Pesquisa da CNI comprova o desmonte da Educação depois do golpe

COM TEMER, PERCEPÇÃO DO BRASILEIRO SOBRE QUALIDADE DO ENSINO PIOROU, DIZ CNI – Uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), realizada em parceria com o movimento Todos Pela Educação, aponta que 26% dos entrevistados consideram o ensino no nível médio do país como ruim ou péssimo. Em 2013, quando levantamento semelhante foi feito, o percentual era de 15%. No nível fundamental, o percentual passou de 18% para 27%. O percentual dos que consideram o ensino médio como ótimo ou bom caiu de 48% para 31% e no ensino fundamental o percentual passou de 50% para 34%. Segundo a pesquisa, 12% dos brasileiros acreditam que o aluno do ensino médio das escolas públicas está bem preparado para se inserir no mercado profissional e 23% dizem que está despreparado. A pesquisa Retratos da Sociedade Brasileira – Educação Básica foi realizada pelo Ibope Inteligência e ouviu 2 mil pessoas entre 15 e 20 de setembro do ano passado em 126 municípios. De acordo com os dados, aumentou de 61% para 74% o percentual dos que concordam totalmente que um ensino de baixa qualidade é prejudicial para o desenvolvimento do país. A pesquisa aponta também que 81% das pessoas concordam que o problema da educação no país podem ser atribuídos à má utilização das verbas destinadas ao setor. Notas Os entrevistados deram notas para as condições gerais das escolas públicas de ensino fundamental e médio. Entre 10 fatores avaliados, em uma escala de 0 a 10, as notas médias variam de 3,7 a 6,3. A segurança nas escolas obteve a pior média na avaliação da população sobre as condições gerais das escolas públicas (3,7). O material didático digital, o acesso a computador com internet e as atividades extracurriculares também estão entre os itens com notas mais baixas. Soluções Entre as principais ações apontadas para melhorar o desempenho dos alunos do ensino básico público foram apontadas as seguintes iniciativas: equipar melhor as escolas, ações para estimular a participação dos pais na cobrança por uma boa escola, ações para aumentar a segurança nas escolas e para melhorar o sistema de ensino. Também foram citadas a necessidade de aumentar o salário dos professores e elevar o número de docentes, além de ações para melhorar a formação docente. Procurado pela Agência Brasil, o Ministério da Educação informou que não costuma se posicionar sobre estudo que não seja oficial. Via Sabrina Craide, repórter da Agência Brasil  A golpista Raquel Muniz, aliada de Temer e Cunha, foi uma das culpadas pela derrubada de uma presidenta honesta para colocar uma quadrilha de bandidos em seu lugar para acabar com os direitos trabalhistas e previdenciários. Nestas eleições, vamos dar o troco.

E a pressão dos juízes e do MP, Dra. Cármen, a senhora aceita?

 Mil promotores e juízes fazem um “abaixo assinado”, piedosamente batizado de “Nota Técnica” para exigir do Supremo Tribunal Federal que autorize Sérgio Moro a prender Lula imediatamente. Por Fernando Brito – Tijolaço Chegam a admitir no texto, que a prova é um aspecto secundário, bem abaixo da convicção, neste trecho, onde grifo: A interpretação do princípio da presunção de inocência deve-se operar em harmonia com os demais dispositivos constitucionais, em especial, os que se relacionam à justiça repressiva. O caráter relativo do princípio da presunção de inocência remete ao campo da prova e à sua capacidade de afastar a permanência da presunção. Há, assim, distinção entre a relativização da presunção de inocência, sem prova, que é inconstitucional, e, com prova, constitucional, baseada em dedução de fatos suportados ainda que por mínima atividade probatória.Disso decorre que não é necessária a reunião de uma determinada quantidade de provas para mitigar os efeitos da presunção de inocência frente aos bens jurídicos superiores da sociedade, a fim de persuadir o julgador acerca de decreto de medidas cautelares, por exemplo; bastando, nesse caso, somente indícios, pois o direito à presunção de inocência não permite calibrar a maior ou menor abundância das provas. É de causar arrepios a quem pensa na Justiça como ferramenta da aplicação do direito e no velho – e ao que parece, aposentado – conceito de prova, agora substituído por qualquer “dedução de fatos” e pelo “em dúvida” não mais pro reu, mas pelo que achem que seja “pro societas“, em seu exclusivo conceito. Aliás, “flexibilização de princípios” é argumento que, pela sua contradição, só pode ser próprio de canalhas, porque é o mesmo que não ter princípios. Numa descarada usurpação de funções, não apenas violam a Lei Orgânica da Magistratura – que proíbe a juízes de se manifestarem “por qualquer meio de comunicação, opinião sobre processo pendente de julgamento, seu ou de outrem” – como atuam como advogados: …os membros do Ministério Público e do Poder Judiciário abaixo assinados manifestam-se pela constitucionalidade de prisão após a condenação em 2ª instância. Como cidadãos, têm todo o direito de expressar opinião. Mas quando se qualificam e se agrupam como “membros do Ministério Público e do Poder Judiciário”, não podem. A não ser como foras da lei, algo que parece já não vir ao caso, diante de seus ódios políticos. Sabem que essa “pressão” a Ministra Cármen Lucia aceita. O Supremo, talvez não.

