Irmãos Miranda levaram à CPI do Genocídio, o “PowerPoint” sobre a Covaxin

Apresentação, que contém documentos, e-mails e conversas de WhatsApp detalhando a denúncia de corrupção na compra da Covaxin, começa com trecho bíblico que Bolsonaro gosta de citar: “Conhecerei a verdade e a verdade vos libertará”; confira a íntegra O servidor do Ministério da Saúde, Luis Ricardo Miranda, e seu irmão, o deputado Luis Miranda (DEM-DF), levaram para a CPI do Genocídio no Senado, nesta sexta-feira (25), uma apresentação de “PowerPoint” em que detalham a denúncia que fizeram sobre suposto esquema de corrupção no contrato firmado pelo governo federal para a compra da Covaxin, vacina indiana contra a Covid-19. Os indícios de corrupção são inúmeros e o contrato de R$1,6 bilhão com a Precisa Medicamentos, intermediária do laboratório indiano Bharat Biotech para a venda do imunizante ao Brasil, é alvo de investigação do Ministério Público Federal (MPF). Isso porque Jair Bolsonaro, no início do ano, aprovou a compra do imunizante a um preço 1.000% maior que o inicialmente anunciado pelo fabricante. Um telegrama da embaixada brasileira em Nova Délhi mostra que, quando lançada, a vacina produzida pelo laboratório indiano Bharat Biotech custava 100 rúpias ou cerca de 1,34 dólares a dose. Em fevereiro desse ano, sob pressão de Bolsonaro, a Precisa Medicamentos fechou a compra para o Ministério da Saúde pelo valor de 15 dólares a unidade. Ao mesmo tempo, o governo federal rejeitou a compra da vacina da Pfizer a 10 dólares alegando preço muito alto. Os irmãos Miranda, ao constatarem as supostas irregularidades, levaram o caso ao presidente Jair Bolsonaro, que nada fez para apurar as denúncias de corrupção. O servidor do Ministério da Saúde, inclusive, relatou ao MPF “pressão atípica” de superiores para a importação das doses da vacina indiana. Na apresentação levada à CPI do Genocídio, os irmãos Miranda já começam com um slide contendo a frase bíblica que o presidente Jair Bolsonaro gosta de usar: “Conheceis a verdade e a verdade vos libertará”. O deputado, inclusive, era um aliado do presidente e, após fazer a denúncia, passou, segundo ele, a ser alvo de coação do governo – ele chegou ao Senado vestindo um colete à prova de balas. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Onix Lorenzoni, afirmou após as denúncias virem à tona que Bolsonaro havia determinado que abrisse investigações contra os irmãos. “Sempre te defendi e é essa a recompensa?”, disse o parlamentar do DEM nesta quinta-feira (24). Ao longo do “PowerPoint” apresentado aos senadores, os irmãos expuseram e-mails e documentos oficiais com as negociações para a compra da vacina indiana, conversas de WhatsApp com alertas a membros do governo sobre os indícios de irregularidades e inúmeros outros detalhes que comprovariam suas denúncias. Confira, abaixo, a íntegra.
Livrai-nos, Senhor, do desgoverno da morte – Por Élio Gasda*

O símbolo da morte, associado a uma figura portando uma foice, agora está associado a imagem do governo Bolsonaro (Comunicação MST/Fotos Públicas) Em nome do que ainda resta de humanidade em nós, lutemos sem trégua contra os mensageiros da morte e destruição. Que sigamos firmes Vivenciar a morte de pessoas próximas desperta emoções, desde dor até serenidade. Entretanto, no Brasil a morte vivenciada de perto por todos nós tem despertado sentimentos que vão da dor, raiva à indignação. Em pouco mais de um ano, mais de 500 mil brasileiros morreram de uma doença que já tem vacina. Faxineiras, motoristas, funcionários públicos, médicos, empresários, padres, comediantes, políticos, pastores, músicos, escritores, bailarinos, indígenas. Não são apenas cargos ou profissões. Possuem nomes e histórias, Renans, Fernandos, Marias, Paulos e Vanessas… filhos, amigos, pais, irmãos. O sentimento da perda é irreversível. Um país de enlutados! A morte nos faz refletir. É um processo universal, ocorre com todos os organismos vivos. Existem formas de prolongar a vida e com dignidade. A Covid-19 já possui vacina! Negacionista e mentiroso, corrupto e negligente, o governo brasileiro deixa as pessoas morrerem sem ar, sem medicamentos, sem leitos, sem vacinas. “Toda vida importa”. Getúlio Vargas, segundo registros, tirou a própria vida e entrou para a história. Bolsonaro entrará para a história como o presidente que atentou contra a vida de seus compatriotas. O símbolo da morte, associado a uma figura portando uma foice, agora está associado a imagem do governo Bolsonaro. É chocante o marco