Cármen Lúcia é quem manobra para adiar julgamento de Lula

Na vertigem ética das revelações sem hora para acabar subscritas pelo site The Intercept, voltam as pressões antidemocráticas ao STF e os ministros mais fracos acusam o golpe; nessa toada, Cármen Lúcia é a primeira a obedecer o sistema apodrecido: ela manobra para adiar mais uma vez o julgamento de Lula A Segunda Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) pode adiar mais uma vez o julgamento do habeas corpus do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O argumento da defesa de lula para anulação do processo é de que o então juiz da Lava-Jato e hoje ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, não agiu com imparcialidade. A reportagem do jornal Valor destaca que “o HC está na pauta da sessão da próxima terça-feira, a primeira que será comandada pela ministra Cármen Lúcia, que vai assumir a presidência do colegiado.” E acrescenta: “o ministro Gilmar Mendes liberou o processo para a pauta em 10 de junho, após o site “The Intercept Brasil” divulgar supostos diálogos entre Moro e o coordenador da força-tarefa da Lava-Jato, Deltan Dallagnol. Na época, a Segunda Turma ainda era presidida pelo ministro Ricardo Lewandowski, que acatou o pedido de Gilmar e incluiu o tema na pauta. Os dois ministros fazem parte da ala mais garantista da Corte e têm uma posição crítica aos métodos da Lava-Jato.” A matéria ainda informa que “agora, sob o comando de Cármen, o processo continua previsto para análise na terça-feira, mas passou do terceiro item da pauta para o último, numa lista de 12 ações. A inclusão de novas matérias por parte da ministra tem sido apontada como uma maneira de adiar a análise, já que pode não haver tempo na terça-feira para analisar o HC de Lula.”
Deltan Dallagnol jura que excluiu conta do Telegram

O procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa Lava Jato e um dos pivôs do escândalo #VazaJato, divulgado pelo site The Intercept, jura que excluiu a conta do Telegram em abril deste ano. O parça do ministro Sérgio Moro, capturado em conversas não republicanas no aplicativo de mensagens instantâneas, afirmou que não tem mais o histórico dos diálogos tanto na nuvem quanto no celular” após senadores pedirem ao procurador que disponibilizassem o celular para a perícia. Apesar de “Daguinol” –usando o dialeto de Moro na CCJ do Senado– dizer que não existe mais a conta desde abril de 2019, o Telegram garante que consegue recuperar o histórico das conversas nos servidores (nuvens) do aplicativo russo. Deltan será o próximo a ser inquirido pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado. O requerimento foi aprovado na terça (18), mas ainda não tem data definida. Deltan Dallagnol ✔@deltanmd Em abril deste ano, identificamos ataques virtuais às nossas contas no Telegram. Por razões de segurança pessoal e pelo risco de comprometimento de investigações em curso, a decisão na época foi de desativar a conta – o que exclui o histórico tanto na nuvem quanto no celular. 16,5 mil 19:55 – 19 de jun de 2019 Informações e privacidade no Twitter Ads
Novo vazamento da Vaza Jato indica que Moro não tem amnésia; ele é mentiroso

