A prisão do “jornalismo” – Por Felipe Gabrich

Prender o assassino da vereadora Marielle ninguém quer. Mas prender o ex-presidente Lula é sonho de consumo das Organizações Globo. Jornal, revista, jornal virtual, televisão e rádio dos Marinhos fazem marcação cerrada contra o ex-presidente. Isso não é de hoje. E nessa perseguição midiática os donos desses veículos de comunicação de massa não se importam nem mesmo com os absurdos cometidos pela área “jornalística”. E tampouco com a credibilidade da informação. Vive o “jornalismo” dos irmãos Marinho no mundo das insinuações, do isso não vem ao caso. A lei não existe para todos. Nem os princípios éticos e morais pilares do verdadeiro jornalismo. Como a matéria estampada nesta segunda-feira pelo G1 virtual, sob o título “Petistas já consideram que prisão de Lula é inevitável”. Petistas, quem do PT? A matéria não tem nomes, atribui-se a acusação a suposto amigo de Lula. Não existe o fato, inventa-o, essa parece ser a regra número um dos manuais de redação das Organizações Globo com relação à sua perseguição escancarada e vergonhosa a um ex-presidente da República do país. Por que o referido jornalismo não dá asas à imaginação de seus repórteres com uma notícia dizendo que foi fulano de tal que metralhou a vereadora carioca, principal assunto nacional do momento? Na mesma notícia, o G1 informa que o ex-presidente Lula iniciou nesta segunda-feira a sua caravana no sul do país. Este, que deveria ser o fato principal da matéria, aparece em plano secundário apenas para se dizer que não se falou de flores. Que tal uma notícia dizendo que foi o TRF-4 que pediu a prisão de Lula? * Felipe Gabrich é jornalista e colaborador do Em cima da notícia
O vampiro Temer quer continuar esculhambando com o Brasil

NÃO É PIADA: TEMER VAI DISPUTAR ELEIÇÃO PARA DEFENDER ‘LEGADO’ – Michel Temer, o governante mais impopular do mundo, que conquistou o poder por meio de um golpe e que já foi denunciado como corrupto e chefe de quadrilha, avisou a aliados que vai disputar a presidência da República em 2018 para defender o que fez no mandato usurpado da presidente legítima e honesta Dilma Rousseff. A informação é do jornalista Marcelo Moraes. “Michel Temer já começou a avisar seus principais interlocutores que está disposto a disputar a reeleição presidencial. Apesar dos baixos índices de aprovação do seu governo – 6% segundo o último levantamento do Instituto Ibope -, o presidente acha que ninguém melhor do que ele será capaz de defender seu legado e sua própria honra. Mesmo sabendo que esse patamar de popularidade é um obstáculo pesado para sua candidatura, Temer acha que poderá melhorar de situação com a confirmação da recuperação da economia e com outras medidas que pretende adotar até o final de seu mandato”, escreve.
Até quando o vampirão continuará sendo protegido pelo Supremo?

