Entregadores denunciam app por pressão para correr e acelerar entregas

Denúncia ao MPT aponta alertas de velocidade, bônus por entregas rápidas e risco à segurança dos motociclistas da Keeta (Folhapress) – A Keeta, da Chinesa Meituan -maior delivery de comida do mundo-, foi denunciada ao MPT (Ministério Público do Trabalho) em São Paulo (SP) por emitir avisos aos entregadores de que a velocidade praticada por eles está “abaixo do esperado”.A representação ao Ministério Público aponta ainda pagamento de bônus se a entrega for feita em menor tempo, prazo de até 49 segundos para responder a um chamado e alerta de que há outros entregadores na fila que podem pegar a entrega no lugar daquele motociclista que está sendo acionado.O documento afirma que a medida coloca em risco a vida dos trabalhadores.Em nota, a empresa diz investir em tecnologia de ponta para garantir entrega segura e que “a segurança dos entregadores parceiros é prioridade para Keeta”.“Entre as iniciativas, estão sistemas proprietários e algoritmos de inteligência artificial capazes de otimizar rotas, reduzir tempos de espera e aumentar o volume de entregas sem sobrecarregar os parceiros”.A denúncia foi protocolada pelo entregador Elias Pereira Freitas da Silva Júnior, conhecido como JR Freitas, do Movimento dos Trabalhadores Sem Direitos. Segundo ele, motociclistas o procuraram com a reclamação, relatos de que estariam sendo forçados pelo algoritmo a ser mais velozes, o que arriscaria a vida no trânsito, critérios pouco transparentes para bloqueios e remuneração.No documento, além de anexar provas, Freitas questiona se o algoritmo considera fatores como congestionamentos, chuva, semáforos e condições das ruas para determinar e cobrar o tempo de entrega.Ele diz que, embora participe do grupo de debates sobre apps no governo federal, não tem contato com representantes a Keeta e, por isso, não procurou a empresa e já foi direto ao MPT. “O trabalhador está no trânsito, muitas vezes parado por um congestionamento ou um semáforo, e recebe uma mensagem dizendo que está abaixo da velocidade. Isso gera desespero porque ele acredita que pode ser bloqueado”, afirma. Outra crítica que ele faz é sobre o sistema abrir um cronômetro para aceitar o pedido e emitir um aviso de que outros entregadores também disputam aquela entrega, o que aumentaria a ansiedade e desviaria a atenção dos motociclistas.Apesar das denúncias, ele diz considerar que a entrada da Keeta no delivery brasileiro foi um ponto positivo, porque, juntamente com 99Food -que também iniciou atividades em 2025-, iFood e Rappi, aumentam a concorrência, o que é bom para trabalhadores e consumidores.Freitas afirma, porém, que a disputa das empresas não pode comprometer a segurança dos entregadores. “A entrega mais importante é voltar para casa. Não há bônus que pague isso. Às vezes, somos tratados mais baratos do que um lanche do McDonald’s”, diz.Na representação, o pedido é para que o MPT determine a preservação de registros da plataforma, como dados de geolocalização, mensagens enviadas aos entregadores, critérios de remuneração e históricos de bloqueios.Há ainda solicitação de suspensão imediata dos avisos sobre