Senador da CPI da Covid provoca Bolsonaro sobre súbita busca por vacinas da Pfizer

Renan Calheiros ironizou presidente Bolsonaro (Edilson Rodrigues/Agência Senado) Depois ignorar ofertas, presidente quer agora antecipação de doses do imunizante O senador e relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, Renan Calheiros (MDB-AL), comentou nesta terça-feira (15), em publicação no Twitter, a videoconferência realizada nessa segunda-feira (14) pelo presidente Jair Bolsonaro, os ministros Marcelo Queiroga (Saúde), Carlos França (Relações Exteriores) e Luiz Eduardo Ramos (Casa Civil), com o presidente da Pfizer na América Latina, Carlos Murillo, em uma tentativa de antecipar a entrega de vacinas contra a Covid-19 ao País. “O Estado de São Paulo comprova que o Ministério das Relações Exteriores dava mais atenção à cloroquina do que às vacinas. Agora Bolsonaro – que não quis comprá-las – pede agilidade na entrega de novas doses. Veja que mudança a CPI já foi capaz”, escreveu Renan. Nesta última frase, o senador fez referência a uma reportagem contendo e-mails originais que mostram a agilidade do governo Jair Bolsonaro para comprar cloroquina contra a Covid-19, em contraposição à postura do Executivo em relação às vacinas. No caso da Pfizer, o governo demorou mais de dois meses para responder aos contatos da empresa. Agência Estado
Chico Buarque vê o Brasil com um pé no fascismo: ‘O golpe se aproxima’

Chico se emociona ao lembrar de Zuzu Angel, assassinada pela ditadura em 1976 Histórias da estilista Zuzu Angel, dos tempos da ditadura e do atual momento político emocionaram Chico Buarque e Hildegard Angel em conversa na tarde desta quinta-feira (10). A jornalista Regina Zappa reuniu os dois no programa Estação Sabiá, na TV 247, para lembrar de Zuzu, que teria completado 100 anos no último dia 5. Ela foi morta em 1976, em acidente simulado, depois de incomodar o governo por anos, atrás de respostas sobre o paradeiro do filho Stuart Angel Jones, também assassinado pelo regime. Assim, as lembranças daquele tempo remeteram à violência cotidiana de agora. Chico, inclusive, mostrou-se especialmente preocupado com o que pode acontecer no país, ao falar da impunidade de ontem, que levou à de hoje. “Todo mundo sabia que o Bolsonaro era a favor da tortura, que o Mourão era a favor, e o Ustra era o herói deles. As coisas vão continuando. Evidentemente, é uma consequência.” O cantor e compositor também vê riscos reais de censura à livre circulação de ideias, citando especificamente sites “de esquerda, de oposição ao governo”. “A gente sabe que estão preparando um golpe”, afirmou. “Além da autorização que tem lá de cima para continuar a haver um morticínio.” “Não há mais civilização” Já no final da live, de pouco mais de uma hora, Chico mostrou indignação. Citou o episódio de uma deputada de Minas Gerais que denunciou a morte da jovem Kathlen Romeu, no Rio, e por causa disso foi atacada por colegas parlamentares. “Não há a menor compaixão, entende? É um fim de linha. Não há civilização mais que resista. Então, eu fico torcendo, primeiro, pra cair esse homem, de uma vez, pra parar de morrer tanta gente, e pra ver se é possível reeducar as nossas polícias e ver como estão se formando esses oficiais do Exército. Porque esses oficiais que estão no poder hoje foram criados pela ditadura passada. Então, imagina o que está criando hoje nas academias. (…) Um general moleque dá um soco na mesa, a República treme. A gente está sujeito a esse tipo de coisa. Não pode mais. (…) No Uruguai, na Argentina, no Chile, isso não aconteceria. Eles não voltariam assim com essa desfaçatez, achando que são donos deste país. Não são donos porra nenhuma. Não são nada.” Chico citou ainda o marechal Henrique Teixeira Lott, candidato à presidência em 1960 e voz da legalidade dentro das Forças Armadas, como exemplo de dignidade no meio militar. Com isso, mais uma vez, lamentou o momento atual. “Isso parece que sumiu, ou então baixaram a cabeça e são voto vencido lá dentro das Forças Armadas”, afirmou. “Porque a gente não vê uma manifestação de dignidade por parte de algum oficial do Exército, da Marinha ou da Aeronáutica (…). Não há vergonha.” Um bilhete: vão me matar Logo na início da conversa, Chico Buarque se emocionou, parando para enxugar lágrimas, ao