Expelindo racismo, machismo e intolerância, Sperling venceu o 19° BBB

A mineira Paula von Sperling é a grande vencedora do Big Brother Brasil 19. Anunciado na noite desta sexta-feira (12), a advogada de 28 anos levou para casa o prêmio de R$ 1,5 milhão com pouco mais de 61% dos votos. Sua participação no programa foi marcada por muitas polêmicas Apesar de seus lados positivos, Paula envolveu-se em polêmicas em relação a alguns comentários que fez no programa. Um dos comentários que mais fizeram o público repensar o apoio em Paula, foi sobre a religião de Rodrigo. O carioca é do candomblé e foi alvo de comentário da mineira. “Ele mexe muito com esses treco. Ele falou hoje lá, o tempo todo. Ele sabe cada Oxum deles lá. Ele conhece e eu tenho medo disso”, declarou. “Nosso Deus é maior”, disse Paula em uma de suas falas. Por esse motivo, Paula está sendo acusada de racismo religioso. Em outro momento, quando falava sobre um caso de feminicídio, Paula disse que ficou surpresa ao ver que o homem era branco e não um “faveladão”. Ela também fez um comentário polêmico sobre o cabelo de Elana dizendo que ele era “ruim”. O RACISMO VENCEU NO BBB, APONTA DE LUCCA William De Lucca ✔@delucca Ser notadamente racista, ser seguidamente homofóbica e repetir discursos sistemáticos de opressão virou “ousadia de ser real”. Poucas vezes um reality show mostrou tanto a “realidade” na qual estamos afundados. Big Brother Brasil ✔@bbb #RedeBBB: Paula é a campeã do #BBB19 com 61,09% dos votos! #FinalBBB19 “BBB 19”: “Ela é racista, assim como a sociedade brasileira”, afirma irmão de Rodrigo sobre sister Paula “Não acredito nessa inocência que ela diz ter, ainda mais por ser formada em Direito”, disse Fábio França em entrevista Depois de inúmeras polêmicas envolvendo declarações de Paula dentro do Big Brother, o irmão de Rodrigo, Fábio França, declarou em entrevista ao Extra que considera a participante racista e não acredita em sua suposta inocência: — Ela é racista, assim como a sociedade brasileira. Rodrigo é educador por essência, não vai desistir de mostrar para ela que está errada. Não acredito nessa inocência que ela diz ter. A mineira Paula, de 28 anos, já fez inúmeras declarações polêmicas no reality, como quando igualou piadas contra loiras ao preconceito contra negros. Por essas e outras falas, a hashtag “Paula Racista” esteve nos assuntos mais comentados no Twitter, na última semana. Apesar disso, muitas defendem a sister afirmando que ela é “inocente” e não tem noção do que está dizendo dentro do Big Brother. É a opinião da mãe dela, que afirmou ao Extra que a filha não é racista: — Minha filha é a pessoa mais pura que conheço, não tem nada de racista, não. Estão interpretando de uma maneira equivocada o que ela fala. Minha mãe é negra — disse Adriana. — Peço ao divino espírito santo que guie as palavras da Paula, e que ela pare de causar polêmicas. São expressões que ela não deveria falar, mesmo sabendo que é tudo sem maldade. Ela se refere a algumas expressões ditas por Paula na casa, como “cabelo crespo é ruim”, “denegrindo” e “humor negro” que foram destacadas pelo público como preconceituosas. Dentro do próprio BBB, o brother Rodrigo tentou explicar didaticamente para ela porque tais expressões não devem ser utilizadas. Cientista social, especializado em direitos humanos, Rodrigo foi ouvido por Paula, que demonstrou boa vontade na frente dele. Para seus amigos dentro da casa, entretanto, ela classificou as palavras do brother como “mimimi”.
