Por motivos diferentes, direita também faz carreata contra Bolsonaro

Concentração de automóveis em frente ao estádio do Pacaembu, em São Paulo, para a carreata convocada pelo MBL e o Vem Pra Rua. Pautas mais abstratas (política de alianças e macroeconomia) levou menos manifestantes às carreatas da direita. Mas gestão da pandemia uniu conservadores e progressistas em torno do Fora Bolsonaro. Por Cezar Xavier – Vermelho A direita do Movimento Brasil Livre (MBL) e do Vem Pra Rua preferiu manter suas manifestações aos domingos, como faziam pelo impeachment da presidenta Dilma Rousseff (PT). Assim como os movimentos e partidos de esquerda da Frente Brasil Popular e da Frente Povo Sem Medo, que pediram o Fora Bolsonaro em carreatas por todo o país, neste sábado (23), eles também fizeram buzinaços com automóveis pelas avenidas das principais cidades do país. As mobilizações da direita também estavam programadas por todo o país, mas mostraram-se menos exitosas que aquelas de sábado, quando centenas de cidades participaram com carreatas que reuniam centenas de automóveis. A ideia de reunir automóveis foi uma forma de protestar evitando contágio pelo novo coronavírus. As mobilizações da direita costumam ocorrer aos domingos, devido a parcelas do comércio que permanecem abertas no sábado e não podem participar. O motivo da diferença de tamanho das mobilizações pode ser as pautas levantadas pela direita conservadora. As lideranças falaram em estelionato eleitoral, ou seja, como apoiaram a eleição do presidente Bolsonaro, sentem-se enganados. São contrários à aliança do governo com o chamado “centrão”, grupo de políticos geralmente associado ao fisiologismo e à corrupção. Consideram que Bolsonaro não foi capaz de realizar as pautas econômicas neoliberais defendidas por sua plataformas. Mas concordam com a esquerda em dizer que o governo sabota o combate à pandemia. Em linhas gerais, são essas as motivações levantadas pelo MBL nas redes sociais. Não obstante, é importante observar que foi a primeira vez que o movimento abriu a tradicional faixa do impeachment usada contra Dilma. Durante os primeiros meses do governo Bolsonaro, as manifestações de direita seguiam a agenda de Bolsonaro, defendendo intervenção militar e atacando o Congresso e o Judiciário. Ao dizer, agora, que o pedido de impeachment significa que o movimento “não tem político de estimação”, é apenas meia verdade. Segundo o coordenador-geral da Central de Movimentos Populares (CMP), Raimundo Bonfim, o ato da esquerda progressista tinha quatro pautas: Fora Bolsonaro, Vacina Já, a volta do auxílio emergencial e a proteção do emprego em razão das restrições durante a pandemia. Pautas mais associadas aos problemas concretos da população atualmente, do que as disputas no Congresso e no Palácio. A diferença entre as manifestações foram expressivas. À esquerda, a expectativa dos organizadores era tímida em relação à adesão que acabou ocorrendo. De 300 veículos esperados em São Paulo, compareceram cerca de 2.500 carros, surpreendendo os organizadores do protesto. Importantes cidades do interior paulista participaram dos atos de sábado, como Campinas, Santos, São José dos Campos, São Bernardo do Campo, Jacareí, Bragança e outras cidades. Em São Paulo, a concentração dos manifestantes de direita foi em frente ao estádio do Pacaembu, na zona oeste. No Rio, o ato começou na avenida das Américas e em frente ao Monumento Zumbi dos Palmares, no centro. Em Belo Horizonte, o ato foi marcado na Praça do Papa. Em Cuiabá, a manifestação começou próximo à UFMT (Universidade Federal de Mato Grosso). Em Belém (PA), os carros saíram da avenida da Doca de Souza Franco. No interior de Minas Gerais, houve protestos em Poços de Caldas, enquanto no interior paulista, o ato foi convocado em São José dos Campos, no Parque Vicentina Aranha. Carreata Avenida Paulista#CarreataForaBolsonaro pic.twitter.com/QNX6oGDERF — Honorato (@philliphonorato) January 24, 2021 Rio de Janeiro em carreata Fora Bolsonaro!#DireitaQuerForaBolsonaro pic.twitter.com/lBU1rr07S9 — Vem Pra Rua Brasil (@VemPraRua_br) January 24, 2021 Apesar das diferenças ideológicas, a esquerda não se intimidou e voltou a se manifestar neste domingo. No final da tarde de domingo, um grupo de militantes de esquerda fez uma manifestação em frente ao Palácio do Planalto, em Brasília, pedindo “impeachment já” e “vacina já”. A manifestação foi convocada pelas redes sociais no Distrito Federal e teve faixas pelo impeachment e gritos de “se o povo se unir, Bolsonaro vai sair”. Manifestação rolando agora em frente ao Planalto. Vídeo da Mari que não tem twitter mas no insta é @ maririalves. pic.twitter.com/1EccsGriha — João Frey (@JoaoFrey) January 24, 2021 As manifestações ocorrem confirmadas por pesquisas que mostram a popularidade de Bolsonaro fortemente abalada. Influenciada pela situação da pandemia da covid-19 no País, marcada pela crise no fornecimento de oxigênio na rede de saúde de Manaus (AM), e o fim do auxílio emergencial, a popularidade do presidente caiu. Pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira (22) indicou aumento do número de insatisfeitos com Bolsonaro: 40% da população avalia sua atuação como ruim ou péssima, comparado aos 32% que assim o consideravam na edição anterior da sondagem, no começo de dezembro.