Depois do golpe, o Brasil cresceu pouco e a vida dos mais pobres piorou

Crescimento, precarização e desigualdade no fechamento de 2017Foram fechados no ano passado mais de 680 mil ocupações com carteira assinada no setor privado O índice de Gini, que mede a desigualdade, aumentou e sumiram milhares de empregos formais por Fabrício Pitombo Leite — via Carta Capital Na recente divulgação das Contas Nacionais Trimestrais, chama a atenção o desempenho da atividade econômica no Brasil, que deu sinais de vitalidade, com uma taxa de crescimento do PIB de 2,1% no último trimestre de 2017, na comparação com igual período de 2016. Esta taxa pode ser decomposta em contribuições positivas, nesta ordem de importância, do consumo das famílias, que cresceu 2,6%, das exportações, com taxa de crescimento de 9,1%, e mesmo da formação bruta de capital fixo, cujo crescimento de 3,8% denota reversão de uma trajetória de queda iniciada no segundo trimestre de 2014. Se tomássemos o ano como um todo, a pintura não seria tão positiva, mas, ainda assim, poder-se-ia apontar um crescimento de 1%, tanto para o PIB quanto para o consumo das famílias. Quanto ao mercado de trabalho, a julgar-se pela taxa de desocupação, estaríamos, de acordo com o IBGE, numa situação de estabilidade, com 11,8% neste quarto trimestre de 2017, ante 12% no fechamento de 2016. A partir dos mesmos dados utilizados para o cálculo da taxa de desocupação, oriundos da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), igual crescimento de 2,1% poderia ser observado no total de ocupados, sempre na comparação entre os últimos trimestres dos dois últimos anos, o que significa a entrada de 1,8 milhão de indivíduos no universo dos ocupados. Enganosa, contudo, é a impressão causada por tal crescimento, ao constatarmos uma queda de mais de 680 mil ocupações entre os empregados no setor privado com carteira de trabalho assinada, concomitantemente ao crescimento de quase 600 mil ocupações para empregados no setor privado sem carteira de trabalho assinada. Difícil não recorrermos de imediato a um termo para resumir esse comportamento: precarização. Quando se soma a isso o aumento de mais de um milhão de ocupações para trabalhadores por conta própria, o retrato fica ainda mais nítido – nunca é demais lembrar que a categoria conta própria no Brasil ganha sistematicamente menos que os trabalhadores empregados no setor privado, aproximadamente 25% a menos que a média para o conjunto dos empregados no setor privado neste último trimestre de 2017. Completam o quadro o aumento das ocupações para trabalhadores familiares auxiliares (116 mil) e para trabalhadores domésticos sem carteira assinada (332 mil), sendo que esse último grupamento, apesar do saldo positivo, também apresenta queda (–70 mil) nas ocupações com carteira. Observa-se ainda um aumento de ocupações para o setor público em geral (222 mil), já incluindo militares e estatutários, para os quais há tendência de queda nas ocupações. Finalmente, aumento de mais de 263 mil ocupações entre os empregadores. Assim, poderia ser encarada com menos surpresa a elevação da desigualdade de rendimentos neste fechamento de ano, para a qual nos voltaremos a partir de agora. Como apontavam os resultados já adiantados em análise realizada com dados até o primeiro semestre de 2017, utilizando a própria PNADC, a desigualdade passou a crescer desde o fim de 2015, sem sinais de reversão até o fechamento de 2017. O índice de Gini calculado para a Renda Domiciliar Per Capita (RDPC), a exemplo do observado em todos os outros trimestres do ano, foi o maior para iguais trimestres desde o início da divulgação da pesquisa, passando de 0,5659 no quarto trimestre de 2016 para 0,5697 neste último trimestre de 2017. O crescimento da atividade econômica parece, portanto, ter sido suficiente para um crescimento mais expressivo da renda dos relativamente pobres (3,1%), mas não o bastante para suplantar o crescimento da renda dos mais ricos (3,9%). O ritmo do crescimento da desigualdade foi, no entanto, inferior ao observado nos três primeiros trimestres do ano, possivelmente refletindo tal incremento no nível de atividade. Para acumulados em quatro trimestres, entretanto, 2017 apresentou um aumento da desigualdade superior ao observado no ano anterior: 1,64% de crescimento do índice de Gini contra 0,99% observado em 2016 (o crescimento acumulado para o fechamento de cada ano está destacado em vermelho no gráfico abaixo). Se levarmos em conta que os dados trimestrais da PNADC nos permitem tratar somente da desigualdade de mercado (metodologia utilizada e tabelas completas podem ser acessadas aqui) – do rendimento mensal efetivo de todos os trabalhos, na terminologia do IBGE, abrangendo empregados, trabalhadores por conta própria e empregadores –, em oposição à desigualdade sobre os rendimentos disponíveis pós-transferências, não é ocioso notar que tal trajetória observada de aumento da desigualdade seria ainda mais acentuada caso estivéssemos captando uma redução nas transferências de assistência e previdência social para as camadas mais vulneráveis da população. * Fabrício Pitombo Leite é professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)