Há 40 dias que o Ministério Público está jejuando no deserto do caso Queiroz

Queiroz: 40 dias de silêncio e vergonha “Mais de 40 dias após afirmar ao Ministério Público do Rio de Janeiro que coordenava uma “desconcentração de remuneração” no gabinete de Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), Fabrício Queiroz ainda não entregou a lista dos funcionários informais que atuavam para o então deputado estadual e hoje senador.(…)o ex-assessor de Flávio disse por meio de sua defesa que recolhia parte do salário dos funcionários do gabinete para distribuir a outras pessoas que também trabalhavam para o então deputado estadual. Segundo ele, Flávio não tinha conhecimento da prática. Reparem que nem mesmo chamar a depor, pessoalmente, este sujeito o Ministério Público dignou-se a convocar. Contenta-se com uma declaração escrita do advogado, apresentada três meses depois dos convites feitos a esclaracer o caso. Fabrício não está internado e, no final do ano, teve condições de fazer dancinhas no Youtube. A imprensa, salvo notícias esporádicas como esta, está a anos-luz das campanhas que sempre fez “exigindo explicações”. Nem mesmo conseguiu, todos estes meses, descobrir onde estava Wally, digo, Fabrício. O laranja está mais que maduro mas, como na velha música, “tem marimbondo no pé”. Com Fernando Brito – Tijolaço Entenda Caso Queiroz Caso Queiroz ou Caso Fabrício Queiroz é o nome atribuído a uma crise política deflagrada a partir de 6 de dezembro de 2018, data em que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) divulgou relatório apontando movimentações atípicas no valor de 1.236.838,00 reais entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017 em uma conta bancária de titularidade de Fabrício José Carlos Queiroz, policial militar e ex-assessor parlamentar de Flávio Bolsonaro, filho do Presidente Jair Bolsonaro, senador eleito e então deputado estadual. Na época das movimentações, Queiroz exercia as funções de motorista e segurança do político. O caso De acordo com o banco responsável pela conta, as movimentações financeiras seriam incompatíveis com o patrimônio, a atividade econômica ou ocupação profissional e a capacidade financeira do ex-assessor parlamentar Fabrício José Carlos Queiroz. No período, pelo menos oito funcionários do gabinete de Flávio Bolsonaro fizeram depósitos que totalizaram 150 mil reais na conta de Queiroz, sempre em datas posteriores aos pagamentos dos salários. Tais operações levantaram suspeitas de que o parlamentar se apropriasse indevidamente de parte dos salários dos servidores, na prática ilegal conhecida como “rachadinha”. Uma das movimentações de Queiroz mencionadas pelo relatório é um cheque de 24 mil reais emitido em favor da primeira-dama Michelle Bolsonaro, justificada pelo Presidente Jair Bolsonaro como pagamento de um empréstimo de 40 mil reais. O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro abriu procedimento de investigação de possível lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio e convocou Fabrício Queiroz e o Flávio Bolsonaro para prestar esclarecimentos. Queiroz faltou a dois depoimentos, agendados para 19 e 21 de dezembro de 2018, alegando problemas de saúde, mas foi gravado dançando no hospital em que estava internado. Segundo Lauro Jardim, abrigou-se na favela de Rio das Pedras, dominada pelas milícias. Flávio Bolsonaro recusou-se a prestar depoimento invocando prerrogativa de parlamentar[9] e pediu ao Supremo Tribunal Federal que suspendesse as investigações. O ministro plantonista Luiz Fux acatou o pedido de Flávio, contrariando a jurisprudência do ministro relator do caso, Marco Aurélio Mello. Em 18 de janeiro de 2019, foi revelado que Flávio Bolsonaro recebeu em sua conta 48 depósitos de dois mil reais no prazo de um mês, totalizando 96 mil reais. Depósitos fracionados foram usados como exemplo de tentativas de burlar a fiscalização do Coaf pelo atual Ministro da Justiça Sérgio Moro no livro Crime de Lavagem de Dinheiro. Os depósitos foram realizados em cinco dias, entre junho e julho de 2017, em terminais de autoatendimento localizados na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. De acordo com o senador eleito, os valores tratam-se de pagamento do excedente por uma permuta de imóveis realizados com o ex-jogador de vôlei Fábio Guerra, que confirmou a versão.