Crônica de um genocídio anunciado – Por Frei Betto

Tudo indica que o Brasil será o último país a ter a sua população imunizada contra a Covid-19 e, em breve, haverá de superar os EUA em número de mortos, devido ao descaso do governo Bolsonaro. Nesta terceira semana de janeiro, já temos mais de 112 mil vítimas fatais. A cada dia, mais de mil pessoas morrem contaminadas pelo coronavírus. Bolsonaro sofre de tanatomania, tendência patológica de satisfação com a morte alheia. Agora a situação se agrava com a falta de oxigênio e leitos nos hospitais. Terrível paradoxo: falta oxigênio aos pacientes dos estados do Amazonas e do Pará, ambos na Amazônia, tida como pulmão do planeta. Muitos morrem por asfixia. E ironia do destino: Maduro, execrado pelo governo, reabastece o Amazonas de oxigênio. Todo esse quadro necrófilo resulta da inoperância de um presidente e de um governo genocidas. O Brasil tem Ministério da Saúde, mas não tem ministro. Desde a posse de Bolsonaro, em janeiro de 2019, os dois médicos que ocuparam o cargo não permaneceram por não concordarem com a indiferença do presidente diante da pandemia e por ele recomendar recursos preventivos sem comprovação científica, como a cloroquina. O atual ministro, general Pazuello, não é médico, e pouco depois de ser empossado admitiu que, até então, desconhecia o SUS, Sistema Único de Saúde, que atende gratuitamente a população e é considerado exemplar. Agora, porém, o SUS está de mãos atadas por falta de vacinas e profissionais de saúde. No início da pandemia, enquanto o mundo se alarmava, Bolsonaro declarava que se tratava de uma “gripezinha”. Recusou-se a coordenar a mobilização dos brasileiros para evitar a disseminação da doença. E incentivou, com seu exemplo, as aglomerações, criticou o uso de máscara (chegou a proibir a entrada no palácio de quem estivesse de máscara) e desaconselhou medidas preventivas, como o isolamento, a lavagem cuidadosa das mãos e sua higienização frequente com álcool em gel. Foi preciso a Suprema Corte facultar a governadores e prefeitos o direito de desempenhar essa coordenação. Como Bolsonaro saboreia o macabro cheiro da morte, jamais se preocupou com a vacinação do povo brasileiro. Deu a entender que a Covid-19 mata preferencialmente os pobres (o que economizaria recursos das políticas sociais), os portadores de comorbidades e os idosos (o que reduziria o déficit do SUS e os gastos com a Previdência Social). Contudo, devido à pressão popular, o governo se viu obrigado a correr atrás das vacinas. As vacinas até agora disponíveis são produzidas em dois países, Índia e China, há meses destratados pela família Bolsonaro. O chanceler Ernesto Araújo, adepto do terraplanismo, declarou que a China havia produzido intencionalmente o “comunavírus”. Aliado aos países ricos, o Brasil se recusou a apoiar a proposta da Índia na OMC para quebrar a patente das vacinas. Em outubro de 2020, Bolsonaro assegurou: “Alerto que não compraremos vacina da China”. Seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, em novembro, acusou o governo chinês de utilizar a tecnologia 5G para espionar. As poucas vacinas que chegaram ao nosso país, menos de 10 milhões de doses para a população de 212 milhões, vieram da China e foram compradas pelo Instituto Butantan, renomada instituição científica de São Paulo. A Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), do Rio, tenta comprar da China o IFA (Insumo Farmacêutico Ativo) sem que haja, até agora, confirmação de possibilidade de entrega. É preciso que todos saibam do genocídio promovido pelo governo Bolsonaro. Mais de 50 pedidos de impeachment do presidente estão parados nas gavetas do Congresso Nacional. Vivemos, hoje, num país que não tem governo, não tem política de saúde, não tem suficientes vacinas, cilindros de oxigênio e leitos nos hospitais, não tem leis favoráveis ao lockdown e contrárias às aglomerações. Precisamos todos nos mobilizar para salvar o Brasil e os brasileiros. * Frei Betto é escritor, autor de “O diabo na corte – leitura crítica do Brasil atual” (Cortez), entre outros livros. Livraria virtual: freibetto.org.
