a deputada. Chavismo em marcha Durante a programação do Foro de São Paulo, as forças políticas da esquerda venezuelana saíram às ruas para marchar, em apoio às lutas internacionais dos povos e em defesa da Venezuela. Um dos venezuelanos que decidiu sair às ruas, Jorge Jinete, morador de Petare, um dos maiores bairros populares da grande Caracas, falou sobre unidade das lutas na região. “Hoje nossa luta é por todos os povos da América Latina, da Colômbia e do Equador, que também estão sofrendo, bem como a Guatemala, o Brasil, a Argentina e o Chile. Estou pronto para a batalha”, afirmou. Já a dona de casa Nelly Arias, destacou a importância da solidariedade internacional para a Venezuela. “Nosso comandante Chávez nos deixou essa revolução, também apoiamos o Fórum de São Paulo, essas pessoas nos amam, que são estrangeiros e nos apoiam. Os agradecemos porque são contra uma intervenção em nosso país”, afirmou. Durante o ato, diversos líderes políticos internacionais discursaram para a população venezuelana. O Foro de São Paulo encerra nesse domingo, com uma grande homenagem ao ex presidente Hugo Chávez, que completaria 65 anos nesse 28 de julho. Via Brasil de Fato

Em reunião dos BRICS, Brasil se opõem a Rússia e China sobre Venezuela

O evento reunirá líderes das relações exteriores dos cinco países membros do grupo; enquanto Putin defende o presidente constitucional Nicolás Maduro, Bolsonaro apoia o gholpista Guaidó. A crise venezuelana, decorrência do cerco do regime norte-americano, deverá voltar a ser pauta de autoridades estrangeiras, com a tradicional falta de consenso. Nesta sexta-feira, 26, os cinco ministros das Relações Exteriores dos países que compõem os BRICs irão participar de uma reunião no Rio de Janeiro que visa estreitar as relações políticas entre Brasil, Rússia, Ìndia, China e África do Sul. A informação é do site da revista Exame. Segundo a assessoria de imprensa do ministério das Relações Exteriores brasileiro, a agenda temática do evento é livre, mas a expectativa é que os ministros toquem em assuntos de ordem política, como a reforma da ONU, além de questões de segurança internacional, o que certamente embarcará a crise venezuelana. Uma divisão é clara: enquanto o governo de Vladimir Putin é o maior defensor de Nicolás Maduro, o de Jair Bolsonaro apoia o golpista Guaidó. Ajuda humanitária Em junho, durante a cúpula do G20, Bolsonaro admitiu que evitou falar sobre o impasse venezuelano para evitar desavenças. Entre os membros do BRICS, o Brasil é o único que firma o pé para defender o autoproclamado presidente golpista Juan Guaidó. Se Índia e África do Sul mantêm certa neutralidade sobre o tema, China e Rússia não só apoiam a defesa da lçegalidade democrática na Venezuela como também ajudam o país com ajuda humanitária. Nesse cenário, o mais provável, e o que mais se espera, é que o governo recorra à diplomacia e fuja de polêmicas, o que poderia atrapalhar as relações bilaterais com o parceiro comercial número um do Brasil, a China, e com a Rússia. Somente este ano, os negócios com a potência asiática já renderam cerca de 12 bilhões de dólares para a balança comercial brasileira. Embora o mesmo não se dê com a Rússia, que mais vendeu do que comprou do Brasil até agora, o país também é um importante aliado, com um comércio bilateral que movimenta cerca de 5 bilhões de dólares anualmente Via Vermelho

EUA autoriza Trump a usar recursos controversos para muro em fronteira

Lawrence Hurley (Reuters) – A Suprema Corte dos Estados Unidos garantiu nesta sexta-feira uma vitória ao presidente Donald Trump, permitindo que o governo redirecione 2,5 bilhões de dólares de uma verba aprovada pelo Congresso ao Pentágono para ajudar na construção do prometido muro na fronteira entre os EUA e o México, ainda que parlamentares se recusem a fornecer os recursos. A corte, de maioria conservadora, revogou por 5 votos a 4 a decisão de um juiz federal da Califórnia que proibia o presidente republicano de utilizar o dinheiro, baseado no fato de que o Congresso não autorizou o fundo especificamente para ser gasto no projeto do muro, que tem oposição feroz dos democratas e do governo mexicano. “Uau! Grande VITÓRIA quanto ao muro. A Suprema Corte dos Estados Unidos reverte a liminar de corte menor, permite que o muro na fronteira sul siga em frente. Grande VITÓRIA para a segurança fronteiriça e para a lei!”, tuitou Trump minutos após a decisão da corte. Em breve explicação da decisão, a corte disse que o governo “fez uma demonstração suficiente” de que os grupos contestando a decisão não possuíam base para um processo legal.

