Elas são minoria – Comissão da mulher na Câmara tem vice homem

 Elas passaram de 10% para 15% dos deputados federais, mas ainda são poucas: 77 em um total de 513 parlamentares –  A deputada federal Luisa Canziani (PTB-PR) foi escolhida presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher nesta quinta-feira, 14/03. Até aí tudo bem. Luisa é a mais jovem parlamentar na casa – tem 22 anos e, consequentemente, é também a mais jovem a presidir uma comissão. Só que o vice-presidente é um homem: Emanuel Pinheiro Neto, do PTB de Mato Grosso. O reparo não é nenhum demérito à disposição de Pinheiro Neto em defender os direitos das mulheres. Mas reafirma a baixa representação feminina no Congresso. É verdade que ela aumentou: as mulheres passaram de 10% para 15% dos deputados federais nas eleições de 2018. Mas ainda são poucas: 77 em um total de 513 parlamentares. Até um partido que traz mulher no nome – o PMB, Partido da Mulher Brasileira – tem pouca mulher. A agremiação não tem nenhum deputado federal, mas sua representação em outras instâncias é majoritariamente masculina. São três deputadas e três deputados espalhados por assembleias brasileiras; dois prefeitos e uma prefeita e dois vereadores. Os Novos Inconfidentes

STF impõe derrota à Lava Jato e acusações de caixa 2 vão para a Justiça Eleitoral

 – A Operação Lava Jato sofreu na noite desta quinta-feira 14 sua segunda grande derrota em apenas dois dias. Trata-se da decisão do Supremo Tribunal Federal, por 6 votos a 5, a favor da competência da Justiça Eleitoral para julgar crimes comuns – como corrupção e lavagem de dinheiro – conexos com delitos eleitorais. Na última terça-feira 12, a força-tarefa da Lava Jato já havia tomado um grande golpe, com a manifestação da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, contra a fundação bilionária da investigação, que seria administrada pelo Ministério Público e teria dinheiro oriundo da Petrobrás. Durante a sessão, alguns ministros manifestaram duras críticas aos procuradores, como Gilmar Mendes, que em seu voto acusou o procurador Deltan Dallagnol de pegar dinheiro da Petrobrás para fazer fundo eleitoral. “Sabe-se lá o que podem estar fazendo com esse dinheiro”, disse. “Isto é um modelo ditatorial. Se eles estudaram em Harvard, são uns cretinos, não sabem o que é processo civilizatório”, disparou. Votaram para enviar os processos para a Justiça Eleitoral os ministros Marco Aurélio (relator), Alexandre de Moraes, Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes, Celso de Mello e Dias Toffoli, presidente da Corte. Para dividir os processos com a Justiça comum, votaram os ministros Edson Fachin, Luís Roberto Barroso, Rosa Weber, Luiz Fux e Cármen Lúcia. O julgamento foi desempatado pelo presidente da Corte, ministro Dias Toffoli, o último a votar no caso. Dias Toffoli afirmou que sua posição sempre foi a mesma, de manter a jurisprudência do STF, por isso, acompanhou o relator. “Todos aqui estamos unidos no combate a corrupção. Tanto que são raros os casos de reversão de algum processo, de alguma condenação, de alguma decisão. Todos também estamos aqui na defesa da Justiça Eleitoral”, afirmou Toffoli. (…)  

