Percepção de corrupção aumenta e Brasil fica na 105ª colocação

DEPOIS DE 5 ANOS DE LAVA JATO, BRASIL ESTÁ NO FUNDO DO POÇO EM RANKING MUNDIAL DE CORRUPÇÃO Sputnik – O Brasil atingiu a sua pior colocação no Índice de Percepção da Corrupção (IPC), divulgado anualmente pela Transparência Internacional e que indica a percepção da sociedade sobre o tema em 180 países. Os dados foram divulgados na noite desta segunda-feira. O Brasil ficou com 35 pontos, em uma escala de 0 a 100, o seu pior número desde 2012, quando a entidade mudou a sua metodologia e permitiu comparações. O país aparece na 105ª posição, ante os 37 pontos e a 96ª colocação no ano passado. Com a mesma pontuação do Brasil aparecem nações como Peru, Argélia, Armênia, Costa do Marfim, Egito, El Salvador, Timor Leste e Zâmbia. Dentro do grupo dos BRICS, o país só aparece à frente da Rússia, que somou 28 pontos, de acordo com a Transparência Internacional. Tomando por base o cruzamento de até 13 fontes de dados que tratam das percepções de profissionais do mercado e de especialistas sobre o nível de corrupção no setor público, o IPC indica que, quanto mais próximo dos 100 pontos, menor a percepção de corrupção no país. “Os esforços notáveis do país contra a corrupção podem estar em risco e não foram suficientes para chegar à raiz do problema. Não tivemos nos últimos anos qualquer esboço de resposta às causas estruturais da corrupção no país”, diz a Transparência Internacional. O resultado ruim no estudo acontece cinco anos após o início da Operação Lava Jato, tida como um divisor de águas no combate à corrupção no Brasil. A entidade diz que a operação “foi crucial para romper com o histórico de impunidade da corrupção no Brasil – principalmente de réus poderosos”, porém questiona a falta de esforços da classe política para “reformas legais e institucionais que verdadeiramente alterem as condições que perpetuam a corrupção sistêmica”. Além disso, a percepção de que a corrupção não está melhorando no país foi agravada, segundo a Transparência Internacional, com a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e a série de denúncias contra o então presidente Michel Temer (MDB). A entidade ainda defende o avanço de uma proposta intitulada “Novas Medidas de Combate à Corrupção”, um pacote de 70 sugestões desenvolvidas junto com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), com 373 instituições e mais de 200 especialistas, que propõem uma novo regramento para melhorar a situação no país.

