Polícia Militar de Minas Gerais invade casa, agride moradores e se diz vítima

Episódio ocorreu na cidade de Mirabela. Imprensa de Montes Claros, parceira da PM, minimizou o caso Policiais militares despreparados invadiram uma casa em Mirabela, a 67 quilômetros de Montes Claros, e agrediram a socos um homem e uma mulher, que estariam incomodando a vizinhança com o som alto. O fato, ocorrido na madrugada de sábado, foi registrado em imagens e viralizou nas redes sociais. Chamou a atenção a cobertura dada pela imprensa de Montes Claros ao caso. Mesmo com as fortes imagens, em que os policiais socam covardemente um homem imobilizado e a irmã dele, também indefesa, a Intertv Grande Minas e o G1 deram mais espaço para as alegações da Polícia Militar em defesa dos seus comandados do que para as vítimas. O vídeo, inclusive, foi editado para não mostrar o momento em que a irmã do dono da casa é agredida por um fardado totalmente descontrolado. Enquanto isso, um colega grita para que alguém o acompanhe para servir de testemunha. Com a negativa dos moradores, ele faz ameaças. O homem agredido postou outro vídeo, informando que comemorava um aniversário em família quando a PM invadiu sua casa. Ele também nega que o som estivesse excessivamente alto, mostrando um pequeno aparelho que teria sido quebrado pelos PMs. Além de citar a nota da corporação reiteradamente, o G1 ainda a publica na íntegra. Embora as imagens deixem claro que as vítimas estavam indefesas, a PM diz que houve resistência. Alega ainda que foi duas vezes ao local pedir para abaixar o volume. A nota tenta explicar o inexplicável, como, por exemplo, a reação desproporcional aos alegados palavrões que as vítimas teriam dito. O morador de 28 anos e a irmã, de 26, foram conduzidos à delegacia e liberados, segundo a PM, porque tratou-se de crime de “menor potencial ofensivo”. Eles foram liberados após assinarem um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO). Para tentar justificar os excessos dos policiais, o comando da PM informou que o homem tem passagem por tráfico, porte de arma e roubo, como se os supostos crimes tivessem relação com a ocorrência em questão. Policiais agridem filho, mãe e filha em Mirabela, Minas Gerais. Entraram na casa ontem sem mandado judicial após reclamação de perturbação da ordem. As informações são da Mídia Independente Coletiva. PMs sem condições de portar arma, completamente despreparados e transtornados. pic.twitter.com/PAPRo9NYAY — GugaNoblat (@GugaNoblat) May 18, 2020
COVID-19 – Prefeitura de Montes Claros cancela Festa do Trabalhador deste ano

A Prefeitura de Montes Claros cancelou a Festa do Trabalhador deste ano, que seria realizada no dia 1º de maio, em comemoração ao Dia do Trabalhador. O motivo do cancelamento é a necessidade de se combater, na cidade, o avanço do novo coronavírus (COVID-19), que já tem 6 casos confirmados em Montes Claros. Como o isolamento social é uma das principais estratégias recomendadas pela OMS (Organização Mundial de Saúde) para impedir a propagação do vírus, um evento dessa magnitude, que sempre reúne pessoas de todas as regiões da cidade, iria na contramão de todas as ações adotadas pelo município para salvaguardar as vidas dos montes-clarenses. Além disso, o Parque Municipal Milton Prates, que é tradicionalmente o palco da festa, encontra-se fechado por determinação da Administração Municipal, também com o objetivo de proteger a saúde da população. Confira aqui as medidas de isolamento atualmente em vigor na cidade.
