Paris se define como capital anti-Bolsonaro

Na França, associações, intelectuais e artistas estão se mobilizando contra o regime do presidente brasileiro, percebido no mundo como uma ameaça aos valores civilizatórios Por Nicolas Bourcier, publicado no Le Monde, com tradução de Sylvie Giraud – A primeira faísca se deu em um dia de inverno, em 2016, em frente ao Consulado brasileiro em Paris. Eles eram cerca de cinquenta a enfrentar o vento e o frio. Um pequeno grupo veio gritar em protesto contra o processo de impeachment lançado a mais de 8.500 quilômetros dali, em Brasília, contra a presidente Dilma Rousseff. Apenas cinquenta manifestantes, mas o suficiente para dar a impressão de que algo estava acontecendo. “Foi o início da mobilização, lembra Anaïs Flechet, historiadora, professora na Universidade de Versailles, especialista em música brasileira e membro-fundadora da Arbre, Associação para a Pesquisa sobre o Brasil na Europa. As relações entre França e Brasil são muito antigas, elas tiveram períodos de maior intensidade com os exilados da década de 1960 e 1970, e muitos intercâmbios durante os anos Lula, mas naquele momento realmente tivemos a impressão de que pessoas que eram pouco ou não politizadas subitamente se conscientizaram de que o país estava entrando em uma fase perigosa e de que era preciso fazer algo.” Um coletivo, Solidarité France-Brésil, se organiza. A iniciativa não tem vida longa, mas permite que sejam postas as primeiras bases. Algumas semanas depois, vários intelectuais, professores e artistas lançam o Movimento Democrático de 18 de março, o MD18. O grupo reúne membros da Arbre e também do Autres Brésils, uma associação dinâmica e influente criada em 2003. A ideia era compartilhar um máximo de informações, organizar eventos e “lutar contra certa narrativa midiática, na França ou no Brasil, especialmente contra a própria noção do impeachment”, diz a especialista. Muito rapidamente, o MD18 assume a liderança das futuras mobilizações. Em janeiro de 2018 o ex-Presidente Lula é condenado. Um mês depois, o exército intervém em diversas favelas do Rio, relembrando os momentos mais sombrios da ditadura. Em março, a deputada Marielle Franco é assassinada. No dia 7 de abril, Lula é preso. “Os acontecimentos se desenrolavam a um ritmo assustador”, relembra Anaïs Fléchet. Com o incêndio do Museu Nacional, no Rio [em setembro], e a possibilidade de uma vitória de Jair Bolsonaro nas eleições presidenciais, a impressão que tínhamos é que tudo estava indo pelos ares. As pessoas precisavam se encontrar e conversar.” Um jardim Marielle-Franco Toda reunião se enche de gente. Rodadas de debates são lançadas na Casa da América Latina e no Instituto de Estudos Avançados da América Latina, IHEAL. Colunas são assinadas no Le Monde, L´Humanité, Libération. Um manifesto contra o Sr. Bolsonaro reúne até personalidades políticas de todas as correntes – com a exceção do RN [Rassemblement National, de Marine Le Pen, extrema direita]. Mais de 2.000 pessoas se reúnem na praça Stalingrad, em 20 de outubro de 2018, entre os dois turnos da eleição presidencial, respondendo ao apelo da Autres Brésils e da Associação França América Latina. “Bolsonaro despertou grande temor entre as pessoas que conheciam o país, mas que nunca haviam tomado posição”, explica Erika Campelo, copresidente da Autres Brésils. Uma nova solidariedade emergiu, como se todos tivessem decidido salvar o Brasil.” Sua associação fundará o Observatório da Democracia Brasileira, voltado especialmente para coletar dados sobre a violência sofrida pela população. Em 18 de janeiro, duas semanas após Bolsonaro assumir a presidência, uma mesa redonda no IHEAL intitulada “Solidariedade Brasil” lança a ideia de uma plataforma de intercâmbio e de informação. Ela leva o nome da Rede Europeia para a Democracia no Brasil (Red-Br.com) e se conecta ao site americano da Rede dos EUA para a Democracia no Brasil, criado em Nova York pelo especialista da ditadura militar James Greene. Em paralelo, a iniciativa lançada pela rede Red e uma dezena de associações e ONGs para dar nome a um espaço púbico em homenagem a Marielle Franco, é coroada de sucesso em tempo recorde. Em 1º de abril, o Conselho de Paris vota por unanimidade em favor do projeto. Pela primeira vez a nível mundial, um novo jardim público no 20º distrito de Paris levará o nome da deputada assassinada. Outro evento emblemático, em 25 de Junho, dia em que os juízes do Supremo Tribunal de Brasília devem decidir sobre o pedido de liberdade de Lula, cinquenta artistas e intelectuais, incluindo Chico Buarque e Ariane Mnouchkine, planejam ler no Teatro Monfort, cartas escritas ao ex-presidente desde sua prisão. Os ingressos para o evento estão desde já esgotados. Nicolas Bourcier