Anti-Fake News: Dilma Roussef não reestatizou Vale, privatizada por FHC

Empresa de mineração pertence a iniciativa privada desde 1997, quando foi vendida pelo governo tucano Tem 27 dias que o (des)governo assumiu o comando do País e o noticiário já está repleto de casos de corrupção com diversas provas, desmonte de políticas públicas e completa ineficiência em melhorar a vida dos trabalhadores e trabalhadoras. Sendo assim, resta a turma de Jair Bolsonaro fazer a única coisa que sabe: fake news! O mais novo absurdo do submundo das notícias falsas da extrema direita é dizer que Dilma Rousseff reestatizou a Vale S.A, empresa responsável pelo crime ambiental, desta sexta-feira (25), em Brumadinho-MG. Dilma e o PT NÃO reestatizaram a empresa e até faz sentido esse desespero do desgoverno. Afinal, Bolsonaro sempre foi contra a fiscalização ambiental e, além de ter um ministro do Meio Ambiente ligado às empresas de mineração, condenado por improbidade administrativa, disse que licenças ambientais atrapalham, conforme noticiou a Folha de S.Paulo. A verdade é que , fundada por Getúlio Vargas, a Companhia Vale do Rio Doce  era, nos anos 1990, um conjunto de 27 empresas, cujas atividades iam da prospecção do subsolo, extração e processamento de minérios, transporte ferroviário, até sofisticadas atividades de química fina. A empresa, quando era estatal, tinha  inúmeros projetos culturais, sociais e comunitários em todo o Brasil. Entre os anos de 1942 e 1997 – período em que pertenceu ao Estado brasileiro – nunca houve desastre ambiental que chegasse perto dos de Mariana e Brumadinho. Mas aí veio a política de privatizações de Fernando Henrique Cardoso (FHC). O governo do tucano entregou a empresa brasileira, em 6 de maio de 1997, por R$ 3,3 bilhões, um verdadeiro crime de lesa pátria ao patrimônio público. O valor, para se ter uma ideia, é inferior aos R$ 6 bilhões que a justiça bloqueou da Vale S.A, já como empresa privada, por conta do crime ambiental em Brumadinho. O atual presidente da empresa é Fabio Schvartsman, que como se sabe, não tem nenhum ligação com o Partido dos Trabalhadores. Decreto do FGTS Os grupos da direita também disseminaram fake news para atacar Dilmar distorcendo a finalidade de um decreto que ela editou em 2015 para beneficiar vítimas de tragédias socioambientais. O decreto 8.572/2015 foi editado no dia 15 de novembro de 2015, 10 dias após o desastre ocasionado pelo rompimento de uma barragem em Mariana (MG), e incluiu esse tipo de situação como uma das condições que autoriza a liberação dos recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). No Twitter, a ex-presidenta criticou a ação da direita nas redes. “A má-fé dos que espalham fake news continua a mil, mesmo diante da tragédia de Brumadinho. Em 2015, assinei decreto que considera natural desastres como rompimento de barragens. Isso foi para permitir àqueles atingidos sacar o FGTS para reconstruir suas vidas”, escreveu Dilma. O líder do PT na Câmara, deputado  Paulo Pimenta (PT-RS), também fez um alerta sobre a mentira. “A fábrica de #fakenews da direita está querendo atacar a presidenta Dilma Rousseff no caso da barragem de Brumadinho com um decreto que BENEFICIA as vítimas desse tipo de acidente ao facilitar o acesso aos recursos do FGTS”, publicou o parlamentar. Da Redação da Agência PT de Notícias,  com informações do, Folha de S.Paulo e G1

Moro pega caso de 2011/12 para dizer que pune quem ameaça Wyllys

Em nota oficial emitida neste sábado, o Ministério da Justiça, chefiado por  Sérgio Moro lamenta a decisão do deputado Jean Wyllys  de renunciar ao mandato e deixar o país, mas diz que “não há omissão das autoridades constituídas” na identificação e punição aos que ameaçam o psolista. Dá como exemplo solitário a prisão de Marcelo Valle Siqueira Mello, membro do grupo autointitulado ‘Homens Sanctos’,  que foi preso em 2018, segundo a nota,  por fazer ameaças contra Wyllys . Não é verdade. Marcelo foi preso em maio de 2018, em razão de um inquérito policial iniciado em 2012, muito antes de Wyllys denunciar ameaças. Inquérito que, aliás, começara um ano antes, como se pode ler no mandado de busca, apreensão e prisão do cidadão, assinado em abril deste ano pelo Juiz Marcos  Josegrei, da 14a. Vara Criminal. O documento, em PDF, está aqui. Aliás, o sujeito já fora  condenado  na Operação Intolerância (ação penal nº 5021040-33.2012.4.04.7000) pela prática de crimes  via internet, através de postagens destinadas a disseminar o ódio, o racismo e a discriminação, “fatos ocorridos no período de outubro a dezembro de 2011”. Na peça, em 36 páginas, o nome de Jean Wyllys não é citado uma única vez. O Ministério da Justiça “reciclou” um criminoso de ódio para “demonstrar” que está agindo contra os que ameaçam o deputado, usando um caso antigo e, aparentemente, não relacionado com as ameaças que o deputado sofre. Aliás, não deve saber que os áudios em que o cidadão recomenda que os homens sejam “canalhas” para serem bem sucedidos com mulheres – que seriam satânicas, aliás – continuam podendo ser acessados na internet e que o canal dos tais “Homens Sanctos” continua ativo no Youtube, veiculando propaganda nazista. Até porque Marcelo, preso desde maio, não poderia ser o autor de tentativas de intimidação recente. O Ministério de Moro deveria caprichar mais nas respostas, limitando-se a informar a verdade e não pegando um condenado “na prateleira” para tentar apresentar serviço. A mistificação só ajuda a dar razão ao que diz Jean Wyllys. Via Fernando Brito – Tijolaço

