Erika Hilton diz que PSOL “implorou” para ela ficar após queixas sobre fundo partidário

Dirigentes do partido dizem que deputada usa tema como justificativa para deixar a legenda após eleições A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) afirmou que só permaneceu no partido porque a direção da legenda pediu para que ela ficasse e ajudasse o PSOL a superar a cláusula de barreira. A declaração ocorre em meio à crise sobre a distribuição de recursos do fundo partidário para as eleições. Com informações da coluna Painel, da Folha de S.Paulo. Erika reagiu a dirigentes do PSOL que a acusam de usar a disputa por verbas como justificativa para deixar a legenda depois das eleições. A parlamentar disse que já poderia ter saído do partido, mas optou por ficar diante do risco eleitoral que a sigla enfrentava. “Me senti completamente desrespeitada e agredida. Eu recusei propostas para garantir a cláusula de barreira. Já poderia estar fora do PSOL, mas fiquei porque sabia que era um risco para o partido”, disse a deputada. A crise ganhou força nesta terça-feira (23), quando Erika foi às redes sociais para acusar o PSOL de descumprir um acordo fechado no início do ano. Segundo ela, o combinado previa que, por atuar como puxadora de votos, receberia mais recursos do fundo partidário. Direção do PSOL nega quebra de acordo sobre valores A deputada afirma que dirigentes do partido a informaram agora que ela receberia os mesmos valores destinados a outros candidatos da legenda. Erika apresentou a cobrança como uma quebra do acordo que, segundo ela, havia sido acertado antes. Dirigentes do PSOL negam a versão da parlamentar. Integrantes da cúpula partidária dizem que Erika receberá mais recursos que outros nomes da legenda, mas a planilha com os valores previstos para cada candidatura não foi divulgada. A discussão sobre a permanência de Erika no PSOL já havia aparecido no início do ano, quando a corrente ligada à deputada e ao ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, defendeu uma federação com o PT. A proposta de federação com o PT acabou rejeitada pela maioria dos integrantes do PSOL. Naquele período, outras correntes internas já acusavam Erika e Boulos de procurar um motivo para deixar a legenda, versão que voltou a circular entre dirigentes durante a disputa atual sobre o fundo partidário.

Líder do governo Lula no Senado é alvo da PF na 9ª fase da Operação Compliance Zero

O senador Jaques Wagner (PT-BA), está na mira da PF que investiga um suposto esquema bilionário de fraudes envolvendo o Banco Master A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (18) a 9ª fase da Operação Compliance Zero, que tem como alvo o senador Jaques Wagner (PT-BA), no âmbito do Caso Master, investigação que apura suspeitas de fraudes ligadas ao Banco Master e cumpre mandados na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal, segundo o jornal O Estado de São Paulo. A apuração envolve os vínculos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e a suposta participação de Wagner no esquema investigado. O senador ainda não se manifestou publicamente sobre a operação.  Ao todo, a PF cumpre 18 mandados de busca e apreensão autorizados pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. As diligências ocorrem em endereços relacionados aos investigados nos três estados.Entre os alvos da operação estão empresas e residências de Augusto Lima, na Bahia. Ele é apontado como ex-sócio de Daniel Vorcaro.Além das buscas, a decisão judicial determinou medidas cautelares contra investigados. Entre elas estão a proibição de contato entre os envolvidos, a suspensão de passaportes e o uso de monitoração eletrônica.A Operação Compliance Zero avança sobre suspeitas relacionadas ao Banco Master e busca reunir elementos sobre a atuação dos investigados no caso. As medidas foram autorizadas no âmbito da investigação que tramita sob supervisão do STF. Empresa da nora de Jaques Wagner recebeu R$ 12 milhões do MasterEmpresa de Bonnie Bonilha recebeu repasses do Master entre 2022 e 2025, segundo quebra de sigilo fiscal enviada à CPI do Crime Organizado A BN Financeira, empresa de Bonnie Bonilha, nora do senador Jaques Wagner (PT-BA), recebeu R$ 12 milhões do banco Master entre 2022 e 2025, de acordo com a quebra de sigilo fiscal da instituição financeira enviada à CPI do Crime Organizado. A informação surge no contexto de uma nova fase da operação Compliance Zero, que mira Wagner e o empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, segundo Fabio Serapião, do UOL.A Polícia Federal cumpre 18 mandados de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nos estados da Bahia, São Paulo e no Distrito Federal. A ofensiva faz parte das investigações sobre suspeitas de fraudes envolvendo o banco Master.Além das buscas, também foram determinadas medidas cautelares diversas da prisão. Entre elas estão a proibição de contato entre investigados, a suspensão de passaporte e o uso de monitoração eletrônica.A nova fase da operação Compliance Zero amplia o alcance das apurações sobre a atuação do banco Master e seus vínculos com pessoas e empresas investigadas. No caso da BN Financeira, os repasses de R$ 12 milhões constam da documentação fiscal encaminhada à CPI de Crime Organizado.Jaques Wagner, líder do governo Lula (PT) no Senado, aparece entre os alvos da operação autorizada pelo STF. Augusto Lima, empresário e ex-sócio de Daniel Vorcaro, também é alvo das diligências realizadas pela Polícia Federal.

