Primeira santa brasileira, Irmã Dulce dedicou sua vida à classe trabalhadora

 Santa Dulce dos Pobres teve dois milagres reconhecidos pelo Vaticano e foi canonizada pelo Papa Francisco Maria Rita de Sousa Brito Lopes Pontes, a Irmã Dulce, se tornou a primeira santa brasileira. Neste domingo (13), a beata foi canonizada no Vaticano pelo Papa Francisco, e passará a ser chamada de “Santa Dulce dos Pobres”, por conta de sua vida dedicada aos mais vulneráveis. Mais de 100 pessoas de uma Comitiva do Brasil acompanharam o ato, entre elas, parlamentares e autoridades políticas, junto de filhos e cônjuges. Informalmente, Dulce já é tratada como santa na Bahia e seu santuário no largo de Roma, em Salvador, atrai fieis e romeiros durante todo o ano. Nascida em 1914 na capital baiana, desde a adolescência Dulce já manifestava o desejo de seguir a vida religiosa. Ela lotava a casa dos pais de pessoas doentes e transformou o local em um centro informal de atendimento, em 1927. A casa ficou conhecida como “a portaria de São Francisco”. Aos 23 anos, ela fez sua profissão de fé e votos perpétuos, tornando-se freira após seis meses na Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, em Sergipe. A preocupação de Dulce com os menos favorecidos permeou toda sua vida e se manifestou inclusive na escolha do seu time de futebol. A religiosa torcia desde pequena para o Esporte Clube Ypiranga, uma tradicional equipe baiana, formada por excluídos sociais e pela classe trabalhadora. Já como freira, seu primeiro trabalho foi em um colégio, na Cidade Baixa, em Salvador (BA). A Irmã começou a atender a comunidade pobre dos Alagados, formada majoritariamente por operários. A atuação no local resultou, em 1936, na criação de um posto médico e da primeira organização operária católica do estado, a União Operária São Francisco. A União, posteriormente, tornou-se o Círculo Operário da Bahia, que visava a promoção cultural e social dos trabalhadores, e era sustentado pela renda gerada por três cinemas construídos por meio de doações. Em relação permanente com a classe operária, ela ajudou a fundar o Colégio Santo Antônio, pensado para educar os filhos das trabalhadoras e trabalhadores. O maior destaque de sua trajetória enquanto militante religiosa e social foi sua atuação ao lado dos enfermos, que rendeu a Dulce a alcunha de “Anjo bom da Bahia”. Exemplo disso está na história do maior hospital da Bahia, o Santo Antônio. A instituição surgiu por iniciativa da Irmã, que ofereceu tratamento a 70 doentes resgatados das ruas de Salvador em um abrigo improvisado no galinheiro do Convento Santo Antônio. O local realiza atualmente 16,5 mil internações e 10 mil cirurgias anuais. No total, são 3,5 milhões de procedimentos ambulatoriais por ano por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). Legado Irmã Dulce faleceu em 13 de março de 1992, mas seu trabalho continua graças à entidade filantrópica Obras Sociais Irmã Dulce (Osid), criada por ela em 1959, e que segue a missão da freira até os dias de hoje. O Hospital Santo Antônio é apenas uma das iniciativas que criadas pela força de Irmã Dulce. A instituição faz parte do Complexo Roma, que possui 21 núcleos atuando nas áreas de saúde, assistência social, pesquisa científica, ensino em saúde e educação. Entre eles estão o Centro Geriátrico, Hospital da Criança, a Unidade de Alta Complexidade em Oncologia, o Centro de Acolhimento à Pessoa com Deficiência e Centro Especializado em Reabilitação e do Centro de Acolhimento e Tratamento de Alcoolistas. Na área de educação, o Centro Educacional Santo Antônio (Cesa) tem uma história semelhante à do Hospital. Surgiu do desejo da freira de ajudar o próximo, em 1964, quando decidiu por criar um orfanato para abrigar crianças sem referência familiar. Em 1994, tornou-se uma escola de tempo integral, e hoje atende a cerca de 787 crianças em situação de vulnerabilidade social no ensino fundamental. O Cesa é referência no ensino básico, e oferece acesso à arte-educação, inclusão digital, iniciação profissional, atividades esportivas, assistência odontológica, alimentação, fardamento e material escolar gratuitos. Além disso, dispõe de uma unidade de sustentabilidade, o Centro de Panificação. Milagres Após sua morte, relatos de milagres e graças alcançadas se multiplicaram, tanto no Brasil quanto no exterior, superando a marca dos 14 mil catalogados por uma equipe das Obras Sociais Irmã Dulce. Foram dois os milagres, porém, que a levaram a ser reconhecida como beata e, agora, como santa. “Bem-aventurada Dulce dos Pobres” foi beatificada em 2011 após ter um milagre reconhecido pela Igreja Católica. O milagre atribuído a ela foi a sobrevivência da sergipana Cláudia Cristiane dos Santos. Após dar a luz em 11 de janeiro de 2001, ela teve uma hemorragia e precisou passar por três cirurgias. Após 18 horas sangrando, os médicos afirmavam que Cláudia não tinha chances de sobreviver, mas ela se recuperou após orações feitas para Irmã Dulce. Dez médicos brasileiros e seis italianos investigaram o caso. Não foram encontradas explicações científicas para a milagrosa recuperação da paciente. O segundo milagre reconhecido – o que levou ao processo de canonização –, é a cura da cegueira instantânea de um homem de cerca de 50 anos. Sem enxergar por 14 anos, ele teria clamado por Irmã Dulce após sentir fortes dores nos olhos. No dia seguinte, voltou a enxergar. Uma comissão de médicos analisou o milagre e, de novo, não encontrou nenhuma explicação na ciência. A canonização de Irmã Dulce foi a terceira mais veloz da história da Igreja Católica a partir da data da morte. Foram 27 anos. Via Brasil de Fato