PGR vai investigar Dallagnol e procuradores envolvidos em fundação

 – Iniciativa ocorre em meio a um racha na Procuradoria-Geral da República – Depois da censura pública de Raquel Dodge ao acordo que daria à força-tarefa da Lava Jato o poder de gerir um caixa bilionário, a Corregedoria da Procuradoria-Geral da República abriu um processo para investigar a atuação dos envolvidos no caso.Segundo a colunista Monica Bergamo, da Folha de S. Paulo, o processo deve atingir Deltan Dallagnol, o estrelado coordenador da operação no Ministério Público. Sob sua batuta, a turma de Curitiba negociou diretamente com a Petrobras o destino de 2,5 bilhões de reais recuperados graças a um acordo com a justiça americana. Conforme o trato, metade dessa verba iria financiar uma fundação privada, administrada pelos próprios procuradores e cuja missão seria reforçar “a luta da sociedade brasileira contra a corrupção”. Mas o projeto afundou em meio a críticas dentro e fora do meio jurídico. Ao menos por enquanto. Na terça-feira 12, Raquel Dodge pediu ao Supremo que anulasse o acordo. A chefe do Ministério Público Federal entendeu que os procuradores da Lava Jato violaram a Constituição. Dodge evocou, no pedido, a separação de poderes, a preservação das funções essenciais à Justiça, a independência do MP e os princípios da legalidade, da moralidade e da impessoalidade. No mesmo dia, o MPF já havia pedido a suspensão da fundação, parte mais criticada do acordo, mas mantinham o dinheiro sob a conta judicial gerida pelos paranaenses. Os procuradores pareciam certos de que o dinheiro ficaria sob a guarda do MP de Curitiba. Um documento divulgado em primeira mão por Luis Nassif, do Jornal GGN, mostra que, dias antes do depósito da Petrobras cair na conta, Deltan Dallagnol negociou diretamente com a Caixa as melhores alternativas de investimentos. Racha no MPFO pedido de Raquel Dodge desagradou alguns setores do MP. A Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) divulgou uma nota de repúdio à decisão. Para os signatários, Dodge se excedeu ao pedir a degola total do acordo. Argumentam ainda que “não é normal” que uma matéria da primeira instância do MP seja levada ao Supremo pela procuradora-geral da República. Maior revés da operação até aqui, a ofensiva da procuradora-geral ocorre em meio a uma disputa pelo comando da PGR. O mandato Dodge vence em setembro e não há garantias de que Jair Bolsonaro vá reconduzi-la ao cargo. O nome de Dallagnol agrada Sergio Moro e apoiadores dentro do MPF. Mas há grandes barreiras para os planos do golden boy da Lava Jato. No início deste mês, o Conselho Superior do MPF reafirmou que o cargo de procurador-geral da República só pode ser ocupado por subprocuradores-gerais. Sob essa condição, Deltan não poderia concorrer, já que ainda atua na primeira instância da entidade, dois degraus abaixo da Subprocuradoria.