de 500 mil mortos. Que sábado triste! O que sentimos ao saber que o Brasil ultrapassou a marca de meio milhão de mortos? É como se Juiz de Fora se transformasse em cidade fantasma. A realidade pode ser ainda pior, já que as subnotificações de óbitos podem variar entre 30% e 50% (Rede Análise Covid). Uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) começa a descortinar o teatro macabro do governo no combate à Covid-19, tratada por gripezinha. Um show de mentiras, três trocas de ministros, previsões errôneas, “gabinete paralelo” composto por negacionistas anticiência e defensores de um tratamento ineficaz. Depoimentos e documentos comprovam a série de descasos do governo. Apurações estão só no início. Já são mais de 120 os pedidos de impeachment. Arthur Lira e Rodrigo Pacheco, fantoches de Bolsonaro, são cumplices dessa tragédia. Como uma pessoa com tamanho desequilíbrio mental pode se manter na presidência? “A tolerância é um crime quando se tolera a maldade” (Thomas Mann). Enquanto a morte (de pessoas, da democracia, do bem comum, da boa política) for lucrativa, os ricos rejeitarão o impeachment. O Congresso e seus muitos parlamentares corruptos, foi reduzido a mero gestor de verbas. Com a repercussão das investigações e, diante da pressão popular, o governo esboça agilizar um Plano Nacional de Imunização, mas pode ser tarde. Especialistas preveem uma terceira onda. O custo da pandemia é alto, milhares choram seus mortos, milhões são os desempregados, os desalentados, os de barriga vazia. Uma tragédia humanitária. Bolsonaro não salvou vidas e nem a economia. Não há país que resista. Qual será o legado que nos deixará a pandemia associada à necropolítica bolsonarista? Cansaço, depressão, tristeza, ansiedade, arrependimento? As ruas provam que algo mudou. Que os brasileiros não aguentam mais. Transformam o luto em luta. “A coragem é a primeira das qualidades humanas porque garante todas as outras” (Aristóteles). Mas é preciso mais. Em tempos de pandemia a política deveria “pôr a dignidade humana no centro e, sobre este pilar, construir as estruturas sociais alternativas de que precisamos”. Papa Francisco ressalta que um político deve se perguntar: “Para onde estou realmente apontando? As perguntas, talvez dolorosas, serão: Quanto amor coloquei no meu trabalho? Em que fiz progredir o povo? Que marcas deixei na vida da sociedade? Que laços reais construí? Que forças positivas desencadeei? Quanta paz social semeei? Que produzi no lugar que me foi confiado?” (Fratelli tutti,197). O bolsonarismo é absolutamente incapaz de se fazer tais perguntas, pois palavras como dignidade, construir sociedade e amor ao próximo não existem em vocabulários de fascistas. Certos conceitos exigem outro patamar de civilidade e inteligência. Despótico descontrolado, Bolsonaro não tira um dia de folga na sua guerra contra o Brasil, a cada dia pior. A crise sanitária brasileira é uma crise de direitos humanos. Em nome do que ainda resta de humanidade em nós, lutemos sem trégua contra os mensageiros da morte e destruição. Que sigamos firmes. Resistamos, em memória dos que partiram nesta pandemia. Não nos deixemos contaminar pela estupidez da idiocracia descerebrada que nos governa. Para que este pesadelo acabe, combater a necropolítica do bolsonarismo virou questão de vida! Todo mundo já sabe das atrocidades que acontecem no Brasil. Crimes contra a humanidade, como genocídios, não prescrevem! Que o clamor das vítimas e enlutados chegue aos ouvidos de Deus. Rezemos com Dom Vicente. *Élio Gasda é doutor em Teologia, professor e pesquisador na Faje. Autor de: ‘Trabalho e capitalismo global: atualidade da Doutrina social da Igreja’ (Paulinas, 2001); ‘Cristianismo e economia’ (Paulinas, 2016)
Gilmar Mendes estende suspeição de Moro para outros processos contra Lula

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nesta quinta-feira (24) estender os efeitos da declaração de suspeição do ex-juiz Sergio Moro a outros dois processos da Lava Jato envolvendo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT): o do sítio de Atibaia e o da doação do terreno para sediar o Instituto Lula. A decisão individual foi tomada um dia após o plenário da Corte bater o martelo sobre a parcialidade de Moro na ação penal do triplex do Guarujá, que levou o petista à prisão por 580 dias e o deixou de fora das eleições de 2018. Em seu despacho, o ministro observou que os fundamentos que levaram o STF a concluir pela suspeição no caso do triplex são compartilhados nas demais