velocidade até que sua segurança seja comprovada, a desvinculação de bônus de metas consideradas perigosas, auditoria independente do algoritmo, maior transparência sobre bloqueios e pagamentos, e proteção contra retaliações a trabalhadores que participarem da investigação.Procurado, o MPT não respondeu sobre o caso da Keeta, mas afirmou que já há uma investigação em andamento sobre a velocidade dos entregadores, por conta do risco à segurança no trânsito e o aumento das mortes na capital paulista. Velocidade da entrega também é problema na ChinaDesde que passou a atuar no Brasil, em novembro do ano passado, a Keeta mantém a política de “Horário garantido”, que paga ao consumidor bônus caso o pedido não chegue no horário marcado para a entrega. Esse bônus pode ser utilizado em compras futuras.É o mesmo tipo de política que pratica em outras localidades onde atua, a exemplo do que faz na China, onde se tornou a maior plataforma de entregas. No país asiático, relatos de entregadores são de trabalhar além do limite de velocidade e da própria capacidade de superar jornadas, chegando à exaustão.Documento ao qual a Folha teve acesso mostra depoimentos de entregadores chineses que trabalham uma média de dez a 12 horas por dia, e que a cobrança por chegar em velocidade menor é uma constante e um diferencial entre eles. Quem conhece o trânsito de Xangai, por exemplo, sai na frente e se dá melhor.Um dos líderes da equipe de entregadores da Keeta na China diz que sua jornada é de 12 horas, com uma média de 40 a 50 pedidos por dia -entregadores considerados “estrela” têm média de 50 a 60 entregas-, taxa de entrega no prazo superior a 98,5% e 100% de satisfação do cliente.Ele tem mais de 30 mil seguidores no TikTok e está há oito anos trabalhando com entregas de comidas. Foi considerado “entregador ouro” pela Meituan. Com isso, se tornou uma espécie de “professor” de quem quer otimizar os pedidos e aumentar a eficiência para ganhar mais”.O livro “Faço Entregas em Pequim – Memórias de um Trabalhador”, de Hu Anyan, lançado no Brasil pela Record, detalha rotinas extenuantes de mais de 70 horas semanais batendo nas portas dos clientes, lidando com os poucos benefícios sociais oferecidos pelos empregadores, o pagamento que mal cobria as contas e a falta de descanso adequado.Hu se tornou conhecido após escrever um artigo que contou com mais de 300 milhões de visualizações. No país, uma campanha por mais dignidade teve início, com a preocupação dos acidentes de trânsito, que aumentaram em 30% e estariam ligados à velocidade das entregas de moto, segundo estudos. Veja a resposta da Keeta na íntegra:A segurança dos entregadores parceiros é prioridade para a Keeta, que investe continuamente em tecnologia de ponta para garantir uma operação mais segura. Entre as iniciativas, estão sistemas proprietários e algoritmos de inteligência artificial capazes de otimizar rotas, reduzir tempos de espera e aumentar o volume de entregas sem sobrecarregar os parceiros. Essas tecnologias asseguram que as entregas sejam concluídas dentro do horário previsto no aplicativo, sem que o entregador parceiro exceda os limites de velocidade. Para os consumidores, a política de