Jean Wyllys desiste do mandato e deixa o Brasil por causa de ameaças

O deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) afirmou que vai abrir mão do mandato parlamentar e deixará o Brasil. Ele vem sofrendo ameaças e vive com escolta policial desde o assassinato da vereadora Marielle Franco, também do PSOL. “O Pepe Mujica, quando soube que eu estava ameaçado de morte, falou para mim: ‘Rapaz, se cuide. Os mártires não são heróis’. E é isso: eu não quero me sacrificar”, justificou Wyllys em entrevista à Folha de S. Paulo. A eleição de Jair Bolsonaro presidente e as informações sobre as ligações de Flávio Bolsonaro com a milícia também influenciaram a decisão de Jean. “Me apavora saber que o filho do presidente contratou no seu gabinete a esposa e a mãe do sicário.” “O presidente que sempre me difamou, que sempre me insultou de maneira aberta, que sempre utilizou de homofobia contra mim. Esse ambiente não é seguro para mim”, acrescentou. As informações são da Folha de S. Paulo.   Clã Bolsonaro comemora a partida de Jean Wyllys O presidente Jair Bolsoanro e seu filho Carlos comemoraram o anúncio de Jean Wyllys (PSOL) de que abrirá mão do mandato e deixará o país.  De forma quase discreta, eles usaram o Twitter para comemorar a saída do desafeto. Carlos Bolsonaro ✔ @CarlosBolsonaro  Vá com Deus e seja feliz! ? Jair M. Bolsonaro ✔ @jairbolsonaro  Grande dia! ?   Suplente de Jean Wyllys, David Miranda manda recado para Bolsonaro “Respeite o Jean, Jair, e segura sua empolgação.” Foi o início da mensagem de David Miranda (PSOL-RJ) ao presidente Bolsonaro (PSL) em resposta a comemoração pelo partida de Jean Wyllys. Confira a resposta que David twittou em resposta ao “Jair”: David Miranda ✔ @davidmirandario Respeite o Jean, Jair, e segura sua empolgação. Sai um LGBT mas entra outro, e que vem do Jacarezinho. Outro que em 2 anos aprovou mais projetos que você em 28. Nos vemos em Brasília.   Bancada do PT na Câmara emite nota de solidariedade a Jean Wyllys Em texto assinado pelo líder Paulo Pimenta (RS), a bancada do PT na Câmara dos Deputados divulgou, nesta quinta-feira (24), uma nota de solidariedade ao deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ), que renunciou ao terceiro mandato parlamentar e anunciou a saída do país, por conta de ameaças de morte que vem sofrendo.  A nota exige apuração das ameaças por parte dos órgãos competentes e afirma que as ameaças a Jean Wyllys “expressam uma coação não apenas ao parlamentar do PSOL, mas a todos os defensores e defensoras de direitos humanos, detentores de mandatos populares ou não”.   Confira a íntegra do texto:  Em nome da Bancada do Partido dos Trabalhadores na Câmara dos Deputados, expresso a nossa total solidariedade ao deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ), diante do anúncio da sua renúncia ao mandato parlamentar, seguido da saída do país, por conta de graves ameaças que tem recebido.  Lamentamos e compreendemos a sua decisão. Vivemos num país governado por pessoas que possuem notórios vínculos com milícias, que são uma forma de crime organizado que – tal qual grupos mafiosos em outros países – tratam adversários com a eliminação física, como atesta a vereadora Marielle Franco, companheira de partido e de lutas de Jean Wyllys, assassinada em março de 2018.  Eleito como representante do povo do Rio de Janeiro para o terceiro mandato, desde os seus primeiros meses de atuação na Câmara Jean Wyllys já se tornou referência nacional e internacional em defesa dos direitos humanos e das lutas dos movimentos sociaiss, em particular das bandeiras em prol do respeito à população LGBTI.  Diante deste fato gravíssimo, exigimos do Judiciário e do Ministério Públicoo Federal a adoção de todas as medidas necessárias para garantir a rápida e efetiva apuração a respeito das ameaças sofridas por Jean Wyllys. O Estado brasileiro tem a obrigação de garantir a proteção física do deputado, mas também de descobrir e punir os autores destas práticas criminosas, que expressam uma coação não apenas ao parlamentar do PSOL, mas a todos os defensores e defensoras de direitos humanos, detentores de mandatos populares ou não.  Seguiremos nas lutas em defesa da democracia e dos direitos humanos do povo brasileiro.  Brasília, DF, 24 de janeiro de 2019.  Deputado Paulo Pimenta, líder do PT na Câmara dos Deputados Com informações do PT na Câmara     Carlos Bolsonaro ✔@CarlosBolsonaro Vá com Deus e seja feliz! 22,1 mil 16:18 – 24 de jan de 2019 Informações e privacidade no Twitter Ads 4.605 pessoas estão falando sobre isso Jair M. Bolsonaro ✔@jairbolsonaro Grande dia! 66,8 mil 16:16 – 24 de jan de 2019 Informações e privacidade no Twitter Ads 18,2 mil pessoas estão falando sobre isso  

