Governadores do Nordeste pedem ajuda à China para combater o coronavírus

– Em ofício assinado pelo governador da Bahia, Rui Costa (PT), os governadores lembram que a China “acaba de viver um problema semelhante, do qual saiu vitoriosos por meio de uma guerra do povo contra o vírus”, e pedem apoio com envio de materiais médicos, insumos e equipamentos – – Em meio a uma crise diplomática criada pelo deputado Eduardo Bolsonaro, por seu ataques contra o governo chinês, o consórcio do Nordeste, que reúne governadores da região, pediu ajuda à embaixada da China para combater o coronavírus no país. Em ofício assinado pelo governador da Bahia, Rui Costa (PT), os governadores pedem ajuda do governo chinês, “que acaba de viver um problema semelhante, do qual saiu vitoriosos por meio de uma guerra do povo contra o vírus”, com apoio no envio de materiais médicos, insumos e equipamentos, em especial, com leitos de UTI e de respiradores. “Colocamo-nos à disposição de vocês para quaisquer esclarecimentos que sejam necessários e queremos, desde já, reafirmar nossa admiração pela forma como o povo chinês enfrenta a epidemia e pela imensa amizade que une nossos povos”, conclui o documento. Confira a íntegra do documento: “Nós, governadores do #ConsórcioNordeste, oficializamos ao Embaixador Chinês Yang Wanming um importante pedido de ajuda para o combate ao novo coronavírus no #Nordeste. Eles passaram por um momento semelhante ao que estamos vivendo agora e conseguiram enfrentar com sucesso a #COVID19. Sempre respeitamos o povo chinês e passamos a admirá-los ainda mais após ver como eles enfrentaram esse momento difícil. Estamos à disposição para estreitar os laços entre nossos povos. O cuidado com nossa população é a prioridade. Todos juntos contra o coronavírus. Vamos vencer! Rui Costa Governador da Bahia

Justiça decide que fieis da Assembleia de Deus podem contrair e transmitir o coronavírus

 – O Juiz Marcelo Baptista liberou os cultos de Silas Malafaia, alegando que o Poder Executivo não determinou a interrupção de cultos religiosos até o momento – “A Justiça do Rio de Janeiro negou pedido feito pelo Ministério Público estadual (MPRJ) e manteve a realização de cultos ministrados pelo empresário e pastor Silas Malafaia. A decisão foi tomada nesta quinta-feira (19) pelo juiz Marcello de Sá Baptista, do Plantão Judicial”, informa o jornalista Nicolás Satriano, do G1.. “O Poder Executivo não determinou a interrupção de cultos religiosos até o momento. O Poder Legislativo não criou lei neste sentido. Não pode o Poder Judiciário avocar a condição de Legislador Positivo e regulamentar uma atividade, em atrito com as normas até agora traçadas pelos órgãos gestores da crise existente”, justificou o magistrado. Antes da decisão, o empresário Silas Malafaia havia desafiado o governo a fechar suas unidades. Bolsonaro Na terça-feira (17), o presidente Jair Bolsonaro  voltou a utilizar o termo “histeria”, em relação à crise do novo coronavírus. Ele criticou alguns governadores por tomarem decisões extremas nas ações para evitar a propagação do vírus. “Esse vírus trouxe uma certa histeria. Tem alguns governadores, no meu entender, posso até estar errado, que estão tomando medidas que vão prejudicar e muito a nossa economia”, declarou. “A vida continua, não tem que ter histeria”, acrescentou. Malafaia Líder de 116 congregações Brasil afora, o pastor Silas Malafaia – um dos principais aliados de Bolsonaro, tem utilizado cultos da Igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo, para defender o ainda presidente e alienar seus seguidores. Também na terça-feira, em outro culto na sede da sua igreja, Malafaia chamou de “asneiras” as recomendações dos especialista em saúde pública para evitar aglomerações. Crédito ou débito Cerca de 350 pessoas participaram de um culto promovido por ele na noite de quarta-feira na Assembleia de Deus Vitória em Cristo de Campo Grande, na zona oeste do Rio de Janeiro. Logo no começo da pregação, Malafaia disse: “Querendo ofertar crédito ou débito, que Deus te abençoe e te multiplique”. Auxiliares distribuíram ao público um papel, onde estava escrito: “Semente para uma colheita abençoada”. Na parte interna, havia um espaço para que os fiéis colocassem nome, pedido de oração e um valor para doação. Com sua imagem reproduzida em dois telões, Silas Malafaia dedicou a pregação às orientações sobre o novo coronavírus. “Nós não obrigamos ninguém a vir ao culto. O conselho que dou é que as pessoas de idade, mesmo que não tenham tosse ou febre, fiquem em casa”. Mas também incentivou os fiéis a irem à igreja. “Aqui, é o lugar de maior proteção que pode existir”.