“Ordem e Progresso” – Por João Geraldo Ferreira Santos (*) 

Zé Ninguém, servidor do estado de Minas Gerais e de reputação ilibada, geria uma área de conservação ambiental, atividade na qual exercia sua função e tinha a responsabilidade como gestor, de zelar e fazer uso adequado de vários equipamentos públicos, dentre eles veículos automotores como carros e motocicletas. Ao todo cinco veículos. Além destes, motores  estacionários, roçadeiras, motosserras, dentre outros. O que estou dizendo é que toda essa  estrutura demandava gastos com manutenção, combustíveis, além de diárias de viagens  utilizadas em viagens e monitoramentos da área que não era pequena. Recebia seu salário e recursos como diária, verbas para manutenção dos equipamentos,  verbas para intervenções na unidade de sua responsabilidade como confecção de aceiros,  edificação de estruturas, além de outros, movimentados no banco ITAÚ, à época. Pois bem!  Em dezembro de 2007, sob o governo do PSDB, a folha de pagamento do estado fora retirada do banco ITAÚ para o banco do Brasil. Embora seus proventos foram para o banco do  Brasil, Zé Ninguém preferiu continuar utilizando o primeiro banco, recebendo todos os recursos  para o manejo da unidade de conservação, não me lembro quanto, mas não era pouco dinheiro.  Infelizmente, em novembro de 2010 fora acometido por um câncer ficando afastado por todo o  ano de 2011 realizando tratamento como radioterapia e quimioterapia. Quando finalmente se  livrou do problema de saúde, procurou resolver outros imbróglios, os quais naquele intervalo fatídico, não encontrava disposição nem cabeça para solucioná-los. Um deles, era a famigerada  conta do ITAÚ, uma vez que havia mais de um ano sem movimentação, já que por estar de  licença não caíram recursos para a unidade em sua conta ITAU.  Neste sentido, procurou o referido banco para negociar um débito adquirido pela  manutenção da conta corrente no valor de R$ 400,00 aproximadamente, ou seja, quase o valor  de um salário mínimo que na época era de R$ 545,00. Assim, propôs adquirir um empréstimo  com juros menores, para quitar o débito e pagar o valor de forma mais branda. Foi negado, é  lógico! Não obstante, em janeiro de 2022, a folha de pagamento do estado retorna ao banco  ITAU, fato em que Zé Ninguém, em cumprimento parcial ao seu juramento, foi obrigado entrar  naquele estabelecimento para requerer sua portabilidade para o mesmo banco do Brasil. Foram  três suas “visitas” para esta finalidade – todas elas sem sucesso. A última ida, porém,  permaneceu 5 horas em uma fila (de 09:00 às 14:00) e, segundo o atendente, com um ou dois  minutinhos o seu pagamento estaria na sua conta no banco do Brasil. Foi-se embora  monitorando seu saldo pelo aplicativo, sendo que não se confirmou a transferência até minutos  antes da agência fechar, horário em que Zé Ninguém se encontrava na porta da mesma a fim de  resolver o problema. Contudo, a portaria da agência afirmou que ele deveria pegar a fila  novamente, fato que o deixou indignado perdendo sua razão ao empurrar a porta nervoso com  a situação. O intuito era abrir a porta sem se importar se quebraria ou não, se seria repreendido  pelos seguranças ou não. Antes mesmo de assentar para conversar com o gerente, a porta  começou a debulhar em minúsculos fragmentos e a polícia já estava no ambiente, o que o fez  indignamente falar aos militares que pudessem atirar, afirmando que só sairia dali com seu  dinheiro. O problema é que já havia 6 dias que seu dinheiro se encontrava retido no banco,  cerca de R$ 12.000,00. Já imaginaram 1.200.000 servidores com seus salários retidos e o banco  especulando este dinheiro em aplicações ou em bolsas de valores neste intervalo de tempo? Pois  é!  Zé Ninguém foi preso, jogado dentro do camburão feito um bandido ou um saco de  batatas, conduzido para a delegacia. Nunca tinha sofrido tanta humilhação e constrangimento daquela envergadura, sobretudo por ser um homem honrado e ter acontecido em meio a dezenas  ou centenas de colegas de trabalho que estavam no momento dentro e fora do banco nas longas  filas que ainda persistiam naquele horário. Resolveu o problema, mas o incidente fez uma  PISADURA brava no seu âmago que nunca mais cicatrizou.  Essa ferida persistiu e ainda persiste até hoje no coração e na mente de Zé Ninguém. Não sei se  por este e ou por outros motivos, em meados de 2024 o seu câncer voltou feito um furúnculo  que vem a furo ou um vulcão em erupção. Entrou na justiça por danos morais, mas perdeu ou  nem fora julgado seu processo, É Óbvio!  Você que chegou até aqui deve estar se perguntando o que o título deste texto tem a ver  com seu conteúdo: Ordem e progresso, ordem para o povo, para o Zé ninguém, para o  trabalhador, progresso para a Faria Lima, neste caso representado pelo banco ITAU. E o mais  grave, aparelhado pelos tentáculos do estado, pois o banco nada sofreu, Zé Ninguém perdeu a  fé em tudo, inclusive não reconhecendo mais o estado, nem a justiça e outras mazelas do  sistema.  (*) Professor pelo estado de Minas Gerais por cerca de 14 anos; Biólogo de formação pela  Universidade Estadual de Montes Claros e ainda servidor público como Analista Ambiental na  mesma esfera da federação por 20 anos; Pós graduado em Administração e Manejo de Unidade  de Conservação; Pós Graduado em Perícia e Auditoria Ambiental e Mestre em biotecnologia  com ênfase em recuperação em áreas degradadas em Mata ciliares, escritor e membro efetivo  do Instituto Histórico e Geográfico de uma comuna de Minas Gerais, mas conduzido e preso  pela polícia militar deste estado, jogado dentro de um camburão de uma viatura como um  vagabundo, não a pedido, mas a mando da Faria Lima.

