Comandantes militares colocam cargos à disposição e se negam a transformar Forças Armadas em milícia de Bolsonaro

Em ambiente de crise nos quartéis, comandantes militares colocam cargos à disposição Os comandantes militares, entre eles o general Edson Pujol, chefe do Exército, colocaram seus cargos à disposição, o que agrava a crise militar do governo Bolsonaro. Ministro da Defesa negou apoio a medidas de exceção insinuadas por Bolsonaro e foi demitido Os comandantes do Exército, Marinha e Força Aérea decidiram colocar seus cargos à disposição do novo ministro da Defesa, general Walter Braga Netto, em uma reunião no começo da manhã desta terça (30). Com isso, acompanham o general Fernando Azevedo da pasta, demitido por Bolsonaro Ministro por negar apoio a medidas de exceção insinuadas pelo titular do Palácio do Planalto. O jornalista Igor Gielow da Folha de S.Paulo destaca em artigo que a crise entre o general Fernando Azevedo e Silva e o presidente da República chegou ao ponto culminante “a partir da semana passada, quando Bolsonaro voltou a insinuar que queria o apoio do Exército para aplicar medidas de exceção como o estado de defesa em unidades da Federação que aplicam lockdowns contra a pandemia”. Os comandantes militares combinaram entregar seus cargos logo após a demissão de Azevedo, mas o substituto no Ministério da Defesa, general Braga Netto, pediu para que eles esperassem e se encontrassem nesta terça (30). A crise militar do governo Bolsonaro pode se agravar se os comandantes das três Armas, Edson Leal Pujol (Exército), Ilques Barbosa (Marinha) e Antônio Carlos Bermudez (Aeronáutica) saírem juntos. A saída do general Pujol é dada como certa, dado o grau de animosidade entre ele e Bolsonaro. Faz tempo que Bolsonaro tenta tirá-lo do cargo.

Nem os militares suportam mais as insanidades do capitão e prometem renúncia conjunta

 Comandantes das Forças Armadas estariam planejando uma saída coletiva Comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica discutem renúncia coletiva do governo após demissão de Fernando Azevedo, o que seria algo inédito na história da República A remodelação ministerial realizada pelo presidente Jair Bolsonaro nesta segunda-feira (29), com a queda do ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, pode levar à saída dos três comandantes das Forças Armadas. Logo após anunciar a demissão – solicitada por Bolsonaro -, Azevedo e Silva se reuniu com os comandantes do Exército, general Edson Pujol, da Marinha, almirante Ilques Barbosa Júnior, e da Aeronáutica, brigadeiro Antonio Carlos Moretti Bermudez. O trio cogita colocar os cargos à disposição do presidente. A posição deve ser tomada em conjunto. Pujol seria o mais próximo da queda. O general irritou Bolsonaro ao se recusar a apertar a mão dele durante cerimônia. Pujol ofereceu o cotovelo, seguindo as diretrizes sanitárias. Quem irá substituir Azevedo Silva será o general Walter Braga Netto, que comandava o ministro da Casa Civil. Luiz Eduardo Ramos, ex-chefe da Segov, assume a Casa Civil. Com Revista Fórum