No Senado ele negou, mas, de fato, pediu e procuradores atenderam, afastando procuradora Laura Tossler O atual ministro da Justiça, Sérgio Moro, atuou decisivamente contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em mais um capítulo dos vazamentos relacionados à Lava Jato, vem a público que houve uma discussão sobre alterar a escala de procuradores em audiências da operação após críticas do ex-juiz Sérgio Moro a Laura Tessler, uma das procuradoras do grupo. Os diálogos que envolvem, além do atual ministro da Justiça, os procuradores Deltan Dallagnol e Carlos Fernando dos Santos Lima foram divulgados nesta quinta-feira (20), pelo comentarista Reinaldo Azevedo em seu programa de rádio “O É da Coisa”, após acordo o site The Intercept. As novas mensagens reveladas mostram que Dallagnol e Santos Lima, hoje aposentado, discutiram a escala das audiências após o coordenador da força-tarefa compartilhar com o colega mensagem de Moro tecendo críticas à procuradora Laura Tessler, conteúdo este que já havia sido revelado no último dia 9. Segundo consta, Moro teria escrito: “Prezado, a colega Laura Tessler de vcs é excelente profissional, mas para inquirição em audiência, ela não vai muito bem.” Após compartilhar o conteúdo, Deltan teria argumentado: “Vamos ver como está a escala e talvez sugerir que vão 2, e fazer uma reunião sobre estratégia de inquirição, sem mencionar ela”. Em sequência, Santos Lima responde: “Por isso tinha sugerido que Júlio ou Robinho fossem também. No [depoimento] do Lula não podemos deixar acontecer”. O atual procurador aposentado teria dito que apagaria a conversa de seu celular, a pedido de Deltan. Dois meses depois da data que teria ocorrido o diálogo, em maio de 2017, o primeiro depoimento de Lula como réu em Curitiba acontece sem a presença de Tessler, mas com a participação do próprio Santos Lima, além de Júlio Noronha e Roberson Pozzobon, citados pelo colega nas mensagens. MENTIRA Na última quarta-feira (19), Moro compareceu a uma audiência no Senado Federal, onde foi questionado sobre a orientação relacionada a Laura Tessler. Sobre o tema, ele argumentou que isso era um factóide e que não se lembrava da mensagem específica. “Em nenhum momento no texto, há alguma orientação de substituição daquela pessoa [Tessler]. Tanto que essa pessoa continua e continuou realizando audiências e atos processuais até hoje dentro da Operação Lava Jato. Um juiz eventualmente recomendar para um advogado na audiência ou para um procurador: ‘Olha, profissionalmente, vou te dar um conselho, faça assim, não faça assado…’ Como isso pode ser considerado alguma coisa ilícita?”, supôs o ministro. Em resposta ao jornal Folha de S. Paulo, o Ministério da Justiça, atual pasta comandada por Moro, disse que não reconhece a autenticidade do diálogo e que, mesmo se for verdadeiro, não há nada de ilícito ou de antiético; e que o ex-juiz não pediu a troca da procuradora Tessler. A força-tarefa da Lava Jato no Paraná afirmou que não vai comentar o assunto. Confira o novo diálogo obtido pelo site The Intercept: Deltan Dallagnol: Recebeu a mensagem do Moro sobre a audiência também? Carlos Fernando: Não, o que ele disse? Deltan Dallagnol: Não comenta com ninguém e me assegura que teu telegrama não está aberto aí no computador, e que outras pessoas não estão vendo por aí que falo. Você vai entender porque estou pedindo isso Carlos Fernando: Ele está só pra mim, depois apagamos o conteúdo Deltan Dallagnol: (reproduzindo a mensagem do moro) – Prezado, a colega Laura Tessler de vcs é excelente profissional, mas para inquirição em audiência, ela não vai muito bem. Desculpe dizer isso, mas com discrição, tente dar uns conselhos a ela, para o próprio bem dela. Um treinamento faria bem. Favor manter reservada essa mensagem. Carlos Fernando: Vou apagar, ok? Deltan Dallagnol: Apaga sim Carlos Fernando: Apagado Deltan Dallagnol: vamos ver como está a escala e talvez sugerir que vão dois e fazer uma reunião sobre estratégia de inquirição sem mencionar ela Carlos Fernando: Por isso tinha sugerido que Júlio ou Robinho fossem também. No do Lula não podemos deixar acontecer
Bolsonaro insiste em deixar demarcação de terras com ruralistas

