Voto nulo dispara se Lula não participar da eleição presidencial

Segundo o Datafolha, 32% do eleitorado brasileiro anulará seu voto, caso Lula seja impedido de participar A nova pesquisa do Datafolha mostra novamente Lula na frente, e com folga. Mesmo depois de ser condenado por um tribunal espúrio. Ele cresceu de 35 para 37%. A pesquisa mostra ainda um dado importante: o número de votos nulos sem o Lula chega a 32%, o dobro do conferido ao Bolsonaro, que lidera a corrida nesse contexto, com 18%. Essa constatação está também incomodando os golpistas. Somente a Folha apontou, ainda que timidamente, esse número avassalador. Os golpistas esperavam uma queda exagerada nas pesquisas após a condenação sem prova do ex-presidente Lula, mas o resultado foi justamente o contrário, o que levou a mídia golpista colocar o rabo entre as pernas e ignorar o resultado. Imagine o estardalhaço que essa mídia chapa branca iria fazer caso Lula caísse nas pesquisas? Mas é aquela velha história: Lula é igual massa de bolo, quanto mais batem, mais ele cresce. O art. 224 do Código Eleitoral, que trata do voto nulo, prevê a necessidade de marcação de nova eleição se a nulidade atingir mais de metade dos votos do país. Mas para o Tribunal Superior Eleitoral, o candidato mais votado será eleito, mesmo com 1% da votação. Segundo o TSE, a nulidade a que se refere o Código Eleitoral decorre da constatação de fraude nas eleições, como, por exemplo, eventual cassação de candidato eleito condenado por compra de votos, será necessária a realização de novas eleições, denominadas suplementares, caso o candidato cassado obtiver mais da metade dos votos.
Lula lidera em todos os cenários e vence todos os adversários no 2º turno

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera a corrida eleitoral com até 37% das intenções de voto, diz o Datafolha divulgado nesta quarta-feira (31). O levantamento foi publicado pelo jornal Folha de S. Paulo uma semana após a condenação do petista pelo TRF4, de Porto Alegre, no caso do tríplex de Guarujá (SP), cuja propriedade é falsamente atribuída ao ex-presidente. Ou seja, Lula não sofreu nenhum abalo depois de receber pena de 12 anos e um mês de prisão. O ex-presidente lidera no primeiro turno em todos os cenários possíveis e também venceria todos os adversários no segundo turno. O petista venceria Alckmin (49% a 30%) e Marina (47% a 32%), além de Bolsonaro (49% a 32%). Se a candidatura de Lula for barrada pelo judiciário, de acordo com o instituto, o deputado Jair Bolsonaro (PSL-RJ) assumiria a liderança da disputa presidencial com 18%. (Na simulação do primeiro turno ele tem 16%). O ex-governador Ciro Gomes (PDT) tem 6% das intenções de voto, Marina Silva (Rede) tem 8%. O governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) e Luciano Huck (Globo) têm 6%. No cenário sem Lula, em que Bolsonaro lidera com 18%, Marina sobe para 13%; Ciro pula para 10%; Huck e Alckmin saltam para 8%. O Datafolha fez 2.826 entrevistas em 174 municípios. A margem de erro é de dois pontos para mais ou menos. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral com o número BR 05351/2018.
