Sinal amarelo? Só agora, deputado, depois de 300 mil mortes? Por Ricardo Soares*

 Não há aí um superlativo atraso, nada nobre deputado? Onde estiveram vosmecês, legislativos legisladores, desde o outono passado? Preocupados com questões paroquiais, eleições municipais, questão pessoais? Sim! Isso e muito mais Perdoem a expressão, mas só agora vem um Legislativo paspalho falar que ligou o sinal amarelo? Só agora, depois de 300 mil mortes, um ano de angústias e desmazelos, desgoverno e negacionismo, ascensão sem queda do nefasto fascismo caboclo? Sim, não restam mais dúvidas de que esse governo é o pior da história da República mas, convenhamos, esse Legislativo está entre o pior dos piores, sempre elegendo lideranças que menos ameacem o Executivo vigente. E sempre é bom lembrar que o Nhonho que tirou o time e agora posa de brasileiro consciente e solidário colocou o vasto traseiro sobre dezenas de pedidos de impeachment. Sim, já passou do ponto da gota d’água, corações em potes infinitos de mágoa e só agora vem um Legislativo paspalho e diz que acendeu o sinal amarelo? Não há aí um superlativo atraso, nada nobre deputado? Onde estiveram vosmecês, legislativos legisladores, desde o outono passado? Preocupados com questões paroquiais, eleições municipais, questão pessoais? Sim! Isso e muito mais. O problema do país não é só muita saúva e pouca saúde. Mas um coquetel lamentável de omissão e apatia com um Executivo doente, um Legislativo eticamente indecente e um Judiciário biruta de aeroporto que cada hora aponta para um lado. Sinal amarelo? Só agora, deputado? Seria o caso de responder com um trecho do Sinal fechado, do Paulinho da Viola: Olá, como vai? Eu vou indo, e você, tudo bem? Tudo bem, eu vou indo correndo Pegar meu lugar no futuro, e você? Tudo bem, eu vou indo em busca De um sono tranquilo, quem sabe? Pois então deputado e deputados. Sonos tranquilos, quem sabe, né? Porque se depender de vocês não sairemos mesmo do pesadelo dos atrasos. Sinal amarelo só agora, ora… Ricardo Soares é escritor e jornalista. Publicou 9 livros, dirigiu 12 documentários Via Dom Total

General Fernando Azevedo e Silva deixa o Ministério da Defesa após reunião com Bolsonaro