Bolsonaro contamina jovens como o atirador de Suzano – Por Gilvandro Filho

 É um escárnio completo a declaração do senador Major Olímpio, de que a tragédia do Colégio Estadual de Suzano teria sido evitada se os professores e serventes estivessem armados. Ao mesmo tempo pensamentos toscos dessa natureza são a base daquilo que defendem os bolsonautas e os armamentistas que infestam este país. Por eles, viveríamos numa guerra aberta, nas ruas, com todos armados, cada um mais brabo que o outro. Ao mesmo, a indústria das armas, à frente a Taurus tão querida dos parlamentares e do próprio presidente Jair Bolsonaro, estaria cada vez mais próspera e capitalizada. A tragédia ocorreu na manhã dessa terça-feira (13), em Suzano (SP), quando um adolescente e um homem de 25 anos invadiram a unidade escolar e saíram atirando, o que resultou na morte de 10 pessoas, além dos próprios assassinos que se mataram. O atirador (o outro portava uma besta medieval, espécie de arco e flecha mais potente), não coincidentemente, era fanático por Bolsonaro e por armas. De volta ao começo, o Major Olímpio é um dos mandachuvas do PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro, no Congresso. E um dos mais atuantes parlamentares da chamada “bancada da bala” que reúne os armamentistas na Câmara dos Deputados e no Senado Federal. Todas as vezes que acontece algo semelhante, ele aparece para expelir diatribes do gênero. Frase semelhante ele execrou quando do episódio de Realengo, bairro no Rio de Janeiro, em abril de 2011, em que 12 crianças morreram no tiroteio protagonizado por um atirador de 23 anos. Mas, o Major Olímpio está longe de pregar no deserto. Pelo contrário, ele é voz ativa num imenso coral de “cidadãos de bem” que defendem a resposta a bala aos ataques da bandidagem. Para eles, pouco importam o número de mortos que, desta maratona maluca, podem redundar. Isto não interessa a ele nem aos colegas dele, grande parte financiados pelas Taurus da vida, gigantes pela própria ampliação dos conflitos armados no País. O armamentismo é um dos lobbies mais fortes do Congresso e tem no governo Bolsonaro um aliado de primeira hora. A flexibilização do Estado do Desarmamento foi a primeira promessa de campanha a ser cumprida pelo presidente. A partir do decreto presidencial número 9.684, baixado por Bolsonaro, um fanático por armas, está liberado para cada brasileiro que atenda às “exigências legais” (75% dos brasileiros, mais ou menos) a posse de até quatro armas do fogo dentro de casa. É o começo do fim do Estatuto do Desarmamento. Quatro armas para cada brasileiro habilitado pode significar 142 milhões de brasileiros armados e prontos para a guerra. Em confronto com o arsenal ilegal que não vai deixar de existir, sabe-se lá o que pode acontecer. Na prisão dos milicianos – entre eles um vizinho de Bolsonaro, em condomínio de classe alta na Barra da Tijuca -, acusados de assinar Marielle Franco, no começo da semana, chegou-se ao amigo de um deles que possuía, em casa, nada menos que 117 fuzis. Isto é significativo. E a Taurus agradece, penhorada e babando. O fim do desarmamento, como dito, foi uma das principais bandeiras de campanha de Bolsonaro e é um dos seus nortes ideológicos. O gesto de fazer arminhas com as mãos, que envolveu de forma criminosa, crianças e adolescentes, deveria ser o símbolo do seu governo. O ato de sair atirando a resolvendo na bala as pendengas é um ato cívico para o presidente e sua gente. Então, no momento em que um jovem tresloucado se arma, põe uma máscara, invade uma escola e sai atirando a esmo, ele não é só mais um desequilibrado que sai de casa com a possibilidade de matar. Ele é um aprendiz de uma ideologia assassina que começa com o estímulo da guerra entre bandidos e “decentes”. Isto tira da lei e da polícia a responsabilidade de criar mecanismos que aumentem a segurança e executem de forma eficaz essas medidas. Para os armamentistas, muito mais eficiente que a polícia bem treinada, bem paga e bem armada é a população de revólver na cinta brigando aos os bandidos. É a professora e o servente da escola pública – para usar o exemplo do Major Olímpio – sacando os seus 38 e confrontando o louco que invadiu a escola para matar seus antigos colegas. É a estudante universitária puxando sua pistola para evitar (evitar?) o estupro de que lhe ameaçam três tarados armados. É o casal de velhinhos dormindo no meio de sua trincheira esperando o ladrão chegar para reagir e “defender seu patrimônio”. Na cabeça dos armamentistas está aí a verdadeira política de contenção ao crime. O armamentismo não é apenas uma insanidade. É uma ideologia deste grupo que chegou ao poder. A este grupo, à frente o presidente da República, deve ser cobrado o que pode acontecer neste país com o povo armado e a guerra civil batendo na porta. O fato de o atirador de Suzano manter uma página de rede social (já apagada) repleta depostos alusivos ao fim do desarmamento e ao bolsonarismo não pode ser apenas detalhe. É a mostra de um exemplo que lhe contaminou. E que deve estar contaminado muito mais gente por aí. * Gilvandro Filho é jornalista e compositor/letrista, tendo passado por veículos como Jornal do Commercio, O Globo e Jornal do Brasil, pela revista Veja e pela TV Globo, onde foi comentarista político. Ganhou três Prêmios Esso. Possui dois livros publicados: Bodas de Frevo e “Onde Está meu filho?”