lembrar de sua relação com Zuzu Angel, que ele definiu como “misteriosa”. Disse que a estilista não era uma mater dolorosa, mas “alegre, agitada”. Recordou que Zuzu dava camisetinhas para suas filhas com a atriz Marieta Severo. Quando Stuart Angel foi morto, Zuzu aproveitou sua condição de estilista e sua proximidade com a elite social para divulgar o episódio, inclusive nos Estados Unidos – seu marido era norte-americano. Um ano antes da morte da estilista, Chico recebeu um bilhete de Zuzu dizendo que, se ela morresse, os responsáveis seriam os mesmos que haviam matado seu filho. Denunciou isso repetidamente, mas esbarrava na censura. “Era enlouquecedor. Você falava, falava, falava, e não saía em lugar nenhum.” “Ninguém falou nada” Depois do atentado disfarçado de “acidente” automobilístico que matou Zuzu Angel, em abril de 1976, Chico Buarque lembrou do bilhete e conversou com o escritor Paulo Pontes, com quem trabalhava na época (escreveram juntos a peça Gota d’Água). Pontes sugeriu procurar Zuenir Ventura, que Chico não conhecia. Decidiram distribuir cópias dos bilhetes. Tiveram o cuidado de fazer as cópias longe do Rio, na região serrana. Foram distribuídas 100, para deputados e jornalistas. “Ninguém falou nada”, lembra Chico, para quem seria necessário existir “outra Zuzu” para denunciar o que aconteceu com Zuzu. Posteriormente, já com a instalação da Comissão Nacional da Verdade, foi comprovada a responsabilidade de agentes do Estado na operação que levou à morte da estilista. A União, inclusive, foi condenada a pagar danos morais à família. Uma música para sempre A jornalista Hildegard acredita que sua mãe fez uma espécie de “transferência” de Stuart para o artista, “talvez por tudo o que o Chico significava, por músico da resistência, naquele momento, e também pelo afeto de disponibilizar o seu tempo, o seus ouvidos, sua casa, a escutar aquela mulher desesperada. E também aquela música que eternizou…”, disse, também se emocionando. Em 1977, Chico pôs letra em uma melodia de Miltinho, do MPB-4, criando assim a canção Angélica, que fala de Zuzu e do filho, cujo corpo nunca foi encontrado. A canção só foi incluída no álbum Almanaque, de 1981. “Quem não viveu a ditadura, ou quem viveu a ditadura se abstraindo, não imagina o que era isso. “Em casa, nós vivíamos sob permanente toque de silêncio. (…) “Não se podia falar sobre isso.” Ela se recorda que a mãe falava enquanto dormia, sempre chamando o filho pelo apelido familiar: “Tuty, Tuty, Tuty”. “Isso era a noite inteira. Mas de manhã ela acordava, colocava um disco… (…) A vida era musicada. Tinha essa mistura. Não era uma casa infeliz, era uma casa reprimida pelo momento. Mas nós tínhamos aquela alegria da mamãe, aquela roupas coloridas com pássaros, que nos alimentava também.” Personificação do incômodo Para Hildegard, mesmo com a percepção de que o filho tinha de fato morrido, Zuzu quis manter o que ela chamou de “performance da busca”, porque seria uma forma de sensibilizar e chamar a atenção para o que estava acontecendo no Brasil. Assim, ela se aproximou inclusive de mulheres de militares de alta patente. “E o Chico tem
Bolsonaro mente sobre Coronavac e defende tratamento precoce ineficaz contra Covid

Presidente também fez novas críticas à CPI da Covid e acenou com sua base radical de seguidores e voltou a defender que a liberação para posse estendida de armas em propriedades rurais, O presidente Jair Bolsonaro espalhou uma desinformação sobre a Coronavac, vacina contra Covid-19 desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan. “Não tem comprovação científica ainda”, disse o presidente, durante entrevista concedida na noite dessa terça-feira (15) à SIC TV, afiliada da RecordTV em Rondônia. A CoronaVac, contudo, já passou pelos testes de fase três e teve o uso emergencial aprovado não só pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em 17 de janeiro, mas também pela Organização Mundial da Saúde (OMS), após apresentar dados de eficácia. Segundo Bolsonaro, a vacina da Pfizer “tem mais credibilidade que a que foi e está sendo distribuída aqui”, em uma referência à Coronavac, que foi o primeiro imunizante aplicado no País e, até hoje, é distribuída em volume muito maior em relação às doses do laboratório americano. Apesar de relatar “credibilidade” da vacina da Pfizer, Bolsonaro e seu governo demoraram meses para responder às ofertas de doses da farmacêutica. Em um novo aceno à sua base mais radicalizada, Bolsonaro ainda voltou a defender o chamado “tratamento precoce” para a Covid-19 – a utilização de medicamentos sem eficácia comprovada contra a doença. “A indústria farmacêutica não se preocupa com remédios que são baratíssimos, se preocupa com vacinas, que são caras”, disse o presidente, durante a entrevista. “Sempre defendemos o tratamento precoce após ouvir médicos”, ressaltou. Questionado sobre a possibilidade do Ministério da Saúde atender à demanda por um parecer que flexibilize o uso de máscaras por vacinados e já infectados, hipótese aventada na semana passada e criticada por especialistas, Bolsonaro ironizou. “Quem não dispensar a pessoa que está vacinada de usar máscara é negacionista, não acredita na vacina”. Em seguida, o presidente disse que as multas para quem é flagrado sem utilizar máscaras no Estado São Paulo, como ele foi no último sábado em sua “motociata”, tornaram-se um “negócio lucrativo” para o governador João Doria (PSDB). Bolsonaro também fez novas críticas à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid. “Nasceu capenga, a começar pelo presidente Omar Aziz, cuja esposa foi presa. O relator é Renan Calheiros, que tem inquéritos no Supremo”. O líder do Palácio do Planalto, por outro lado, chamou de “louvável” a postura de sua tropa de choque no colegiado, citando nominalmente os senadores Marcos Rogério (DEM-RO), Luis Carlos Heinze (PP-RS) e Jorginho Mello (PL-SC). Armas Bolsonaro voltou a defender que a liberação para posse estendida de armas em propriedades rurais, válida para todo o imóvel e não apenas sede da fazenda, ajudou a coibir as invasões de terras. Durante entrevista, o presidente também destacou a ampliação do arsenal de armas à disposição da população civil. “(Temos) também armas de calibre um pouco maior. Não são fuzis ainda, mas são armas bastante próximas disso. Isso tem levado tranquilidade ao campo”, afirmou. Em 2019, quando assumiu o governo, o presidente chegou a publicar decreto que ampliava o acesso de qualquer cidadão a armas de fogo, inclusive fuzis de assalto. Apesar do documento, a compra de fuzis acabou vetada pelo Exército Brasileiro, ao qual coube a tarefa de regulamentar o acesso. Na decisão, o braço das Forças Armadas manteve, entretanto, a previsão de uso de pistolas de calibre 9mm e .45, antes de uso restrito das forças de segurança. Bolsonaro também comentou a autorização do Ministério da Justiça nesta terça-feira para uso da Força Nacional de Segurança em Rondônia por causa de conflitos agrários. “Alguns podem não gostar, mas temos um projeto no Congresso, que, acho que se aprovar, resolve em definitivo, chama-se: excludente de ilicitude”, afirmou. Segundo o presidente, a aprovação do texto seria “um fator de inibição para estes marginais”. Agência Estado
E-mails mostram empenho maior para comprar cloroquina do que vacinas

O esforço brasileiro pela cloroquina continuou mesmo após pesquisas apontarem a ineficácia do medicamento no combate à Covid-19 (Leopoldo Silva/ABr) Celeridade para a aquisição de medicamento sem eficácia comprovada fica evidente em mensagens trocadas entre a diplomacia brasileira e representantes indianos Troca de e-mails entre a diplomacia brasileira e a chancelaria indiana e representantes de farmacêuticas do país asiático mostra a agilidade com que o governo de Jair Bolsonaro buscou adquirir hidroxicloroquina para o tratamento da Covid-19, medicamento sem eficácia comprovada contra a doença. Algumas mensagens foram respondidas pelo governo brasileiro em 15 minutos, à noite e até em fins de semana. O esforço pelo medicamento se contrapõe à postura do Executivo em relação às vacinas. No caso da Pfizer, o governo demorou pouco mais de dois meses para responder aos contatos da empresa. A série de 54 e-mails expõe a postura proativa do governo brasileiro para liberar cargas de matéria-prima da hidroxicloroquina a empresas que fabricam o medicamento no país. As mensagens foram enviadas pelo ministro-conselheiro da Embaixada do Brasil na Índia, Elias Antônio de Luna e Almeida Santos, segundo na hierarquia do posto diplomático. “Estamos acompanhando esta