Futuro presidente da Petrobrás acha que o preço da gasolina está barato

A política livre de preços, implantada por Pedro Parente e defendida por Castello Branco, produziu o caos no Brasil, com a greve dos caminhoneiros Da Agência Brasil – Indicado para presidir a Petrobras no governo de Jair Bolsonaro, o economista Roberto Castello Branco afirmou ontem (22) que o preço atual dos combustíveis no Brasil está na média praticada pelo mercado internacional. Ele desconversou, no entanto, se manterá a atual política de preços da estatal na próxima gestão. “O preço [atual] com impostos e subsídios está na média global. Agora, vamos examinar o preço que a Petrobras cobra, como vai ser. Esse é um assunto que vou passar a estudar”, afirmou na saída do Centro Cultural Banco do Brasil, onde trabalha a equipe de transição do governo. Desde 2016, a Petrobras segue uma política de variação do preço dos combustíveis que acompanha a valorização do dólar e a variação do custo do petróleo no mercado internacional. A falta de estabilidade dos preços dos combustíveis, com sucessivos aumentos, foi a principal queixa dos caminhoneiros que entraram em greve por quase duas semanas no fim de maio. A paralisação e os bloqueios de rodovias em 24 estados e no Distrito Federal causaram a indisponibilidade de alimentos e remédios nas principais cidades do país, escassez e alta de preços da gasolina, com longas filas para abastecimento. O movimento ainda resultou no pedido de demissão do então presidente da estatal, Pedro Parente. Castello Branco é professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e fez pós-doutorado na Universidade de Chicago (Estados Unidos), tradicional reduto do pensamento liberal na economia, que se caracteriza pela defesa do livre mercado. Ele também já integrou o conselho de administração da Petrobras. Defensor de maior concorrência no setor de petróleo, ele é contrário às políticas de controle de preço.“Quando você fixa um preço abaixo do mercado, você afasta a concorrência, mas a um custo muito alto. Foi entre 2011 e 2014 que não só a Petrobras perdeu muito dinheiro, como ajudou a afundar a indústria do etanol, ajudou a ter mais carro na rua, com problema de trânsito e poluição de meio ambiente, uma série de externalidades negativas. E quando se cobra um preço acima do mercado também é prejudicial para a economia. A competição é sempre saudável”, afirmou. Castello Branco também foi diretor do Banco Central e ex-integrante do conselho de administração da Vale. Para assumir a Petrobras, ele ainda precisará passar por uma aprovação formal pelo colegiado de administração da companhia.