Há dez dias, Haiti vive novo ciclo de protestos pela renúncia do presidente

As manifestações iniciadas em 9 de junho retomam o ciclo de descontentamento instaurado no país há quase um ano Há mais de dez dias, o Haiti vive intensos protestos contra o presidente Jovenel Moïse, eleito ao final de 2016. Além de exigir a renúncia do mandatário, os manifestantes pedem também a prisão e o julgamento de todos os envolvidos no desvio de dinheiro do fundo da Petrocaribe, programa venezuelano que fornece petróleo em condições especiais para países pobres e que promove políticas sociais. A insatisfação popular que levou os haitianos às ruas em diversas ocasiões desde julho do ano passado foi retomada em mais um ciclo de protestos desde o último dia 9 de junho. Embora a maior manifestação tenha sido realizado no domingo (09), inúmeras outras acontecem diariamente, com bloqueios de vias e queimas de pneu. Quase todas as atividades comerciais estão paralisadas na capital do país, Porto Príncipe, e em outros municípios como Jéremie e Cap-Haitien. Nessa quarta-feira (19), chegou ao país uma delegação da Organização de Estados Americanos (OEA) em uma missão liderada pelo embaixador estadunidense junto à OEA, Carlos Trujillo, com a proposta de facilitar o diálogo entre o presidente e os setores que pedem sua renúncia. A visita ocorre por um pedido apresentado pelo chanceler haitiano Bocchit Edmond aos organismos internacionais. Os movimentos populares do país criticam a visita do representante da OEA por considerar que sua presença representa uma ingerência nos assuntos internos do país. “O povo do Haiti não quer esta ingerência, não quer uma solução fabricada em Washington, e não quer aceitar que a OEA nos diga o que temos que fazer com nossos países”, afirmou Camille Chalmers, porta-voz da Plataforma Haitiana para o Desenvolvimento Alternativo, ao portal Prensa Latina. Chalmers, que também é economista, criticou o organismo, afirmando que sua política geral “é perseguir e isolar os governos progressistas”. Para Lautaro Rivara, jornalista e integrante da Brigada Internacional da Alba Movimentos no Haiti, a aliança entre Moïse e o governo dos Estados Unidos, bem como a aliança com países que têm interesses nos recursos naturais do Haiti, é uma das principais cordas que seguram seu governo, pese à insatisfação popular. “Moïse presta bons serviços ao saquear o país, entre os quais podemos enumerar rapidamente: a consolidação de um paraíso fiscal e de zonas francas comerciais; a política de portas abertas aos megaprojetos da mineração no norte do país, onde opera o capital canadense; a sujeição ao FMI [Fundo Monetário Internacional] e a garantia de avançar na privatização das últimas empresas estatais que sobreviveram ao neoliberalismo”, comenta Rivara sobre alguns elementos da atual crise econômica, social e política no país caribenho. Na política interna, Rivara considera que o governo está completamente isolado, pois não conta com o apoio de nenhum partido político nem de parlamentares, que não validaram a designação de seu primeiro-ministro, assim como não é apoiado pelo Poder Judiciário, que declarou sua culpabilidade no desfalque dos fundos públicos da Petrocaribe, ou pela sociedade civil, pois os organismos de direitos humanos, ONGs, movimentos e até mesmo setores da Igreja Católica e representantes patronais têm considerado passar para o lado da oposição. Crise contínua Os protestos fazem parte de um processo de mobilização que ocorre desde julho de 2018, quando o governo haitiano anunciou que iria aumentar o preço dos combustíveis em 51%. Após a declaração, uma série de ações ocorreram entre os dias 6 e 8 de julho, o que levou Moïse a retroceder em sua decisão e congelar o reajuste. Atos também ocorreram em outubro e novembro de 2018 e continuaram acontecendo ao longo dos últimos cinco meses. Além da renúncia do presidente, os manifestantes pedem maior transparência do governo quanto aos casos de corrupção já conhecidos na Petrocaribe, além de saídas emergenciais para a crise econômica do país. Para Rivara, a crise que atravessa o país caribenho atualmente é profunda, e representa “o colapso simultâneo de suas estruturas econômicas, o completo desprestígio de seu sistema político-eleitoral, a incapacidade do Estado para exercer sua soberania sobre o território e a completa ausência de perspectivas econômicas para mais de 80% da população”. O Haiti é o país mais pobre das Américas, com cerca de 80% de sua população vivendo na pobreza, e tenta se reerguer após o catastrófico terremoto de magnitude 7, que ocorreu em 2010, e da passagem do furacão Matthew, em 2016.