ações penais. “Por isonomia e segurança jurídica, é dever deste Tribunal, por meio do Relator do feito, estender a decisão aos casos pertinentes, quando há identidade fática e jurídica”, escreveu Gilmar Mendes. Na prática, ao ampliar o alcance da declaração de suspeição, Gilmar Mendes também coloca os demais processos de volta à estaca zero. “Nos três processos, houve a persecução penal do paciente em cenário permeado pelas marcantes atuações parciais e ilegítimas do ex-juiz Sergio Fernando Moro. Em todos os casos, a defesa arguiu a suspeição em momento oportuno e a reiterou em todas as instâncias judiciais pertinentes”, cravou o ministro. Entre os pontos levantados pelos ministros para questionar a atuação de Moro estiveram a ordem para condução coercitiva de Lula para ser interrogado pela Polícia Federal nos autos da Operação Alethea, 24ª fase da Lava Jato; o grampo no escritório de advocacia de Cristiano Zanin, que defende o ex-presidente; a obstrução ao cumprimento da decisão, tomada no plantão judiciário pelo desembargador do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, Rogério Favreto, que mandou soltar o petista em julho de 2018, quando ele estava preso em Curitiba; a retirada do sigilo de trechos da delação premiada do ex-ministro Antonio Palocci às vésperas das eleições de 2018; o vazamento da conversa entre Lula e a ex-presidente Dilma Rousseff (PT), que o nomeou como ministro chefe da Casa Civil; a assunção do cargo de Ministro da Justiça e Segurança Pública do governo Jair Bolsonaro e a entrada como sócio-diretor na consultoria Alvarez & Marsal, que presta serviços para empresas condenadas na Operação Lava Jato. Agência Estado
Tchau querido! Moro suspeito: Supremo Tribunal Federal conclui votação e placar fica em 7×4

O plenário do Supremo Tribunal Federal concluiu nesta quarta-feira (23) o julgamento da suspeição do ex-juiz Sergio Moro, confirmada por 7 votos a 4 no processo do tríplex do Guarujá (SP), em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi condenado. O julgamento havia sido suspenso em 22 de abril em 7 a 2, após pedido de vista do ministro Marco Aurélio Mello. Agora, se confirma o restabelecimento dos direitos políticos de Lula, que poderá concorrer na eleição de 2022. Com a declaração da parcialidade de Moro, todas as provas colhidas e usadas contra o ex-presidente são invalidadas. O caso, também por decisão do Supremo, foi enviado para a Justiça Federal de Brasília, onde terá de começar do zero. O placar ratifica a decisão da Segunda Turma da Corte, de um mês antes. Marco Aurélio e o presidente, Luiz Fux, que faltam se pronunciar, votaram contra a maioria. Além dos dois, foram vencidos o relator, Edson Fachin, e Luís Roberto Barroso. Votaram pela suspeição de Moro os ministros Gilmar Mendes, Nunes Marques, Alexandre de Moraes, Ricardo Lewandowski, Dias Toffoli, Cármen Lúcia e Rosa Weber. “Só acaba quando termina” Mesmo com a maioria já formada em abril, não se podia “cravar” que o tribunal já havia resolvido a questão. Isso porque “julgamento só acaba quando termina”, como se costuma dizer das decisões do Supremo, já que enquanto o presidente não proclama o resultado qualquer ministro pode mudar seu voto e, consequentemente, o resultado final. A defesa quer agora que o STF estenda o reconhecimento da parcialidade de Sergio Moro a todos os processos envolvendo Lula conduzidos na 13ª Vara, nos casos do triplex do Guarujá, do sítio de Atibaia e das doações ao Instituto Lula. Em março, o ministro Edson Fachin declarou a incompetência da Justiça Federal do Paraná em todos os processos. No julgamento da suspeição pela Segunda Turma, realizado em 23 de março, a ministra Cármen Lúcia mudou o voto original no julgamento, que foi iniciado em 2018. Assim, o “colegiado pequeno” formou maioria de 3 a 2 com os votos dela e de Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski. “Todos têm o direito de ter um julgamento justo por um juiz e um tribunal imparciais, e, principalmente, no qual ele possa comprovar todos os comportamentos que foram aos poucos consolidando o quadro fundamental, um cenário diverso que veio a ser desvendado nesse processo”, afirmou Cármen na ocasião. Na semana passada, a Corte já havia mantido o entendimento que a Justiça de Curitiba não tinha competência para julgar os casos de Lula. Com isso, foi mantida anulação de todas as decisões tomadas pela 13ª Vara nos processos contra o ex-presidente. Inclusive as condenações no caso do tríplex no Guarujá e no do sítio de Atibaia.