Guiados por notícias falsas e pelo ódio, cristãos matariam Jesus de novo

– Por Leonardo Sakamoto – No blog do Sakamoto  Linchamento ocorrido no Brasil em 2015 que vitimou Cleidenilson Pereira Silva, no Maranhão. Foto: Biné Morais  A tradição ibérica da Malhação do Judas no Sábado de Aleluia consiste em fazer um boneco de pano, papel, serragem, jornal, o que seja, para representar Judas Iscariotes – o delator de Jesus – e humilhá-lo, xingá-lo, surrá-lo, queimá-lo, alfinetá-lo, explodi-lo. Hoje é Sábado de Aleluia, dia anterior à Páscoa, e alguns Judas serão transformados em pó em ruas e praças de todo o país. A bem da verdade, o costume vai caindo em desuso. Para além do desinteresse de parte das novas gerações em manter vivo esse linchamento simbólico, há o fato de que, diariamente, milhares de autointitulados cristãos já escolhem seus Judas para serem malhados, sem dó ou piedade, nas redes sociais. O que me leva a crer que esse pessoal não entendeu a sabedoria presente nas palavras escritas nos evangelhos, baseadas na ideia de compaixão e de diálogo. Mais uma vez, repito: falta amor no mundo, mas também falta interpretação de texto. A começar por certos padres e pastores, políticos e comunicadores que podem até não trucidar com as próprias mãos os opositores de suas ideias, mas despejam tanto ódio a certos grupos sociais que seus fiéis e seguidores acabam fazendo o trabalho sujo, achando que estão operando a ”vontade de Deus”. Se houver algum Deus, ele deve se arrepender de ter enviado o meteoro que destituiu os dinossauros como espécie dominante do planeta. A Malhação do Judas não é um treino para linchamentos de rua que acontecem aqui e ali – provando que nós somos umas bestas quadradas. Mas a alegria de trucidar o boneco e, através desse ato, descarregar as iniquidades e injustiças que enfrentamos no dia a dia, tem um paralelo com a sensação de (falso) reequilíbrio obtido através de um linchamento, que promete ”justiça” quando a massa considera que a Justiça convencional não foi o bastante ou não funcionou. O discurso de ódio, que transforma a massa em turba, nas ruas ou nas redes, provoca distorções profundas no entendimento da realidade. As pessoas perdem a capacidade de refletir sobre suas palavras e ações. Foi o que aconteceu com Jesus, em 2014, no Guarujá, litoral de São Paulo. Fabiane Maria de Jesus não usava crianças em rituais de ”magia”, como foi acusada. Mas, mesmo assim, ela foi perseguida, espancada e morta por uma turba enlouquecida de moradores. Eram guiados por uma notícia falsa sobre sacrifício humano e um retrato falado que os agressores juravam ser ela. Nas últimas semanas, o ódio gestado na redes sociais se transformou em paus, pedras, ovos, quebrando e machucando, integrantes da caravana do ex-presidente Lula pela região Sul. Até que o ódio se converteu em tiros contra os ônibus. Estudei em escola adventista por nove anos e, ao mesmo tempo, participei bastante da vida na igreja católica perto de casa. Hoje, como todos sabem, vou para o inferno (o que não é de todo o mal porque, dizem, que lá é um lugar quentinho e tem gente legal para conversar, como Karl Marx e Stephen Hawking). Mas por conta do meu passado, sei razoavelmente o que está escrito nos evangelhos. O discurso de intolerância que grassa na boca de muita gente que se acha ”o povo de deus”, de católicos a neopentecostais, não está nos quatro livros do Evangelho cristão. Pessoas que acham um absurdo não comer peixe na Sexta-Feira Santa ou não ir à missa/culto no Domingo de Páscoa, mas enchem a boca para falar que a solução para a criminalidade é ”bandido bom é bandido morto”. E, diante das críticas ao atendimento por vezes violento a uma pessoa em situação de rua, grita ”Tá com dó? leva para casa”. Não dá para dizer para um desconhecido ”você não entendeu nada do que o tal de Jesus de Nazaré disse”. Seria muito arrogante e ofensivo à liberdade de que ele dispõe. Mas que dá vontade, ah, dá, principalmente porque liberdade não é algo absoluto, acaba quando você a usa para causar dor a alguém. Liberdade também não admite censura prévia, mas demanda responsabilidade e prevê responsabilização. O fato é que se tivessem interpretado por uma forma mais humana o que significa amar o seu semelhante como a si mesmo, dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus, e todo o restante, entenderíamos que professar homofobia, racismo e machismo não faz sentido algum. Como já disse aqui várias vezes, tenho a certeza de que se Jesus, o personagem histórico, vivesse hoje, defendendo a mesma ideia presente nas escrituras sagradas do cristianismo, mas atualizando-a para os novos tempos, seria humilhado, xingado, surrado, queimado, alfinetado e explodido não só num Sábado de Aleluia, mas também em dias menos santos. Seria chamado de defensor de bicha, mendigo e sem-terra vagabundo. Olhado como subversivo, acusado de ”heterofóbico” e ”cristofóbico”. Alcunhado como agressor da família e dos bons costumes. Finalizado como comunista. Daí, a passagem mais legal dos Evangelhos: Lucas, capítulo 23, versículo 34: ”Pai, perdoai. Eles não sabem o que fazem”.