[13] Entretanto, as datas dos depósitos não coincidem com as apontadas na escritura. Foi também revelado que o senador eleito pagou um título bancário da Caixa Econômica Federal no valor de 1.016.839,00 reais. A data de pagamento e o beneficiário não foram identificados. O gabinete do então deputado federal Jair Bolsonaro atestou a frequência da filha de Fabrício Queiroz, Nathalia de Melo Queiroz, onde exercia a função de assessora parlamentar, remunerada com cerca de 10 mil reais e benefícios. A ex-assessora trabalhava como personal trainer no Rio de Janeiro em horário comercial durante o período em que esteve lotada no gabinete, mas nunca teve falta nem licença registrada. Após a eleição de 2018, Nathalia foi contratada como assessora especial da prefeita de Araruama, Lívia de Chiquinho, e exonerada após a divulgação do relatório do Coaf, em 7 de dezembro. Nunca foi vista pela secretária da prefeita. Nathalia também já trabalhou no gabinete de Flávio Bolsonaro e foi citada no relatório por ter transferido 97 mil reais a seu pai nessa época. Assim como ele, faltou ao depoimento marcado no MP-RJ. Em 4 de fevereiro, mudou-se o responsável por essa investigação criminal devido à posse de Flávio Bolsonaro como senador em 1 de fevereiro. Antes sob responsabilidade de Eduardo Gussem, procurador-geral de Justiça do MP/RJ, passou para as mãos de Claudio Calo, da promotoria de investigação penal. O promotor Calo já relativizou os depósitos feitos na conta de Flávio Bolsonaro, alegando que o fracionamento do dinheiro pode gerar suspeitas, mas a origem do dinheiro pode ser lícita, e também divulgou em seu perfil do Twitter entrevistas de Flávio Bolsonaro à Rede TV! e à GloboNews, além de um tuíte de Carlos Bolsonaro exaltando a modéstia do presidente Jair Bolsonaro. Inicialmente, Calo negou que deixaria a investigação por conflito de interesses, mas acabou declarando-se suspeito e não assumiu a função. O Ministério Público do Rio de Janeiro ainda vai anunciar um novo responsável. Partes envolvidas Coaf O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) é um órgão administrativo brasileiro vinculado ao Ministério da Justiça (até 2018, ao Ministério da Fazenda). Foi criado pela Lei nº 9.613, de 3 de
PSB quer imposto sobre grandes fortunas para acabar com privilégios

A cobrança do imposto se dará por faixas de contribuição, a exemplo do que ocorre com o Imposto de Renda Em meio a discussões sobre a reforma nas aposentadorias e a busca no equilíbrio das contas públicas, o PSB apresentou na última semana dois projetos como alternativa à reforma da Previdência. O presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, disse que a ação coletiva dos deputados socialistas (de propor a taxação de grandes fortunas e tributação de lucros e dividendos) é uma forma correta de buscar a justiça fiscal e uma alternativa técnica e política adequada para que o país volte a crescer e a criar empregos. Ao blog Siqueira defende a importância dos ricos contribuírem progressivamente, ao invés da proposta retirar direitos daqueles que ganham tão pouco e que perderão a perspectiva de um futuro digno. “Essa reforma, se aprovada tal como está proposta, rompe com o pacto de 1988, e elimina as grandes conquistas sociais, mais propriamente de Seguridade Social, porque também se propõe a desvincular as receitas obrigatórias”, destacou. “O texto não trata em nenhum momento dos mais ricos desse país. Não concordaremos com isso jamais”, criticou. Para Siqueira, não há emenda que “salve” a proposta de Bolsonaro, porque ela foi “elaborada para retirar direitos dos mais vulneráveis, sem tocar nos mais ricos”. “É igual àquele poema de Fernando Pessoa, que diz que a emenda sairia pior que o soneto”, comparou. O PSB ainda não decidiu como o partido votará em relação à reforma, mas adiantou ao blog que conversará com congressistas, governadores e o diretório nacional do partido para defender fechamento de questão contra a proposta. Alcance do projeto A proposição que trata das grandes fortunas alcança somente aqueles que declaram bens acima da R$ 20 milhões de reais. Já a de lucros e dividendos estabelece alíquota adicional de 15% para rendimentos tributáveis acima de R$ 320 mil mensais. De acordo com dados da Receita Federal, existem 25.785 declarantes (0,09% de brasileiros) com renda acima de 320 salários mínimos mensais que declaram bens e direitos líquidos no montante total de R$ 1,294 trilhão. Esse mesmo estrato da população declarou renda média anual de R$ 11 milhões, dos quais R$ 7 milhões ficaram completamente isentos de impostos de renda, em grande parte devido à isenção sobre o recebimento de lucros e dividendos ainda ciente no país.