Dilma está certa e Miriam Leitão não conseguirá reescrever a história – Por Kennedy Alencar

Com o golpe de 2016, nasceu o ovo da serpente que resultou em Bolsonaro e na tragédia que o Brasil vive hoje, da qual foram cúmplices Miriam Leitão e seus patrões da Globo. “Dilma tá certa. Relacionar o impeachment dela ao de Bolsonaro é falsa equivalência. Houve golpe parlamentar em 2016. Foi um impeachment sem crime de responsabilidade. No caso do genocida, sobram crimes de responsabilidade. Não dá para reescrever a História. Falta de aviso não foi”, escreveu o jornalista Kennedy Alencar, em suas redes sociais. Leia abaixo a nota da ex-presidente Dilma Rousseff, em que ela rebate pontos escritos por Miriam Leitão: Nota da ex-presidente Dilma Rousseff sobre o artigo de Miriam Leitão deste domingo – Miriam Leitão comete sincericidio tardio em sua coluna no Globo de hoje (24 de janeiro), ao admitir que o impeachment que me derrubou foi ilegal e, portanto, injusto, porque, segundo ela, motivado pela situação da economia brasileira e pela queda da minha popularidade. Sabidamente, crises econômicas e maus resultados em pesquisas de opinião não estão previstos na Constituição como justificativas legais para impeachment. Miriam Leitão sabe disso, mas finge ignorar. Sabia disso, na época, mas atuou como uma das principais porta vozes da defesa de um impeachment que, sem comprovação de crime de responsabilidade, foi um golpe de estado. Agora, Miriam Leitão, aplicando uma lógica absurda, pois baseada em analogia sem fundamento legal e factual, diz que se Bolsonaro “permanecer intocado e com seu mandato até o fim, a história será reescrita naturalmente. O impeachment da presidente Dilma parecerá injusto e terá sido.” O impeachment de Bolsonaro deveria ser, entre outros crimes, por genocídio, devido ao negacionismo diante da Covid-19, que levou brasileiros à morte até por falta de oxigênio hospitalar, e por descaso em providenciar vacinas. O golpe de 2016, que levou ao meu impeachment, foi liderado por políticos sabidamente corruptos, defendido pela mídia e tolerado pelo Judiciário. Um golpe que usou como pretexto medidas fiscais rotineiras de governo idênticas às que meus antecessores haviam adotado e meus sucessores continuaram adotando. Naquela época, muitos colunistas, como Miriam Leitão, escolheram o lado errado da história, e agora tentam se justificar. Tarde demais: a história de 2016 já está escrita. A relação entre os dois processos não é análoga, mas de causa e efeito. Com o golpe de 2016, nasceu o ovo da serpente que resultou em Bolsonaro e na tragédia que o Brasil vive hoje, da qual foram cúmplices Miriam Leitão e seus patrões da Globo.
Globo tenta desconstruir o monstro que pariu – Por Jair de Souza

Por quase 30 anos, Bolsonaro andou perambulando entre o baixo clero parlamentar, se envolvendo nas politiqueirias de baixo nível características desse segmento político, defendendo os interesses de grupos milicianos nas periferias do Rio de Janeiro, cuidando de garantir uma boquinha na política para cada um de seus filhos. Sua presença e projeção em termos de política geral não ia além das declarações em favor da tortura e de torturadores que se esmerava em fazer toda vez que alguma câmara de televisão se aproximasse dele. Mas, em razão de sua absoluta insignificância, não eram muitas as que se dispunham a isso. No entanto, tudo mudou a partir do momento em que a rede Globo e o conjunto das elites vinculadas aos interesses financeiros e imperialistas tomaram a decisão de eliminar o protagonismo do PT para que elas voltassem a assumir diretamente o controle do governo da nação, que haviam perdido em 2002. Num primeiro momento, acreditavam que logo encontrariam algum nome de sua confiança capaz de gerar e conquistar o apoio da maioria dos setores de classe média que eles haviam manipulado nas campanhas midiáticas contra Lula, Dilma e o PT. Mas, nenhum dos nomes cogitados para tal tarefa conseguiu emplacar e se tornar o polo de atração dessas massas que eles tinham atordoado em suas furibundas campanhas de ódio contra o PT e contra tudo o que soasse à política. Não foi possível sustentar nem o nome de Aécio, nem o de Alckmin, nem nenhum outro nome dentre o elenco daqueles que lhes eram confiáveis. É provável que, naquele momento, o único ser confiável que poderia contar com um significativo apoio por parte importante do eleitorado de classe média seria o juiz Sérgio Moro, que havia sido objeto de uma tremenda campanha de endeusamento publicitário capitaneada pela rede Globo e acompanhada por todos os outros integrantes da corporação midiática. Moro já havia dado suficientes provas de sua total adesão ao projeto de retomada