Bolsonaro é vaiado em Aparecida após Arcebispo dizer que direita é “violenta e injusta”

Bolsonaro não conseguiu esconder a surpresa com a quantidade de vaias que recebeu na catedral de Aparecida O presidente Jair Bolsonaro foi ao Santuário Nacional de Aparecida, em Aparecida do Norte (SP) neste sábado (12) em razão do dia de Nossa Senhora de Aparecida e foi recebido com mais vaias do que aplausos, surpreendendo a comitiva presidencial. A reação negativa veio no mesmo dia em que o arcebispo de Aparecida, dom Orlando Brandes, declarou que “a direita é violenta e injusta” e que a corrupção tem tido caminho mais fácil. Segundo Gerson Monteiro, do portal Terra, logo na chegada de Bolsonaro um coro de vaias tomou conta do principal templo católico do país. O presidente não conseguiu esconder a surpresa com as reações e ficou boquiaberto. Alguns aplausos também foram ouvidos, tentando amenizar o estrago. Em dois momentos em que o ex-capitão teve o nome anunciado os fiéis reagiram com vaias e aplausos.  Bolsonaro, que é evangélico e aliado de Edir Macedo, é o primeiro presidente da República a participar das celebrações de 12 de outubro e o segundo a ir a Aparecida no exercício do cargo. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foi uma vez à catedral. Mais cedo, dom Orlando Brandes fez um sermão com duras críticas ao conservadorismo e à direita. Ele disse que o “dragão do tradicionalismo” ataca o Papa Francisco e o Sínodo da Amazônia e que a corrupção tem tido caminho mais fácil, gerando desemprego e crescimento das desigualdades. “Temos o dragão do tradicionalismo. A direita é violenta, é injusta, estão fuzilando o Papa, o Sínodo, o Concílio Vaticano Segundo. Parece que não queremos vida, o Concílio Vaticano segundo, o evangelho, porque ninguém de nós duvida que está é a grande razão do sínodo, do concílio, deste santuário, a não ser a vida como já falei”, professou Brandes