Defesa reforça pedido para que 2ª Turma do STF julgue processos de Lula

 Cabe ao presidente da 2ª Turma, Gilmar Mendes, pautar questão de ordem Por Luiza Calegari – Conjur A 2ª Turma é o órgão colegiado competente para julgar todos os processos relacionados ao ex-presidente Lula no Supremo Tribunal Federal. Com esse fundamento, os advogados de Lula reforçaram pedido dirigido ao ministro Gilmar Mendes, presidente do colegiado, para julgar uma questão de ordem sobre esse assunto. O pedido foi feito, originalmente, no âmbito da Reclamação 43.007, relatada por Ricardo Lewandowski. O ministro encaminhou o pedido a Gilmar. A defesa quer que a 2ª Turma se declare competente para julgar todos os processos relacionados ao ex-presidente, em respeito ao princípio do juiz natural. A questão de ordem foi pautada para a sessão que definiu a suspeição do ex-juiz Sergio Moro no caso do tríplex do Guarujá, mas não foi apreciada pelo colegiado. Desde então, o ministro Luiz Edson Fachin, relator dos pedidos de Habeas Corpus de Lula, afetou sua decisão sobre a competência territorial ao Plenário. Na semana passada, o presidente do Supremo, Luiz Fux, definiu que esse HC será julgado em abril. “O citado writ, porém, detém como juiz natural, nos termos do precedente firmado na QO AP 618, esse órgão fracionário como competente para processar e julgar os recursos eventualmente interpostos”, argumenta a defesa de Lula, citando o precedente da própria 2ª Turma que decidiu que o relator não pode mudar o órgão colegiado que vai avaliar o caso após o início do julgamento. Por isso, a defesa pede que seja reapresentada em mesa a questão de ordem original, para que a 2ª Turma decida sobre esse ponto, em nome da “isonomia, coerência e segurança jurídica”. Entenda o imbróglio No centro da confusão estão dois pedidos de Habeas Corpus distintos: um sobre a competência territorial para julgamento do ex-presidente (HC 193.726), no qual o ministro Fachin determinou a remessa dos autos para a Justiça federal do Distrito Federal de quatro processos de Lula que tramitavam em Curitiba: o do tríplex do Guarujá, o do sítio de Atibaia, o da sede do Instituto Lula e outro que investigava doações ao mesmo instituto. Quando tomou essa decisão, Fachin tentou decretar também a perda de objeto de um outro pedido (HC 164.493), que questionava a imparcialidade do juiz. Mas a 2ª Turma do Supremo não aceitou essa “manobra”: por maioria de 4 a 1, decidiu apreciar o HC, que deixou, assim, de estar prejudicado; e por 3 a 2 acabou declarando a suspeição do ex-juiz Sergio Moro no caso do tríplex do Guarujá. O que acontece é que, no outro HC, o da competência, a Procuradoria-Geral da República apresentou um agravo. Conforme explica o criminalista Bruno Salles, o agravo tem três pedidos: 1) que seja reconhecida a competência de Curitiba; 2) caso não seja reconhecida, que as decisões passadas sejam convalidadas; e, finalmente, 3) que, se forem indeferidos os pedidos, que seja reconhecida a competência de São Paulo, e não de Brasília. Esse agravo foi afetado ao Plenário pelo ministro Fachin, e será julgado no dia 14 de abril pelos ministros. A defesa de Lula, por sua vez, tinha apresentado um requerimento em outro processo, a Reclamação 43.007, sob relatoria de Ricardo Lewandowski. Os advogados defendem que não cabe ao Pleno, mas, sim, à 2ª Turma referendar ou não as decisões do relator nos pedidos de HC de Lula, especialmente o da competência territorial, que iniciou todo o imbróglio. A defesa lembra que, em questão de ordem na Ação Penal 618, a própria turma decidiu que o relator não pode mudar o órgão colegiado que vai avaliar o caso após o início do julgamento. No HC da incompetência, Fachin mudou três vezes sua posição sobre o órgão competente para analisar a ação constitucional: inicialmente encaminhou ao Plenário, depois, afetou à 2ª Turma, e, agora, mandou novamente para o Pleno. A questão de ordem deveria ter sido julgada pela 2ª Turma na sessão que reconheceu a suspeição, mas não foi apreciada. Os advogados, então, fizeram a mesma requisição no HC da competência. Agora, reforçam o pedido no âmbito da reclamação. Já nas contrarrazões ao recurso da PGR, a defesa do petista sustentou que o ex-juiz Sergio Moro admitiu que o caso do tríplex não tinha relação com a Petrobras. Portanto, não deveria ficar na 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba, conforme entendimento firmado pelo Supremo no Inquérito 4.130. Além disso, os advogados destacaram que o princípio da segurança jurídica, invocado pela PGR, não justifica a manutenção de atos e decisões ilegais. Segundo a defesa, se um juiz sabe que é incompetente e segue atuando no caso, produz atos ilícitos, que não podem ser aproveitados. Clique aqui para ler a petição Rcl 43.007 HC 193.726 (competência) HC 164.493 (suspeição) * Luiza Calegari é editora da revista Consultor Jurídico.

