Marco Aurélio chama Kassio Nunes de novato e critica liberação de cultos e missas

 Indicado por Jair Bolsonaro para a vaga no STF, Marques atendeu pedido feito pela Associação Nacional de Juristas Evangélicos (Anajure) ao tribunal O decano do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Marco Aurélio Mello, criticou neste domingo (4) a decisão do colega na Corte, Kassio Nunes Marques, de liberar a realização de cultos e missas no pior momento da pandemia de Covid-19 no país, que já matou 330 mil brasileiros. “Pobre Judiciário”, disse o ministro. Chamado de “novato” por Marco Aurélio, o indicado pelo presidente Jair Bolsonaro para a vaga no STF em outubro do ano passado atendeu no sábado (3) um pedido feito pela Associação Nacional de Juristas Evangélicos (Anajure) ao tribunal. “O novato, pelo visto, tem expertise no tema. Pobre Supremo, pobre Judiciário. E atendeu a Associação de juristas evangélicos. Parte legítima para a ADPF (tipo de processo que discute cumprimento à Constituição)? Aonde vamos parar? Tempos estranhos!”, disse Marco Aurélio ao Estadão. O ministro tem aposentadoria marcada para julho, abrindo uma segunda vaga para indicação de Bolsonaro. A medida de Nunes Marques – que proíbe estados e municípios de suspenderem completamente celebrações – destoa de outras decisões do STF, como a que deu autonomia para que governadores e prefeitos decretem ações de isolamento. Com base nisso, o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD), apontou ontem que não seguiria a decisão. Nunes Marques reagiu à declaração de Kalil e o intimou, devendo o prefeito esclarecer em 24 horas as providências tomadas para seguir o entendimento do ministro. Não há previsão de o plenário da Corte analisar o tema. A interlocutores, Nunes Marques alegou que a lógica adotada por Kalil não tem respaldo. Na visão do ministro, o que o plenário decidiu é que compete aos Estados e à União tomar medidas para enfrentar a pandemia, sem no entanto avançar na legalidade dos atos que vêm sendo adotados pelos governantes. Além da reação de Kalil, a posição de Nunes Marques também foi contestada pelo partido Cidadania, que pediu ao presidente do STF, ministro Luiz Fux, que derrube a decisão do colega. A sigla argumentou que a concessão feita pelo ministro cria um “verdadeiro privilégio odioso à liberdade de culto” sobre outras formas de liberdade de associação. O Cidadania ainda levantou outro ponto polêmico que envolve a decisão de Nunes Marques, sobre se a Anajure teria ou não direito (legitimidade, no jargão jurídico) de fazer o pedido à Corte Suprema. A mesma questão foi citada pelo decano da Corte, Marco Aurélio, ao Estadão. “Aonde vamos parar?”, se perguntou o ministro sobre Nunes Marques ter considerado a Anajure como entidade legítima a recorrer ao STF com tal solicitação. Em processos que discutem a constitucionalidade de atos e decisões, a Corte Suprema tem regras sobre quem pode ou não apresentar uma ação desse tipo ao tribunal. Inicialmente, a Advocacia-Geral da União (AGU) alegou que a Anajure não tinha legitimidade para pedir a liberação de cultos e missas pelo País. Responsável por defender judicialmente os interesses do Planalto que se opõe publicamente às medidas restritivas impostas por Estados e municípios, a AGU mudou de posição, como revelou o Estadão. Após a decisão de Nunes Marques, o advogado-geral da União, André Mendonça, enviou uma nova manifestação ao tribunal, agora a favor do direito da Anajure recorrer ao STF no assunto. “Considerando o direito fundamental à liberdade de crença, a justificar a excepcionalidade do caso, registro o entendimento deste Advogado-Geral da União pela atribuição de legitimidade ativa à Requerente, na linha do distinguishing deduzido pelo Sr. Ministro Relator em decisão proferida nesta data”, escreveu o advogado-geral da União. Evangélico, Mendonça é um dos favoritos para assumir a vaga que será aberta em julho, com a saída de Marco Aurélio. Como mostrou o Estadão, a imagem do AGU, por sua vez, está desgastada com a estratégia do Palácio do Planalto de recorrer à Lei de Segurança Nacional (LSN) como instrumento para reprimir opiniões negativas e ácidas contra o governo do presidente Jair Bolsonaro. Agência Estado