questão com muita atenção”, disse em um e-mail de 31 de março ao diretor de uma empresa fornecedora de hidroxicloroquina. Em outro, o diplomata brasileiro pediu “a maior urgência possível” a um representante de uma farmacêutica sobre o preenchimento de documentos. Os documentos sigilosos, em poder da CPI da Covid, foram obtidos pela agência de dados Fiquem Sabendo, especialista em Lei de Acesso à Informação. Os e-mails foram trocados entre março e junho de 2020. No dia 11 de abril de 2020, um sábado, Gaurav Kumar Thakur, secretário para América Latina e Caribe do Ministério das Relações Exteriores da Índia, escreve a Santos para oferecer uma carga de “50 lakhs” – unidade de medida indiana, equivalente a 100 mil – de comprimidos de hidroxicloroquina já prontos, uma vez que havia uma demanda brasileira pela matéria-prima do medicamento pendente de liberação. Não levou oito horas para que o funcionário do Itamaraty respondesse que “o governo brasileiro demonstrou interesse na oferta”. “Independentemente dessa generosa possibilidade que o governo da Índia está abrindo ao Brasil, nós reiteramos que continuamos a buscar as permissões de exportação para a matéria-prima de hidroxicloroquina que permitirá aos fabricantes brasileiros produzirem para si quantidades adicionais de comprimidos de hidroxicloroquina”, afirma Santos às 20h40 (no horário local) do mesmo dia. No dia seguinte, na noite de domingo, o funcionário do Itamaraty envia um segundo e-mail cobrando agilidade do colega indiano por informações sobre a empresa que forneceria os comprimidos de hidroxicloroquina. “Se você pudesse fornecer os detalhes até amanhã de manhã ficaria muito grato, para que possamos iniciar contatos diretos com eles.” Duas semanas depois, no dia 25 de abril, em outra troca de e-mails também num sábado à tarde, Santos levou apenas 15 minutos para responder à dúvida de um funcionário de um laboratório indiano que providenciava a remessa dos produtos ao Brasil. Em 30 de maio, outro sábado, Santos cobrou de funcionários indianos a mesma disposição para trabalhar aos fins de semana. Ele escreve a Nitish Suri, autoridade do comércio exterior do governo da Índia, e pede redução de prazo para uma remessa ao Brasil. “Desculpe por escrever em um sábado. Com relação às mensagens anteriores, seria possível que essa autorização fosse emitida ainda hoje?”, escreveu. A agilidade em conseguir o medicamento sem eficácia comprovada não se resumiu ao funcionário da embaixada brasileira. Num e-mail que tinha Santos entre os destinatários, T.C. Reddy, diretor de uma farmacêutica indiana, sugeriu a empresários brasileiros que, gentilmente, “pressionassem Bolsonaro” a falar com o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, para liberar a carga de hidroxicloroquina. “Gentilmente pressione o presidente do seu país (Brasil) também para falar com o nosso primeiro-ministro para permitir importações por motivos humanitários para o fornecimento de remédios para brasileiros que sofrem de pandemia Coronavírus”, afirmou T.C. Reddy em 6 de abril. O apelo do presidente a Modi, porém, já havia ocorrido dois dias antes, como o próprio presidente brasileiro registrou no Twitter. “Nossos agradecimentos ao primeiro-ministro da Índia @narendramodi, que, após nossa conversa por telefone, liberou o envio ao Brasil de um carregamento de insumos para produção de hidroxicloroquina”, postou Bolsonaro na ocasião. O esforço brasileiro pela cloroquina continuou mesmo após pesquisas apontarem a ineficácia do medicamento no combate à Covid-19. Em 20 de maio do ano passado, a Sociedade Brasileira de Infectologia publicou um informe no qual afirmava que os “estudos clínicos com cloroquina ou hidroxicloroquina não mostraram eficácia no tratamento farmacológico de covid-19 e não devem ser recomendados de rotina”. Quinze dias depois, no dia 5 de junho, Santos enviou e-mails a duas empresas indianas para saber preço, quantidade e prazo para entrega de difosfato de cloroquina, um dos componentes do medicamento. Na mesma época, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciava que o Instituto Butantan produziria uma vacina em parceria com a biofarmacêutica chinesa Sinovac. Aliados de Bolsonaro usaram o fato para atacar o adversário político do presidente e pregar contra o