PP confirma neutralidade na eleição e Tereza Cristina não será vice de Flávio Bolsonaro

Partido descarta aliança com o PL após consulta interna; decisão sela fim da possibilidade de senadora na chapa O PP anunciou nesta sexta-feira (31) que ficará neutro na eleição presidencial, o que elimina a chance de a senadora Tereza Cristina (MS) ser vice na chapa de Flávio Bolsonaro (PL).“O Progressistas, após consulta aos diretórios estaduais, decidiu, por maioria, permanecer neutro no processo eleitoral. Diante disso, reiteramos a posição de não convocação a Convenção Nacional. A decisão já foi comunicada e acatada pela nossa líder no Senado Federal, senadora Tereza Cristina”, diz a nota.O tesoureiro do PP, deputado federal Ricardo Barros (PR), afirmou que o partido decidiu manter a neutralidade na eleição presidencial deste ano, frustrando o acordo que havia sido firmado entre os senadores Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Tereza Cristina (PP-MS) para que ela fosse vice dele.“O PP fez consulta aos seus diretórios estaduais e, por maioria, decidiu permanecer na neutralidade no processo eleitoral, reiterando a posição de não convocar Convenção Nacional. A decisão já foi comunicada e acatada pela senadora Tereza Cristina, nossa líder no Senado Federal”, disse a nota do deputado, depois confirmada pela executiva nacional do PP.A decisão foi divulgada à imprensa cerca de 15 minutos após Flávio atender jornalistas na sede de seu comitê de campanha, no Ibirapuera, zona sul de São Paulo, e confirmar ter convidado a senadora para ser sua vice e disse que ela havia aceito.“O convite foi feito, ela aceitou e agora estamos nas conversas para saber se o partido vai avançar ou não. Enquanto isso, a gente também está em conversa, continuamos em conversa com outros partidos”, disse Flávio.O senador estava em seu comitê para uma reunião com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB), e vereadores da cidade.Quando falou à imprensa, ele estava ao lado da economista Daniela Marques (Republicanos), colaboradora da área econômica de sua campanha, que também tenta o posto de vice sem apoio de sua legenda.Flávio tem entre esta sexta-feira (31) e o próximo dia 5 para definir a vice, segundo a legislação eleitoral.Tereza teve recentemente um encontro com Flávio e aceitou integrar a chapa dele.A senadora estava totalmente contrária à ideia, mas foi pressionada nos últimos dias pela família Bolsonaro, pelo governador de São Paulo, e por lideranças do agronegócio.

Autoridades estimam 60 mil marroquinos em “invasão” a Ceuta

Governo local registra ao menos 34 mortos após travessias do Marrocos ao país europeu Cerca de 60 mil migrantes cruzaram nos últimos dias a fronteira entre o Marrocos e Ceuta, território espanhol no norte da África, levando Espanha e Marrocos a reforçarem a segurança nesta sexta-feira (31). O governo local informou que ao menos 34 corpos foram encontrados após as travessias por terra e mar.Juan Jesús Vivas, líder de Ceuta, disse que o total equivale a mais de 70% dos cerca de 85 mil habitantes do território. O ministro do Interior espanhol estimou que 25 mil migrantes retornaram voluntariamente ao Marrocos na manhã de sexta.O Departamento de Segurança Nacional da Espanha havia divulgado que mais de 49 mil pessoas cruzaram ilegalmente a fronteira em 24 horas, com base em dados do Ministério do Interior. O órgão retirou a informação de seu site mais tarde, sem explicar a mudança.Autoridades marroquinas usaram caminhões com canhões de água nos portões de Ceuta para dispersar a multidão. Próximo à fronteira, havia os restos carbonizados de um ônibus e de sete carros após confrontos.

