Procurador pró-Moro denuncia Glenn Greenwald por associação criminosa no caso dos hackers

 Wellington Oliveira é o mesmo procurador que denunciou, no dia 19 de dezembro, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, sob a acusação de ter caluniado o ministro da Justiça, Sergio Moro – O procurador Wellington Oliveira, do Ministério Público Federal, denunciou o jornalista Glenn Greenwald, editor do site The Intercept, na Operação Spoofing por 176 invasões de dispositivo informático e associação criminosa. Segundo o MPF, o jornalista auxiliou e orientou hackers durante o período das invasões. As informações são do portal Jota. Wellington Oliveira é o mesmo procurador que denunciou, no dia 19 de dezembro, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, sob a acusação de ter caluniado o ministro da Justiça, Sergio Moro. Em julho, Santa Cruz disse, em entrevista à colunista do jornal Folha de S.Paulo Mônica Bergamo, que o ministro “banca o chefe da quadrilha ao dizer que sabe das conversas de autoridades que não são investigadas”. Oliveira denunciou o advogado por calúnia e pediu seu afastamento cautelar das funções no Conselho Federal da entidade. “Felipe de Santa Cruz Oliveira, atual presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, caluniou, de forma livre e consciente, o ministro da Justiça, Sergio Moro, ao imputar-lhe conduta criminosa quando afirmou que este ‘usa o cargo, aniquila a independência da Polícia Federal e ainda banca o chefe da quadrilha ao dizer que sabe das conversas de autoridades que não são investigadas’”, diz a denúncia. O jornalista Glenn Greenwald foi denunciado pelo MPF na Operação Spoofing por 176 invasões de dispositivo informático e associação criminosa. A denúncia é assinada por Wellington de Oliveira. Para o MPF, o jornalista auxiliou e orientou hackers durante o período das invasões pic.twitter.com/r0FyOZzoF1 — JOTA (@JotaInfo) January 21, 2020 Além de Greenwald, foram denunciados os seis membros do grupo hacker composto por Walter Delgatti Neto (o Vermelho), Danilo Marques, Luiz Molição e Tiago Elieser, Suelen Priscila e Gustavo Santos. Como explica o MPF, o jornalista não era alvo das investigações. “Glenn Greenwald também foi denunciado, embora não investigado nem indiciado”. “Para o MPF, ficou comprovado que ele auxiliou, incentivou e orientou o grupo durante o período das invasões”, afirma o órgão. O Ministério Público pede a condenação dos acusados visto que foram comprovadas 126 interceptações telefônicas, telemáticas ou de informática e 176 invasões de dispositivos informáticos de terceiros, resultando na obtenção de informações sigilosas. Com exceção de Glenn, todos os outros denunciados responderão pelo crime de lavagem de dinheiro.