Moro briga com a imprensa que o transformou no que ele acha que é

Moro reclama que pesquisa Datafolha sobre seu projeto de lei foi ‘mal feita’ O ex-juiz Sérgio Moro reagiu à pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (11) em que mostra que a maioria da população brasileira é contra as principais medidas de seu projeto anticrime. Acostumado a ter sempre razão quando detinha o poder de condenar o ex-presidente Lula independentemente de o conjunto do processo probatório comprovar sua inocência, Moro ainda crer que seu desprezo pelas evidências ainda é tolerado. Completamente cego pelos holofotes de outrora, o que o agora ministro parece ainda não ter percebido é que uma vez entregue a encomenda, sua imunidade aos absurdos se esvai e seu desempenho começa aos poucos a ser avaliado a partir de convicções mais racionais. Em suma, como que num passe de mágicas, de “herói nacional” Moro cai do Olimpo dos insanos direto para a terra devastada dos políticos. E é exatamente isso que o atordoa. Ainda se achando acima do bem e do mal, avalia a falta de apoio popular evidenciada pela pesquisa Datafolha da mesma forma com que avaliou a falta de provas que daria suporte a uma decisão que já estava tomada. Contrariado com o produto da soma, tenta alterar pateticamente a ordem dos fatores. Se a pesquisa não disse o que gostaria de ouvir, prefere pensar que ela foi “mal feita” e ignorando a mensagem crua e nua dos números segue acreditando que o povo lhe dá o aval para que se faça com ele, o povo, coisa até pior do que se fez até aqui com Lula. O justiceiro continua lutando contra os fatos na defesa insana de seu castelo de cartas. O que ignora, porém, é que o exército que seguia o juiz Moro bate em retirada uma vez liderado pelo político Moro. Nesses dois distintos campos de batalha onde as principais armas se mostram igualmente implacáveis, a única coisa que une um Moro ao outro é sua inabalável vocação para a idiotia. O homem que encarcerou um inocente mostra dessa vez que entende tanto de pesquisas quanto de provas. Via DCM
Fundo bilionário da Lava Jato: Dallagnol não vai à Câmara e deputados pedem CPI

“Sairia preso daqui”, disparou o petista Rogério Correia sobre o procurador da Força-Tarefa do MPF no Paraná, em caso de investigação parlamentar Por Vinicius Lousada – Revista Forúm Convidado para prestar esclarecimentos sobre o acordo que entregaria R$ 2,5 bilhões da Petrobras a uma fundação privada gerida pela Lava Jato do Paraná, o procurador da República Deltan Dallagnol não compareceu à reunião da Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público da Câmara nesta quinta-feira (11). Diante da ausência que impediu os questionamentos dos deputados, o líder do PT na Casa, Paulo Pimenta (RS), defendeu a instauração de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar essa e outras movimentações semelhantes da chamada Força-Tarefa do Ministério Público Federal (MPF). Autor do requerimento do debate, o deputado Rogério Correia (PT-MG) reiterou a gravidade do tema e disse que, se uma investigação desse tipo já estivesse em andamento, Dallagnol “sairia preso” do Congresso. “Ele acha que é Deus e não vem. A Petrobras pede sigilo. Só mesmo uma CPI para desvendar o tamanho que foi isso. É grande. Com certeza, houve outros acordos desse tipo”, declarou à Fórum. O parlamentar petista frisa que, em 2016, o MPF do Paraná e o então juiz (e agora ministro) Sério Moro já haviam, “escondidos”, mediado acordo de R$ 6,8 bilhões entre a Odebrecht e a Justiça dos Estados Unidos. Representantes do Tribunal de Contas da União (TCU) e da Advocacia-Geral da União (AGU) participaram do debate na Câmara e reiteraram a ilegitimidade da Procuradoria da República ao firmar o acordo da Petrobras, que, depois de homologado pela 13ª Vara Federal de Curitiba, foi suspenso pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) Raquel Dodge justificou estar ausente na reunião