Bolsonaro usa André Mendonça, da AGU, e Kássio Nunes aciona PF para obrigar Kalil a liberar cultos em BH

Responsável pela decisão que liberou cultos e missas presenciais a partir deste Domingo de Páscoa, Kássio Nunes, que foi indicado por Bolsonaro ao STF, intimou PF para garantir abertura de igrejas na capital mineira Jair Bolsonaro acionou a Advocacia-Geral da União (AGU), que voltou a ser comandada nesta semana por André Mendonça, para intimar o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD), a cumprir a decisão de Kássio Nunes Marques, ministro que foi indicado pelo presidente ao Supremo Tribunal Federal (STF), deste sábado (3), que libera cultos e missas presenciais em pleno pico da pandemia. Mendonça, que é um dos preferidos de Bolsonaro para ocupar a cadeira que será deixada no STF com a aposentadoria de Marco Aurélio Mello, pede a Nunes Marques “imediata intimação da autoridade recalcitrante, sob as penas da lei”. No entanto, o próprio Nunes Marques já havia decidido, na noite deste sábado, mobilizar a Polícia Federal para permitir a abertura de igrejas e templos na capital mineira. O ministro intimou a Superintendência da Polícia Federal em Minas Gerais “para garantia do cumprimento da liminar deferida nestes autos, caso haja eventual resistência da autoridade municipal ou de seus funcionários em cumpri-la”. Em sua decisão, Nunes Marques ainda acionou a Procuradoria-Geral da República contra Kalil para medidas cabíveis “tendo em vista a gravidade da declaração pública de uma autoridade de que não pretende cumprir uma decisão deste Supremo Tribunal Federal”. Na decisão, Nunes Marques diz que “tendo em vista que foi amplamente noticiada na mídia a intenção do Sr. Prefeito do Município de Belo Horizonte, por meio de sua conta de twitter oficial, de não cumprir a decisão liminar deferida nestes autos, e manifestação da Advocacia Geral da União dando notícia dos mesmos fatos, intime-se a referida autoridade para ciência e imediato cumprimento daquela decisão, devendo esclarecer, no prazo de 24 horas, as providências tomadas, sob pena de responsabilização, inclusive no âmbito criminal, nos termos da lei”. Pelo Twitter, o prefeito da capital mineira, Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD), afirmou que não vai obedecer a decisão do ministro do STF e seguirá se baseando na decisão do plenário da corte, que deu autonomia as prefeitos e governadores para decidirem sobre as ações locais para conter o coronavírus. “Em Belo Horizonte, acompanhamos o Plenário do Supremo Tribunal Federal. O que vale é o decreto do Prefeito. Estão proibidos os cultos e missas presenciais”, tuitou. Em Belo Horizonte, acompanhamos o Plenário do Supremo Tribunal Federal. O que vale é o decreto do Prefeito. Estão proibidos os cultos e missas presenciais. — Alexandre Kalil (@alexandrekalil) April 3, 2021 Via Revista Fórum

Indicado de Bolsonaro atende evangélicos e libera cultos presenciais no pior momento da pandemia

Responsável pela indicação do ministro, Jair Bolsonaro gostou de decisão que contribui para o aumento das mortes por covid-19 no Brasil O ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou neste sábado (3) a realização de cultos e celebrações religiosas presenciais em todo o País, no momento em que o Brasil atinge o pior momento da pandemia do novo coronavírus, com sucessivos recoredes de mortes e contaminações diárias. O ministro atendeu a ação movida ainda em 2020 pela Associação Nacional de Juristas Evangélicos. Nunes Marques determinou que sejam aplicados protocolos sanitários nos espaços religiosos, limitando a presença em cultos e missas a 25% da capacidade do público. “Reconheço que o momento é de cautela, ante o contexto pandêmico que vivenciamos. Ainda assim, e justamente por vivermos em momentos tão difíceis, mais se faz necessário reconhecer a essencialidade da atividade religiosa, responsável, entre outras funções, por conferir acolhimento e conforto espiritual”, observou o ministro em sua decisão. Nessa sexta-feira (2), o Brasil registrou 2.922 mortes nas últimas 24 horas, segundo dados do Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass). Com isso, o número total de vítimas do novo coronavírus chega a 328.206. A curva epidemiológica média de mortes, calculada em sete dias, segue em forte crescimento. Morrem no Brasil diariamente, em média, 3.013 pessoas em decorrência da covid-19. Esse é o segundo maior número já registrado desde o início da pandemia, em março do ano passado. A média móvel só foi maior na última quinta (1º), com 3.117 óbitos em média a cada dia. Bolsonaro celebra decisão de Kassio Nunes, que libera aglomerações em templos em plena pandemia Responsável pela indicação do ministro, Jair Bolsonaro gostou de decisão que contribui para o aumento das mortes por covid-19 no Brasil Chamado de genocida no Brasil e no mundo, Jair Bolsonaro comemorou a decisão do ministro Kassio Nunes Marques, indicado por ele ao Supremo Tribunal Federal, que libera aglomerações em estabelecimentos mantidos por mercadores da fé – o que deve contribuir para o aumento das mortes por covid-19 no Brasil. – CELEBRAÇÕES RELIGIOSAS: Min. Nunes Marques/STF concede medida cautelar para o fim de determinar que: estados, DF e municípios se abstenham de editar ou exigir o cumprimento de decretos ou atos administrativos locais que proíbam a realização de celebrações religiosas presenciais — Jair M. Bolsonaro (@jairbolsonaro) April 3, 2021