Delegado que solucionou morte de Marielle e citou Bolsonaro será afastado

 – O jornalista Lauro Jardim revelou em sua coluna no jornal O Globo na manhã desta quarta-feira (13) que o delegado Giniton Lages, responsável pela investigação da morte de Marielle Franco e Anderson Gomes, será afastado do caso pela Polícia Civil. “Oficialmente, o motivo dado será que ele cumpriu sua missão”, escreveu Jardim. Lages desagradou profundamente o bolsonarismo ao citar o presidente da República e sua família na entrevista coletiva sobre a prisão dos assassinos no final da manhã desta terça-feira. O chefe da Polícia Civil, delegado Marcus Vinícius Braga, indicará na semana que vem o encarregado da segunda etapa da investigação, centrada em descobrir quem mandou matar a vereadora e o motorista -informou Jardim em sua nota. A citação a Bolsonaro foi bombástica e teve alto impacto ao ser manchete do Brasil 247 no início da tarde desta terça. Leia o relato da reportagem: Apareceu o primeiro vínculo concreto entre a família de Jair Bolsonaro e a de Ronnie Lessa: um dos filhos de Bolsonaro namorou a filha de Lessa. O fato foi confirmado pelo delegado responsável pela Divisão de Homicídios da capital fluminense, Giniton Lages, durante a entrevista coletiva sobre a prisão de Lessa e do outro assassino, o ex-PM Élcio Vieira de Queiroz. Bolsonaro e Lessa moram no mesmo condomínio na Barra da Tijuca, no Rio. Com os filhos namorando, que tipo de relação estabeleceu-se entre as duas famílias? Num trecho quase inaudível da entrevista, um repórter não identificado pergunta: “Está confirmado que o filho mais novo de Bolsonaro namorou ou namora a filha de Ronie Lessa?”. Lages responde: “Está confirmado, mas isso não é objeto de investigação neste momento”. Em seguida, afirma: “Mas poderá ser mais pra frente”. Neste momento, Lages foi interrompido por alguém que não foi possível identificar na transmissão e o assunto desaparece da agenda. O filho mais jovem de Bolsonaro é Jair Renan Bolsonaro,de 20 anos, mas o nome dele não foi mencionado na pergunta nem na resposta.

Bolsonaro e o assassino que mora ao lado – Por Jeferson Miola

 Qualquer pessoa decente ficaria aterrorizada ao saber que um matador de aluguel, frio e sanguinário, autor de um atentado bárbaro contra uma vereadora e contra a democracia, mora exatamente na mesma rua do seu condomínio, apenas 3 casas adiante da sua. Quem não se aterrorizaria com o fato desse bandido ser um miliciano que armazena impressionante arsenal de 117 fuzis novos e centenas de munições em outro imóvel, e possivelmente é vinculado ao tráfico internacional e comércio clandestino de armas? Incrivelmente, todavia, nada disso aterrorizou Bolsonaro, que não demonstrou nenhum assombro com o fato de Ronnie Lessa, o suspeito de assassinar Marielle Franco e Anderson Gomes, ser seu vizinho de rua, pai da namorada do seu filho e perigoso miliciano. Em se tratando do presidente do Brasil, no mínimo se esperaria que Bolsonaro expressasse indignação, cobrasse explicações e demitisse os responsáveis por falha tão gritante do sistema de segurança da instituição Presidência da República [GSI e PF], que “não detectaram” o risco do assassino que mora na casa ao lado. Bolsonaro, contudo, parece ter motivos secretos, íntimos e muito específicos para não se horrorizar com toda essa situação. Um desses motivos, por exemplo, pode ser a “relação de trabalho” de Ronnie Lessa com o Escritório do Crime, milícia especializada em pistoleiros de aluguel chefiada pelo foragido Adriano da Nóbrega – cuja mãe trabalhou durante 1 ano e meio e cuja esposa atuou por 12 anos no gabinete do então deputado Flávio Bolsonaro. A investigação provou que no dia da execução da Marielle, 14 de março de 2018, o carro usado por Élcio de Queiroz e Ronnie Lessa no atentado – um Cobalt/GM prata – saiu de Rio das Pedras em direção ao centro da cidade do Rio para perseguir o carro da Marielle com o objetivo de perpetrar o ataque fatal. Rio das Pedras, como se sabe, é o território controlado pelo Escritório do Crime. Não por coincidência, foi o local onde Fabrício Queiroz – o motorista, assessor, amigo e parceiro de pescarias, churrascadas e de maracutaias dos Bolsonaro – se refugiou em dezembro passado para fugir da polícia e da justiça para não prestar esclarecimentos sobre práticas de apropriação indébita, lavagem de dinheiro e enriquecimento ilícito da “familícia” Bolsonaro. Ou tudo isso é uma incrível e fantástica coincidência, ou então os Bolsonaro terão de encontrar meios convincentes e irrefutáveis para demonstrar que não têm nada a ver com esse crime bárbaro que atentou contra a vida da Marielle e do Anderson e alvejou o Estado de Direito. * Integrante do Instituto de Debates, Estudos e Alternativas de Porto Alegre (Idea), foi coordenador-executivo do 5º Fórum Social Mundial