Lula e Xi aceleram articulação por acordo entre Mercosul e China

Em conversa, presidentes reforçam cooperação em tecnologia, defendem negociações comerciais e alinham posições sobre crises internacionais. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da China, Xi Jinping, concordaram em acelerar as tratativas para um acordo entre o Mercosul e a China durante conversa telefônica realizada na noite de domingo (26). O telefonema, que durou mais de uma hora, também serviu para reforçar a parceria estratégica entre os dois países em áreas de alta tecnologia e para alinhar posições sobre temas da agenda internacional.Segundo nota divulgada pelo Palácio do Planalto, os dois líderes discutiram a implementação das sinergias entre os projetos nacionais de desenvolvimento de Brasil e China e reiteraram o compromisso de ampliar a cooperação em setores estratégicos, como inteligência artificial, satélites, beneficiamento de minerais críticos e comércio de fertilizantes.Lula reafirmou que seu governo mantém o compromisso com a diversificação de mercados e parceiros comerciais. Nesse contexto, os presidentes defenderam a aceleração das negociações para um acordo entre o Mercosul e a China, ressaltando que o entendimento deverá contemplar as flexibilidades necessárias. De acordo com a Folha de S.Paulo, a iniciativa ganha relevância em meio ao aumento das tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos após a imposição de novas tarifas por Washington sobre produtos brasileiros.A conversa também abordou os resultados do comércio bilateral e iniciativas para ampliar o intercâmbio entre os dois países. Lula e Xi destacaram o impacto positivo das jornadas culturais Brasil-China realizadas neste ano e do acordo de isenção de vistos para viagens de curta duração, medidas que, segundo o Planalto, devem impulsionar o turismo e as oportunidades de negócios.Na pauta internacional, os dois presidentes manifestaram preocupação com a proliferação de conflitos e seus impactos sobre a segurança alimentar e energética global. Em relação ao Oriente Médio, afirmaram que as restrições à navegação nos estreitos de Ormuz e Bab el-Mandeb prejudicam a economia mundial e expressaram preocupação com a situação humanitária na Faixa de Gaza.Sobre a guerra na Ucrânia, Lula e Xi defenderam que o Grupo de Amigos da Paz, iniciativa promovida por Brasil e China, pode contribuir para a retomada das negociações entre as partes. Os líderes também criticaram a incapacidade do Conselho de Segurança da ONU de responder adequadamente às crises internacionais e reiteraram o compromisso dos dois países com o fortalecimento do multilateralismo, mantendo coordenação estreita na ONU, no Brics e em outros fóruns internacionais. Segundo a Folha, a versão divulgada pela agência estatal chinesa acrescenta que Xi Jinping declarou apoio ao Brasil na defesa de sua soberania e independência e na oposição a interferências externas, além de manifestar disposição para aprofundar a coordenação estratégica entre os dois países tanto no plano bilateral quanto multilateral.Com informações da Secretaria de Comunicação Social do Governo e da Folha de S.Paulo

Peça de IA com Bolsonaro pode derrubar candidatura de Flávio

A norma eleitoral prevê cassação do registro ou do mandato em casos de uso proibido de conteúdo manipulado O vídeo produzido por inteligência artificial que colocou Jair Bolsonaro pedindo apoio à candidatura presidencial do filho pode representar uma grave violação das regras eleitorais. A avaliação é do advogado e jornalista brasileiro Fernando Boscardín, radicado nos Estados Unidos, que classificou como ilegal a peça exibida na convenção nacional do PL.“Isso aqui é absolutamente ilegal”, afirmou Boscardín. Segundo ele, a utilização do vídeo pode configurar abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação, ilícitos capazes de atingir diretamente o registro da candidatura de Flávio Bolsonaro.Na gravação, a imagem e a voz de Jair Bolsonaro foram recriadas digitalmente. Embora a própria peça avisasse que se tratava de uma simulação feita por inteligência artificial, o ex-presidente aparecia defendendo sua prisão como injusta e apresentava Flávio como o escolhido para substituí-lo: “O Brasil tem futuro e o futuro é Flávio Bolsonaro presidente”.Boscardín cita o artigo 9º-C da Resolução nº 23.610 de 2019 do Tribunal Superior Eleitoral, incluído pelas regras aprovadas em 2024. O dispositivo proíbe o uso de conteúdo sintético em áudio ou vídeo criado ou manipulado digitalmente para favorecer ou prejudicar uma candidatura, ainda que a pessoa retratada tenha autorizado a produção. A regra é mais rigorosa do que a obrigação de identificar materiais produzidos com inteligência artificial. Enquanto o artigo 9º-B determina que conteúdos sintéticos sejam explicitamente rotulados, o artigo seguinte proíbe os chamados deepfakes quando usados para beneficiar uma candidatura. Assim, na avaliação do advogado, o aviso colocado no vídeo não elimina a irregularidade.A resolução estabelece que o descumprimento da proibição configura abuso do poder político e uso indevido dos meios de comunicação social, podendo acarretar a cassação do registro ou do mandato, além de outras responsabilizações. A aplicação de qualquer punição, porém, depende da abertura de uma ação e de decisão da Justiça Eleitoral após a análise das circunstâncias e dos responsáveis pela produção e exibição da peça.A deputada federal Dandara Tonantzin, do PT de Minas Gerais, já anunciou que acionará a Procuradoria-Geral da República contra a utilização do vídeo. Ela também apontou possível descumprimento das normas do TSE e pediu a investigação do material apresentado durante o evento que oficializou Flávio como candidato do PL à Presidência.