Pesquisa aponta: Lula foi condenado injustamente

O primeiro levantamento realizado após a condenação do ex-presidente, pelo instituto Quaest, indica, ainda, que para 56,6% o juiz Sergio Moro não conseguiu provar que o triplex da OAS pertence ao petista. De acordo com a coluna do montes-clarense Carlos Lindenberg, no Brasil 247, a condenação de Lula não surpreendeu Pesquisa aponta: Lula foi condenado injustamente * Por Carlos Lindenberg Minas 247 – A condenação do ex-presidente Lula pelo TRF-4 no dia 24 não surpreendeu, não custa repetir. Seguiu-se o modelito recortado em Curitiba com um adendo ou dois a mais, quais sejam o aumento da pena, por unanimidade dos três julgadores, mais a possibilidade de prisão imediata do ex-presidente, tão logo julgados os embargos declaratórios – a menos que a defesa de Lula consiga o efeito suspensivo da pena, o que não parece tão fácil dado o cerco a que estão submetendo o ex-presidente. Não deixou de surpreender também a predominância da Teoria do Domínio do Fato, usado pelo relator para justificar o aumento da pena de nove anos e seis meses para 12 anos e um mês, numa estratégia, ao que consta, para evitar a prescrição do julgado. O que também é discutível, como de resto todo esse processo é discutível e polêmico, menos para a Globonews que o tem como o mais santificado de todos os que têm passado pela justiça brasileira. A propósito, como é indisfarçável a crença dos comentaristas da Globonews na lisura de todo esse processo, tido agora como se fosse um prolongamento do mensalão de triste memória. Ora, não há a menor visão crítica do que se passou em Curitiba e Porto Alegre, sequer a equidistância se exige do comentarista ao abordar o assunto em pauta. Não se discutiu e nem se discute o que pode ter sido, por exemplo, um excesso de zelo de algum dos desembargadores – cujos nomes não vão entrar nesse texto, por desnecessário – nem a deselegância de não terem sequer levado em conta a sustentação oral do advogado Cristiano Zanin, ao menos para contestar um ponto ou outro da defesa. Não, não era necessário. Os votos estavam prontos, a decisão do relator foi obedecida por todos, portanto, por que perder tempo em ser elegante com a defesa? Na verdade, deu-se o contrário: partes da sentença condenatória do juiz de primeiro grau, Sérgio Moro, foram lidas e relidas varias vezes ao longo do julgamento, o que também não chegou a ser uma novidade, desde que o presidente do TRF de Porto Alegre, Thompson Flores, antes mesmo de ler a sentença de Moro, ao ser tornado pública, a considerou um primor, irretocável. Era a senha para a condenação que viria a seguir, com o agravamento do aumento da pena e a possibilidade da prisão do ex-presidente, esgotados os recursos, lá mesmo no âmbito do TRF-4. Tudo isso significa dizer que a rigor o julgamento não trouxe novidades de maior monta, apenas dificulta a caminhada de Lula e do PT para que o ex-presidente volte a governar o país. Quando eu disse, no último texto aqui publicado, que o juiz era o réu, deu-se o que se previa: o juiz foi absolvido e o réu de fato foi condenado. Como estava escrito. A propósito, como as pessoas que acompanharam não apenas o julgamento como a saga do ex-presidente viram tudo isso? Nesse sentido, é oportuna a primeira e inédita consulta que o Instituto Quaest, de Belo Horizonte, fez aos brasileiros que têm conta no Facebook, atingindo nada menos de 310 mil pessoas entre os dias 24 e 25 de janeiro agora, com perguntas formuladas pelo Vox Populi em survey face-a-face. Das 310 mil pessoas, 2.980 foram sorteadas aleatoriamente, aponta o relatório, para compor uma amostra representativa do eleitorado brasileiro. Usando dados oficiais do IBGE e do Facebook, o Quaest ponderou a amostra para garantir representatividade de atributos como sexo, idade e região. De forma que o resultado final estima as opiniões e atitudes do eleitorado brasileiro proporcional ao encontrado fora do Facebook. O primeiro dado da pesquisa refere-se ao nível de conhecimento do que o TRF-4 estava julgando e mostra que 93,5 dos pesquisados sabiam do que se tratava e apenas 6,5 por cento não sabiam. Ao perguntar se na opinião do entrevistado o TRF-4 agiu certo ou errado ao condenar Lula, 3,1 por cento não souberam responder, 42 por cento disseram que agiu certo e 54,7 por cento sentenciaram que agiu erradamente. Perguntado se o juiz Sérgio Moro, autor da primeira condenação, provou ou não que o tríplex era mesmo de Lula, 4,3 por cento não souberam opinar, 39,0 responderam que Moro conseguiu provar e 56,6 por cento disseram que ele não conseguiu provar que o apartamento é de Lula. O Quaest quis saber se Lula recebe o mesmo tratamento da justiça que outros políticos, como Michel Temer e Aécio Neves. 