da Câmara em razão de viagem internacional, mas encaminhou o documento em que sugere à Suprem Corte que os R$ 2,5 bilhões sejam destinados ao Orçamento da Educação. “Vamos pedir uma audiência com ela. Concordamos com esse encaminhamento”, disse o deputado Rogério Correia. Para o parlamentar, a Lava Jato vinha se apropriando ilicitamente de bilhões, visando interesses privados, políticos e ideológicos. Cadeira reservada para Dallagnol ficou vazia durante o debate na Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público; à mesa, o deputado Rogério Correia – Foto: Gabriel Paiva “Quem com Power Point fere…” Ironizando o Power Point exposto pela Lava Jato na tentativa de incriminar o ex-presidente Lula, Rogério Correia também apresentou material elaborado a partir do software, na qual Sérgio Moro e Dallagnol figuram no centro, relacionados ao que chama de “guerra híbrida de alta traição para a entrega do Brasil ao capital financeiro internacional”, citando desde a descoberta do Pré-Sal, passando pela prisão de Lula, pelas “relações escusas” com os Estados Unidos, até chegar à proposta de criação do fundo. “Destruíram empresas nacionais e enfraqueceram a Petrobras. Quem com Power Point fere, com Power Point será ferido”, disparou o petista.
Matança policial já ganhou as dimensões de um genocídio social

Em nome da segurança, brasileiro rico está apoiando extermínio de pobres que levam bala junto com os “bandidos” sem direito a julgamento A matança policial bate recorde no Rio de Janeiro. Nos dois primeiros meses do novo governo Wilson Witzel (PSC), um ex-juiz que defende o “abate” de criminosos portando fuzis, foram 305 mortos pela polícia, um a cada quatro horas e meia, conforme ressaltou a jornalista Júlia Barbon em matéria na Folha de S. Paulo. Uma conta básica indica que a polícia fluminense, se continuar mandando bala no mesmo ritmo, deverá matar mais de 1.800 até o fim do ano. Os números são de um genocídio. Ainda que todos os “abatidos” fossem criminosos ou suspeitos armados, a execução sem julgamento seria barbárie. Pelas proporções da matança, é óbvio que muita gente está levando bala policial por “engano” ou “incidente” – como o músico Evaldo dos Santos, fuzilado quando se dirigia de carro com a família a um chá de bebê. Via de regra as operações mortais da PM fluminense ocorrem em favelas. Numa das mais violentas neste ano, 15 homens foram mortos no dia 08 de fevereiro numa ação policial nos morros Fallet, Fogueteiro e Prazeres. Além de sangrentas e perigosas para a população, essas operações mata-mata têm se mostrado ineficientes no combate ao crime, gerando apenas mais violência. O fracasso continuado dessa política no Rio de Janeiro levou à intervenção do Exército, que seguiu com as mesmas práticas, para colher os mesmos resultados: mortes e mortes, inclusive por “engano”. A ineficiência da política da bala é tão reconhecida há tanto tempo em todo o mundo que cabe questionar se ela está sendo defendida e adotada no Brasil por razões de segurança. Parece haver outra motivação oculta nessa sanha brasileira pela morte de “bandidos” ou de pessoas com tal imagem. Junto com os “bandidos” aos quais se nega defesa e julgamento, estão sendo assassinados pobres e favelados. Em nome da segurança, faz-se uma espécie de limpeza. Uma parte da sociedade, aquela que tem mais posses, está apoiando a matança policial/militar como meio de higienização social. A política de extermínio ganhou força a partir de 2013 com a crise que jogou o país na estagnação econômica. Muita gente passou a ver os pobres como estorvos ou gastos para o Estado, os responsáveis pela situação crítica junto com o patrono deles, Lula, o maior culpado de todos pela situação no país segundo pesquisa Ipespe/XP na semana passada. O raciocínio do defensor do extermínio é simples: se não dá para aumentar o bolo, cortam-se convidados para a festa. Tem muito brasileiro de classe alta ou mediana que acredita ser possível combater a pobreza eliminando ou abatendo pobres, literalmente. Não percebem que os fatores que geram a pobreza continuarão produzindo mais pobres. O mais cruel nessa política é que ela não funciona e por isso a matança não tem fim. Evaldo dos Santos era negro e dirigia um popular Ford Ka quando foi metralhado por militares. Uma pergunta: será que ele teria sido confundido com um bandido se fosse branco e dirigisse um carrão? Campo de extermínio de Auschvitz, na Polônia, onde foram mortos mais de 1 milhão de pessoas durante a segunda guerra