Há uma ameaça ao estado democrático de direito que precisa ser contida

Foto de procurador com repórter da Globo, espalhada por bolsominions, é indício de que os arapongas voltaram ​O notório Alan dos Santos divulgou em sua conta no Twitter uma foto que mostra o jornalista Octávio Guedes, que é da Globonews e foi diretor de redação do Extra, em uma mesa de restaurante com o procurador geral de justiça do Rio, Eduardo Gussen. Diz o bolsominion: ​ Octávio Guedes e o procurador geral de justiça do Rio: suspeita de que estão sendo vigiados Por Joaquim de Carvalho – DCM  “É a Rede Globo unida com o Ministério Público do Rio de Janeiro!!! Será que agora ficou claro que existe um complô contra o BOLSONARO??? Convoco todos os bolsanarianos para viralizar a reunião acima entre o jornalista da Globo e chefe do MP do Rio. Estamos em guerra contra a Globo.” A foto tem circulado pelas redes sociais, acompanhada desse mesmo texto – o que faz parecer o resultado de uma ação organizada. Há um milhão de motivos para se criticar a Globo, mas nunca pelo exercício efetivo do jornalismo. Guedes aparece com caneta na mão, provavelmente anotando alguma declaração ou informação, no papel de repórter, uma atividade regular, adequada e necessária para a sociedade. O que está fora de lugar ali é quem fez a foto. Percebe-se que ela tem qualidade, não é o registro fotográfico de um curioso, feito com celular. Quem tirou essa fotografia? Com que propósito? O procurador geral de justiça estaria sendo monitorado? É grave, e indica que o submundo que sustenta Bolsonaro, seja a rede de milicianos ou de fabricantes de fake new, representa uma ameaça muito mais grave ao que restou da democracia brasileira do que se poderia imaginar. Mais grave é se esta foto tiver sido feita por arapongas oficiais. Nesse caso, ninguém mais está protegido. Nem o procurador geral de justiça, nem você, nem eu. Há uma ameaça ao estado democrático de direito que precisa ser contida. Há que se impor limites a quem não tem nenhum compromisso com a Constituição. O Brasil não pode ser governado por quem estimula ou até promove ações típicas de milicianos ou similares.

Com a anuência de Moro, Bolsonaro quer o País livre para roubar

CORREGEDOR DA RECEITA ALERTA: BOLSONARO DESMONTA SISTEMA DE COMBATE À CORRUPÇÃO – Em um memorando sigiloso enviado no último dia 17 ao secretário especial da Receita Federal, Marcos Cintra, o corregedor do órgão, José Pereira de Barros Neto, avalia que o presidente Jair Bolsonaro está desmontando o sistema de combate à corrupção dentro da máquina federal com um decreto assinado no início do ano. O documento, trazido à tona pela jornalista Bela Megale, do Globo, refere-se à reorganização administrativa da Corregedoria da Receita, realizada por meio do decreto 9.679, publicado no Diário Oficial em 2 de janeiro. O corregedor alerta que as mudanças determinadas por Bolsonaro levaram o órgão a sofrer “sérias perdas” em sua estrutura responsável por investigar e retirar do serviço público servidores envolvidos em casos de corrupção no fisco brasileiro. “Trata-se de um contrassenso reduzir pela metade a capacidade operacional da unidade responsável pelo combate à corrupção no âmbito de um órgão tão importante e sensível como a Receita Federal do Brasil no contexto em que a principal diretiva do governo que ora se inicia é a intensificação e o fortalecimento do combate à corrupção”, diz Neto.