Sinal amarelo? Só agora, deputado, depois de 300 mil mortes? Por Ricardo Soares*

 Não há aí um superlativo atraso, nada nobre deputado? Onde estiveram vosmecês, legislativos legisladores, desde o outono passado? Preocupados com questões paroquiais, eleições municipais, questão pessoais? Sim! Isso e muito mais Perdoem a expressão, mas só agora vem um Legislativo paspalho falar que ligou o sinal amarelo? Só agora, depois de 300 mil mortes, um ano de angústias e desmazelos, desgoverno e negacionismo, ascensão sem queda do nefasto fascismo caboclo? Sim, não restam mais dúvidas de que esse governo é o pior da história da República mas, convenhamos, esse Legislativo está entre o pior dos piores, sempre elegendo lideranças que menos ameacem o Executivo vigente. E sempre é bom lembrar que o Nhonho que tirou o time e agora posa de brasileiro consciente e solidário colocou o vasto traseiro sobre dezenas de pedidos de impeachment. Sim, já passou do ponto da gota d’água, corações em potes infinitos de mágoa e só agora vem um Legislativo paspalho e diz que acendeu o sinal amarelo? Não há aí um superlativo atraso, nada nobre deputado? Onde estiveram vosmecês, legislativos legisladores, desde o outono passado? Preocupados com questões paroquiais, eleições municipais, questão pessoais? Sim! Isso e muito mais. O problema do país não é só muita saúva e pouca saúde. Mas um coquetel lamentável de omissão e apatia com um Executivo doente, um Legislativo eticamente indecente e um Judiciário biruta de aeroporto que cada hora aponta para um lado. Sinal amarelo? Só agora, deputado? Seria o caso de responder com um trecho do Sinal fechado, do Paulinho da Viola: Olá, como vai? Eu vou indo, e você, tudo bem? Tudo bem, eu vou indo correndo Pegar meu lugar no futuro, e você? Tudo bem, eu vou indo em busca De um sono tranquilo, quem sabe? Pois então deputado e deputados. Sonos tranquilos, quem sabe, né? Porque se depender de vocês não sairemos mesmo do pesadelo dos atrasos. Sinal amarelo só agora, ora… Ricardo Soares é escritor e jornalista. Publicou 9 livros, dirigiu 12 documentários Via Dom Total

General Fernando Azevedo e Silva deixa o Ministério da Defesa após reunião com Bolsonaro