Entrevista de Lula a Azevedo foi lição ao “Grupo dos Seis” – Por Fernando Brito

 A entrevista de Lula a Reinaldo Azevedo (vídeo ao final) está “bombando” no Twitter. E foi, de fato, uma entrevista muito significativa, menos pelas perguntas do entrevistador ou pelas respostas do entrevistados. Porque o diálogo entre ambos, objetivamente, foi a prova de que se pode e deve ter diálogos respeitosos e até confluentes entre esquerda e direita no Brasil. Foi, quase que de “bate-pronto” ao manifesto dos “Seis do Centro” que, deliberadamente, excluiu o ex-presidente Lula. Reinaldo, um dos mais ferrenhos adversários do PT, com uma coleção imensa de desaforos e condenações a Lula, não deixou que isso passasse sobre a situação de crise do país e sobre as imposições da ordem democrática. Lula, que tem todas as razões do mundo para sentir-se ofendido pelos impropérios que Reinaldo lhe desfechou, não se serviu da oportunidade para desfolhar rancores. Um diálogo onde, portanto, o interesse público e a conjuntura do país ficaram à frente das divergências. Por que os “Seis do Centro” não se dispuseram ao mesmo diálogo? Como é possível ser de “Centro” sem abrir conversações amplas? Não tiveram todos eles, participação na eleição e no governo de Bolsonaro? Esta é a leitura errada que este grupo faz em relação ao sentimento da população. O apoio a Lula ainda é bem menor que a rejeição a Lula, ainda mais agora em que ele arrancou de si a pecha de condenado. E, por isso, tende a crescer, sobretudo se seus adversários não reconhecerem esta realidade e insistirem numa histeria condenatória que já caiu nos tribunais. A cena política do Brasil, este país conflagrado, dividido (não em partes iguais) entre civilização e ódio pede o que ocorreu esta noite. Os “Seis do Centro” sonham que o antilulismo os porá na disputa eleitoral. O antilulismo, por tudo, é patrimônio de Jair Bolsonaro.