Alto desemprego e mais informalidade no 1º ano após reforma trabalhista

 – Trabalhadores com carteira são em menor número do que informais e por conta própria desde 2017; diferença aumentou em 2018 –  Dados divulgados pelo IBGE confirmam crescente precarização do trabalho, apesar de melhora estatística na taxa média de desemprego. No ano de 2018, a taxa média de desocupação foi de 12,3%, ante 12,7% em 2017. O que aumentou mesmo foi o trabalho precarizado, já que 2018 acentuou a tendência à informalização. A fila é menor porque as pessoas, levadas pela crise, aceitam qualquer emprego para sobreviver, mesmo sem a proteção das leis trabalhistas. Desde o final de 2017 que o número de trabalhadores informais – somados aí os que trabalham por conta própria – supera o daqueles com carteira assinada. Movimento inédito na série histórica, ele acelerou no ano passado. 32,9 milhões de trabalhadores preservaram sua carteira assinada, queda de 1,2% em relação em 2017, o que representa 411 mil pessoas que deixaram o mercado formal. Trabalhadores sem carteira somaram 11,1 milhões de pessoas, uma alta de 482 mil pessoas que hoje trabalham na informalidade. Já os que trabalham por conta própria são 23,3 milhões de pessoas, 2,9% ou 657 mil pessoas a mais do que em 2017. Os Novos Inconfidentes

Quando Bolsonaro começará a governar? Nunca… Por Fernando Brito

 Helena Chagas, agora à tarde, pergunta, em bom artido no site Os Divergentes, quando é que Jair Bolsonaro vai parar de brigar, com todos, em tudo, todo o tempo, e começar a governar. Com todo o respeito, Helena, isso não é pergunta que se faça. Porque Bolsonaro não governa e nem vai governar hora alguma, ao menos se entendermos governo como algo que dá rumo ao país. A pergunta que cabe é quando o Brasil vai se desgovernar completamente com Jair Bolsonaro na presidência. E o impedimento de Bolsonaro para governar é intransponível, porque é ele mesmo. Incapaz, grosseiro, rasteiro, mergulhado no mundo pequeno dos ódios e sem nenhuma visão de país que não seja a das afirmações abstratas de grandeza. Bolsonaro desocupa-se, para tuitar abobrinhas, de cuidar de um país que está mergulhado numa longa e profunda crise e, três anos depois do impeachment, só o que tem a dizer sobre ela são menções ao regime “comunista e corrupto” em que fabula termos vivido. Helena, aí, tem razão em imaginar que “mesmo os bolsonaristas um dia comecem a enjoar da pauta ideológica ou de costumes quando perceberem que ela não vem acompanhada de medidas efetivas para resolver os problemas do país”. Mas sinto, cara e lúcida colega: isso vai demorar. Para manter-se no poder, como fez para vencer as eleições, Bolsonaro não precisa de projetos ou programas, basta-lhe insuflar o clima de ódio e contar com o apoio das armas, policiais e militares, para falar em nome da ordem e da repressão. Ah, sim, e agradar o mercado, vendendo empresas, riquezas e queimando direitos sociais. Isso não é governar, é desgovernar, deixar que a sociedade se organize pela lei da selva. A elite, inclusive a econômica e a estatal, sabe dessa incapacidade. Mas quer Bolsonaro lá como um personagem de festinha infantil figurando para a plateia que temos, enfim, um governo. Embora já não o tenhamos e, pelo visto, não o teremos, enquanto ele estiver lá.