3,3 por cento não souberam opinar, 37,2 por cento acham que a justiça não trata Lula de forma mais dura e 59,5 responderam que a justiça trata sim Lula de forma mais dura. Se Lula cometeu mais erros ou acertos quando governou o pais, os entrevistados do Quaest disseram: 3,3 por cento não opinaram, 37,4 responderam que ele errou mais do que acertou e 59,3 por cento disseram que ele cometeu erros, mas fez muito mais coisas certas do que erradas em benefício do povo e do país. Nada menos de 42,9 por cento dos consultados, diante da condenação e da inelegibilidade momentânea do ex-presidente, disseram que Lula não deveria se candidatar a presidência da República, ao passo que 55,7 por cento responderam que deveria poder ser candidato em 2018. Cerca de 1,4 por cento não souberam opinar. A consulta inédita de certa forma reflete o que as pesquisas eleitorais vêm mostrando ao longo de todo o ano passado, quando os mais diversos institutos de pesquisas, como o Ibope, o Datafolha ou o Paraná, vêm apontando a liderança e o crescimento do ex-presidente na preferência do eleitorado – uma das razões, certamente, do resultado emanado tanto de Curitiba
Lula, Getúlio, Tiradentes e o povo – Por Leonardo Attuch

Condenado por três a zero pelo TRF-4 na última quarta-feira a 12 anos de prisão, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se consagra e entra para a História como o maior líder político de todos os tempos no Brasil. Na prática, ao recorrer aos tribunais para bani-lo da vida pública, a direita nacional reconheceu sua própria incapacidade de derrotá-lo nas urnas e de conquistar o coração do povo brasileiro. Esta, aliás, foi a razão do golpe de 2016. Quando as forças derrotadas em 2014 vislumbraram a volta de Lula em 2018, o que daria ao PT um ciclo de vinte anos de poder, trataram rapidamente de buscar atalhos, sabotando a democracia. Com seu martírio, Lula repete agora a história de seu predecessor Getúlio Vargas. Em 1954, Getúlio foi levado ao suicídio pelas mesmas forças – mídia, direita raivosa, entreguistas e imperialismo internacional – que hoje sacrificam Lula. Getúlio dizia que só sairia morto do Catete e, ao se matar, adiou em dez anos o golpe de 1964. Lula hoje afirma que só sairá morto das ruas. Ou seja: transfere para as praças e avenidas o verdadeiro espaço de poder. Portanto, mesmo que seja banido para que as oligarquias tenham nas eleições de 2018 um simulacro de democracia, Lula será um ator decisivo. Até porque quem sai condenado de Porto Alegre é o povo brasileiro, tolhido em sua soberania. Os próximos passos de Lula já foram anunciados: uma viagem à África, para um evento de combate à fome no mundo, e caravanas pelo Brasil. Contra ele, a direita tem agora uma arma nas mãos, que é a ameaça de prisão. Numa linguagem simples, o que os donos do poder oferecem a Lula é uma chantagem escancarada: ou desiste da candidatura ou vai em cana. Uma mensagem simbólica que também é endereçada a todo o povo brasileiro, para que fique no seu devido lugar e não ouse sair da senzala. Repete-se com Lula o que ocorreu com Tiradentes. Ao enforcá-lo, esquartejá-lo e salgá-lo, a Coroa Portuguesa mandou seu recado aos brasileiros: jamais voltem a sonhar com independência. Lula lembrou, no entanto, que os pobres brasileiros já sabem como é gostoso comprar um carro, comer carne de primeira, viajar de avião e frequentar universidades. Ou seja: o projeto inclusivo de país que começou a ser plantado em 2002 tem raízes sólidas e profundas. O desafio de toda a esquerda agora é incorporar à luta de massas todos aqueles que estão ameaçados pelo golpe das elites contra o povo, especialmente os pobres e pretos das periferias. A violência institucional cometida contra Lula, no momento em que o Brasil é governado por Temer, Cunha e Aécio, foi tão escandalosa que pode fazer germinar uma verdadeira revolução popular. Desde que o povo assuma seu protagonismo histórico. * Leonardo Attuch é jornalista e colunista das revistas Istoé e Nordeste