Cimi repudia nova MP transferindo atribuição ao Ministério da Agricultura, o que foi rejeitado pelo Congresso em maio O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) divulgou nota em que repudia “veementemente” a insistência do presidente Bolsonaro em transferir a demarcação de terras indígenas para o Ministério da Agricultura, normalmente ocupado por representantes dos ruralistas e agronegócio. Nesta quarta-feira (19), Bolsonaro publicou no Diário Oficial da União a edição de uma nova Medida Provisória retirando do Ministério da Justiça as atribuições relativas aos “direitos indígenas”. Diz a MP: “(…) constituem áreas de competência do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento”: “reforma agrária, regularização fundiária de áreas rurais, Amazônia Legal, terras indígenas e terras quilombolas”; A tentativa de transferência já havia sido rejeitada pelo Congresso Nacional em maio, ao votar outra MP, editada em janeiro por Bolsonaro. Segundo o artigo 62 da Constituição, “é vedada a reedição, na mesma sessão legislativa, de medida provisória que tenha sido rejeitada ou que tenha perdido sua eficácia por decurso de prazo”. Em julgamento recente, o do Supremo Tribunal Federal reforçou o entendimento de que a reedição, nessas condições, é inconstitucional. Uma “sessão legislativa” compreende o período que vai de 2 de fevereiro a 22 de dezembro de um mesmo ano. Para o Cimi, ao reeditar a MP, Bolsonaro “comete desvio de funções, afronta o Congresso Nacional, promove uma verdadeira balbúrdia política e jurídica, com o que obstrui maliciosamente os procedimentos de demarcação de terras indígenas no Brasil”. Íntegra da nota do Cimi O Conselho Indigenista Missionário (CIMI) repudia veementemente a Medida Provisória 886/19 do Governo Bolsonaro e a considera flagrantemente inconstitucional. Por meio da MP, dentre outras questões, o governo tenta recolocar a temática da demarcação de terras indígenas sob a gestão do Ministério da Agricultura. Esse assunto já constava da Medida Provisória 870/19 e foi rejeitado pelo Congresso Nacional na atual sessão legislativa. O Artigo 62 da Constituição Brasileira, em seu parágrafo 10º., determina que “É vedada a reedição, na mesma sessão legislativa, de medida provisória que tenha sido rejeitada ou que tenha perdido sua eficácia por decurso de prazo”. Em julgamento recente, ao analisar a constitucionalidade da MP 782/2017, o Plenário do Supremo Tribunal Federal definiu a seguinte tese: “É inconstitucional medida provisória ou lei, decorrente de conversão de medida provisória, cujo conteúdo normativo caracterize a reedição na mesma sessão legislativa, de medida provisória anterior rejeitada, de eficácia exaurida por decurso de prazo ou que ainda não tenha sido apreciada pelo Congresso Nacional dentro do prazo estabelecido pela Constituição Federal”. Por meio da MP 886/19, o governo Bolsonaro comete desvio de funções, afronta o Congresso Nacional, promove uma verdadeira balbúrdia política e jurídica, com o que obstrui maliciosamente os procedimentos de demarcação de terras indígenas no Brasil. Portanto, além de inconstitucional em si, trata-se de um instrumento usado pelo atual governo para desrespeitar preceito constitucional previsto no Artigo 231, sobre direito dos povos indígenas às suas terras tradicionais. Diante disso, o Cimi espera que o presidente do Senado Federal, em cumprimento ao Artigo 48 do Regimento Interno desta Casa Legislativa, impugne a MP 886/19 e a devolva, de imediato, ao Presidente da República. Brasília, DF, 19 de junho de 2019 Conselho Indigenista Missionário – Cimi
Moro mentiu no depoimento ao Senado. E agora?