Panelaços explodem de norte a sul do País pedindo a saída de Bolsonaro

 – Protestos contra Bolsonaro viralizam nas redes e “panelaços” se espalham pelo país – Pelo segundo dia seguido, em diversas cidades do País moradores protestam com panelaços e pedem a saída de Jair Bolsonaro, que tem minimizado os riscos da pandemia de coronavírus Várias cidades do País registram protestos na noite desta quarta-feira, 18, contra Jair Bolsonaro. Durante panelaço, JN detona postura de Bolsonaro diante do coronavírus A coletiva de imprensa do presidente concedida nesta quarta-feira foi alvo de duras críticas no telejornal Enquanto o Brasil ia às janelas bater panela contra o presidente Jair Bolsonaro, o Jornal Nacional, da TV Globo, desta quarta-feira (18) destacava as incongruência do ex-capitão diante da crise de Covid-19. O JN, que foi desafiado pelo presidente durante coletiva de imprensa a falar de um panelaço convocado por apoiadores em favor dele, fez questão de iniciar o noticiário focando na “mudança drástica” de postura do presidente diante do novo coronavírus. As declarações de Bolsonaro que consideravam o coronavírus uma “histeria” foram lembradas logo no início do jornal, que apontou ainda mudanças de postura diante da operação que trouxe brasileiros que estavam em quarentena em Wuhan, na China. O telejornal começou às 20h30, mesmo horário em que estava marcado panelaço em todo o país. Outra reportagem veiculada pelo JN criticou duramente o manejo das máscaras cirúrgicas por parte de Bolsonaro e seus ministros. “Durante a coletiva, o presidente e os ministros deram uma aula aos brasileiros de como não usar uma máscara”, disse o apresentador William Bonner. “A entrevista de hoje foi na contramão do Ministério da Saúde”, destacou ainda a reportagem. https://emcimadanoticia.com/2020/03/18/coronavirus-saiba-o-que-e-como-tratar-e-se-prevenir/

Ministro de Bolsonaro, general Heleno recebe teste positivo para coronavírus

 Chefe do GSI participou da comitiva presidencial aos EUA e é um dos ministros mais próximos do presidente; ele aguarda contraprova – O General Augusto Heleno usou suas redes sociais na manhã desta quarta-feira (18) para anunciar que testou positivo para o coronavírus. “Informo que o resultado do meu segundo exame, realizado no HFA, acusou positivo. Aguardo a contraprova da FioCruz. Estou sem febre e não apresento qualquer dos sintomas relacionados ao COVID-19. Estou isolado, em casa, e não atenderei telefonemas”, disse ele.  Coronavírus e COVID-19: perguntas e respostas – A COVID-19 ainda não tem vacina ou tratamento específico. Entenda mais sobre a doença O ministro fez parte da comitiva que acompanhou o presidente Jair Bolsonaro aos Estados Unidos. Com Heleno, sobem para 14 os infectados da comitiva de Bolsonaro aos EUA. Veja: Tweets by gen_heleno

Após panelaços, Bolsonaro informa que segundo teste de coronavírus deu negativo

 – Desta vez, o babaca presidente não mandou uma banana à imprensa como fez quando divulgou o primeiro resultado do exame – O presidente Jair Bolsonaro foi às redes sociais na noite desta terça-feira (17) para informar que seu segundo teste para verificar a contaminação por coronavírus deu negativo. Declaração do presidente veio pouco tempo depois de panelaços tomarem conta de Copacabana, no Rio de Janeiro, e no centro de São Paulo. Um vídeo gravado pelo fotógrafo João Wainer mostra a região central da capital paulista completamente tomada pelos barulhos de panelas e gritos de “Fora, Bolsonaro”. Trata-se de uma antecipação das mobilizações que estavam marcadas para esta quarta-feira (18) em defesa da educação, das estatais, do serviço público, contra a MP 905 e outros ataques de Bolsonaro. A princípio, as manifestações seriam nas ruas, mas foram suspensas por conta da crise do coronavírus. Bolsonaro fez seu primeiro teste de coronavírus na semana passada, após membros da comitiva que o acompanhou aos Estados Unidos terem contraído a doença. Ao divulgar o resultado, o presidente publicou uma foto sua dando uma “banana” para a imprensa. – Informo que meu 2° teste para COVID-19 deu NEGATIVO.– Boa noite a todos. — Jair M. Bolsonaro (@jairbolsonaro) March 18, 2020