Por unanimidade, Primeira Turma do STF vota pela condenação de Eduardo Bolsonaro

“Não é função de deputado federal brasileiro fazer lobby no exterior contra o próprio país”, disse o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso Todos os ministros da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal votaram pela condenação do deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), acusado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de coação judicial. Os magistrados Alexandre de Moraes (relator do caso), Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino deram votos para condenar o ex-parlamentar.“Não é função de deputado federal brasileiro fazer lobby no exterior contra o próprio país”, disse Moraes. O ministro Cristiano Zanin afirmou que as iniciativas de Eduardo Bolsonaro “evidenciam de forma clara o crime de coação no curso do processo”. “Comprovam autoria e materialidade com esse intuito de coagir a atuação do STF na condução da ação penal 2668”, acrescentou.Segundo a ministra Cármen Lúcia, “houve sucessão de atos que comprovam um percurso criminoso para coagir os julgadores”.O deputado cassado mora nos Estados Unidos desde o começo do ano passado. O ex-parlamentar faz articulações com a extrema direita estadunidense para incentivar os EUA a aplicar sanções contra o Brasil por causa de condenações em inquéritos sobre ações golpistas.O inquérito apura a atuação do ex-parlamentar junto ao governo norte-americano para pressionar o Brasil por meio de tarifas sobre exportações, suspensão de vistos de autoridades e aplicação de sanções econômicas previstas na Lei Magnitsky contra ministros do STF e do governo federal. O ex-parlamentar também perdeu o mandato de deputado federal. A Câmara dos Deputados cassou sua cadeira em razão das sucessivas ausências nas sessões plenárias da Casa. DenúnciasO procurador-geral da República, Paulo Gonet Branco, afirmou que o conjunto de provas reunido contra Eduardo Bolsonaro indica que as investidas intimidatórias do ex-deputado contra a Justiça brasileira ocorreram em julho de 2025. As ações, segundo a acusação, não foram discretas nem isoladas: ganharam publicidade pela imprensa, foram divulgadas pelo próprio acusado nas redes sociais e ficaram registradas em vídeos.Nas publicações, Eduardo expunha sua agenda nos Estados Unidos e relatava tratativas com autoridades americanas. Para a Procuradoria-Geral da República, essas movimentações tinham caráter de ameaça e buscavam interferir no julgamento de Jair Bolsonaro, com o objetivo de interromper o processo e afastá-lo das acusações e das eventuais punições. Crime de coaçãoO crime de coação no curso do processo ocorre quando alguém usa violência ou grave ameaça para favorecer interesse próprio ou de terceiros contra autoridade, parte ou qualquer pessoa chamada a atuar em um processo judicial. A pena prevista é de um a quatro anos de reclusão, além de multa.As penas podem aumentar porque, segundo a acusação, a conduta ocorreu de forma continuada, em uma sequência de ações, conforme prevê o artigo 71 do Código Penal.