O ainda ministro Sérgio Moro mentiu aos senadores durante o depoimento desta quarta-feira (19), na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, ao dizer que os grampos telefônicos de Dilma Rousseff divulgados por ele, em 2016, tinham autorização judicial. Não era verdade do ex-juiz da Lava Jato. Os ex-presidentes Lula e Dilma tiveram os telefones grampeados e os diálogos veiculados pelo Globo não tinham autorização judicial. As escutas foram realizadas pelo ex-juiz após o período permitido pela lei brasileira Ao tentar desvencilhar-se dos explosivos diálogos divulgados pelo site The Intercept Brasil, do jornalista Glenn Greenwald, o ministro Sérgio Moro mentiu ao afirmar que os grampos contras os petistas tinham autorização judicial. Alguns senadores caíram na mentira do ex-juiz: “Ali havia uma interceptação, autorizada legalmente. Pode-se até discutir a decisão. Mas havia uma decisão legal, publicizada, que depois foi objeto de questionamento, e existe a prova decorrente nos autos”, driblou. A presidenta nacional do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PT), protestou contra a mentira do ministro. Ela disse que Moro foi “cara-de-pau” e que deveria respeitar a inteligência das pessoas. “A falsidade de Sergio Moro é inacreditável. Dizer que o grampo da presidenta Dilma Dilam foi ‘dentro da legalidade’ é o cúmulo da cara-de-pau. Se não respeita a verdade, respeite a inteligência das pessoas”, disparou a dirigente petista, que pediu a renúncia de Moro após o depoimento no Senado. O ministro Sérgio Moro agiu tão fora da lei que até o então saudoso ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), em março de 2016, decidiu pela inconstitucionalidade dos grampos contra Lula e Dilma. Na época, Zavascki puxou a orelha do juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba afirmando que os grampos ocorreram “sem nenhuma das cautelas exigidas em lei” e lhe ensinou que a Lei das Interceptações determina que “além de vedar expressamente a divulgação de qualquer conversa interceptada (artigo 8º), determina a inutilização das gravações que não interessem à investigação criminal (artigo 9º)”. O ministro Teori Zavascki ainda passou mais uma carraspana no então juiz Moro: “Não há como conceber, portanto, a divulgação pública das conversações do modo como se operou, especialmente daquelas que sequer têm relação com o objeto da investigação criminal. Contra essa ordenação expressa, que — repita-se, tem fundamento de validade constitucional — é descabida a invocação do interesse público da divulgação ou a condição de pessoas públicas dos interlocutores atingidos, como se essas autoridades, ou seus interlocutores, estivessem plenamente desprotegidas em sua intimidade e privacidade.” Como se vê, caro leitor, mentira tem pernas curtas. E agora? Tem parlamentar dizendo que somente uma CPI seria capaz de depurar a mentira e trazer luz ao submundo da Lava Jato. Via Blog do Esmael
Reforma mantém privilégios e trata militares como cidadãos especiais

Militares são os que mais custam para o sistema previdenciário e os mais poupados nas mudanças De longe, a maior distorção da reforma da previdência em tramitação no Congresso é o fato de excluir os militares das Forças Armadas das novas regras. Essa categoria é a que mais pesa para a previdência e a que mais desfruta de privilégios. Isso se mantém. São os únicos a ganharem um projeto à parte e diferenciado de reforma, tratados como cidadãos especiais. Pelo menos em nível nacional, os integrantes da Aeronáutica, Exército e Marinha são as categorias mais privilegiadas historicamente. Eles são um dos únicos servidores que se aposentam com base no último salário que ganham, geralmente o maior de toda a carreira. A contribuição que eles possuem não é para a aposentadoria e sim para as pensões. Quem acaba pagando pelo salário do aposento deles são os civis. A reforma da previdência dos militares aumenta a contribuição deles, mas de forma pontual. Eleva de 7,5% para 10,5%. Os servidores civis contribuem para a aposentadoria com 11%, com a reforma esse percentual pode chegar a 14%. O custo com servidores militares inativos da União cresceu de 2016 a 2018 em 12,69%, chegando a R$ 22,14 bilhões. Já o crescimento de gastos com a previdência dos civis, que engloba o INSS, cresceu 11,49% no mesmo período. O dado é do Portal da Transparência. Conforme informações divulgadas pela imprensa, em média, por mês, os militares reformados e das