 Fontes do Planalto dizem que o presidente pediu o cargo – General era próximo de Bolsonaro (Marcos Corrêa/PR) O general Fernando Azevedo e Silva não é mais ministro da Defesa do governo Bolsonaro. A saída foi confirmada na tarde desta segunda-feira (29), mesmo dia em que Ernesto Araújo pediu demissão do Ministério das Relações Exteriores. A saída ocorre dois dias antes do aniversário de 57 anos do golpe militar de 31 de março de 1964, que estabeleceu uma ditadura durante 21 anos no Brasil. Na nota, o general afirma que no período em que esteve no governo, preservou “as Forças Armadas como instituições de Estado”. “Agradeço ao Presidente da República, a quem dediquei total lealdade ao longo desses mais de dois anos, a oportunidade de ter servido ao país, como Ministro de Estado da Defesa”, diz nota oficial encaminhada pelo Ministério da Defesa. Fernando Azevedo e Silva teve agenda oficial com o presidente Bolsonaro (sem partido) no começo desta tarde. Fontes do Planalto dizem que o presidente pediu o cargo. Outro militar deve assumir o posto. “O meu reconhecimento e gratidão aos Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, e suas respectivas forças, que nunca mediram esforços para atender às necessidades e emergências da população brasileira. Saio na certeza da missão cumprida”, afirma. Golpe de 64 Então presidente da República, João Goulart foi deposto no dia 31 de março de 1964. O estopim para a sua retirada foi uma revolta na Associação dos Marinheiros e Fuzileiros Navais, que reivindicavam melhores salários. Jango anistiou líderes presos por subversão de ordem, em discurso improvisado considerado subversivo, o que não foi visto com bons olhos pelo Congresso e pelas Forças Armadas. Em matéria publicada na edição de 31 de março, o Estado apontou que “A rebelião dos marinheiros e fuzileiros positivou, com uma clareza que desafia contestação, que a técnica foi rigidamente comunista”, além da “ostensiva infiltração comunista nas Forças Armadas”. Na madrugada de 31 de março, tropas foram mobilizadas em Minas Gerais, estado sob o governo de José de Magalhães Pinto (UDN), um dos principais articuladores da mobilização. Seguiram para o Rio de Janeiro, enquanto o governador do estado da Guanabara, Carlos Lacerda (UDN), também se preparava para batalhar contra tropas favoráveis a Jango. A disputa nunca ocorreu. Em 1.º de abril, Jango saiu de Brasília em direção a Porto Alegre, último Estado a resistir contra o golpe. Seu próximo destino foi o exílio no Uruguai. Assim, o presidente da Câmara dos Deputados, Ranieri Mazzilli, assumiu a Presidência interinamente por 15 dias, antes da Junta Militar chegar ao poder. É comum atribuir ao político gaúcho Leonel Brizola um dos motivos pela ascensão do regime militar em 1964. Brizola era cunhado de Jango, que, desde sua posse, em 1961, após a renúncia de Jânio Quadros, era visto como uma “ameaça comunista” ao País. Esse argumento quase impediu que Jango, eleito vice de Jânio, assumisse o cargo, como prevê a legislação. Ele estava em viagem oficial à China em meio à renúncia de Jânio. Brizola rompeu relações com Jango em 1963, quando tentava se candidatar para o cargo no Ministério da Economia, em meio a uma crise econômica. Ele acreditava que o governo federal deveria se alinhar somente com partidos de esquerda, a fim de evitar radicalmente a mobilização dos militares, enquanto Jango tentava articular relações menos extremistas, com partidos não alinhados completamente à pauta da esquerda. As declarações públicas de Brizola defendendo tanto uma revolução, quanto o fechamento do Congresso Nacional menos de um mês antes da derrubada de Jango, agravaram ainda mais a situação. Nos últimos dias de seu governo, João Goulart enfrentava forte pressão popular. Ele tentava mobilizar seus apoiadores para a aprovação de reformas “na lei ou na marra”, sendo acusado de tentar criar uma “república sindicalista”, ao defender a reforma agrária. Também não foi vista com bons olhos a ida de Mazzilli a São Paulo no dia 31 de março. A viagem, segundo matéria do Estado, indicava “duplicidade do parlamento”, medida que poderia ser estabelecida após aprovação no Plenário da Câmara e do Senado. O presidente da Câmara tentava articular resistência do Congresso distante de Brasília, enquanto lideranças parlamentares falavam em resolver a crise em poucos dias. Via Dom Total

Para não sair na marra, Ernesto Araújo pede demissão antes de sofrer impeachment

Após uma gestão temerosa no Ministério das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, foi forçado a pedir demissão O ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo, pediu demissão do cargo. A informação teria sido repassada pelo próprio chanceler a seus subordinados. A pressão pela substituição de Ernesto Araújo ganhou força entre apoiadores do presidente e parlamentares após o ministro atacar a senadora Katia Abreu (PP-TO), presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado. No domingo (28), Araújo publicou nas redes sociais sobre um almoço que teve com ela no início de março. Ele alegou que teria ouvido dela que se tornaria o “rei do Senado” se fizesse um gesto em relação ao 5G, mas que não fez “gesto algum”. A parlamentar chegou a chamar o agora ex-chanceler de marginal. Em resposta aos ataques, senadores preparavam um um pedido de impeachment contra Araújo por crimes de responsabilidade, que seria apresentado ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta segunda. Entre os crimes citados no pedido de impeachment, há a menção aos frequentes ataques do ministro contra a China, que tratava a Covid-19 como “vírus chinês e “comunavírus”. O documento acusa Araújo “agir de maneira indecorosa, indigna e incompatível com a honra do cargo” na pandemia do coronavírus. Os senadores também acusam Araújo de não ter se empenhado no plano internacional para conseguir vacinas contra a Covid-19 e insumos em tempo hábil. O favorito até então para substituir Araújo é Luís Fernando Serra, embaixador do Brasil na França. No ano passado, ele se disse indignado com as homenagens do país europeu à morte de Marielle Franco e reclamou do caso receber mais atenção do que o homicídio do ex-prefeito de Santo André, Celso Daniel, e a facada contra Bolsonaro durante a campanha presidencial.  