Gilmar Mendes diz que processos que condenaram Lula podem ser anulados

 Em entrevista à BBC Brasil, ministro do STF falou sobre a suspeição de Sérgio Moro nos processos que envolvem o ex-presidente: “Já há uma carga enorme de dados a indicar elementos para uma discussão. Isso documentado, trazido pela defesa do Lula” Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), declarou que os processos que condenaram Lula, conduzidos e julgados pelo ex-juiz e atual ministro Sérgio Moro, poderão ser anulados e voltar à fase de denúncia. Em entrevista à BBC Brasil, o ministro disse que, caso isso aconteça, haverá a anulação das condenações do ex-presidente em dois processos: do tríplex de Guarujá e do sítio de Atibaia. Além disso, há a hipóteses de retroceder a ação sobre supostas ilegalidades envolvendo recursos para o Instituto Lula, que está prestes a receber sentença do juiz Luiz Antônio Bonat, substituto de Moro na 13ª Vara de Curitiba. “Eu tenho impressão que, pelo menos tal como está formulado (o recurso), se for anulada a sentença, nós voltamos até a denúncia. Portanto, todos os atos por ele (Moro) praticados no processo, inclusive o recebimento da denúncia, estão afetados pela nulidade. Será esse o veredicto”, disse. Gilmar acredita que serão necessárias, pelo menos, duas sessões de julgamento na Segunda Turma do STF para concluir a análise do recurso. Isso porque já deve haver uma discussão se as mensagens reveladas pelo site The Intercept Brasil podem ser utilizadas em benefício de Lula. Suspeição Por enquanto, os ministros Edson Fachin e Cármen Lúcia votaram, no final de 2018, contra a suspeição de Moro. O caso está suspenso por pedido de vista de Gilmar. Faltam votar também Ricardo Lewandowski e Celso de Mello. Questionado sobre a suspeição de Moro. O ministro disse: “Na verdade, já há uma carga enorme de dados a indicar elementos para uma discussão. Isso documentado, trazido pela defesa do Lula. Agora, isso está sendo acrescido por esses elementos, a forma que (autoridades da Lava Jato) conduziam os processos. Isso vai ter que ser de fato discutido. E é isto que estamos julgando, se de fato se trata de um juiz suspeito e, por isso, sua decisão não teria validade”.

Crime eleitoral – WhatsApp reconhece que foi violado na campanha de Bolsonaro

Pela primeira vez, o WhatsApp admitiu que a eleição presidencial de 2018 teve uso de envios maciços de mensagens, com sistemas automatizados contratados de empresas. A prática, ilegal, beneficiou campanhas como a de Jair Bolsonaro (PSL). “Houve a atuação de empresas fornecedoras de envios maciços de mensagens, que violaram nossos termos de uso para atingir grande número de pessoas”, disse Ben Supple, gerente de Políticas Públicas e Eleições Globais do WhatsApp, em palestra no Festival Gabo. Em uma série de reportagens desde outubro do ano passado, a Folha de S.Paulo revelou a contratação, durante a campanha, de empresas de marketing que faziam envios maciços de mensagens políticas, usando de forma fraudulenta CPFs de idosos e até contratando agências estrangeiras. Uma das reportagens noticiou que empresários apoiadores de Bolsonaro bancaram o disparo de mensagens em massa contra Fernando Haddad (PT), que foi derrotado. O TSE veda o uso de ferramentas de automatização, como os softwares de disparo em massa. Além disso, conforme mostrou a Folha, empresários contrataram disparos a favor e contra candidatos, sem declarar esses gastos à Justiça Eleitoral, o que configura o crime de caixa dois. No mesmo evento, o executivo do WhatsApp condenou os grupos públicos da plataforma acessados por meio de links que distribuem conteúdo político, na maior parte das vezes relacionados ao governo Bolsonaro. “Vemos esses grupos como tabloides sensacionalistas, onde as pessoas querem espalhar uma mensagem para uma plateia e normalmente divulgam conteúdo mais polêmico e problemático”, disse Ben Supple. “Nossa visão é: não entre nesses grupos grandes, com gente que você não conhece. Saia desses grupos e os denuncie.” Segundo o executivo, o WhatsApp desencoraja “o uso dos grupos como listas de transmissão” de conteúdos, como ocorre com muitos grupos de apoiadores de políticos. “O WhatsApp foi criado para abrigar conversas orgânicas, entre famílias e amigos.” Indagado se o uso do WhatsApp por campanhas políticas violava as regras, ele afirmou: “Não viola desde que se respeitem todos os termos de uso [que vedam automação e envio massivo]. Todos estão sujeitos aos mesmos critérios, não importa se quem usa é um candidato à Presidência ou um camponês do interior da Índia.” Supple reconheceu, ainda, a influência do aplicativo em processos eleitorais. “Sabemos que eleições podem ser vencidas ou perdidas no WhatsApp”, disse. E afirmou que o WhatsApp despachou equipes para acompanhar as eleições de Índia, Indonésia e Parlamento Europeu no primeiro semestre. Segundo ele, a plataforma já esperava que as eleições no Brasil fossem palco de campanhas de desinformação. “Sempre soubemos que a eleição brasileira seria um desafio. Era uma eleição muito polarizada e as condições eram ideais para a disseminação de desinformação”, disse. “No Brasil, muita gente usa o WhatsApp como fonte primária de informação e não tem meios para verificar a veracidade do conteúdo.” No entanto, apenas uma minoria comete irregularidades, afirma. O executivo disse que a empresa vem adotando uma série de medidas para bloquear contas que violam as normas ao fazer envio automatizado ou maciço. E relatou que desde janeiro – quando o número de reencaminhamentos de uma mensagem foi limitado a cinco –, o número total de reencaminhamentos caiu 25%. Supple afirmou que o WhatsApp tem banido 2 milhões de contas por mês

