É a percepção do povo, estúpido! Por Laurez Cerqueira

 Diálogo num posto de gasolina: – Ponha vinte contos. – Cartão ou dinheiro? – Dinheiro. Não tenho mais cartão. – A gasolina tá cara, né? – Rapá! E o gás? – Tiraram a Dilma dizendo que ia melhorar, mas piorou! … Aqui no posto é carteira assinada? – Era. O patrão demitiu todo mundo. Agora a gente trabalha por hora. – Na padaria, onde eu trabalho, também. Até eu, padeiro, trabalho por hora. – Todo mundo aqui está recebendo metade do que recebia com carteira assinada. E não tem mais tiket alimentação, transporte, férias, décimo terceiro, aquelas coisas que tinham, né? – Voltou a escravidão. – Eu sou solteiro, me viro, mas já pensou quem tem mulher e filhos? – Meu patrão é mau. Vive gritando com a gente como se nós fossemos escravos. Só falta o chicote. – O meu, nem aqui vem. Ele tem 12 postos de gasolina. Botou um gerente que anota até o tempo que a gente vai ao banheiro. Desconta tudo. Chega no fim do dia a gente recebe sem saber quantas horas trabalhou. – Rapá! Lá na padaria também está assim. E se reclamar vai demitido. Tem hora que eu fico tão nervoso, revoltado, que me passa umas coisas malucas na cabeça. – É muita humilhação! A gente virou escravo mesmo. Não temos mais direitos. Tive que vender meu Monza. Meu ganho aqui caiu muito. A gasolina e o gás diapararam, e eu não estava conseguindo pagar conta de celular e as prestações. – Escravidão? Mate o patrão! – Tá doido, véi! – Não estou doido não. Hoje mesmo o gerente me chamou pra conversar. Disse que eu estou muito lerdo, que tem muita gente querendo meu lugar. Eu me matando de trabalhar, chego em casa morto de cansado, no dia seguinte pego dois ônibus, venho pra cá e fico ouvindo essas coisas do gerente o dia inteiro, ganhando uma miséria. Tem hora que dá vontade mesmo, de fuzilar. – Eu, tenho que chegar na padaria quatro horas da manhã, e é a mesma coisa: o patrão gritando comigo e me ameaçando. Tem hora que dá vontade mesmo. (*) O gerente grita com o frentista, manda ele encerrar o atendimento e o chama para lavar carro, no Lava-Jato. A gangorra política está se invertendo. O manto da mentira, que cobria o golpe de estado, se esfarrapou. A reforma trabalhista, a terceirização, e a perseguição implacável da “operação Lava-Jato” ao ex-Presidente Lula, parecem ser os fatores causadores do maior desgaste do golpe, na opinião pública, por baterem na porta das casas dos trabalhadores brasileiros como anúncio de empobrecimento, de roubo da renda e de direitos, e pelo fato de juízes e procuradores mergulharem a justiça no pântano da descrença nas instituições. A divulgação da folha de pagamento mostrando a corrupção de juízes, desembargadores e procuradores recebendo muito acima do teto salarial determinado por lei tem causado revolta e indignação na sociedade, e, evidentemente, a perda de confiança e respeito pela justiça, um dos mais preciosos bens da democracia. A demissão em massa, em todo o país, de quem tinha carteira de trabalho