Eric Trump nega que será embaixador no Brasil

– Ao contrário do afirmado pelas autoridades brasileiras, Eric Trump não será embaixador dos Estados Unidos no Brasil, afirmou a porta-voz do filho de Donald Trump – Sputnik Brasil – Ao contrário do afirmado pelas autoridades brasileiras, Eric Trump não será embaixador dos Estados Unidos no Brasil. “Eric dirige a Trump Organization e está comprometido com o negócio. Apesar de o Brasil ser um país incrível, isso nada mais é do que um boato”, afirmou a porta-voz de Eric, Kimberly Benza, ao jornal O Globo. Fontes do Palácio do Planalto disseram, também ao jornal O Globo, que o filho do presidente Donald Trump estava cotado para ser embaixador. O boato veio a público após o presidente Jair Bolsonaro (PSL) dizer que pretende indicar seu filho e deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) para o cargo de embaixador do Brasil nos Estados Unidos. Na cúpula do Mercosul dessa semana, Bolsonaro disse que as indicações para embaixadas precisam ser feitas com “zelo” e disse que “em breve” a embaixada do Brasil em Washington poderá ter um “grande embaixador”. A possível indicação levantou um debate sobre nepotismo.

Avanço neoliberal faz fome atingir 42,5 milhões de pessoas na América Latina e Caribe

– Relatório divulgado pela ONU critica paralisação dos investimentos em políticas sociais na região – A fome associada à subnutrição atingiu 42,5 milhões de pessoas na América Latina e no Caribe em 2018, segundo relatório divulgado pela ONU nesta segunda-feira (15) sobre o estado da segurança alimentar no mundo. O número equivale a 6,5% da população local e mantém a trajetória de crescimento iniciada com a crise econômica mundial e aumentada pelo avanço dos governos e ataques neoliberais na região. “A tendência a implementar programas sociais, que vinham incidindo na redução da fome há até três anos, foi altamente afetada”, afirmou à agência espanhola EFE o diretor adjunto de Economia do Desenvolvimento Agrícola da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), Marco Sánchez Cantillo. Na América do Sul, segundo nota divulgada pela FAO, a desnutrição saltou de 4,6% em 2013 para 5,5% em 2017, mantendo o índice em 2018. “Durante os primeiros 15 anos deste século, a América Latina e o Caribe cortaram a subnutrição pela metade. Mas, desde 2014, a fome vêm aumentando”, disse o Representante Regional da FAO, Julio Berdegué. A nota diz ainda que o aumento da fome está “intimamente associado à desaceleração econômica”, principalmente nos países cujas economias têm muita dependência da exportação de matérias-primas, as chamadas commodities – cujos preços tiveram queda acentuada a partir de 2011. “O declínio do PIB e o aumento do desemprego resultaram em menores rendimentos para as famílias. Após vários anos de reduções acentuadas na pobreza, o número de pessoas pobres subiu de 166 milhões para 175 milhões entre 2013 e 2015, aumentando de 28,1% para 29,2% da população”, diz a nota. No mundo Das mais de 820 milhões de pessoas com fome, 513,9 milhões estão na Ásia (11,3% da população), 256 milhões na África (19,9%) e 42,5 milhões (6,5%) na América Latina e no Caribe. Na África, a subnutrição cresceu em quase todas as regiões. Em países do Oriente Médio, como Síria e Iêmen, não para de aumentar desde 2010.