Em defesa da vida. Montes Claros não abre mão do isolamento social

– Prefeitura prorroga medidas de contenção do coronavírus e obriga idosos a usarem máscara na rua – Através do Decreto Municipal Nº 4.029, de 17 de abril de 2020, a Prefeitura de Montes Claros prorrogou, até o dia 30 de abril, as diversas medidas adotadas para impedir que aumente na cidade o número de casos do novo coronavírus e a consequente sobrecarga do sistema público de saúde. Entre as medidas que foram prorrogadas estão: – proibição de agendamento e realização de cirurgias eletivas e estéticas; – proibição de feiras livres; – comemorações, em residências, com a participação de mais de 10 pessoas; – proibição de eventos esportivos, academias, boates, cinemas, espetáculos de qualquer natureza, shows, atividades de clubes de serviço, lazer e similares; – os cultos e demais manifestações religiosas somente poderão ocorrer sem a presença de público, devendo, quando ocorrerem, privilegiar-se a reprodução ou transmissão por meio da internet; – fechamento dos parques municipais e proibição do uso de academias; – vedação da aceitação de novos hóspedes em hotéis, motéis e similares, exceção feita à restaurantes e hotéis localizados às margens das rodovias que passam pelo município, mantendo assim o atendimento a viajantes e caminhoneiros; – proibição da abertura de estabelecimentos comerciais, com as seguintes exceções: → farmácias e drogarias; → hipermercados, supermercados, mercearias, açougues, peixarias e quitandas, inclusive os mercados municipais Central e Sul e a Ceanorte; → lojas de conveniência; → lojas de venda de alimentação para animais e produtos médicos veterinários; → lojas e distribuidoras de água mineral; → lojas e distribuidoras de gás; → padarias; → postos de combustíveis; → oficinas mecânicas e lojas de vendas de peças e insumos necessários ao funcionamento destes estabelecimentos; → lojas para venda de produtos óticos, desde que com receita médica. – suspensão de serviços não essenciais. Alguns dos serviços considerados essenciais, e portanto não incluídos nessa suspensão, são: → a prestação de serviços médicos, englobando-se a realização dos mais diversos exames e cirurgias; → a prestação de serviços laboratoriais na área da saúde; → a prestação de serviços de clínicas médico veterinárias; → a prestação de serviços contábeis, em ambiente arejado e circulação de ar ambiente; → a prestação de serviços odontológicos urgentes; → a prestação de serviços relacionada ao cuidado de idosos, crianças e pessoas com deficiência; → a prestação de serviços jornalísticos, englobando-se toda a cadeia de produção da notícia; → serviços relativos à construção civil, desde que mantidos dois metros de distância entre os trabalhadores; → serviços relacionados ao setor bancário ou financeiro; → serviços de transporte de pessoas e cargas; → serviços funerários, limitados no máximo a vinte pessoas por vez na sala de velório; → serviços de chaveiro; → serviços relacionados à manutenção de informática, de telefones, de telefonia e internet; → call centers, com distanciamento mínimo entre os empregados não inferior a dois metros, devendo manter-se o ambiente arejado, de modo a criar condições para ventilação natural; → prestação de serviços de fisioterapia, de forma individual, com horário previamente marcado. Segundo o decreto, estão permitidos os serviços de entrega de alimentos via delivery, e bares e restaurantes podem realizar as vendas no local, desde que o consumidor retire os produtos sem entrar nos estabelecimentos. Hipermercados, supermercados, mercados e mercearias deverão atuar com capacidade máxima de lotação de até 50%. O decreto também estabelece que as pessoas pertencentes ao grupo de risco da COVID-19 (idade igual ou superior a sessenta anos; portadores de doenças crônicas, tais como diabetes, hipertensão, cardiopatias, doenças respiratórias, pacientes oncológicos e imunossuprimidos; gestantes ou lactantes) devem, de maneira obrigatória, utilizar máscaras caseiras cobrindo totalmente aboca e nariz e que estejam bem ajustadas ao rosto quando estiverem em vias públicas ou em estabelecimentos comerciais e de serviços. O texto completo do Decreto pode ser conferido na edição de 18 de abril do Diário Oficial Eletrônico de Montes Claros Via Prefeitura de Montes Claros