SOBRE A IGNORÂNCIA ERUDITA – POR CARLOS D’INCAO

Um dos maiores problemas contemporâneos e que aflige todas as gerações não é mais a ignorância, mas sim a “ignorância aprendida” que é, em sua essência, uma ignorância perversa que assume a forma de conhecimento adquirido por fontes supostamente confiáveis. A ignorância aprendida acaba por resultar em um novo tipo de ignorante, o “ignorante erudito”. Uma mistura heterogênea de conceitos deturpados, meias verdades, fatos inventados, dados manipulados… e tudo isso cuidadosamente controlado por gigantescos meios de comunicação privados que desejam cumprir com uma missão: gerar um exército de “ignorantes eruditos”, geralmente recrutados das camadas altas e médias de nossa sociedade e que servem como tropa de choque dos interesses do grande capital. Esse exército de “ignorantes eruditos” consegue ver vantagens na destruição da previdência pública, dos direitos sociais e na falência da democracia e do Estado de Direito. Consegue ver o mundo de maneira distorcida e desequilibrada… Chega a acreditar que países que sofrem as mais flagrantes agressões dos países centrais, como Cuba e Venezuela, são nossos inimigos… enquanto países como EUA e Alemanha, que realizam diariamente um processo de pilhagem de nossas riquezas, são vistos como nossos “aliados estratégicos”. O “ignorante erudito” não está somente em um nível inferior do que aquele que se encontra no estado da simples ignorância. Ele está enraizado em um duro e sujo universo de mentira e manipulação, fazendo com que a sua própria libertação se torne em uma missão muito mais difícil, quando não, impossível. Mas esse fenômeno não é inédito, embora hoje traja novas roupagens e porte armas mais sofisticadas. A ele o combate sempre se deu por três frentes: a contrainformação, o debate crítico e a sátira. Hoje temos também a missão de criarmos mecanismos eficazes de sabotagem e boicote aos meios de comunicação formadores desse exército. Um bom começo seria nos recusarmos explicitamente a não mais se valer desses meios para qualquer tipo de pronunciamento. Para além das redes sociais, ocupar as ruas é também um dever fundamental. E nas ruas a verdade há sempre de prevalecer. A verdade é um conhecido e temido animal… ela é rebelde, não aceita ficar presa e tão pouco é possível de ser domada. Ela é a mãe de todas as insurreições e o primeiro passo de todas as revoluções. * Carlos D’Incao é historiador e professor.
Rudá Ricci: uma sentença contra uma geração

O cientista político Rudá Ricci, em artigo especial, critica a decisão do TRF4 que condenou ontem (24) a 12 anos e um mês de prisão o ex-presidente Lula. Para ele, foi uma sentença contra uma geração. Ricci escreve que o governo Lula cometeu vários erros em nome do racionalismo, mas cometeu vários acertos. “Para minha geração, tenho a impressão, o maior acerto foi combater a pobreza e a fome.” Uma sentença contra uma geração Rudá Ricci* Ontem, a página da história virou. Sei que, como diz minha esposa (que é historiadora), a história acontece todos os dias, todos os minutos. Mas, assim como a poesia transforma algo pueril em som especial, há momentos desta história cotidiana em que se quebra um vínculo com o passado. Foi o que ocorreu ontem. Em 1979 eu tinha 17 anos. Vivia em São Paulo para fazer o último ano do ensino médio (que se chamava, na época, colegial) e tentar ingressar na faculdade. Participei de todos movimentos de redemocratização do país que explodiam em cada esquina da capital paulista. Não se tratava de política, apenas. Era um giro. A tal virada de página. Tudo se alterava: o jeito de dar aula (com Marilena Chauí na vanguarda), o jeito de se educar (com a volta de Paulo Freire), o jeito de se pensar a justiça (a Constituinte era tema central em bares descolados onde artistas esbarravam em estudantes e políticos), o jeito de se pensar e fazer arte (você entrava em qualquer ateliê ou ensaio de grupos experimentais de música à luz do dia ou entrava na casa de cineastas sem bater, apinhadas de gente como uma grande, democrática e confusa república de