A criminosa estupidez de um boçal – ”Eu quero todo mundo armado! Que o povo armado jamais será escravizado”

O tenente Bolsonaro, dando vazão a mais uma de suas obsessões, ampliou de quatro para seis o número de armas que cada pessoa pode ter. Algumas categorias, como agentes das Forças Armadas, policiais, magistrados e membros do Ministério Público, entre outras, podem ter até oito armas. * Por Lygia Jobim, no site Carta Maior Com a inclusão destas duas últimas categoria o aumento do número de armamento em poder dos civis aumentou 65% em apenas dois anos. Segundo informação do jornal O Globo, civis agora podem comprar fuzis cujo uso era restrito às forças de segurança. O derrame entre a população nesse período foi de cerca de um milhão de armas e estas podem ser compradas pela internet para uso, teoricamente, em tiro esportivo e caça. Mas a liberalização não para por aí. Sempre através de decretos que descaracterizam a Lei do Desarmamento, o laudo de capacidade técnica foi substituído por um simples “atestado de habitualidade” que pode ser emitido por clubes de tiro. A situação é tão grave que as organizações Instituto Igarapé, Instituto Sou da Paz e Conectas Direitos Humanos se uniram para fazer uma denúncia, na última sexta-feira, 19 de março, junto ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, na Suíça: “Apesar dos altos índices de violência armada, o governo brasileiro ampliou o acesso a armas e munições e reduziu a capacidade do Estado de controlar esses arsenais”. Todas estas ações são condizentes com o dito na reunião ministerial de 22 de abril de 2020 na qual, aquele que senta no Planalto, afirmou que era necessário armar a população para “impedir uma ditadura no país”. Nessa reunião exigiu que o então ministro da Justiça, ex-juiz Sérgio Moro e o ministro da Defesa, General Azevedo e Silva, tomassem providências nesse sentido. “Eu quero todo mundo armado! Que o povo armado jamais será escravizado.” Daniel Pereira Santos, comerciante de 24 anos, cuja família tem um supermercado em Itapema, cidade situada no litoral do norte de Santa Catarina, foi morto a tiros, no dia 22 de março, por um cliente. Motivo: ter se negado a atender três pessoas, entre as quais o assassino. Estes queriam entrar no supermercado sem máscara de proteção. O rapaz pediu também que se retirassem da porta do estabelecimento pois estavam provocando uma aglomeração. O caso ainda está sendo investigado para que se chegue à autoria. Bolsonaro, com sua boçalidade, seu negacionismo científico e ético, sua amoralidade cada vez mais vicejante, está disseminando pelo país, de forma consciente e deliberada, armamento para quem, como ele, sofre de uma deficiência que só se satisfaz através das armas.

Minha homenagem póstuma aos 55 anos do MDB – com votos de Ressurreição – Por Requião Filho*