PAULO RIBEIRO POR PAULO RIBEIRO

– Em entrevista reveladora, o filho de Marão e sobrinho de Darcy abre o coração para a filha Maria Ribeiro – * Por Waldo Ferreira Ao longo dos anos a corrupção dentro das administrações públicas permitiu a venda de áreas destinadas a praças em Montes Claros. Tudo com a complacência da classe política, segundo denúncia do secretário de Meio Ambiente de Montes Claros (Semma), Paulo Ribeiro, que concedeu longa entrevista ao programa Máster Médicos, no Instagram. O fenômeno explicaria a cidade ter grandes regiões, como o Grande Maracanã, com uma praça apenas. De acordo com o secretário, esses espaços públicos, em grande parte, foram parar nas mãos das igrejas, que ocupam cerca de 30% das praças em Montes Claros. Nos últimos 40 anos teria faltado planejamento e muitas áreas foram invadidas, atendendo à politicagem. A falta de áreas verdes também é facilitada pela atual legislação que disciplina a criação de novos loteamentos em Montes Claros, com até 160 metros quadrados. “Caso essa norma seja seguida, vamos desertificar a cidade, pois nesse espaço podem ser construídas duas casas, onde vão morar, no mínimo, 8 pessoas”, exemplifica Ribeiro, explicando que não sobrará espaço verde. Ele informa que a Organização Mundial da Saúde (OMS) prevê 12 metros de área verde por habitante como o mínimo saudável. A legislação destina 7 metros, mas, de acordo com o secretário, na prática não sobram nem 5 metros. Ao dizer que considera essa situação criminosa, por se tratar de uma das cidades com menos áreas verdes no país, localizada numa região semiárida –, Paulo Ribeiro deu uma boa notícia: ele recebeu da equipe técnica da Semma proposta para alterar a legislação, a exemplo do que já é adotado em outras cidades. A preocupação tem sentido, pois o “Mapa do Calor” do Atlas Ambiental mostra variação de até 3 graus entre as áreas com ou sem vegetação. O Atlas, desenvolvido em parceria com a Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), está disponível nos sites da Semma e da universidade. Mãe e tio como referências Mas, a entrevista não se restringiu às denúncias. E foi marcada pela emoção, talvez pelo fato de a entrevistadora ser sua filha, a jornalista Maria Ribeiro, que também demonstrou estar visivelmente emocionada durante a uma hora que durou a live. As já conhecidas paixões pelo meio ambiente e pela educação, inspiradas pela mãe, dona Jacy, e pelo tio, o antropólogo, educador e ex-senador Darcy Ribeiro (falecido) – de quem também herdou a inquietude e a veemência para defender aquilo em que acredita -, foram entremeadas pelas impressões de Ribeiro sobre o mundo, a humanidade, as relações pessoais, o desenvolvimento econômico, os avanços da tecnologia e seus impactos sobre as pessoas e, claro, a pandemia do coronavírus, que inundou a todos com as incertezas sobre o futuro. Apesar da falta de previsibilidade na questão ambiental, Paulo Ribeiro disse que está tentando “tirar o atraso”. Capitaneado por ele, está sendo criado no município o Parque Estadual da Lapa Grande, em área de 15 mil hectares. “Para se ter ideia da importância desse fato, o maior parque urbano do mundo é o Parque Nacional da Tijuca (Rio de Janeiro), que tem 3,4 mil hectares”, informa. O reconhecimento do Parque Estadual de Grão Mogol, luta de 20 anos do ambientalista Eduardo Gomes, também teve a participação de Paulo Ribeiro, que atuou como intermediário na negociação com o governo do Estado. Reconhecido como alguém que mudou o olhar para a questão do meio ambiente em Montes Claros, Ribeiro concretizou o Parque Sagarana, criado por seu pai, o ex-prefeito Mário Ribeiro (falecido), numa área de 42 hectares. O local estava abandonado desde 1989, mas em 2018 foi estruturado num espaço de 4 hectares, localizado numa das regiões mais nobres da cidade (Avenida José Corrêa Machado, no bairro Jardim São Luiz). Também foram criados os parques Canelas e Mangues (será inaugurado