 Fontes do Planalto dizem que o presidente pediu o cargo – General era próximo de Bolsonaro (Marcos Corrêa/PR) O general Fernando Azevedo e Silva não é mais ministro da Defesa do governo Bolsonaro. A saída foi confirmada na tarde desta segunda-feira (29), mesmo dia em que Ernesto Araújo pediu demissão do Ministério das Relações Exteriores. A saída ocorre dois dias antes do aniversário de 57 anos do golpe militar de 31 de março de 1964, que estabeleceu uma ditadura durante 21 anos no Brasil. Na nota, o general afirma que no período em que esteve no governo, preservou “as Forças Armadas como instituições de Estado”. “Agradeço ao Presidente da República, a quem dediquei total lealdade ao longo desses mais de dois anos, a oportunidade de ter servido ao país, como Ministro de Estado da Defesa”, diz nota oficial encaminhada pelo Ministério da Defesa. Fernando Azevedo e Silva teve agenda oficial com o presidente Bolsonaro (sem partido) no começo desta tarde. Fontes do Planalto dizem que o presidente pediu o cargo. Outro militar deve assumir o posto. “O meu reconhecimento e gratidão aos Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, e suas respectivas forças, que nunca mediram esforços para atender às necessidades e emergências da população brasileira. Saio na certeza da missão cumprida”, afirma. Golpe de 64 Então presidente da República, João Goulart foi deposto no dia 31 de março de 1964. O estopim para a sua retirada foi uma revolta na Associação dos Marinheiros e Fuzileiros Navais, que reivindicavam melhores salários. Jango anistiou líderes presos por subversão de ordem, em discurso improvisado considerado subversivo, o que não foi visto com bons olhos pelo Congresso e pelas Forças Armadas. Em matéria publicada na edição de 31 de março, o Estado apontou que “A rebelião dos marinheiros e fuzileiros positivou, com uma clareza que desafia contestação, que a técnica foi rigidamente comunista”, além da “ostensiva infiltração comunista nas Forças Armadas”. Na madrugada de 31 de março, tropas foram mobilizadas em Minas Gerais, estado sob o governo de José de Magalhães Pinto (UDN), um dos principais articuladores da mobilização. Seguiram para o Rio de Janeiro, enquanto o governador do estado da Guanabara, Carlos Lacerda (UDN), também se preparava para batalhar contra tropas favoráveis a Jango. A disputa nunca ocorreu. Em 1.º de abril, Jango saiu de Brasília em direção a Porto Alegre, último Estado a resistir contra o golpe. Seu próximo destino foi o exílio no Uruguai. Assim, o presidente da Câmara dos Deputados, Ranieri Mazzilli, assumiu a Presidência interinamente por 15 dias, antes da Junta Militar chegar ao poder. É comum atribuir ao político gaúcho Leonel Brizola um dos motivos pela ascensão do regime militar em 1964. Brizola era cunhado de Jango, que, desde sua posse, em 1961, após a renúncia de Jânio Quadros, era visto como uma “ameaça comunista” ao País. Esse argumento quase impediu que Jango, eleito vice de Jânio, assumisse o cargo, como prevê a legislação. Ele estava em viagem oficial à China em meio à renúncia de Jânio. Brizola rompeu relações com Jango em 1963, quando tentava se candidatar para o cargo no Ministério da Economia, em meio a uma crise econômica. Ele acreditava que o governo federal deveria se alinhar somente com partidos de esquerda, a fim de evitar radicalmente a mobilização dos militares, enquanto Jango tentava articular relações menos extremistas, com partidos não alinhados completamente à pauta da esquerda. As declarações públicas de Brizola defendendo tanto uma revolução, quanto o fechamento do Congresso Nacional menos de um mês antes da derrubada de Jango, agravaram ainda mais a situação. Nos últimos dias de seu governo, João Goulart enfrentava forte pressão popular. Ele tentava mobilizar seus apoiadores para a aprovação de reformas “na lei ou na marra”, sendo acusado de tentar criar uma “república sindicalista”, ao defender a reforma agrária. Também não foi vista com bons olhos a ida de Mazzilli a São Paulo no dia 31 de março. A viagem, segundo matéria do Estado, indicava “duplicidade do parlamento”, medida que poderia ser estabelecida após aprovação no Plenário da Câmara e do Senado. O presidente da Câmara tentava articular resistência do Congresso distante de Brasília, enquanto lideranças parlamentares falavam em resolver a crise em poucos dias. Via Dom Total

Para não sair na marra, Ernesto Araújo pede demissão antes de sofrer impeachment

Após uma gestão temerosa no Ministério das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, foi forçado a pedir demissão O ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo, pediu demissão do cargo. A informação teria sido repassada pelo próprio chanceler a seus subordinados. A pressão pela substituição de Ernesto Araújo ganhou força entre apoiadores do presidente e parlamentares após o ministro atacar a senadora Katia Abreu (PP-TO), presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado. No domingo (28), Araújo publicou nas redes sociais sobre um almoço que teve com ela no início de março. Ele alegou que teria ouvido dela que se tornaria o “rei do Senado” se fizesse um gesto em relação ao 5G, mas que não fez “gesto algum”. A parlamentar chegou a chamar o agora ex-chanceler de marginal. Em resposta aos ataques, senadores preparavam um um pedido de impeachment contra Araújo por crimes de responsabilidade, que seria apresentado ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta segunda. Entre os crimes citados no pedido de impeachment, há a menção aos frequentes ataques do ministro contra a China, que tratava a Covid-19 como “vírus chinês e “comunavírus”. O documento acusa Araújo “agir de maneira indecorosa, indigna e incompatível com a honra do cargo” na pandemia do coronavírus. Os senadores também acusam Araújo de não ter se empenhado no plano internacional para conseguir vacinas contra a Covid-19 e insumos em tempo hábil. O favorito até então para substituir Araújo é Luís Fernando Serra, embaixador do Brasil na França. No ano passado, ele se disse indignado com as homenagens do país europeu à morte de Marielle Franco e reclamou do caso receber mais atenção do que o homicídio do ex-prefeito de Santo André, Celso Daniel, e a facada contra Bolsonaro durante a campanha presidencial.  

