Nova bomba do Intercept prova que delação contra Lula foi forjada pela Lava Jato

Mudanças na delação da maior testemunha contra Lula gerou desconfiança na Lava Jato Divulgados pela ‘Folha’ e ‘The Intercept’ novos trechos de vazamento mostram que Léo Pinheiro, da OAS, só ofereceu versão contra Lula anos depois de seu primeiro testemunho Novas mensagens de procuradores da Lava Jato obtidas pelo site The Intercept Brasil e publicadas neste domingo pelo jornal Folha de S.Paulo apontam que os acusadores desconfiaram da versão da principal testemunha contra Lula no caso do triplex do Guarujá. Léo Pinheiro, dono da construtora OAS, mudou de versão ao longo de meses até que, finalmente, incriminou o ex-presidente e afirmou que ele chegou a orientá-lo a destruir provas. Em sua versão final, aceita pelos procuradores, ele afirmou que o apartamento no litoral de São Paulo era um presente a Lula em troca de benesses do Governo. O petista acabou condenado por Sergio Moro, que considerou que o ex-presidente recebeu da construtora dinheiro de corrupção dissimulado na compra do apartamento em troca de desvios de contratos com a Petrobras. Lula cumpre pena de 8 anos e 10 meses por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Em entrevista ao EL PAÍS, Lula afirmou que Pinheiro disse a seu advogado que mudou o depoimento por orientação de seu defensor. O depoimento de Léo Pinheiro foi fundamental para a condenação do ex-presidente. Ele foi usado como base para a denúncia da força-tarefa, que afirmava que o Grupo OAS, presidido pelo empreiteiro, pagou 87,6 milhões de reais em propinas por contratos com a Petrobras. Um porcento desse valor, apontou a força-tarefa da Lava Jato, foi destinado a agentes políticos do PT em uma conta geral de propina que o partido mantinha com a construtora. Desta conta, afirma, teriam saído 2,42 milhões para o caso do Guarujá, referentes à diferença de valor entre o triplex e o apartamento tipo que a família de Lula já tinha comprado no edifício na cota de uma cooperativa e em reformas e bens para o imóvel. Segundo a reportagem deste domingo, as mensagens dos procuradores vazadas por uma fonte anônima ao Intercept apontam que os relatos feitos por Léo Pinheiro sofreram várias alterações até que as negociações para uma delação premiada avançassem. Inicialmente, a delação de Pinheiro, que já estava condenado há 16 anos de prisão, foi rejeitada. O depoimento dele não servia para condenar Lula, já que ele dizia que as reformas e bens colocados no imóvel tinham o objetivo de agradar o ex-presidente, e não tinham qualquer contrapartida em benesses no Governo. Na época, a versão foi considerada pouco crível pelos acusadores da força-tarefa. Pinheiro, nesta época, aguardava seu recurso no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF) em liberdade, mas temia perder e ser preso. Os advogados chegaram a perguntar se, diante da iminência da entrega de novos anexos, seria possível adiar a audiência de apelação, mas os procuradores disseram que o acordo com eles não interferia no andamento judicial. Em 20 de abril de 2016, mensagens dos procuradores revelam este bastidor. Januário Paludo escreveu: “Acho que tem que prender o Leo Pinheiro. Eles falam pouco. Quer dizer, acho que tem que deixar o TRF prender.” Em 21 de julho do mesmo ano, o procurador Athayde Ribeiro Costa afirma ao grupo de procuradores: [os advogados] entregaram os anexos e pediram assinatura do acordo de confidencialidade. Negamos por insuficiência dos anexos e omissão de vários temas. A versão apresentada também é ruim para vários casos.” Roberson