Paixão de Cristo, paixão do mundo: memória e compromisso

A cruz de Jesus é símbolo maior do protesto de Deus contra sistemas e governos violentos. Na foto, protesto da ONG Rio de Paz em agosto de 2020, pelos então 100 mil mortos (Rio de Paz) A maioria da humanidade está vivendo um verdadeiro calvário! Por Élio Gasda – Dom Total As celebrações litúrgicas da Semana Santa acontecem de forma virtual, mais uma vez. No entanto, o distanciamento social e o recolhimento interior podem nos ajudar a despertar a sensibilidade dos cristãos para a via crucis destes tempos de pandemia global. A paixão do mundo atualiza a Paixão de Cristo. A maioria da humanidade está vivendo um verdadeiro calvário! Uma Semana Santa marcada pela dor e desespero de milhares de pessoas. Jesus em seu caminho até Gólgota é acompanhado por muitos peregrinos solitários, sofridos e angustiados. Famílias destroçadas vivendo a dor, a perda, o luto. Como Maria, a mãe que acompanha o Filho agonizante. A esperança na vida nova parece uma utopia distante. Contudo, a crise não é só sanitária. É uma crise generalizada. É econômica, política e social. “Tudo está interligado”. A pandemia e o colapso do sistema de saúde, a explosão do desemprego e da fome, escancaram as reais intenções de um governo essencialmente perverso. Um governo que assume a face mais cruel do capitalismo e sua dimensão brutal que é a concentração de riqueza na mão de poucos. “Essa economia mata!” (Evangelii gaudium, 53). Por que tanto sofrimento? Onde está Deus? Deus está surdo aos nossos clamores? Ou somos nós que estamos surdos aos apelos de Deus? Nos calamos diante da vulnerabilidade humana e do planeta. Papa Francisco nos mostra que “na nossa avidez de lucro, deixamo-nos absorver pelas coisas e nos transtornar pela pressa. Não nos detivemos perante os teus apelos, não despertamos face a guerras e injustiças planetárias, não ouvimos o grito dos pobres e do nosso planeta gravemente enfermo. Avançamos, destemidos, pensando que continuaríamos sempre saudáveis num mundo doente. Agora nos sentimos em mar agitado, implorando: Acorda, Senhor!” Deus não nos abandonou. Deus participa do sofrimento e da luta pela vida de milhares de pessoas nesta Semana Santa. Jesus sofre nos enfermos entubados, nos que clamam por oxigênio, por um leito, por sedativos, e até por uma morte rápida. Jesus sofre no abandono de quem vive nas ruas. Jesus está no motorista das ambulâncias, nas faxineiras e seguranças das UPAs e hospitais. Está presente no trabalho dos médicos e enfermeiros, dos sanitaristas, dos cientistas. Está na oração e no empenho diário daqueles que, de uma forma ou outra, tentam solucionar o problema e levar esperança para os desesperançados. Contudo, Deus não está presente em governos genocidas, insensíveis à dor e ao luto do seu povo. Um governo que cede aos gritos de uma elite egoísta que condena os pobres à cruz da pandemia, da fome e do desemprego, do aluguel, da violência e da exploração desumana do trabalhador, da cruz do feminicídio e do racismo. Deus também não está assentado nas cadeiras de instituições omissas que lavam as mãos como Pilatos e nada fazem para aliviar o peso de tantos Cristos flagelados em sua via crucis. Mataram Jesus usando o nome de Deus! Deus, em Jesus, Se fez humano, sofreu todo tipo de violência. A mesma que hoje se abate sobre os pobres e indefesos. Jesus viveu sua vida para amar e amou até o fim. Foi torturado e condenado à morte por amar sem limites. Muitas vidas dilaceradas, tantas cruzes sobre os pobres! Quando um cristão relativiza o sofrimento do irmão, já deixou de ser cristão. Porque ser cristão é ter a mesma compaixão de Jesus. É ser capaz de sofrer com os que sofrem, de chorar com os que choram. E o Brasil virou um vale de lágrimas, um gigantesco cemitério. A Paixão de Jesus se repete na vida de todos os flagelados pela pandemia, pela fome, abandonados pelos poderes deste mundo. Neles, tocamos a carne de Jesus crucificado. “O ser humano é um reflexo do Cristo, porque foi criado por meio Dele e em vista Dele” (Colossenses 1,15-17). O Tríduo Pascal é o evento mais impactante da história. A cruz de Jesus é símbolo maior do protesto de Deus contra sistemas e governos violentos. Ser cristão é ser discípulo de um torturado, condenado à pena de morte e crucificado. No Brasil, a maioria se diz cristã. Nestes tempos de luto e angústia, que a celebração da Páscoa reforce o compromisso dos cristãos por mais vida, justiça e fraternidade. Cristão de verdade não recua diante da perversidade. Nunca! Muito menos agora! Feliz Páscoa!