A intolerância e homofobia dos coxinhas está ficando sem controle

Sem cabelos por causa da quimioterapia, mulher é agredida ao ser confundida com homossexual no RioO caso, que aconteceu neste sábado (24), ganhou notoriedade após um relato do marido de Deborah, Jorge Lourenço, ter sido compartilhado mais de 30 mil vezes no Facebook. Com os cabelos curtos por causa de um tratamento com quimioterapia, a educadora Deborah Lourenço, sofreu ofensas homofóbicas e agressão no Centro do Rio de Janeiro nesse sábado (24). Após mais uma sessão de quimioterapia, Deborah foi até o Centro para tomar um café. Ao estacionar um homem começou a xingar e empurrar a educadora por acreditar que ela era homossexual, uma vez que o tratamento para o câncer de mama ao qual se submete provocou a queda de seus cabelos. O caso, ganhou notoriedade após um relato do marido de Deborah, Jorge Lourenço, ter sido compartilhado mais de 30 mil vezes no Facebook. No texto, Jorge desabafa. Ele diz que mesmo quem é cis-hétero e não imagina que a onda de ódio disseminada por políticos e pastores não o afetaram “ela vai chegar até você”. “Não se engane você não, que é cis-hétero normativo e imagina que a onda de ódio que certos políticos e pastores pregam nunca vai chegar até você, seus parentes ou seus amigos”, escreveu Lourenço. Leia o relato completo Hoje, a minha esposa Deborah foi agredida no Centro do Rio de Janeiro. Em tratamento de um câncer de mama, ela voltava da radioterapia quando, por conta da queda de cabelo da quimioterapia, foi confundida por um imbecil com um transsexual. Foi empurrada, ameaçada e xingada de “viado de merda” por essa pessoa depois de sair do carro. A situação só não foi pior porque o guardador de carros impediu. Mas sim, está tudo bem com ela, apesar do susto. Infelizmente, vivo no meio de gente imbecil que relativiza machismo, homofobia e transfobia. Que ainda fala de “mimimi”, que ainda fala que o Brasil é sim um país tolerante. Homens inseguros ou fundamentalistas religiosos que normalizam o discurso de ódio, o tipo de coisa que permite imbecilidades como essa continuarem se repetindo por aí. De novo e de novo. Não se engane você não, que é cis-hétero normativo e imagina que a onda de ódio que certos políticos e pastores pregam nunca vai chegar até você, seus parentes ou seus amigos. Hoje, eu só agradeço por não estar do lado de Deborah quando isso aconteceu. Porque aí a intolerância ia ser da minha parte. Outros olharesLogo quando começou o tratamento para combater a doença, os cabelos de Deborah caíram por completo – reação esperada por conta das sessões de quimioterapia. A partir daquele momento, sempre quando andava pelas ruas, ela notava que as pessoas ao redor a olhavam com piedade. A educadora admite que perceber que todos à sua volta estão com pena não é a melhor sensação do mundo, mas ao menos aquelas expressões, aqueles olhares, ela relembrou, transmitiam um sentimento positivo. No entanto, neste sábado, logo após a confusão, já com o carro já estacionado próximo ao metrô da Uruguaiana, em meio à confusão típica das manhãs de sábado no Centro do Rio, Deborah entendeu o que tinha acontecido: ela foi vítima de manifestação mais agressiva de um comportamento que a própria educadora já havia percebido nos últimos tempos. “Meus cabelos começaram a crescer novamente, mas, é claro, ainda estão bem curtos. Foi a partir desse ponto que a situação mudou. Ao andar pelas ruas de mãos dadas com meu marido, passei a notar que muita gente começou a nos olhar de forma estranha, agressiva, atravessada. Entendi que essas pessoas começaram a achar que eu era um homem e estava de mãos dadas com outro homem – ou seja, que éramos um casal homossexual. Quase que imediatamente, todos aquelas expressões de piedade que eu recebia foram substituídas por reprovação e raiva. Hoje foi o momento em que a homofobia e a violência daqueles olhares se transformaram em insultos e agressões – porque aquele guardador se viu autorizado a me agredir apenas porque achou que eu era um homossexual. É triste e difícil de acreditar”