A criminosa estupidez de um boçal – ”Eu quero todo mundo armado! Que o povo armado jamais será escravizado”

O tenente Bolsonaro, dando vazão a mais uma de suas obsessões, ampliou de quatro para seis o número de armas que cada pessoa pode ter. Algumas categorias, como agentes das Forças Armadas, policiais, magistrados e membros do Ministério Público, entre outras, podem ter até oito armas. * Por Lygia Jobim, no site Carta Maior Com a inclusão destas duas últimas categoria o aumento do número de armamento em poder dos civis aumentou 65% em apenas dois anos. Segundo informação do jornal O Globo, civis agora podem comprar fuzis cujo uso era restrito às forças de segurança. O derrame entre a população nesse período foi de cerca de um milhão de armas e estas podem ser compradas pela internet para uso, teoricamente, em tiro esportivo e caça. Mas a liberalização não para por aí. Sempre através de decretos que descaracterizam a Lei do Desarmamento, o laudo de capacidade técnica foi substituído por um simples “atestado de habitualidade” que pode ser emitido por clubes de tiro. A situação é tão grave que as organizações Instituto Igarapé, Instituto Sou da Paz e Conectas Direitos Humanos se uniram para fazer uma denúncia, na última sexta-feira, 19 de março, junto ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, na Suíça: “Apesar dos altos índices de violência armada, o governo brasileiro ampliou o acesso a armas e munições e reduziu a capacidade do Estado de controlar esses arsenais”. Todas estas ações são condizentes com o dito na reunião ministerial de 22 de abril de 2020 na qual, aquele que senta no Planalto, afirmou que era necessário armar a população para “impedir uma ditadura no país”. Nessa reunião exigiu que o então ministro da Justiça, ex-juiz Sérgio Moro e o ministro da Defesa, General Azevedo e Silva, tomassem providências nesse sentido. “Eu quero todo mundo armado! Que o povo armado jamais será escravizado.” Daniel Pereira Santos, comerciante de 24 anos, cuja família tem um supermercado em Itapema, cidade situada no litoral do norte de Santa Catarina, foi morto a tiros, no dia 22 de março, por um cliente. Motivo: ter se negado a atender três pessoas, entre as quais o assassino. Estes queriam entrar no supermercado sem máscara de proteção. O rapaz pediu também que se retirassem da porta do estabelecimento pois estavam provocando uma aglomeração. O caso ainda está sendo investigado para que se chegue à autoria. Bolsonaro, com sua boçalidade, seu negacionismo científico e ético, sua amoralidade cada vez mais vicejante, está disseminando pelo país, de forma consciente e deliberada, armamento para quem, como ele, sofre de uma deficiência que só se satisfaz através das armas.

Minha homenagem póstuma aos 55 anos do MDB – com votos de Ressurreição – Por Requião Filho*

O MDB tentou surfar a onda lavajatista ao mesmo tempo em que, ao assumir a presidência, fez sua militância acatar toda e qualquer decisão nacional. Inclusive decisões que retiravam direitos dos trabalhadores, devaneios frutos de uma agenda imposta pelos bancos, perseguindo aqueles que contrariavam dentro do partido. Tivemos senadores expulsos, ameaças de comissões de ética contra quem pensasse diferente. É esse o MDB que queremos? A ponte para o futuro… levava ao abismo! O partido calou as vozes progressistas, deixou crescer um conservadorismo que, em muitos Estados, resultou em apoios ao Bolsonarismo e à essa direita raivosa, travestida de populismo. As ambições pessoais tomaram conta do partido, em vez de termos um programa sério, que fosse condizente com a nossa base. Não temos um projeto de país do MDB e, o que ocorre, é justamente a serventia perante a indivíduos, que criam e orientam regras apenas para sua própria manutenção, enquanto seus militantes sofrem na ponta do país, destinados a viver com migalhas e favores, como pedintes aos detentores do poder. A militância, por sua vez, ao invés de pautar um programa sério de governo, corre com a tigela em mãos a procura de apresentadores, juízes ou famosos, que possam salvar mais quatro anos de cargos. O partido condiciona para que se precise dele e a militância concorda para poder comer. Aqui no Estado não é diferente, o MDB ainda não reencontrou seu caminho. Com aspirações individuais, governistas – independente de quem seja, vão conquistando o biscoito do dia, apenas para serem chamados de “bons garotos”. Ser ponte de equilíbrio não é se equilibrar em cima do muro. Pra ser do MDB Velho de Guerra tem que ter pulso! *Requião Filho, advogado, é deputado estadual pelo MDB do Paraná.