A CRISE NA EDUCAÇÃO NO BRASIL NÃO É UMA CRISE; É PROJETO

 A frase de Darcy Ribeiro está mais atual do que nunca e sintetiza este ilegítimo governo golpista e entreguista de Michel Temer que vem viabilizando um projeto de desconstrução, com início, meio e fim da elite brasileira. Cortes deliberados em ciência, tecnologia e educação são parte do plano antinacional de inviabilização do futuro do Brasil.  – SUFOCADA PELO GOVERNO TEMER, UNB PODE PARAR DE FUNCIONAR EM AGOSTO – Em reunião com representantes da comunidade acadêmica nesta quinta-feira, 29, a reitora da UnB, Márcia Abrahão, falou sobre a grave crise financeira pela qual passa a universidade, por conta de falta de recursos repassados pelo Ministério da Educação; segundo ela, além de não haver retorno prático quanto aos pedidos da UnB, o MEC sinalizou um cenário ainda mais duro, com a possibilidade de publicação de um novo decreto de contingenciamento, nos próximos dias; universidade tem um déficit de R$ 92,3 milhões no orçamento deste ano.Manoela Alcântara, do Metrópoles – “Se não tiver contingenciamento, a UnB para de funcionar em agosto”. Foi com essa frase que a decana de Planejamento e Orçamento da Universidade de Brasília, Denise Imbroise, abriu reunião pública para tratar da crise financeira da instituição, que registra um rombo de R$ 92,3 milhões em seu orçamento para este ano. O evento reúne, nesta quinta-feira (29), representantes de toda a comunidade acadêmica.A universidade anunciou ser necessário cortar despesas, e isso implicaria em redução de terceirizados, estagiários e subsídios, como o oferecido aos estudantes que se alimentam no Restaurante Universitário (RU). A medida pode aumentar em até 160% o valor das refeições, dependendo da condição financeira do aluno. Outras contenções também estão sendo analisadas.Com o auditório verde da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Gestão de Políticas Públicas (Face) lotado, a reitora Márcia Abrahão foi recebida pelos estudantes com gritos de “não aceitamos demissões. Mexeu com os terceirizados, mexeu com a gente”.A reitora ouviu os protestos e conversou brevemente com a imprensa. Segundo a gestora, foram realizadas diversas reuniões com o Ministério da Educação (MEC) para tentar conseguir recursos. No entanto, afirmou ela, “cortes são inevitáveis”.De acordo com Márcia Abrahão, “o MEC tem nos recebido e se mostrado sensível, mas, infelizmente, mesmo com nossas explicações e apelos, não obtivemos nenhuma resposta positiva”. Além de não haver retorno prático quanto aos pedidos da UnB, a pasta sinalizou um cenário ainda mais duro, com a possibilidade de publicação de um novo decreto de contingenciamento, nos próximos dias, pontuou a reitora.   