Briga da imprensa canalha Globo e Record: a suja falando da mal lavada

 GLOBO ACUSA RECORD DE CUMPLICIDADE COM ESQUEMA BOLSONARO   – Um fato raro, quase inédito: a Globo partiu para o confronto público com a Rede Record do bispo Edir Macedo. O governo Bolsonaro está no centro da ofensiva da emissora dos Marinho contra a concorrente. Enquanto a Globo distancia-se cada vez mais do governo de extrema-direita, a Recoro (ao lado do SBT) tornaram-se as emissoras extraoficiais do novo regime. O jornalista Maurício Stycer, um dos maiores especialistas em TV do país, apontou em seu blog: “Fato muito incomum, neste domingo (20) a Globo fez uma crítica pública ao jornalismo praticado pela concorrente Record. Deu-se durante o ‘Fantástico’ e fez menção a uma entrevista exibida minutos antes por seu concorrente direto, o ‘Domingo Espetacular’”. Os apresentadores do “Fantástico”, Ana Paula Araújo e Tadeu Schmidt, resumiram em 60 segundos o conteúdo das respostas dadas por Flávio Bolsonaro à Record (aqui). Em seguida, anotou Stycer em seu blog, Ana Paula detonou o programa concorrente. Com ironia, registrou que o senador eleito não respondeu a uma questão essencial por que não foi questionado a respeito: “Ao senador, não foi perguntado, e por isso ele não respondeu, por que optou por 48 depósitos de R$ 2 mil com diferença de minutos em cada operação em vez de depositar o total que recebeu em espécie de uma só vez na agência bancária onde tem conta. Também não foi questionado por que preferiu receber parte do pagamento da venda em dinheiro e não em cheque administrativo ou transferência bancária”. Uma critica desse gênero na Globo não seria veiculada sem autorização expressa da cúpula da emissora e sem a concordância dos Marinho. A guerra cada vez mais aberta entre a Globo e o clã e governo Bolsonaro começa a se tornar também uma guerra que está demolindo a unidade que a mídia conservadora construiu nos últimos anos ao redor da perseguição ao PT. De um lado, Globo e Folha começam a ter uma postura crítica e de oposição cada dia mais agressiva a Bolsonaro. Do outro lado, com Record e SBT à frente, Rede TV, Band e Jovem Pan têm alinhamento integral ao novo regime -com o provável reforço em breve da versão brasileira da rede norte-americana CNN. O conservador O Estado de S.Paulo tem oscilado entre os dois grupos. No novo cenário, a Globo e a Folha assumem, em determinados momentos, aspectos da narrativa das mídias independentes do país, como o 247, Fórum, DCM, Brasil de Fato, RBA entre outros.