Forças Armadas recebem R$ 13,7 mil de benefício, sendo que 55% dos ativos se aposentam com idade que varia entre 45 a 50 anos. A reforma da previdência dos militares não ataca os privilégios da farda, preservando até mesmo o mais absurdo deles, que é a pensão vitalícia para as filhas solteiras (no papel) de militares falecidos. Além de manterem benesses, o pequeno sacrifício que eles farão na previdência ou pagarão a mais em contribuição está sendo compensado no projeto com aumentos salariais. Para eles não haverá nenhuma perda financeira. É por isso, para manter integralmente as suas rendas, que a reforma dos militares tramita em projeto separado. Que caminha a passos de tartaruga no Congresso Via Os Novos Inconfidentes
Jaques Wagner desarticula Moro ao lembrar grampos contra Dilma

Senador do PT da Bahia lembrou atos criminosos do juiz ao lembrar grampos que ele fez contra a então presidente da República Dilma Rousseff. Jacques Wagner questionou Moro, que se referiu às publicações do Intercept, em depoimento no Senado, como “sensacionalistas”. Moro divulgou ilegalmente conversar da ex-presidente no Jornal Nacional. Wagner perguntou se ele não achou “sensacionalista” a divulgação dos grampos da então presidente Dilma Rousseff com o ex-presidente Lula no Jornal Nacional, da TV Globo, pela Lava Jato em abril de 2016. A indagação foi feita nesta quarta-feira 19 durante audiência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) no Senado, onde Moro depôs. “O ministro insiste em desqualificar o site e chamá-lo de sensacionalista. O site já ganhou o ‘Oscar do jornalismo’ com a revelação dos ‘wiki leaks’. O combate à corrupção é pré-requisito para qualquer pessoa na vida pública. A melhor forma é responder o que está sendo revelado. Foi uma medida sensacionalista divulgar conversas grampeadas de Dilma? Colocar no pelourinho a dignidade de pessoas que deveria ser mantido em sigilo? Como no caso da Escola Base, por exemplo, que não tem nada a ver com Vossa Excelência”, disse Wagner. “Pensa em se afastar do cargo para não prejudicar as investigações se ela for para a Polícia Federal?”, indagou ainda. Antes disso, Moro por diversas vezes se referiu ao site The Intercept, responsável pela divulgação das conversas vazadas entre o ex-juiz e a força-tarefa da Lava Jato, como “sensacionalista”. “O impacto inicial decorrente do sensacionalismo da divulgação dessas notícias geraram uma repercussão indevida e o tempo está colocando as coisas no seu devido lugar. Há divulgação sensacionalista e isso coloca em questionamento quais as motivações”, respondeu Moro. Jaques Wagner voltou a cobrar: “o senhor ainda não respondeu se foi sensacionalista a divulgação dos áudios de Dilma”. “O senhor acha de bom tom deixar o cargo para as investigações?”, repetiu o senador.
Intercept: Moro sugeriu poupar FHC de investigação na Lava Jato

Novo capítulo das mensagens vazadas da Lava Jato também expõe a tentativa de mostrar ‘imparcialidade’ da Operação Há um novo capítulo nos vazamentos da Lava Jato liberados pelo site The Intercept, que teve início no dia 02 de junho e repercutiu os motivos políticos por trás da Operação e da prisão de Lula. Dessa vez, o ex-juiz Sergio Moro decide opinar sobre as suspeitas contra o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e diz que acha ‘questionável’ mexer com FHC pois ‘melindra alguém cujo apoio é importante’. As mensagens foram trocadas com o Procurador Geral da República, Deltan Dallagnol, a outra peça chave das conversas estratégicas na força-tarefa da Lava Jato. Depois de ser questionado por Moro, ele admite que outros procuradores podem ter passado as investigações paraa frente para ‘passar recado de imparcialidade’, um status sempre buscado pelo MPF e TRF-4 de Curitiba. Antes mesmo de Moro questionar Dallagnol sobre o trabalho no Ministério Público Federal, os procuradores da Lava Jato pareciam empenhados em mostrar a ‘imparcialidade’ sempre alegada pelo grupo. Após levantamento de notas que poderiam indicar caixa 2 nas campanhas do PSDB, que envolviam também o Instituto Fernando Henrique Cardoso, eles teriam achado o gancho necessário. No entanto, as novas mensagens explicitam novamente as estratégias da Lava Jato para incriminar o ex-presidente Lula. A situação abriria precedente para o Instituto Lula alegar, também, um crime tributário, e não a acusação de corrupção pela qual estava sendo acusado. Esse ponto fez com que os procuradores voltassem atrás.