O manifesto dos arrependidos é sincero? *Por Fernando Brito

Com o devido “desconto” a Ciro Gomes, que se “só” omitiu no segundo turno, todos os signatários do “Manifesto Pela Consciência Democrática” trazem em seu currículo o apoio à elevação de Jair Bolsonaro à Presidência. E o fizeram por duas circunstâncias que, infelizmente, não desapareceram da mesma forma que desapareceu sua opção pelo “Mito”. A primeira é que seguem praticando, como fica claro na não-inclusão de Lula dos convites a assinar o texto, que é a tentativa de excluir a esquerda do processo politico. É, para usar o verso de Cazuza, o “não me convidaram para esta festa podre”. Ninguém lhes pede autoflagelações, apenas o arrependimento sincero que tornaria crível que não estão contra o monstro porque este os rejeitou, lançou à poeira e os ataca, agora. A segunda, é o fato de que, a Lula, preferem Jair Bolsonaro. Ou, se não é verdade, não têm a coragem de admitir o óbvio: que o ex-presidente é, hoje, a única chance de derrotar o atual presidente nas urnas de 22. Quando se dedicam uma “unidade” no antipetismo, acabam por repetir 2018. É isso que tira a repercussão do que deveria ser um importante gesto de oposição a Bolsonaro: a falta de credibilidade de sua “consciência democrática”, porque democratas conscientes não praticam mesquinharias numa hora gravíssima como a que temos. Imaginem o que seria, por exemplo, Lula recusar-se a dialogar com qualquer um deles: choveriam acusações de “exclusivismos” do petista que, como repetem os comentaristas políticos, não aceitaria diálogo com as demais forças políticas. Porque não é possível dialogar civilizadamente quando se tem, de fato, “consciência democrática”? Hoje mesmo, Lula dará uma entrevista a Reinaldo Azevedo, um dos seus mais ásperos e violentos críticos que, entretanto, não usou isso para defender sua exclusão, pela via da prisão ilegal a que o submeteu Sérgio Moro, da disputa eleitoral. É preciso que algum dos dois seja falso e “mansinho”? Os gaúchos dizem que “lenha boa é a que sai faísca” e na política a polêmica e a discordância não podem pretender ser superiores aos deveres para com a população. Os seis signatários do texto ainda pode deixar de lado seus ódios e discriminações. Porque isso tira a coerência do que dizem e, quem sabe por isso, tirem do que dizem a repercussão que Lula, na sua franqueza, encontra na opinião pública. *Editor do Tijolaço

DIA DO GOLPE – Cinco filmes e livros para ajudar a entender a ditadura militar no Brasil