Como será o amanhã? Por Marcello Faulhaber – Via El País

“Se você não pode dar pão ao povo, dê a ele o sangue de um inimigo” O Sistema foi o grande derrotado das eleições presidenciais Há exatamente dois anos, logo após as eleições municipais de 2016, eu afirmei em entrevista para este jornal que a eleição presidencial de 2018 seria ganha por um outsider da política ou por uma figura anti-establishment. Desde então, eu reafirmei o mesmo prognóstico em entrevistas para outros veículos e também em diversos textos que escrevi para este jornal. Muitas vezes, fui questionado pelos meus clientes do mercado financeiro e por tradicionais players do mundo da política por conta desta afirmação – questionamentos esses que eram mais fruto de um desejo que tal prognóstico não se concretizasse do que consequência de uma análise racional a respeito do comportamento do eleitorado brasileiro. Ao final do primeiro turno das eleições, veio a comprovação: as duas candidaturas mais rejeitadas pelo establishment (popularmente conhecido como O Sistema) estavam no segundo turno. Hoje, eleitores de cada um dos dois lados, me criticam por não considerar o candidato do campo oposto como parte do establishment. Essa é uma discussão apaixonada, mas ela se torna irrelevante quando trazida para o campo da objetividade. Para isso, basta olharmos as matérias e as linhas editoriais que dominaram a grande mídia do país até dez ou quinze dias antes do primeiro turno – quando o Sistema ainda sonhava com uma vitória de Geraldo Alckmin. Ao fazer esse exercício, fica fácil perceber que o pior pesadelo para o establishment era exatamente um segundo turno entre o candidato do PT e Jair Bolsonaro. De fato, para o punhado de plutocratas que comanda o Sistema, a candidatura do PT trazia diversos riscos que poderiam ameaçar sua contínua acumulação de riqueza e poder: 1) a adoção de políticas fiscais expansionistas; 2) o combate ao rentismo; 3) a desvalorização do câmbio; 4) a proposição de uma reforma tributária ousadamente progressista; 5) a revogação da reforma trabalhista; 6) o repúdio à reforma da previdência nos termos desejados pelo mercado; 7) a luta por uma reforma política capaz de tornar o Congresso Nacional mais partidário, mais ideológico e consequentemente, menos pulverizado e menos “fluido e manobrável”; 8) o fim da concentração do mercado de comunicação na mão de pouquíssimos grupos familiares; 9) o enfrentamento ao poder que o judiciário, a polícia federal e o ministério público acumularam ao longo da última década; e por último, 10) a soltura do ex-presidente Lula. O deputado Jair Bolsonaro, por outro lado, aos olhos desse mesmo punhado de plutocratas, representa(va) outros riscos: 1) o enfrentamento à agenda de costumes defendida por eles (relacionada à descriminalização do aborto, ao desarmamento dos cidadãos, ao aprofundamento dos direitos dos grupos LGBTs, à descriminalização do consumo de drogas e à defesa do meio-ambiente e de políticas afirmativas); 2) a promoção de um autogolpe durante o mandato; ou 3) a volta dos militares ao poder – menos “fluidos e maleáveis” que os políticos tradicionais. Além desses três riscos, a eleição dele também pode(ria) ameaçar o poder da grande mídia, do Congresso Nacional (historicamente comandado pelo “centrão” – um importante aliado do establishment) e do Supremo Tribunal Federal. Logo, por mais que ao longo do segundo turno, tenhamos visto esses plutocratas aderindo ao candidato do PSL (para eles, o bolso é sempre mais importante que os ideais…), não dá para falar que o parlamentar do Rio de Janeiro era o candidato dos sonhos desse pequeno grupo que comanda o Sistema. Da mesma forma, só alguém com a cabeça muito contaminada nessa era da pós-verdade, poderia afirmar que esses titãs do capitalismo tupiniquim desejavam a eleição do candidato do PT – por mais que na década passada, eles tenham enriquecido enormemente durante o governo pelo ex-presidente Lula. Enfim, o grande derrotado do primeiro turno das eleições presidenciais foi o establishment. Não poderia ser diferente num país em que a soma dos eleitores que diziam não confiar nada ou confiar pouco no Congresso Nacional em meados de abril, chegava a uma taxa impressionante de 89%. Similarmente, não poderia ser diferente num país em que cerca de 80% dos eleitores diziam – em questionamentos separados – confiar pouco ou não confiar nada na grande mídia, nos grandes bancos, nas grandes empresas e na justiça brasileira – apesar da avaliação bastante positiva acerca da Operação Lava Jato. No segundo turno, essa narrativa anti-establishment também sagrou-se vencedora. Curiosamente, apesar do mercado financeiro e desse punhado de plutocratas brasileiros terem aderido ao deputado Jair Bolsonaro no segundo turno, ele venceu a eleição exatamente por ter encarnado a narrativa antissistema melhor que Fernando Haddad. Os valores, as ideias e a base eleitoral do presidente eleito Mas, não pretendo me prolongar nesse texto sobre as razões que fizeram Bolsonaro vencer Haddad. Meu objetivo aqui é traçar um possível prognóstico a respeito do futuro Governo. Nesse sentido, a teoria dos jogos nos ensina que quando conhecemos os valores pessoais, as relações de poder e os objetivos dos jogadores, fica fácil prever as ações dos mesmos e consequentemente, o resultado final do jogo. O presidente eleito defende valores morais bastante conservadores – outro fator fundamental que explica sua vitória sobre Fernando Haddad. Ele é contra a descriminalização do aborto, contra a descriminalização do consumo de drogas e contra o aprofundamento das agendas LGBT, feminista e pró-minorias. Por outro lado, é a favor do direito das pessoas portarem armas de fogo para defenderem suas posses e a sua integridade física. Politicamente, o deputado e ex-capitão do Exército tem uma retórica ultranacionalista e é um grande admirador da linha dura do regime militar brasileiro (que reagiu à abertura política iniciada no governo Geisel), do Coronel Brilhante Ustra e do General Augusto Pinochet. Ele enxerga os partidos, intelectuais, políticos, movimentos e organizações de esquerda como os maiores inimigos da nação e dele próprio – em seu discurso, ele também os classifica como os maiores inimigos do povo. Dentre suas referências mais atuais, destacam-se o ensaísta Olavo de Carvalho, o Juiz Sérgio Moro e o Presidente