Para abafar as suspeitas de corrupção, Bolsonaro radicaliza discurso contra imprensa

Mais armas e menos livros

 Eleito com um discurso demagógico de “tolerância zero” a irregularidades, Jair Bolsonaro, ao ser confrontado com a realidade de que estas se multiplicam em seu governo, radicaliza o discurso contra a imprensa para não perder eleitores polarizados por aquele discurso – Reportagem de Gustavo Uribe e Talita Fernandes na Folha de S.Paulo destaca que Jair Bolsonaro voltou a radicalizar seu discurso público contra denúncias e críticas publicadas pela imprensa, na tentativa de blindar o governo e evitar desgaste de imagem com os casos de corrupção e as irregularidades em seu governo. Para evitar aumento da rejeição, ele adotou uma estratégia que tem se tornado praxe na atual gestão. Em momentos de críticas, o Palácio do Planalto eleva o tom na tentativa de enfraquecer o impacto de notícias negativas. Com isso, Bolsonaro tenta também dar munição para que sua base eleitoral continue a defender seu governo. Segundo auxiliares de Bolsonaro ouvidos pelo jornal, Bolsonaro tem medo de perder apoio na sua base eleitoral. A reportagem informa que as suspeitas de corrupção estão tendo repercussão negativa para Bolsonaro nas redes sociais e minando as bases do bolsonarismo. Nos três episódios mais recentes de denúncias de corrupção envolvendo auxiliares próximos do Planalto, Bolsonaro radicalizou a retórica. Primeiro, na semana seguinte à operação da Polícia Federal contra o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), por suspeita de desvios em obras públicas, Bolsonaro disse que não falaria mais com a imprensa. Nesta semana, Bolsonaro disse que a Folha foi “às profundezas do esgoto”, porque o jornal informou que há indícios de que a campanha eleitoral do então candidato a presidente recebeu recursos via caixa 2 do esquema de candidaturas laranjas do PSL em Minas Gerais. E na última terça-feira, na entrada do Palácio da Alvorada, Bolsonaro chamou a imprensa de “fétida”. Na véspera, Bolsonaro afirmou que a cobertura jornalística não pode continuar com “covardia” e “patifaria”.

Moro e PF ignoram caixa 2 do laranjal de Bolsonaro

 Declaração de Moro em defesa de Bolsonaro surpreende juízes e procuradores A atitude do ministro Sergio Moro de defender Bolsonaro das denúncias de envolvimento no caixa 2 do laranjal do PSL, quando as investigações ainda estão sob sigilo, provocou forte reação entre juízes e membros do Ministério Público Federal (MPF). Moro demonstrou que é subserviente ao chefe e cometeu mais uma irregularidade – É com “incredulidade”, que procuradores reagem às declarações de Moro em defesa de Bolsonaro no caso do laranjal do PSL, e quanto a Ministros de cortes superiores, com alarde, informa a coluna Painel da Folha de S.Paulo. Para um membro do Superior Tribunal de Justiça, o chefe da PF mostrou parcialidade. Afinal, Moro defendeu Bolsonaro afirmando que “nem a PF e nem o Ministério Público, que atuam com independência, viram algo contra o presidente nesse inquérito”, quando o caso se encontra sob sigilo, situação em que o ministro não deveria ter informações privilegiadas.