TEMER TERÁ DE PROVAR QUE ‘A MALA DE DINHEIRO NÃO ACONTECEU’, DIZ JANOT – Responsável por denunciar duas vezes Michel Temer, o ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot afirmou que o emedebista terá sustentar que “a mala de dinheiro não aconteceu. Que a compra do silêncio (de Eduardo Cunha) não aconteceu”. “Eu acho que ele vai ter alguma dificuldade de produzir essa prova técnica para se contrapor a toda a prova que já existe nesses dois processos. Os advogados do presidente vão ter muito trabalho”, disse Janot, em Bogotá, durante entrevista concedida à BBC Brasil. O ex-deputado Rodrigo Rocha Loures (MDB-PR) foi filmado com uma mala de dinheiro (R$ 500 mil), que seriam a primeira parcela de uma negociação de propina com a JBS para o congressista agilizar um processo junto ao Cade de uma usina termelétrica do grupo J&F. Por sua vez, na primeira denúncia Temer foi acusado de corrupção passiva, e na segunda de organização criminosa e obstrução judicial, sendo o primeiro ocupante da presidência denunciado por corrupção. Leia a íntegra da entrevista
Juízes federais fazem greve hipócrita e irrealista

– Paralisação defendeu mordomias e privilégios – Por Kennedy Alencar Além da controversa legalidade de greve de magistrados, a paralisação de ontem dos juízes federais mostrou desconexão com a sociedade e irrealismo fiscal. A Ajufe (Associação dos Juízes Federais do Brasil) fez um balanço. Segundo a entidade, houve adesão de 62% dos associados. O movimento foi convocado para defender o auxílio-moradia e reivindicar reajuste salarial de 40%. Segundo alguns advogados e professores de direito, seria ilegal juiz fazer greve. Mas, mesmo que magistrados tivessem tal direito, as reivindicações são absurdas. A defesa do auxílio-moradia, um penduricalho para ultrapassar o teto constitucional, não tem fundamento ético. Também é um pagamento controverso do ponto de vista legal _uma forma de descumprir o teto constitucional, como salário indireto, disfarçado. O pior, porém, é invocar o combate à corrupção para defender esse privilégio, como se acabar com essa mordomia fosse uma perseguição ao trabalho dos juízes. É uma mistura de hipocrisia e esperteza usar esse argumento. Justamente porque há um maior combate à corrupção no Brasil, a sociedade não tolera mais determinadas práticas. O combate à corrupção é um motivo a mais para acabar com o auxílio-moradia. Aliás, será preciso acompanhar com lupa a decisão que o STF tomará na semana que vem a respeito desse assunto. Não pode resultar apenas num julgamento para restringir o auxílio-moradia, mas numa determinação para acabar com uma farra criada por liminar do ministro Luiz Fux. O Supremo não pode ceder ao pior tipo de corporativismo. O pedido de reajuste de 40% não faz nenhum sentido. O atual salário já é fruto da incorporação de diversos penduricalhos feitos no governo Lula, mas a farra foi voltando ao longos dos anos. Essa reivindicação é uma afronta à sociedade. Demonstra gula econômica. O Brasil vive enorme crise fiscal. Mais uma vez, uma parcela da elite, uma casta de funcionários públicos, comporta-se como se fosse dona do Estado, com direito a privilégios e mordomias. Juízes não ganham pouco. Magistrados, com seus supersalários, são exemplos do patrimonialismo brasileiro. Gastos sociais importantes em saúde e educação sofreram queda. Falta dinheiro para políticas públicas destinadas aos mais pobres. Não há dinheiro sobrando para a educação e a saúde, mas os juízes querem ganhar mais. Em que país vivem esses magistrados? A elite tem responsabilidade maior numa hora de crise. Deveria fazer sacrifícios em vez de defender o indefensável. Seria importante que vozes importantes, como as do juiz federal Sergio Moro e do procurador da República Deltan Dallagnol, fossem ouvidas a respeito disso. Afinal, eles têm opinião sobre diversos assuntos e exercem uma liderança no Judiciário que é paralela à do STF. Ontem, enquanto milhares de pessoas protestavam contra o assassinato da vereadora Marielle Franco e choravam a morte covarde dela, juízes federais se comportaram como Marias Antonietas, para usar uma definição adequada do jornalista Fernando Brito. Ontem foi realmente o dia da vergonha no Brasil, com privilegiados defendendo sem pudor os seus brioches, mas o país real era e é o de Marielle Franco. Resistir é preciso Reações que culparam a vítima foram significativas nas redes sociais ao longo dia de ontem. Sempre são surpreendentes e assustadoras a falta de solidariedade em relação à dor alheia e a facilidade para agressões autoritárias e gratuitas. Essas coisas se tornaram comuns no Brasil. Mas, num dia tão triste como o de ontem, houve motivo para encontrar alguma alegria: ver a reação de milhares de pessoas que foram às ruas para homenagear e honrar a vida e a luta de Marielle Franco. É preciso resistir em defesa da civilização, contra a barbárie que é do agrado de figuras execráveis da vida pública e dos pequenos fascistas que saíram do armário.