imunizante. “Sou paulistano e faço um apelo a meus familiares, aos quais desejo todo o bem do mundo: não tomem a vacina chinesa do Doria!”, postou no dia 12 de junho do ano passado o presidente da Fundação Palmares, Sérgio Camargo. Vacinas O investimento de Bolsonaro para obter cloroquina, em vez de priorizar a busca por vacinas, é uma das frentes de investigação da CPI da Covid, que apura falhas e omissões do governo federal no combate à covid-19. Até agora, a comissão já recebeu 935 conjuntos de documentos, que somam 1,2 terabyte de informações. Além das provas documentais, os senadores também contam com os relatos colhidos nas sessões para comprovar a responsabilidade do governo federal no descontrole da pandemia. Em depoimento à comissão, o ex-presidente da Pfizer no Brasil Carlos Murillo informou aos senadores que nove ofertas de vacinas, feitas em cinco datas diferentes, ficaram sem resposta. O primeiro e-mail foi enviado no dia 26 de agosto ao Ministério da
CPI quebra sigilo de Pazuello, Ernesto Araújo, laboratórios, empresários e gabinete paralelo

A CPI da Covid ‘quebrou geral’ os sigilos telefônicos e telemático de empresários bolsonaristas, laboratórios, políticos e de empresas que faturam alto na pandemia. A comissão de inquérito aprovou nesta quinta-feira (10) a quebra dos sigilos telefônico e telemático dos ex-ministros Eduardo Pazuello (Saúde) e Ernesto Araújo (Relações Exteriores). Também são alvos da transferência de dados a secretária do Ministério da Saúde Mayra Pinheiro, o assessor internacional da Presidência da República, Filipe Martins, o empresário Carlos Wizard e o virologista Paolo Zanotto. Os dois últimos são apontados como integrantes de um “gabinete paralelo” que orientava o presidente Jair Bolsonaro no enfrentamento ao coronavírus. O senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) é o autor de 21 dos 23 requerimentos aprovados. Para ele, Eduardo Pazuello “é personagem essencial” na investigação, por ter recorrido a “indefensáveis escusas” para não comprar vacinas. Ainda segundo o autor do requerimento, o ex-ministro “não envidou os esforços necessários para conter o colapso da saúde” em Manaus (AM) em janeiro deste ano. A quebra dos sigilos de Ernesto Araújo busca apurar “uma lamentável negligência do ex-chanceler para conseguir vacinas e insumos para o Brasil”. “A transferência dos dados permitirá avaliar os esforços que foram ou não envidados, a autonomia ou não de sua atuação, a existência ou não de planejamento”, argumenta Alessandro Vieira. “Gabinete paralelo” Outros dois alvos da quebra de sigilo são Carlos Wizard e Paolo Zanotto, apontados como integrantes do “gabinete paralelo”. Alessandro Vieira argumenta que Wizard era “mais do que um mero conselheiro” do ex-ministro Eduardo Pazuello. Segundo o parlamentar, há “indícios de que (o empresário) tenha mobilizado recursos financeiros para fortalecer a aceitação das medidas que o presidente da República julgava adequadas, mesmo sem qualquer comprovação científica”. O autor do requerimento lembra ainda que, durante reunião com Jair Bolsonaro, o virologista Paolo Zanotto recomendou “tomar um extremo cuidado” com o uso de vacinas. O virologista também admitiu ter enviado uma carta a Arthur Weintraub, ex-assessor do presidente da República. Na correspondência, ele sugere a formação de um shadow cabinet (gabinete das sombras) para orientar o Palácio do Planalto na pandemia. A transferência de sigilo telefônico e telemático da médica Nise Yamaguchi estava na pauta, mas não chegou a ser votado. Ela também estava na reunião entre Paolo Zanotto e outros integrantes do “gabinete paralelo” com Jair Bolsonaro. Os senadores aprovaram ainda a quebra dos sigilos do tenente-médico da Marinha Luciano Dias Azevedo. Segundo o senador Alessandro Vieira, o militar “foi o autor da minuta de decreto que teria como objetivo alterar a bula da cloroquina”. O tema foi discutido durante reunião no Palácio do Planalto. Outros alvos da CPI A CPI da Covid aprovou a quebra dos sigilos telefônico e telemático da secretária de Gestão do Trabalho e Educação do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro. Em mensagem enviada à Prefeitura de Manaus no ápice da pandemia, ela avaliou que seria “inadmissível” a não utilização de medicamentos como cloroquina