O MDB tentou surfar a onda lavajatista ao mesmo tempo em que, ao assumir a presidência, fez sua militância acatar toda e qualquer decisão nacional. Inclusive decisões que retiravam direitos dos trabalhadores, devaneios frutos de uma agenda imposta pelos bancos, perseguindo aqueles que contrariavam dentro do partido. Tivemos senadores expulsos, ameaças de comissões de ética contra quem pensasse diferente. É esse o MDB que queremos? A ponte para o futuro… levava ao abismo! O partido calou as vozes progressistas, deixou crescer um conservadorismo que, em muitos Estados, resultou em apoios ao Bolsonarismo e à essa direita raivosa, travestida de populismo. As ambições pessoais tomaram conta do partido, em vez de termos um programa sério, que fosse condizente com a nossa base. Não temos um projeto de país do MDB e, o que ocorre, é justamente a serventia perante a indivíduos, que criam e orientam regras apenas para sua própria manutenção, enquanto seus militantes sofrem na ponta do país, destinados a viver com migalhas e favores, como pedintes aos detentores do poder. A militância, por sua vez, ao invés de pautar um programa sério de governo, corre com a tigela em mãos a procura de apresentadores, juízes ou famosos, que possam salvar mais quatro anos de cargos. O partido condiciona para que se precise dele e a militância concorda para poder comer. Aqui no Estado não é diferente, o MDB ainda não reencontrou seu caminho. Com aspirações individuais, governistas – independente de quem seja, vão conquistando o biscoito do dia, apenas para serem chamados de “bons garotos”. Ser ponte de equilíbrio não é se equilibrar em cima do muro. Pra ser do MDB Velho de Guerra tem que ter pulso! *Requião Filho, advogado, é deputado estadual pelo MDB do Paraná.