Gangue bolsonariana poderá está envolvida no assassinato de Marielle

 – Extra: Sargento matador de Marielle, vizinho de Bolsonaro, atuava com Adriano, que empregou mulher e filha em gabinete do hoje senador Flávio –  Pela ordem, a partir do alto, à esquerda: condomínio onde moram a família Bolsonaro e o matador de Marielle; o modelo de automóvel que ele possui; Ronnie; Bolsonaro com o homem acusado de dirigir o carro; Queiroz com os Bolsonaro; a medalha Tiradentes; Adriano, o chefão foragido; a família Bolsonaro; almoço “em família”; Jair discursando na Câmara e no centro o Condomínio Portogalo, em Angra, onde o matador de Marielle tinha casa. Fotos Google, reprodução de redes sociais, Câmara dos Deputados e reprodução de vídeo.DENÚNCIASExtra: Sargento matador de Marielle, vizinho de Bolsonaro, atuava com Adriano, que empregou mulher e filha em gabinete do hoje senador FlávioSegundo o diário carioca Extra, em reportagem assinada por Rafael Soares, o homem preso hoje como assassino de Marielle Franco, Ronnie Lessa, atuava com Adriano Magalhães da Nóbrega, apontado como chefe do grupo de matadores da região de Rio das Pedras, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Ronnie Lessa é vizinho da família Bolsonaro num condomínio da Barra da Tijuca. Com um salário líquido de menos de R$ 7.500,00, o sargento reformado tem casa no luxuoso condomínio Portogalo, em Angra dos Reis, e andava em um automóvel importado e blindado, que custa mais de R$ 100 mil. Adriano, por sua vez, está foragido. Ele empregou a esposa Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega e a mãe Raimunda Veras Magalhães no gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro. O hoje senador disse que ambas foram contratadas por Fabrício Queiroz, que em depoimento assumiu ser laranja dos Bolsonaro, ou seja, teria tomado “por conta própria” a decisão de desviar dinheiro de funcionários da Alerj para impulsionar o mandato do patrão. Raimunda, a mãe do miliciano, fez uma transferência de R$ 4,6 mil para a conta de Fabrício. Adriano foi homenageado duas vezes por Flávio, em 2003 e 2005. Na segunda ocasião, Adriano recebeu a mais alta condecoração do Rio de Janeiro, a medalha Tiradentes, quando estava preso, suspeito de homicídio. Três meses depois, em outubro de 2005, o então deputado federal Jair Bolsonaro fez um discurso na Câmara dos Deputados informando que havia assistido ao julgamento de Adriano. Bolsonaro protestou: segundo ele, a condenação tinha sido resultado de um único depoimento de um coronel da PM  Um dos coronéis mais antigos do Rio de Janeiro compareceu fardado, ao lado da Promotoria, e disse o que quis e o que não quis contra o tenente, acusando-o de tudo que foi possível, esquecendo-se até do fato de ele sempre ter sido um brilhante oficial e, se não me engano, o primeiro da Academia da Polícia Militar. Reprodução O Globo Sargento acusado de matar Marielle tem mansão em condomínio de luxo em Angra dos Reis Rafael Soares, no Extra O sargento reformado Ronnie Lessa, de 48 anos, preso na manhã desta terça-feira acusado de ser o responsável pelos disparos que mataram a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes, tinha uma mansão de luxo no condomínio Portogalo, em Angra dos Reis, na Costa Verde. O local ficou famoso na década de 1990, quando o piloto de Fórmula 1 Ayrton Senna comprou uma casa lá. A mansão, que tem uma lancha em seu interior, foi um dos bens do policial rastreados por agentes da Delegacia de Homicídios e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MP do Rio durante a investigação. Lessa ganhava uma aposentadoria bruta de R$ 8.191,53. Com os descontos, o valor líquido chegou, no último mês de fevereiro, a R$ 7.463,86. Os agentes se surpreenderam com a quantidade de bens do policial. Lessa foi preso em sua casa no condomínio Vivendas da Barra, na Avenida Lúcio Costa, 3.100, Barra da Tijuca. O local, por coincidência, é o mesmo onde o presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), mora. O condomínio fica de frente para o mar, com seguranças na portaria. No local, os agentes apreenderam o carro de Lessa, um Infiniti FX35 V6 AWD blindado. O modelo custa em média R$ 120 mil. Os agentes também descobriram que o policial viajava com frequência para o exterior. Lessa é um caveira — como são conhecidos os agentes que tem o curso de Operações Especiais. Ele foi promovido, na década de 1990, por ato de bravura na PM. Por isso, teve o salário aumentado, à época, em 40% por ser um dos agentes agraciados com a premiação por pecúnia. A gratificação foi criada em 1995, durante o governo Marcello Alencar, para premiar quem participava de grandes operações. Ela acabou após três anos de polêmica, já que o número de homicídios subiu no estado, o que fez o bônus ser apelidado de “gratificação faroeste”. Ninguém jamais havia investigado Ronnie Lessa. Embora os corredores das delegacias conhecessem a fama do sargento reformado, de 48 anos, associada a crimes de mando pela eficiência no gatilho e pela frieza na ação, Lessa era até a operação desta quarta-feira um ficha limpa. Egresso dos quadros do Exército, foi incorporado à Polícia Militar do Rio em 1992, atuando principalmente no 9º BPM (Rocha Miranda), até virar adido da Polícia Civil, trabalhando na extinta Delegacia de Repressão a Armas e Explosivos (DRAE), com a mesma função da atual Desarme, na Delegacia de Repressão à Roubo de Cargas (DRFC) e na extinta Divisão de Capturas da Polinter Sul. A experiência como adido foi o motor da carreira mercenária de Lessa. Também foi preso o ex-PM Elcio Vieira de Queiroz por envolvimento no crime. Segundo a denúncia do MP do Rio, Lessa teria atirado nas vítimas, e Elcio era quem dirigia o Cobalt prata usado na emboscada. Elcio de Queiroz foi expulso da corporação. O condomínio onde moram Bolsonaro e o matador de Marielle. Google Maps Arregimentado por contraventor Lessa, como outros adidos, conhecia mais das ruas do que qualquer policial civil. Logo, destacou-se e ganhou respeito pela agilidade e pela coragem na solução dos casos. Esta fama,