As Marias Antonietas de toga – Por Fernando Brito

Enquanto o assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes toma conta das conversas entre as pessoas em todo o país, nos salões refrigerados dos prédios da Justiça, em todo o país, os senhores magistrados e promotores faziam sua “greve” em defesa do auxílio-moradia indiscriminado e de reajustes dos vencimentos que, nas palavras do presidente da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra), Guilherme Feliciano, “hoje estariam em R$ 47 mil”. Pobres coitados, chegam a dizer que estão sendo perseguidos. É o escárnio escancarado em um país que tem juízes – e muitos, quase 20 mil – e não tem Justiça e que tem outros milhares de promotores de Justiça que não a promovem, preferindo dedicar-se à uma espécie de cruzada moralista que perdeu todos os cuidados com a honra alheia e que transforma julgamentos em linchamentos. É o deboche à inteligência humana, que se soterra ante a histeria de quem diz que uma sociedade que encarcera 700 mil pessoas, quase, tem de resolver seus problemas imensos de segurança prendendo mais gente e por mais tempo. Poucos e raros dos “gravatinhas” que querem ganhar quase R$ 50 mil, afora “penduricalhos”, tiveram a coragem trágica de agir, com a energia devastadora que agem quando se trata de criminalizar a política quando lhes caíam às mãos, às centenas, indícios de que as corporações policiais estavam infestadas até a medula por esquemas de controle do tráfico de drogas, de armas, de contrabando, de todos os ilícitos que se possa imaginar. Um destes casos, todos recordam, foi o da juíza Patrícia Acioli, assassinada com 21 disparos, aqui perto de casa, por ter sido a responsável pela prisão de cerca de 60 policiais ligados a milícias e a grupos de extermínio. Se houvesse no país um Ministério Público digno deste nome, o Ministro da Justiça seria chamado a explicar-se por ter dito, com todas as letras, há seis meses, que comandantes de batalhões da PM fluminense eram “sócios do crime organizado”. Quem pode garantir que não veio de um destes sócios o medonho comando para a morte de Marielle, que deixa pendurado no pincel o general interventor da Segurança e suas anunciadas – apenas anunciadas – intenções de moralizar a polícia. Pois não foi preciso atravessar a distância entre intenção e gesto para que lhe jogassem um cadáver aos pés. Num caso com tudo para ter toda a imensa repercussão que está tendo aqui e lá fora e que mostra o quanto é estúpida e constrangedora a tática primária de “fichar pelo celular” os moradores desta ou daquela favela. Os juízes gulosos, os policiais corruptos que comandam ou se associam às drogas e armas, os políticos que se associam a este jogo hipócrita de pedir mais penas e mais balas sobre os “bagrinhos do crime” e a mídia que despertou a corja de imbecis que se regojizam nos sites e redes da internet por ter sido assassinada uma mulher a quem, por defender pobres, chamavam de defensora de bandidos são todos parte do cinismo dominante da sociedade brasileira. Eles são o caldo podre de uma cultura de repressão e de morte, cujos antídotos – a justiça social, a educação, a polícia e o judiciário que ajam sobre as causas e não sobre o varejo das consequências da criminalidade – se tornaram “malditos”. O crime, afinal, é um bom negócio para eles: garante-lhes os empregos, o reconhecimento dos salões, o “faz diferença”. Portanto, que se elimine qualquer um que tente tornar este país um pouco menos dividido. Fernando Brito é editor do Tijolaço O Brasil das elites pode ser bem vestido, bem banhado, perfumado. Mas como fede.