Feministas de todo o mundo se reúnem para debater o avanço do conservadorismo

Evento da Marcha Mundial de Mulheres acontece em São Paulo e conta com mesas de debates com 30 lideranças mundiais A Marcha Mundial das Mulheres, movimento feminista que atua globalmente desde 2000, realiza em São Paulo (SP) o seminário “Resistência e Reconstrução de Movimento: confrontando o neoliberalismo desde a economia feminista e os comuns”. O encontro, que acontece entre os dias 17 e 19 de junho, reúne 30 lideranças de países das Américas, Europa, África, Ásia e Oriente Médio, mais dezenas de outras ativistas. Um dos objetivos do evento é a discussão em torno do conservadorismo como uma tendência do capitalismo global e como isso afeta o avanço de pautas ligadas aos direitos das mulheres. Miriam Nobre, uma das organizadoras do seminário, afirma que é importante discutir os impactos do neoliberalismo, pois “sabemos que o ataque às mulheres que expressam suas vontades e desejos e a imposição de uma família patriarcal baseada na submissão e no sobretrabalho das mulheres é condição para o avanço do neoliberalismo com suas formas precárias de trabalho e ausência de seguridade social”. Ela ressalta, no entanto, que “em boa parte do mundo a resistência feminista tem um grande poder de convocação na sociedade combinado à denúncia dos ataques com a afirmação de alternativas que implicam em uma mudança na organização da reprodução social”. O evento terá a presença de lideranças feministas do Brasil, Moçambique, Honduras, Curdistão, Estados Unidos, México, Guatemala, Uruguai, Chile, Argentina, Quênia, Costa do Marfim, Tunísia, Filipinas, Paquistão e Turquia, que trarão suas experiências locais para reflexão. Entre as convidadas está a estadunidense Priya Johnson, militante da Marcha Mundial das Mulheres e coordenadora política da aliança Grassroots Global Justice (GGJ); Graça Samo, coordenadora do secretariado internacional da Marcha, sediado em Moçambique; a hondurenha Wendy Cruz, integrante da Via Campesina; Alessia Dro, que faz parte do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK); e Sandra Morán, primeira mulher lésbica eleita deputada na Guatemala. A organização do seminário irá disponibilizar material diário sobre os conteúdos debatidos nas mesas. O conteúdo será divulgado em listas de e-mail e no site da Marcha Mundial das Mulheres. Confira programação completa: Construindo uma visão comum sobre as características da ordem mundial – Com Yildiz Temürtürkan, Jean Enriquez, Priya Johnson e Bernadete Monteiro: para essa discussão, partiremos de situações emblemáticas nas quais o Estado está hegemonizado por projetos de direita, conservadores e autoritários (exemplo? Turquia, Filipinas, Brasil, EUA). Cada apresentação buscará responder questões como: como se constroem e se manifestam os mecanismos de controle? Como ocorre a captura corporativa nesses Estados? Como se expressa o antifeminismo? Enfrentamentos ao capitalismo racista e patriarcal: visões e estratégias de disputa para mudar o modelo de reprodução e consumo – Com Graça Samo, Karin Nansen, Wendy Cruz Sanchez: Essa discussão partirá das visões e estratégias construídas pela Marcha Mundial das Mulheres e pelas organizações aliadas, como a Via Campesina e Amigos da Terra. Neste momento, será apresentada e discutida a perspectiva da economia feminista, questionando como a exploração do trabalho se organiza na fase atual do capitalismo racista e patriarcal; e quais as ações necessárias em distintos âmbitos (micro, meso, macro) para a reorganização da produção e reprodução da vida. Serão discutidas as estratégias de construção das lutas articuladas nos âmbitos nacionais e internacionais, e os diálogos com outras economias (socioeconomia solidária, economia ecológica). Resistências nos territórios: acúmulos, lições e desafios – Com Alessia Dro, Sophie Ayoo Ogutu, Osawa Binesh Albert: Partindo de experiências concretas de poder popular com base nos territórios e na integração dos povos, esse momento buscará refletir sobre formas contra-hegemônicas de gestionar e organizar a sociedade inscritas em processos de resistência, como é o exemplo das mulheres curdas (Rojava), de Honduras e comunidades no Quênia. Nesse momento, a intenção é debater a perspectiva dos comuns, reforma ou revolução, transições. Feminismo em movimento – Com Sandra Morán: O debate se realizará em grupos, a partir de elementos para construir uma visão comum sobre as dinâmicas do feminismo em cada lugar, considerando a ampliação e massificação do feminismo nas novas gerações e nos setores populares, e quais são suas potencialidades, riscos (fragmentação, cooptação pelo mercado), quais os sujeitos constituídos e a concretização dos discursos em luta. Resistimos para viver: elementos para a construção estratégica do movimento – Com Cindy Wiesner e Nalu Faria: Buscaremos refletir sobre qual movimento é necessário construir no momento histórico atual, considerando o conjunto dos debates realizados e a não-separação entre a ideologia e moral conservadora e a economia. São parte disso os elementos para a construção de posicionamentos políticos que se expressem em uma agenda e em um marco de alianças internacionalista em processos organizativos.