Mesmo com recorde de mortes, parte dos bolsominions reluta em tomar vacina contra covid

A Paraná Pesquisas fez um “Raio-X” sobre o que os brasileiros pensam sobre a vacina e seus efeitos. De acordo com o levantamento, 85,4% pretendem tomar a vacina do COVID-19 enquanto 12% declararam que não tomarão o imunizante. Apenas 2,6% não sabem ainda. 63,9% dos entrevistados afirmam que não conhecem parente ou amigo que se recusaram vacinar, ante 34,5% que conhecem e 1,5% que não sabe. Para 85,4%, é baixa velocidade de vacinação do País –sendo que 12,2% consideram alto o ritmo de aplicação das doses e 2,4% não opinaram. A Paraná Pesquisas apurou que 58,6% dos inquiridos consideram as vacinas contra o coronavírus aplicadas no Brasil “muito eficazes” e “eficazes”, enquanto 17,8% acreditam que os imunizantes são pouco eficazes e 4,6% são nada eficazes. Incríveis 18,9% não souberam responder a questão. A Paraná Pesquisas ouviu 2.002 eleitores brasileiros em 26 Estados e Distrito Federal entre os dias 12 a 16 de junho de 2021. A margem de erro é de 2 pontos para mais ou para menos. Clique aqui para ler a íntegra do relatório da pesquisa. O que é Bolsominion? Bolsominion (do francês mignon) é um termo pejorativo usado por opositores do atual presidente do Brasil Jair Bolsonaro para se referirem à um segmento de seus apoiadores. A palavra é uma amálgama construída pela truncação “Bolso”, do nome próprio Bolsonaro (apelido ou sobrenome do atual presidente do Brasil), e do termo francês mignon, definido como «servo, lacaio»’. Em geral, os bolsominions são descritos como pessoas de extrema-direita intransigentes, reacionárias e adeptas à intervenção militar para solucionar os problemas relacionados a saúde pública, educação, segurança. Usam frequentemente o termo “esquerdopata” para se referirem à seus adversários, que é um termo usado na internet para tratar a ideologia de esquerda como uma doença (psicopatia). Veem a relação entre intervenção militar e moralidade como fatores intimamente ligados e são, em geral, antagônicos a pautas consideradas progressistas. Wikipedia
Lula é absolvido na Operação Zelotes, em ação sobre MP do setor automotivo

De acordo com a decisão do juiz Frederico Botelho de Barros, não foi demonstrada “de maneira convincente” como os acusados “teriam participado no contexto supostamente criminoso” – A Justiça Federal em Brasília absolveu o ex-presidente Lula na ação em que é acusado de suposta corrupção passiva em um caso envolvendo a edição da Medida Provisória (MP) 471, que prorrogou por cinco anos benefícios tributários destinados a empresas do setor automobilístico. A medida foi editada em 2009, quando Lula ainda exercia o cargo de presidente da República. A decisão atende ao pedido do Ministério Público Federal, que argumenta que não ficou demonstrada nenhuma prova de que o ex-presidente Lula tenha praticado qualquer irregularidade na edição da MP. De acordo com a decisão do juiz Frederico Botelho de Barros Viana, que absolveu também o ex-chefe de gabinete Gilberto Carvalho e outras cinco pessoas, não foi demonstrada “de maneira convincente” como os acusados “teriam participado no contexto supostamente criminoso”. “Embora existam elementos que demonstrem a atuação por parte da empresa de Mauro Marcondes, no que se refere à prorrogação de benefícios fiscais às empresas CAOA e MMC, não há evidências apropriadas e nem sequer minimamente aptas a demonstrar a existência de ajuste ilícito entre os réus para fins de repasse de valores em favor de Lula e Gilberto Carvalho”, concluiu o juiz. (247 e Painel, da Folha).