Pozzobon, então, respondeu: “Na última reunião dissemos que eles precisariam melhorar consideravelmente os anexos. Eles falaram que melhorariam e os trariam hoje”. O termo de confidencialidade, passo para a delação, foi assinado em agosto, um dia antes de a revista Veja trazer detalhes do depoimento de Pinheiro, que afirmavam que a delação da OAS citava o ministro do Supremo Dias Toffoli. Com o vazamento, alguns procuradores chegaram a defender que o acordo com Léo Pinheiro fosse suspenso, para evitar atritos com o STF. Em 20 de agosto, o coordenador da força-tarefa Deltan Dallagnol se manifestou: “Não sei se os anexos evoluíram. Se estiverem uma porcaria ainda, aí tudo bem. Mas se os anexos estiverem bons, acho que não é o caso. Salvo engano, ainda, trazem PSDB como nenhum que fechamos trouxe. Até fecharmos algo bom do PSDB, não dá pra descartar.” A procuradora Anna Carolina Resende Maia Garcia respondeu:” Essa manobra deles pode nos custar muito caro. O STF vai se fechar e vão acabar com nossos acordos. Não acho que o risco valha a pena. Temos que sinalizar claramente que não vamos ser usados.” Depois, continuou: “Os anexos da OAS não valem isso. Na minha visão, são muito ruins, o advogado [da empresa] é mal caráter e Léo Pinheiro é o empreiteiro com mais prova contra si.” Uma semana depois, conta a Folha, a Veja publicou trechos de sete anexos da delação de Pinheiro e afirmou que a OAS revelara a existência de uma conta secreta para realizar pagamentos a Lula. Em 26 de agosto de 2016, a procuradora Anna Carolina, então, pergunta ao grupo: “Tinha isso de conta clandestina de Lula?”. O procurador Sérgio Bruno responde: “Sobre o Lula eles não queriam trazer nem o apartamento do Guarujá. Diziam q não tinha crime. Nunca falaram de conta.” A existência de uma conta foi essencial para que o caso não apenas ganhasse força, maspara que fosse mantido com a força-tarefa de Curitiba. Era essa conta, onde eram depositado dinheiro ilícito de corrupção, que ligava o caso do triplex do Guarujá à Petrobras, tema da investigação da força-tarefa. O empreiteiro, diz a Folha, foi tratado com desconfiança pela Lava Jato durante quase todo o tempo em que se dispôs a colaborar com as investigações. A versão do empresário só ganhou crédito quando a narrativa sobre o triplex do Guarujá mudou. Léo Pinheiro acabou preso em setembro de 2016 e as negociações sobre a delação ficaram paradas até 2017. A procuradoria-Geral da República e a força-tarefa de Curitiba só aceitaram retomar as negociações de uma possível delação premiada em março de
Governo Bolsonaro: avião presidencial é usado para narcotráfico

Cocaína no avião da comitiva de Bolsonaro: o que aconteceria se esse caso de tráfico tivesse ocorrido no governo de Dilma? Bolsonaro pode usar a desculpa que quiser, mas um fato é inafastável: no seu governo, um avião presidencial foi usado para traficar 39 quilos de cocaína. Segundo a polícia espanhola, a droga foi encontrada em 37 pacotes na mala de um segundo sargento da Aeronáutica, de 38 anos, identificado pela iniciais “M.S.R.” Chama a atenção a manifestação de Bolsonaro no Twitter. O texto sobre o episódio é evasivo e, ao contrário das demais postagens, está em uma imagem. É a fotografia de um texto previamente escrito. Provavelmente, não foi ele quem escreveu. No texto que assina, Bolsonaro fala sobre a formação militar dento dos “mais íntegros princípios da ética e moralidade” e não cobra explicações sobre como houve essa falha na segurança. Na hipótese de que tenha havido mesmo falha, esta deve ser debitada na conta do general Augusto Heleno, chefe do