Desmatamento na Amazônia cresce 13,7% em apenas um ano

 A território total desmatado atingiu 7,9 mil km². Os estados que apresentaram os piores índices foram: Pará, Mato Grosso, Rondônia e Amazonas Depois de um cenário de melhora durante os governos do PT, o desmatamento na Amazônia aumentou 13,7% entre agosto de 2017 e julho deste ano. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (23) pelos ministérios do Meio Ambiente (MMA) e da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), de acordo com Débora Brito, da Agência Brasil. A território total desmatado atingiu 7,9 mil km². Os estados que apresentaram os piores índices foram: Pará, Mato Grosso, Rondônia e Amazonas. A medição da área desmatada é efetuada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), por intermédio do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes). As imagens do satélite registram as áreas em que a cobertura florestal primária foi completamente removida em mais de 6,25 hectares, independente da finalidade. O total de áreas embargadas cresceu 56%, o volume de madeira apreendida subiu 131% e o de equipamentos apreendidos, 183% neste último levantamento em relação aos resultados das operações contra ações ilegais do ano anterior.

Aécio Neves terá que explicar mais de 1.300 voos sem interesse público

 – O senador Aécio Neves (PSDB), principal articulador do golpe parlamentar de 2016, terá que explicar à Justiça o interesse público de 1.337 voos realizados entre 2003 e 2010, quando foi governador de Minas Gerais. De acordo com o Ministério Público de Minas Gerais, o atual senador gastou mais de R$ 11 milhões em viagens em benefício próprio, sem comprovação de necessidade de satisfação do interesse público. Segundo informações do jornal O Tempo, nesta sexta-feira (23), a juíza da 5ª Vara da Fazenda Pública Estadual e Autarquias de Belo Horizonte, Claudia Costa Cruz Teixeira Fontes ordenou que o ex-governador e o Ministério Público se manifestem acerca do processo. O MP pediu que os bens do senador fossem bloqueados, o que deve ser analisado pela magistrada após as manifestações das partes. Segundo o Ministério Público, avião a jato, de turboélice e até helicóptero teriam sido utilizados nas viagens, “para fins particulares ou não justificados”, com o gasto de recursos com combustível, manutenção das aeronaves e remuneração de tripulação. As conclusões do Ministério Público se baseiam em apurações realizadas durante a instrução de inquérito civil público, em 2015, e de perícia realizada pelo órgão técnico do MP.