 Em tempos de atos antidemocráticos, olhar para o passado pode nos dar uma perspectiva de que futuro queremos Em 1º de Abril de 1964, o Brasil dava início a um período que marcaria a sua história: a ditadura militar (1964-1985). No dia anterior, 31 de março, tanques do exército foram enviados ao Rio de Janeiro, onde estava o presidente João Goulart, e deram início ao golpe. Três dias depois, o presidente partiu para o exílio no Uruguai e uma junta militar assumiu o poder no Brasil. Em 15 de abril, o general Castello Branco tomou posse, tornando-se o primeiro de cinco militares a governar o país durante esse período. Assim, iniciou a ditadura militar. Para entender mais sobre esse período da história brasileira, o Brasil de Fato separou uma lista com cinco livros e filmes que podem ajudar a entender melhor o regime militar. Seleção de livros 1. A Ditadura Envergonhada, de Elio Gaspari Durante 30 anos, o jornalista Elio Gaspari reuniu documentos sobre os militares no Brasil. Os arquivos deram origem a um conjunto de cinco volumes que contam a história da ditadura no país. O título se deve ao fato de que “nos primeiros anos após o golpe de 1964, o governo militar ainda relutava em se assumir como uma ditadura, por isso o título A Ditadura Envergonhada. Na obra, o autor reconstitui os momentos mais cruéis do regime, como a prática da tortura contra os opositores e a violência contra os guerrilheiros do Araguaia. Outros títulos que compõem a série de livros elaborados pelo autor são: A Ditadura Escancarada; A Ditadura Encurralada; A Ditadura Acabada; e A Ditadura Derrotada. 2. A Noite da Espera, de Milton Hatoum O livro é o primeiro de uma série com três volumes, um drama familiar que se mescla com a história da ditadura militar. A história conta a saga de Martim, um jovem paulista, que se muda para Brasília com o pai depois de uma separação traumática da mãe. Na capital do Brasil, recém-inaugurada, Martim vira amigo de jovens que são filhos de altos e médios funcionários da burocracia estatal. As descobertas de Martim fazem oposição à dor que sente pela separação da mãe, da qual passa longos períodos sem notícias. 3. Marighella – O guerrilheiro que incendiou o mundo, de Mário Magalhães A biografia que inspirou o filme Marighella, dirigido pelo ator Wagner Moura, levou nove anos para ser escrita. Em 784 páginas, a obra conta a vida, a produção e a militância do baiano que foi deputado federal, poeta e estrategista da guerrilha no Brasil. A biografia de Marighella (1911-69) é também um livro sobre a história política entre as décadas de 30 e 60 do século 20. O militante foi vigiado pela CIA (Agência Central de Inteligência) e monitorado pelo KGB (o Comitê de Segurança do Estado da União Soviética), e ainda assim se manteve ativo ao longo de seus quase quarenta anos de militância. Suas obras são conhecidas mundialmente, principalmente o Minimanual do Guerrilheiro Urbano. 4. A ditadura militar e os golpes dentro do golpe, de Carlos Chagas O jornalista Carlos Chagas (1937-2917) explorou a história contada por jornais e jornalistas para destrinchar o período entre 1964 e 1969, além dos anos que precederam a tomada de poder pelos militares. 5. Infância Roubada: crianças atingidas pela ditadura militar no Brasil, da Comissão da Verdade do Estado de São Paulo “Rubens Paiva” O livro, produzido pela Comissão da Verdade do Estado de São Paulo, revela histórias privadas e álbuns das famílias vítimas da ditadura militar, com foco nas crianças filhas de militantes perseguidos ou mortos. O material tenta rememorar, a partir das histórias das vítimas, como o Estado militar tratou os filhos de seus opositores. A versão digital pode ser lida aqui. Seleção de filmes 1. Cabra Marcado Para Morrer (1984), Eduardo Coutinho Em 1962, Eduardo Coutinho chegou à Paraíba junto com um grupo de integrantes da União Nacional dos Estudantes (UNE). Dias antes, João Pedro Teixeira, líder de uma liga camponesa, foi assassinado a mando de latifundiários da região. O fato atraiu o cineasta, que começou a fazer um documentário sobre a vida de João. Com o Golpe Militar de 1964, as gravações foram interrompidas e, após confisco dos militares, o conteúdo só pode ser resgatado em 1981. Eduardo Coutinho, então, passou a resgatar as memórias dos participantes originais trazendo um panorama do que mudou desde o início das filmagens. Assista ao trailer aqui. 2. O Que é Isso, Companheiro? (1997), Bruno Barreto O filme conta a história um grupo de jovens que se organizam para a luta armada após o decreto do Ato Institucional número cinco (AI-5). Eles decidem sequestrar o embaixador dos Estados Unidos no Brasil para negociar o resgate de militantes presos. O filme retrata o fato verídico na visão de Fernando Gabeira, que participou do caso e relatou em um livro com o mesmo nome. Assista ao trailer aqui. 3. O Dia que Durou 21 Anos (2013), Camilo Tavares O documentário mostra como o governo dos Estados Unidos esteve diretamente envolvido com o Golpe de 1964 e com a ditadura militar no Brasil. O período durou 21 anos até a redemocratização, em 1985. Assista ao trailer aqui. 4. Tatuagem (2013), Hilton Lacerda Em 1978 um grupo de artistas provoca a moral e os bons costumes policiados pela ditadura militar. Em um teatro/cabaré, localizado entre duas cidades do Nordeste do Brasil, eram realizados os espetáculos da trupe, conhecida como Chão de Estrelas. O filme mostra um esfacelamento do regime militar, mas ainda a força da repressão. Assista na Netflix. 5. Zuzu Angel (2006) de Sérgio Rezende O filme que retrata a história de uma mãe que decidiu fazer justiça com as próprias mãos ao descobrir que seu filho foi torturado e morto pela ditadura. Assista ao trailer aqui. Via Brasil de Fato

‘Edith Piá’: Moro, o “conje”, erra nome de cantora francesa e vira piada na internet