O que é esse tal de marxismo cultural que assombra bolsonaristas

Setor radical do bolsonarismo escolheu o MEC para a missão que considera prioridade no governo: combater ideias e valores de esquerda Na visão da direita, a esquerda se reinventou após a queda do muro de Berlim e do bloco comunista, passando a priorizar a hegemonia cultural na sociedade por meio de influência crescente nas universidades, na imprensa, nas artes, na economia e etc. Isso é o chamado marxismo cultural que o novo ministro Abraham Weintraub pretende combater do MEC, segundo artigo muito elucidativo de Fábio Zanini, autor de Saída pela Direita, uma coluna sobre o conservadorismo no Brasil e no mundo. Segundo o especialista em direitismo, no rótulo marxismo cultural cabem todas as manifestações que questionam ou relativizam o sistema liberal, os valores conservadores e a civilização judaico-cristã: o multiculturalismo, o globalismo, desenvolvimentismo, feminismo, ações afirmativas, social-democracia, secularismo, aquecimento global, ambientalismo e etc. O artigo ajuda a entender a guerra ideológica no MEC, a importância que tem para o grupo liderado por Olavo de Carvalho o controle do aparato de educação e cultura no país. Para o setor mais radical do bolsonarismo, a guerra ao marxismo cultural é a principal missão do governo. Leia a íntegra do artigo de Fábio Zanini: “Além da baixa qualidade do ensino público, da desmotivação dos professores e da falta de infraestrutura nas escolas, o novo ministro da Educação, Abraham Weintraub, parece ter outro inimigo, talvez até mais poderoso: o marxismo cultural. O risco que essa forma de esquerdismo representa para ele ficou claro logo no início de uma palestra em dezembro do ano passado, num fórum conservador em Foz do Iguaçu (PR). Contra ameaça tão premente, a receita de Weintraub é simples: doses cavalares do pensamento do filósofo Olavo de Carvalho. O que é esse fantasma da direita chamado “marxismo cultural”? Liberais, conservadores, bolsonaristas e olavetes têm uma relação ambivalente com o conceito. Por um lado, consideram-no uma ameaça existencial. Ao mesmo tempo, o veem como uma espécie de “fruto proibido”: reconhecem que o marxismo cultural exerce uma influência sobre o pensamento contemporâneo que eles podem apenas sonhar em igualar. E querem fazer igual, mas com o sinal trocado. A própria expressão é controversa. Raramente você verá um esquerdista que a utiliza. Costuma ser mencionada por uma ala da direita radical que acredita na existência de uma espécie de conspiração socialista de dominação global. Nela, como disse na mesma palestra Arthur Weintraub (irmão do novo ministro), cabem o PT, Cuba e o ex-presidente dos EUA Barack Obama. Olavo de Carvalho e seus discípulos partilham da tese. Há dezenas de referências de esquerda que estariam na origem do marxismo cultural, mas vou destacar duas: o italiano Antonio Gramsci (1891-1937) e a turma da Escola de Frankfurt, surgida nos anos 1920. Baseado nas conversas que ando tendo, digo sem medo de errar que hoje Gramsci rivaliza com Karl Marx na trinca dos maiores inimigos da direita (o terceiro elemento é o economista britânico John Maynard Keynes). Sua contribuição ao pensamento de esquerda foi fazer uma releitura da teoria marxista, reduzindo o peso do materialismo econômico e transportando-a para o campo da