CONSUMO DE IMPORTADOS SUBIU 17%, APÓS O GOLPE

MESMO SEM BATER PANELA, CNI, QUE APOIOU O GOLPE, RECLAMA A Confederação Nacional da Indústria (CNI), que, sob a presidência de Robson Andrade, apoiou o golpe parlamentar de 2016, e viu a economia brasileira arruinar desde então, divulgou nesta quinta-feira, 15, estudo que mostra que o consumo de produtos importos cresceu 17% em 2017, depois de cair por três anos. Leia reportagem da Agência Brasil sobre o assunto: Depois de três anos de queda, o consumo de produtos importados cresceu em 2017 no Brasil. De acordo com dados divulgados hoje (15) no estudo Coeficientes de Abertura Comercial, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), de cada 100 produtos vendidos no Brasil no ano passado, 17 eram importados. Em 2013, 18,2% dos produtos vendidos no mercado interno eram estrangeiros. Desde então, esse percentual caiu, chegando a 16,4% em 2016. Em 2017, subiu para 17%. Os importados também voltaram a ganhar participação no total de insumos utilizados pela indústria. Em 2013, a participação desses produtos era de 26,1%. Em 2014 começou a cair, chegando a 22,5% em 2016. Em 2017, foi de 23,5%. Além do aumento de importados, a participação dos produtos exportados manteve-se praticamente constante, interrompendo uma sequência de altas que vinha desde 2015. O coeficiente de exportação da indústria de transformação passou de 15,7% em 2016 para 15,6% em 2017. O coeficiente mede a importância das vendas externas para o setor. Em 2017, a indústria de transformação registrou aumento de 3,6% do volume produzido, acompanhado de crescimento menor do volume exportado (2,3%). Com isso, o coeficiente recuou 0,1 ponto percentual, o que corresponde a uma redução de 1,2%. Real é valorizado diante do dólar O aumento da participação dos importados no mercado nacional e a perda da importância das exportações na produção da indústria decorrem “da recuperação do consumo interno e da valorização do real diante do dólar”, diz a economista da CNI, Samantha Cunha, em nota divulgada pela confederação. Segundo a CNI, o crescimento da demanda repercute nas importações e na produção para o mercado doméstico, aumentando sua importância relativa para a indústria. A apreciação do real estimula as importações e desestimula as exportações. Entre 2015 e 2017, o real valorizou 13,4% frente à cesta de moeda de seus principais parceiros comerciais. O estudo, disponível no site da CNI, apresenta os resultados de quatro coeficientes: o de exportação, que mede a participação das vendas externas no valor da produção da indústria de transformação; o de penetração de importações, que acompanha a participação dos produtos importados no consumo brasileiro; o de insumos industriais importados, que aponta a participação dos insumos industriais importados no total de insumos industriais adquiridos pela indústria de transformação; e o de exportações líquidas, que mostra a diferença entre as receitas obtidas com as exportações e as despesas com a importação de insumos industriais, ambas medidas em relação ao valor da produção.
Auxílio-moradia custa R$ 5 bilhões e juízes farão greve para manter privilégio

STF discute legalidade ao auxílio de R$4.377 por mês no próximo dia 22 de março apenas com entidades de classe Juízes federais decidiram que vão parar os trabalhos no dia 15 de março em protesto pela possibilidade de revisão dos benefícios concedido à classe. No centro do debate está o auxílio-moradia recebido pelos magistrados no valor de R$ 4.377 por mês. Segundo a Ajufe, a Associação dos Juízes Federais do Brasil, a polêmica em torno do benefício é “seletiva” e ocorre como forma de retaliação à Operação Lava Jato. Antônio Escrivão Filho, professor de direito da UNB e membro do conselho da organização Terra de Direitos, discorda desse argumento. Para ele, os juízes estão confundindo o que é direito e o que é privilégio dentro de uma sociedade desigual como a brasileira. Além disso, destaca que a verba teria caráter indenizatório e não compulsório. Ou seja, como está é imoral. “O auxílio-moradia é previsto como indenização para um juiz que tem que se deslocar e tem gastos com moradia e alimentação em um local onde não reside. Não faz qualquer sentido o juiz residir num local, ter residência própria e receber uma verba de indenização, por isso, neste caso, se trata de privilégio e não de