Gafe do ex-ministro foi parar no segundo lugar dos trending topics do Twitter; a declaração foi uma tentativa de defender sua parcialidade no caso do tríplex Sérgio Moro cita música de cantora francesa Edith Piaf mas confunde a pronúncia do sobrenome (foto: Ed Alves/CB/D.A Press) O ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro, virou meme nas redes sociais, na noite dessa segunda-feira (29/03), ao cometer um erro quando citou o nome da cantora francesa Édith Piaf em uma entrevista. O advogado pronunciou ‘Piá’ e expressa incorretamente o nome da música ‘je ne regrette rien’. Os internautas não perdoaram as falhas. “Dá para tocar ‘Piá’ ao fundo. Non, je ne ‘me’ regrette rien. Não me arrependo de nada. Foi um trabalho importante, reconhecido pela população brasileira”, disse Moro, ao defender sua conduta na condenação do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT) no caso do tríplex do Guarujá, declarado pela Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), na última terça-feira (23/03), como parcial. A música da francesa falada corretamente seria ‘je ne regrette rien’, mas Sérgio Moro desliza mais uma vez e pronuncia ‘je ne me regrette rien’. E o Moro que pediu pra tocar aquela famosa música da célebre cantora curitibana, a EDITH PIÁ? pic.twitter.com/ehbIzybAoF — Jeff Nascimento (@jnascim) March 30, 2021 Diversos usuários comentaram a declaração, ironizando a gafe do ex-ministro. A repercussão foi tanta que o nome ‘Edith Piá’ ficou em segundo lugar nos trending topics do Twitter. Édith Piaf: cantora francesa– música de salão e de estilo “chanson”;– canto dramático que expressava os momentos trágicos de sua vida. Edith Piá: zagueira do XV de Maringá– jogo duro e entradas maldosas;– combinava resultados com juízes suspeitos. — Leonel Bizu (@leonelbizu) March 30, 2021 Já está disponível nas plataformas digitais a música dessa cantora Edith Piá??? ???????????? — Janja Lula Silva (@JanjaLula) March 30, 2021 Edith Piá é francesa ou gaúcha? — João Marcos Braga (@joaomarcosbraga) March 30, 2021   Queria falar só coisa séria hoje, mas não tenho como não compartilhar o mentiroso do Moro querendo pagar de intelectual, apelando pra Edith PIÁ. pic.twitter.com/wJoZH83aWb — Marcelo Uchôa (@MarceloUchoa_) March 30, 2021 Marcelo Adnet satiriza declaração de Sergio Moro com brincadeira Conhecido nas mídias pelas imitações de figuras políticas brasileiras, o humorista Marcelo Adnet também entrou na brincadeira e publicou um vídeo satirizando a fala de Moro. “Você vê um momento de segurança jurídica que o Brasil está passando, de tranquilidade total, e nesse momento eu cito Edith Piá, aqui no Paraná é Piá mesmo, no momento que ela cantou Ne Me Quite Quack”, zombou Adnet. Edith Piá pic.twitter.com/A2VbHVDrCG — Marcelo Adnet (@MarceloAdnet) March 30, 2021 Conge Outra gafe de Moro, o ídolo dos coxinhas, que também ganhou destaque pelos fiscais da internet, foi quando ele disse “conge”, ao invés de cônjuge, durante sessão na CCJ do Senado. Alguém me explica o que é :“CONGE”“agir SOBRE a violenta emoção….""VIM a ser condenada"Esse é o fino português do exemplar de Juiz da república de Curitiba “In dubio PAU no réu”#Conge #Moro pic.twitter.com/TQdS7za1p4 — Walter (@waafilho) April 2, 2019

Comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica deixam os postos um dia após demissão de ministro

Mudança ocorreu após reunião tensa nesta terça-feira (Isac Nóbrega/PR) Decisão foi comunicada na reunião dos três oficiais com o novo ministro, Walter Braga Netto, e o antecessor, Fernando Azevedo e Silva Um dia antes do golpe militar de 1964 completar 57 anos, o Ministério da Defesa anunciou nesta terça-feira (30) a saída dos comandantes das três Forças Armadas: Edson Pujol (Exército), Ilques Barbosa (Marinha) e Antônio Carlos Moretti Bermudez (Aeronáutica). As saídas ocorrem um dia após o presidente Bolsonaro (sem partido) demitir do general Fernando Azevedo e Silva do comando da pasta. O também general da reserva Walter Souza Braga Netto, que até então comandava a Casa Civil, assumiu o posto. A decisão foi comunicada, segundo a pasta, na reunião dos três oficiais com o novo ministro, Walter Braga Netto, e o antecessor, Fernando Azevedo e Silva. A reunião dos comandantes das Forças Armadas, na manhã desta terça-feira (30) teve momentos de tensão. O reportagem apurou que o mais exaltado no encontro foi o almirante Ilques Barbosa, da Marinha, com reações que beiraram à insubordinação, conforme relatos de presentes. O encontro dos oficiais com Braga Netto foi marcado após o presidente Jair Bolsonaro demitir Azevedo e Silva do Ministério da Defesa, nesta segunda-feira ( 30). O agora ex-ministro resistiu a um alinhamento político das Forças Armadas com o governo. Além do comandante do da Marinha, o do Exército, general Edson Leal Pujol, e o da Aeronáutica, Moretti Bermudes, colocaram seus cargos à disposição. A intenção dos três comandantes com o gesto é deixar claro que não dariam um passo que possa contrariar a Constituição ou caracterizar ingerência nos outros Poderes, o Judiciário e o Legislativo. O nome mais cotado nos bastidores para o lugar de Pujol é o do comandante militar do Nordeste, general Marco Antônio Freire Gomes. Segundo militares que acompanham a negociação, no entanto, para nomear Freire Gomes, Bolsonaro teria de “aposentar” seis generais quatro estrelas mais antigos que ele. Isso porque eles passam à reserva se um oficial mais “moderno”, com menos tempo de Exército, for alçado ao comando.