Ex-assessores de Bolsonaro sacaram 90% dos salários enviados a Flávio e a Carlos

Seis pessoas que tiveram cargos no gabinete de Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados, antes de 2007, sacaram pelo menos 90% dos salários que receberam quando se tornaram, anos depois, assessores de Flávio e Carlos Bolsonaro na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio) e na Câmara Municipal do Rio, respectivamente. Receberam R$ 1,58 milhão e retiraram, em dinheiro vivo, pelo menos R$ 1,41 milhão. Esses seis funcionários tiveram sigilo bancário quebrado pela investigação da “rachadinha” no gabinete de Flávio Bolsonaro na Alerj. Como a quebra começa em janeiro de 2007, depois que essas pessoas já tinham saído da Câmara dos Deputados, não é possível saber o que fizeram com os salários que recebiam do gabinete de Jair Bolsonaro. Procurado, o Planalto disse que não iria se manifestar. O advogado de Carlos Bolsonaro, Antonio Carlos Fonseca, disse que não irá se pronunciar porque os processos estão em sigilo. Frederick Wassef, advogado de Flávio Bolsonaro, afirmou, por nota, que “ao contrário do que tenta induzir a reportagem, Flávio Bolsonaro nunca monitorou os hábitos financeiros e de consumo dos servidores que trabalharam em seu gabinete na Alerj. A forma como administravam as próprias contas era responsabilidade apenas deles. Seria no mínimo absurdo o parlamentar fazer tal tipo de controle e, portanto, não passa de fantasia a ideia de que houve rachadinha em seu gabinete”. Método da rachadinha O UOL teve acesso às quebras de sigilo da investigação da suposta “rachadinha” no gabinete de Flávio Bolsonaro na Alerj, em setembro de 2020, quando ainda não havia uma decisão judicial contestando a legalidade da determinação da Justiça fluminense, e veio, desde então, analisando meticulosamente as 607.552 operações bancárias distribuídas em 100 planilhas -uma para cada um dos suspeitos. O STJ (Superior Tribunal de Justiça) anulou o uso dos dados resultantes das quebras de sigilos no processo contra Flávio, mas o Ministério Público Federal e o MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) recorreram junto ao Supremo Tribunal Federal. Os cálculos do UOL consideram os saques que, com certeza, têm origens nos salários recebidos. Ou seja, não é possível que esses valores sacados sejam fruto de outras fontes de renda. Na série de reportagens “Anatomia da Rachadinha”, o UOL revelou que quatro assessores de Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados sacaram 72% do que receberam. Em seguida, esses mesmos assessores foram trabalhar com Flávio Bolsonaro na Alerj, onde continuaram a sacar a maior parte dos salários. O uso constante de dinheiro vivo levanta suspeitas porque dificulta o rastreio pelos órgãos de controle, apontam especialistas no combate à corrupção e investigadores criminais. Esse padrão foi identificado pelos investigadores do MP-RJ como parte do método usado durante a “rachadinha” na Alerj. A partir dos saques, os salários eram transformados em dinheiro vivo para entregas a operadores da “rachadinha”: nome pelo qual é conhecido o esquema ilegal de devolução de vencimentos de assessores de um político. A prática configura crime de peculato — roubo ou mau uso de dinheiro público. “O senador Flávio Bolsonaro não praticou qualquer tipo de ilegalidade em seus mandatos. Todos os servidores que passaram pelo gabinete do parlamentar foram nomeados de acordo com as regras da Assembleia Legislativa e cumpriam suas funções dentro das normas da casa”, declarou Wassef, por nota. Ana Cristina Siqueira Vale, ex-mulher de Bolsonaro Mudança de padrão Do grupo de seis ex-assessores, pelo menos quatro têm algum grau de parentesco com o presidente Jair Bolsonaro ou com uma de suas ex-mulheres. Juliana Siqueira Guimarães Vargas, prima de Ana Cristina Siqueira Valle, segunda ex-mulher de Jair Bolsonaro, passou pouco mais de três anos na Câmara dos Deputados, entre 1999 e 2003. Imediatamente em seguida, foi trabalhar com Flávio Bolsonaro na Alerj, onde ficou por oito anos, até 2011. Os dados mostram que, entre 2007 e 2011, Juliana recebeu R$ 326 mil da Alerj, entre salários e benefícios, e sacou pelo menos R$ 244 mil (75%). A análise do UOL constatou uma mudança de padrão nos saques de Juliana. Até o começo de 2008, a prima de Ana Cristina sacava praticamente tudo o que recebia da Alerj. A principal forma de retirar o dinheiro era por grandes saques únicos. Mas, a partir do segundo semestre de 2008, Juliana passou a fazer mais saques fracionados, especialmente no valor de R$ 500. Também começou a sacar menos, em torno de 70% do que recebia. Juliana é casada com o coronel do Exército Maurício da Costa Vargas. Hoje, Vargas está lotado no gabinete do Comandante do Exército, em Brasília. Um padrão semelhante de movimentação bancária ocorreu com Michelle Almeida dos Santos. Teve cargo no gabinete de Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados por cerca de oito meses, entre 2002 e 2003. Saiu do posto em Brasília para assumir uma vaga na Alerj, com Flávio Bolsonaro. Ficou três anos, passou um ano fora e voltou para mais quatro anos. No período compreendido pela quebra de sigilo, Michelle recebeu R$ 374 mil da Alerj, entre salários e benefícios. Sacou pelo menos R$ 270 mil (72%). Assim como Juliana, Michelle teve o hábito de sacar, de uma vez só, a maior parte do salário nos primeiros anos do cargo. Isso mudou em 2009, quando passou a fazer mais saques fracionados — principalmente nos valores de R$ 500, R$ 510 e R$ 550. Nos meses que antecederam sua exoneração, seu volume de saques despencou. Saque de todo o salário Dentre os seis ex-funcionários de Jair Bolsonaro, quem mais sacou dinheiro vivo foi Andrea Siqueira Valle. Ela é irmã de Ana Cristina Siqueira Valle. Entre 1998 e 2006, período em que Jair Bolsonaro e Ana Cristina estavam juntos, Andrea teve cargo na Câmara dos Deputados. Depois da exoneração, Ana Cristina ficou com todo o dinheiro acumulado da conta em que Andrea aparecia como titular e recebia o salário da Câmara: saldo de R$ 54 mil — quantia equivalente a R$ 110 mil, em valores de hoje. A conta ficava em uma agência dentro da Câmara, mas Andrea nunca viveu na capital federal. Imediatamente em seguida, Andrea foi trabalhar no gabinete de