assinada, para contratação em regime de trabalho intermitente (por hora), está reduzindo drasticamente o ganho dos trabalhadores e bloqueando a mobilidade social. Enquanto isso, a mídia mente, afunda também no descrédito, dizendo que a economia está crescendo e o Brasil saindo da crise. Os órgãos que cuidam das informações oficiais, por sua vez, desmentem o noticiário. A construção civil, por exemplo, setor que mais emprega, teve uma queda neste ano de 6%, com demissão de 105 mil empregados. O setor de serviços, até outubro já havia acumulado queda de 3,4%. Na comparação do acumulado no ano até setembro de 2017 e igual período de 2016, a queda da indústria chega a 3,4%. As mentiras do juiz Sérgio Moro e do procurador Deltan Dallangnol também estão na praça, à luz do dia. A injustiça deles está nua. Ficaram claras a perseguição ao ex-Presidente Lula e a proteção a Aécio Neves, um dos principais conspiradores do golpe, e dos tucanos envolvidos em corrupção, todos impunes. A credibilidade da “operação Lava-Jato” e de Sérgio Moro estão ruindo, segundo pesquisa do Instituto Ipsos, enquanto o ex-Presidente Lula dispara na preferência do eleitorado, em todos os institutos de pesquisa, podendo ser eleito no primeiro turno das próximas eleições. É sintomático o fato de os magistrados do Tribunal Federal de Recursos (TRF-4) apressarem o julgamento do recurso do ex-Presidente Lula contra a decisão do juiz Sérgio Moro de condená-lo, sem provas, e marcarem para o próximo dia 24 de janeiro. Eles perceberam o desmoronamento da credibilidade da Lava-Jato. Outro fato relevante foi a atitude do procurador Deltan Dallangnol, que, por não conseguir nenhuma prova, recusou os recibos originais e periciados apresentados pelos advogados de defesa, de pagamento do aluguel de um apartamento que prova não ser o ex-presidente proprietário do imóvel. Por outro lado, as redações da grande mídia se desesperam. Recorrem ao estoque de mentiras e crueldades de autoridades da Lava-Jato para disseminar, dia e noite, ódio contra o ex-Presidente Lula, a fim de legitimar as ações de Moro e Dallangnol. Âncoras e comentaristas, nas telas, não se conformam e não conseguem conter a aflição ao verem a gangorra virar contra eles. Se fosse apenas um ou outro instituto de pesquisa que tivesse revelado a opinião pública e a avaliação política dos brasileiros sobre o golpe, a operação Lava-Jato e a preferência eleitoral para a próxima eleição, poderia até ser questionado. Mas são todos os institutos de pesquisa que demonstram claramente uma mudança rápida e radical da percepção da população sobre o que está acontecendo no Brasil. Por mais dinheiro que Temer tenha injetado nas grandes corporações de mídia, para garantir apoio ao golpe, a realidade se impõe e o povo percebe o jogo político. Os grupos Abril e Globo, por exemplo, andam mal, beirando o precipício, tendo que reduzir custos, mais uma vez, e demitir empregados. A revista encalha nas bancas e os telejornais despencam os

