AI-5 – O mais duro golpe do regime militar completa 50 anos

Ditadura nunca mais! Meio século de AI-5: o mais violento ato do Golpe Militar O 13 de dezembro de 1968 caiu numa sexta-feira — a mais funesta da História brasileira. Foi quando 17 sinistros personagens, com uma simples canetada, deram sinal verde para torturas, assassinatos, estupros, ocultação de cadáveres e todo o festival de horrores dos anos subsequentes.Eram eles o ditador Costa e Silva e 16 de seus ministros: Albuquerque Lima (Interior); Augusto Rademaker (Marinha); Carlos Simas (Comunicações); Costa Cavalcanti (Minas e Energia); Delfim Netto (Fazenda); Gama e Silva (Justiça); Hélio Beltrão (Planejamento); Ivo Arzua (Agricultura); Jarbas Passarinho (Trabalho); Leonel Miranda (Saúde); Lyra Tavares (Exército); Macedo Soares (Indústria e Comércio); Magalhães Pinto (Relações Exteriores); Mário Andreazza (Transportes); Souza e Mello (Aeronáutica); e Tarso Dutra (Educação).Só um permanece vivo até hoje, Delfim Netto, que está com 90 anos e não se arrepende da autoria de uma assinatura da qual tanto sangue jorrou: continua afirmando que, apresentando-se as mesmas circunstâncias, voltaria a proceder da mesmíssima maneira.  – Há exatos 50 anos anos era baixado o Ato Institucional n.5, o mais violento golpe dentro do golpe militar de 1964. O AI-5 instaurou a censura, cerceou direitos e serviu como a mais forte intimidação praticada pelo militares do golpe. O ato, que institucionalizou a ditadura, deu ao então presidente, Arthur da Costa e Silva, poderes de fechar o Congresso Nacional. A censura passou a ser uma máquina de Estado, vetando trabalhos e perseguindo a classe artística, levando grande parte dos artistas e intelectuais ao exílio. No período anterior ao decreto, a cultura brasileira vivia uma ebulição inédita, mas o que uns viam como experimentação interessante foi visto por outros como “ameaças a Deus, à família e à propriedade —à liberdade, enfim”, relata o jornalista A. P. Quartim de Moraes no livro recém-lançado “Anos de Chumbo: o Teatro Brasileiro na Cena de 1968”. A reportagem da jornalista Maria Luísa Barsanelli, do jornal Folha de S. Paulo, aponta o que ocorreu nos momentos anteirores ao ato: “de fato, o ano que precedeu o AI-5 já dava sinais do recrudescimento no horizonte. Em janeiro, a censura tirou de cartaz uma montagem de ‘Um Bonde Chamado Desejo’, de Tennessee Williams. O caso gerou repercussão e acirrou os ânimos entre governo e artistas.” Ela relata a movimentação artística em torno do Teatro de Arena: “reunia dramaturgos como Lauro César Muniz, Gianfrancesco Guarnieri, Plínio Marcos e Augusto Boal, além dos compositores Edu Lobo, Caetano Veloso e Gilberto Gil. Todos respondiam à questão: O que pensa o Brasil de hoje? ‘Basta criticar as plateias de sábado —deve-se agora buscar o povo’, dizia Boal sobre a obra. Ela teve 84 cortes da censura, mas os artistas decidiram encená-la na íntegra, em desobediência civil.” E destaca a interessante frase do filósofo João Quartim de Moraes: “de certo modo, o próprio movimento de resistência deu pretextos para que o movimento de repressão aumentasse”.