A estranha quarentena com empregada doméstica no ‘Brazil Corona’

 – Extra, extra!Vivemos no Brasil Corona do Brasil Colônia, onde pessoas fazem quarentena com suas empregadas domésticas em casa! – Dedico a Thiago Fabres de Carvalho, que certamente estaria chocado com isso tudo Chocado e com ódio. Assim li a reportagem no Blog do Lauro Jardim que tratava de uma empregada doméstica estava trabalhando na casa de um casal infectado pelo corona vírus, em São Conrado. Chamaram-me a atenção, na reportagem, dois pontos: o primeiro, a fala supostamente atribuída ao casal dando conta da preocupação deles em isolar-se, mas mantendo a empregada doméstica trabalhando para eles; o segundo, a omissão do jornalista ao não manifestar nenhum tipo de indignação ou denúncia com essa situação. Um silêncio complacente. Conta a matéria: Desde então, o casal está em casa, no bairro de São Conrado, em quarentena. Ambos conversam com os médicos por telefone. Ambos passam bem. A empregada do casal, cujo exame deu negativo, está trabalhando de avental, luvas e máscara. Nem o empresário nem sua mulher tiveram recentemente qualquer contato com pessoas que estiveram em países com surto de coronavírus. Este artigo pretende analisar o ato falho da reportagem ou do casal que, ao utilizar a palavra quarentena, no sentido de isolamento, deixou escapar como a maioria grande parcela da população brasileira enxerga as empregadas domésticas. Pois muito bem. Palavras que tropeçam são palavras que confessam – eis a definição que Lacan e Garcia Roza dão ao termo ato falho. Uma palavra que tropeça, então, entrega aquilo que está no inconsciente, oculto, mas escapou. Chamar o marido pelo nome do amante, esquecer o anel de casamento quando estava indo se casar, despedir-se de alguém com um boa morte (em vez de boa sorte) são só alguns exemplos de atos falhos que entregam aquilo que estava oculto, no inconsciente, mas escapou: a saudade do amante, a vontade de não casar e o que a pessoa deseja àquele que ela está se despedindo. O uso da palavra quarentena, nesse sentido, deixa escapar algo revoltante: a maioria da classe média não enxerga as empregadas domésticas como pessoas. Reparem que o diálogo com um médico – considerado pela maioria da classe média como uma pessoa – se dá à distância, pelo telefone. Aqui todo o cuidado com seu semelhante. Já com a empregada doméstica o contato é direto! É direito porque a quarentena serve para isolar as pessoas a fim de proteger outras pessoas. Mas para quem não enxerga uma empregada doméstica como uma pessoa, ela pode ficar no mesmo ambiente de pessoas infectadas com o corona vírus e, além disso, trabalhando para elas. Reparem na sutileza das palavras, porque elas, como disse o maior de todos, Fanon, não são neutras. O casal está em quarentena, “isolado”; não fala com ninguém. Apenas com o médico (por telefone). A empregada é um ninguém. É o ninguém quem está ali, ajudando-os. Eis como a maioria da classe média enxerga àqueles que servem de escada para o seu sucesso. A lógica colonial que enxerga empregados domésticos como coisas mantém viva e forte no dia atual. Se há alguns anos, houve um escarcéu pelo reconhecimento de humanidade nas empregadas domésticas que reivindicavam direitos trabalhistas como de qualquer outra pessoa trabalhadora, vivemos agora no Brasil Colônia o Brasil Corona, onde elas, por serem reduzidas a objeto, são incapazes de contrair o vírus. Exige-se o reconhecimento da humanidade dessas trabalhadoras! Infectada, muito provavelmente, ela, a empregada, também poderá infectar seus filhos. E não terá médico para atendê-la por telefone. Será no SUS. Ela, doente, levando os filhos, também doentes, que contraíram o vírus de alguém que ainda poderá lhes dizer: – Demos máscaras e luvas à empregada doméstica. Ela que não soube usar direito. Te vira! Em nenhum momento a reportagem se dá conta de que o casal não está isolado p… nenhuma! Eles estão com uma empregada doméstica que, agora, além de empregada doméstica, será também enfermeira. E não ganhará mais por isso. E há quem dirá que ela deve agradecer pelos infectados darem trabalho a ela. Esse tipo de gente, que diz isso, é aquela que, durante a enchente que matou muitas pessoas, ligou ao Ifood para que um jovem fosse levar comidas, para eles, de bicicleta. E ainda reclama porque a comida chega fria. Trata-se da mentalidade Casa Grande que habita a mente da classe média que pensa que é rica e que tem esse estranho hábito de fazer uma quarentena com empregada doméstica, uma quarentena ‘chique’. Nada mais retrógrado, mas também na mais representativo do Brasil Colônia, ops, do Brasil Corona. Por Djeff Amadeus – Via Carta Capital