e ivermectina, drogas sem eficácia comprovada contra a covid-19. Os senadores também quebraram os sigilos do assessor internacional da Presidência da República, Filipe Martins. Segundo Alessandro Vieira, “há suspeitas fundadas” de que Martins integrava o “famigerado gabinete do ódio”. De acordo com o parlamentar, a “máquina de mentiras e difamação” do Palácio do Planalto pretende “destruir a reputação de qualquer pessoa que defenda a aquisição de vacinas ou combata o chamado ‘tratamento precoce’”. Um requerimento do senador Humberto Costa (PT-PE) prevê a transferência de dados do auditor afastado do Tribunal de Contas da União (TCU), Alexandre Figueiredo Costa e Silva. O servidor introduziu, de forma não autorizada, no sistema do TCU um documento que coloca em dúvida o número de óbitos por covid-19 no Brasil. A informação foi desmentida pelo TCU, mas, antes, foi citada pelo presidente Jair Bolsonaro para minimizar o impacto do coronavírus. Veja quem caiu na malha fina da CPI da Covid, que aprovou as seguintes quebras dos sigilos telefônico e telemático: Ministério da Saúde • Francieli Fontana Sutile Tardetti Fantinato, coordenadora-geral do Programa Nacional de Imunizações (PNI) • Hélio Angotti Neto, secretário de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos em Saúde • Arnaldo Correia de Medeiros, secretário de Vigilância em Saúde • Antonio Elcio Franco Filho, ex-secretário-executivo-adjunto • Camile Giaretta Sachetti, ex-diretora do Departamento de Ciência e Tecnologia da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos • Flávio Werneck, ex-assessor de Relações Internacionais • Zoser Plata Bondin Hardman de Araújo, ex-assessor especial Laboratórios • Francisco Emerson Maximiano, sócio da Precisa Medicamentos • Túlio Silveira, representante da Precisa Medicamentos Crise no Amazonas • Marcellus Campelo, ex-secretário de Saúde do Amazonas • Francisco Ferreira Filho, ex-coordenador do Comitê de Crise do Amazonas Pessoas jurídicas Quatro pessoas jurídicas são alvos de transferência de dados mais abrangentes: • Associação Dignidade Médica de Pernambuco (bancário e fiscal) • Profissionais de Publicidade Reunidos (bancário, fiscal, telefônico e telemático) • Calya/Y2 Propaganda e Marketing (bancário, fiscal, telefônico e telemático) • Artplan Comunicação (bancário, fiscal e telemático)
Ciro Gomes e Aécio Neves se unem a Bolsonaro, na Câmara, pelo voto impresso

O Estadão publica nesta quinta uma lista com as posições de voto dos deputados que integram a comissão que analisará a proposta bolsonarista de voto impresso nas eleições de 2022. Além de consolidar o casamento do PDT de Ciro Gomes com a cruzada de Bolsonaro contra a urna, a reportagem revela outra adesão importante. Os dois integrantes do PSDB no colegiado, Aécio Neves e Nilson Pinto, também apoiam a causa bolsonarista. Os tucanos, para quem não lembra, já questionaram a validade do resultado da eleição em 2014, depois de Aécio ter sido derrotado pela petista Dilma Rousseff. O PSB surge num possível meio do caminho, com Júlio Delgado favorável ao projeto bolsonarista enquanto Aliel Machado se diz indeciso, segundo o Estadão. Apenas PT e Rede permanecem ao lado do entendimento do TSE, materializado pelo ministro Luís Roberto Barroso, de rejeição ao discurso bolsonarista de risco de fraude na urna eletrônica.
STF publica decisão da Segunda Turma que decretou a suspeição de Moro no caso de Lula

O acórdão aponta fatos incontestáveis que mostram que o ex-juiz não fez um julgamento justo e imparcial do ex-presidente O Supremo Tribunal Federal (STF) publicou, nesta sexta-feira (4), o acórdão da decisão da Segunda Turma da Corte que reconheceu, a partir de uma petição dos advogados de Lula, a suspeição do ex-juiz Sergio Moro. Com isso, todas as decisões do ex-ministro de Jair Bolsonaro no caso do triplex do Guarujá foram anuladas. A perseguição de Moro impediu o ex-presidente de disputar as eleições de 2018. Além disso, Lula passou 580 dias preso na sede da superintendência da Polícia Federal em Curitiba, de forma injusta e inconstitucional. A decisão, de 411 páginas, aponta, a partir de habeas corpus (HC) apresentados pelos advogados Cristiano Zanin Martins e Valeska Teixeira Martins, no final de 2018, fatos incontestáveis que mostram que Moro não fez um julgamento justo de Lula. Irregularidades O STF ressalta, ainda, o histórico de irregularidades e parcialidades do ex-juiz anterior ao julgamento do petista. A decisão não se utilizou das mensagens da Operação Spoofing. Foi fundamentada em fatos documentados da atuação de Moro durante o processo, como o grampo de advogados e divulgação de escutas ilegais, para decretar a suspeição do juiz Veja a íntegra da decisão Suspeição – Baixar