Banditismo da PGR para proteger tucanos chega a ser repugnante

BLINDAGEM EXPLÍCITA: RAQUEL DODGE SEGUROU AÇÃO CONTRA AÉCIO 45 DIAS  – Os bastidores da Operação da Polícia federal que fez busca no apartamento de Aécio Neves no Leblon (Rio de Janeiro) marcam o ápice da blindagem judicial dedicada ao tucano. O ministro Marco Aurélio Mello pediu parecer a Raquel Dodge sobre a investigação de Aécio no dia 11 de setembro e só recebeu resposta da procuradora-geral no dia 28 de outubro, 45 dias depois e com Aécio devidamente eleito deputado federal pelo estado de Minas Gerais. Aécio neves vem sendo protegido há tempos por ministros e juízes pertencentes ao cinturão histórico de proteção judicial aos tucanos. O ministro Gilmar Mendes lhe garantiu uma célebre série de blindagens durante sua agonia política no pós golpe. Ações em torno da revogação de sua prisão domiciliar há pouco mais de um ano em Brasília e da soltura de sua irmã, Andréa Neves de presídio em Minas Gerais marcaram de maneira indelével o seu favorecimento nos tribunais superiores. Com essa última mise-en-scène jurídica, quase uma fake news bolsonariana diversionista sob vista grossa da imprensa tradicional, Aécio continua a desfilar sua couraça judicial nas barbas do povo brasileiro. A nota do jornalista Lauro Jardim no jornal O Globo confirma o jogo de cartas marcadas feito nos bastidores do STF e da PGR: “a Polícia Federal enviou no dia 11 de setembro para Marco Aurélio Mello a investigação contra Aécio Neves que originou a operação de ontem. Mello pediu parecer de Raquel Dodge antes de decidir.” A reportagem ainda destaca: “embora Aécio fosse candidato a deputado federal, Raquel só mandou seu parecer em 28 de outubro — mais de 45 dias depois e com Aécio já devidamente eleito.”

Derrota dos coxinhas: escola sem partido morreu no nascedouro

PROJETO DA ESCOLA SEM PARTIDO É DERROTADO NA CÂMARA DOS DEPUTADOSForam quase três horas de obstrução até o presidente do colegiado, deputado Marcos Rogério (DEM-RO), jogar a toalha e encerrar os trabalhos da comissão especial que analisa o projeto que ficou conhecido como Escola Sem Partido. “A Oposição cumpriu seu papel e merece o reconhecimento desta comissão, mas quem está sepultando este projeto são aqueles que são favoráveis à matéria, que não se fazem presentes”, disse Marcos Rogério Por Christiane Peres, do portal Vermelho – Foram quase três horas de obstrução até o presidente do colegiado, deputado Marcos Rogério (DEM-RO), jogar a toalha e encerrar os trabalhos da comissão especial que analisa o projeto que ficou conhecido como Escola Sem Partido (PL 7180/14). Após seis semanas tentando votar o relatório do deputado Flavinho (PSC-SP) e enfrentando dura obstrução da Oposição, o parlamentar reconheceu o trabalho dos deputados contrários à matéria e criticou a ausência de seus aliados no colegiado. “A Oposição cumpriu seu papel e merece o reconhecimento desta comissão, mas quem está sepultando este projeto são aqueles que são favoráveis à matéria, que não se fazem presentes”, disse Marcos Rogério. Logo após o encerramento da comissão, os deputados contrários ao texto, ocuparam a mesa da presidência da comissão e comemoram o feito ao som de “viva Paulo Freire”. Vice-líder da bancada comunista, a deputada Alice Portugal (BA), que foi perseguida e calada diversas vezes na reunião do colegiado, vibrou com a vitória. “Marcos Rogério talvez não quisesse essa nódoa na sua biografia. Viu que iríamos derrubar esta comissão e decidiu encerrá-la. É uma das maiores vitórias da minha vida. Talvez enfrentemos uma guerra grande na próxima legislatura, um tsunami, mas ter derrotado essa matéria agora foi muito importante. Foi a prova de que a resistência dá certo. E estamos fortalecidos para enfrentar qualquer tentativa de reduzir a educação. Queremos uma educação plural”, defendeu. Para o presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), Pedro Gorki, com o projeto que estava sendo analisado, os deputados favoráveis ao chamado “Escola Sem Partido” subestimavam a capacidade de pensar dos estudantes. “Eles acham que engolimos tudo? Agora, é preciso dar voz aos estudantes. Se eles pensam que vão conseguir nos enterrar, que eles saibam de uma coisa: somos que nem sementes, quanto mais nos enterram, mais floresceremos”, disse o estudante. Professora da rede pública amapaense e membro do PCdoB na comissão, a deputada Professora Marcivânia (PCdoB-AP) foi uma das importantes vozes contrárias ao projeto. Para ela, o texto tira a qualidade da educação e prejudica os professores brasileiros. “Foi uma batalha incrível. A gente mostrou que não tem medo. Eles disseram aqui que virão com tropa de choque na próxima legislatura, podem vir. Nós vamos enfrentar com a força que sempre enfrentamos”, destacou. Agora, com o encerramento da comissão, para o texto ser analisado novamente pela Casa, uma nova comissão especial deverá ser formada na próxima legislatura.