Protestos nesta quarta-feira contra o demente Bolsonaro, serão da janela e pelas redes

Lideranças dos movimentos sociais e da oposição estão redimensionando os protestos desta quarta-feira, 18 de março. Já que as passeatas e atos públicos estão fora de questão, a saída é protestar de casa, pela janela ou pelas redes sociais. Confira a convocatória feita pelo deputado Ivan Valente: Nesta quarta não tem atos, mas tem protestos.É o dia de ir pra janela fazer muito barulho em defesa do SUS, da Proteção Social, da democracia e contra o desgoverno Bolsonaro. Não deixe de participar. pic.twitter.com/2ysawbIJwm — Ivan Valente (@IvanValente) March 17, 2020

Ministro que negou habeas corpus a Lula recebeu propina, diz ex-presidente da OAS

Atual corregedor Nacional de Justiça no CNJ, Martins é quem negou há um ano habeas corpus preventivo apresentado pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na época, o petista estava na iminência de ser preso pela lava jato. A propina delatada pelo ex-presidente da OAS e a negação do habeas corpus ao ex-presidente Lula, porém, não tem nexo causal. São eventos distintos. Segundo delação de Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, a propina foi paga em troca de ajuda com um recurso que tramitava no STJ. O esquema teria sido intermediado pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL) e o dinheiro recebido por meio do filho do ministro, o advogado Eduardo Filipe Alves Martins, que inicialmente pediu R$ 10 milhões. O recurso em questão foi proposto pela OAS contra uma decisão do TJ (Tribunal de Justiça) da Bahia, que deu ganho de causa à Prefeitura de Salvador em ação da empreiteira em razão de créditos da obra do canal Camurujipe. A delação premiada assinada pela Procuradoria Geral da República (PGR) ainda depende da homologação do Supremo Tribunal Federal (STF).

Brasil registra a 1ª morte por coronavírus, e o retardado presidente volta a chamar esta peste de histeria

 – O Estado de São Paulo registrou a primeira morte do coronavírus, e investiga quatro mortes no mesmo hospital – Os casos confirmados do novo coronavírus alcançaram 301 nesta terça-feira (16), segundo a atualização divulgada pelo Ministério da Saúde. É mais do que o dobro de três dias atrás. Na sexta-feira (13), o total passou de 100 pela primeira vez e agora já ultrapassa os 200. Ontem, o balanço registrou 200 pessoas infectadas. O Coordenador do Centro de Contingência do Coronavírus de São Paulo, David Uip, confirmou a 1ª morte por COVID-19 no estado e afirmou que outras 4 mortes no mesmo hospital estão sendo investigadas por suspeita de terem sido causadas pelo novo coronavírus. “Infelizmente, confirmamos o primeiro óbito por coronavírus no estado de São Paulo. Outras quatro mortes ocorreram no mesmo hospital, mas ainda estamos investigando a causa”, disse Uip nesta terça-feira (17) durante uma entrevista coletiva. O Estado de São Paulo registrou nesta segunda-feira a primeira morte causada pelo coronavírus. A vítima é um homem de 62 anos. “Coronovírus” Enquanto isso, o boçal presidente voltou a usar o termo “histeria” para se referir à pandemia do novo coronavírus. Durante entrevista à Rádio Tupi, do Rio de Janeiro, nesta terça-feira 17/III, ele ainda chamou duas vezes o novo vírus de “coronovírus”. “A economia estava indo bem, fizemos umas reformas, a taxa de juros lá em baixo, a questão de Risco Brasil também. Esse vírus trouxe certa histeria. E alguns governadores estão tomando medidas que vão prejudicar muito a nossa economia. Se for nos ônibus do Rio, Metrô de São Paulo, está tudo lotado. A vida continua, não tem que ter histeria. Tem que tirar a histeria. A histeria leva a um baque da economia.” “Nós íamos passar por isso. O que está errado é a histeria, como se fosse o fim do mundo. Uma nação como o Brasil, por exemplo, só estará livre quando um certo número de pessoas for infectado e criar anticorpos”, finalizou o ignorante Bolsonaro.