O que vai sobrar da namoradinha do Brasil? Por Paulo Moreira Leite

– Uma das mais populares atrizes da história da TV brasileira, Regina Duarte levou anos para deixar a condição de talento valorizado mas descartável de nossos folhetins eletrônicos. Em 1979/1980, rompendo com a condição de rosto bonito, ela fez o seriado Malu Mulher, encarnando a primeira personagem feminina da TV capaz de assumir abertamente sua liberdade sexual. Num país onde a Globo era campeã da audiência, referência ideológica e de comportamento para milhões de brasileiros e brasileiras, Regina Duarte sinalizou uma travessia fundamental da emancipação feminina – o direito ao orgasmo, assumido de forma explícita ao longo do seriado. Numa história que os contemporâneos dificilmente esquecerão, em cenas escritas com sensibilidade por Glória Perez e dirigidas com delicadeza por Daniel Filho, atriz e personagem se uniram para ensinar que as mulheres tinham direito à própria felicidade, inclusive fora do casamento – verdade crucial num país que apenas três anos antes havia aprovado o divórcio. Quatro décadas depois, a caminho da Secretaria da Cultura do governo Jair Bolsonaro, Regina Duarte ameaça completar um percurso regressivo iniciado há vários anos. Cumpriu uma trajetória por todos conhecida. Abandonou as diversas causas progressistas e democráticas que assumiu ao longo da carreira, até chegar a 2018 como cabo eleitoral do bolsonarismo. Num governo empenhado em retirar direitos e liberdades das mulheres, que cultiva uma visão obsessiva e perversa da liberdade sexual – a ponto de estimular uma campanha a favor do sexo só depois do casamento – o percurso inevitável de Regina Duarte é de retrocesso e submissão. Seu destino será desdizer o que disse, desfazer o que fez, numa sequência que lhe permitiu tornar-se admirada por brasileiros e brasileiras, gerando uma duradoura empatia popular que, no terrível Brasil de 2020, Bolsonaro pretende alugar para servir a um um governo em estado de colapso moral. Não por acaso, o cidadão que ocupava a cadeira que Jair Bolsonaro reservou para Regina Duarte era um admirador de Goebbels. Queria formatar a cultura brasileira na modelagem do nazismo, onde o lugar da mulher é ser boa mãe, criar os filhos e, acima de tudo, obedecer ao marido. Os bons observadores da história humana ensinam que é possível medir o grau de civilização de uma sociedade pelo tratamento que dispensa às mulheres. Pai de quatro filhos, o presidente jamais perdeu uma chance de mostrar desprezo pelos avanços da emancipação feminina. Já foi capaz de referir-se a única filha como fruto de uma “fraquejada”. Também disse à deputada Maria do Rosário que ela era “muito feia para ser estuprada”. A lista é maior mas podemos ficar por aqui. Atriz experiente, Regina Duarte sabe que até podem ocorrer mudanças de nomes e alterações do cenário, mas o enredo do espetáculo permanece em linha com o espírito macabro do antecessor — até porque, minutos antes do escândalo produzido pela encarnação Goebbels, o dono da festa disse que enfim havia encontrado um “secretário de cultura de verdade”. Esse traço definidor inclui um empenho geral de ataque às liberdades, um vale tudo selvagem, sem distinção de credo, origem ou gênero. O que se quer é uma cultura postiça, do Estado, a serviço da propaganda política. Um levantamento do Artigo 5o, movimento que reúne intelectuais e artistas mobilizados em defesa da liberdade de expressão, indica 115 casos de censura, ameaças e atos de intimidação ocorridos no país desde a posse de Bolsonaro – sejam decisões que partiram de diversas instâncias do Estado, de entidades particulares ou mesmo intervenções de bandos truculentos contra eventos públicos. Mesmo admitindo que as pessoas mudam de ponto de vista e mesmo de ideologia ao longo da existência, num mundo onde não faltam decepções e sobram oportunidades para tropeços, não há muito para Regina Duarte fazer neste ambiente. Pela formação, pela experiência e, acima de tudo, pela realidade do universo político, na melhor das hipóteses seu lugar será decorativo como uma modelo de publicidade: dona da imagem mas não do próprio texto. A menos, claro, que, como um Mefisto de saias, esteja resolvida a oferecer sua alma ao demônio, como descreve Klaus Mann no grande romance de 1936, obra indispensável para se compreender a corrupção moral produzida pelo nazismo nos meios artísticos da Alemanha de Hitler e Goebbels. Alguma dúvida? Via Brasil 247