Múcio agradece a Lula, na posse da presidente do TCU, com Moro na platéia

 – O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), José Múcio Monteiro, que tomou posse como presidente da Corte nesta terça-feira (11), usou parte de seu discurso para agradecer ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, responsável pela sua indicação para ser ministro da instituição nove anos atrás. Na plateia, além de membros do governo Michel Temer, também estavam presentes o futuro ministro da Justiça do governo de Jair Bolsonaro, Sérgio Moro, e Paulo Guedes (Economia). Tanto Moro quanto Guedes deixaram o evento sem falar com a imprensa. “Peço licença aos senhores para fazer agradecimentos a nomes que me pedem o coração. A gratidão é a memória do coração, já disse Santo Agostinho. No campo político, preciso agradecer a Roberto Magalhães, que me iniciou na política, ao povo de Pernambuco, que me deu cinco mandatos, e ao ex-presidente Lula, que me fez ministro”, destacou Múcio no discurso. Guedes e Moro evitaram falar com a imprensa e deixaram o local pouco após a cerimônia. Como juiz, Moro foi responsável por condenar, sem provas, Lula a uma pena de 12,1 anos de reclusão no caso do triplex do Guarujá. A condução do processo, porém, é alvo de críticas de juristas em nível mundial. José Múcio assumiu a presidência do TCU no lugar de Raimundo Carreiro. Ele terá como vice a ministra Ana Arraes.  

Ricardo Salles acha que deve combater a esquerda e o MST à bala

O futuro ministro do Meio Ambiente, Ricardo de Aquino Salles, chama o golpe militar de 64 de “movimento de 31 de março” e diz que “felizmente tivemos uma ditadura de direita no Brasil”  Além de ter problemas com a Justiça, Ricardo de Aquino Salles, futuro ministro do Meio Ambiente, anunciado neste domingo (9) por Jair Bolsonaro, tem uma longa trajetória ligada ao conservadorismo e ao discurso de ódio da extrema direita. Uma de suas últimas realizações como secretário estadual do Meio Ambiente de Geraldo Alckmin (PSDB) foi mandar retirar um busto do ex-guerrilheiro Carlos Lamarca do Parque Estadual Rio Turvo, no Vale do Ribeira (SP), sem, no entanto, consultar os vereadores da cidade ou a população, em uma atitude totalmente autoritária. Salles se orgulha de ser reacionário. Ganhou notoriedade por estimular crimes contra a esquerda várias vezes em suas redes sociais, inclusive em sua campanha, este ano, para deputado federal pelo Partido Novo (leia reportagem do The Intercept). Em uma de suas propagandas, estimulou a violência, mostrando que é preciso combater “a esquerda e o MST” à bala. Em 2014, quase foi preso por não pagar pensão alimentícia. Advogado, o novo ministro fundou, em 2006, o Movimento Endireita Brasil com quatro amigos. Neste mesmo ano, deu início à sua trajetória na política partidária, ao tentar se eleger deputado federal pelo antigo PFL. Não conseguiu. Estados Unidos Em seguida, foi para os Estados Unidos para receber um treinamento no “Leadership Institute”, um “think tank” (espécie de laboratório de ideias) conservador, cujo principal objetivo é formar líderes de direita. Em 2010, tentou mais uma vez um cargo público, dessa vez como deputado estadual pelo DEM. Perdeu de novo. A última tentativa foi este ano, pelo Partido Novo. Salles chama o golpe militar de 64 de “movimento de 31 de março” e diz que “felizmente tivemos uma ditadura de direita no Brasil”. Leia também: Dodge protege Onix para sair do lamaçal da República das bananas Corrupção: a primeira crise de proporções do governo Bolsonaro Corrupção e enriquecimento ilícito toma conta do Clã Bolsonaro  