Gabinete de Segurança Institucional. Imagine-se se um evento desse tipo tivesse ocorrido no governo da Dilma Rousseff ou do Lula. Como a imprensa estaria tratando o caso? No texto, Bolsonaro também coloca em dúvida se o militar preso era mesmo o portador da droga, ao dizer: “Caso seja comprovado o envolvimento do militar nesse crime, o mesmo será julgado e condenado na forma da lei”. Sim, poderá ser. Mas não pelo Brasil, que não tem jurisdição sobre o que acontece em território espanhol. O caso será julgado pela Justiça espanhola. Se o flagrante tivesse ocorrido na Indonésia, o militar seria condenado à morte. Na Espanha, a pena não será esta. Também chama a atenção que, depois desse flagrante, o governo tenha alterado a rota do voo que levaria Bolsonaro. A aeronave faria o reabastecimento no aeroporto de Sevilha, o mesmo onde a cocaína foi apreendida, mas mudou a escala para Lisboa. Não houve explicação para essa mudança, o que só faz aumentar o vexame. O avião com cocaína é o da frota presidencial usado na missão precedente. No caso de defeito no avião principal, é usado para transportar o próprio presidente. As autoridades espanholas não liberaram outras informações sobre esse caso de tráfico internacional. Boulos: depois do Helicoca, temos o escândalo do Aerococa O líder do MTST, Guilherme Boulos, repudiou o escândalo envolvendo um militar, membro da comitiva de Jair Bolsonaro e preso na Espanha com 39 quilos de cocaína; “Depois do Helicoca, agora temos o escândalo do Aerococa”, disse; em fevereiro, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) acusou os governo do PT de usarem aviões do ministério da Saúde para transportar drogas; agora fica claro em que governo isso acontece – O coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, repudiou o escândalo envolvendo um militar, membro da comitiva do presidente Jair Bolsonaro e foi preso nesta terça-feira (25) na Espanha com 39 quilos de cocaína (veja aqui). “Depois do Helicoca, agora temos o escândalo do Aerococa. Os dois têm algo em comum: mostram que o narcotráfico de verdade não está nas favelas. O crime organizado tem raízes no Estado e no poder econômico. É fácil atacar o ‘aviãozinho’ e preservar os aviões e helicópteros…”, disse o ativista no Twitter. “Fica a questão se a imprensa chamará de traficante o militar preso em avião da FAB com 39 kg de cocaína ou precisa do comprovante de endereço em alguma favela?”, complementou. Boulos refere-se a outro escândalo que foi encoberto por citar poderosos: o do “Helicoca”, envolvendo o ex-senador Zezé Perrela, grande amigo do deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG). Perrela ganhou destaque nacional em 2013, quando a Polícia Federal apreendeu 445 quilos de cocaína em um helicóptero de propriedade de sua família e chegou a citá-lo em investigação sobre tráfico internacional de drogas. Em novembro de 2016, a corporação apreendeu a droga dentro de um helicóptero perto da cidade de Afonso Cláudio, no interior do Espírito Santo. A aeronave pertencia à Limeira Agropecuária, empresa do então deputado estadual por Minas Gerais Gustavo Perrella (SDD), filho de Zezé, ex-presidente do Cruzeiro. Três horas e meia antes da operação policial, o helicóptero teria parado para abastecer a 14 quilômetros da pista de Cláudio (MG), que pertence à família de Aécio Neves. O aeroporto foi construído pelo governo de Minas Gerais na gestão do tucano, que gastou R$ 14 milhões, num município de 25 mil habitantes. Até hoje ninguém foi preso. Mesmo com a direita associada ao transporte de drogas nos escândalos de Sevilha (Espanha), envolvendo