cultura. Ou seja, para Gramsci, tão ou mais importante que a batalha pelos meios de produção é o conceito de hegemonia cultural. A maneira como é contada a história, os valores da sociedade civil, as manifestações culturais são os campos onde a guerra é travada. A Escola de Frankfurt, sob o comando de Max Horkheimer (que Arthur Weintraub cita várias vezes na palestra), expandiu esse conceito e apoiou-se em disciplinas como sociologia, filosofia e as teses existencialistas para reanalisar o marxismo. Mas o gramscismo e os discípulos de Horkheimer (entre eles pensadores influentes, como Theodor Adorno e Herbert Marcuse) só passaram a habitar os pesadelos da direita muitas décadas depois de seu surgimento, nos anos 1990. Não é difícil entender o motivo. Na análise feita pela direita, a esquerda se reinventou a partir da queda do bloco comunista: desistiu de apresentar uma alternativa ao capitalismo e passou a priorizar a hegemonia cultural, em universidades, na imprensa, nas artes, na economia e em muitos outros campos. Como diz Arthur Weintraub na palestra de Foz do Iguaçu: “A coisa é séria. Quando caiu o Muro de Berlim, a gente pensou: ‘puxa vida, agora acabou, não tem mais comunismo’. Mas eles se reinventam”. Multiculturalismo, globalismo, desenvolvimentismo, feminismo, ações afirmativas, social-democracia, secularismo, aquecimento global, ambientalismo e dezenas de outras manifestações que questionam ou relativizam o sistema liberal, os valores conservadores e a civilização judaico-cristã ganharam o rótulo de “marxismo cultural”. Mas é como me disseram já diversos direitistas: culpados fomos nós, que deixamos o campo cultural aberto para a esquerda. Agora, é hora de reagir, na mesma moeda: instilando valores conservadores na academia, na mídia, no cinema, na literatura. Essa é a cruzada de Olavo, do novo ministro da Educação e de muitos outros”.
Justiça foi Gentil com humorista coxinha que ofendeu deputada

Danilo Gentili é condenado a 6 meses de prisão por ofensas a Maria do Rosário Denúncia foi motivada por um vídeo publicado pelo humorista nas redes sociais em 2016 A juíza Maria Isabel do Prado, titular da 5ª Vara Criminal de São Paulo, condenou o humorista Danilo Gentili a seis meses e 28 dias de prisão, em regime semiaberto. O caso envolve uma acusação de injúria contra a deputada Maria do Rosário (PT). ➤ Leia também: Abuso de poder econômico e caixa dois – Justiça cassa mandato da Moro de saia A denúncia foi motivada por um vídeo publicado por Gentili nas redes sociais em 2016, no qual ele rasga uma intimação judicial e, em seguida, coloca o papel picado dentro das calças. A juíza considerou que ficou claro que Gentili agiu “ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro, atribuindo-lhe alcunha de ‘puta’, bem como expôs, em tom de deboche, a imagem dos servidores públicos federais e a Câmara dos Deputados.” O humorista poderá recorrer em liberdade ao TRF3 Veja aqui o vídeo
Abuso de poder econômico e caixa dois – Justiça cassa mandato da Moro de saia

Senadora do PSL conhecida como “Moro de saia” tem mandato cassado Juíza por 22 anos, a coxinha Selma Arruda foi uma das novatas eleitas pelo arrastão conservador estrelado por Jair Bolsonaro O Tribunal Regional Eleitoral do Mato Grosso (TRE-MT) decidiu, por unanimidade, cassar o mandato da senadora Selma Arruda (PSL-MT) sob acusação de abuso de poder econômico e caixa dois. Ela poderá recorrer ao TSE, sem deixar o mandato. Seus doIs suplentes também foram implicados. Em fevereiro, o Ministério Público Eleitoral pediu que pediu à Justiça Eleitoral que cassasse o diploma da parlamentar, e que houvesse novas eleições para a cadeira dela. As investigações apontam que a equipe da senadora gastou o equivalente a 1,2 milhão de reais em recursos de origem clandestina. Juíza por vinte e dois anos, Selma foi uma das novatas eleitas pelo arrastão conservador estrelado por Jair Bolsonaro. Aposentou-se no ano passado e, nessa mesma época, pediu filiação ao PSL. Foi a mais votada em Mato Grosso, com 24% dos votos válidos. Selma se elegeu prometendo combater a corrupção e as organizações criminosas. Em 2017, ela fez parte a Operação Sodoma, que prendeu o ex-governador Silval Barbosa (MDB) e outros políticos, e foi responsável pela decisão que o condenou a 13 anos e 7 meses de prisão. Daí a comparação com o juiz de Curitiba