Editorial do site do jornal El País internacional destacou o escândalo Morogate

O editorial do site do jornal El País internacional destacou o escândalo Morogate, após o site The Intercept divulgar mensagens arbitrárias envolvendo Sergio Moro e Deltan Dallagnol, que fizeram uso político da operação Lava Jato para interesses pessoais. “As revelações jornalísticas publicadas no Brasil, que questionam a limpeza do processo judicial que aprisionou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva – preso na prisão de Curitiba desde abril de 2018 – lançam uma sombra perturbadora na direção tomada pelo governo”, diz um trecho do editorial. “Não é um detalhe processual que afeta apenas este caso. Por causa desse processo, [Lula foi desclassificado de participar do pleito eleitoral de 2018] quando ele era o favorito nas pesquisas. Esta proibição também sofreu vários atrasos devido a questões processuais. As eleições presidenciais foram finalmente vencidas pelo ultra-direitista Jair Bolsonaro. E ele escolheu o juiz Moro como ministro da Justiça”. O editorial ainda prega que “o Brasil precisa de estabilidade que lhe permita recuperar o caminho do crescimento e da redistribuição da riqueza, mas também, como toda democracia, salvaguardar as condições que permitem que qualquer cidadão, inclusive Lula, seja julgado de maneira justa”.

Brasil é includido na lista suja da OIT por violar leis trabalhistas

O Brasil entra na “lista suja” de países que serão examinados por suspeitas de violar as convenções internacionais do trabalho. A Organização Internacional do Trabalho iniciou nesta semana sua reunião que marca os cem anos da entidade e enviou um convite ao presidente Jair Bolsonaro, mas o governo não enviou sequer um ministro. O País foi selecionado na manhã desta terça-feira (11) entre 24 nações que serão examinados como prioridade. De acordo com o blog do jornalista Jamil Chade, “ao saber da inclusão do Brasil na lista, o governo não disfarçou a irritação, transmitindo insinuações a grupos aliados de que a decisão havia sido política e com base num confronto entre sindicatos de esquerda e o governo Bolsonaro”. Em 2018, a OIT acabou não condenou o Brasil, mas pediu que o governo fizesse uma análise do impacto da reforma e que Brasília explicasse como foram as consultas com sindicatos antes da adoção da reforma.