Jair Bolsonaro, e do “helicoca”, envolvendo Aécio, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL) divulgou um vídeo, em fevereiro deste ano, levantando suspeitas sobre os governos do PT terem usado aviões a serviço do ministério da Saúde para transportarem drogas. De acordo com o parlamentar, a suspeita teria sido levantada em uma reunião pelo ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. “O traficante ganhou a licitação e o SUS é uma excelente maneira de você fazer tráfico”, disse o ministro na época. Eduardo Bolsonaro afirmou ainda que a “prática é recorrente na Venezuela, que é um pais que o PT sempre apoiou, portanto eu não ficaria surpreso se esta prática estivesse ocorrendo também no Brasil”, disse. QUANDO ERA DEPUTADO, BOLSONARO ENVIOU MOÇÃO DE APOIO AO PRESIDENTE DA INDONÉSIA, QUE FUZILOU BRASILEIRO ACUSADO DE TRÁFICO DE DROGAS Em fevereiro de 2006, Jair Bolsonaro era deputado federal pelo PP do Rio. Naquela época, enviou ao presidente da Indonésia uma moção de apoio e congratulação pela morte do brasileiro Marco Archer, condenado por tráfico de drogas (a legislação indonésia prevê pena de morte para tráfico). Quem diria que a vida pregaria essa ironia para o hoje presidente da República. Ontem, um militar que integrava a comitiva de Bolsonaro na Espanha foi preso. Ele transportava 39 quilos de cocaína no avião da FAB. Calcula-se que, no mercado europeu, a droga deveria ser vendida por pelo menos R$ 11 milhões no total. Enquanto isso, os internautas não perdoam…
Militar é preso com 39 quilos de cocaína em avião da Presidência

A prisão do militar da Aeronáutica na Espanha, com drogas em avião da FAB que é aeronave reserva da Presidência, é um duro golpe nos planos do governo de melhorar a imagem de Jair Bolsonaro; episódio fornece munição para os críticos acusarem o governo de coisas ainda piores que as críticas já proferidas na área de costumes A prisão do militar da Aeronáutica na Espanha, com drogas em avião da FAB que é aeronave reserva da Presidência é um duro golpe nos planos do governo de melhorar a imagem de Jair Bolsonaro. O Ministério da Defesa informou nesta terça que um militar da Aeronáutica foi detido no aeroporto de Sevilha, Espanha, por suspeita de envolvimento no transporte de substância entorpecente. “Os fatos estão sendo apurados e foi determinada a instauração do Inquérito Policial Militar (IPM)”, diz o ministério. “O Ministério da Defesa e o Comando da Aeronáutica repudiam atos dessa natureza e darão prioridade para elucidação do caso, aplicação dos regulamentos cabíveis, bem como colaboram com as autoridades”, complementa a nota. Segundo a revista Veja, embora o militar não tenha ligação com a comitiva de Bolsonaro que vai ao Japão nesta semana, o episódio fornece munição para os críticos acusarem o governo de coisas ainda piores que as críticas já proferidas na área de costumes.
Sérgio Moro caiu do altar – Por Fernando Brito

Fatos e diálogos são o que vão mostrar a profundidade do poço em que está caindo o ministro Sérgio Moro. Mas é cada vez mais sensível que o homem que era um deus, um super-herói invencível, alguém de quem discordar ou duvidar era uma heresia merecedora de fogueira, já não é nem a sombra disso. As declarações do presidente do Senado – lá mesmo onde se aprovam os nomes dos ministros do Supremo – ao site Poder 360 são demolidoras e não teriam sido dadas se aquela casa política não tivesse a percepção de que Moro é um caso perdido. Do ponto de vista ético, sim [ultrapassou os limites]. Se aquilo for tudo verdade… esse que é o problema. Aquilo é verdade? Vai