do comando do aparelho político nacional por parte das elites financeiras e do grande capital imperialista. No entanto, seria muito arriscado retirá-lo da importantíssima função que ele estava exercendo naquele momento. Só ele tinha demonstrado ter suficiente falta de pudor para decidir sem nenhuma base legal eliminar do jogo político o candidato que despontava como o preferido em todas as enquetes de opinião realizadas, em outras palavras, eliminar Lula do pleito eleitoral. Ou seja, embora Sérgio Moro fosse por então um nome com bastante apelo junto às massas de classe média e ainda que gozasse da total confiança das elites econômicas e do imperialismo, o risco de uma disputa direta contra Lula era por demais assustadora. Sendo assim, à rede Globo e ao conjunto das elites do dinheiro não lhes restou outra alternativa senão investir no nome de Jair Bolsonaro. Sim, teriam de apostar todas suas fichas naquele politiqueiro limitado, grosseiro, inculto, desprovido de outras qualidades sociológicas além das de saber tirar proveito de cunho pessoal de tudo em que participasse. E foi assim que a rede Globo, a elite financeira e o grande capital imperialista decidiram dar à luz o “novo” Bolsonaro. Precisamos reconhecer que para levar a cabo esta tarefa, a Globo e seus aliados midiáticos demonstraram ter um elevado nível de competência, capaz de transformar a imagem de um dos politiqueiros mais desprezíveis e abomináveis de nossa história em alguém com características de frescura e inovação, um ser alheio às práticas de corrupção e banditismo tão características do baixo clero parlamentar e das milícias com os quais ele sempre esteve envolvido . Mesmo dispondo de inúmeros materiais de vídeo e áudio com entrevistas realizadas por eles mesmos, nas quais Jair Bolsonaro expunha de alto e bom tom tudo o que ele sempre significou, a rede Globo e seus aliados preferiram fazer de conta que não sabiam de nada. Foi como se estivéssemos diante de uma situação nova nas disputas políticas do país. Era a velha política (encarnada pelo PT) contra alguém de fora, um novato estreante na política (Bolsonaro), a quem valia a pena dar uma chance. Ou seja, valia tudo para derrotar Lula e o PT, até mesmo apresentar a podridão como se fosse frescura. Enquanto pôde se dedicar exclusivamente às medidas do agrado de seus patrocinadores (eliminação das leis da CLT, reforma previdenciária e fim das aposentadorias, redução dos investimentos em saúde e educação, etc.), o apoio das elites ao governo Bolsonaro seguia de vento em popa. Pelo menos era assim que a rede Globo e o resto da mídia corporativa dava a entender. Entrega do pré-sal às multinacionais, desmantelamento da Petrobrás, destruição de nossa indústria naval, aniquilamento de nossas maiores empresas de engenharia, milhões de novos desempregados como consequência disto… Nada abalava a confiança da rede Globo, do resto da mídia corporativa e do mercado em Jair Bolsonaro e em seu fiel escudeiro Paulo Guedes. No entanto, apareceu algo novo para aguar a festa da rede Globo e de uma parte do capital rentista (uma parte, é bom deixar claro, não de todo): a pandemia da covid-19. Com a maneira monstruosa como Bolsonaro e seu governo está lidando com as questões da pandemia, ficou muito difícil, quase impossível, para a rede Globo e para vários outros grupos continuar sustentando uma boa imagem de Bolsonaro. Como aceitar deixar numa boa a imagem de um governo que permitiu que o Brasil se tornasse um dos principais campos de extermínio em todo o mundo? Como deixar numa boa a imagem de um governante que não demonstra um mínimo de sentimento pela dor causada pela aterradora cifra de 210 mil mortes? Como deixar numa boa a imagem de um governo que desorienta a população quanto aos cuidados a tomar com a pandemia, ao mesmo tempo que trata de dificultar o acesso de nossa população às vacinas? Está mais do que claro que a rede Globo, seus aliados da corporação midiática, e o conjunto dos capitalistas financeiros não estão nem um pouco chateados pela elevadíssima taxa de desemprego existente, também não pela desarticulação do movimento
Militares, crimes e a tentação autoritária – Por Roberto Amaral