Ex-assessores de Bolsonaro sacaram 90% dos salários enviados a Flávio e a Carlos

Seis pessoas que tiveram cargos no gabinete de Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados, antes de 2007, sacaram pelo menos 90% dos salários que receberam quando se tornaram, anos depois, assessores de Flávio e Carlos Bolsonaro na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio) e na Câmara Municipal do Rio, respectivamente. Receberam R$ 1,58 milhão e retiraram, em dinheiro vivo, pelo menos R$ 1,41 milhão. Esses seis funcionários tiveram sigilo bancário quebrado pela investigação da “rachadinha” no gabinete de Flávio Bolsonaro na Alerj. Como a quebra começa em janeiro de 2007, depois que essas pessoas já tinham saído da Câmara dos Deputados, não é possível saber o que fizeram com os salários que recebiam do gabinete de Jair Bolsonaro. Procurado, o Planalto disse que não iria se manifestar. O advogado de Carlos Bolsonaro, Antonio Carlos Fonseca, disse que não irá se pronunciar porque os processos estão em sigilo. Frederick Wassef, advogado de Flávio Bolsonaro, afirmou, por nota, que “ao contrário do que tenta induzir a reportagem, Flávio Bolsonaro nunca monitorou os hábitos financeiros e de consumo dos servidores que trabalharam em seu gabinete na Alerj. A forma como administravam as próprias contas era responsabilidade apenas deles. Seria no mínimo absurdo o parlamentar fazer tal tipo de controle e, portanto, não passa de fantasia a ideia de que houve rachadinha em seu gabinete”. Método da rachadinha O UOL teve acesso às quebras de sigilo da investigação da suposta “rachadinha” no gabinete de Flávio Bolsonaro na Alerj, em setembro de 2020, quando ainda não havia uma decisão judicial contestando a legalidade da determinação da Justiça fluminense, e veio, desde então, analisando meticulosamente as 607.552 operações bancárias distribuídas em 100 planilhas -uma para cada um dos suspeitos. O STJ (Superior Tribunal de Justiça) anulou o uso dos dados resultantes das quebras de sigilos no processo contra Flávio, mas o Ministério Público Federal e o MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) recorreram junto ao Supremo Tribunal Federal. Os cálculos do UOL consideram os saques que, com certeza, têm origens nos salários recebidos. Ou seja, não é possível que esses valores sacados sejam fruto de outras fontes de renda. Na série de reportagens “Anatomia da Rachadinha”, o UOL revelou que quatro assessores de Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados sacaram 72% do que receberam. Em seguida, esses mesmos assessores foram trabalhar com Flávio Bolsonaro na Alerj, onde continuaram a sacar a maior parte dos salários. O uso constante de dinheiro vivo levanta suspeitas porque dificulta o rastreio pelos órgãos de controle, apontam especialistas no combate à corrupção e investigadores criminais. Esse padrão foi identificado pelos investigadores do MP-RJ como parte do método usado durante a “rachadinha” na Alerj. A partir dos saques, os salários eram transformados em dinheiro vivo para entregas a operadores da “rachadinha”: nome pelo qual é conhecido o esquema ilegal de devolução de vencimentos de assessores de um político. A prática configura crime de peculato — roubo ou mau uso de dinheiro público. “O senador Flávio Bolsonaro não praticou qualquer tipo de ilegalidade em seus mandatos. Todos os servidores que passaram pelo gabinete do parlamentar foram nomeados de acordo com as regras da Assembleia Legislativa e cumpriam suas funções dentro das normas da casa”, declarou Wassef, por nota. Ana Cristina Siqueira Vale, ex-mulher de Bolsonaro Mudança de padrão Do grupo de seis ex-assessores, pelo menos quatro têm algum grau de parentesco com o presidente Jair Bolsonaro ou com uma de suas ex-mulheres. Juliana Siqueira Guimarães Vargas, prima de Ana Cristina Siqueira Valle, segunda ex-mulher de Jair Bolsonaro, passou pouco mais de três anos na Câmara dos Deputados, entre 1999 e 2003. Imediatamente em seguida, foi trabalhar com Flávio Bolsonaro na Alerj, onde ficou por oito anos, até 2011. Os dados mostram que, entre 2007 e 2011, Juliana recebeu R$ 326 mil da Alerj, entre salários e benefícios, e sacou pelo menos R$ 244 mil (75%). A análise do UOL constatou uma mudança de padrão nos saques de Juliana. Até o começo de 2008, a prima de Ana Cristina sacava praticamente tudo o que recebia da Alerj. A principal forma de retirar o dinheiro era por grandes saques únicos. Mas, a partir do segundo semestre de 2008, Juliana passou a fazer mais saques fracionados, especialmente no valor de R$ 500. Também começou a sacar menos, em torno de 70% do que recebia. Juliana é casada com o coronel do Exército Maurício da Costa Vargas. Hoje, Vargas está lotado no gabinete do Comandante do Exército, em Brasília. Um padrão semelhante de movimentação bancária ocorreu com Michelle Almeida dos Santos. Teve cargo no gabinete de Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados por cerca de oito meses, entre 2002 e 2003. Saiu do posto em Brasília para assumir uma vaga na Alerj, com Flávio Bolsonaro. Ficou três anos, passou um ano fora e voltou para mais quatro anos. No período compreendido pela quebra de sigilo, Michelle recebeu R$ 374 mil da Alerj, entre salários e benefícios. Sacou pelo menos R$ 270 mil (72%). Assim como Juliana, Michelle teve o hábito de sacar, de uma vez só, a maior parte do salário nos primeiros anos do cargo. Isso mudou em 2009, quando passou a fazer mais saques fracionados — principalmente nos valores de R$ 500, R$ 510 e R$ 550. Nos meses que antecederam sua exoneração, seu volume de saques despencou. Saque de todo o salário Dentre os seis ex-funcionários de Jair Bolsonaro, quem mais sacou dinheiro vivo foi Andrea Siqueira Valle. Ela é irmã de Ana Cristina Siqueira Valle. Entre 1998 e 2006, período em que Jair Bolsonaro e Ana Cristina estavam juntos, Andrea teve cargo na Câmara dos Deputados. Depois da exoneração, Ana Cristina ficou com todo o dinheiro acumulado da conta em que Andrea aparecia como titular e recebia o salário da Câmara: saldo de R$ 54 mil — quantia equivalente a R$ 110 mil, em valores de hoje. A conta ficava em uma agência dentro da Câmara, mas Andrea nunca viveu na capital federal. Imediatamente em seguida, Andrea foi trabalhar no gabinete de