“Complexo de vira-latas”: leia a crônica de Nelson Rodrigues que deu origem ao termo

Nelson usou o termo para definir a tendência nacional de se considerar inferior diante do resto do mundo, especialmente após o trauma da derrota para o Uruguai na final da Copa de 1950. * Por Kiko Nogueira O “complexo de vira-latas”, expressão criada pelo gênio de Nelson Rodrigues, surgiu numa crônica publicada na revista Manchete Esportiva em 31 de maio de 1958, às vésperas da estreia do Brasil naquela Copa.Nelson usou o termo para definir a tendência nacional de se considerar inferior diante do resto do mundo, especialmente após o trauma da derrota para o Uruguai na final da Copa de 1950.Ele argumentava que o principal desafio da seleção não era técnico nem tático, mas psicológico. O brasileiro precisava recuperar a confiança em si mesmo. Menos de um mês depois, a equipe liderada por Pelé, Garrincha, Didi e companhia conquistaria o mundo e transformaria para sempre a relação do país com o futebol.Curiosamente, o termo não pegou quando Nelson escreveu a crônica, segundo seu biógrafo Ruy Castro. Hibernou até a década de 1990, quando foi relançado numa coletânea de crônicas pela editora Companhia das Letras. Coisa de profeta. Hoje é mais atual do que nunca: COMPLEXO DE VIRA-LATASHoje vou fazer do escrete o meu numeroso personagem da semana. Os jogadores já partiram [era a última crônica antes da estréia da seleção na Copa de 1958] e o Brasil vacila entre o pessimismo mais obtuso e a esperança mais frenética. Nas esquinas, nos botecos, por toda parte, há quem esbraveje: — “O Brasil não vai nem se classificar!”. E, aqui, eu pergunto: — não será esta atitude negativa o disfarce de um otimismo inconfesso e envergonhado?Eis a verdade, amigos: — desde 50 que o nosso futebol tem pudor de acreditar em si mesmo. A derrota frente aos uruguaios, na última batalha, ainda faz sofrer, na cara e na alma, qualquer brasileiro. Foi uma humilhação nacional que nada, absolutamente nada, pode curar. Dizem que tudo passa, mas eu vos digo: menos a dor-de-cotovelo que nos ficou dos 2 x 1. E custa crer que um escore tão pequeno possa causar uma dor tão grande. O tempo passou em vão sobre a derrota. Dir-se-ia que foi ontem, e não há oito anos, que, aos berros, Obdulio arrancou, de nós, o título. Eu disse “arrancou” como poderia dizer: — “extraiu” de nós o título como se fosse um dente.E, hoje, se negamos o escrete de 58, não tenhamos dúvida: — é ainda a frustração de 50 que funciona. Gostaríamos talvez de acreditar na seleção. Mas o que nos trava é o seguinte: — o pânico de uma nova e irremediável desilusão. E guardamos, para nós mesmos, qualquer esperança. Só imagino uma coisa: — se o Brasil vence na Suécia, se volta campeão do mundo! Ah, a fé que escondemos, a fé que negamos, rebentaria todas as comportas e 60 milhões de brasileiros iam acabar no hospício.Mas vejamos: — o escrete brasileiro tem, realmente, possibilidades concretas? Eu poderia responder, simplesmente, “não”. Mas eis a verdade: — eu acredito no brasileiro, e pior do que isso: — sou de um patriotismo inatual e agressivo, digno de um granadeiro bigodudo. Tenho visto jogadores de outros países, inclusive os ex-fabulosos húngaros, que apanharam, aqui, do aspirante-enxertado do Flamengo. Pois bem: — não vi ninguém que se comparasse aos nossos. Fala-se num Puskas. Eu contra-argumento com um Ademir, um Didi, um Leônidas, um Jair, um Zizinho.A pura, a santa verdade é a seguinte: — qualquer jogador brasileiro, quando se desamarra de suas inibições e se põe em estado de graça, é algo de único em matéria de fantasia, de improvisação, de invenção. Em suma: — temos dons em excesso. E só uma coisa nos atrapalha e, por vezes, invalida as nossas qualidades. Quero aludir ao que eu poderia chamar de “complexo de vira-latas”. Estou a imaginar o espanto do leitor: — “O que vem a ser isso?”. Eu explico.Por “complexo de vira-latas” entendo eu a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo. Isto em todos os setores e, sobretudo, no futebol. Dizer que nós nos julgamos “os maiores” é uma cínica inverdade. Em Wembley, por que perdemos? Porque, diante do quadro inglês, louro e sardento, a equipe brasileira ganiu de humildade. Jamais foi tão evidente e, eu diria mesmo, espetacular o nosso vira-latismo. Na já citada vergonha de 50, éramos superiores aos adversários. Além disso, levávamos a vantagem do empate. Pois bem: — e perdemos da maneira mais abjeta. Por um motivo muito simples: — porque Obdulio nos tratou a pontapés, como se vira-latas fôssemos.Eu vos digo: — o problema do escrete não é mais de futebol, nem de técnica, nem de tática. Absolutamente. É um problema de fé em si mesmo. O brasileiro precisa se convencer de que não é um vira-latas e que tem futebol para dar e vender, lá na Suécia. Uma vez que ele se convença disso, ponham-no para correr em campo e ele precisará de dez para segurar, como o chinês da anedota. Insisto: — para o escrete, ser ou não ser vira-latas, eis a questão. * Kiko Nogueira é Diretor do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.