Vaza Jato: Nova reportagem mostra esquema entre Antagonista e Deltan Dallagnol

 – Intercept diz que Dallagnol tinha Antagonista nas mãos; jornalista do site deu dica para investigação de nora de Lula Vaza Jato: Nova reportagem mostra esquema entre Antagonista e Deltan Dallagnol – Procuradores atuaram em conjunto com jornalistas para evitar que Ivan Monteiro, ex-presidente da Petrobras, assumisse a chefia do Banco do Brasil Numa explosiva denúncia contra o site Antagonista, porta-voz oficial da Operação Lava Jato, os repórteres Rafael Moro Martins, Rafael Neves, João Felipe Linhares e Glenn Greenwald, do Intercept, acusam os colegas Diogo Mainardi, Mario Sabino e Claudio Dantas de prestarem serviços ao procurador Deltan Dallagnol. O principal deles teria sido detonar a candidatura de Ivan Monteiro, ex-presidente da Petrobras, à presidência do Banco do Brasil no governo Bolsonaro. Monteiro não seria do agrado de Onyx Lorenzoni, um aliado político de Deltan Dallagnol. Para agradar o chefe da Casa Civil, que no Congresso foi um dos grandes apoiadores das 10 Medidas contra a Corrupção propostas por Dallagnol, o chefe da Lava Jato passou a municiar o Antagonista com informações para impedir Monteiro de ser nomeado. Deu certo. Por outro lado, um dos integrantes do site, Claudio Dantas, foi quem deu a dica furada para que os investigadores perseguissem a nora do ex-presidente Lula, Marlene Araújo Lula da Silva. Dantas repassou o boato de que Marlene teria sido beneficada pela empreiteira OAS com uma loja num terminal do aeroporto de Guarulhos. A investigação não seguiu os caminhos formais e, portanto, foi ilegal. Nada foi descoberto contra ela. A “pesquisa” sobre Marlene, a nora de Lula: investigação ilegal Claudio Dantas acionava Januário Paludo, da Lava Jato, de acordo com as mensagens De acordo com o Intercept, Deltan Dallagnol tinha o poder de suspender a publicação de notícias no Antagonista. Depois que o site deu quatro notas sobre empresas de fachada criadas pela panamenha Mossack & Fonseca, Dallagnol pediu a Diogo Mainardi por escrito que suspendesse as publicações. A sede da Mossack & Fonseca na avenida Paulista em São Paulo foi alvo de uma ação da Polícia Federal. Nela, não foram encontrados documentos que levassem ao ex-presidente Lula e parentes, mas sim menção a uma herdeira do Grupo Globo. O laranjal da Mossack & Fonseca na avenida Paulista jamais foi exposto pelo jornalismo investigativo brasileiro. Abaixo, os dois documentos que o Antagonista expôs a respeito. E o pedido de Dallagnol para que Diogo Mainardi se calasse a respeito da Mossack. Quem mais usou Las Vegas para criar empresa fantasma? Para ler a denúncia completa, vá ao Intercept.

O dilema de Regina Duarte – Por Fernando Brito

 – Há muita coisa no caminho de Regina Duarte se escolher aceitar o convite de Jair Bolsonaro. – E as mais sérias não são perder o salário da Globo – e aos 72 anos e em ocaso, depois never more – e receber os estigmas dos quais ela já mostrou não se preservar. O problema será o que fazer com os “bolsoboys e bolsogirls” que Roberto Alvim, com carta branca de Jair Bolsonaro, instalou em mais de um dezena dos braços operacionais da Secretaria de Cultura. É uma turma que será defendida pela matilha com unhas e dentes – ou garras e presas, para expressar melhor – e que considera cada posto uma colina conquistada em sua guerra fundamentalista, cristão ou evangélica – na qual devem manter fincada a bandeira de sua Cruzada, de sua guerra “santa”. Não será fácil mudar cada peça – que dirá todas -, ainda mais porque o chefe demitiu Alvim não por uma gestão fundamentalista e abertamente reacionária no setor cultural do Governo, mas apenas por lhe ter criado um dissabor com Israel e as entidades da colônia israelita que, aliás, “flexibilizou” seus conceitos de intolerância ao racismo quando se tratou de gargalhar como os “quilombolas de sete arrobas”. E se tirar será difícil, também nada fácil será colocar novos dirigentes, porque a exposição das pessoas no meio cultural vai exigir que se pesquise muito para achar quem não tenha falado ou mesmo “tuitado” qualquer crítica a Bolsonaro, passaporte certo para ser incinerado na fogueira das redes sociais. Regina Duarte, portanto, está diante de um situação de neoViúva Porcina, ou pior, porque sem rompantes e sem a paixão incontida do atual Sinhozinho Malta. Rejeitar a convocação de Bolsonaro reduz sua patente na extrema-direita. Aceitar é para ser decorativa e ver-se em maus lençóis quando os subordinados que não se subordinam aprontarem situações chocantes. É voltar aos tempos de quando era garota-propaganda dos “Refrigeradores Frigidaire”, nos quais só emprestava a sua condição de mocinha bonita, mas não fazia o roteiro nem a direção. Duarte é mais um dos casos em que o ator, afinal, é capturado pelo personagem. Via Tijolaço

Roberto Alvim, secretário nazista de Bolsonaro, é oficialmente exonerado da Secretaria da Cultura