estudantes), o jeito de se discutir (com debates sobre sexualidade nos auditórios do Hospital das Clínicas ou no “Pátio da Cruz” da PUC-SP), o jeito de se fazer música (ouvindo a obrigatória coluna de Maurício Kubrusly sobre a nova música paulistana, do Premeditando o Breque, do Grupo Rumo ou do experimentalismo de Arrigo Barnabé). Era ousadia pura. Na política, nada era mais novo que a greve dos metalúrgicos. E, tinha Lula. Lula tinha ironia e deboche. Mas, desde aquele momento, Lula não era dono de sua imagem. Era interpretado. O primeiro libelo do Partido dos Trabalhadores foi um artigo de Francisco Weffort publicado na Folha de S.Paulo. Lembro vagamente do conteúdo, embora recorde com facilidade do impacto que me causou. Ele dizia sobre um momento marcante e definitivo da política nacional, quando os trabalhadores entravam pela porta da frente. Não eram objeto de discursos de lideranças de classe média, mesmo as mais bem intencionadas, mas eram donos de seus próprios discursos. O artigo discorria sobre uma meia-verdade. E ele era a prova da outra parte que não dizia. Weffort era sociólogo reconhecido. Havia escrito uma tese famosa sobre uma greve espetacular que havia ocorrido em plena ditadura militar. Havia criticado duramente o populismo trabalhista. Era um intérprete. Foi um dos intérpretes de Lula. Diziam que ele escrevia alguns dos discursos de Lula, após a fundação do PT, e cometia alguns erros gramaticais para manter um tom de originalidade. Trabalhei com Weffort, anos mais tarde, mas nunca tive coragem de perguntar se este boato tinha sentido. Imagino que, mesmo se tivesse, ele negaria. O fato é que o movimento libertário do final dos anos 1970 – e que invadiria toda a década seguinte até o ápice da constituinte de 1987 ou das eleições de 1989 – não foi um desenrolar de acontecimentos, mas uma interpretação de toda uma geração sobre o presente que apontava para um futuro distinto. Aqui é o marco de minha geração. Ao menos, parte dela que mergulhou nesta construção do futuro. O que ocorre agora, não é construção de um futuro, mas a destruição deste potencial. Explico: minha geração sentia que tudo estava para ser construído. Não era reconstrução, mas construção. Algo novo, não uma reforma. E, por este motivo, reinterpretava e interpretava tudo o que ocorria. Os acontecimentos tinham que ter um sentido, se encaixar nesta tarefa empolgante e coletiva de construir um país. Mergulhamos, de cabeça. O tom destoante, que se destacaria a partir de meados dos anos 1990, era José Dirceu e as centenas de ativistas que o seguiram. Diria que era a faceta racional no interior de um movimento passional. A reinterpretação do Brasil – que enquadrava em perspectiva a figura de Lula, sempre controversa – era marcada pelas pulsões libertárias. Pulsão é uma espécie de catarse, um jorro de desejo, uma explosão de sentimentos e sentidos que dão cor à vida. Era assim que o petismo – apenas a ponta do iceberg das mudanças que uma geração promovia – reinterpretava todo racionalismo da esquerda dos anos anteriores. Reinterpretava as intenções tímidas do MDB, a linha justa e o amplo arco de alianças promovido pelo PCB, o populismo que sequestrava o protagonismo dos trabalhadores dirigido pelo PTB ou pelo brizolismo. Na política, falava-se do protagonismo dos trabalhadores, sem intérpretes, mas que eram interpretados por jovens, pesquisadores e jornalistas. Lula era o artista que criava o “efeito stand up”, aquela tirada surpreendente para falar sobre algo que já sentíamos, mas que não tinha sido racionalizada em palavras. Lula não era o que ele pensava ser. Era nosso intérprete. O intérprete de uma geração. Um intérprete criado por nós. O que os juízes de ontem não parecem se dar conta é que não julgavam Lula. Nem sei quais eram suas intenções e isto pouco importa. Mas eles julgaram todo um movimento libertário que começou a ser deformado na segunda metade dos anos 1990 pelo velho e carcomido racionalismo de parte da esquerda que havia sido criticada pelos movimentos libertários de 1980. O final do jorro da década libertária do Brasil já aparecia no final dos anos 1990. Era como um gosto amargo na boca depois de uma ressaca. Mas, como uma ressaca, basta um comprimido e muita água para se ter a certeza que logo tudo voltará ao normal. Nem sempre volta. A vitória de Lula