O dedo do Lula – Por Emir Sader

 Dois ídolos do ódio racista que a direita promoveu no Brasil, Jair Bolsonaro e Sergio Moro, usaram o dedo do ex-presidente Lula para expressar seus valores. Bolsonaro imprimiu e difundiu camisetas em que aparece a mão de Lula com quatro dedos, explorando o defeito físico do maior líder popular que o Brasil já teve. Moro, conversando com seus comparsas, se refere ao maior dirigente político que o país tem como “nine”, uma forma depreciativa de mencionar Lula. Condenou Lula, sem provas, a nove anos e meio, achando que era uma ironia sobre os dedos de Lula. São duas formas de expressão em que se revelam personalidades desprezíveis, odiosas, execráveis, de preconceito e de tentativa de desqualificação de um líder popular, de um operário, de um imigrante nordestino. Coisas que incomodam profundamente a direita brasileira e por isso ela se expressa, através de seus lideres, dessa forma. Expressam bem o que é a elite branca brasileira do centro sul, que se considera dona do país e sempre buscou tratar aos outros – os de origem popular, os do Nordeste, os trabalhadores como bárbaros, selvagens, “mal informados”, como disse o outrora líder dessa gente, o FHC. A sociedade brasileira teve sempre a discriminação como um dos seus pilares. A escravidão, que desqualificava, ao mesmo tempo, os negros e o trabalho – atividade de uma raça considerada inferior – foi constitutiva do Brasil, como economia, como estratificação social e como ideologia. Uma sociedade que nunca foi majoritariamente branca teve sempre como ideologia dominante a da elite branca. Sempre presidiram o país, ocuparam os cargos mais importantes nas FFAA, nos bancos, nos ministérios, na direção das grandes empresas, na mídia, na direção dos clubes, nas universidades, nos governos – em todos os lugares em que se concentra o poder na sociedade, estiveram sempre os brancos. A elite paulista e do sul do país representa melhor do que qualquer outro setor esse ranço racista. Nunca assimilaram a Revolução de 30, menos ainda o governo de Getúlio Vargas. Foram derrotados sistematicamente por Getúlio e pelos candidatos que ele apoiou. Atribuíam essa derrota aos “marmiteiros” – expressão depreciativa que a direita tinha para os trabalhadores, uma forma explícita de preconceito de classe. A ideologia separatista de 1932 – que considerava São Paulo “a locomotiva da nação”, o setor dinâmico e trabalhador, que arrastava os vagões preguiçosos e atrasados dos outros estados – nunca deixou de ser o sentimento dominante da elite paulista em relação ao resto do Brasil. Os trabalhadores imigrantes, que construíram a riqueza de São Paulo, eram todos “baianos” ou “cabeças chatas”, trabalhadores que sobreviviam morando nas construções – como o personagem que comia gilete, da música do Vinicius e do Carlos Lira, cantada pelo Ari Toledo, com o sugestivo nome de pau-de-arara, outra denominação para os imigrantes nordestinos em São Paulo. A elite paulista foi protagonista essencial nas marchas das senhoras com a igreja e a mídia, que prepararam o clima para o golpe militar e o apoiaram, incluindo o mesmo tipo de campanha de 1932, com doações de joias e outros bens para a “salvação do Brasil” – de que os militares da ditadura eram os agentes salvadores. Terminada a ditadura, tiveram que conviver com Lula como líder popular e o Partido dos Trabalhadores, contra quem canalizaram seu ódio de classe e seu racismo. Lula é o personagem preferencial desses sentimentos, porque sintetiza os aspectos que a elite paulista mais detesta: nordestino, não branco, operário, esquerdista, líder popular. Não bastasse sua imagem de nordestino, de trabalhador, sua linguagem, seu caráter, está em sua mão: Lula perdeu um dedo não em um jet-sky, mas na máquina, como operário metalúrgico, em um dos tantos acidentes de trabalho cotidianos, produto da super exploração dos trabalhadores. Está inscrito no corpo do Lula, nos seus gestos, nas suas mãos, sua origem de classe. É insuportável para o racismo da elite branca brasileira. Essa elite racista teve que conviver com o sucesso dos governos Lula, depois do fracasso do seu queridinho – FHC, que saiu enxotado da presidência – e da sua sucessora, Dilma Rousseff. Teve que conviver com a ascensão social dos trabalhadores, dos nordestinos, dos não brancos, da vitória da esquerda, do PT, de Lula, do povo. O ódio a Lula é um ódio de classe, vem do profundo da burguesia paulista e do centro sul do país e de setores de classe média que assumem os valores dessa burguesia. O anti-petismo é expressão disso. Os tucanos foram sua representação política e a mídia privada seu porta-voz. Da discriminação, do racismo, do pânico diante das ascensão das classes populares, do seu desalojo da direção do Estado, que sempre tinham exercido sem contrapontos. Os Cansei, a mídia paulista, os moradores dos Jardins, os adeptos de FHC, de Serra, de Moro, dos otavinhos – derrotados, desesperados, racistas, decadentes. Na crise atual, a burguesia e setores da classe média do centro sul protagonizaram algumas das cenas mais vergonhosas da história brasileira, nas manifestações contra a democracia, a favor do golpe e da ditadura militar, exibindo suas dimensões mais fascistas e discriminatórias. Colocavam pra fora o ódio contra os que tinham regulamentado o trabalho das empregadas domésticas, que já não serviriam à opressão e à exploração indiscriminada das patroas. Contra os que tinham transformado o Nordeste, que tinham aberto as universidades para os jovens pobres, contra os que tinham permitido aos pobres de viajar para ver seus parentes ou para fazer turismo. Contra os que fizeram do Brasil um país menos injusto, menos desigual, contra os que tiraram o país do Mapa da Fome, a que as elites brancas tinham condenado o povo para sempre. E Lula sempre foi e continua sendo a expressão mais alta desse movimento de democratização social do Brasil. Gente como Bolsonaro e Moro ofendem a Lula porque sabem que assim ofendem ao povo, aos trabalhadores, aos nordestinos. Tentam desconhecer que a indústria brasileira foi construída com as mãos de operários como Lula, que os carros em que eles passeiam foram construídos por trabalhadores como Lula.