Corrupção e enriquecimento ilícito toma conta do Clã Bolsonaro

 Nem assumiu o governo Bolsonaro já está enrrolado em uma importante crise. Seu suposto combate a corrupção parece pura fachada. Uma fachada utilizada utilizada com apoio da mídia e do judiciário para colocar no poder um selvagem privatizador e inimigo dos direitos dos trabalhadores, como o direito de se aposentar. Jair Bolsonaro, com extensa carreira política, é a cara do Congresso e da burguesia brasileira, não só em reacionarismo mas também nas denúncias de falcatruas que não param de vir à tona. A crise que atravessa o governo eleito, tem um por um lado o PSL em uma importante divisão que configura internamente as tensões entre o Executivo e o Legislativo e seus espaços de poder, e, de forma mais importante, uma crise perante a “opinião pública” e eleitores que votaram em Bolsonaro não para acabar com o direito a se aposentar mas “para mudar tudo que está aí” e estão descobrindo um Maluf ou Sarney. Para se aprofundar nesta primeira crise do governo Bolsonaro, leia: “Corrupção: a primeira crise de proporções do governo Bolsonaro“Bolsonaro e sua família são a cara da burguesia brasileira: racistas, submissos aos EUA e acusados de extensos esquemas de corrupção. A conivência de Sérgio Moro e toda cupula do judiciário com um clã, razoavelmente demonstrado como corrupto, mostra como a Lava Jato e toda casta de toga também não está nem aí para o combate a corrupção. Visam fazer uma política que avance em seus poderes de casta e coloque no poder aqueles que possam melhor servir aos interesses imperialistas. O clã do ultrarreacionário Jair Bolsonaro tem aumentado faraonicamente seu patrimônio. Em Agosto toda grande mídia destacava como o filho Eduardo tinha subido seu patrimônio em 55% e seu irmão Flávio, peça central do esquema atual, em esplêndios 432%. Claro, que essa denúncia ganhou pouco destaque na mídia, pois se tratava naquele momento de ajudar Bolsonaro a se eleger e dar continuidade ao golpe institucional como um “Temer blindado”, em uma eleição marcada pela intervenção autoritária do judiciário com apoio das Forças Armadas. A nova denúncia joga luz nos métodos usados pelo clã Bolsonaro que, em nada ficam devendo ao clã Cabral, Sarney ou Garibaldi. Essa denúncia escancara como Flávio, eleito senador pelo Rio de Janeiro, tinha em seu gabinete de deputado estadual um assessor, que foi subordinado de Mourão no exército e ex-policial. Este assessor movimentou em um ano R$ 1,2 milhão em dinheiro vivo, e detalhe, fazendo um depósito de dinheiro de R$ 24mil para a esposa de Bolsonaro, isso depois de coletar dinheiro de outros assessores do clã, incluindo a filha lotada no gabinete do patriarca Jair. Estas informações vazadas do relatório da COAF foram publicadas pelo Estado de São Paulo e mostram como o ex-militar e seus filhos são a corja do que há de mais reacionário no país: não somente quando abrem a boca sobre racismo, feminismo e Escola sem Partido mas no desvio de recursos públicos para seu benefício. Evidentemente, a mídia trata com tons amenos a imensa denúncia. Sérgio Moro e toda Lava Jato estão em sepulcral silencio. De parte dos editoriais da Folha e do Estado de São Paulo, nota-se, como estes quesitonamentos a probidade dos Bolsonaro é algo secundário, desde que o principal seja garantido: as reformas contra os direitos dos trabalhadores. No entanto, esta crise escancara as contradições do governo Bolsonaro e como seu governo pode ser muito instável. Um fator de estabilidade para Bolsonaro hoje em dia é o papel do PT e das centrais sindicais. Enquanto o PT centra sua estratégia em “esperar 2022”, as centrais sindicais fazem sua parte propondo negociar melhorias na nefasta reforma da previdência e deixar o terreno da luta de classes livre para Bolsonaro. Os franceses, nas ruas contra Macron, mostram o caminho para se enfrentar com as misérias dos ajustes neoliberais e questionando o sistema político, é possível preparar um plano de luta para derrotar Bolsonaro e seus ajustes, para isso é preciso exigir das centrais sindicais que cumpram suas palavras “de parar o país” e comecem já a organizar a batalha contra a Reforma da Previdência, o escola sem partido e todos ataques deste governo reacionário e que agora também mostra sua cara corrupta.