Arthur Lira avisa a Bolsonaro que seu impeachment entrou no radar do Congresso

Presidente da Câmara dos Deputados começa a cobrar de Bolsonaro o preço da traição. Lira foi curto e grosso ao mandar recado a Bolsonaro: “todos conhecem o remédio amargo quando não mais governabilidade e que ele costuma ser amargo e fatal”. Depois de duas bolas nas costas, uma com o episódio do médica Ludhmila Hajjar, indicada por ele para o ministério da Saúde e, outra, com o voto ontem de Kássio Nunes Marques que Lira e outros parlamentares do centrão tinham como certo o voto favorável à suspeição de Moro pelo ministro indicado por Bolsonaro ao STF. Mas Bolsonaro fez as contas políticas e preferiu enfrentar o moribundo Moro em 2022 do que Lula que, logo na primeira semana de elegível, pesquisas já mostravam Lula 10 pontos à frente de Bolsonaro tanto no primeiro quanto no segundo turno. Lira já estava profundamente irritado porque se sentiu um idiota com a traição que Bolsonaro que recebeu a médica possível substituta de Pazuello, quando na verdade, já estava decidido, por indicação de Flávio, de Marcelo Queiroga para a pasta. Não deu outra, hoje, em discurso bastante contundente, Lira deixou claro que o impeachment de Bolsonaro entrou no radar no Congresso. O mote para o discurso do presidente da Câmara foram as 300 mil mortes provocadas pelo negacionismo do genocida. Mas, na realidade, o pano de fundo é a política “venha a nós e ao vosso reino nada”, como é prática conhecida de Bolsonaro. Ou seja, o centrão mostrou os dentes para o aliado traidor.