Bolsonaro, o boçal presidente, chega a cem dias de Governo sem nada para festejar

Batalhas internas, gafes, recuos e demissões marcam o início do governo. Segundo as sondagens, o atual Presidente do Brasil é o mais mal avaliado de sempre no período. Bolsonaro chega aos cem dias de mandato sem nada a comemorar: nenhuma realização concreta, más notícias no cenário econômico, falta de organização no governo, sem base de sustentação no Congresso e com a popularidade em franca erosão. O que se viu nesse período inicial, longe de serem meras dificuldades de adaptação e conhecimento da máquina, foi um governo que não se preparou para assumir suas funções nem traçou um plano de prioridades estratégicas a perseguir nas diversas áreas. 100 dias de desmonte Por Fernando Brito Se existe uma marca ao completarem-se os 100 dias do novo governo, é aquela que o próprio presidente anunciou, nos Estados Unidos que “nós temos de desconstruir muita coisa”. Isso, de fato, ele vem fazendo, com denodo. Na Educação, todos vêem, o esforço destrutivo vem tendo um enorme sucesso: o ministério tornou-se um centro de intrigas e disputas – além das chacotas, claro – completamente paralisado naquilo que deveria ser sua função. Dado o fato de que o novo ministro é pessoa afinada pelo mesmo diapasão aloprado de Ricardo Vélez, há pouco a acrescentar e menos ainda a esperar, senão o desmanche do pouco que construímos em construção e disseminação do saber. Desconstrução igualmente evidente está perceptível para todos em nossa política externa e em relações de comércio duramente construídas.Passamos mais que à política de alinhamento automático e entramos na seara do sabujismo explícito que também dispensa comentários. O desastre, claro, refletirá na Agricultura, dependente desta projeção comercial que alcançamos. Na afirmação de direitos humanos, basta a indicação de Damares Alves para cuidá-los para que se revele o caráter sectário e fundamentalista com que se os entende. Nas garantias legais, a pastora tem um “conge” jurídico, o Sr. Sérgio Moro, a um passo de legalizar o extermínio, embora o autor da proposta de estender a ideia de legítima defesa ao paroxismo de justificá-la por “medo, surpresa ou violenta emoção” sempre possa dizer, diante de casos chocantes que “ah, isso não é legítima defesa”. Quem decide quando não é, claro, decide quando é. Na política ambiental, desmontar também é a regra: demitir, de batelada, todos os chefes nas estruturas de fiscalização, perseguir funcionário que ousou multar um “importante” e liberar, criminosamente, a área junto a Abrolhos para a exploração petrolífera. Aguardem a abertura das áreas de preservação à exploração econômica e a tutela a instituições de monitoramento, como o Instituto Nacional de pesquisas Espaciais. Na economia, afinal, também caminhamos, sob a desculpa de que iremos “abolir privilégios”, para sacar 90% do trilhão mágico de Paulo Guedes, da parcela mais modesta dos aposentados :os do regime geral, os pensionistas, os do BPC, os trabalhadores rurais e os trabalhadores com renda entre R$ 1 mil e R$ 2 mil do abono do PIS. É, simplesmente, a destruição da mais importante rede de proteção social do país, centenas de vezes maior que o Bolsa-Família e da única cobertura universal que este país dá a seus filhos. Convenhamos, para 100 dias, é respeitável obra de demolição. Com a atividade econômica estagnada e produção, renda e consumo em frangalhos, é impossível que, em seu lugar, algo se vá construir em seu lugar.