Um rato acuado ataca: Bolsonaro não se subordinou aos generais nem quando era capitão

Bolsonaro, ministério e militares no início do mandato (Foto: Isaac Amorim/ MJSP) Generais da cúpula militar se lembraram de 1987, um ano que Bolsonaro nunca esqueceu e – acredito – no íntimo do seu ser guardou todo o ódio que sentiu daquela cúpula militar que o prendeu, hoje transformado em vingança Por Plinio Teodoro – Revista Fórum Um rato que se sente encurralado num canto, ataca. Foi isso que Jair Bolsonaro (sem partido) fez ao provocar a saída dos comandantes das Forças Armadas, em fato inédito na História do Brasil. Eleito com a pretensão de agregar os setores golpistas da caserna com os interesses do grande capital neoliberal, sob as bênçãos do conservadorismo neopentecostal – que muitas vezes se confundem numa grande mixórdia -, Bolsonaro acreditou ser super, assim como o status que dera a Paulo Guedes e Sergio Moro, que lhes serviriam para dar amparo a um mentiroso discurso econômico e anticorrupção, até que possam ser descartados como lixo. Mas, o ego de quem se formou politicamente em meio à milícia, à bancada da bala e à politicalha mais rala que existe no Brasil – que pratica despudoradamente rachadinha com os próprios parentes – se impõe sempre que se sente acuado. Nas organizações criminosas é assim. O mais forte sempre se impõe – e isso não tem nada a ver com meritocracia. Preso por 15 dias em 1987 por “atos de indisciplina e deslealdade” com os superiores do Exército, após artigo na revista Veja, Bolsonaro foi convidado a deixar as armas. Se sentiu acuado, com ódio. À época, no comecinho da redemocratização, a alta cúpula militar queria evitar a indisposição de ter que lidar com um aquartelamento, já que boa parte dos soldados aplaudiu Bolsonaro. Foi em meio a esses aplausos que um capitão sem futuro na carreira militar se lançou na política e passou quase 30 anos em meio à lama, tramando formas de enriquecer enquanto agradava com discursos ensandecidos à base que sempre o acompanhou – e que muitas vezes participou das rachadinhas em gabinetes. As Forças Armadas acreditaram em 2018 que um capitão insubordinado poderia ser alçado ao poder após um golpe, gestado em parte na caserna, para impedir a volta da “ameaça comunista”, mesmo que tenham recebido muitas benesses com Lula no poder. Tramaram com Temer. Ameaçaram o STF. Apoiaram uma tresloucada Lava Jato, alinhada com a mídia, assassinando qualquer tipo de reputação que lhes convinha. Aplaudiram e subiram a rampa ao lado de Bolsonaro. Tolos. Acreditaram que havia ali, naquele velho deputado gerado no mais baixo nível da política, a esperança de uma nova política. Encurralado diante do caos que deixou país, empilhando mortos pela inação diante da pandemia e sem poder contar com a milícia de Rio das Pedras, a quem deve realmente lealdade, Bolsonaro tentou fazer das Forças Armadas sua milícia oficial – até que possa armar a horda de bárbaros que doutrinou nas redes sociais. Foi, então, que alguns generais da cúpula militar se lembraram de 1987, um ano que Bolsonaro nunca esqueceu e – acredito – no íntimo do seu ser guardou todo o ódio que sentiu daquela cúpula militar que o prendeu, hoje transformado em vingança. Acuado, Bolsonaro quer comer o prato frio da vingança. Nem que para isso tenha que revirar o lixo da própria história. Como um rato. * Plinio Teodoro é editor de Política da Fórum, especialista em comunicação e relações humanas