direito”, afirma. Dados da Ong Contas Abertas revelam que de setembro de 2014 a dezembro de 2017, apenas o auxílio-moradia custou cerca de 5 bilhões de reais à União e aos estados. Ao todo, apenas 30 mil servidores são beneficiados, sendo 17 mil magistrados e 13 mil membros do Ministério Público. O valor é mais do que quatro vezes maior que o salário mínimo, que passou de R$ 937 no ano passado para R$ 954, em 2018, com reajuste de 1,81%, o menor índice dos últimos 24 anos. A polêmica começou quando foi revelado que Sergio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, recebe R$ 4.377 por mês de auxílio-moradia apesar de possuir imóvel próprio na capital paranaense. Desde setembro de 2014, por força de liminares do ministro Luiz Fux, do STF, todos os juízes federais passaram a ter direito ao auxílio-moradia. De acordo com nota da Ajufe, 81% dos 1.300 votantes concordaram com a greve de um dia. ” Os atos servirão para trazer a público, mais uma vez, o fato de que as magistraturas estão sob ataque insidioso e forte retaliação”, diz. Somando as verbas adicionais, cerca de 71% dos juízes recebem acima do teto salarial constitucional estabelecido em R$33 mil mensal. A advogada Maria Eugenia Tromvini, integrante da Articulação JusDH (Justiça e Direitos Humanos), critica essa política pública corporativista fixada por meio de decisão judicial. Ela conta que a verba paga aos magistrados não requer que eles comprovem os gastos, além de não ser tributado pelo Imposto de Renda.”Ela passa a ser uma verba remuneratória e essas verbas, por determinação constitucional, não podem exceder o teto”, explica. Para a advogada, a regulamentação da Lei Orgânica da Magistratura Nacional deve ser feita via Lei Complementar e não decisão judicial. “Algo foi fixado pelo Supremo [e é do interesse dos juízes], passa a ter uma possibilidade bem limitada de mudança. Para quem vamos recorrer para discutir a constitucionalidade de uma benefício fixado pela corte constitucional?”, questiona. O ministro Luiz Fux indeferiu em fevereiro, o ingresso de entidades da sociedade civil nos processos que discutem o pagamento de auxílio-moradia à magistratura no próximo dia 22 de março. Na mesma decisão, Fux – ex-juiz de carreira – acolheu os pedidos de entidades de classe interessadas na manutenção do benefício. Via Brasil de Fato
Mentira e liberdade – Por Felipe Gabrich

A arte imita o cinema? Ou o cinema imita a arte? Arte e cinema imitam a vida? Ou a vida imita a arte e o cinema? Magnífico o filme “The Post – A guerra secreta”, um dos indicados para receber o Oscar este ano. Uma autêntica aula sobre a liberdade de imprensa, não só para os amantes da sétima arte, mas para todas as pessoas do mundo moderno fascinadas com os direitos individuais dos cidadãos. O roteiro é de um episódio que teria ocorrido em Nova Iorque em 1971, quando a empresária Katharine Graham (dona do jornal) e Ben Bradlee (editor) do Washington Post arriscam suas carreiras e a própria liberdade para expor segredos governamentais que abrangem três décadas e quatro presidentes dos Estados Unidos. A direção do filme é de Steven Spielberg, que dá um show de imagens e parece dar vida ao roteiro. A história poderia ser assim sintetizada: Kat Grahan (interpretada por Meryl Streep), é a dona do Washington Post, um jornal nova-iorquino que está prestes a lançar suas ações na Bolsa de Valores. Eles tiveram acesso a documentos sigilosos do Pentágono que mostravam que vários governos norte-americanos mentiram acerca da atuação dos States na Guerra do Vietnã. As mesmas denúncias estavam sendo publicadas pelo New Iork Times, mas haviam sido proibidas de publicação, em função de uma ação movida na justiça contra aquele jornal pelo presidente Richard Nixon, com base da Lei de Espionagem. Contra os conselheiros e investidores, Kat Grahan autoriza o seu editor Ben Bradlle a publicar as denúncias, o que valeu nova ação na justiça pelo presidente norte-americano. Por 6 votos a 3 a Alta Corte da Justiça dos Estados Unidos deu ganho de causa ao jornal e sentenciou favoravelmente a favor da liberdade de imprensa. Para o Brasil, em particular, que vive um estado de exceção, em virtude de um golpe parlamentar e midiático, com o apoio de algumas instituições, que derrubou a Presidenta Dilma Rousseff de seu cargo, várias são as lições a serem extraídas do episódio abordado pelo filme. Em primeiro