Corrupção: a primeira crise de proporções do governo Bolsonaro

 Nem assumiu ainda e o governo Bolsonaro já vive sua primeira crise. As denúncias de que um assessor de seu filho Flávio Bolsonaro teria feito movimentações suspeitas em dinheiro vivo a partir da sua conta bancária, incluindo o pagamento de um cheque de 24 mil para a primeira dama, coloca Bolsonaro em uma situação delicada. Ao mesmo tempo, as tratativas para montar uma base de apoio sólida no Congresso também estão questionadas por uma crise no seu próprio partido. Fabricio José de Queiroz, policial militar reformado, amigo de Bolsonaro desde a década de 1980, assessor e do círculo de confiança de Flávio Bolsonaro, foi pego pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) efetuando transações suspeitas. Suspeitas por que efetuadas em espécie e geralmente abaixo do valor de 10 mil reais, uma forma de fugir do controle da fiscalização. Em um ano teria movimentado mais de um milhão de reais (R$1,2 milhão) em dinheiro vivo. O paladino da moral e da denúncia da corrupção petista começa a mostrar que tem o telhado de vidro. Suas explicações e de seus filhos não convencem. Sobre o cheque destinado a sua esposa, afirmou que foi o pagamento de parte de uma “dívida de 40 mil reais” que teria emprestado ao seu amigo. Mas os valores não batem, novas explicações são exigidas de todos os lados. Além disso, seu filho Flávio afirma que Queiroz era da sua mais “estrita confiança” e que “não conhece nada que o desabone”: como diz Nassif, Al Capone também tinha colaboradores “de sua mais estreita confiança”. Pelo caráter defensivo das primeiras declarações do clã Bolsonaro – e o cancelamento da agenda dessa sexta-feira pelo novo presidente, um movimento que revela ter sentido o baque – podemos esperar novas declarações corrigindo versões comprometedoras, como a de Flávio Bolsonaro, que defendeu em público seu ex-assessor e suas “razões plausíveis” (ainda sem ter revelado do que se tratavam). Trata-se da primeira crise importante do governo, e que pode ganhar novas proporções. O que estaria por trás destas primeiras denúncias contra Bolsonaro, no momento em que ele está em uma situação delicada, da montagem da sua base de apoio no congresso? É difícil ainda vislumbrar o conjunto do movimento que esta por trás destas denúncias, mas vale como um lembrete ao clã Bolsonaro: “pau que dá em Chico, dá em Francisco”. Ou seja, os mesmo métodos da Operação Lava Jato que foram utilizados contra Dilma, Lula e o PT, podem também se voltar contra Bolsonaro, para condicionar os atos de seu governo. O bonapartismo judiciário, apesar das declarações de “recolhimento” de Dias Toffoli, segue fazendo política, e política pró-ajustes e pró-imperialistas, diga-se de passagem. Lembremos que recentemente o presidente do supremo deu declarações, ao lado de Bolsonaro, sobre a importância da reforma da previdência, se pronunciando sobre tema que deveria estar fora da atuação do Supremo Tribunal Federal. Recentemente, em visita aos EUA, Eduardo Bolsonaro afirmou que o governo terá dificuldades de aprovar a reforma da previdência. Eis que agora seu outro filho, Flávio, é o pivô do potencial do primeiro escândalo do novo governo. No front parlamentar do novo governo, as coisas não vão melhor. Como têm apontado vários analistas, a negociação com as bancadas temáticas não seria suficiente para montar uma base consistente, e deixar as cúpulas partidárias de fora das negociações poderia paralisar as pautas de interesse do governo no Congresso. Ao mesmo tempo, apesar de todo o discurso moralista, Bolsonaro já está se curvando ao fisiologismo do Congresso. A montagem de um bloco de partidos tendo o DEM de Rodrigo Maia como principal articulador, visa isolar o PSL, partido do futuro presidente. E já existe insatisfação dentro do PSL, que está sendo preterido pelos partidos do Centrão na montagem dos ministérios. Essa insatisfação escalou na última semana em uma disputa aberta, com direito a troca de ofensas entre Eduardo Bolsonaro e Joice Hasselmann, deputada por São Paulo. Com tantas dificuldades, a capacidade de articulação politica de Bolsonaro já esta sendo colocada à prova. E isso que os momentos mais difíceis, como a aprovação da reforma da previdência, ainda estão por vir. Ainda é cedo para saber quem vai sair fortalecido dessas disputas dentro dos pólos de interesse que competem pela influência dentro do governo. De um lado, os métodos bonapartistas da Lava Jato se fortalecem, dando mais relevo ao papel de Moro (que agora controla o mesmo Coaf que sinalizou a movimentação financeira atípica), que pode se lançar a tentar ser mais que um super-ministro, mas um quase primeiro ministro de um governo acossado pela justiça. De outro lado, ainda que os generais mais próximos de Bolsonaro possam também sair chamuscados se o escândalo avança, podem também se fortalecer no interior do governo, ao representarem um bloco mais coeso que os demais. No entanto, as disputas também existem entre os militares. Lembremos como Villas Boas se pronunciou sobre Bolsonaro, o acusando de messiânico em entrevista à Folha de São Paulo. É digno de nota que Moro buscou um general aliado de Villas Boas para comandar a Secretaria de Segurança Pública, da mesma forma que Toffoli. A primeira crise de proporções do governo é a primeira investida séria do bonapartismo judiciário para disciplinar o governo de extrema direita a organizar de imediato a aplicação da reforma da previdência para o início de 2019. As alegações de “dificuldade” pelo clã Bolsonaro já recebem sua primeira resposta ameaçadora do capital financeiro e do judiciário pró-imperialista, que através de Dias Toffoli faz campanha pela reforma. Em meio a essas disputas, se visualizam as brechas por onde pode voltar a emergir o movimento de massas, quando um governo tão pouco coeso, ainda com rachaduras em todo lado, tente aprovar medidas impopulares no Congresso, em primeiro lugar a reforma da previdência. Frente a essas crises, ou o movimento de massas se coloca como um fator independente na cena politica, ou quem vão sair fortalecidos serão os pólos de poder mais autoritários do governo Bolsonaro. Flavio Bolsonaro ✔@FlavioBolsonaro     Fabricio Queiroz trabalhou comigo por