Petrobras anuncia novo aumento na gasolina

 A Petrobras anunciou novo reajuste de 1,1% para a gasolina e de 0,5% para o diesel, que começa a valer hoje. O último aumento havia sido na quinta-feira, com a gasolina subindo 1,4% e o diesel, 0,7%.  O diretor do Centro Brasileiro de Infra-estrutura (CBIE), Adriano Pires, explicou que essa instabilidade de preços nos combustíveis é normal e esperada desde a nova política de preços da Petrobras, iniciada em 3 de julho. Os ajustes passaram a acompanhar o mercado internacional. Para ele, essa fórmula estimula a concorrência e os consumidores terão de buscar postos que estejam com promoções. “O petróleo é uma commodity, então, quando aumenta no mercado, é normal que isso seja repassado e o consumidor sinta pesar um pouco o bolso”, disse.Porém, não custa relembrar do histerismo dos coxinhas, principalmente dos caminhoneiros, quando tinha qualquer aumento de combustível na época da presidenta Dilma. Veja por exemplo, como a Globo tratou preço da gasolina com Dilma e como trata com TemerSem palavras.

Maus caminhos: pau que bate em José Melo não bate em Aécio

 O ex-governador do Amazonas José Melo, que é do Pros, foi preso acusado de comprar votos e de ter usado dinheiro público para asfaltar o acesso ao sítio de sua propriedade. Enquanto isso, o ex-governador de Minas Aécio Neves, acusado de construir um aeroporto em sua fazenda, e que é do PSDB, continua solto.  A Polícia Federal (PF) prendeu nessa quinta-feira (21), em Manaus, o ex-governador do Amazonas José Melo (Pros), cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por compra de votos nas eleições de 2014. A prisão temporária, inicialmente por um prazo de cinco dias, faz parte da operação Estado de Emergência, terceira fase da operação Maus Caminhos, que investiga desvios de agentes públicos no Amazonas.Melo é suspeito de ser um dos políticos que receberam propina, originada de valores desviados do Fundo Estadual de Saúde, para direcionar contratos, liberar pagamentos e acobertar os crimes praticados no sistema de saúde do estado. Segundo a PF, os fatos envolvendo o ex-governador na operação, que começou em 2016, “somente apareceram após o avanço da investigação e dão conta de que este recebia pagamentos periódicos dos membros da organização criminosa”.Enquanto isso, o ex-governador Aécio Neves construiu um Aeroporto feito com dinheiro público em área da família de Aécio quando governou Minas Gerais. Trata-se do aeroporto de Cláudio (cidade de 25 mil habitantes) por 14 milhões pagos pelo governo do estado Cocaína – Também ninguém fala mais nada sobre o helicóptero apreendido com 600 quilos de cocaína. De quem era aquela droga? Tudo bem, era do piloto e ponto final. Outra caso emblemático foi o Lunus, que acabou com a candidatura de Roseana Sarney e favoreceu José Serra na disputa de 2002. Desde o governo Collor, a velha mídia passara a se valer de dossiês, falsos ou verdadeiros, relevantes ou meros factóides, como ferramenta do jogo político. O auge se deu no episódio Lunus. Roseana Sarney começara a crescer vigorosamente nas pesquisas eleitorais que antecederam a escolha do candidato do governo de FHC. Em determinado dia seu escritório de campanha foi invadido pela Polícia Federal e Ministério Público, acompanhados de jornalistas – especialmente da TV Globo. Posteriormente, constatou-se que tanto do lado da PF quanto do MP, estavam envolvidos funcionários públicos diretamente ligados ao pré-candidato José Serra. A exposição do dinheiro encontrado liquidou com a candidatura de Roseana e selou o rompimento da aliança PSDB-PFL (DEM).O intuito de FHC era montar um plano B em que o presidente da Câmara, Aécio Neves (PSDB-MG), encabeçaria uma chapa presidencial com o PFL (DEM), caso os pefelistas desistissem da disputa e recusassem apoio a Serra.