Brasil faz imenso panelaço contra o ainda presidente Bolsonaro durante pronunciamento

Presidente convocou cadeia nacional de rádio e televisão em meio à pressão da CPI da Covid e das manifestações contra seu governo que tomaram o país Durante seu pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão, na noite desta quarta-feira (2), o presidente Jair Bolsonaro foi alvo, mais uma vez, de fortes “panelaços” realizados em todo o país, assim como aconteceu em todos os seus outros pronunciamentos. Esse tipo de protesto nas janelas ganhou força principalmente em março do ano passado, quando o presidente foi à público para minimizar a pandemia do coronavírus que, apesar de recente à época, já colocava o país todo em alerta. A partir dali, os panelaços passaram a ser feitos semanalmente até meados de abril. Desta vez, os panelaços acontecem em meio ao que pode ser o início de um levante popular contra Bolsonaro iniciado nas manifestações massivas que ocorreram em todo o país no último sábado (29) e também em meio à pressão da CPI do Genocídio, que apura as omissões do governo no combate à pandemia. Em seu discurso nesta noite, Bolsonaro tentou mudar o tom e afirmou que “lamenta” as mortes por Covid, algo que não está habituado a fazer. Confira alguns registros dos panelaços divulgados nas redes sociais. Panelaço em andamento. Centro de SP. pic.twitter.com/aD8sh247Hw — Viomundo (@VIOMUNDO) June 2, 2021 Panelaço #ForaBolsonaro agora em São Paulo. pic.twitter.com/zAqEhReiQJ — UNIÃO NACIONAL DOS ESTUDANTES ????✊???? (@uneoficial) June 2, 2021 FORA BOLSONARO GENOCIDA. Meireles, Fortaleza – CE.#panelaco pic.twitter.com/DuEGHmDiQF — Robs™ ???? #DemocraciaParaSempre (@beruta) June 2, 2021 https://twitter.com/_maribufani/status/1400234068923629575?ref_src=twsrc%5Etfw%7Ctwcamp%5Etweetembed%7Ctwterm%5E1400234068923629575%7Ctwgr%5E%7Ctwcon%5Es1_&ref_url=https%3A%2F%2Frevistaforum.com.br%2Fmovimentos%2Fbrasil-faz-imenso-panelaco-contra-bolsonaro-durante-pronunciamento-veja-repercussao%2F MEU PAÍS CACHAMBI NUNCA ME DECEPCIONA #Panelaço pic.twitter.com/VakadBITjE — atir (@ritac_aa) June 2, 2021 #Panelaço pedindo #ForaBolsonaro em Vitória (via @caiocpr1) pic.twitter.com/BiQGYc2ple — Jeff Nascimento (@jnascim) June 2, 2021
STJ determina quebra de sigilos bancários do governador de Amazonas

Toda a alta cúpula do governo amazonense é alvo de operação de busca e apreensão da Polícia Federal O ministro Francisco Falcão, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), autorizou nesta quarta-feira (2) a quebra dos sigilos bancário e fiscal de empresários, do governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), e do secretário de Saúde do estado, Marcellus Campêlo. O pedido de quebra de sigilos bancário e fiscal foi feito pela Procuradoria Geral da República para permitir “a avaliação da compatibilidade entre os valores movimentados e declarados a receita e a evolução patrimonial dos investigados durante o período objeto da apuração”. O período investigado é referente aos anos de 2020 e 2021. A Polícia Federal realiza na manhã desta quarta uma operação que tem por objetivo investigar supostas irregularidades na construção do hospital de Campanha Nilton Lins, que foi usado no combate à Covid no Amazonas. A investigação busca aprofundar as apurações sobre transações financeiras, rastros que confirmem a participação dos investigados no esquema e mais três crimes: fraude em licitação, desvios de recurso público e associação criminosa. São 19 mandados de busca e apreensão e 6 prisões temporárias; o secretário estadual de Saúde está foragido; toda alta cúpula do governo é investigada O governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), é alvo, na manhã desta quarta-feira (2), de operação da Polícia Federal, de busca e apreensão, que investiga a suspeita de desvio de recursos da Saúde.