O coiso e seus discursos toscos por meio das redes sociais

Bolsonaro e o jorro de mentiras – Por Plinio Bortolotti Nada mudou no sistema de comunicação desenvolvido por Jair Bolsonaro depois que ele deixou o papel de pedra para assumir o lugar da vidraça. Ele continua reagindo muito mal, sem aceitar nenhum tipo de crítica à “narrativa” construída por seus discursos toscos e por meio das redes sociais. Assim, o relacionamento do novo governo com a imprensa será tenso, a não ser para os meios que se prestarem à vassalagem. A qualquer menção a Bolsonaro, que não seja elogiosa (e tem de ser bem explícita para ser entendida), a reação de sua tropa de choque é virulenta. Até agora, o principal alvo dos Bolsonaros tem sido a Folha de S. Paulo, que está mordendo os calcanhares do presidente eleito com reportagens certeiras. A uma reportagem da Folha mostrando que há divergências políticas na família do eleito, assinada pelo jornalista Monica Bergamo, o deputado Eduardo Bolsonaro respondeu no Twitter: “A todo momento tentam criar intrigas e principalmente desgastar os filhos. Mas acredito que todos já sabem qual é a da @monicabergamo né? Se alguém ainda compra a Folha já pode economizar no papel higiênico”. É o nível. A tática de comunicação utilizada pelos Bolsonaros é conhecida como “firehosing”, de “firehose” (mangueira de incêndio), que consiste em bombardeio constante de informações, sem nenhum compromisso com a verdade, ou seja, mentiras, de modo a criar um quadro confuso, um jorro imenso e sufocante (daí a analogia com a mangueira de incêndio) demandando respostas e esclarecimentos. Essas falsidades – ou declarações feitas com o único objetivo de chocar -, por mais absurdas que sejam, acabam por se tornar temas centrais no debate, enquanto os assuntos relevantes são implementados em segundo plano pelos bolsonaristas. Por isso não importa se uma coisa dita ontem é desmentida hoje, proferida novamente e negada de novo, em uma espécie de moto-perpétuo. Desqualificar qualquer informação dos meios tradicionais ou de qualquer outra fonte que não parta do interior da seita é essencial nessa estratégia. Ataques em massa contra qualquer voz divergente, criar inimigos imaginários (“ideologia de gênero”) também fazem parte do arsenal bolsonarista para sustentar a “narrativa” do “mito”, que não erra e nem falha, apesar de todas as suas contradições ou talvez por isso mesmo. Mesmo com mentiras escandalosas – como a do “kit gay” e a mamadeira com bico em formato de pênis que seria distribuídas nas escolas pelos “comunistas”, por exemplo -, é difícil confrontar esse tipo de loucura, apesar da necessidade de fazê-lo. A resposta ajuda a criar o diversionismo, atolando a todos em um pântano, no qual não mais se sabe o que é mentira ou verdade. E é justamente esse o habitat dos que manejam a “mangueira de incêndio”, especialidade dos Bolsonaros, amplamente utilizada nas eleições. O método está sendo usado na transição e continuará na ativa quando assumirem o governo. Por isso Bolsonaro cogitou levar seu filho Carlos, vereador pelo Rio de Janeiro, para o centro do poder. Assim, é preciso descobrir um método para confrontar com eficácia essa Matrix, que criou uma realidade paralela, hipnotizando a muitos, e na qual a lógica e a realidade não vigoram, pois verdade e mentira se misturam de tal modo que torna hercúlea a tarefa de separá-las. *Plínio Bortolotti é jornalista.  

Justiça tucana segue a caça ao Partido dos Trabalhadores, Lula e Dilma

 A Justiça Federal em Brasília recebeu ontem (23) denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, além outros integrantes do PT, pelo crime de organização criminosa. A decisão foi proferida pelo juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara. Com a decisão, além de Lula e Dilma, passam à condição de réus no processo os ex-ministros da Fazenda Antonio Palocci e Guido Mantega, e o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto. Eles foram acusados pelo MPF de praticar “uma miríade [quantidade grande e indeterminada] de delitos” na administração pública durante os governos de Lula e de Dilma Rousseff, somando R$ 1,4 bilhão em desvio de recursos dos cofres públicos. O caso começou a tramitar no Supremo Tribunal Federal (STF) no ano passado, mas foi remetido à primeira instância após os acusados deixarem os cargos e perderam foro privilegiado. DILMA REBATE JUIZ: CRIMINALIZA O EXERCÍCIO DA PRESIDÊNCIAA presidente deposta Dilma Rousseff rebateu o recebimento da denúncia que a tornou réu nesta sexta-feira, 23, em ação penal juntamente com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os membros do PT. A ação foi proposta pelo ex-procurador-geral da REpública Rodrigo Janot e foi recebida pelo juiz federal Vallisney Oliveira. “A decisão do juiz da 10ª Vara Federal de Brasília de instaurar processo criminal contra a ex-Presidenta Dilma Rousseff, por supostamente integrar uma organização criminosa, está baseada numa tentativa clara de criminalização da política e do PT. O processo aberto deslegitima a soberania do voto popular ao tornar o exercício da Presidência uma atividade criminosa. A denúncia é genérica e as acusações não derivam de inquéritos ou de qualquer investigação prévia”, diz Dilma, por meio de sua assessoria de imprensa. Leia, abaixo a nota na íntegra: NOTA À IMPRENSA Sobre o processo criminal Dilma diz que processo deslegitima a soberania do voto popular e criminaliza o exercício da Presidência da República A decisão do juiz da 10ª Vara Federal de Brasília de instaurar processo criminal contra a ex-Presidenta Dilma Rousseff, por supostamente integrar uma organização criminosa, está baseada numa tentativa clara de criminalização da política e do PT. O processo aberto deslegitima a soberania do voto popular ao tornar o exercício da Presidência uma atividade criminosa. A denúncia é genérica e as acusações não derivam de inquéritos ou de qualquer investigação prévia. Dilma Rousseff jamais foi ouvida por autoridades policiais ou judiciais sobre as acusações que lhe são feitas neste processo. Jamais teve a oportunidade de defesa. A única interpretação possível é que a ex-presidenta Dilma, como os outros réus, está sendo vítima de lawfare, quando se utiliza deferramentas legais para processá-la sem provas. ASSESSORIA DE IMPRENSA DILMA ROUSSEFF