Dodge protege Onix para sair do lamaçal da República das bananas

Não se trata de marca de carro, e sim, do silêncio da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, sobre a corrupção do futuro chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni  – A procuradora-geral da República, que deveria ser chamada de procuradora-geral dos Coxinhas, porque protege os bandidos Aécio, Temer, Jucá & Cia, e persegue apenas Lula e o PT, continua também calada com os escândalos de corrupção da gangue de Bolsonaro. Até agora, a procuradora da extrema-direita não pronunciou nada sobre o ladrão Onyx Lorenzoni – futuro ministro chefe da Casa Civil do governo Bolsonaro, que é um criminoso confesso. Na última sexta-feira (07), durante entrevista Onyx afirmou, após evento do grupo Lide, em um hotel de luxo em São Paulo, que não teme as investigações no STF (Supremo Tribunal Federal) contra ele pela prática de caixa dois, talvez seja por causa da cumplicidade do STF e da PGR. E chegou a ser irônico, dizendo que já se resolveu com Deus. Mas o ladrão Lorenzoni se irritou muito, foi quando um repórter questionou a respeito de operações suspeitas de R$ 1,2 milhão apontadas pelo Coaf, envolvendo o motorista do senador eleito Flávio Bolsonaro. O futuro ministro chegou a dizer que não sabe a origem do dinheiro, pois não é investigador e ainda rebateu ao repórter: “Quanto você recebeu esse mês?”. O repórter, por sua vez, respondeu: “Eu sou jornalista. Mas foi muito menos que R$1 milhão”. Irritado, Lorenzoni abandonou a coletiva.Outro que também colocou o rabo entre as pernas sobre a corrupção da gangue de Bolsonaro foi o ex-juiz Sergio Moro. Diante deste silêncio, o deputado federal pelo PSOL, do Rio de Janeiro, Jean Wyllys, pede explicações contundentes por parte dos futuros ministros em relação ao registro de movimentações financeiras suspeitas de um ex-assessor de Flávio Bolsonaro e fez duas questões importantes para Moro e Onyx:“Sérgio Moro – futuro ministro da Justiça do governo Bolsonaro, juiz que conduziu a Lava Jato e que prendeu Lula mesmo sem as provas dos crimes que o acusa, tirando forçosamente o ex-presidente das eleições, apesar de este ser o líder absoluto nas pesquisas de intenção de voto – já se pronunciou na imprensa ou em suas redes sociais sobre o suspeitíssimo caso de movimentação de mais de um milhão de reais na conta do funcionário de Flávio Bolsonaro, com direito à transferência de grana para a mulher do presidente eleito?Aguardo seu pronunciamento, Sérgio Moro.2) Onyx Lorenzoni – futuro ministro chefe da Casa Civil do governo Bolsonaro, criminoso confesso (ele confessou que praticou caixa 2, crime que Sergio Moro considerava o pior quando conduzia a perseguição ao PT), mas supreendentemente perdoado pelo juiz de Curitiba pelo fato de Lorenzoni ter pedido desculpas – abandonou uma coletiva e pediu uma trégua à imprensa… Ora, Lorenzoni, você já está arregando diante de perguntinhas fáceis que essa imprensa tão simpática a vocês não pode mesmo deixar de fazer? Pense, Lorenzoni, no que essa imprensa fez à presidenta democraticamente eleita, Dilma Rousseff, mulher honesta, e se dê conta do quão covarde você e seus pares são; além de ignorantes, claro (espertalhões, porém, ignorantes)”, postou o parlamentar do PSOL, em sua página no Facebook.