comprovar? Aquela conversa não era pra ter sido naquele nível entre o acusador e o procurador. Se isso for verdade, eu acho que vai ter um impacto grande, não em relação a Operação porque ninguém contesta nada disso e não vai contestar nunca. (…) Se isso fosse deputado ou senador, tava no conselho de ética, estava cassado ou tava preso” Ora, é o presidente de um dos poderes da República (o Congresso) dizendo que um integrante do Poder Executivo, o ministro da Justiça, deveria estar “cassado ou preso”. Sérgio Moro logo vai entender que a desgraça não tem sócios. Tijolaço
Moro prova que conversas vazadas são verdadeiras

Só os sentimentos de fraqueza e de culpa explicam o amadorismo com que Sérgio Moro está enfiando a si mesmo num caminho sem volta no caso dos diálogos com os procuradores da Lava jato (e destes, entre si) que o The Intercept está revelando. O medo do que sabem que está por vir, especialmente áudios e vídeos, estes quase impossíveis de negar, está, desde o início impedindo que neguem, objetivamente, a promiscuidade em que estavam metidos. E que sabem que vai se aprofundar, inclusive com trechos em que revelarão a insubmissão explícita e a orientação descarada de outras instâncias judiciais. Por isso, passo a passo, Moro está se enredando na teia que, muito lentamente, as informações do The Intercept tecem em volta dele. O tal áudio que se divulgou com o pedido de “desculpas” ao MBL – “no caso de ter sido dito aquilo que ele diz que pode ser falso que disse” – por chamá-los de “tontos”. É evidente que só cabe pedir perdão pelo que se fez, não pelo que não se fez e, na sua versão, teria sido enxertado. O desastre, para Moro, é que ele não precisa ser verdadeiro, mas apresentar uma versão cuja a credibilidade é a sua própria figura e que, portanto, não precisa fazer sentido. E isso já não basta mais. Moro não entendeu que está em curso um julgamento político, não um processo jurídico. No qual está perdendo feito, pois nem seus defensores ousam mais dizer que ele não tinha “parte” no processo e trabalhava pela condenação do ex-presidente. Portanto, a questão juridica da legalidade daa prova não só é insuficiente agora, como de nada valerá quando as revelações mais duras e diretas chegarem. Via Tijolaço
Folha: não há nenhum indício de adulteração nas mensagens

Para confirmar a autenticidade do material, a Folha procurou jornalistas que trocaram jornalistas que trocaram mensagens com integrantes da Lava Jato e o que se comprovou é que o material em poder do Intercept, sobre o conteúdo no Telegram é íntegro, ao contrário do que dizem Moro e Dallagno. A Folha de S. Paulo só confirmou a parceria com o Intercept após checar a autenticidade do material. Confira, abaixo, trecho de reportagem deste domingo. Ao examinar o material, a reportagem da Folha não detectou nenhum indício de que ele possa ter sido adulterado. Os repórteres, por exemplo, buscaram nomes de jornalistas da Folha e encontraram diversas mensagens que de fato esses profissionais trocaram com integrantes da força-tarefa nos últimos anos, obtendo assim um forte indício da integridade do material. Após as primeiras reportagens sobre as mensagens, publicadas pelo Intercept, no dia 9, Moro e os procuradores reagiram defendendo sua atuação na Lava Jato, mas sem contestar a autenticidade dos diálogos revelados. Depois de alguns dias, passaram a colocar em dúvida a integridade do material, além de criticar o vazamento das mensagens. Até agora, porém, Moro e os procuradores não apresentaram nenhum indício de que as conversas reproduzidas sejam falsas ou tenham sido modificadas.