Ciro Gomes não passa de um canalha de direita disfarçado de socialista

 – CIRO ATACA MOURÃO E DEFENDE REFORMA DA PREVIDÊNCIA – O candidato derrotado do PDT à Presidência da República, Ciro Gomes, em seu peculiar estilo boquirroto e falacioso, e exibindo uma visão política errática cada vez mais distante da esquerda, atacou o vice-presidente da República, general Hamilton Mourão, a quem acusou de ser “oportunista” e querer tomar o governo. “É um oportunista muito bem guiado no marketing; só um pato não vê que quer o governo.” Não é o mesmo tratamento que o pedetista dispensou ao ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno, em sua opinião um “honesto e patriota”. Ciro disponibilizou-se a respaldar a reforma da Previdência do governo Bolsonaro, prestando-lhe assessoria através de um correligionário, o deputado federal Mauro Benevides (PDT-CE). E declarou que apoia o projeto da dupla Bolsonaro/Paulo Guedes: “Setores do PT apostam no fracasso da Previdência para que possam voltar ao poder; minha postura nunca foi essa”. Ciro mais uma vez coloca no alvo o PT, e da sua metralhadora giratória sobram projéteis contra ninguém menos que o Embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, um dos responsáveis pela política externa exitosa do governo Lula. O pedetista atribui ao Embaixador o papel de ponte entre o general Mourão, o PT e movimentos sociais. Ciro Gomes deu essas opiniões em entrevista às jornalistas Maria Cristina Fernandes e Cristiane Agostine, no jornal Valor Econômico. Confirmando sua inclinação política para o campo do centro-direita, movimento que iniciou desde a proclamação dos resultados do primeiro turno da eleição presidencial, o ex-candidato presidencial faz duros ataques políticos ao PT e sua presidenta, em termos agressivos. Refere-se à direção da legenda como “essa canalha da cúpula do PT”. Indagado diretamente pelas repórteres se Gleisi Hoffmann “pertence a uma quadrilha”, responde: “Sim, não tenho dúvida. Ela é a chefe”. Os ataques a Gleisi vêm à tona quando a deputada paranaense desponta como uma das mais importantes lideranças da esquerda do país e está no alvo de uma campanha das forças de direita para alijá-la da presidência do Partido dos Trabalhadores. Ciro dá mostras de deslealdade quando se refere a Lula. Diz que está e ficará fora da campanha Lula Livre e ataca o ex-presidente, hoje preso político: “Lula virou um caudilho sul-americano corrompido. Tem uma gratidão difusa, porque foi um presidente bom para o povo, mas sem nenhuma visão nacional”. Leia a íntegra