lugar, o exemplo impecável e irretorquível da magnitude da liberdade de imprensa num país considerado a maior potencial social e econômica do planeta. Em segundo, políticos governantes e presidentes de instituições, públicas e privadas, precisam parar de vez com essa mentirada à opinião pública, em troca de espaços pagos à mídia chapa branca. Terceiro, os juízes das cortes mais elevadas do país também necessitam urgentemente reformular os seus princípios éticos de isenção e imparcialidade em seus julgamentos. E por último, todos os cidadãos devem defender com unhas e dentes a liberdade de expressão, direito inato da cidadania em qualquer parte do mundo. Principalmente o homem do povo brasileiro. * Felipe Gabrich é jornalista
Funcionários dos Correios entram em greve contra perda de direitos

– Servidores dos Correios entraram em greve nacional por tempo indeterminado. Oficialmente, o movimento começou no domingo (11) a partir das 22h, com a paralisação do trabalho pelos funcionários do turno da noite. De acordo com a Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect), os trabalhadores são contra mudanças no plano de saúde da empresa, que preveem o pagamento das mensalidades pelos funcionários e a retirada de dependentes dos contratos. “Além disso, o benefício poderá ser reajustado conforme a idade, chegando a mensalidades acima de R$ 900”, informou a Fentect, em nota, ressaltando que o salário médio dos trabalhadores dos Correios é de R$ 1,6 mil – “o pior salário entre empresas públicas e estatais”. O início da greve coincide com o julgamento sobre o plano de saúde dos trabalhadores no Tribunal Superior do Trabalho (TST), nesta segunda (12). A greve é motivada também por alterações propostas pelo governo de Michel Temer no Plano de Cargos, Carreiras e Salários; a terceirização na área de tratamento; a suspensão das férias dos trabalhadores; a extinção do diferencial de mercado e a redução do salário da área administrativa; medidas unilaterais que indicam que o governo mira a privatização da estatal. Além disso, entre as demandas da categoria estão a contratação de novos funcionários por meio de concurso público, a segurança dos trabalhadores e o fim dos planos de demissão. A federação também é contra a extinção e terceirização do cargo de operador de triagem e transbordo, “importante para o movimento do fluxo postal interno”. “Para piorar a situação, a empresa também anunciou o fechamento de mais de 2.500 agências próprias por todo o Brasil”, diz a nota da Fentect. Para a categoria, o “desmonte” promovido pela gestão dos Correios tende a prejudicar ainda mais os serviços à população. “A Fentect esclarece que alguns argumentos repassados transmitem uma visão enganosa da realidade na estatal. Por exemplo, quanto ao monopólio dos Correios, que, hoje, corresponde apenas a cartas, malote e telegrama. O segmento de encomendas, como o Sedex, entretanto, sempre foi concorrencial”, informou. Quanto ao reajuste dos preços dos serviços da estatal, a federação discorda de que houve aumentos abusivos nos valores. No dia 6 deste mês, os Correios começaram a cobrar uma taxa extra de R$ 3 para encomendas com destino ao Rio de Janeiro. O motivo seria a elevação dos custos da entrega por causa da violência no município. A federação alega que o aumento não beneficiou os trabalhadores. “Já em relação ao argumento da ECT para esse reajuste a respeito da segurança dos trabalhadores, a Fentect esclarece que não há nenhum benefício pago ao trabalhador por esse motivo, bem como nenhum adicional”. No dia 9, após decisão da Justiça Federal, a estatal suspendeu a cobrança. Para a Fentect, a empresa não onera o governo federal ou o bolso do cidadão com arrecadação de impostos. “Ao contrário, é o governo quem tem retirado verbas da empresa, sem retorno, nos últimos anos, da ordem de R$ 6 bilhões”, informou. “Com todos os erros e ingerências políticas na administração dos Correios, a direção da estatal promove essas e outras retiradas de direitos dos próprios trabalhadores, responsabilizando-os pelos danos da ECT.” A assessoria dos Correios não respondeu aos chamados da reportagem durante o fim de semana. Fonte: Rede Brasil Atual
Grito de liberdade – Por Felipe Gabrich