  – Queda de Roberto Alvim, secretário nacional de Cultura, acontece após ele citar Goebbels, ideólogo nazista, em vídeo de divulgação de programa de apoio às artes. Defesa explícita do nazismo foi considerada absurda até no governo de extrema-direita – A Secretaria Especial da Cultura informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que o secretário Roberto Alvim foi demitido do cargo. A exoneração acontece após Alvim citar um discurso de Joseph Goebbels, ministro da Propaganda da Alemanha nazista. Ele foi alvo de diversas críticas nesta sexta-feira, acusado de fazer propaganda explícita do nazismo. Mas a declaração que causou mais estranheza foi a do deputado federal Delegado Marcelo de Freitas – PSL/MG, um dos maiores escudeiros do presidente Bolsonaro, que foi para as redes sociais logo após a exoneração do secretário nacional de Cultura, pedir “Fora, Roberto Alvim!”. “A cultura não pode ser imposta a uma civilização pelos governantes! A História nos mostra exemplos assustadores de como a imposição estatal levou à perseguição e eliminação de milhões de seres humanos! Para quem esperou lealdade cega a determinadas pessoas, um enorme engano. Defenderei sempre o bom, o justo e o correto! Fora, Roberto Alvim! Delegado Federal Marcelo Freitas Deputado Federal/MG” Marcelo foi o relator do perverso texto da Reforma da Presidência, na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara, e aprovado no plenário, que já está desconstruindo a proteção social e jogando a velhice na miséria. Fato que desgastou o deputado, principalmente da população mais idosa e pobre, caso da comunidade de Vila Nova de Minas, terra do deputado.

Dodge prejudicou investigação sobre assassinato de Marielle Franco, aponta MP

A coordenadora do Grupo de Ação e Repressão contra o Crime Organizado (Gaeco) do MPRJ, Simone Sibilio, afirma que a ex-PGR provocou “balburdia processual” ao defender a federalização do caso Jornal GGN – A ex-procuradora-geral da República Raquel Dodge foi alvo de severas críticas pela promotora-chefe da investigação do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. Leia também: https://emcimadanoticia.com/2019/03/12/gangue-bolsonariana-podera-esta-envolvida-no-assassinato-de-marielle/ De acordo com informações do portal G1, o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) chegou a declarar em documento de acesso restrito que a atuação da PGR pode municiar a defesa de acusados. As críticas constam das alegações finais do MPRJ no Incidente de Deslocamento de Competência (IDC) de número 24, aberto pela ministra Laurita Vaz após pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), em 17 de setembro do ano passado – perto da saída de Dodge do posto. A coordenadora do Grupo de Ação e Repressão contra o Crime Organizado (Gaeco) do MPRJ, Simone Sibilio, afirma no documento que a ex-PGR atuou por “capricho pessoal”, usou “argumentação falaciosa”, provoca “balburdia processual”, baseou-se em “disse me disse” e traz “prejuízos incomensuráveis” ao caso, “sem conseguir enxergar o malefício que produziu”. Leia a íntegra no GGN

Golpista arrependido quer sair do ostracismo fazendo autocrítica

 – Cristovam se oferece para fazer a chamada “autocrítica da esquerda” – “A primeira coisa é aceitar que erramos. Podem não ser esses os erros, mas erramos. Se nós não tivéssemos errado, o presidente não era o Bolsonaro. Era alguém do PSDB, alguém do PT, do PSB, do PDT. Era alguém desse bloco. Aliás, um erro grave foi o de cair na corrupção”, diz ele, em entrevista ao Globo – O ex-senador Cristovam Buarque, que apoiou o golpe de 2016 contra a ex-presidente Dilma Rousseff, diz que Jair Bolsonaro é consequência dos erros da esquerda – e não de um processo de impeachment sem crime de responsabilidade. “A primeira coisa é aceitar que erramos. Podem não ser esses os erros, mas erramos. Se nós não tivéssemos errado, o presidente não era o Bolsonaro. Era alguém do PSDB, alguém do PT, do PSB, do PDT. Era alguém desse bloco. Aliás, um erro grave foi o de cair na corrupção. Nós, como bloco, toleramos a corrupção, o aparelhamento do Estado, convivemos com as mordomias”, diz ele, em entrevista ao Globo. “Vai ter de ter. O Brasil vai ter que encontrar um rumo e uma coesão. São duas palavras que eu acho que resumem nosso fracasso. Nós não fomos capazes de fazer uma coesão e não fomos capazes de definir um rumo”, afirma ainda Cristovam, que se apresenta como a voz disposta a fazer a chamada “autocrítica” da esquerda.