O grande impune – As fraudes de Sérgio Moro, segundo Janio de Freitas

O ministro da Justiça e Segurança Pública Sérgio Moro fraudou os fatos ao afirmar que acabou o Brasil sem justiça. Ele se vale de um embaralhamento de muitas a partir da Operação Lava Jato. Misturaram-se corrupção e impunidade como conceitos e como fatos, que passaram a ser um todo, dadas a dependência mútua e a incidência concentrada em grandes transações empresariais. A análise é de Janio de Freitas, colunista do jornal Folha de S. Paulo, num texto intitulado “O grande impune”. “Combate à corrupção e arbitrariedade associaram-se no permissivismo escandaloso, ao som de manchetes sensacionalistas, verdades e inverdades igualadas, sem memória de regras e leis. Sergio Moro é a figura simbólica dessa dissolução”, afirma ele. O colunista lembra que em solenidade palaciana por seu projeto anticrime que não combate, antes estimula certos crimes, Moro não dispensou o bordão frequente na sua vulgaridade verbal: (…) “Os tempos do Brasil sem lei e sem justiça chegaram ao fim”. “Mais uma afirmação fraudulenta. Pode-se socorrê-la, no entanto, emprestando-lhe o entendimento de que as revelações do The Intercept Brasil põem fim à complacência dos Poderes com o regime ‘sem lei’, vigente por cinco anos. Ou desde a criação da Lava Jato em março de 2014”, escreve ele. Segundo Janio de Freitas, essa reação a contragosto mostra-se como um engasgo no Supremo, no Superior Tribunal de Justiça, nos conselhos nacionais do Judiciário e do Ministério Público (procuradores). “Peça principal no impasse, o Supremo tergiversa. No caso fundamental da mutilação, em julgamentos por Sergio Moro, do tempo e outros direitos da defesa, ao menos 5 dos 11 ministros lutam com suas preferências. É a divisão do tribunal já conhecida, mas ainda não vista em situação tão significativa”, avalia. Colunista afirma também que, sob o comando de Sergio Moro, o objetivo primordial foi manipular a eleição presidencial, o que ocorreu à vista de todo o país. Desse resultado desdobraram-se os efeitos econômicos, pré-sal à frente, e de política externa. Mais tarde serão conhecidas as influências do exterior, como em todos os episódios anômalos que envolveram petróleo e outras riquezas nacionais. Segundo ela, nos limites da Constituição e da legalidade em geral, fartos embora, Moro e seus centuriões da Procuradoria da República e da Polícia Federal não atingiriam o objetivo primordial, perdendo os subsequentes. O “devido processo legal”, direitos, a moralidade da magistratura, a Constituição foram transgredidos até onde conveniente. E sem restrição do Supremo e dos órgãos de disciplinamento judicial. Janio de Freitas lembra que Sergio Moro não precisou se preocupar, como se comprova nas revelações do Intercept Brasil, em ser reprimido. “Tudo o que fez contou com a pronta associação do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre. Daí às instâncias superiores, nada diferente. Sérgio Moro esteve acima da lei, dos tribunais, do Supremo. Ele diz que a Lava Jato acabou com a impunidade. Também aí há fraude. A Lava Jato lançou, isso sim, nova modalidade de crimes impunes”, escreve.