Mídia internacional já repercute caso #VazaJato

Alguns meios internacionais já estão reproduzindo as revelações do portal The Intercept Brasil, horas depois de o caso ser conhecido no Brasil, e antes mesmo de alguns meios brasileiros. Apesar de recém publicadas, as revelações do The Intercept Brasil sobre o esquema entre o juiz Sérgio Moro e os procuradores da Lava Jato (especialmente Deltan Dallagnol) para usar politicamente as ações da Operação Lava Jato já ganharam espaço também na imprensa internacional – talvez até mais rapidamente que no próprio Brasil. Na Argentina, o canal de YouTube El Destape já está comentando o caso em seu programa dominical ao vivo, que pode ser acompanhado neste vídeo: O site web do El Destape também já tem uma matéria sobre o caso, na qual não só reproduz os chats das operações entre o Ministério Público e o então juiz de Curitiba (hoje ministro da Justiça), como também alguns detalhes, como o fato de que alguns promotores confessavam que “rezavam para que o PT não voltasse ao poder”. Em outros países, a Rádio ADN do Chile também repercute as reportagens, afirmando que “juiz e procuradores da Lava Jato coordenam ações para prender Lula”, e que entre as duas partes “não havia uma completa confiança nas provas” apresentadas contra o ex-presidente brasileiro. No México, o La Jornada publicou que “os promotores brasileiros ligados à Operação Lava Jato, liderados Deltan Dallagnoll, falaram abertamente sobre seu desejo de evitar que o Partido dos Trabajadores (PT) ganhasse a eleição presidencial de 2018”. Já o canal TeleSur, com sede na Venezuela, conta que “documentos revelam o papel político da Lava Jato contra Lula”, e que “Sergio Moro colaborou ​​de forma secreta e anti ética com os promotores da operação para ajudar a montar a acusação”. O jornal espanhol El Diario traz a notícia e diz que “as conversas privadas entre os agentes públicos que participaram da Operación Lava Jato coloca em dúvida a imparcialidade da investigação”.

Programa ‘togatur’ leva membros do STF e do STJ a Israel

Grupo liderado por Dias Toffoli vai se ausentar 7 dias dos tribunais para fazer imersão na cultura israelita Um grupo liderado pelo presidente do STF, Dias Toffoli, e composto por membros desta corte e também do STJ embarca no próximo dia 15 para Isarel em típico programa ‘togatur’ – a versão no judiciário do ‘politicatur’, expressão criada para designar viagens de autoridades a destinos turísticos com justificativas fúteis e esfarrapadas. A viagem foi revelada nesta quinta (06/05) por Frederico Vasconcelos em seu blog especializado na Folha. O Togatur em Israel se estende até o dia 21, com custos bancados por três entidades privadas: a Confederação Israelita do Brasil (Conib), a Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp) e o Project Interchange. Segundo Vasconcelos, a programação prevê “visitas a locais históricos, políticos, religiosos e culturais”, além de encontros com membros do governo, judiciário e parlamento israelense. Ainda tem um seminário. Resumindo, os togados brasileiros vão se ausentar por sete dias dos seus tribunais para conhecer melhor Israel em todos os aspectos. Vão fazer uma imersão na cultura israelita. O que parece ser o objetivo da excursão. Foi solicitada ao STF e ao STJ a lista dos participantes da viagem. Aguarda-se sua divulgação.

Multidão de argentinos pede saída imediata de Bolsonaro do País

Uma multidão de argentinos protestou contra a presença de Jair Bolsonaro no país, apontado como pária extremista e vergonha da América Latina. A manifestação foi convocada por movimentos sociais, sindicais e partidos de esquerda, contrariados com o ideário regressivo de Bolsonaro, sua aversão a direitos humanos e à proteção das minorias e a sua infame defesa aos ditadores e torturadores dos regimes militares da região. Segundo a reportagem da revista Veja, “a concentração começou por volta das 18h na Praça de Maio, tradicional ponto de manifestações no centro de Buenos Aires, onde está a Casa Rosada. O movimento tem como principais motivadoras as organizações Mães e Avós da Praça de Maio, que há décadas pedem informações sobre seus filhos desaparecidos e netos sequestrados por agentes do regime militar argentino.” A matéria acrescenta que “também participam as duas alas da Central de Trabalhadores da Argentina, a Federação Argentina LGBT, a Mesa Nacional pela Igualdade e contra Discriminação e a plataforma Ni Una Menos (Nem uma a menos), contra a violência às mulheres. Os manifestantes tocavam bumbos, como nos tradicionais protestos sindicalistas argentinos, e traziam cartazes com os dizeres ‘Fora Bolsonaro da Argentina’.” A ligação tenebrosa entre Macri e Bolsonaro também foi lembrada, fazendo cair por terra a pretensão de se reeleger subscrita na agenda financista de Maurício Macri: “‘repudiamos a decisão de Mauricio Macri de receber Bolsonaro, um militar rodeado de militares’, afirmou a psicóloga Nora Cortiñas, uma das fundadoras das Mães da Praça de Maio. “Rechaçamos a vinda de Bolsonaro com todas as nossas forças. Ele não tem nada a fazer aqui. Pedimos que vá embora imediatamente. Ele é um genocida. Tem espírito de genocida”, completou ela à Cronica TV.” Fotos: Simone Batista de Espiñ e Francis Picarelli