O general comandante do exército não gostou do artigo “Na pandemia, exército volta a matar brasileiros”, de Luiz Fernando Viana, (Época. 17.1.2021) e mandou o general chefe do centro de comunicação social do exército responder à revista. O subordinado cumpre à risca o mandato do chefe, e, no melhor (embora canhestro) estilo do velho e expurgado florianismo, ou lembrando os tempos do grotesco marechal Hermes da Fonseca, mais que defender a corporação, supostamente injuriada, desanca o jornalista acusado de blasfêmia e tenta intimidar a revista, ou seja, investe contra a liberdade de imprensa: “(…) O Exército Brasileiro exige imediata e explícita retratação dessa publicação, de modo a que a Revista Época afaste qualquer desconfiança de cumplicidade com a conduta repugnante do autor e de haver-se transformado em mero panfleto tendencioso e inconsequente”. O segundo general, por força do hábito, certamente, se expressa como se estivesse dando ordem a um subordinado. Ora, senhor, não existe “imediata retratação” na democracia: o general comandante que busque na Justiça uma possível reparação, nos termos da lei, como qualquer cidadão pode buscar. Agora, conjecturemos. E se a revista não for acometida de medo e pusilanimidade, que farão os dois generais? Se tal é a pena que pesa como espada de Dâmocles sobre o periódico, que estará reservado ao articulista? Fosse nos idos do Estado Novo, ditadura imposta ao país pelas tropas do ministro da guerra, general Eurico Gaspar Dutra, os militares fechariam a revista e o coronel Filinto Muller prenderia o jornalista nas enxovias do DOPS no Rio de Janeiro. Nos idos da ditadura de 1964, os fardados cassariam os direitos políticos do articulista e o confinariam em Fernando de Noronha, como fizeram com Hélio Fernandes. Mas que fazer agora, quando o regime ainda é o democrático e constitucional? Ameaçam a livre expressão de pensamento, princípio das democracias ocidentais incorporado à nossa ordem constitucional como direito fundamental desde o primeiro texto republicano. Renunciam ao direito de resposta, que implica a contestação do articulado, e ingressam no campo fácil das ameaças e da intimidação, artifício aliás muito cômodo, embora cediço, para quem pode usar a espada como último argumento. Em síntese: além de arrogantes, os dois generais atentam contra a Constituição o que constitui crime, pelo qual devem ser representados pelo Ministério Público. Mas o texto dos generais, ademais de não responder ao artigo indigitado, repito, encerra uma série de imprecisões, ou inverdades, que, de tanto serem repetidas, tomam foros de verdade. Comento algumas delas. Não é certo, por exemplo, que devemos nossa unidade territorial aos militares. A expansão é obra de mamelucos, negros escravizados, índios, e da ação genocida de bandeirantes saídos de São Paulo, mas saídos também da Bahia, de Pernambuco, do Maranhão, do Pará e do Amazonas. Segue-se o povoamento do sertão, obra do povo, a que se reporta Capistrano de Abreu. A integridade territorial, por outro lado, foi obra de nordestinos, na colônia, e de gaúchos na colônia e no império em guerras que consumiram milhares de vidas. No Império foi obra da Regência, confirmada e consolidada na república pela diplomacia do Barão do Rio Branco. É verdade que nossos soldados foram para os campos da Itália, já ao final da guerra (1944), combater as tropas do Eixo, mas é igualmente verdade que fomos à guerra contra a insistente resistência dos generais Eurico Gaspar Dutra, Ministro do Exército, e do todo poderoso general Góes Monteiro, chefe do estado maior da força, como está fartamente documentado. Aliás, na reunião do ministério (27 de janeiro de 1942) que decidiu pela beligerância, a proposta foi apresentada pelo civil Getúlio Vargas, contra o parecer do ministro da Guerra. De outra parte, há certas e incômodas verdades que os generais não comentam, como a “guerra do Desterro”(1894) e o “ajuste de contas” do sanguinário coronel Moreira César, como não têm uma só palavra sobre o covarde massacre dos beatos de Antônio Conselheiro, para proteger os interesses dos latifundiários da Bahia. Ainda na República, em 1937, lembro o bombardeio do Caldeirão, no Ceará, contra os camponeses do beato Lourenço, evento esquecido à direta e à esquerda. Não sei se a marinha registra com orgulho a Revolta da Chibata, de 1916. Estamos falando em fatos recentes, republicanos. Mas não foi diverso o papel do exército no império, sufocando, à custa de muito sangue, as tentativas de independência e republicanismo que caracterizaram, por exemplo a Confederação do Equador (1824), esmagada, como a Revolução Praieira (1849), com a mesma fúria que antes se abatera sobre a Revolução pernambucana de 1817 e que terminou com o fuzilamento do Frei Joaquim do Amor Divino Rabelo, que passou à história como Frei Caneca e hoje é pranteado como santo e herói. O articulista da Época a ele não se refere, mas a historiografia séria desqualifica qualquer entusiasmo cívico diante de nosso papel na guerra do Paraguai. Os militares sustentaram, até a exaustão, em nome dos grandes proprietários, dois impérios, cujas bases radicavam no escravismo e na estagnação, uma das raízes do atraso