Moro chorou ao saber que seria demitido e prometeu mudar de comportamento

– Moro ficou atônito, lacrimejou e pediu uma segunda chance, no dia em que soube que seria demitido por Bolsonaro – No dia em que foi avisado por um dos ministros militares que seria demitido por Bolsonaro, Moro ficou atordoado. Calou-se por uns minutos, ficou olhando para o alto, como se tivesse perdido o chão, e ao voltar a encarar o interlocutor, lacrimejava. Por Renato Rovai, do seu blog Leia também: https://emcimadanoticia.com/2020/01/14/entre-humilhacoes-e-bajulacao-a-rotina-de-moro-no-auge-da-crise-com-bolsonaro/ A história foi revelada por um deputado do PSL para uma fonte do blogueiro ainda no ano passado. Como eram poucos os elementos para publicá-la, o blogueiro silenciou. Apenas tratou da crise e da provável demissão nas lives que faz todos os dias no Canal da Fórum. Com a revelação da história da demissão no livro Tormenta – O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos, de Thais Oyama, decidiu que valia a pena contá-la aqui. O interlocutor confirmou hoje, depois de nova consulta do blogueiro, que quando o deputado lhe disse isso, gabava-se de ter ajudado como bombeiro para que o fato não se consumasse. Mas que fazia questão de salientar que teria feito isso não por gostar de Moro, mas porque muitos avaliavam que a queda dele poderia derrubar o próprio Bolsonaro. A história, porém, não se encerra aqui. A mesma fonte dizia que nesta conversa, após discretamente enxugar os olhos, Moro pediu uma segunda chance. Usando exatamente este termo. E disse que se o presidente lhe permitisse, mudaria o comportamento. Ao ser informado do pedido de segunda chance de Moro, isso tudo no final de agosto, Bolsonaro fez chegar ao ministro que queria demonstrações públicas. A senha para o novo pacto teria vindo numa foto publicada no Twitter de Moro no dia 25 de agosto. Moro, de soldado, desfilando em Curitiba com arma em punho. Há mil anos atrás, mas orgulho de ter dado pequena contribuição. Feliz dia do soldado. pic.twitter.com/RhgcfB5X8K — Sergio Moro (@SF_Moro) August 25, 2019 Para confirmar se de fato houve uma mudança de comportamento de Moro a partir do final de agosto, momento em que ele foi quase demitido, Fórum solicitou ao pesquisador de redes, Antonio Arles, que produzisse um estudo separando os tweets de Moro do dia 20 de maio a 20 de agosto (90 dias antes da crise) e fizesse o mesmo de 20 de agosto até 20 novembro (90 dias após) para ver quais foram as palavras mais usadas pelo ministro nesses dois períodos. O estudo produzido por Arles mostra que nos 90 dias anteriores ao 20 de agosto, os termos mais usados por Moro nos seus tweets foram: 1 – MJ SP – 55 2 – Segurança – 34 3 – Crime – 30 4 – Federal – 29 5 – Brasil – 23 6 – Governo – 23 7 – Lei – 22 8 -Nacional – 22 9 – Operação – 20 10 – Polícia – 20 O termo PR já era usado por Moro neste período, mas com intensidade bem menor. Estava no 21º da lista, com 15 vezes. Jair Bolsonaro, aparecia em 24º lugar, com 14 vezes. Um número ainda menor de citações. Nos 90 dias posteriores ao 20 de agosto, os termos mais usados foram os seguintes 1 – Brasil – 42 2 – Crime – 39 3 – Crimes – 37 4 – Governo – 37 5 – Jair Bolsonaro – 36 6 – PR – 35 7 – MJ SP – 33 8 – Federal – 30 9 – Projeto – 28 10 – Lei – 26 Bolsonaro que estava em 24º lugar entre as palavras mais citadas antes da ameaça de demissão, passa a 5º lugar. PR (abreviação utilizada no governo para presidente) que era 21º lugar vai para sexto. Ao demonstrar que era um bom soldado, Moro continua no governo.