Papa Francisco recebe camiseta pela liberdade de Lula

– O Papa Francisco recebeu nesta segunda-feira, 8, uma camiseta em defesa da liberdade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A entrega da camiseta foi diuvulgada pelo perfil do ex-presidente Lula no Twitter, sem muitas informações. O Papa Francisco já deu várias manifestações contrárias à prisão política do ex-presidente Lula. Em maio deste ano, Francisco escreveu uma carta a Lula em que diz orar por ele e pede que o e-presidente ‘não deixe de rezar por mim’. O Papa Francisco lamenta ainda “as duras provas que o senhor viveu ultimamente” e cita a morte de dona Marisa, do irmão de Lula, Genival Inácio, e do neto dele, Arthur (leia mais no ECN). Em junho, o Papa Francisco fez uma declaração condenando o lawfare no Judiciário, descrito por ele como “uma nova forma de intervenção exógena nos cenários políticos dos países através do uso indevido de procedimentos legais e tipificações judiciais”. “O Lawfare, ademais de colocar em sério risco a democracia dos países, geralmente é usado para minar os processos políticos emergentes, e tendem a violação sistemática dos direitos sociais”, disse Francisco durante encontro com juristas e membros do Judiciário da América Latina e dos Estados Unidos. Em Roma, Papa Francisco recebe camiseta da campanha Lula Livre direto de Curitiba. #LulaLivreJá pic.twitter.com/8dYi3YxfDD — Lula (@LulaOficial) 8 de julho de 2019

Papa: juízes devem seguir exemplo de Jesus, que nunca negocia a verdade

Não tem nome. E nem precisa. Mais claro, impossível. pic.twitter.com/rS0V51a4cj — Papa Francisco (@Pontifex_pt) July 4, 2019 O vídeo divulgado nesta quinta-feira (04), pelo Twitter, pelo Papa Francisco não podia ser mais explícito nas referências que faz ao julgamento viciado do ex-presidente Lula. “Dos juízes dependem decisões que influenciam os direitos e os bens das pessoas. Sua independência deve ajudá-los a serem isentos de favoritismo e de pressões que possam contaminar as decisões que devem tomar” Seguidores interpretaram o vídeo como indireta ao ex-juiz Sérgio Moro O líder da igreja católica, o papa Francisco, divulgou em seu Twitter uma mensagem pedindo para todos que integram a justiça operarem com integridade para combater as injustiças. “(Juízes) sua independência deve ajudá-los a serem isentos do favoritismo e de pressão que possa contaminar suas decisões”, disse o pontífice. O vídeo foi postado nesta quinta-feira 4 e monstra imagens de julgamentos enquanto Francisco aconselha membros da justiça. “Os juízes devem seguir o exemplo de Jesus, que nunca negocia a verdade.” Imediatamente seguidores do líder religioso associaram a mensagem do Papa com os atuais escândalos envolvendo o ministro da Justiça, Sérgio Moro e os procuradores da operação Lava Jato. O site The Intercept Brasil divulgou conversas entre o ex-juiz e integrantes do Ministério Público nas quais a acusação trocava informações e dados com o magistrado, algo proibido pela lei. “O Moro precisa ver isso”, disse um seguidor em resposta ao Papa. Outro seguidor marcou o ministro no post. “Aê Sérgio Moro, a máxima autoridade do catolicismo na Terra tem uma mensagem procê. Vem cá, rapidão.” Essa não é a primeira vez que o papa se pronuncia sobre acontecimentos no Brasil. Em maio deste ano, o líder enviou uma carta ao ex-presidente Lula pedindo coragem para o petista não desanimar. “Tendo presente as duras provas que o senhor ultimamente, especialmente a perda de alguns entes queridos – sua esposa Marisa Letícia, seu irmão Genival Inácio e, mais recentemente, seu neto Arthur de somente 7 anos -, quero lhe manifestar minha proximidade espiritual e lhe encorajar pedindo para não desanimar e continuar confiando em Deus”, diz a carta

Foto de um pai e sua filha afogados na fronteira mexicana ilustra drama migratório