A criação da UNB A lei que autorizou a fundação da Universidade de Brasília (UnB) foi assinada pelo presidente João Goulart em 15 dezembro de 1961 – Cedoc / UnB Cerimônia de inauguração da Universidade de Brasília. Darcy Ribeiro, reitor da universidade, é o quarto da direita para a esquerda Brasília tinha apenas dois anos quando ganhou sua universidade federal. A Universidade de Brasília foi fundada com a promessa de reinventar a educação superior, entrelaçar as diversas formas de saber e formar profissionais engajados na transformação do país.A construção do campus brotou do cruzamento de mentes geniais. O inquieto antropólogo Darcy Ribeiro definiu as bases da instituição. O educador Anísio Teixeira planejou o modelo pedagógico. O arquiteto Oscar Niemeyer transformou as ideias em prédios.Os inventores desejavam criar uma experiência educadora que unisse o que havia de mais moderno em pesquisas tecnológicas com uma produção acadêmica capaz de melhorar a realidade brasileira.As regras, a estrutura e concepção da Universidade foram definidas pelo Plano Orientador, uma espécie de Carta Magna, datada de 1962, e ainda hoje em vigor. O Plano foi a primeira publicação da Editora UnB e mostrava o espírito inovador da instituição.“Só uma universidade nova, inteiramente planificada, estruturada em bases mais flexíveis, poderá abrir perspectivas de pronta renovação do nosso ensino superior”, diz o Plano Orientador.Trilhar esse caminho, no entanto, exigiu esforços. Apesar do projeto original de Brasília já prever um espaço para a UnB, foi preciso lutar para garantir sua construção. Tudo por causa da proximidade com a Esplanada dos Ministérios. Algumas autoridades não queriam que estudantes interferissem na vida política da cidade. Finalmente, em 15 de dezembro de 1961, o então presidente da República João Goulart sancionou a Lei 3.998, que autorizou a criação da universidade.Darcy e Anísio convidaram cientistas, artistas e professores das mais tradicionais faculdades brasileiras para assumir o comando das salas de aula da jovem UnB.“Eram mais de duzentos sábios e aprendizes, selecionados por seu talento para plantar aqui a sabedoria humana”, escreveu Darcy Ribeiro, em A Invenção da Universidade de Brasília.A estrutura administrativa e financeira era amparada por um conceito novo nos anos 60 e até hoje menina dos olhos dos gestores universitários: a autonomia.“A UnB foi organizada como uma Fundação, a fim de libertá-la da opressão que o burocratismo ministerial exerce sobre as universidades federais. Ela deveria reger a si própria, livre e responsavelmente, não como uma empresa, mas como um serviço público e autônomo”, escreveu Darcy, em UnB, Invenção e Descaminho.A inauguração da UnB assemelhou-se com a construção da capital federal. Quase tudo era canteiro de obras, poucos prédios estavam prontos. O Auditório Dois Candangos, onde ocorreu a cerimônia de inauguração, foi finalizado 20 minutos antes do evento, marcado para às 10h. O nome do espaço homenageia os pedreiros Expedito Xavier Gomes e Gedelmar Marques, que morreram soterrados em um acidente durante as obras. Atualmente, a Universidade de Brasília figura entre as melhores instituições de ensino superior do mundo