Em parceria, Folha e Intercept revelam novos crimes de Moro e Dallagnol

Pacote de mensagens aponta que Sergio Moro e Deltan Dallagnol atuaram em sintonia no episódio do grampo ilegal da ex-presidente Dilma Rousseff e do ex-presidente Lula, que foi vazado para o Jornal Nacional e foi determinante para o golpe de 2016, que abriu espaço para a ascensão da extrema-direita no Brasil – “Procuradores na linha de frente da Operação Lava Jato se articularam para proteger Sergio Moro e evitar que tensões entre ele e o Supremo Tribunal Federal paralisassem as investigações num momento crítico para a força-tarefa em 2016”, aponta a primeira reportagem decorrente da parceria entre a Folha de S. Paulo e o The Intercept. “O objetivo era evitar que a divulgação de papéis encontrados pela Polícia Federal na casa de um executivo da Odebrecht acirrasse o confronto com o STF ao expor indevidamente dezenas de políticos que tinham direito a foro especial — e que só podiam ser investigados com autorização da corte.” Moro e Dallagnol temiam que o ministro Teori Zavascki desmembrasse os inquéritos que estavam sob controle de Moro em Curitiba, uma vez que atingiam políticos com foro privilegiado. “Tremenda bola nas costas da Pf”, disse Moro. “E vai parecer afronta”. Moro também se referiu à palavra ‘lambança’, ao se referir ao erro da PF. “Saiba não só que a imensa maioria da sociedade está com Vc, mas que nós faremos tudo o que for necessário para defender Vc de injustas acusações”, respondeu Dallagnol, sobre o fato de Moro ter em seu poder dados sobre pessoas com foro privilegiado. Nesta primeira parceria, Folha e Intercept mostram que o juiz deve se manter equidistante entre acusação e defesa – e não atuar como uma das partes. O que as mensagens revelam é que Moro foi chefe da acusação em toda a Operação Lava Jato.
Não armar o povo: a melhor forma de evangélicos mostrarem que seguem Jesus

São muito graves as palavras de Bolsonaro, que deseja agora que os cidadãos estejam armados para poder evitar a tentação de um golpe porque insinua a possibilidade de uma guerra civil O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, que se orgulha de ser um imitador de Trump, o excêntrico presidente dos Estados Unidos, surpreende a cada dia com declarações que na boca de qualquer estadista produziriam calafrios. Por exemplo, quando no dia 15, em Santa Maria (RS) durante a Festa Nacional da Artilharia (Fenart), afirmou que armar a população pode evitar um golpe de Estado. O presidente foi explícito: “Além das Forças Armadas, defendo o armamento individual para o nosso povo para que tentações não passem pela cabeça de governantes para assumir o poder da forma absoluta”. Mas o presidente não defendeu durante toda a campanha a possibilidade de que cidadãos comuns pudessem estar armados para se defender da violência no país? Que salto de malabarismo é esse de dizer que é bom que os brasileiros estejam armados, como o Exército, como um antídoto e barreira contra um possível golpe de Estado dos “governantes”? Será que ele se esqueceu que é ele quem governa a nação com os outros poderes do Estado? Será que está insinuando que o Congresso ou o Supremo Tribunal Federal poderiam preparar um golpe de Estado contra ele? Sem dúvida, Bolsonaro está decepcionado e mal-humorado pela derrota sofrida no Senado, por uma grande maioria, com a rejeição de seu decreto em favor de armar os cidadãos. E agora deve estar preocupado que o Congresso Nacional também possa derrubar esse polêmico decreto que, segundo o IBOPE, é rejeitado por 70% dos cidadãos. São muito graves as palavras do presidente, que deseja agora que os cidadãos estejam armados para poder evitar a tentação de um golpe por parte de governantes e não do Exército, embora ele continue defendendo e justificando a ditadura brasileira. É grave porque Bolsonaro insinua a possibilidade de uma guerra civil no caso de algum dos poderes do Estado cair na tentação de dar um golpe. Golpe contra quem? Contra ele, naturalmente. Ele parece ignorar, o presidente obcecado pelas armas, os golpes e guerras, que hoje conta com apenas 30% de consenso no país. No caso insano de que algum dos poderes, fora do