Porque o presidente eleito Bolsobaro não vai se tratar pelo SUS?

Onde anda aquele bando de manifestantes imbecis que ficavam na porta do Sírio-Libanês ou no Albert Einstein, toda vez que Lula, Dilma ou dona Marisa Letícia iriam consultar ou internar, pedindo para irem tratar pelo SUS? Agora, nestas internações do coiso, nenhum deles aparece para infortuna-lo. Ontem, por exemplo, Bolsonaro foi ao hospital Israelita Albert Einstein para fazer exames laboratoriais, de imagem e a consultas médicas, para retirar a bolsa de colostomia. A cirurgia foi adiada porque o local continua muito inflamado. A avaliação médica precede a realização da terceira cirurgia a que Bolsonaro será submetido, desde que foi esfaqueado no abdômen por Adélio Bispo, durante ato político, em Juiz de Fora (MG), em 6 de setembro. Ele fez uma cirurgia inicial, de grande porte, na Santa Casa de Juiz de Fora, depois uma segunda, já no Einstein, para corrigir a aderência. A estimativa é que o período de recuperação dessa terceira cirurgia demore de 10 a 15 dias. Bolsonaro decolou de Brasília para São Paulo e pousou no aeroporto de Congonhas. Ele foi para o hospital de carro, escoltado por policiais federais. Um forte esquema de segurança foi montado nos arredores do Albert Einstein.A retirada da bolsa de colostomia estava prevista para 12 de dezembro – 20 dias antes da posse, marcada para 1º de janeiro. Uma nova data só será marcada em janeiro. CIRURGIA DE BOLSONARO FARÁ MOURÃO ASSUMIR O PODER LOGO APÓS A POSSE O general Hamilton Mourão assumirá a presidência já em janeiro, em razão do adiamento da cirurgia de Jair Bolsonaro, que estava prevista para 12 de dezembro e será realizada logo depois da posse. Em entrevista publicada no dia de ontem, Mourão explicitou várias divergências em relação a Bolsonaro, especialmente no tocante à política externa. Mourão contestou a mudança da embaixada brasileira em Israel para Jerusalém, o afastamento da China e qualquer possibilidade de ingerência na Venezuela