Leia a integra do discurso do Papa que critica a perseguição política

O Papa Francisco fez nesta terça-feira 5 um pronunciamento enfático contra a prática do ‘lawfare’ ao falar a juristas de toda a América. “O lawfare, além de colocar a democracia dos países em sério risco, é utilizado para minar os processos políticos emergentes e incentivar a violação sistemática dos direitos sociais”. Para Francisco, é preciso “neutralizar” operações que são uma “nova forma de intervenção externa nos cenários políticos dos países” em “em combinação com operações midiáticas paralelas”. O discurso é feito apenas uma semana depois de o pontífice escrever uma carta em resposta ao ex-presidente Lula, se solidarizando com sua situação. Lula foi alvo da perseguição política descrita no pronunciamento do papa feito nesta terça e a Lava Jato está dentro das características exatas descritas por Francisco. Confira a íntegra de sua fala, em português: DISCURSO DO SANTO PADRE FRANCISCO NA CÚPULA DOS JUIZES PANAMERICANOS SOBRE DIREITOS SOCIAIS E DOUTRINA FRANCISCANA Casina Pío IV – Terça-feira, 4 de junho de 2019 Senhoras e senhores, é motivo de alegria e também de esperança encontrá-los nesta Cúpula onde os presentes não se limitam apenas a vocês, mas que evoca o labor que realizam conjuntamente com advogados, assessores, procuradores, defensores, funcionários, e evoca também a vossos povos com o desejo e a busca sincera de garantir que a justiça, e especialmente a justiça social, possa chegar a todos. Vossa missão, nobre e pesada, pede consagrar-se ao serviço da justiça e do bem comum com o chamado constante a que os direitos das pessoas e especialmente dos mais vulneráveis sejam respeitados e garantidos. Desta maneira, vocês ajudam a que os Estados não renunciem a sua mais sublime e primária função: cuidar do bem comum de seu povo. “A experiência ensina que – afirmava João XXIII – quando falta uma ação apropriada dos poderes públicos nos âmbitos económico, político e cultural, se produz entre os cidadãos, sobre tudo em nossa época, um maior número de desigualdades em setores cada vez mais amplos, resultando assim que os direitos e deveres da pessoa humana carecem de toda eficácia prática” (Carta enc. Pacem in terris, 63). Celebro esta iniciativa de se reunir, assim como a realizada no ano passado na cidade de Buenos Aires, na qual mais de 300 magistrados e servidores judiciais deliberaram sobre os Direitos sociais à luz de Evangelii gaudium, Laudato si’ e o discurso aos Movimentos Populares em Santa Cruz de la Sierra. Dali saiu um conjunto interessante de vetores para o desenvolvimento da missão que têm em mãos. Isto nos lembra a importância e, porque não, a necessidade de nos encontrar para afrontar os problemas de fundo que vossas sociedades estão atravessando e, como sabemos, não podem ser resolvidos simplesmente por ações isoladas ou atos voluntários de uma pessoa ou de um país, mas que demanda a geração de uma nova atmosfera; ou seja, uma cultura marcada por lideranças compartilhadas e valentes que saibam engajar outras pessoas e outros grupos até que frutifiquem em importantes acontecimentos históricos (cf. Exhort. apost. Evangelii gaudium, 223) capazes de abrir caminho às gerações atuais, e também futuras, semeando condições para superar as dinâmicas de exclusão e segregação de modo que a iniquidade não tenha a última palavra (cf. Carta enc. Laudato si’, 53.164). Nossos povos reclamam este tipo de iniciativas que ajudem a deixar todo tipo de atitude passivo ou expectadora como se a história presente e futura tivesse que ser determinada e contada por outros. Nos é dado viver uma etapa histórica de mudanças em que se coloca em jogo a alma de nossos povos. Um tempo de crise – crise: o caractere chinês, riscos, perigos e oportunidades; é ambivalente, muito sábio isto – tempo de crise em que se verifica o paradoxo: por um lado, um fenomenal desenvolvimento normativo, por outro, uma deterioração do gozo efetivo dos direitos consagrados globalmente. É como início dos nominalismos, sempre começam assim. E mais, cada vez, e com maior frequência, as sociedades adotam formas anômicas de fato, sobretudo em relação às leis que regulam os Direitos sociais, e o fazem com diversos argumentos. Esta anomia está fundamentada, por exemplo, em insuficiências orçamentárias, impossibilidade de generalizar benefícios ou o caráter mais programático do que operativo destes. Preocupa-me constatar que se levantam vozes, especialmente de alguns “doutrinários”, que tratam de “explicar” que os Direitos sociais já são “velhos”, estão fora de moda e não têm nada a aportar a nossas sociedades. Deste modo, confirmam políticas econômicas e sociais que levam nossos povos à aceitação e justificação da desigualdade e da indignidade. A injustiça e a falta de oportunidades tangíveis e concretas por trás dessa análise incapaz de colocar-se na situação, nos pés do outro – e digo pés, não sapatos, porque em muitos casos essas pessoas não os têm –, é também uma forma de gerar violência: silenciosa, mas, no fim das contas, violência. A normatividade excessiva, nominalista, independentista, desemboca sempre em violência. “Hoje vivemos em imensas cidades que se mostram modernas, orgulhosas e até vaidosas. Cidades – orgulhosas de sua revolução tecnológica e digital – que oferecem inúmeros prazeres e bem-estar para uma minoria feliz… mas se nega moradia a milhares de vizinhos e irmãos nossos, inclusive crianças, chamados, elegantemente, de “pessoas em situação de rua”. É curioso como no mundo das injustiças abundam eufemismos” (Encontro Mundial de Movimentos Populares, 28 de outubro de 2014). Parece que as Garantias Constitucionais e os Tratados internacionais ratificados, na prática, não têm valor universal. A “injustiça social naturalizada” – ou seja, tida como algo natural – e, portanto, invisibilizada, que só lembramos ou reconhecemos quando “alguns fazem barulho nas ruas” e são rapidamente catalogados como perigosos e ofensivos, termina por silenciar uma história de postergações e esquecimentos. Permitam-me dizer, isto é um dos grandes obstáculos que encontra o pacto social e que debilita o sistema democrático. Um sistema político-econômico, para seu desenvolvimento são, precisa garantir que a democracia não seja só nominal, mas que possa se ver plasmada em ações concretas que cuidem da dignidade de todos seus habitantes sob a lógica do bem comum,