de hoje. Preferiram, sempre, um país tacanho, de analfabetos e mal alimentados, de deserdados da terra, a tocar nos privilégios da classe dominante, sejam os velhos latifundiários do Império, sejam os grandes fazendeiros da primeira república, seja o empresariado rentista, improdutivo, de nossos dias. O progresso é visto como ameaça, pois pode desestabilizar o statu quo do mando secular. E os militares brasileiros, a quem a nação deve outros serviços, jamais se notabilizaram na defesa da democracia. Na República a golpearam insistentemente desde as ditaduras dos marechais Deodoro da Fonseca (1889-1891) e Floriano Peixoto (1891-1894) até hoje. Vide o golpe de 1937, arquitetado por Góes Monteiro e operado por Eurico Dutra; o golpe de 1954 operado pelas três forças e que teve no general Juarez Távora um de seus comandantes, a tentativa de golpe contra as eleições de 1955 (que teve entre seus líderes o general Canrobert Pereira da Costa e o brigadeiro Eduardo Gomes); a intentona de 1961, encabeçada pelos três ministros militares e o chefe do estado maior do
Médicos de Minas Gerais soltam grito de alerta contra o genocídio

“A prescrição de ivermectina, cloroquina, hidroxicloroquina, nitazoxanida, azitromicina, doxiciclina e outros não traz nenhum benefício aos pacientes. Ao contrário, leva a uma falsa sensação de segurança à população” Mais de 600 médicos de MG lançam nota contra “tratamento precoce” com cloroquina – Carta com ampla adesão vai contra a orientação do Ministério da Saúde de dar medicamentos sem base na ciência N O T A P Ú B L I C A À sociedade, aos médicos e médicas, ao CRMMG e ao CFM Uma tragédia se abate sobre o Brasil. Uma tragédia humanitária sem precedentes na nossa história. Já superamos 200.000 mortos. Milhões de infectados. UTI’s e leitos hospitalares no limite de suas capacidades, chegando ao absurdo do que e está ocorrendo em Manaus, com a falta de oxigênio. A este quadro dramático, soma-se o aumento da miséria e do desemprego. O aumento de famílias vivendo nas ruas é visível a todos. A fome é um espectro que ronda milhões de brasileiros. E qual a resposta deste governo a esta calamidade? Frente a essa situação dantesca, o governo acaba com o auxílio emergencial, o que levará ao desespero àqueles que o têm como única fonte de renda para a sobrevivência. E, no enfrentamento da pandemia da covid-19, oferece tratamentos sem eficácia clínica comprovada. Nós, médicas e médicos mineiros, que já estivemos na liderança de entidades médicas ou que estamos na linha de frente do atendimento à saúde da população ou no ensino médico, resolvemos dar nosso grito de alerta. Não podemos nos calar diante da omissão das nossas principais entidades, Conselhos, Associações e Sindicatos Médicos. A Medicina é uma profissão a serviço da vida e da sociedade. Tem uma história de 2.500 anos, como Ciência e Arte. Como Ciência, a Medicina deve se ater às medicações comprovadamente eficazes. Ciência é a defesa de vacinação a todos, para controlar a circulação do vírus. Afirmar, como faz o CFM, o caráter não obrigatório da vacina, não é ciência. Reforça a política negacionista deste desgoverno. E como Arte, médicas e médicos devem cumprir seu papel em saber informar aos pacientes que, infelizmente, ainda não há medicamentos com comprovação científica para o tratamento da covid19. A aceitação de nossas lideranças do uso de medicamentos que, comprovadamente, não trazem benefícios, nem preventivo e nem curativo, é uma afronta a estes princípios. CHEGA! Temos de dizer em alto e bom som: a prescrição de ivermectina, cloroquina, hidroxicloroquina, nitazoxanida, azitromicina, doxiciclina, e outros não traz NENHUM benefício aos pacientes. Ao contrário, leva a uma falsa sensação de segurança à população, com o consequente relaxamento nas medidas preventivas, estas sim, eficazes. A aceitação deste papel de meros prescritores de placebos nos nivela a charlatões. E nos tornam cúmplices de um governo de incompetentes, genocida. BASTA! A literatura médica atual demonstra de maneira consistente a ineficácia destas drogas, além dos seus riscos. Médicas e Médicos, não aceitem este papel a nós reservado por este desgoverno! Entidades médicas, se posicionem claramente ao lado da Ciência e da Vida! Os médicos, por meio do CFM e dos CRM, devem ser orientados a não prescreverem medicamentos que não têm comprovação científica. Tal orientação e inibição dessas prescrições se sobrepõem a autonomia do profissional médico. A autonomia médica não é um aval para a anti-medicina. A prescrição destes medicamentos não é uso off-label: é anti-ciência, é charlatanismo. Esse cenário nos coloca como partícipes de uma política cruel, que finge que trata, enquanto deixa as pessoas morrerem. Conclamamos que as Entidades Médicas busquem atuar junto às outras entidades de saúde, em defesa de uma política que verdadeiramente enfrente esta barbárie: – Distanciamento social; auxílio aos vulneráveis; – Investimentos maciços no Sistema Único de Saúde, para recuperação imediata de sua capacidade de atendimento; – E investimentos maciços na capacidade brasileira de produção de vacinas. Esta é a resposta a se esperar de quem tem compromissos com a Medicina e com a Vida. Belo Horizonte, Minas Gerais, 15 de janeiro de 2021. ASSINAM ESTA NOTA OS MÉDICOS E MÉDICAS ABAIXO: 1. ADELINA VIEIRA TORRES – CRMMG 13856. 