Vaticano sugere ordenamento de pessoas casadas para atuarem na Amazônia

Um documento do Vaticano, expedido nesta segunda-feira (17), recomenda que a Igreja Católica considere a ordenação de pessoas mais velhas, casadas e que tenham famílias constituídas, como padres em regiões mais remotas da Amazônia. A preferência, segundo o documento, é que os novos ordenamentos sejam direcionados para pessoas de ascendência indígena. Ainda conforme o Vaticano, algum tipo de “ministério oficial” poderá ser conferido às mulheres. “Afirmando que o celibato é uma dádiva para a Igreja, pede-se que, para as áreas mais remotas da região, se estude a possibilidade da ordenação sacerdotal de pessoas idosas, de preferência indígenas, respeitadas e reconhecidas por sua comunidade, mesmo que já tenham uma família constituída e estável, com a finalidade de assegurar os Sacramentos que acompanhem e sustentem a vida cristã”, diz o documento, considerado o que trata de maneira mais direta o ordenamento de pessoas casadas.
Xerife, cabo eleitoral e adversário político… Moro só não cabe no figurino de juiz

Cinco anos após o início da Operação Lava Jato, as mensagens reveladas pelos jornalistas do The Intercept Brasil expuseram as entranhas de um grupo do Judiciário que, julgando-se acima do bem e do mal, cruzou todas as linhas da ética e da legalidade. O material até agora divulgado comprova que quem era responsável por investigar e denunciar os réus trocou confidências, estratégias e avaliações com quem os julgava, ao arrepio do Código de Processo Penal e colocando toda a credibilidade da operação sob suspeita. Mesmo depois de inúmeras ilegalidades e abusos, figuras como Sergio Moro e Deltan Dallagnol seguiam protegidos de críticas de grande parte da mídia, que transformou o legítimo combate à corrupção em espetáculo e procuradores e juízes em heróis da nação. A partir de 2014, o Brasil assistiu quase que semanalmente a conduções coercitivas, prisões preventivas injustificadas, decisões judiciais regidas pelo calendário político e uma série de atropelos da lei, sem qualquer tipo de investigação e punição aos agentes responsáveis. Não deixa de ser pedagógico ver os mesmos que abusaram de vazamentos ilegais criticando a publicação de trechos de conversas entre os agora suspeitos. Leia também: Rede Globo usa programa humorístico para detonar com Moro e Dellagnol Jornalista que deu assessoria informal à Lava Jato é ator de entrevista de Moro se defendendo Gangue da Lava Jato extrapolou os limites da sensatez para atacar Lula Em novo vazamento, Moro pede que MPF faça nota à imprensa contra defesa de Lula É importante deixar claro que Moro jamais se comportou com a isenção que se espera de um juiz. Atropelava advogados de defesa e atuava quase como um xerife em audiências. Divulgou grampos ilegais entre um ex-presidente e uma presidenta da República. Desacatou publicamente a decisão judicial de um desembargador. E atuou como cabo eleitoral ao retirar o sigilo de uma delação poucos dias antes do primeiro turno das eleições presidenciais. O ex-juiz não se importava sequer em esconder sua sanha contra Lula e seus familiares. Ordenou uma devassa na vida de toda a família do ex-presidente, chegando a confiscar até um tablet do seu falecido neto Arthur e expor conversas íntimas de dona Marisa Letícia e seus filhos. Sem a toga, aparecia em fotos sorridentes ao lado de figuras como Aécio Neves e João Doria e recebia prêmios na Europa. Dava entrevistas e emitia notas públicas para a mídia como uma celebridade. Xerife, cabo eleitoral, adversário político e aspirante a herói nacional: Moro parecia caber em qualquer um desses figurinos, menos