É isso a “salvação do Brasil”?

 Ser de esquerda, revolucionário, transformador, ao longo da história, foi algo que sempre significou ter um alto sentimento de humanidade. Por Fernando Brito Tijolaço Mesmo quando a esquerda, em momentos revolucionários, usou da violência ela não foi – ou não deveria ter sido – gratuita e sádica. O que Maluf roubou ao longo de sua trajetória política, roubado está e roubado continua. Só dos casos de desvios de dinheiro de sua passagem pela prefeitura paulistana, alguns chegam a estimar que, corrigidos, chegam a US$ 1 bilhão. A multa que lhe foi imposta pouco passa de R$ 1 milhão. E isso só é citado ou tratado no rodapé das sentenças e do noticiário. O essencial é esta cena sádica que, acima, reproduzo do Estadão. Há gente que se compraz em levar um caco humano, decrépito, para um cárcere. Não, não há o que possa fazer de gente dotada de sentimentos humanos de sentir prazer nisso. O gestor de Estado e de seu poder coercitivo – e o juiz é um deles – deve reger-se pelo interesse público e não há nem pode haver interesse público em levar um quase moribundo a uma cela prisional. Se algum moralista ou patrulheiro quiser xingar-me, que xingue. Sadismo, para mim, não é jamais justiça. Maluf, a esta altura, deve ir para o lixo político, não para a Papuda. Está para morrer e morrer como vítima de gente má é uma honra que Maluf não merece. Se algo lhe deve ser tirado, devem ser os milhões, não direito de cambalear, capengando numa bengala. Se aceitamos, contra os nossos mais abjetos adversários, como ele, o escracho de um ser humano decrépito e incapaz, tornamo-nos também abjetos. E ajudamos a formar uma sociedade de sádicos, de maus, de impiedosos. E o ódio não é salvação, mas danação da qual é difícil livrar-se. E num mundo assim não vale a pena viver, senão como um covarde como Luís Edson Fachin, um cristão que crê em Cristo muito menos do que este ateu que aqui escreve.

Mandato de hena: deputado da tatuagem é cassado

 Lê-se no Poder360 que o deputado Wladimir Costa, que ganhou notoriedade ao tatuar com hena o nome de Michel Temer no ombro, teve o mandato cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Pará, por irregularidades de R$ 250 mil em seus gastos de campanha, em 2014. Vai demorar, ainda, para que o TSE confirme a cassação e o mais provável é que o mandato de Wlad, como é conhecido, seja apagado nas urnas. Se não, deve-se esperar que ele tatue Bolsonaro ou Alckmin , já que, ingrato, não escreveu “Cunha”, retribuindo o que dele contou o delator Lúcio Funaro, no Estado de Minas: Um deputado que ele (Eduardo Cunha) comprava com frequência, quando ele queria comprar um cara para fazer alguma votação: Wladmir Costa”, respondeu. O investigador pergunta se ele teria recebido dinheiro no caso do impechment e Funaro responde: “Neste caso eu não sei, mas comprava com frequência o Wladmir Costa para tudo”. E viva o parlamentarismo! Via Fernando Brito – Tijolaço