2. ADRIANA DINIZ DE DEUS – CRMMG 17330. 3. ADRIANA MAGALHÃES DE CASTRO – CRMMG 19348. 4. ADRIANA MELLO RODRIGUES DOS SANTOS – CRMMG 39188. 5. ADRIANO SIMÕES COELHO – CRMMG 31605. PSIQUATRA. 6. AFRÂNIO DONATO DE FREITAS – EX-VICE-PRESIDENTE AMM, EX-PRESIDENTE SOC. BRASI. CIRURGIA DA MÃO. 7. AGUINALDO BICALHO ERVILHA JÚNIOR – CRMMG 31595. INTENSIVISTA HOSPITAL LUXEMBURGO E HOSP. EDUARDO DE MENEZES. 8. ALAMANDA KFOURY PEREIRA – CRMMG 19222. PROFESSORA E VICE-DIRETORA DA FAC.MEDICINA/UFMG. 9. ALBA MACHADO DE SÁ – CRMMG 14.522. 10. ALDUIR BENTO – CRMMG 26210. 11. ALEXANDRE QUEIRÓZ MARQUES – CRMMG 22202. 12. ALINE ALMEIDA BENTES – CRMMG 47604. INFECTOLOGISTA HOSP. INFANTIL JOÃO PAULO II, PROFA. UFMG. 13. ALZIRA DE OLIVEIRA JORGE – CRMMG 21539. EX-DIRETORA DA ANMR, PROFESSORA UFMG E DIRETORA GERAL DO HOSPITAL RISOLETA TOLENTINO NEVES. 14. AMANDA JACKCELLY BORGES NEVES – CRMMG 67197. MÉDICA GINECOLOGISTA, OBSTETRA, ENDOSCOPISTA. GINECOLÓGICA E NA LINHA DE FRENTE NO HOSPITAL SÃO FRANCISCO DE BELO HORIZONTE. 15. AMANDA PIFANO SOARES FERREIRA – CRMMG 55821. 16. AMÉLIA GALDINA MATOS – CRMMG 58863. 17. ANA BEATRIZ FIRMATO GLÓRIA – CRMMG 26144. 18. ANA CRISTINA CORRÊA COSTA – CRMMG 29962. 19. ANA FLÁVIA DINARDI ALVES PINTO – CRMMG 64837. 20. ANA LAURA RABELO – CRMMG 71420. 21. ANA LÚCIA TEIXEIRA – CRM 17978. MÉDICA PEDIATRA. 22. ANA LUÍZA FIRMATO GLÓRIA – CRMMG 31895. 23. ANA MARIA DE JESUS CARDOSO – CRMMG 21006. PEDIATRA. 24. ANA MARIA MEDES – CRMMG 20692. 25. ANA MARIA TEIXEIRA – CRMMG 13876. 26. ANA MARTA LOBOSQUE – CRMMG 13875. 27. ANA PAULA GONÇALVES. CRMMG 40593. NEUROLOGISTA HC UFMG E HOSPITAL FELÍCIO ROCHO. 28. ANDERSON FELIPE DA SILVA – CRMMG 71421. 29. ANDRÉ GUSTAVO ALVES VIOTTI – CRMMG 29513. 30. ANDREA LARA DE OLIVEIRA LIMA – CRMMG 28162. 31. ANDREA LUCCHESI DE CARVALHO – CRMMG 23644. 32. ANNA BÁRBARA DE FREITAS CARNEIRO PROIETTI – CRM 12.274. 33. ANTÔNIO JOSÉ PENIDO – CRMMG 21.577. 34. ANTONIO LACERDA FILHO – CRMMG 19884. 35. ANTÔNIO MÁRCIO DE FARIA ANDRADE
Em nota, STF desmente Bolsonaro sobre proibição do governo no combate à pandemia

Deu ruim para o presidente Jair Bolsonaro. O Supremo Tribunal Federal, por meio de nota, desmentiu nesta segunda-feira (18) o mandatário. Segundo o documento, a Corte jamais proibiu o governo federal de estabelecer medidas de combate ao coronavírus. O presidente Bolsonaro tem repetido que foi impedido pelo STF de tomar ações mais efetivas contra a pandemia. Ele alega que o tribunal delegou essa tarefa a estados e municípios. “Não é verdadeira a afirmação, em redes sociais, de que a Suprema Corte proibiu o governo federal de atuar no enfrentamento da Covid-19”, diz um trecho da nota do Supremo, que, na prática, chama Bolsonaro de mentiroso. A declaração de Jair Bolsonaro, de que estava proibido de agir no combate à covid, se deu quando ele foi cobrado pela falta de oxigênio nos hospitais de Manaus. A Constituição Federal estabelece responsabilidade tripartite na saúde, portanto Bolsonaro mentiu ao dizer que o STF o proibia de lutar contra o casos na capital do Amazonas. Leia abaixo a nota do STF: Esclarecimento sobre decisões do STF a respeito do papel da União, dos estados e dos municípios na pandemia Não é verdadeira a afirmação, em redes sociais, de que a Suprema Corte proibiu o governo federal de atuar no enfrentamento da Covid-19. A Secretaria de Comunicação Social do Supremo Tribunal Federal (STF) esclarece que não é verdadeira a afirmação que circula em redes sociais de que a Corte proibiu o governo federal de agir no enfrentamento da pandemia da Covid-19. Na verdade, o Plenário decidiu, no início da pandemia, em 2020, que União, estados, Distrito Federal e municípios têm competência concorrente na área da saúde pública para realizar ações de mitigação dos impactos do novo coronavírus. Esse entendimento foi reafirmado pelos ministros do STF em diversas ocasiões. Ou seja, conforme as decisões, é responsabilidade de todos os entes da federação adotarem medidas em benefício da população brasileira no que se refere à pandemia.