 Salvadorenho Óscar e Valeria Martínez, e a filha de 1 ano e 11 meses, morrem ao tentar atravessar o rio Bravo para chegar aos Estados Unidos O drama da crise migratória centro-americana foi capturado em uma foto. A descoberta nesta segunda-feira dos corpos sem vida de Óscar e Valeria Martínez, um salvadorenho e sua filha de um ano e 11 meses, afogados nas margens do rio Bravo abalou o país latino-americano. A tragédia na fronteira entre o México e os Estados Unidos ocorre em meio a um recrudescimento da política migratória mexicana, depois de chegar a um acordo com a Administração de Donald Trump. O pai, a menina e a mãe, que deu o aviso do que havia acontecido, tinham deixado El Salvador e empreendido viagem para os EUA por falta de recursos, segundo a família. O acontecimento se deu no domingo à tarde. Ao chegar a Matamoros (Tamaulipas) no final da semana passada, a família salvadorenha encontrou uma cidade colapsada pela migração. A vontade de alcançar o território norte-americano e uma longa lista de espera para serem atendidos pela Agência de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA motivaram a travessia do rio, como afirmou um irmão de Martínez à agência Efe. “Muitos têm a teoria de que se chegam nadando lhes darão asilo, e por desespero se lançam ao rio em vez de esperar em um centro migratório”, relata Abraham Pineda-Jácome, correspondente da agência na localidade. “A mãe nos contou que o marido tinha ido com a filha atravessar o rio até Brownsville (no Texas) e quando voltou para atravessar a mulher, a menina se jogou na água. Não sei se pensou que estava brincando, mas quando a corrente a levou lhes disse adeus”, conta a este jornal Julia Le Duc, uma das fotógrafas que presenciaram a operação. Os gritos e o desespero da mulher atraíram os que passavam pelo local, que acabaram chamando as forças de segurança de Matamoros. Durante a tarde de domingo uma operação foi montada, mas quando a noite chegou foi suspensa até segunda-feira de manhã, quando os agentes encontraram os dois corpos sem vida a cerca de 500 metros de onde se perderam. Na imagem se pode ver a menina dentro da camiseta do pai e com um braço sobre o pescoço do homem. “Parece que, em desespero, ele colocou a menina na camiseta para não perdê-la na corrente e o que aconteceu é que a corrente os levou e ambos se afogaram”, disse Le Duc. Depois de partir de El Salvador em abril, a família tinha entrado México através do posto de fronteira de Tapachula (Chiapas), onde lhes deram um visto humanitário que lhes permitia residir legalmente no país enquanto tramitavam asilo nos Estados Unidos. Depois do que aconteceu, uma parte da família que permanece em El Salvador pediu ajuda ao presidente Nayib Bukele para repatriar os corpos. “Senhor presidente, quero pedir, por favor, que nos ajude a repatriar o corpo de meu primo Óscar Alberto e de nossa pequena Angie Valeria que, por motivo de escassos recursos decidiram empreender caminho para os EUA”, publicou na segunda-feira no Twitter Enrique Gómez, primo de Martínez. O Executivo salvadorenho não demorou a responder ao pedido. “Nos unimos à dor por essa perda irreparável. Nenhum salvadorenho deveria se ver na necessidade de deixar seu país devido à falta de oportunidades. Pedimos que nos envie uma mensagem privada para iniciar a repatriação”. Por enquanto, a mãe e a esposa dos falecidos permanece em Matamoros esperando que lhe entreguem os corpos para voltar ao seu país. A foto é uma amostra do drama que se vive nas fronteiras do México. “Era um barril de pólvora, uma tragédia que se pressentia pelo que se está vivendo nos acampamentos de migrantes em Matamoros”, aponta Le Duc sobre o colapso do sistema migratório mexicano. Nessa região do rio Bravo, pelo menos uma pessoa por mês morre afogada tentando chegar aos Estados Unidos, conta Pineda-Jácome. Apenas no ano passado 283 pessoas morreram tentando atravessar a fronteira. Além de Óscar e Valeria, nesta segunda-feira quatro guatemaltecos, três crianças e uma mulher, foram encontrados sem vida no deserto do Texas por causa da desidratação. Uma crise migratória que continua contando vítimas. Via El País