Intercept revela que Barroso, Fachin e Fux blindaram a Lava Jato no STF

Nova reportagem da Vaza Jato revela que os procuradores da Lava Jato sabiam que estavam infringindo a lei ao vazar conservas telefônicas envolvendo a então presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula, mas contavam com o apoio de ministros do STF para blindar e validar os excessos cometidos pela operação Segue a matéria do Intercept QUANDO SERGIO MORO e os procuradores da Lava Jato gravaram e vazaram ilegalmente a conversa entre o ex-presidente Lula e a então presidente Dilma, eles sabiam que estavam cometendo um crime, conforme revelou reportagem da Folha de S. Paulo em parceria com o Intercept. O procurador Andrey Borges de Mendonça comentou com seus colegas no Telegram que seria “juridicamente difícil de argumentar” sobre a validade da prova e disse “que o STF não a aceitaria”. Outro procurador, Carlos Fernando Lima, rebateu: “Nesta altura, filigranas não vão convencer ninguém”. A conversa continua até que o chefe da operação, Deltan Dallagnol, encerra o assunto com uma frase que é uma síntese da atuação da Lava Jato: “a questão jurídica é filigrana dentro do contexto maior que é político.” Mendonça, ingênuo, acreditou que o STF trabalharia de acordo com a Constituição, enquanto Carlos Fernando e Dallagnol estavam certos de que os ministros julgariam com a faca no pescoço. A divulgação do áudio fazia parte da estratégia da Lava Jato de manipular a opinião pública e, assim, constranger os ministros. Àquela altura, graças ao apoio maciço e acrítico da grande imprensa — principalmente a Rede Globo —, a Lava Jato era inquestionável. Foi assim, pressionado por uma opinião pública manipulada, que Gilmar Mendes decidiu anular a posse de Lula como ministro com base em um grampo que até mesmo os procuradores sabiam ser ilegal. À época, o ex-presidente ainda não era indiciado, denunciado ou réu, mas o STF interpretou o áudio como tentativa de garantir foro privilegiado — a mesma interpretação não valeria posteriormente para Moreira Franco. A Lava Jato conseguiu colocar a sua estratégia política acima da Constituição com a conivência de quem deveria protegê-la. Em agosto último, Gilmar Mendes admitiu a omissão do STF com a farra da Lava Jato: “É um grande vexame e participamos disso. Somos cúmplices dessa gente ordinária. É altamente constrangedor. Todos nós que participamos disso temos que dizer ‘nós falhamos’”. Gilmar já dançou a popular valsa da Lava Jato, mas por pouco tempo. Acabou virando uma pedra no sapato da operação. Mas outros ministros foram grandes parceiros e atuaram sistematicamente em consonância com os arbítrios lavajatistas. Barroso, Fachin e Fux eram tratados como aliados de altíssima confiança no STF entre os procuradores, como mostram as conversas reveladas pela Vaza Jato. Dallagnol e alguns desses ministros mantinham uma relação próxima, porém secreta. Os fatos são conhecidos, mas acabam se perdendo em meio a tantas revelações neste Brasil 2019. É importante relembrar como parte do STF foi fundamental para que a Lava Jato hackeasse o ordenamento jurídico brasileiro e impusesse o seu projeto de poder. A aliança secreta com Barroso Barroso sempre foi o ministro mais fiel ao lavajatismo. Em muitas ocasiões, fez defesas apaixonadas da operação no tribunal, sempre ancoradas em um critério bizarro, estabelecido por ele mesmo: a interpretação da Constituição em “sintonia com o sentimento social” e “alinhado à vontade da maioria”. O juiz não resistiu à tentação de jogar para a torcida e ter uma presença privilegiada no Jornal Nacional. Com a sociedade contaminada pelas manipulações dos procuradores, ficou fácil para Barroso matar no peito as bolas mais absurdas do lavajatismo. Bastava espremer a Constituição para que dela saísse o que a torcida esperava e correr para o abraço. Integrantes da Lava Jato buscavam manter uma relação próxima e secreta com Barroso. Se Gilmar Mendes era visto como um inimigo a ser combatido, Barroso era um aliado importante a se cultivar. Uma reportagem da Vaza Jato — chamada por Barroso de “fofocada produzida por criminosos”— revelou que o ministro convidou, em agosto de 2016, Moro e Dallagnol para participar de um jantar em sua casa. O ministro garantiu que o evento seria “reservado e privado”, com “máxima discrição”. Os dois lavajatistas viajaram de Curitiba até Brasília para prestigiar a festinha. Reuniram-se ali, portanto, o acusador, o juiz de primeira instância e um juiz de terceira instância. O primeiro manipulava a opinião pública, enquanto o segundo e o terceiro atendiam aos anseios dela. Era um jogo ganho em que o cumprimento das leis era um detalhe irrelevante. Essa relação promíscua se dava de forma secreta, claro. Era preciso que o “sentimento social” continuasse alheio ao que eles faziam nas sombras. Em março do ano passado, quando Barroso determinou a prisão de José Yunes, ex-assessor do então presidente Temer, Dallagnol comentou com os procuradores no Telegram: “Barroso foi para guerra aberta. E conta conosco como tropa auxiliar”. Quando Dallagnol bancou o legislador e moveu mundos para promover as famigeradas “10 medidas contra a corrupção”, enviou mensagem aos colegas garantido o apoio de Barroso na divulgação. Sempre de forma secreta, é claro: “Caros, comentei com Bruno, mas isso tem que ficar entre nós três, please. Hoje falei com Barroso, que gostou muito da ideia das medidas e da campanha da Transparência Internacional e vai divulgar. Passei pra ele os arquivos e materiais.” AHA! UHU! O Fachin é nosso!” Dallagnol não conseguiu disfarçar a empolgação por ter garantido o alinhamento de um ministro do STF. Depois de se encontrar com Edson Fachin em julho de 2015, compartilhou a alegria com os colegas procuradores: “Caros, conversei 45 minutos com o Fachin. Aha uhu o Fachin é nosso.” Era o chefe da Lava Jato comemorando com seus subordinados o fato de que um dos juízes que vai julgar suas denúncias estava alinhado com a acusação. Dois anos após esse acordo, a morte de Teori Zavascki fez com que Fachin assumisse a relatoria dos casos da Lava Jato. E o alinhamento acordado naquela reunião com Dallagnol foi cumprido à risca. Fachin assumiu um papel punitivista e todas suas decisões se mantiverem alinhadas ao projeto político lavajatista.