Anvisa desmente Bolsonaro e deixa claro que não existe “tratamento precoce” contra Covid-19

“Até o momento não contamos com alternativa terapêutica aprovada disponível para prevenir ou tratar a doença causada pelo novo coronavírus”, afirmou a relatora Meiruze de Freitas Durante a reunião em que autorizaram o uso emergencial contra a Covid-19 das vacinas Coronavac e de Oxford, diretores da Agência desmentiram informações divulgadas por Jair Bolsonaro e pelo ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, sobre eficácia de “tratamento precoce” contra a doença causada pelo novo coronavírus. “Até o momento não contamos com alternativa terapêutica aprovada disponível para prevenir ou tratar a doença causada pelo novo coronavírus”, afirmou a relatora Meiruze de Freitas. Entre os medicamentos utilizados no “tratamento precoce” defendido pelo governo estão a cloroquina e invermectina, que não têm eficácia comprovada contra a Covid-19. Outro diretor da Anvisa, Alex Campos destacou durante seu voto que não existem remédios para tratar a Covid-19. “Considerando que a autorização de uso emergencial num cenário em que não há medicamentos para tratar a emergência do coronavírus, considerando por fim o interesse público envolvido, justifica o seu uso neste momento, voto pela autorização de uso emergencial excepcional e temporário da Fiocruz e do Butantan.” #Coronavírus | Meiruze Freitas, diretora da Anvisa e relatora dos pedidos de uso emergencial da CoronaVac e Oxford/AstraZeneca, e que votou pela aprovação dos imunizantes, foi clara em suas palavras iniciais de que não há tratamento precoce aprovado para a COVID-19. pic.twitter.com/Jw7CZaOWIT — Blog Rodrigo Klyngerr (@BlogdoKlyngerr) January 17, 2021
O capetão Bolsonaro negocia às escondidas com os lobistas de armas

Enquanto os brasileiros morrem por falta de oxigênio em Manaus e milhões passam fome sem o auxílio emergencial, Jair Bolsonaro segue com suas negociatas às escondidas, sem qualquer transparência pública. Ele agora se nega a prestar informações sobre as visitas de lobistas de armas ao Palácio do Planalto. Segundo denúncia da revista Época, o governo federal decidiu usar a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais como base para negar o pedido da Lei de Acesso à Informação (LAI) sobre a visita de lobistas e de outras figuras sinistras à sede oficial. O pedido rejeitado foi apresentado pelo deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP). A solicitação englobava empresas como Beretta, Glock, Walther e Girsan, além de líderes da Associação Nacional da Indústria de Armas e Munições, da Associação Nacional de Proprietários e Comerciantes de Armas e da Companhia Brasileira de Cartuchos. O general velhaco Augusto Heleno, do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), negou o pedido. O GSI alegou que o tratamento dos nomes de visitantes do Palácio do Planalto “cumpre a finalidade específica de segurança da mais alta autoridade do Poder Executivo” e, por isso, os dados não poderiam ser fornecidos. Pura balela pra esconder algo de podre na relação com esse setor armamentista! O que o “capetão” está escondendo? Como explica Júlia Rocha, assessora do Programa de Acesso à Informação da ONG Artigo 19, “as datas e os registros de reuniões não são considerados dados pessoais ou sensíveis. A LAI permite que nomes ou outras informações sigilosas como CPF possam ser tarjadas” A especialista ainda classificou de ‘pífia’ a justificativa do GSI de que as informações sobre a entrada de pessoas apresentariam risco à segurança. “Não é uma justificativa válida e é pífia. Não há requisição de dados como endereços das pessoas ou dados sensíveis” Em entrevista à Época, Júlia Rocha observou que “os dados pedidos não vão promover o rastreio das pessoas ou possibilitar algum tipo de fraude ou crime motivado por raça, etnia ou credo”. O que será que Bolsonaro esconde nas negociatas com as indústrias de armas? Via Blog do Miro
Bolsonaro incentivou aglomeração nas festas de fim de ano, causa do aumento de mortes e internações por Covid

Era um sábado, dia 19 de dezembro, quando o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) publicou uma entrevista com seu pai, o presidente Jair Bolsonaro. O “Zero Três” então perguntou ao pai se podia se reunir no Natal. “Mas pode se reunir no Natal com a família?”, questionou Eduardo. “Pode, qual o problema?”, indagou o presidente da República, incentivando aglomeração no Natal. “Tem gente dizendo que vai mandar a polícia… Olha, como militar e como policial pensa da mesma maneira, ordem absurda não se cumpre. Eu duvido que o policial militar em São Paulo vai meter o pé na porta do apartamento, que tem lá o o pai alguns filhos reunidos comemorando a Ceia de Natal”, disse Jair Bolsonaro, comportando-se como um “Anjo da Morte”. Passado o período das festas de fim de ano, as autoridades sanitárias afirmam que o número de mortes e internações por Covid-19 em todo o País tem relação com as aglomerações no Natal e Ano Novo. No estado de São Paulo, por exemplo, as internações subiram 19% nas últimas duas semanas (entre 29 de dezembro a 12 de janeiro): de 11.070 para 13.175. A taxa de ocupação de leitos está em 66,3%. Além da alta de hospitalizações, o estado registrou 2.467 novos óbitos: de 46.195 para 48.662. As internações em hospitais públicos municipais, em enfermarias e UTIs, cresceram cerca de 13% em duas semanas, de 1.868 para 2.103. Dos 43 distritos da capital paulista que têm hospitais com leitos para tratamento da Covid-19, houve aumento de hospitalizações em 32. Nesta quarta-feira (13), o Human Rights Watch classificou Bolsonaro como “sabotador” do combate à Covid-19. Para a ONG internacional de direitos humanos, o presidente Bolsonaro, desde o começo, minimizou a gravidade da doença, publicou informação equivocada, tentou sabotar os esforços dos estados para tomar medidas contra a Covid-19 e, nesse momento, está fazendo campanha contra a vacina. Via Blog do Esmael