Supermercados da Suécia boicotam produtos brasileiros

A rede sueca de supermercados Paradiset anunciou nesta quarta-feira (5) um boicote a todos os produtos do Brasil, em consequência da liberação recorde de agrotóxicos pelo governo Bolsonaro. De 197 agrotóxicos liberados neste ano 26% são proibidos na União Europeia. “Precisamos parar Bolsonaro, ele é um maníaco”, disse o presidente do grupo Paradiset, Johannes Cullberg. “Quando li na imprensa a notícia da liberação de tamanha quantidade de agrotóxicos pelo presidente Bolsonaro e a ministra (da Agricultura) Tereza Cristina, fiquei tão enfurecido que enviei um email a toda a minha equipe, com a ordem ‘boicote já ao Brasil’”, acrescentou Cullberg.   A Paradiset é a maior rede de produtos orgânicos da Escandinávia. Ela já retirou de suas prateleiras os seguintes produtos brasileiros: quatro diferentes tipos de melão, melancia, papaya, limão, manga, água de coco e duas marcas de café, além de uma barra de chocolate que contém 76% de cacau brasileiro em sua composição. “Não podemos em sã consciência continuar a oferecer alimentos do Brasil a nossos consumidores, num momento em que tanto a quantidade como o ritmo da aprovação de novos agrotóxicos aumenta drasticamente no país. Decidimos portanto retirar os produtos de nossas prateleiras”, disse Johannes Cullberg em comunicado divulgado à imprensa sueca e publicado com destaque pelo Dagens Nyheter, um dos maiores jornais do país. “Não temos carne brasileira em nossas lojas, e certamente não iremos comprar”, acrescentou Alexander Elling, assessor de comunicação da Paradiset. Cullberg espera que sua ação possa levar outros fornecedores a aderir ao boicote. “Não podemos aceitar este tipo de atitude insana em relação ao nosso planeta, ao nosso povo e à nossa saúde”, destacou o presidente. As informações são da Rádio França Internacional.