Bolsonaro, o retardado, coloca em risco a vida de meio milhão de brasileiros

 – CORONAVÍRUS: POUCO CASO DE BOLSONARO PODE CUSTAR 478 MIL VIDAS AO BRASIL – PESQUISADORES DA UNIVERSIDADE DE OXFORD, no Reino Unido, publicaram neste domingo um estudo preliminar calculando e comparando as prováveis mortes pelo novo coronavírus no Brasil e na Nigéria. Aqui, de acordo com a projeção, deve haver até 478 mil mortes. Trata-se de um preprint, ou seja, um estudo que ainda não foi revisado por outros pesquisadores, nem validado por uma publicação científica, mas que é antecipado para acelerar a circulação de informações de interesse público em emergências – exatamente como a crise que estamos vivendo. “Esse processo de peer review [revisão por colega] leva meses, então acaba retardando o processo de disseminação da informação”, explicou ao Intercept Jadel Kratz, gestor de pesquisa na Drugs for Neglected Diseases initiative, uma ONG que pesquisa medicamentos e vacinas para doenças negligenciadas pela indústria farmacêutica por não darem lucro. Como se trata de um estudo preliminar, ele ainda será discutido pela comunidade científica nos próximos dias. É possível que os autores decidam fazer correções na sua versão final. Por isso, é necessário olhar para os números com cautela. Para chegar aos números, os pesquisadores analisaram a proporção entre jovens e idosos da população de vários países. O novo coronavírus é particularmente fatal para a população mais velha. Para entender o padrão de mortalidade da doença, os cientistas analisaram dados da Itália, onde 1.809 pessoas já morreram, e da Coreia do Sul, que, apesar de ser a quarta nação mais afetada do mundo, com mais de 8.200 casos, teve apenas 75 mortes. A população dos dois países é parecida em números absolutos, mas diferente em estrutura demográfica: a Coreia do Sul tem mais jovens, e a Itália, mais velhos. Analisando os padrões de letalidade da doença, os pesquisadores projetaram seus efeitos nos países que ainda não chegaram ao pico dramático da pandemia – caso do Brasil. Aqui, 2% da população têm mais de 80 anos. Embora qualquer pessoa a partir de 60 anos já seja considerada vulnerável, é esse o grupo que corre maior risco de vida com a Covid-19, a doença provocada pela nova variedade do coronavírus, que começou a se espalhar na China e já contaminou mais de 160 mil pessoas no mundo e matou outras 6 mil. Analisando a taxa de mortalidade da doença em diferentes idades e fazendo as projeções para cada população, os pesquisadores chegaram ao cenário de possíveis 478.629 mortos no Brasil, número maior que o da Nigéria, que tem uma população mais jovem. A pesquisa parte do princípio de que 40% da população de cada país será infectada pelo novo coronavírus. A porcentagem é baseada em uma outra pesquisa, da Universidade de Harvard, nos EUA, que afirma que a proporção de contaminados em escala global será de 40% a 70%. É uma premissa razoável, considerando que especialistas indicam que a Alemanha, com pouco mais de um terço do número de contaminados na Itália, atual epicentro da pandemia, terá até 70% de seus habitantes infectados. O negacionismo de Bolsonaro diante dos perigos do coronavírus é catastrófico. “Hipóteses podem ser ajustadas, mas a forte relação entre a estrutura demográfica de uma população e o número de mortes se mantém”, escreveu uma das autoras da projeção, Jennifer Dowd. “Isso deve afetar a intensidade necessária das medidas tomadas em uma população para reduzir o número de casos mais críticos e a sobrecarga do sistema de saúde”. Numa troca de e-mails com o Intercept, Dowd explicou que a pesquisa não estima em quanto tempo esse número seria atingido. “É óbvio que medidas de contenção podem reduzir esse número, mas escolhemos [usá-lo] como uma ilustração do que é possível”, escreveu a pesquisadora de Oxford, especialista em demografia e saúde populacional. Dowd nos explicou que o estudo não têm condições de projetar qual seria a redução de mortes caso o governo tome medidas intensas, como o isolamento compulsório da população. Leia mais