Arthur Lira avisa a Bolsonaro que seu impeachment entrou no radar do Congresso

Presidente da Câmara dos Deputados começa a cobrar de Bolsonaro o preço da traição. Lira foi curto e grosso ao mandar recado a Bolsonaro: “todos conhecem o remédio amargo quando não mais governabilidade e que ele costuma ser amargo e fatal”. Depois de duas bolas nas costas, uma com o episódio do médica Ludhmila Hajjar, indicada por ele para o ministério da Saúde e, outra, com o voto ontem de Kássio Nunes Marques que Lira e outros parlamentares do centrão tinham como certo o voto favorável à suspeição de Moro pelo ministro indicado por Bolsonaro ao STF. Mas Bolsonaro fez as contas políticas e preferiu enfrentar o moribundo Moro em 2022 do que Lula que, logo na primeira semana de elegível, pesquisas já mostravam Lula 10 pontos à frente de Bolsonaro tanto no primeiro quanto no segundo turno. Lira já estava profundamente irritado porque se sentiu um idiota com a traição que Bolsonaro que recebeu a médica possível substituta de Pazuello, quando na verdade, já estava decidido, por indicação de Flávio, de Marcelo Queiroga para a pasta. Não deu outra, hoje, em discurso bastante contundente, Lira deixou claro que o impeachment de Bolsonaro entrou no radar no Congresso. O mote para o discurso do presidente da Câmara foram as 300 mil mortes provocadas pelo negacionismo do genocida. Mas, na realidade, o pano de fundo é a política “venha a nós e ao vosso reino nada”, como é prática conhecida de Bolsonaro. Ou seja, o centrão mostrou os dentes para o aliado traidor.

Após um ano da ‘gripezinha’ de Bolsonaro, Brasil ultrapassa 300 mil mortos por covid