Paris se define como capital anti-Bolsonaro

Na França, associações, intelectuais e artistas estão se mobilizando contra o regime do presidente brasileiro, percebido no mundo como uma ameaça aos valores civilizatórios Por Nicolas Bourcier, publicado no Le Monde, com tradução de Sylvie Giraud – A primeira faísca se deu em um dia de inverno, em 2016, em frente ao Consulado brasileiro em Paris. Eles eram cerca de cinquenta a enfrentar o vento e o frio. Um pequeno grupo veio gritar em protesto contra o processo de impeachment lançado a mais de 8.500 quilômetros dali, em Brasília, contra a presidente Dilma Rousseff. Apenas cinquenta manifestantes, mas o suficiente para dar a impressão de que algo estava acontecendo. “Foi o início da mobilização, lembra Anaïs Flechet, historiadora, professora na Universidade de Versailles, especialista em música brasileira e membro-fundadora da Arbre, Associação para a Pesquisa sobre o Brasil na Europa. As relações entre França e Brasil são muito antigas, elas tiveram períodos de maior intensidade com os exilados da década de 1960 e 1970, e muitos intercâmbios durante os anos Lula, mas naquele momento realmente tivemos a impressão de que pessoas que eram pouco ou não politizadas subitamente se conscientizaram de que o país estava entrando em uma fase perigosa e de que era preciso fazer algo.” Um coletivo, Solidarité France-Brésil, se organiza. A iniciativa não tem vida longa, mas permite que sejam postas as primeiras bases. Algumas semanas depois, vários intelectuais, professores e artistas lançam o Movimento Democrático de 18 de março, o MD18. O grupo reúne membros da Arbre e também do Autres Brésils, uma associação dinâmica e influente criada em 2003. A ideia era compartilhar um máximo de informações, organizar eventos e “lutar contra certa narrativa midiática, na França ou no Brasil, especialmente contra a própria noção do impeachment”, diz a especialista. Muito rapidamente, o MD18 assume a liderança das futuras mobilizações. Em janeiro de 2018 o ex-Presidente Lula é condenado. Um mês depois, o exército intervém em diversas favelas do Rio, relembrando os momentos mais sombrios da ditadura. Em março, a deputada Marielle Franco é assassinada. No dia 7 de abril, Lula é preso. “Os acontecimentos se desenrolavam a um ritmo assustador”, relembra Anaïs Fléchet. Com o incêndio do Museu Nacional, no Rio [em setembro], e a possibilidade de uma vitória de Jair Bolsonaro nas eleições presidenciais, a impressão que tínhamos é que tudo estava indo pelos ares. As pessoas precisavam se encontrar e conversar.” Um jardim Marielle-Franco Toda reunião se enche de gente. Rodadas de debates são lançadas na Casa da América Latina e no Instituto de Estudos Avançados da América Latina, IHEAL. Colunas são assinadas no Le Monde, L´Humanité, Libération. Um manifesto contra o Sr. Bolsonaro reúne até personalidades políticas de todas as correntes – com a exceção do RN [Rassemblement National, de Marine Le Pen, extrema direita]. Mais de 2.000 pessoas se reúnem na praça Stalingrad, em 20 de outubro de 2018, entre os dois turnos da eleição presidencial, respondendo ao apelo da Autres Brésils e da Associação França América Latina. “Bolsonaro despertou grande temor entre as pessoas que conheciam o país, mas que nunca haviam tomado posição”, explica Erika Campelo, copresidente da Autres Brésils. Uma nova solidariedade emergiu, como se todos tivessem decidido salvar o Brasil.” Sua associação fundará o Observatório da Democracia Brasileira, voltado especialmente para coletar dados sobre a violência sofrida pela população. Em 18 de janeiro, duas semanas após Bolsonaro assumir a presidência, uma mesa redonda no IHEAL intitulada “Solidariedade Brasil” lança a ideia de uma plataforma de intercâmbio e de informação. Ela leva o nome da Rede Europeia para a Democracia no Brasil (Red-Br.com) e se conecta ao site americano da Rede dos EUA para a Democracia no Brasil, criado em Nova York pelo especialista da ditadura militar James Greene. Em paralelo, a iniciativa lançada pela rede Red e uma dezena de associações e ONGs para dar nome a um espaço púbico em homenagem a Marielle Franco, é coroada de sucesso em tempo recorde. Em 1º de abril, o Conselho de Paris vota por unanimidade em favor do projeto. Pela primeira vez a nível mundial, um novo jardim público no 20º distrito de Paris levará o nome da deputada assassinada. Outro evento emblemático, em 25 de Junho, dia em que os juízes do Supremo Tribunal de Brasília devem decidir sobre o pedido de liberdade de Lula, cinquenta artistas e intelectuais, incluindo Chico Buarque e Ariane Mnouchkine, planejam ler no Teatro Monfort, cartas escritas ao ex-presidente desde sua prisão. Os ingressos para o evento estão desde já esgotados. Nicolas Bourcier