Tijolaço – Aventura é o caminho mais fácil para destruir instituições

  Vai se fixando a impressão que, em relação às Forças Armadas, estabeleceu-se um processo de partidarização que se assemelha em muito ao que transformou o Poder Judiciário num lixo, indigno do respeito da maioria da população. Lá, um aventureiro – Sérgio Moro – acompanhado de uma trupe de fundamentalistas obtusos do Ministério Público – alguém se lembra do “Hegel” do início “tripatético” do processo que condenou Lula? – foi se impondo sobre os tribunais superiores e levou a submissão total da Justiça a um punitivismo inédito no Brasil e à substituição da prudência pela histeria na quase totalidade dos juízes. No meio militar, a composição dos ministérios e cargos-chave da Administração com enorme presença de generais sendo – ainda pior – muitos deles recém saídos de posições de comando ativas, mais do que transformar o governo em apêndice da instituição militar, está transformando as Forças Armadas em apêndice de Jair Bolsonaro e sua aventura insana. Pode-se argumentar que Jair Bolsonaro não tem projetos e os militares os têm. Talvez estejamos pensando nas Forças Armadas de algumas décadas atrás, porque é difícil ver algum projeto em um grupo que se inaugura demonstrando uma única causa: a de não serem atingidos pela reforma previdenciária. Jair Bolsonaro é um energúmeno intelectualmente, mas não é bobo. Mostrou ontem que mesmo alguém com prestígio de “herói”, como Sérgio Moro, pode ser atropelado e enquadrado. Engoliu o decreto das armas e, se quiser, que vá se divertir com as propostas de eliminação de garantias do cidadão e m nome do combate à corrupção. A dos adversários, naturalmente. Ao colocar boa parte do seu Estado Maior e seu próprio comandante, Eduardo Villas-Boas, nos cargos políticos, o Exército assumiu mais que a subordinação constitucional a um chefe de Estado. Assumiu a subordinação a um projeto político autoritário, brutal, entreguista, intelectualmente desqualificado e anacrônico. Pior, com mais “prestígio na tropa” do que todos eles somados. As três décadas de separação entre política e armas foram jogadas fora em menos de dois anos. Ter cargos não é o mesmo que ter poder. Entregaram-se ao comando, de fato, de um sujeito que saiu da caserna pela porta dos fundos. Entregaram a ele a própria caserna.  POR FERNANDO BRITO

Chanceler Brasileiro começa a articular golpe na Venezuela

 – O governo Bolsonaro rasgou a fantasia e mergulhou em conspiração aberta para derrubar o governo de Nicolás Maduro na Venezuela. O gesto é sem precedentes e pode abrir caminho para uma tensão jamais vista entre os dois países. Três opositores venezuelanos desembarcaram em Brasília para tratar da “transição” na Venezuela. Antonio Ledezma, Julio Borges e Carlos Vecchio vão se encontrar com Ernesto Araújo, o folclórico chanceler brasileiro. Situação tende a se agravar diante do amadorismo bolsonarista na compreensão da geopolítica regional. A reportagem do jornal O Globo dá os detalhes da “Operação Venezuela”: “o ex-prefeito de Caracas Antonio Ledezma, o ex-presidente da Assembleia Nacional (AN) Julio Borges, e o número dois do partido Vontade Popular (VP), Carlos Vecchio, se encontrarão hoje com o chanceler Ernesto Araújo. O time opositor será reforçado pelo presidente do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) no exílio, Miguel Ángel Martín, que chega nesta quinta-feira a Brasília, onde também será recebido por Araújo.” E acrescenta: “a chegada dos opositores a Maduro ocorreu no mesmo dia em que os presidentes do Brasil, Jair Bolsonaro (PSL), e da Argentina, Mauricio Macri, tiveram seu primeiro encontro, em Brasília, e reforçaram a necessidade de redobrar esforços — junto com sócios importantes no continente como Chile, Peru e Colômbia — na busca de um governo legítimo para os venezuelanos. Os quatro opositores vivem no exílio e representam uma facção da oposição que frequentemente discorda da que ficou no país.” Segundo a matéria, “a crise na Venezuela ocupou um espaço central na agenda de Macri e Bolsonaro. Ambos os chefes de Estado analisaram vários cenários diplomáticos, políticos e até mesmo militares, disse ao GLOBO uma fonte que acompanhou de perto as conversas. Um dos cenários possíveis seria o eventual reconhecimento de um “presidente encarregado” que poderia ser designado pelo TSJ no exílio. Neste caso, o nome cotado para ocupar o vazio de poder já declarado pela corte é Juan Guaidó, recentemente designado presidente da AN e alvo de intensas perseguições e ameaças por parte do regime de Maduro.”