neste ano) e em 1º de Maio será a vez dos moradores dos bairros Belvedere e Santo Antônio ganharem seus parques. O secretário informou que há mais 12 parques encaminhados, alguns deles de 100 hectares. O Vale-Verde (transporte gratuito para as áreas verdes da cidade, ida e volta), criado por ele ainda no governo do ex-prefeito Athos Avelino, é mais um esforço para propiciar qualidade de vida à população. O Parque Municipal, principal destino da população de menor poder aquisitivo, ganhou pista de Cooper. Atual modelo de desenvolvimento econômico é suicida Paulo Ribeiro acredita que não adianta ter excesso de informação sem reflexão. “Apesar da democratização da informação nunca tivemos tantos governos totalitários. Há uma tendência que a onda fascista cresça, mesmo com a crise do neoliberalismo, pois capitalismo não tem nenhuma dificuldade de se adaptar a regimes totalitários, haja vista a China, maior potência econômica do mundo, que tem um governo autoritário”, apontou, lembrando que no Brasil também o presidente Jair Bolsonaro tem perfil autoritário, embora tenha sido eleito democraticamente. Crítico do atual modelo de desenvolvimento, que considera suicida, pois coloca como prioridade uma cultura consumista e individualista, Paulo Ribeiro espera que tragédias humanitárias, como a pandemia do coronavírus sirva de reflexão para se chegar a uma alternativa mais sustentável para o futuro da humanidade. Nesse sentido, de acordo com ele, a única solução é mudar radicalmente o modelo de educação. “A classe dominante não quer qualidade, pois isso implica na perda de privilégios’, diz. “O Paraguai tem índices de alfabetização o dobro do Brasil. Não conseguimos copiar os modelos de Cingapura, Japão, Alemanha, Vietnã, Finlândia e outros. Aqui, piora o ensino público e cresce o privado. É uma tragédia”, lamenta. Segundo ele, o país tem tecnologia e dinheiro para fazer a revolução na educação, ensinando aos alunos uma nova ética e um modelo de desenvolvimento que beneficie a maioria da população. Ele se mostrou preocupado pelo fato de não se aproveitar esse momento de crise para a discussão de uma mudança estrutural no país, que envolva setores, como, por exemplo, o Judiciário, que ele considera o poder mais corrupto do país, por ser vitalício, cheio de privilégios
Pseudos comerciantes preparam mais uma carreata da morte em Montes Claros

Está planejada para amanhã mais uma carreata de empresários bolsonaristas de Montes Claros para pressionar o prefeito Humberto Souto a reabertura do comércio, que prorrogou o isolamento social por mais nove dias, até o dia 30 de abril. Esta manifestação, que foi apelidada de carreata da morte, já que é uma pressão com catinga de morte. A primeira, sem sucesso, teve apoio apenas de meia dúzia de gatos pingados, com a participação de alguns intrusos oportunistas, para engrossar o movimento. De acordo com matéria do jornal Gazeta, no sábado, um grupo coletou a assinatura da população para reabrir o comércio, em ato realizado na Praça Doutor Carlos, para impetrar ação judicial. Não custa lembrar que nenhuma autoridade de saúde recomenda rever as medidas que evitam a circulação de pessoas, dentre elas o fechamento do comércio. Onde se insistiu em abrir em fazer o contrário do que diz a ciência o resultado foi trágico, vide Milão que alegava não poder parar. Ou seja, nenhum juiz será doido de autorizar este verdadeiro atestado de óbito. Pelo contrário, a Justiça tem é que coibir esta tal carreata da morte, com requintes de covardia e pitadas de hipocrisia. Muitas vidas estão sendo salvas graças ao isolamento social. Quanto mais mortes, menos consumidores e com uma tragédia de grandes proporções como a que vimos na Itália a economia vai demorar mais para se recuperar do que com a prevenção. Leia também: https://emcimadanoticia.com/2020/03/29/10199/
COVID-19 – Funcionários de estabelecimentos comerciais e de call centers estão obrigados a utilizar máscaras em Montes Claros