Ciro Gomes estrangula Estado Laico e acena para o fundamentalismo

Em novo vídeo, pré-candidato do PDT à presidência apresenta discurso confuso e diz que valores cristãos podem ajudar a “reconstruir o Brasil” Em novo vídeo publicado nas redes nesta segunda-feira (21), o pré-candidato à presidência da República do PDT, Ciro Gomes, reconhece a existência do Estado laico no Brasil, mas diz que isso não pode nos levar “à negação de uma realidade histórica: o Brasil se formou no berço do cristianismo”. Com uma música melodramática de fundo, Gomes esquece que é justamente este discurso, de que o “Brasil é um país cristão”, utilizado pela extrema direita fundamentalista para justificar a perseguição às religiões de matriz africana, não permitir que o discurso do aborto avance e também promover o discurso de ódio às LGBT. Além disso, ao trazer para a discussão a ideia cristã de superação, Ciro Gomes chega a afirmar que “cada um de nós, criado à imagem e semelhança de Deus, carrega dentro de si a centelha de uma vida maior”, dessa maneira, Gomes coloca todo mundo no mesmo balaio moral e religioso e se esquece da diversidade religiosa e espiritual presente no Brasil. Entre o slogan de Bolsonaro na campanha de 2018 – “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos” – e o discurso de religioso de Gomes, há apenas uma eleição de distância. Em outra profunda generalização, o representante do PDT afirma que há um vínculo invisível – Deus? Cristo? a Igreja? – que conecta o povo brasileiro. O discurso apresentado por Ciro Gomes, além de confuso, só alimenta os grupos fundamentalistas que dão sustentação ao governo de Bolsonaro e que acreditam, de fato, que só com religião, cristo e longe do comunismo é possível “reconstruir o Brasil”. Será que é esse o caminho que Ciro Gomes acredita? Somos um Estado laico, mas a Bíblia e a Constituição não são livros conflitantes. O mesmo acontece com a religião e a política. Se observamos bem, veremos que ideias centrais do cristianismo inspiram a vida de todos nós que lutamos por um Brasil melhor. #ReligiãoEPolítica pic.twitter.com/LQ26SZeMDE — Ciro Gomes (@cirogomes) June 21, 2021 Revista Fórum
Atos contra Bolsonaro levam 750 mil brasileiros às ruas em 427 cidades

Vários quarteirões da avenida Paulista foram tomados no ato contra Bolsonaro (Foto: Ricardo Stuckert) Maior ato, em São Paulo, ocupou ao menos nove quarteirões da Avenida Paulista. Pelo Twitter, Bolsonaro debochou dos protestos com vídeo que mostra pequeno número de manifestantes sob a chuva supostamente em Paranaguá, litoral paranaense A Frente Brasil Popular e a Central de Movimentos Populares (CMP) afirmaram que mais de 750 mil brasileiros foram às ruas neste sábado (19) em 427 atos em defesa da vida, da vacina, do auxílio emergencial de R$ 600 e para pedir o impeachment de Jair Bolsonaro (Sem partido). “Mais de 500 mil vidas que perdemos para a pandemia e para esse governo genocida, quantas mais perderemos até tirar Jair Bolsonaro do governo? Hoje ocupamos novamente as ruas de todo o país, os atos do #19JForaBolsonaro reuniram mais de 750 mil pessoas em 427 atos realizados no Brasil e em 17 países no exterior”, divulgou a Frente Brasil Popular pelo seu perfil no Instagram. Além da população em geral, sindicalistas, movimentos sociais, estudantes e torcidas de futebol, lideranças políticas como Fernando Haddad (PT), Guilherme Boulos (PSOL) e Orlando Silva (PCdoB) marcaram presença.