Exército, tentasse um golpe de Estado, o presidente imagina que o Brasil inteiro, já armado por ele, sairia às ruas para defendê-lo sem dar lugar a uma guerra entre irmãos? Por que esse medo se, além do mais, conta com o Exército, do qual 103 de seus integrantes constituem a metade dentro do Governo? Para aqueles que, como eu, sofreram na carne durante a infância a Guerra Civil Espanhola entre irmãos, com mais de um milhão de mortos, à qual se seguiu não uma democracia, mas uma dura ditadura de mais de 40 anos que deixou a nação dividida até hoje, causaram arrepios essas piadas do religioso presidente brasileiro, que mal começou a governar e já está insinuando fantasmas conspiratórios e querendo armar a população para o caso de um hipotético golpe contra ele. Muitos desenvolvedores de jogos online gratuitos usam técnicas semelhantes para envolver o usuário no processo. Por exemplo, um dos líderes no desenvolvimento de jogos grátis casuais Friv, a empresa Friv5Online há muito implementa isso em seus jogos. Tomara que os congressistas evangélicos do Congresso sigam os senadores e ajudem a derrotar esse fantasma de armar os cidadãos já pensando até em uma guerra. Seria a melhor maneira de demonstrar que eles estão realmente do lado de Jesus, que quando estava para ser preso para que fosse julgado, impediu um de seus apóstolos de usar a espada para defendê-lo. “Aquele quem com ferro mata com ferro morre”, disse-lhe Jesus. Esse mesmo Jesus que cerca de um milhão de evangélicos honraram durante a Marcha de São Paulo. Quando perguntei a Gustavo, um amigo meu, diretor de uma escola de música, quantos tinham comparecido à Marcha de Jesus, em São Paulo, respondeu irônico: “Todos menos Ele”. Certamente, Jesus, que disse “bem-aventurados os pacíficos”, nunca estaria ao lado daqueles que pronunciam apenas palavras sombrias como armas, guerras, ódios, medos, golpes. Será que já não servem à humanidade as palavras de luz, que criam paz, harmonia, diálogo entre diferentes e ainda são capazes de trocar as armas por campos de trigo e felicidade? Via Juan Arias – El País
Raquel Dodge agrada Bolsonaro e Moro, manifestando contra a liberdade de Lula

Defesa de Lula contesta PGR e reforça suspeição de Moro A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, opinou nesta sexta (21) contra a suspeição do ex-juiz Sérgio Moro pedida pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a qual levaria à anulação da ação penal do caso do triplex em Guarujá. A chefe do Ministério Público Federal parece não querer ‘melindrar’ o ministro da Justiça. Dodge afirmou que é preciso mais tempo para analisar o material divulgado pelo site Intercept e ela avaliou que Moro não foi imparcial com o petista. A atual Procuradora Geral da República, Raquel Dodge, mesmo não tendo se inscrito para concorrer, sonha em manter no cargo, por isso, vem agradando Bolsonaro, ao prejudicar Lula, que foi vítima de uma armação do ex-juiz e ainda ministro Sérgio Moro e seu capacho Deltan Dallagnol. Advogados de Lula contestam Raquel Dodge Em texto assinado pelos advogados Cristiano Zanin e Valeska Martins, a defesa do ex-presidente Lula questionou a manifestação da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, contra o pedido de suspeição dos defensores em relação ao ex-juiz Sérgio Moro, atual ministro da Justiça. A defesa afirma que, ao contrário do que afirmou a chefe da PGR, o pedido não tem como base as matérias do site Intercept Brasil que apontaram interferência do ex-magistrado no trabalho do MPF-PR para tirar o ex-presidente da eleição de 2018; “A ação constitucional está amparada em graves fatos que antecederam as reportagens do ‘The Intercept’”, afirmam os advogados Leia a íntegra do texto: Ao contrário do que foi afirmado pela ilustre Procuradora Geral da República em manifestação protocolada nesta data (21/06) o Habeas Corpus nº 164.493 que impetramos em favor do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 05/11/2018 e que está na pauta da 2ª. Turma do STF do próximo dia 25 não está amparado nas reportagens divulgadas pelo “The Intercept”. Referido habeas corpus, que começou a ser julgado pela Suprema Corte em 04/12/2018 — muito antes, portanto, das reportagens do “The Intercept” — mostra que o ex-juiz Sérgio Moro “sempre revelou interesse na condução do processo e no seu desfecho” a partir de fatos concretos que estão descritos e comprovados naquele requerimento, tais como: (i) autorização para monitoramento do principal ramal do nosso escritório para que a Lava Jato pudesse acompanhar em tempo real a estratégia de defesa de Lula; (ii) imposição de condução coercitiva e diversas outras medidas excepcionais com o objetivo de rotular Lula como culpado antes do processo e do seu julgamento; (iii) atuação fora das suas atribuições legais para impedir o cumprimento da ordem de soltura emitida pelo Des. Federal Rogério Favreto; (iv) divulgação de atos processuais que estavam em sigilo com o objetivo de interferir nas eleições presidenciais de 2018; (v) aceitação do cargo de Ministro de Estado do atual Presidente da República que foi beneficiado pela condenação de Lula e, além de seu opositor político, já defendeu que o ex-Presidente deve “apodrecer na cadeia”. Em 13/06/2019 fizemos apenas o registro nos autos daquele habeas corpus de que as reportagens publicadas pelo “The Intercept” a partir de 09/06/2019, cujo conteúdo é público e notório — e nessa condição independe de qualquer demonstração (CPC, art. 374, I. c.c. CPP, art. 3º) —, remetem à “conjuntura e minúcias das circunstâncias históricas em que ocorreram os fatos comprovados nestes autos e sublinhados desde a sustentação oral realizada pelo primeiro subscritor em 04/12/2018”. Eventual investigação instaurada pela Exma. Sra. Procuradora Geral da República não possui qualquer relação com o Habeas Corpus nº 164.493 ou com o seu desfecho porque essa ação constitucional está amparada em graves fatos que antecederam as reportagens do “The Intercept” e que já são mais do que suficientes para evidenciar que o ex-Presidente Lula não teve direito e um julgamento justo, imparcial e independente — o que deve resultar na anulação de todo o processo contra ele instaurado, com o restabelecimento de sua liberdade plena. Cristiano Zanin e Valeska Martins
Mortes e violência doméstica marcam passado de Fabrício Queiroz

As suspeitas contidas no relatório do Coaf não são os únicos problemas do policial militar reformado com a Justiça Sumido desde que suas movimentações financeiras viraram um problema para a família Bolsonaro, no final do ano passado, o policial militar reformado Fabrício Queiroz tem muito o que explicar. VEJA apurou que na longa ficha corrida do ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) há um homicídio ocorrido em 2003 em que ele está envolvido ao lado de Adriano Magalhães da Nóbrega, o temido chefe da milícia de Rio das Pedras, Zona Oeste do Rio, foragido desde janeiro. Clique para ler a reportagem completa, publicada na edição desta semana. Em meio aos mais de 20 boletins de ocorrência e à dezena de inquéritos em que Queiroz aparece, há pelo menos dois supostos autos de resistência com sua participação. Um ocorrido em 2002 e o outro em maio de 2003, pouco depois dele conhecer Adriano nas fileiras do 18º Batalhão, em Jacarepaguá, onde trabalharam juntos por apenas seis meses. Os laços de amizade daquela época, no entanto, foram intensos: anos mais tarde, Queiroz recrutou a mãe e a esposa do miliciano, que à época já era notório no submundo do crime, para trabalharem com ele no gabinete de Flávio Bolsonaro, quando este ainda era deputado estadual no Rio de Janeiro. Ambas são suspeitas de fazerem parte do esquema investigado pelo Ministério Público que apura se Queiroz comandava um esquema de coleta e repasse de dinheiro público dentro do gabinete do “01”. Queiroz não está foragido, não há contra ele qualquer ordem de prisão, mas seu sumiço alimenta dúvidas e reforça especulações sobre seu papel na vida dos Bolsonaro. Enquanto a Justiça se movimenta vagarosamente para definir o seu futuro, a edição de VEJA desta semana traz detalhes de seu passado e de seu currículo, que além dos vínculos com o mais procurado miliciano do Rio, transparece a imagem de um homem temido, violento até com a mulher, e que tem diversos “rolos” a explicar. Via Revista Veja