A Prefeitura de Montes Claros publicou, no Diário Oficial do Município do dia 14 de abril, o Decreto Municipal nº 4.022, que estabelece novas regras para os estabelecimentos comerciais da cidade, com o objetivo de intensificar o combate ao coronavírus. Segundo o decreto, os estabelecimentos comerciais ou de prestação de serviços autorizados a funcionar em Montes Claros, em qualquer modalidade de atendimento com contato direto com pessoas, deverão determinar aos seus empregados e colaboradores, diretos e indiretos, o uso de máscaras caseiras que cubram totalmente a boca e o nariz e que estejam bem ajustadas ao rosto, durante todo o expediente de trabalho. Será de responsabilidade dos estabelecimentos comerciais o fornecimento das máscaras a serem utilizadas pelos trabalhadores, sendo que a não utilização dos equipamentos, a partir do dia 19 de abril, implicará na aplicação das penalidades previstas na Lei Municipal nº 5.252, que incluem suspensão temporária de atividades econômicas no Município; aplicação de multa; e cassação do Alvará de Funcionamento, com proibição de novo alvará pelo prazo mínimo de um ano. O decreto também se aplica às empresas de call center, que também estão obrigadas a fornecer máscaras aos funcionários. Prefeitura de Montes Claros
COVID-19 – Prefeitura inicia trabalho de higienização e desinfecção de espaços públicos

A Prefeitura de Montes Claros iniciou a limpeza e desinfecção de espaços públicos da cidade. A iniciativa leva em consideração Nota Técnica da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que orienta sobre como evitar a propagação do novo coronavírus (COVID-19). Na tarde desta terça-feira, 14, uma equipe da Secretaria Municipal de Saúde realizou a desinfecção das dependências da Central de Abastecimento do Norte de Minas (Ceanorte) com o produto Hipoclorito de Sódio 1%. À noite e de madrugada, o serviço foi realizado em diversos pontos da área central da cidade, com atenção especial para os pontos de ônibus. Todos os espaços públicos que recebem aglomeração de pessoas irão passar pelo processo de desinfecção nos próximos dias. A Prefeitura não está poupando esforços para conter a propagação do vírus, atuando em diversas frentes. Mas é preciso que a população faça sua parte, respeitando o isolamento social para que logo possamos nos ver livres dessa pandemia. PRODUTO – O produto utilizado para a limpeza é uma solução de hipoclorito de sódio, importante para desinfetar o que não pode ser limpo apenas com água e sabão. O vírus tem a capacidade de ficar retido na superfície de objetos e também no solo, onde a solução desinfetante age com eficácia. As equipes que atuam nesse e em outros serviços de limpeza na cidade seguem protocolo de segurança e higiene. Fonte: Assessoria de Comunicação – Prefeitura de Montes Claros
Gripe Espanhola em MOC fechou lojas e fábricas e transformou escola em hospital, revela pesquisador da Unimontes

Um relativo isolamento social, comércios fechados, aulas suspensas, casos suspeitos e confirmados e o trabalho intenso na área da saúde na tentativa de curar os doentes e minimizar os riscos de contágio. A descrição que poderia ser também de hábitos e fatos dos dias atuais em tempos de enfrentamento do Novo Coronavírus (Covid-19) é de uma Montes Claros de 102 anos atrás, acometida pelos efeitos da Gripe Espanhola que, até então, é considerada a mais agressiva pandemia de todos os tempos, com 50 milhões de óbitos em vários países, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU). Os detalhes de como a doença acometeu os montes-clarenses e mudou a rotina da cidade são contados pelo professor César Henrique Queiroz Porto, do Departamento de História da Unimontes, no artigo “Gripe Espanhola e a Imprensa Escrita de Montes Claros em 1918”, produzido a partir de pesquisas nas edições da extinta Gazeta do Norte. O texto representa o capítulo II da coletânea “História na Imprensa e Imprensa na História”, livro lançado em 2016 pela Editora Paco (SP) sob organização da professora Rejane Meireles Amaral Rodrigues – também da Unimontes. A CHEGADA Há duas versões parecidas sobre como a Gripe Espanhola veio parar no Brasil, em setembro de 1918. Numa delas, o vírus teria chegado com os passageiros do navio inglês Demerara, que aportou em das três