Um Brasil de luto que, em meio à sua dor, não foge à luta – Por Isabela Amorim Santiago

Manifestantes em protesto ao governo Bolsonaro, em São Paulo Foto (Reprodução Fotos Públicas) A indignação e a revolta foram maiores que o medo de um vírus que vem dizimando pessoas. Enxergar isso é ver a que ponto chegamos – e que essa situação precisa ser revertida Não dá mais. Já não se trata de questão ideológica ou política. Após pouco mais de um ano de pandemia, falar sobre esse assunto sem considerar a vida é ser assassinado ou, no mínimo, é colaborar, direta ou indiretamente, com o genocídio de milhares e milhares de pessoas no nosso país e no mundo. Na data em que o Brasil supera as 500 mil mortes em decorrência da Covid-19, não há nada o que se comemorar. Quando as pessoas, em meio à uma situação de calamidade pública – onde a exigência maior é pelo distanciamento social e pela não aglomeração – saem às ruas para protestar, é porque algo está muito errado. É com lágrimas nos olhos e revolta no coração que escrevo isso aqui. Porque eu sei o quão doloroso é perder pessoas que amamos. Só que perder alguém para uma doença que já tem vacina é, no mínimo, vexatório e escandaloso. Felizmente, esse sentimento não é algo individual, mas, cada vez mais, coletivo. Em diversas cidades do país, milhares de pessoas foram às ruas para protestar contra um governo que se voltou contra sua população e preferiu a mentira a ter que lidar com a realidade. Os gritos de ‘Fora Bolsonaro’, ‘Vacina no braço, comida no prato’, ‘Auxílio emergencial de R$600’, ‘Vacina para todos já’ foram unânimes de leste a oeste do Brasil. Em diversas cidades protestos em maior ou menor dimensão reverberaram a indignação de um país que vem tendo a educação, a saúde, o cuidado com o meio ambiente sucateados e jogados no lixo. De São Paulo a Porto Alegre, de Salvador a Brasília, de Manaus a Goiânia, do Rio de Janeiro a BH, ou em cidades como Governador Valadares e Lavras (ambas em Minas Gerais), Maringá e Cascavel (Paraná), Petrolina (PE), Campinas (SP), Feira de Santana (BA) ou até mesmo na minha cidade natal, Teixeira de Freitas (BA) o clamor por justiça, por vacina e pelo fim do atual governo foi ecoado. A indignação e a revolta foram maiores que o medo de um vírus que vem dizimando pessoas e destruindo famílias. Enxergar isso é ver a que ponto chegamos – e que essa situação precisa ser revertida com urgência. O negacionismo, o obscurantismo, as teorias conspiratórias, a rejeição à ciência e à lucidez provocaram esse massacre que hoje deixa tantas famílias enlutadas. E quem compactua com este cenário perverso, se não é carrasco, é coveiro. *Isabela Amorim Santiago é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo e Relações Públicas pela Universidade Federal de Minas Gerais. Atualmente integra a equipe de jornalismo do Dom Total
Com um pé no socialismo, Flávio Dino abandona o comunismo

O governador do Maranhão, Flávio Dino, usou as redes sociais, nesta quinta-feira (17), para anunciar que pediu desligamento do PCdoB. “Diferenças que hoje temos, de estratégia e tática políticas, são menos importantes do que o meu reconhecimento ao papel histórico do partido”, postou o governador do Maranhão “Informo que pedi desfiliação ao PCdoB. Desejo êxito ao Partido na sua caminhada em defesa de uma Pátria Livre e Justa. Uma grande Frente da Esperança é um vetor decisivo para um novo ciclo de conquistas sociais para o Brasil. A tal tarefa seguirei me dedicando”, escreveu Dino. Agradeço ao PCdoB a acolhida fraterna nesses 15 anos de militância. Diferenças que hoje temos, de estratégia e tática políticas, são menos importantes do que o meu reconhecimento ao papel histórico do partido na defesa de um novo projeto nacional de desenvolvimento para o Brasil — Flávio Dino ???????? (@FlavioDino) June 17, 2021 Lideranças do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) lamentaram o anúncio de desfiliação feito pelo governador Flávio Dino, do Maranhão. Dino era o único governador do PCdoB e ainda não anunciou para qual legenda migrará, apesar de seu nome ser ventilado no PSB. Lamento a saída de meu amigo Flávio Dino do PCdoB. Sei que nos encontraremos na luta em defesa de um Brasil justo e desenvolvido. Alguns perguntam e especulam sobre o meu destino: não acredito em saída individual para dilemas coletivos. — Manuela (@ManuelaDavila) June 17, 2021 Com alegria estive na filiação de Flávio Dino. Orgulhoso, estive ao seu lado em cada construção política. Com emoção vivi momentos sensíveis, pra ele e pra mim. Triste com a saída do PCdoB! Partido Comunista é como um trem, tem um destino. Avante, camaradas! Abraço, Flávio! https://t.co/Lz4pp4JR9H — Orlando Silva (@orlandosilva) June 17, 2021 Total respeito à decisão do amigo e companheiro de lutas há quase 4 décadas, gov @FlavioDino , que nesta data pediu desfiliação do PCdoB.Diferenças de leituras e rumos em dada conjuntura não nos afastam de objetivos e compromissos comuns. — Márcio Jerry (@marciojerry) June 17, 2021