José Saramago: privatize-se também a puta que os pariu a todos

O desabafo de José Saramago sobre privatizações: Privatize-se tudo! “Para florão e remate de tanto privatizar, privatizem-se os Estados, entregue-se por uma vez a exploração deles a empresas privadas, mediante concurso internacional. Aí se encontra a salvação do mundo…” O texto abaixo trata-se de um registro de José Saramago, sobre as privatizações, em Cadernos de Lanzarote – Diário III, págs. 147 e 148. Eis o texto: “Regressados de uma viagem à Argentina e Bolívia, os meus cunhados María e Javier trazem-me o jornal Clarín de 30 de Agosto. Aí vem a notícia de que vai ser apresentada ao Parlamento peruano uma nova lei de turismo que contempla a possibilidade de entregar a exploração de zonas arqueológicas importantes, como Machu Picchu e a cidadela pré-incaica de Chan-Chan, a empresas privadas, mediante concurso internacional. A mim parece-me bem. Privatize-se Machu Picchu, privatize-se Chan Chan, privatize-se a Capela Sistina, privatize-se o Pártenon, privatize-se o Nuno Gonçalves, privatize-se a Catedral de Chartres, privatize-se o Descimento da Cruz, de Antonio da Crestalcore, privatize-se o Pórtico da Glória de Santiago de Compostela, privatize-se a Cordilheira dos Andes, privatize-se tudo, privatize-se o mar e o céu, privatize-se a água e o ar, privatize-se a justiça e a lei, privatize-se a nuvem que passa, privatize-se o sonho, sobretudo se for diurno e de olhos abertos. E, finalmente, para florão e remate de tanto privatizar, privatizem-se os Estados, entregue-se por uma vez a exploração deles a empresas privadas, mediante concurso internacional. Aí se encontra a salvação do mundo… E, já agora, privatize-se também a puta que os pariu a todos”. – José Saramago, em “Cadernos de Lanzarote – Diário III”. Lisboa: Editorial Caminho, 1996. “ Cadernos de Lanzarote Os Cadernos de Lanzarote são a reunião dos diários de José Saramago escritos no período de 1993 a 1995 na ilha de Lanzarote, arquipélago das Canárias onde ele viveu com sua mulher Pilar. A melhor definição de diário é do próprio Saramago neste livro: “Por muito que se diga, um diário não é um confessionário, um diário não passa de um modo incipiente de fazer ficção. Talvez pudesse chegar mesmo a ser um romance se a função da sua única personagem não fosse a de encobrir a pessoa do autor, servir-lhe de disfarce, de parapeito. Tanto no que declara como no que reserva, só aparentemente é que ela coincide com ele. De um diário se pode dizer que a parte protege o todo, o simples oculta o complexo. O rosto mostrado pergunta dissimuladamente: Sabeis quem sou?, e não só não espera resposta, como não está a pensar em dá-la.” Privatize-se tudo!” – José Saramago Revista Prosa Verso e Arte Por Revista Prosa Verso e Arte Literatura Compartilhar no Facebook Tweet no Twitter    Jose Saramago, por Raffi Anderian illustration A mim parece-me bem. Privatize-se Machu Picchu, privatize-se Chan Chan, privatize-se a Capela Sistina, privatize-se o Pártenon, privatize-se o Nuno Gonçalves, privatize-se a Catedral de Chartres, privatize-se o Descimento da Cruz, de Antonio da Crestalcore, privatize-se o Pórtico da Glória de Santiago de Compostela, privatize-se a Cordilheira dos Andes, privatize-se tudo, privatize-se o mar e o céu, privatize-se a água e o ar, privatize-se a justiça e a lei, privatize-se a nuvem que passa, privatize-se o sonho, sobretudo se for diurno e de olhos abertos. E, finalmente, para florão e remate de tanto privatizar, privatizem-se os Estados, entregue-se por uma vez a exploração deles a empresas privadas, mediante concurso internacional. Aí se encontra a salvação do mundo… E, já agora, privatize-se também a puta que os pariu a todos. – José Saramago, em “Cadernos de Lanzarote – Diário III”. Lisboa: Editorial Caminho, 1996.  

Racismo limita contratação de negros, diz Instituto Ethos

 – A diretora-adjunta do Instituto Ethos, Ana Lúcia de Melo Custódio diz que a dificuldade de inserir os negros no mercado de trabalho tem nome: racismo. Ela diz que o problema passa por aquilo que o recrutador pensa ser o candidato “ideal” para a vaga em determinada empresa —e, de acordo com esse imaginário, esse potencial funcionário não é negro. A reportagem do jornal Folha de S. Paulo destaca que “os negros são 64,2% dos desempregados no Brasil, embora representem 55,7% do total da população, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística)”. E acrescenta: “a participação de pretos e pardos entre os desocupados cresce desde o início da série, iniciada em 2012. Haveria falta de talentos para ocupar vagas? ‘É exatamente o contrário’, diz Custódio. ‘Quando a gente ignora uma parte da população que não entra ou não ascende nas empresas, estamos desperdiçando talentos’, diz.” A matéria ainda explica a percepção de Custódio e do Instituto Ethos sobre o mecanismo de perpetuação do racismo no regime das contratações: “no último levantamento do Ethos, em 2016, quando questionados se a participação dos negros nos diferentes níveis da empresa era adequada, os gestores respondiam que sim. ‘Tem-se a percepção de que as coisas vão bem, mas os dados dizem outra coisa’.”