Jessé Souza: É preciso explicar o Brasil desde o ano zero

Em A elite do atraso – Da escravidão à Lava Jato, Jessé Souza quer fazer o que, em sua opinião, nenhum intelectual da esquerda jamais fez: explicar o Brasil desde o ano zero. Isso porque se ideias antigas nos legaram o tema da corrupção como grande problema nacional – conforme defende no livro -, só mesmo novas concepções sobre o país e seu povo poderiam explicar, de uma vez por todas, que as raízes da desigualdade brasileira não estão na herança de um Estado corrupto, mas na escravidão. Para tanto, o sociólogo confronta uma das principais obras do pensamento social brasileiro, Raízes do Brasil (1936), de Sérgio Buarque de Holanda – responsável por utilizar pela primeira vez a ideia de patrimonialismo para definir a política nacional. Jessé compreende que o conceito – segundo o qual o Estado brasileiro seria uma extensão do “homem cordial” que não vê distinções entre público e privado – serve para legitimar interesses econômicos de uma elite que manda no mercado, este sim a real fonte de corrupção e poder. Doutor em sociologia pela Universidade de Heidelberg (Alemanha) e professor da UFABC, Jessé Souza é autor de 27 livros, incluindo A ralé brasileira: quem é e como vive (2009), A tolice da inteligência brasileira (2015) e A radiografia do golpe (2016). Presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) entre 2015 e 2016, coordenou pesquisas de amplitude nacional sobre classes e desigualdade social. Em entrevista à CULT, o sociólogo critica a existência de uma interpretação dominante sobre o Brasil e aponta os motivos pelos quais a sociedade brasileira em 2017 não passa de uma continuidade da sociedade escravocrata de 500 anos atrás. No livro você afirma que Sérgio Buarque de Holanda inaugurou uma forma de pensar o brasileiro como negatividade que se estende ao Estado, visão que teria influenciado de Raymundo Faoro a Sergio Moro. Por que essa chave de leitura tem tanta força? Essa ideia foi montada para defender interesses econômicos. Às vezes me espanto como não se percebeu isso antes. Quando a elite paulistana perde o poder político para Vargas em 1930 – e perde para um movimento de classe média, que estava se formando no país naquela época -, ela começa a organizar um poder ideológico para condicionar o poder político a atuar conforme as suas regras. Isso foi dito, articulado, pensado. Esse pessoal já tinha fazendas de café, as grandes indústrias em São Paulo, já tinha controle sobre a produção material e aí constroem as bases para o poder simbólico – e a sociedade moderna vive desse poder simbólico. Essa elite cria a Universidade de São Paulo, que vai formar professores de outras universidades e que vai produzir conceitos importantes para que essa elite, tirando onda de que está fazendo o bem, faça efetivamente todo mundo de imbecil para que seus interesses materiais e políticos sejam preservados. Que conceitos são esses? São duas ideias que nos fazem de imbecis. Uma delas é a do patrimonialismo, em que há uma distorção da fonte do poder social real, como se o Estado fosse montado para roubar, vampirizar e fazer o mal – e como se nada acontecesse no mercado. Embora seja uma instância de poder importante, no capitalismo quem comanda o poder é o mercado. Há uma tradição inteira, 99 de 100 intelectuais até hoje professam esse tipo de coisa. Sérgio Buarque inaugura [esse pensamento no Brasil], depois Raymundo Faoro dá uma profundidade histórica e Fernando Henrique Cardoso transforma isso em teoria; o programa político do PSDB é todo retirado de Raízes do Brasil. Mas também influenciou a esquerda. Sérgio Buarque foi um dos fundadores do PT, fez todo mundo de imbecil, da direita à esquerda. E como a esquerda não tem uma concepção autônoma de como a sociedade funciona, de como o Estado funciona, ela chega ao poder com um plano econômico alternativo, mais inclusivo, e acha que as pessoas por alguma mágica vão perceber que aquilo é bom pra elas. A esquerda nunca fez o que a direita e a elite fizeram. Por que a esquerda nunca articulou uma narrativa contrária a essa? Porque foi incapaz. Porque não foi inteligente, porque se deixou imbecilizar. Porque o tema do patrimonialismo é tratado como crítica social: “Olha, estamos descobrindo quais são as mazelas brasileiras, um gene da corrupção de 800 anos que nos toma a todos”. Isso significa que o Estado [teoricamente] vampiriza e não deixa as forças “emancipadoras” do mercado agirem – como se o mercado, em algum lugar do mundo tivesse sido emancipador por si próprio. Os países campeões do liberalismo como Inglaterra e Estados Unidos têm uma estrutura de Estado extremamente forte, foram protecionistas – e depois dizem a outros países serem o que eles mesmos nunca foram. Isso deu esse charme – o “charminho crítico”, como eu chamo – a esse tipo de ideia como o patrimonialismo, que muitas vezes a esquerda comprou. O segundo conceito chave, também inventado na Usp, foi o populismo, que torna suspeito e criminaliza tudo aquilo que vem das classes populares – inclusive qualquer liderança associada a elas, que são também estigmatizadas e suspeitas de estarem manipulando a tolice “inata” dessas classes. Eu estudei por décadas os muito pobres e eles são muito mais inteligentes do que a classe média. Eles veem a política como o jogo dos ricos em que todo mundo rouba enquanto a classe média se deixa engambelar por esse tipo de coisa. A classe média foi montada para ser idiotizada, é uma espécie de capataz da elite entre nós. Na história do pensamento social brasileiro nenhum intelectual chegou perto de romper com essas duas ideias, na sua opinião? Florestan Fernandes saiu um pouco disso porque estudou dilemas e conflitos de classe; Celso Furtado foi outro genial que percebeu coisas importantes que não têm nada a ver com esses esquemas. Mas esses caras não reconstruíram a história do Brasil como um todo. Foi essa a ambição que eu tive nesse livro porque eu percebi que, para atacar esse negócio e dar