Nas últimas 24 horas foram reportadas 1.999 mortes por covid no Brasil, mas em números “maquiados” pela tentativa de Bolsonaro de dificultar o registro oficial de vítimas de seu descaso  Mesmo com tentativa do governo Bolsonaro de reduzir número oficial de mortes, país registra mais 1.999 mortes. Pior momento da pandemia se aprofunda e Fiocruz alerta para urgência de “lockdown” O Brasil ultrapassou nesta quarta-feira (24), a marca de 300 mil mortos pela covid-19. Desde o início do surto, em março de 2020, os registros oficiais apontam 300.675 vítimas, de acordo com o Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass). O órgão recebeu, nas últimas 24 horas, notificações que somaram mais 1.999 óbitos ao trágico balanço da pandemia no país. Entretanto, o número está defasado. Isso porque o governo impôs, também hoje, exigências novas para notificações, sem aviso aos municípios e estados, dificultando o registro total de mortes no período. Horas após a decisão, com a intensa repercussão negativa entre amplos setores da sociedade, o governo recuou. Assim, a distorção dos dados de hoje tende a ser corrigida nos próximos dias. Nas últimas 24 horas também foram reportados 89.414 novos casos de covid no Brasil, totalizando 12.219.433 desde o ano passado. A RBA utiliza informações fornecidas pelas secretarias estaduais, por meio do Conass. Eventualmente, elas podem divergir dos informados pelo consórcio da imprensa comercial. Isso em função do horário em que os dados são repassados pelos estados aos veículos. As divergências para mais ou para menos são sempre ajustadas após a atualização dos dados. Números da covid-19 defasados de hoje (24). Fonte: Conass O aliado do vírus A marca de 300 mil mortes é superada exatamente um ano após o primeiro pronunciamento de Bolsonaro sobre a pandemia em cadeia nacional. Na ocasião, o presidente já mostrou qual seria sua postura ante o surto. Exceção quase única em todo o mundo, ele adotou de imediato a negação da ciência e a ignorância como políticas de governo. Chamou a covid-19 de “gripezinha”, disse se tratar de “verdadeira histeria” propagada pela mídia, cravou que “brevemente passaria” e, num arroubo pessoal e desnecessário, que ele não precisaria se preocupar com o vírus em razão de “seu histórico de atleta”. Desde então, Bolsonaro coleciona descasos mesmo ante a morte diária de centenas de brasileiros, que agora morrem aos milhares. Atuou pessoalmente para que a situação fosse agravada. Estimulou e promoveu aglomerações, disse que o uso de máscaras é “coisa de maricas”, disse que “não compraria e não tomaria” vacinas e passou a estimular os brasileiros a tomar medicamentos comprovadamente ineficazes contra a covid-19, como a cloroquina e a ivermectina. O governo chegou a pressionar para que estados e municípios distribuíssem o chamado “kit covid”, que hoje, é apontado como responsável direto pela morte e adoecimento por hepatite medicamentosa em pessoas saudáveis. Mais mentiras Ontem, Bolsonaro voltou a se pronunciar em rede nacional. Em discurso breve, Bolsonaro voltou a apresentar informações mentirosas sobre a atuação de seu governo ante a pandemia. No dia em que o país contabilizou mais de 3.200 mortes, disse que “o governo não deixou de tomar medidas importantes tanto para combater o coronavírus como para combater o caos na economia”, e disse que o Brasil é o quinto país que mais vacinou no mundo. Bolsonaro “esquece” que as ações de seu governo que dificultam, e até impediram, o combate à covid. O presidente chegou a entrar na Justiça contra medidas de isolamento, que são unanimidade entre a comunidade científica para conter a disseminação do vírus. Além disso, Bolsonaro distorce os dados para confundir a população. Ele baseia sua bravata em números absolutos de vacinas aplicadas no Brasil – cerca de 12 milhões de doses. Porém, na relação de vacinados proporcionalmente à sua população, o país não está sequer entre os 50 que mais vacinaram. O pior momento O Brasil é o epicentro da covid. Ontem, o país foi responsável por um terço das mortes registradas em todo o planeta. Desde o dia 9 de março é o país que registra mais casos e mortes no mundo, superando os Estados Unidos. Enquanto isso, o governo mantém um calendário errático de vacinação, sem precisão e com grande atraso. Tudo provocado pelo negacionismo de Bolsonaro, que preferiu não assinar contratos com as farmacêuticas, no ano passado. Até hoje, 12.793.737 pessoas receberam a primeira dose de uma vacina, ou 6% da população. Destas, 4.334.905 (2% dos brasileiros) estão imunizados com a segunda dose. Mais de 80% das vacinas distribuídas no Brasil são doses da CoronaVac, desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com a chinesa Sinovac. Bolsonaro guerreou abertamente contra esta vacina, chegando a dizer, mais de uma vez, que “não compraria a vacina chinesa do João Doria”, que ela “não transmitia segurança”, que “transformaria a pessoa em jacaré” e poderia provocar “anomalias”. Lockdown De todos os estados do Brasil, apenas Amazonas e Roraima não estão com o sistema de saúde em colapso por falta de leitos para covid neste momento. Diante da realidade trágica, a Fiocruz divulgou, na noite de ontem, nota pedindo isolamento rígido – lockdown – por 14 dias em todos os estados sob colapso. A instituição reafirma que esta é a única forma de reduzir a circular do vírus e assegurar uma redução de 40% no número de internações. “A continuidade dos cenários em que temos o crescimento de todos os indicadores para covid-19, como transmissão, casos, óbitos e taxas de ocupação de leitos de UTI resulta em colapso que afeta todo o sistema de saúde no país e no aumento das mortes por desassistência. Trata-se de um cenário que não é só de uma crise sanitária, mas também humanitária, se considerarmos todos os seus aspectos”, afirma a Fiocruz. Curvas epidemiológicas médias de casos e mortes diárias. Fonte: Conass

MORO PARCIAL: Carmén Lúcia muda voto e suspeição de Moro é aprovada no STF; Lula elegível