Dona Janira Schmidt deverá ser hostilizada pelo presidente Bolsonaro

 A mãe do apresentador Tadeu Schmidt, Janira Bezerra Schmidt, deverá ser agredida pelo ainda presidente, por causa do programa Fantástico, da Rede Globo, que vai explorar o caso Queiroz. Se ontem (05), pela manhã, Jair Bolsonaro ficou surtado quando foi perguntado pelo Queiroz, e ele respondeu ofendendo a mãe do cidadão, imagine quando a reportagem do Fantástico explorar o esquema de “rachadinhas” na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro ? O programa Fantástico, da rede Globo, vai exibir uma reportagem neste domingo (6) sobre o esquema de “rachadinhas” na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). A prática ganhou os holofotes com o caso de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro na época em que era deputado estadual, de 2003 a 2018. De acordo com a chamada da reportagem, o Fantástico irá abordar a prática a partir do que ele considera como “novos formatos”. Deputados estariam utilizando “pessoas humildes” para atuar no esquema. No esquema, servidores são coagidos a devolver parte do salário para os deputados. A apuração sobre o caso do filho do presidente teve origem em relatório do Coaf (hoje chamado de Unidade de Inteligência Financeira) que apontou movimentações atípicas na conta de Fabrício Queiroz.

O imbecil presidente não tolera ouvir a pergunta: cadê o Queiroz?

 Bolsonaro ao ser perguntado por Queiroz: “Ele está com sua mãe” Se quer ver o presidente Jair Bolsonaro surtado é só perguntá-lo pelo Queiroz, ex-assessor de seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ). Um cidadão perguntou hoje pela manhã, em frente ao Palácio da Alvorada, em Brasília, pelo paradeiro de Fabrício Queiroz. O presidente respondeu ofendendo a mãe do moço. “Onde está Queiroz?”, perguntou o pacato cidadão, que pedalava no entorno da residência oficial. Bolsonaro não titubeou ao responder: “Ele está com sua mãe”. Que horror, presidente! Deixa a mãe do rapaz fora disso! Visivelmente transtornado pelo questionamento, o presidente Jair Bolsonaro saiu queimando pneu de uma motocicleta, interrompendo a sessão de fotos com turistas. Portanto, Bolsonaro inaugurou hoje a nova fase “Bolsinho Paz e Amor” anunciado esta semana por marqueteiros do Palácio do Planalto.