Governo Bolsonaro: atropelos e ridículos não são só cortina de fumaça

Sem negar a devida atenção às matérias econômicas, afirmações sem pé nem cabeça de Bolsonaro e sua turma, dos filhos e ministros guiados por Olavo de Carvalho, apontam para maré regressiva que também precisa ser combatida Via – Rede Brasil Atual Quase ao final do filme “perfume de mulher” (versão de 1992, dirigida por Martin Brest), o personagem vivido por Al Pacino, o tenente-coronel cego Frank Slade, faz uma defesa apaixonada do caráter do jovem Charlie, papel de Chris O’Donnel, que se recusa a dedurar colegas que ofenderam o diretor da escola em que estuda. Em seu inflamado discurso, o tenente-coronel, que lutou no Vietnam, diz que viu jovens aleijados na guerra, que perderam mãos, pés, braços ou pernas. Mas que nada se compara, diz ele, à visão de um “espírito amputado”: “não há prótese”, prossegue, “para isto”.  Lembrei-me desta passagem ao testemunhar, seguidamente, a discussão sobre se as trapalhadas, vexames e ridículos de membros do governoBolsonaro, incluindo o presidente e seus familiares, além da pastora visionária, do chanceler alopradoe muitos outros, também o guru espiritual desbocado e sua estupidez apelidada de “filosofia”, não passariam de uma “cortina de fumaça“. Seu objetivo seria o de distrair os opositores e o conjunto da opinião pública, para não repararem as verdadeiras barbaridades que, à sombra, são o objetivo de fundo do governo: retirada de direitos, construção de um estado policialesco, intolerância diante de “diferentes” e “divergentes” do padrão familiar hétero, amputação do Estado brasileiro enquanto vetor de desenvolvimento e de inclusão social, aprofundamento da pobreza e da desigualdade, dentre outros. Respeitosamente, discordo de quem vê neste desfile de absurdos e neste regozijo da ignorância auto-satisfeita apenas uma “cortina de fumaça“. Dentre as afirmações sem pé nem cabeça, dos negaceias, das idas e vindas desencontradas dos anúncios e desmentidos em série, o que me chamou mais a atenção, confesso, foi a afirmação da senhora Ministra da Família, de que “a religião perdera a força quando se permitiu a entrada da teoria da evolução nas escolas”. A afirmação pode deixar pasmado quem a ouça ou leia, mas ela não é parte de uma “cortina de fumaça”. Sem desmerecer a devida atenção que se deve dar às atrocidades econômicas e os absurdos (in)constitucionais que estão chegando em tsunamis e catadupas, aquela frase é apenas a ponta do iceberg do objetivo mais profundo do governo empossado em 1º de janeiro e daquilo que ele tem de mais perigoso para a nação brasileira. No momento em que este projeto de governo e de regime discricionários encontrar seu Waterloo – e mais dia menos dia este dia chegará – será possível recomeçar, ainda que à custa de muito sacrifício, visualizar a reconstrução do Estado de Direito e de Bem-Estar Social (pelo menos de diminuição do Mal-Estar…). Aí entra, como garantia para os algozes da Constituição de 1988, os carrascos de Lula e das esquerdas, a garra mais adunca e penetrante que este governo quer plantar: a atrofia, o aleijar, a amputação da inteligência da nossa juventude. É isto que pretendem com a regressão histórica que planejam implantar, como um chip irremovível, uma plataforma irremediável, nos corações e mentes dos jovens que amadurecerão para o amanhã. É contra esta maré montante da estupidez e da ignorância que temos de lutar incansavelmente – sem esquecer do presente, sem esquecer nem desmerecer o passado de lutas e conquistas que temos a obrigação de salvaguardar como patrimônio para o futuro. Estaremos nós – democratas de todas as correntes políticas, conservadores, progressistas, esquerdistas, liberais, centristas, radicais, moderados etc., e ponhamos etc. nisto – à altura de tamanho desafio? Conseguiremos fazer desaparecer esta, agora sim, cortina de fumaça de ressentimentos, mágoas, azedumes, inimizades, contrafeitos, etc., e também ponhamos etc. nisto, que obscurece nosso caminho, podendo impedi-lo? Este é o nosso chamado principal: ganhar de novo os passos para o futuro, impedindo que o pântano grudento dos sectarismos e ódios mútuos nos faça atolar no meio do caminho. Há propostas boas já taxiando nas pistas, prontas para decolar, que resumo no anseio pela construção desta Frente Amplapela Democracia e pela Inteligência. Não nos neguemos a dar este passo decisivo, e deixemos para atrás quem, por qualquer motivo, se recusar a empreende-lo.