PL vai ao TSE tentar censurar ICL por divulgação do documentário sobre Flávio Bolsonaro

Para o ICL, a ação revela “claro objetivo de intimidar e silenciar um veículo de comunicação que tem como missão o jornalismo responsável” O Partido Liberal (PL) ingressou com representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que pede a censura da divulgação do documentário “Flávio Bolsonaro: a verdadeira história sobre o filho zero um”, produzido pelo Instituto Conhecimento Liberta (ICL). O filme foi lançado nesta quinta-feira (23), no YouTube. A representação pede que o ICL “interrompa imediatamente a mobilização e a divulgação” do documentário.O partido quer também que o instituto informe o custo da produção e divulgação da obra, além de responder “se mantém contratos com o governo federal” e se recebe verbas “de partidos políticos, como o PT”. Por várias vezes o fundador do ICL, Eduardo Moreira, declarou que o instituto não tem patrocínios e nem recebe verbas de nenhuma empresa, partido ou governo, e se sustenta apenas da mensalidade dos alunos que fazem os mais de 300 cursos oferecidos pela instituição.Na ação, o PL alega que o instituto promove “propaganda eleitoral antecipada contra o senador e pré-candidato”.Em resposta, o ICL emitiu nota informando que é “uma plataforma de jornalismo reconhecida por sua dedicação à imprensa livre, independente e sem patrocínios de grupos políticos ou econômicos”. Diz o texto que “é justamente esse compromisso histórico com a apuração rigorosa dos fatos que sustenta a produção do documentário ‘Flávio Bolsonaro: a verdadeira história sobre o filho zero um’”.“Por isso, recebemos com indignação a representação eleitoral protocolada pelo Partido Liberal (PL) no Tribunal Superior Eleitoral. A ação revela, em nossa avaliação, o claro objetivo de intimidar e silenciar um veículo de comunicação que tem como missão o jornalismo responsável, livre e desvinculado de qualquer amarra partidária ou empresarial”, afirma a nota do ICL.E prossegue: “Criticar e questionar figuras públicas é função essencial da imprensa em qualquer democracia”.A ação do PL se refere à estratégia de divulgação do ICL, usada em várias oportunidades para dar conhecimento ao público do lançamento de seus produtos culturais e jornalísticos, como “complexa operação de mobilização político-eleitoral”. A nota do instituto rebate: “Tentar enquadrar a divulgação de uma produção jornalística como suposta ‘propaganda eleitoral ilícita’ é, antes de tudo, uma tentativa de deslegitimar o trabalho de apuração e transformar o exercício da liberdade de imprensa em objeto de perseguição judicial e censura.”O ICL reafirma no texto “seu compromisso com a verdade e com a informação de interesse público”, e confirma que “continuará nas trincheiras pela liberdade de expressão e pelo exercício do jornalismo livre, tal como garantido pela Constituição Federal”.