Globo parte para o ataque e faz longa matéria sobre Bolsogate

 Telejornal divulgou ampla reportagem sobre o relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que registrou movimentações financeiras atípicas de um ex-assessor de Flávio Bolsonaro Ao que tudo indica, a Globo resolveu partir para o ataque contra Jair Bolsonaro. A edição desta sexta-feira (7) do Jornal Nacional dedicou sete minutos para divulgar uma ampla reportagem sobre o relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que registrou movimentações financeiras atípicas de um ex-assessor de Flávio Bolsonaro. O caso está sendo chamado de “Bolsogate”. William Bonner faz a introdução da matéria relatando a descoberta do Conselho. Em seguida, o repórter Paulo Renato Soares conta que o relatório do Coaf faz parte da investigação que prendeu dez deputados estaduais do Rio de Janeiro no mês passado e traz informações sobre 75 servidores da Assembleia Legislativa (Alerj), que apresentaram movimentação financeira suspeita. Entre eles está Fabrício José Carlos de Queiroz, ex-assessor do deputado estadual e senador eleito pelo PSL, Flávio Bolsonaro, filho mais velho do presidente eleito Jair Bolsonaro. Segundo o Coaf, em apenas um ano, Fabrício de Queiroz movimentou R$ 1,2 milhão em uma conta. O relatório aponta que Fabrício ganhava R$ 23 mil por mês. Ele cumpria a função de motorista de Flávio Bolsonaro e também tinha vínculo com a PM. O jornal O Estado de S.Paulo revelou o caso ontem (quinta) e a TV Globo também teve acesso ao relatório. O documento lista várias operações bancárias suspeitas e menciona a possibilidade de que isso tenha sido feito para ocultar a origem ou o destino do dinheiro. Primeira-dama Uma das movimentações de Fabrício tem como favorecida a futura primeira-dama Michelle Bolsonaro. O relatório cita que a ex-secretária parlamentar e atual esposa de Jair Bolsonaro recebeu R$ 24 mil. Hoje (sexta), Bolsonaro explicou o depósito na conta da mulher. Ele falou com o site O Antagonista. Disse que o valor se refere a uma dívida do ex-assessor com ele próprio. O presidente eleito afirmou que eles eram amigos e emprestou o dinheiro a Fabrício porque o ex-assessor do filho estava com problemas financeiros. Bolsonaro contou que não foram só R$ 24 mil e sim R$ 40 mil. Afirmou que se o Coaf pegar dados anteriores vai chegar a esse valor. O presidente eleito disse que Fabrício de Queiroz fez dez cheques de R$ 4 mil. Bolsonaro diz que poderia ter botado na conta dele, mas foi para a conta da esposa porque ele não tem tempo de sair. Sobre a movimentação de R$ 1,2 milhão na conta de Queiroz, Bolsonaro falou que se surpreendeu com a identificação do Coaf e que cortou contato com o amigo até que ele se explique para o Ministério Público. Na conta de Fabrício de Queiroz, o Coaf também encontrou saques em dinheiro, que somam R$ 324 mil ao longo de um ano; R$ 159 mil sacados de uma agência bancária do prédio da Assembleia Legislativa. Família Fabrício foi exonerado do gabinete de Flávio Bolsonaro no dia 15 de outubro. A mulher de Fabrício, Márcia de Oliveira Aguiar, e duas filhas, Natália e Evelyn Mello de Queiroz, também trabalharam no gabinete de Flávio Bolsonaro, como revelou o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo. Márcia aparece na folha de pagamento da Alerj de agosto de 2017 como consultora parlamentar e salário de R$ 9.200. Natália trabalhou com Flávio Bolsonaro na Alerj entre 2007 e 2016. Menos de uma semana depois de ser exonerada, Natália foi nomeada para exercer, no gabinete do deputado federal Jair Bolsonaro, o cargo de secretária parlamentar. Natália deixou o cargo na Câmara Federal no mesmo dia em que o pai saiu do gabinete de Flávio Bolsonaro na Alerj, 15 de outubro deste ano. Natália é citada em dois trechos do relatório do Coaf. O documento não deixa claro os valores individuais das transferências entre ela e seu pai. Mas junto ao nome de Natália está o valor total de R$ 84 mil. A outra filha de Fabrício, Evelyn Mello de Queiroz foi nomeada em dezembro de 2016 como assessora parlamentar de Flávio Bolsonaro, na vaga da irmã Natália. O nome de Evelyn está na última folha de pagamento que aparece no site da Alerj, em setembro, com salário líquido de R$ 7.500. MPF O Ministério Público Federal, responsável pelas investigações, diz que nem todos os nomes citados no relatório foram incluídos nas apurações, porque nem todas as movimentações atípicas são necessariamente ilícitas. E não divulgou se deputados da Alerj que não foram alvo das operações estão sendo investigados ou podem vir a ser. Hoje (sexta), jornalistas questionaram dois futuros ministros do governo Bolsonaro sobre as informações do relatório do Coaf. Onyx Lorenzoni, que vai ser o ministro chefe da Casa Civil, se irritou, e Sérgio Moro, que vai assumir o Ministério da Justiça e da Segurança Pública, preferiu não responder. No fim da tarde, Flávio Bolsonaro disse que conversou com o ex-assessor sobre a informações do Coaf e que recebeu explicações “plausíveis”. Ao final da reportagem, Bonner disse que não conseguiu contato com o ex-assessor Fabrício de Queiroz, a mulher e as filhas dele.