Lula, o pão-de-ló. Quanto mais batem, mais cresce

   Realizada sob o patrocínio insuspeito do Estadão, a pesquisa do Instituto Ipsos “Barômetro Político”, mostra as razões do corre-corre judicial para acabar logo com a possibilidade de que o povo o escolha para dirigir o país.  Por Fernando Brito – Tijolaço O texto de Daniel Bramatti, no jornal, é aterrador para essa gente: O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) atingiu o ápice de aprovação na série histórica das pesquisas Barômetro Político Estadão-Ipsos, enquanto outros possíveis candidatos, como Geraldo Alckmin (PSDB), Marina Silva (Rede) e Jair Bolsonaro (PSC), sofrem desgaste na imagem. Em dezembro, Lula teve seu sexto mês seguido de melhora na avaliação, chegando a 45% de aprovação. Nem mesmo o fecho do parágrafo, dizendo que a ” parcela da população que o desaprova, no entanto, ainda é maior: 54%”, serve como tranquilizante. É que a reprovação dos adversários é maior que a dele: Geraldo Alckmin tem 72%, Jair Bolsonaro e Marina Silva 62%, ambos. Nenhum dos três tem sequer a metade da taxa de aprovação de Lula. Leonel Brizola, cheio de suas metáforas rurais, costumava dizer: “eu sou que nem pão-de-ló: quanto mais me batem, mais cresço”. Parece que que a receita que arranjaram está produzindo este efeito em Lula.

Temer vira “réu fantasma”, mas não de Moro

 – O Supremo Tribunal Federal deu hoje uma no cravo e outra na ferradura. –  Autorizou o seguimento do processo da JBS contra Rodrigo Rocha Loures, Geddel Vieira Lima e Eduardo Cunha. Como, até prova em contrário Michel “Tem de Manter Isso, Viu” Temer está na ponta deste rolo, o processo tem tudo para ser hilariante. Imaginem o interrogatório, reduzido “a termos”: QUE, no dia tal de abril, por ordem de (não pode falar o nome dele) procurou o senhor Ricardo Saud para dele receber uma mochila com R$ 500 mil para ser entregue a (não pode falar o nome dele) como parte do pagamento de um acordo para que a Petrobras vendesse mais barato gás para a usina elétrica da JBS. QUE, no dia seguinte, recebeu um telefonema de (não pode falar o nome dele) para que acertasse um encontro do Palácio do Jaburu…. Mas os ministros, por seis a quatro, decidiram que, neste caso, a jurisdição universal de Sérgio Moro não se aplica – e ninguém entende porque se aplicaria -, enviando o processo para a Justiça Federal de Brasília. Luís Roberto Barroso prestou-se ao papel ridículo de usar um trocadilho na sessão para falar do medo que políticos teriam de serem julgados pelo juiz Sergio Moro, na 13ª Vara Federal de Curitiba. “É o que vem sendo denominado periculum in Moro”, disse fazendo trocadilho com a expressão “periculum in mora”, usada para definir urgência em decisões judiciais. Chega a dar vergonha que um Ministro do STF faça “brincadeirinha” com o princípio do juiz natural – fundamento essencial do Estado de Direito – como a demonstrar o estado de miséria moral de nossa Suprema Corte. Não tenho, é obvio, qualquer simpatia pelos réus – nem pelo “réu-fantasma” Temer – mas é impossível atinar qual é a ligação do caso com a Lava Jato para que se repita o ardiloso ato de Rodrigo Janot de, no Supremo, invocar uma suposta conexão que entregasse o caso a Luiz Edson Fachin, seu “ministro de confiança”. Quando um palerma não sabe distinguir seus sentimentos em relação aos réus da letra da lei, coloca até mesmo um ser desprezível como Temer como vítima do arbítrio. Via Fernando Brito – Tijolaço