principais cidades do País à época (Recife, Salvador e Rio de Janeiro). Na outra, a doença aportou em terras brasileiras com o desembarque de soldados brasileiros em Pernambuco – após uma missão em Senegal (África). Ambas são trabalhadas como oficiais por fontes sanitaristas nacionais, em especial a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). No caso de Montes Claros, segundo o professor César Queiroz Porto, suspeita-se que o vírus da Gripe Espanhola (H1N1) tenha chegado à cidade a partir do trânsito de pessoas de outras partes do Estado e da região do Norte de Minas vindas pelos barcos vapores, à época bem comuns como transporte de passageiros pelo leito do Rio São Francisco, ou pelo transporte em linha férrea, cuja estação mais próxima estava em Várzea da Palma – além da passagem de pessoas que possivelmente vieram de outros estados. A CIDADE Ele explica que a Montes Claros de 1918 pouco lembra a atual. O município tinha uma extensão territorial bem maior: incorporava ainda as vizinhas Mirabela (antiga Bela Vista) e Juramento, por exemplo, e outras áreas que se emanciparam mais adiante. Grande parte dos 40 mil habitantes residia na zona rural. “Havia poucos moradores no núcleo da cidade; talvez nem duas mil pessoas”, acrescenta o pesquisador. A expansão mesmo viria a partir de meados da década de 20, após a chegada da ferrovia. Outra fonte de pesquisa, além do acervo da Gazeta do Norte, está em relatos e em obras do escritor montes-clarense Cyro dos Anjos, que mais tarde se tornaria imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL). Em seu livro “Explorações no Tempo”, na página 150, Cyro afirmou: “essa famosa gripe de 1918 levou toda a minha família para a cama, e só eu e meu pai ficamos de pé”. O professor da Unimontes entende que, provavelmente, pessoas de outras famílias se procederam como muitos pensaram agora: se isolarem numa fazenda para fugir do risco de contágio. MORTES O Brasil foi acometido pela segunda onda da Gripe Espanhola, no segundo semestre de 1918. A precariedade dos serviços de saúde e no sistema sanitário das cidades, a começar pelos grandes centros, teve influência no número de óbitos. O Rio de Janeiro, então capital federal com 700 mil habitantes, foi a cidade mais atingida, com 15 mil mortes (e 1 mil desaparecidos), seguido por São Paulo, que tinha em torno de 500 mil moradores (5,3 mil óbitos). Em Belo Horizonte, segundo os registros oficiais, foram 206 casos fatais de pacientes da H1N1 entre os seus 45 mil habitantes. Montes Claros sofreu os efeitos da doença mais ao final do ano, entre novembro e dezembro, e teve, em média, 50 mortes causadas pela Gripe Espanhola. “O pico maior foi de três a quatro semanas. Tudo parou no comércio, inclusive o Mercado. Foram fechadas as duas fábricas de tecidos que a cidade tinha, que empregavam dezenas de trabalhadores. As aulas foram interrompidas e foi preciso criar um hospital de campanha improvisado na Escola Normal, onde hoje funciona o Museu Regional, para atender os doentes”, descreve o historiador. Ainda segundo ele, como já estava em novembro, o ano letivo provavelmente foi suspenso. A Santa Casa já existia à época. O pesquisador, que tem um trabalho paralelo para a produção de um livro sobre os 150 anos do maior hospital do Norte de Minas, se revela surpreso ao encontrar poucos registros que associem a Santa Casa à epidemia da Gripe Espanhola na cidade. “O contágio era muito rápido e perigoso. Apesar de a maior parte dos doentes ter se tratado no hospital improvisado, não podemos afirmar ou descartar que um ou outro doente não tenha sido tratado na Santa Casa”. Ao todo, no Norte de Minas, segundo a Gazeta do Norte, quase cem pessoas perderam a vida por causa da Gripe Espanhola. PERSONAGENS Doutor João Alves, que desempenhava a função de prefeito à época O estudo do professor da Unimontes revela o nome de João Alves como o principal personagem no enfrentamento da Gripe Espanhola. Na época, não existia o cargo de prefeito e o presidente da Câmara assumia a função de agente executivo municipal. “João Alves era o presidente do Legislativo e isto, de certa forma, equivalia ao posto de prefeito”, explica César. Foi criado no município um comitê de socorro para coordenação dos esforços de combate à epidemia. João Alves, que era um dos poucos médicos da cidade naquele período, liderou este movimento ao lado de mais um vereador: major Honor Sarmento. Outro apoiador determinante foi o também médico Marciano Alves Maurício. “João Alves era uma pessoa bem popular, que fez um chamamento e “recrutou”, por exemplo, o farmacêutico Mário Veloso para ajudá-lo a tratar dos doentes”, relata o historiador. César Queiroz