Mais Médicos: governo Temer vestiu um santo para desvestir outro

 Médicos trocam postos do SUS pelo Mais Médicos e ameaçam desorganização do sistemaNos estados contatados, 58% das vagas preenchidas foram ocupadas por médicos que já atuavam na atenção básica do SUS Levantamento feito em sete estados junto a conselhos de secretarias municipais de saúde (Cosems) do País concluiu que mais da metade dos profissionais que preencheram as vagas dos cubanos no Mais Médicos já trabalhava em Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Com as inscrições, os profissionais apenas migraram de um posto de saúde onde já eram servidores municipais para outro onde passam a ser integrantes do programa federal. Dez dos 13 conselhos contatados disseram ter registrado em seus municípios a migração de profissionais. Nesses estados, 58% das vagas preenchidas foram ocupadas por médicos que já atuavam na atenção básica do Sistema Único de Saúde (SUS). Os sete Cosems analisaram os vínculos de trabalho anteriores de 1.489 médicos que aderiram ao Mais Médicos e verificaram que 863 deles trabalhavam em postos de saúde de outras cidades ou Estados. A situação fez o presidente do Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde (Conasems), Mauro Junqueira, se reunir nesta quarta-feira, 28, com membros do Ministério da Saúde para apresentar o problema. A pasta solicitou ao conselho um levantamento nacional dos números de profissionais que migraram de uma UBS para outra. O conselho pretende apresentar amanhã os números completos ao ministério. “Estamos muito preocupados. Talvez seja preciso fazer mudanças no edital para evitar que a chegada dos médicos desorganize todo o sistema de saúde”, declarou Diego Espindola de Ávila, diretor do Conasems. Leia o texto completo no Estadão – e o vídeo no Bom Dia Brasil, da Globo