Era o todo poderoso PSD. Desde menino, o velho partido das classes dominantes comandava a política tupiniquim. Fazia e desfazia prefeitos. E Câmara de Vereadores. Por sinal, vereador não ganhava nada. Tinha apenas prestígio popular. Como os “coronéis” Deba e Neco Santamaria. Depois surgiu a arenona dos governos da ditadura militar. Foi aí que um bando de meninos rebeldes ainda em bancos escolares pensou: por que a juventude não tem vez na política partidária da cidade? Por que os jovens não constroem a cidade progressista tão sonhada pelos mais novos? Criou-se então o MDB para aglutinar essa meninada insurgente. A memória ainda se lembra de alguns nomes: João Avelino, José da Conceição, Luiz Tadeu Leite, Manoel Messias, Miguel Vinícius, Pedro Narciso, Aparecida Bispo, Carlão Alcântara, Zé Maria Peito de Aço e mais uma meia dúzia de sonhadores. Depois, o partido só foi crescendo: doutor Aroldo Tourinho, João Carlos Sobreira, Orlando Pereira, os irmãos Mário e Genival Tourinho (este estudando em Belo Horizonte), Nozito Mota, Augustão Bala Doce, João Carlos Revert, Paulo César Gonçalves de Almeida, Tião de Lu, Adão Machado e muitos outros. Mas a autoritária Arena militar continuava mandando. E chamava a seus opositores de subversivos. E diziam jocosamente que a agremiação oposicionista era um partido tão grande que as suas reuniões ocorriam no interior de uma Kombi. Mas o pequeno partido foi crescendo na surdina e tomando corpo de uma força popular. E a cada ano penetrando no seio da sociedade montes-clarense, inclusive, na zona rural, de distritos de expressivos colégios eleitorais. Já em 76, o MDB elegeu três vereadores, dentre os quais, o mais jovem do Brasil: Tadeu Leite, que à época mantinha um programa de rádio líder de audiência chamado Boca no Trombone. E em 1982, com a adesão da velha raposa da política tupiniquim, ressurgindo do ferrenho Partido Republicano de priscas eras, o extrovertido e popular médico Mário Ribeiro, ganhou a Prefeitura e assumiu as rédeas da política municipal. Toda essa luta teve lugar nos anos de chumbo da ditadura militar, tempo em que os governadores de Minas eram indicados pelo presidente da República de plantão. Não havia ideologias de esquerda e de direita. Havia sim, uma oligarquia civil que mandava e desmandava nos destinos da cidade, as eternas classes dominantes. E um grupo de jovens idealistas que queria que o povo fosse o dono do próprio nariz e imprimisse uma nova visão de desenvolvimento do município. Que tinha a estrutura de uma cidade de porte médio, mas uma política que pensava pequeno. E não houve movimentos populares como o Diretas-já. Houve sim, uma revolução calada nas urnas, onde o povo deu o seu próprio grito de liberdade. O metalúrgico Lula, líder sindical, travou luta idêntica, em nível nacional. Para empreender suas batalhas, fundou o Partido dos Trabalhadores. E saiu de peito aberto pelo país afora sem medo de ser feliz. Com habilidade, carisma e jogo de cintura, ele conseguiu o consenso de todas as correntes de pensamento do país e caiu nos braços do povo. Sem ideologia de esquerda e de direita, tinha na cabeça e no bolso o idealismo dos que sonham em fazer do país uma nação mais justa e igualitária. Suas políticas sociais foram moldadas nas letras da mais fina sociologia de quem nunca sequer soletrou a cartilha do socialismo como forma de governo. “Vou fazer o que o povo necessita e quer”, pensou com seus botões, e começou a fazer, como se estivesse empunhando com maestria um torno mecânico. O nordestino analfabeto e de quatro dedos na mão direita foi presidente da República por duas vezes, elegeu e reelegeu sua sucessora. Ia lá tocando o seu partido em direção à invejável marca de 20 anos no comando político nacional. Por ironia ou capricho do destino, no entanto, teve o seu sonho transformado em pesadelo pelos adversários políticos e por setores da elite organizada. Tudo começou com o vergonhoso impeachment da presidenta Dilma Rousseff. A partir do golpe de estado, ex-presidente populista tem sofrido, ao longo dos últimos dois anos, a maior perseguição dos segmentos reacionários e de uma mídia marrom que querem vê-lo e a seu partido bem longe do poder político nacional. Que lhe valeu, inclusive, uma condenação judicial em segunda instância e a ameaça latente de prisão e perda dos direitos políticos por oito anos. Uma história e tanto, não? Mas infelizmente ainda há poderes e instituições neste pais que não se lembram dela. (*) Felipe Gabrich é jornalista e colaborador do Em cima da notícia