CORONAVÍRUS – Prefeitura de Montes Claros suspende o serviço de internet grátis nas praças

Com a proposta de apoiar o isolamento social em Montes Claros, necessário para controlar a pandemia do coronavírus, a Prefeitura de Montes Claros suspendeu o funcionamento e a ampliação do programa Onda Verde, que disponibiliza internet wi-fi grátis nas praças da cidade. A Connect, empresa habilitada em Chamamento Público para a implantação e gerência do programa, já desligou o acesso gratuito à internet nas praças Dr. Carlos (Centro), Beato Coll (Praça do Maracanã) e Evangelista Batista (Praça do Major Prates). A decisão é justificada porque a liberação de internet grátis nas praças incentiva que as pessoas saiam de casa e, ainda, a criação de aglomerações, duas coisas altamente desaconselhadas neste momento em que não só Montes Claros, mas também o mundo, adotam o isolamento social para evitar a transmissão do COVID-19.
Prefeito de Montes Claros avisa: “Não vou ceder às pressões de aproveitadores”

– Humberto Souto criticou duramente a carreata promovida em Montes Claros para afrouxar restrições no funcionamento do comércio na cidade *Por Waldo Ferreira “Ao invés de faltar comida, faltou caixão”, disse o prefeito de Montes Claros, Humberto Souto (Cidadania), mencionando Milão, na Itália (onde morrem centenas de pessoas, diariamente, vítimas do coronavírus), para enfatizar sua posição de não ceder às pressões para reabertura do comércio e continuar seguindo o protocolo de isolamento social preconizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e Ministério da Saúde. Numa live, o prefeito criticou a organização de uma carreata com o objetivo de forçar o afrouxamento de decreto municipal que restringe o funcionamento do comércio. Deixou claro que não aceitará pressões de “grupelhos politicóides”, que ele chamou de covardes e desumanos, por pretenderem desgastar o prefeito, “num gesto deplorável” para tirar proveito de uma situação de grave crise de saúde pública. Ele disse que as medidas contidas no decreto municipal têm o objetivo de proteger a população, reduzindo a circulação e evitando aglomerações. A providência impede que as pessoas levem o vírus para dentro de casa, contaminando o grupo de risco – maiores de 60 anos, pais, avós e pessoas com histórico de outras doenças. A posição de Humberto Souto está em sintonia com as orientações de especialistas em infectologia do mundo inteiro, que veem no isolamento social a única forma de achatar a curva de contaminação do Covid-19. Souto relatou sua preocupação com os prejuízos para a economia, mas disse que sua opção é primeiro pela preservação da vida. “Eu mesmo estou recolhido em casa, para me proteger e proteger os outros”, disse ele, que tem 85 anos. O prefeito esclareceu que o decreto não está estrangulando a atividade produtiva em Montes Claros, lembrando que indústrias, supermercados, farmácias e vendas por delivery (entregas em domicílio) funcionam normalmente. Segundo ele, haverá uma abertura gradual, sem que isso represente riscos à população. Citou a extensão, contida no decreto mais recente, para que as pessoas possam buscar comida no restaurante, tomando todas as precauções recomendadas pelas autoridades sanitárias, as quais os estabelecimentos estão sujeitos. Souto repetiu que no mundo inteiro milhares de pessoas estão morrendo porque essas medidas não foram tomadas. E procurou tranquilizar a população. “O prefeito está fazendo tudo de modo consciente e em defesa do povo como um todo, procurando, em primeiro lugar, preservar a vida”. Jornalista