O silêncio ensurdecedor da imprensa após atos contra o governo genocida de Bolsonaro

A ‘grande imprensa’ mostra a cara: Globo e Estadão varreram as manifestações para debaixo do tapete O pós-Bolsonaro com Bolsonaro Enquanto o povo vai às ruas contra o presidente, as elites se recolhem, planejando seus lances Luiz Eduardo Soares* O dia 29 de maio de 2021 foi glorioso para a resistência anti-fascista no Brasil. A escala das manifestações nas ruas, apesar dos riscos provocados pela pandemia, representa um marco de magnitude histórica. Por outro lado, no dia seguinte, a grande imprensa nos ofereceu, mais uma vez, o retrato perturbador de suas próprias vísceras expostas. As capas do Globo e do Estadão destacam o “reaquecimento do PIB” e a “reinvenção das cidades turísticas”, respectivamente. A Folha foi mais digna: “Milhares saem às ruas contra Bolsonaro pelo país”, ao lado de foto razoável, embora a reportagem na página A-12 seja decepcionante, um símile político da matéria risivelmente provinciana sobre o jogo da véspera, o empate entre São Paulo e Fluminense. Como interpretar as escolhas editoriais? O que elas nos dizem sobre a posição das elites e seus cálculos? O que o silêncio eloquente confessa? A comparação com 1984 é trivial, mas pertinente. A Rede Globo custou a admitir a existência do maior movimento de massas até então. Por que? Ainda defendia a ditadura? Não, naquele momento não se tratava de abraçar-se ao cadáver insepulto do antigo regime, mas de disputar a direção política do futuro, a hegemonia do dia seguinte, o comando do processo de transição. O que torna as coberturas das manifestações de 29 de maio de 2021 e as de 2016 tão diferentes? Quantas vezes assistimos, perplexos, a reportagens ao vivo da Globo News sobre protestos anti-Dilma em pequenas cidades do interior, nas quais repórteres constrangidos, ante imagens de praças vazias, se esforçavam por convencer os telespectadores sobre a relevância histórica dos acontecimentos que testemunhavam. Tratava-se de objetividade jornalística ou de engajamento na campanha contra Dilma? O endosso absolutamente acrítico à Lava-Jato, dando curso aos vazamentos que provinham dos acusadores, pingando a conta-gotas nos momentos estrategicamente “oportunos”, concorreu para a exclusão de Lula da disputa, a demonização da política e a emergência da mais torpe e vil presidência de nossa história. O remédio converteu-se em veneno, porque foram com muita sede ao pote do golpismo, celebraram o pacto fáustico com os apetites mais selvagens em nome da “Ponte para o Futuro”, tornaram austeridade, desregulamentação, meritocracia e minimalização do Estado o credo supremo de sua comum veneração, dispuseram-se a confundir combate à corrupção com a versão cínica de uma suposta guerra santa da sociedade contra o Estado. A nenhuma leitora, a nenhum leitor minimamente razoável escapará o viés político das operações editoriais, que estruturam hierarquias de relevância, impactando a agenda pública. As fake news mais tóxicas não são as notícias falsas, passíveis de desmascaramento, mas a desonestidade intelectual que injeta, subrepticiamente, opinião na informação. Essa infecção ideológica se realiza sobretudo por meio da seletividade editorial, no modo de apresentar e hierarquizar as informações. Emitir opiniões é legítimo, infiltrá-las de forma solerte, naturalizando-as, é exercício ilegítimo de um poder imenso que assim se corrompe. Qual a finalidade do embuste estampado sem pudor, nas manchetes de hoje? Abraçar-se ao cadáver adiado do fascismo brasileiro? Não, esses órgãos têm sido críticos do governo. Trata-se, a meu juízo, como em 1984, guardadas as óbvias diferenças, de disputar a direção política do futuro, o comando do processo de transição para o pós-Bolsonaro. Com ou sem Lula, até onde irá a reestruturação do Estado, em todos os níveis? Quais as posições relativas dos principais atores econômicos? Qual será a inserção do Brasil no mapa geopolítico? Que posição lhe caberá na divisão internacional do trabalho e da produção? Até onde nos levarão os movimentos negros, feministas, por moradia, pela terra? Haverá ou não – e a que preço; com quais consequências? – o enfrentamento ao que tenho denominado “enclave anti-democrático” da segurança pública e da Justiça criminal? Enquanto o povo vai às ruas, as elites se recolhem, planejando seus lances, e começam, tudo indica, a examinar a hipótese QUEREMISTA: Pós-Bolsonaro com Bolsonaro. Não duvidem, meus amigos, minhas amigas: o ardor moralista desses vetustos patriotas é tão volúvel quanto são elásticos seus elevadíssimos valores. *Luiz Eduardo Soares é antropólogo, cientista político e escritor. Considerado um dos mais importantes especialistas em segurança pública do Brasil, defende a legalização das drogas, a unificação das polícias militar e civil e o fim do encarceramento em massa. Via Dom Total