Entre humilhações e bajulação: a rotina de Moro no auge da crise com Bolsonaro

  – Após mostrar descontentamento com a decisão de Dias Toffoli de suspender as investigações contra Flávio Bolsonaro, Moro foi humilhado publicamente por Bolsonaro, que pediu que o ex-juiz da Lava Jato deixasse o cargo. O ministro, no entanto, buscou reaproximação bajulando o capitão nas redes sociais – A informação publicada no livro “Tormenta – O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos”, da jornalista Thaís Oyama, de que Jair Bolsonaro chegou a pedir para que Sergio Moro deixasse o Ministério da Justiça traz à tona uma rotina de humilhações promovidas pelo capitão e de bajulação do ex-todo-poderoso juiz da Lava Jato ao chefe para manter-se no cargo. A crise teve início no mês de julho, quando Moro demonstrou descontentamento com a decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, atendeu a um pedido feito pela defesa do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) e suspendeu o andamento de todos os processos judiciais do país que foram instaurados sem supervisão da Justiça e que envolvem dados compartilhados pelos órgãos administrativos de fiscalização e controle como o Fisco, o COAF e o BACEN. No início de agosto, a crise atingiu seu auge e, enquanto Moro era humilhado em eventos públicos por Bolsonaro, o núcleo duro do governo isolava o ex-juiz por sua “ingratidão” ao capitão. No dia 9 de agosto, Bolsonaro expôs o ministro ao escracho, ao autografar a camisa de um apoiador. Ele pediu que Moro também assinasse e, ao devolver para o dono, o presidente perguntou se o ministro havia escrito “Lula Livre”. No dia anterior, em live pelo Facebook, Bolsonaro já havia provocado Moro ao indagar se ele iria fazer um “troca-troca” com Ricardo Salles, dando gargalhadas enquanto o ministro se constrangia. No mesmo dia 9, O Globo, Folha e Estadão destacavam um Moro “menor” e humilhado por Bolsonaro. Os três principais jornais impressos do País deram destaque à humilhação que o ministro da Justiça Sérgio Moro está sendo submetido por Jair Bolsonaro e já rifam o ex-juiz que, no governo, estaria cada dia “menor” em relação ao imponente magistrado que comandava a 13ª Vara Federal de Curitiba com “uma caneta na mão”. Bajulação Após a série de humilhações, Moro se prontificou a se redimir e mostrar “fidelidade” a Bolsonaro, iniciando uma série de publicações e declarações bajulando o presidente. Em 3 dias, o ministro citou Bolsonaro quatro vezes em seu Twitter – igual ao total dos 30 dias anteriores, quando o ministro havia citado o chefe somente quatro vezes em suas postagens. Moro também mudou o tom com a mídia e começou a apoiar Bolsonaro no ataque aos jornalistas, compartilhando um vídeo em que Bolsonaro tenta intimidar a imprensa ao explicar sobre os “excessos” do Código Penal. “Se excesso de jornalismo desse cadeia, todos vocês estariam presos agora”, diz Bolsonaro, com Moro rindo discretamente ao fundo. Mesmo defendido por Dallagnol, que atacou Bolsonaro em entrevista, Moro seguiu firme no propósito de se manter no cargo pela bajulação. No dia 25 de agosto, o ex-juiz publicou foto vestido de soldado no Twitter. “Há mil anos atrás, mas orgulho de ter dado pequena contribuição. Feliz dia do soldado”, tuitou Moro. A bajulação atingiu o auge quando o general Augusto Heleno, do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), já havia convencido Bolsonaro a não demitir o ex-juiz, com uma ameaça dizendo que se Moro fosse demitido, o governo acabaria. No dia 2 de setembro, Moro publicou uma foto abraçado com Bolsonaro no Instagram com a frase: “Nova semana, novos motivos para sorrir”. Via: Revista Fórum