 Placar na Segunda Turma ficou em 3 a 2 pela suspeição de Moro e, com isso, processo do triplex do Guarujá que levou Lula à prisão é anulado A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, mudou de posição e votou, em julgamento da Segunda Turma da Corte nesta terça-feira (23), a favor do habeas corpus impetrado pela defesa do ex-presidente Lula que pede o reconhecimento da suspeição do ex-juiz no processo do triplex do Guarujá que levou o petista à prisão. Com o voto de Cármen Lúcia, o placar ficou em 3×2 pelo reconhecimento da parcialidade de Moro, o que leva à anulação de todo o processo, desde a fase de coleta de provas e depoimentos. Com isso, a elegibilidade de Lula, que já havia sido retomada com a anulação do processo por incompetência de vara determinada pelo ministro Edson Fachin, é confirmada. Votaram contra o HC os ministro Edson Fachin e Nunes Marques e, a favor, além de Cármen Lúcia, os ministros Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski. Ao proferir seu voto, Cármen Lúcia disse que mudou de posição pois “outros dados que foram anexados aos autos levaram a uma combinação para mim diferente”, reforçando que “houve parcialidade” por parte de Moro na condução do processo e que todo mundo tem direito a “um julgamento justo”. “Impõe, portanto, o reconhecimento do que aqui é divulgado como suspeição”, declarou. A ministra seguiu, basicamente, o que disse anteriormente o ministro Gilmar Mendes, que afirmou que sequer considerou, em seu voto, as mensagens entre Moro e procuradores da Lava Jato obtidas pela operação Spoofing. Ela citou fatos que já estavam nos autos antes da divulgação das mensagens, como a condução coerção coercitiva de Lula determinada por Moro. Cármen Lúcia frisou, ainda, que ao defender a concessão do HC a Lula, ela está tratando de um caso em específico que não deve atingir outros procedimentos da Lava Jato.

Kassio Marques, indicado por Bolsonaro, vota contra suspeição de Moro e Lula corre risco de ficar fora da eleição

O ministro Kassio Marques, indicado por Jair Bolsonaro, votou contra a suspeição do juiz Sergio Moro. Com isso, o resultado foi de 3 a 2 contra o ex-presidente Lula, a não ser que a ministra Cármen Lúcia mude seu voto. Com isso, Lula corre o risco de ser julgado em velocidade luz em Brasília, ficando fora da eleição de 2022 se condenado em segunda instância. Ao que tudo indica, Kassio Nunes Marques recebeu o telefonema “Muda o voto porque o Lula passou o chefe nas pesquisas”. Celso de Rocha Barros, jornalista, no twitter O habeas corpus não é o instrumento adequado para avaliar a suspeição de um juiz. Kassio Marques, em seu voto. O ministro Kassio Nunes Marques, indicado por Jair Bolsonaro para o STF, já concluiu seu voto, depois de pedir vista do processo em que a Corte considera se o ex-juiz federal Sergio Moro foi ou não parcial na condução dos processos contra o ex-presidente Lula. Ele votou contra a suspeição de Moro. Votaram pela suspeição os ministros Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski. Haviam votado contra, anteriormente, a ministra Carmen Lúcia e o relator Edson Fachin. Porém, isso aconteceu antes que Lewandowski admitisse no processo as provas obtidas pela Operação Spoofing, da Polícia Federal, que apreendeu mensagens trocadas entre Moro e procuradores da Força Tarefa da Lava Jato em Curitiba na posse do hacker Walter Delgatti Neto. Se Moro fosse considerado suspeito, ficaria anulado o processo em que ele condenou Lula por supostamente ter recebido um triplex em Guarujá da empreiteira OAS. A Corte tem o poder de estender a decisão ao caso do sítio de Atibaia, no qual a sentença foi dada pela juíza Gabriela Hardt. A anulação, neste caso, de acordo com o que disse o advogado Pedro Serrano ao Viomundo, poderia cobrir inclusive todo o processo de investigação da Polícia Federal. Neste caso, a PF teria de começar do zero no Distrito Federal, para onde Edson Fachin transferiu os processos do ex-presidente. Fachin, ao anular as quatro ações que correram em Curitiba alegando que não era a jurisdição apropriada, manteve a possibilidade de que as provas fossem aproveitadas nos novos processos a serem movidos. Lula recuperou os direitos políticos, mas a Justiça brasileira moveu-se numa rapidez extraordinária nos casos relativos ao ex-presidente, por isso o temor é de que os processos andem em Brasília em velocidade de luz. Se as provas forem anuladas, no entanto, é certo que o ex-presidente poderia concorrer ao Planalto em 2022 sem condenações. Via Viomundo