Meu nome é Arena, mas pode me chamar de MDB

 – O Governo Michel temer parece estar decidido a, em tempo recorde, roubar-nos tudo, até a memória. –  É o que faz com essa “mudança” de nome do PMDB para MDB, onde muitos dos que temos perto dos 60 anos andamos no passado, porque era o único lugar onde se podia andar, na oposição ao regime autoritário, com menos chance de “sumir no caminho”. Principalmente nós, de esquerda, que tínhamos militância de esquerda, clandestina, com coisas que soariam ridículas hoje: codinomes, “pontos” (encontros cronometrados), “finanças” (na faculdade, cineclubes, feiras de livros e outras formas de garantir a sobrevivência de quem estava na ilegalidade). O MDB, ao menos aqui no Rio, nos dava algum espaço de militância legal, assumida, ainda que difícil, porque era Chagas Freitas o dono do partido e nos sobrava o gueto assegurado pelo pessedista Amaral Peixoto. Consolávamo-nos pensando que o chaguismo – conservador e pró-regime – era um fenômeno local e que o PMDB “autêntico” era ou seria maioria nacional. “Ameaçou” ser, em 1978, mas logo refluiu para seu lugar conservador, com o surgimento, em 1982, do PDT de Brizola e do PT de Lula. O MDB ficou velho, porque era a “geléia geral”, mas só renegou a frase de Ulysses Guimarães e virou velhaco com o governo Sarney. Agora, velhacos como Romero Jucá, Moreira Franco e Michel Temer reeditam a velha sigla. Que é tudo, menos o velho “Movimento Democrático Brasileiro”. É a paralisia, é o autoritarismo e é o entreguismo. Precisa mudar de nome, porque, direita que é agora, precisa tentar mudar de cara, como a Arena-PFL-DEM já mudou tantas vezes que nem se lembra mais quem é. E vão por aí os Pode, Podemos, Novo, Patriotas e outros que tais. O que sustenta o velho Brasil tem de se vestir de novo, de tempos em tempos, para que continue a ser velho e finja ser diferente do que já não nos serve mais. Desculpem-me os politcamente corretos, mas não dá para deixar de lembrar o antológico samba dos “Demônios da Garoa”: “Eu perguntei então seu nome, você me disse, as amiga me chamam Crarice, mas meu nome é Claudionor“. Via Fernando Brito – Tijolaço

LULA LIDERA ATÉ EM SÃO PAULO. ALCKMIN É O TERCEIRO

 – O detalhamento da mais recente pesquisa CUT/Vox Populi sobre a corrida presidencial mostra que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva lidera com folga até mesmo no estado de São Paulo, principal reduto do PSDB. –  No plano nacional, em um cenário com cinco postulantes à Presidência, Lula lidera com 45% do voto estimulado, seguido por Bolsonaro (15%), Marina Silva (7%), Alckmin (6%) e Ciro Gomes (3%). Brancos e nulos somam 14%. Não responderam 11% dos entrevistados. Em São Paulo, no cenário de 10 postulantes, Lula segue na liderança com 28% do voto estimulado. Na sequência, vem Bolsonaro (14%) e Alckmin (9%). Marina Silva e Joaquim Barbosa somam, cada um, 4% das intenções. Ciro Gomes tem 1% e os demais candidatos não chegaram a pontuar. Brancos, nulos e indecisos somam 40%. No voto espontâneo, em que não é apresentado o nome dos candidatos, Lula também lidera com 28% do votoso eleitores paulistas, seguido por Jair Bolsonaro (com os mesmos 15%) e Alckmin (11%). Marina Silva tem 5% das intenções de voto e Ciro Gomes, 2%. Brancos, nulos e indecisos somam 40%. No voto espontâneo, Alckmin também figura em terceiro lugar. No Brasil, Lula lidera com 38% das menções, seguido por Bolsonaro (11%), Alckmin e Marina Silva, com 2% cada um deles. Em São Paulo, o petista segue na dianteira com 26%, à frente de Bolsonaro (11%) e do governador paulista (5%). A ex-ministra Marina Silva segue em 2% das intenções. O Vox Populi consultou, de 9 a 12 de dezembro, 2 mil brasileiros com mais de 16 anos de idade, residentes em 118 municípios de todos os estados e do Distrito Federal, em áreas urbanas e rurais. A margem de erro é de dois pontos percentuais, estimada em um intervalo de confiança de 95%.