Democracia em Vertigem, sobre golpe contra Dilma, é indicado ao Oscar

 – Filme brasileiro, dirigido por Petra Costa, é um dos cinco finalistas na categoria de melhor documentário de longa-metragem O filme brasileiro Democracia em Vertigem, de Petra Costa, vai concorrer ao Oscar 2020. O longa – que denuncia o golpe de 2016 contra a presidenta Dilma Rousseff (PT) – foi anunciado na manhã desta segunda-feira (13/1) como um dos cinco finalistas na categoria de melhor documentário de longa-metragem. “Numa época em que a extrema direita está se espalhando como uma epidemia, esperamos que esse filme possa nos ajudar a entender como é crucial proteger nossas democracias”, afirmou Petra, nas redes sociais, ao comentar a indicação ao Oscar. “Está se tornando cada vez mais evidente o quanto o pessoal é político para tantos ao redor do mundo, e acredito que é por meio de histórias, linguagem e documentários que as civilizações começam a se curar.” Democracia estreou há um ano, no Festival de Sundance, figurou na lista de melhores filmes do jornal norte-americano The New York Times e foi distribuído pela Netflix – o que ajudou a produção a ter mais visibilidade no mercado internacional. O filme já havia concorrido ao Critics’ Choice Documentary Awards, uma espécie de prévia para o Oscar de documentário. “Democracia em Vertigem se propõe a contar – através dos bastidores dos palácios e das grandes manifestações que sacudiram o Brasil nos últimos anos – a história que aconteceu, e não a que gostaríamos que tivesse sido”, sintetizou a jornalista Mariana Serafini, em artigo sobre o filme publicado no Vermelho. “A única forma de a narrativa ser outra é aprender com os erros cometidos até aqui, superar a vertigem e construir um projeto sólido para avançar à esquerda – mas tudo isso… antes que a democracia acabe.”   É a primeira vez que a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood indica à premiação um documentário produzido no Brasil. Seus concorrentes serão Indústria Americana (de Steven Bognar, Julia Reichert e Jeff Reichert), The Cave (de Feras Fayyad, Kristine Barfod e Sigrid Dyejaer), For Sama (de Waad Al-kateab e Edward Watts) e Honeyland (de Ljubo Stefanov, Tamara Kotevska e Atanas Georgiev). A cerimônia será realizada em 9 de fevereiro, no Dolby Theatre, em Los Angeles (EUA). Confira abaixo os indicados nas principais categorias do Oscar 2020: Melhor filme * Ford vs Ferrari * O Irlandês * Jojo Rabbit * Coringa * Adoráveis Mulheres * História de um Casamento * 1917 * Era uma vez em… Hollywood * Parasita Melhor Ator * Joaquin Phoenix, por Coringa * Leonardo DiCaprio, por Era Uma Vez em… Hollywood * Adam Driver, por História de um Casamento * Antonio Banderas, por Dor e Glória * Jonathan Pryce, por Dois Papas Melhor Atriz * Renée Zellweger, por Judy: Muito Além do Arco-Íris * Scarlett Johansson, por História de um Casamento * Charlize Theron, por O Escândalo * Cynthia Erivo, por Harriet * Saoirse Ronan, por Adoráveis Mulheres Melhor Direção * Martin Scorsese, por O Irlandês * Todd Phillips, por Coringa * Sam Mendes, por 1917 * Quentin Tarantino, por Era uma vez em… Hollywood * Bong Joon Ho, por Parasita Melhor atriz coadjuvante * Laura Dern, por História de um Casamento * Kathy Bates, por O Caso Richard Jewell * Florence Pugh, por Adoráveis Mulheres * Scarlett Johansson, por Jojo Rabbit * Margot Robbie, por O Escândalo Melhor ator coadjuvante * Brad Pitt, por Era Uma Vez em… Hollywood * Joe Pesci, por O Irlandês * Al Pacino, por O Irlandês * Tom Hanks, por Um Lindo Dia na Vizinhança * Anthony Hopkins, por Dois Papas Melhor documentário * Democracia em Vertigem * For Sama * American Factory * Honeyland * The Cave Melhor filme estrangeiro * Corpus Christi * Honeyland * Dor e Glória * Parasita * Os Miseráveis Melhor roteiro original * Entre Facas e Segredos * História de Um Casamento * 1917 * Era Uma Vez Em Hollywood * Parasita Melhor roteiro adaptado * O Irlandês * Jojo Rabbit * Coringa * Adoráveis Mulheres * Dois Papas Melhor animação * Toy Story 4 * Link Perdido * Como Treinar o Seu Dragão 3 * I Lost My Body * Klaus