naquele da magistratura. O ponto mais revelador dessa trajetória foi ter aceitado o convite para o Ministério da Justiça de Jair Bolsonaro. Ao despir publicamente uma toga que jamais honrou, Moro entrava oficialmente para a política e recebia o prêmio por ter prendido e retirado o candidato favorito das eleições. Por tornar tão explícita a parcialidade e suspeição no julgamento de Lula, sua nomeação como ministro acendeu um sinal de alerta até entre aqueles que endossaram seus atos na Lava Jato. No domingo 9, as reportagens com as conversas entre Moro e os procuradores deixaram o ex-juiz nu em cima do palco. Convenhamos: para quem acompanhava sua trajetória com um mínimo de espírito crítico, as mensagens não foram exatamente uma surpresa. Comprovaram aquilo que denunciávamos há alguns anos: a indistinção entre juiz e acusador na República de Curitiba. O material publicado até agora comprova o nível de ilegalidade e imoralidade com que os integrantes da Lava Jato se autorizaram. A condenação de Lula no caso do triplex do Guarujá é o capítulo mais transparente. A dificuldade em ligar o ex-presidente ao apartamento chegou a ser confidenciada por Dallagnol em uma das mensagens, na qual diz que a denúncia era baseada “em muita prova indireta de autoria”. Moro teve de encorajá-lo a seguir no caso: “Definitivamente, as críticas à exposição de vocês são desproporcionais. Siga firme”. No artigo 254, o Código de Processo Penal declara suspeitos os juízes que tiverem “aconselhado uma das partes”. Moro não apenas aconselha a parte que acusa, ele estimula, faz críticas e chega a perguntar ao procurador se não era momento de mais operações… Com Dória e Aécio Neves (foto acima), Moro nunca viu problema em exibir a sua parcialidade A despeito da conhecida arrogância dos personagens, chama atenção o fato de nenhum dos envolvidos ter negado a veracidade das conversas. Restringiram suas críticas ao vazamento, sob a alegação de que se tratou de ato ilícito de um hacker. Chegam ao ponto de dizer que seu conteúdo não tem “nada demais”. Como seriam suas reações caso um juiz mantivesse conversas secretas com advogados de defesa de investigados? Não custa lembrar que uma das “10 medidas contra a corrupção”, encabeçada pelo Ministério Público e propagandeada de forma acintosa por Dallagnol, inventava a figura jurídica do “informante do bem”, que “de boa-fé”, reportasse voluntariamente, inclusive com provas ilícitas, condutas ilegais em organizações públicas ou privadas. O feitiço virou contra o feiticeiro. O que foi revelado até agora já é mais do que suficiente para Moro ser afastado do Ministério da Justiça. Ele perdeu definitivamente as condições políticas e morais para o cargo, se é que algum dia as teve. Os novos fatos também colocam a urgência de exame pelo STF do pedido de suspeição de Moro para julgar Lula. O código é claro: aconselhamento de partes define suspeição do juiz e sentença proferida por juiz suspeito é nula. Ou seja, está evidente o comprometimento do processo contra o ex-presidente. A liberdade imediata de Lula é fundamental para reparar uma minúscula parte da injustiça cometida. Para quem acompanhava a trajetória do magistrado com um mínimo de espírito crítico, o conteúdo das mensagens não surpreende. Sempre foi evidente a indistinção entre magistrado e acusador na República de Curitiba Conforme novas reportagens forem publicadas saberemos a extensão e o papel de diferentes atores nessa trama. Glenn Greenwald sinalizou a existência de mensagens que demonstram a relação promíscua entre Moro e a Rede Globo. Haverá mensagens do episódio Favreto? Das interferências no processo eleitoral? Dos termos do