PAULO COELHO RESUME O BRASIL DA GRANDE HIPOCRISIA

“Finalmente! Agora está tudo 100% no mundo político. Ministros impolutos, Congresso honesto, deputados que pensam apenas no bem do país, senadores que não acobertam crimes de seus pares, juízes que não se deixam pressionar pela mídia e, completando o quadro #LulaCondenado” – Escritor brasileiro mais lido no mundo, Paulo Coelho resumiu em seu Twitter nesta quarta-feira 24, após a confirmação da condenação do ex-presidente Lula pelo TRF4 por 3 a 0, a hipocrisia em torno do resultado. Ele ironizou a condenação de Lula num momento em que crimes muito mais graves sequer foram investigados ou julgados, como as malas de dinheiro do ex-assessor de Michel Temer Rodrigo Rocha Loures, os R$ 51 milhões encontrados num apartamento de Geddel Vieira Lima (PMDB) em Salvador e o mandato do senador Aécio Neves (PSDB-MG) ter sido mantido por seus pares a despeito da comprovação de vários crimes contra Aécio. Nesta quarta, poucas hora depois do julgamento do TRF4, a PGR também arquivou um inquérito contra o senador José Serra (PSDB-SP), acusado de receber R$ 52,4 milhões em propina da Odebrecht. “Finalmente! Agora está tudo 100% no mundo político. Ministros impolutos, Congresso honesto, deputados que pensam apenas no bem do país, senadores que não acobertam crimes de seus pares, juízes que não se deixam pressionar pela mídia e, completando o quadro #LulaCondenado”, escreveu Paulo Coelho.
A elite cansou da democracia. Por Fernando Brito, do Tijolaço

A história, se não é sempre a mesma, é bem semelhante. O Brasil vive ciclos: sai das ditaduras, com o apoio da classe média, e experimenta a democracia mas quando esta começa a se aprofundar, um pouquinho que seja, no sentido de trazer as massas populares para a cena política, ela – a começar pelas elites que a balizam – “cansa da brincadeira”. O povo é, para ela, um amor fugaz. E, como tantas vezes na nossa história, a “corrupção” e “o populismo” são os motes aos quais se agarra para promover o “fechamento” político que, por pruridos progressivamente abandonados, recusam-se a confessar ser seu interesse. Foi assim com a UDN e seu “mar de lama”, levando Getúlio à morte e, depois, sua recusa em aceitar a ascensão de JK; foi assim na derrubada de João Goulart, o “comunizante”, é agora assim com Lula. Os núcleos decisórios do país mal disfarçam sua alegria. A bolsa dispara, o dólar despenca, os apresentadores da Globo e de seus satélites contém a custo os seus sorrisos. Afinal, a “eleição” no Judiciário é feita somente com eleitores bem-postos, bem vestidos, bem morados e bem pagos. Essa é a democracia ideal, aquela onde os pobres não votam e obedecem, porque decisão da Justiça não se discute, ainda que ela lhe tire o direito de votar e três homens só vejam completa perfeição onde centenas de juristas, professores e advogados de grande reconhecimento encontraram centenas de vícios. Completa perfeição? Que digo eu? Os únicos “defeitos” de Moro foi dar a Lula “apenas 9 anos e meio” e o elevaram para 12, e castigar demais na primeira sentença os empreiteiros corruptos, que ganharam um “abatimento” substancioso em suas penas e o direito de irem já para casa, com suas tornozeleiras, que já-já lhes tiram. Para Lula, cana o quanto antes. A fala inicial do relator João Gebran reclamando do uso da expressão “tropa de choque” é irônica, porque acabou narrando o comportamento de três “julgadores” que pensaram de forma absolutamente igual sem um milímetro de divergência, como num ensaiado passo de ganso sombrio, e passo rápido, com um placar que ajuda ao máximo a exclusão de Lula do pleito. Há, porém, um efeito que se volta contra ela própria quando cede ao autoritarismo por cansada da democracia. É que o apetite autoritário não tem limite e os cães ferozes acabam saindo de controle. Excluíram o povão em 1964, mas quatro anos depois foi ela, com seus filhos, seus jovens, que caíram aos dentes mortais da ditadura. Talvez fosse bom que lembrassem que a história dos povos, ao contrário de seu enfado pela democracia, não cessa de brotar, nem cansa de esperar. Os milagres do povo são represáveis, mas não são contíveis eternamente . Como a água, encontram o caminho para o mar.