Gangue de Temer está atrás das grades. Agora só falta o chefe

 Com a operação Skala, deflagrada nesta quinta-feira 29 pela Polícia Federal, todos os principais operadores de Michel Temer estão presos. A lista inclui Henrique Eduardo Alves, o primeiro a trair a presidente Dilma Rousseff, Eduardo Cunha, que aceitou a farsa do golpe sem crime de responsabilidade, Geddel Vieira Lima, do bunker de R$ 51 milhões, José Yunes, parceiro de Temer em negócios imobiliários, o coronel Lima, tesoureiro informal da família, e Wagner Rossi, operador político do MDB. Depois desse verdadeiro strike, fica a questão: será que vão prender o chefe? Agora que seu principal operador, José Yunes, foi preso pela Polícia Federal, Michel Temer, que usurpou o cargo da presidente Dilma Rousseff por meio de um vergonhoso golpe parlamentar, e que arruinou com a economia e a imagem do Brasil, só tem uma saída honrosa: a renúncia. Esta decisão do ministro Luis Roberto Barroso, de mandar prender Yunes e o presidente da Rodrimar, Antônio Celso Grecco, que se beneficiou de um decreto irregular no setor portuário, num dos primeiros esquemas de corrupção pós-golpe, a terceira denúncia contra Temer, inevitavelmente, será apresentada pela procuradora-geral da República, Raquel Dodge, e o presidente da Câmara, que se coloca como pré-candidato à presidência, não terá como não aceitá-la – até porque isso seria um presente para os deputados. Como Temer é rejeitado por 94% dos brasileiros, nada melhor do que degolá-lo antes das eleições.A ascensão de Maia à presidência também interessa diretamente à Globo e às forças que lideraram o golpe de 2016, porque até agora não conseguiram produzir um candidato competitivo para enfrentar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A aposta é que Maia, com a caneta nas mãos, possa tentar superar o deputado Jair Bolsonaro, que ocupou o espaço da direita brasileira. Planalto já vê Temer encurraladoO clima no Palácio do Planalto após a Polícia Federal deflagrar a operação Skala, que prendeu amigos e ex-assessores de Michel Temer, é de apreensão. Segundo assessores próximos a Temer a operação foi “absurda” e tende a criar obstáculos à possível campanha de reeleição do emedebista à Presidência. Temer possui apenas 1% das intenções de voto, segundo as pesquisas eleitoraisDILMA TINHA RAZÃO: NÃO VAI FICAR PEDRA SOBRE PEDRA – Em outubro de 2014, quando a revista Veja circulou com uma capa criminosa, usada pelo senador Aécio Neves (PSDB-MG) para tentar levar a eleição presidencial daquele ano na mão grande, a presidente Dilma Rousseff fez uma profecia relacionada a todos os políticos que tinham planos para estancar a sangria. “Eu quero aqui manifestar meu repúdio a esse tipo de processo, que é um processo golpístico. Quero dizer que eu tenho uma vida inteira que demonstra o meu repúdio à corrupção. Eu não compactuo com a corrupção, eu nunca compactuei. Quero que provem que eu compactuei com a corrupção e não esse tipo de situação em que se insinua e não tem prova. Nesse caso da Petrobras, ou qualquer outro, que tenha a ver com corrupção, eu vou investigar a fundo, doa a quem doer. Quero dizer que não vai ficar pedra sobre pedra”, afirmou.Dilma foi derrubada pelo golpe mais surreal da história, o dos corruptos contra a presidente honesta, num processo que tinha uma finalidade: estancar a sangria da Lava Jato, blindando políticos do PMDB e do PSDB. No entanto, a profecia de Dilma vem se cumprindo. Com o strike desta sexta-feira, três dos principais operadores de Michel Temer – José Yunes, coronel Lima e Wagner Rossi – foram presos, juntando-se a vários outros que já caíram, como Eduardo Cunha, Geddel Vieira Lima e Henrique Alves.Se isso não bastasse, o articulador maior do golpe dos corruptos, senador Aécio Neves (PSDB-MG), também deve se tornar réu em razão do escândalo JBS. Ou seja: enquanto os golpistas caem e se afundam em seu próprio mar de lama, Dilma fica de pé.