PP e União Brasil abandonam Flávio Bolsonaro e escancaram isolamento na corrida presidencial

Sem apoio da federação, o Zero Um perde espaço de articulação e enfrenta mais dificuldades para ampliar a base Crise interna e receio de novas acusações pesam contra a aliançaDirigentes de PP e União Brasil também demonstram pouca disposição para embarcar na candidatura de Flávio em meio a uma crise interna no campo bolsonarista. As siglas temem o surgimento de novas acusações de ligações do pré-candidato com o banqueiro Daniel Vorcaro.Uma fonte do Centrão resumiu o ambiente com a frase: “Expectativa de poder às vezes é maior do que o poder”. Em 2022, o PP se aliou ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), quando a relação de Ciro Nogueira com ele era considerada excelente.A relação de Ciro com Flávio azedou porque o presidente do PP reclama que o senador do PL não saiu em sua defesa quando a Polícia Federal realizou uma operação que o atingiu. A queixa entrou no cálculo político do Progressistas para evitar compromisso nacional com a candidatura.Flávio agora tenta abrir negociação com o Republicanos, partido que também esteve aliado a Jair Bolsonaro em 2022. A conversa enfrenta obstáculos: a sigla sinaliza neutralidade e reclama que o PL não quer apoiar seus candidatos a governador em alguns estados, como Mato Grosso, onde lançou o senador Wellington Fagundes (PL-MT) contra Otaviano Pivetta (Republicanos), que busca a reeleição; as tratativas também avançam com dificuldade em Roraima e no Acre.

Flávio Bolsonaro repete o pai e ataca urnas eletrônicas com mentira 

Em evento com diplomatas, senador busca pretextos golpistas ao associar sistema de votação à fraude; TSE reitera que alegação é falsa Em evento com diplomatas nesta terça-feira (21), em Brasília, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) voltou a atacar a lisura do sistema eleitoral brasileiro ao associar, sem provas, as urnas eletrônicas do país à empresa Smartmatic, de origem venezuelana.A declaração foi feita durante o fórum “Debatendo o Brasil”, promovido pelas plataformas The Brazilian Report e Novo Selo Comunicação. Diante de representantes de cerca de 40 países, o parlamentar cobrou o envio da “maior quantidade de observadores possível” para acompanhar o pleito de outubro, reeditando a estratégia discursiva do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.A fala do senador resgatou uma narrativa desqualificada em sucessivas ocasiões pela Justiça Eleitoral. Segundo relato veiculado pelo jornal O Globo, Flávio afirmou que “uma das suspeitas é que uma empresa chamada Smartmatic, de origem venezuelana, é que tenha uma programação para alteração das votações naquele país” e sustentou que “muitas dessas máquinas que são utilizadas nas eleições brasileiras têm a mesma origem dessa empresa”. Numa clara tentativa de criar condições para pretextos golpistas.Posteriormente, a assessoria do congressista declarou que ele não questionava o processo eleitoral, mas a manifestação pública alinhou-se aos recorrentes questionamentos levantados por setores da extrema direita contra as urnas. Flávio Bolsonaro ataca urnas eletrônicas com mentira desmentida pelo TSEReagindo às declarações no mesmo dia, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reiterou a inexistência de qualquer vínculo entre as urnas eletrônicas brasileiras e a Smartmatic. A posição oficial do tribunal, registrada em esclarecimentos prestados nos anos de 2017, 2020 e 2022, destaca que todo o projeto, a arquitetura de software e a gestão do sistema de votação são desenvolvidos inteiramente e sob domínio exclusivo do Poder Judiciário brasileiro.Conforme os registros públicos da Justiça Eleitoral, a Smartmatic nunca produziu ou programou urnas eletrônicas no Brasil. A atuação da empresa no país restringiu-se ao fornecimento de serviços de transmissão de dados e voz em localidades isoladas durante os pleitos de 2012, 2014 e 2016, além do treinamento pontual de equipes de suporte técnico. Em 2020, a empresa disputou a licitação promovida pelo TSE para a fabricação dos novos modelos de urna, mas foi derrotada pela brasileira Positivo Tecnologia. Tecnologia nacional sob controle exclusivo da Justiça EleitoralAs urnas eletrônicas em uso no país — incluindo os modelos UE2020 e UE2022 — são fabricadas pela Positivo Tecnologia na planta industrial de Ilhéus (BA), sob rigorosa fiscalização presencial de técnicos e engenheiros do TSE. A alegação de vínculo tecnológico com sistemas externos é classificada como falsa pelo serviço Fato ou Boato, mantido pela Justiça Eleitoral, e por diversas agências independentes de checagem de fatos.A investida contra o sistema de votação repete o padrão adotado pela família Bolsonaro em eleições anteriores, pautado na contestação das urnas e na tentativa de criar ambiguidades perante organismos internacionais. Em 2022, o uso reiterado de alegações improcedentes contra a integridade do processo eleitoral integrou os fundamentos jurídicos que culminaram na declaração de inelegibilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro pela Justiça Eleitoral.