Lula é candidato, apesar da farsa judicial

O PT acaba de lançar uma nota confirmando que o resultado do julgamento não altera a disposição do partido de lançar Lula à Presidência. Leia o texto, assinado por Gleisi Hoffman: O dia 24 de janeiro de 2018 marca o início de mais uma jornada do povo brasileiro em defesa da Democracia e do direito inalienável de votar em Lula para presidente da República. O resultado do julgamento do recurso da defesa de Lula, no TRF-4, com votos claramente combinados dos três desembargadores, configura uma farsa judicial. Confirma-se o engajamento político-partidário de setores do sistema judicial, orquestrado pela Rede Globo, com o objetivo de tirar Lula do processo eleitoral. São os mesmos setores que promoveram o golpe do impeachment em 2016, e desde então veem dilapidando o patrimônio nacional, entregando nossas riquezas e abrindo mão da soberania nacional, retirando direitos dos trabalhadores e destruindo os programas sociais que beneficiam o povo. O plano dos golpistas esbarra na força política de Lula, que brota da alma do povo. Esbarra na consciência democrática da grande maioria da sociedade, que não aceita uma condenação sem crime e sem provas, não aceita a manipulação da justiça com fins de perseguição política. Não vamos aceitar passivamente que a democracia e a vontade da maioria sejam mais uma vez desrespeitadas. Vamos lutar em defesa da democracia em todas as instâncias, na Justiça e principalmente nas ruas. Vamos confirmar a candidatura de Lula na convenção partidária e registrá-la em 15 de agosto, seguindo rigorosamente o que assegura a Legislação eleitoral. Se pensam que história termina com a decisão de hoje, estão muito enganados, porque não nos rendemos diante da injustiça. Os partidos de esquerda, os movimentos sociais, os democratas do Brasil, estamos mais unidos do que nunca, fortalecidos pelas jornadas de luta que mobilizaram multidões nos últimos meses. Hoje é o começo da grande caminhada que, pela vontade do povo, vai levar o companheiro Lula novamente à Presidência da República. Via Tijolaço
MÍDIA IGNORA MULTIDÃO EM PORTO ALEGRE EM APOIO A LULA

A mídia familiar brasileira escolheu deliberadamente ignorar a multidão que se reuniu em Porto Alegre em apoio a Lula nesta terça; Folha de S.Paulo, O Globo e Estado de S.Paulo não publicaram na primeira página as impressionantes imagens da concentração histórica em defesa da democracia e da candidatura do petista que reuniu uma multidão em Porto Alegre 247 – Os jornais da mídia familiar brasileira optaram por deliberadamente ignorar a multidão que se reuniu em Porto Alegre em apoio a Lula. Nem dos três grandes —Folha de S.Paulo, O Globo e Estado de S.Paulo— mostrou imagens de destaque na primeira página da concentração histórica em defesa da democracia e da candidatura do petista. Por outro lado, editoriais e colunistas se engajaram em pedir a cabeça do ex-presidente, apesar da ausência de provas que o condene. NUM DIA HISTÓRICO, 70 MIL PESSOAS GRITARAM POR DEMOCRACIA EM PORTO ALEGRE Porto Alegre teve nesta terça-feira a maior manifestação de sua história. Mais de 70 mil pessoas se reuniram na cidade em um histórico ato de apoio ao ex-presidente Lula. Uma multidão de vermelho tomou as ruas para saudar Lula, que retribuiu com um discurso emocionado, em que reafirmou sua inocência, agradeceu o apoio e falou da disposição em ajudar os brasileiros. “Preciso que o povo participe para que a gente possa recuperar esse país. Vocês não tem noção de como foi bom esse país ser grande. Esse país vai voltar. Podem ter certeza”, afirmou. Lula destacou ainda a falta de provas para sua condenação. “Por isso a minha tranquilidade. A tranquilidade dos inocentes. Daqueles que não cometeram nenhum crime. Eles tem medo que eu volte? Eles tem medo pelas coisas boas que nós fizemos. Por uma empregada doméstica ver sua filha estudando medicina”, completou.