O aperitivo de chumbo do fascismo – Por Fernando Brito, do Tijolaço

O ataque a tiros ao ônibus de Lula tem vários autores, além do criminoso que apertou o gatilho pelo menos três vezes, ao mesmo tempo em que “minavam” a estrada vcom “miguelitos”, para furarem os pneus dos veículos e facilitar os disparos. São aqueles que açularam as bestas- feras. São muito bem apessoados e distintos, usando paletós e togas, sentados nos tribunais e redações. Todos os que quiseram “resolver” a política com a autoridade e o poder sem legitimidade, em lugar do voto, que não têm. Agora, não adiante dizer que “o atentado é intolerável”, porque é mera consequência do que fizeram. Fizeram e, sobretudo, estão fazendo. Porque não adianta protestar contra aquilo a que estão entregando o país ao dirar do povo brasileiro a última muralha que este país tem contra a horda fascista. Horda, sim, este é o nome, ainda que arraste muitos ingênuos. Ingênuos criados por espertos que, como defesa, alegam sempre que a vítima é a culpada, como fizeram com Marielle Franco e ensaiam fazer sobre o atentado. Mas de outros, nada ingênuos, que lotam os jornais e provocam nos blogs lamentando que não tenham executado o ex-presidente. É isto em que transformaram o Brasil. Vamos, senhores do alto conhecimento jurídico e da ideologia de primeiro mundo, lancem de vez este país na guerra de extermínio – de opiniões e de gente, porque um acaba no outro – e deixem que aqui se distribuam armas e ordens para matar. Levem nosso país para a barbárie que já se desenha. Terminem a sua obra e nos terão levado à idade do chumbo.

STF rejeita denúncia contra Jucá por corrupção e lavagem de dinheiro

 – A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitou a denúncia feita pela Procuradoria-Geral da República (PGR) no âmbito da Operação Zelotes contra o senador Romero Jucá (MDB-RR) e o empresário Jorge Gerdau. O senador é acusado de receber vantagens indevidas da ordem de R$ 1,33 milhão pago por Gerdau por meio de doação oficial entre os anos de 2010 e 2014 visando favorecer suas empresas em Roraima. Participaram da sessão que recusou a denúncia por unanimidade os ministros Dias Toffoli, Celso de Mello e o relator do inquérito, Edson Fachin. Os ministros Gilmar Mendes, que está em Portugal, e Ricardo Lewandowski não participaram da sessão. Jucá foi denunciado pela PGR em 2017 pelos crimes de lavagem de dinheiro juntamente com Gerdau. No início de março deste ano, porém, a Primeira Turma do STF acatou, por unanimidade, outra denúncia contra Jucá, pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro pelo recebimento de R$ 150 mil da Odebrecht em troca da aprovação de medidas provisórias que beneficiariam a empresa. Informações do G1

Madrinha coloca vestido à venda ao saber que noivo vota em Bolsonaro

 Mulher desiste de ser madrinha de casamento ao descobrir que noivo é fã de Bolsonaro  História foi compartilhada no Facebook por um fotógrafo de Vila Velha (ES)  Um vestido de R$ 1,8 mil foi colocado à venda na Internet depois que a dona dele desistiu de usá-lo em um casamento ao descobrir que o noivo seria fã do deputado federal e pré-candidato à Presidência da República (PSL), Jair Bolsonaro. Pelo menos é isso que conta o fotógrafo de Vila Velha (ES), Ciro Rocha, em sua conta pessoal no Facebook. Em postagem publicada neste sábado, o fotógrafo anuncia fotos do vestido e conta a seguinte história: de que a mulher, que seria madrinha de um casamento, decidiu boicotar a cerimônia ao descobrir que o noivo seria eleitor de Bolsonaro. “Miga, sua fina, elegante e sincera. Estou vendendo este lindo vestido de festa da grife Tons, tamanho M. Nunca usado! Ele custou R$ 1.800 e está sendo vendido por R$ 950”, disse Ciro Rocha na postagem.O vestido também está à venda no site OLX, por R$ 900, preço inferior ao anunciado no Facebook, e sem explicitar o motivo. Por volta das 9h30 deste domingo, o texto publicado na rede social acumulava comentários, entre defensores e críticos do presidenciável