Tarifaço de Trump contra o Brasil entra em vigor; veja as respostas do governo Lula

Medida alcança 18% das exportações brasileiras aos EUA e leva Planalto a fechar pacote de apoio às empresas A cobrança recairá sobre importadores estadunidenses quando os produtos brasileiros entrarem nos EUA, o que encarece as compras e pode reduzir a demanda por itens nacionais. A lista de exceções deixou fora mais de 2 mil produtos, incluindo petróleo bruto, café em grão, aeronaves, carne bovina, celulose, sucos de laranja, ferro-gusa e ferro-nióbio.Entre os produtos atingidos estão máquinas industriais, pneus, açúcar, etanol, tabaco, madeira, calçados e alguns itens de alumínio. O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, disse que a medida alcança 18% das exportações brasileiras aos EUA tomando 2024 como base, o equivalente a US$ 7,4 bilhões. Governo prepara crédito e evita retaliação imediataCom base nos embarques de 2025, a fatia afetada cai para 15%, ou US$ 5,8 bilhões, enquanto 57% dos produtos vendidos pelo Brasil aos EUA seguem sem tarifa. No agronegócio, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil estima impacto de R$ 4,6 bilhões por ano, o equivalente a 36,5% das vendas do setor ao mercado estadunidense.Dario Durigan, da Fazenda, afirmou que o governo deve concluir nos próximos dias medidas para reduzir efeitos do tarifaço e da alta dos fertilizantes. Uma das ações prevê linha de crédito para empresas misturadoras de fertilizantes; outra envolve investimentos como complemento ao Plano Brasil Soberano, com crédito a empresas atingidas pela sobretaxa e exigência de preservação de empregos.O Plano Brasil Soberano oferece linhas de crédito e outras formas de apoio a empresas afetadas por crises externas, com eixos voltados ao setor produtivo, aos trabalhadores e à diplomacia comercial. A ApexBrasil também prepara um programa de diversificação de mercados, previsto para o início de agosto, com investimento de R$ 130 milhões e parceria com o setor privado.O Planalto anunciou que iniciaria os trâmites para acionar a Lei da Reciprocidade Econômica, mas ainda não apresentou medidas concretas com base na legislação. Lula orientou aliados a evitar radicalismos, enquanto o vice-presidente Geraldo Alckmin classificou a tarifa como “injusta e descabida” e disse que o Brasil “não saiu da mesa de negociação”.Setores afetados também defenderam cautela em reuniões com o governo na terça-feira (21), e empresários de máquinas pediram resposta pela via diplomática e empresarial. Especialistas apontam negociação técnica, uso da reciprocidade como pressão e atuação junto a empresas, Congresso e governos locais nos EUA como caminhos para tentar reduzir o impacto.O governo brasileiro ainda trabalha com a possibilidade de os EUA aplicarem uma sobretaxa adicional de 12,5% por supostas falhas na fiscalização de importações produzidas com trabalho forçado. Se a cobrança acumular com os 25% desta quarta, alguns produtos brasileiros podem enfrentar tarifa total de 37,5%; o representante comercial estadunidense, Jamieson Greer, disse à CNBC que novas medidas serão anunciadas “em breve”