Desesperado, Flávio Bolsonaro defende Bolsa Família e critica o pai

As declarações foram feitas durante o fórum Rumos do Brasil, promovido pela revista Veja, em São Paulo. Em baixa nas pesquisas eleitorais, o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República, afirmou nesta segunda-feira (15) que o Bolsa Família deve ser tratado como um “direito adquirido” da população e defendeu a manutenção e ampliação dos mecanismos de proteção aos beneficiários do programa.Ao comentar o programa social, ele afirmou que parte dos beneficiários evita ingressar no mercado formal por receio de perder o auxílio. Segundo ele, é necessário criar instrumentos que garantam maior segurança para quem conquista emprego com carteira assinada ou decide abrir um negócio próprio. “Muita gente tem um preconceito com relação a quem está no Bolsa Família, como se não quisesse trabalhar. É um erro isso. (…) A gente tem que entender que o Bolsa Família é estabilidade para quem já passou fome”.O parlamentar também fez uma crítica ao próprio pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, por seus ataques à imprensa. Para ele, a condução dessa relação com a imprensa foi um dos equívocos da gestão anterior.“Para mim, a imprensa exerce um papel fundamental. E acho que foi um dos problemas que eu identifico no governo do presidente Bolsonaro, o relacionamento com a imprensa, o preconceito, muitas vezes, de quem estava gerindo o orçamento para a publicidade, com relação a alguns veículos de comunicação. Isso tem que ser mudado radicalmente. É um aprendizado de uma coisa que eu acho que foi feita errada, a gente não precisa repetir o erro”, declarou. Durante o evento, Flávio também comentou a proposta de isenção do Imposto de Renda para trabalhadores que recebem até R$ 5 mil mensais. O parlamentar declarou apoio à medida e afirmou que ela também fazia parte dos compromissos assumidos por Jair Bolsonaro durante sua passagem pelo Palácio do Planalto.“Eu sou favorável, era uma promessa de campanha também do presidente Bolsonaro. A única diferença é que, com o Bolsonaro, certamente, você teria uma compensação de abrir mão dessa receita, você teria de onde tirar, sem precisar aumentar ou criar impostos. O atual governo faz o contrário, esfola o contribuinte brasileiro com elevadíssima carga tributária para poder cumprir essa promessa de campanha”, afirmou.Ao falar sobre privatizações, o senador disse ser favorável à venda dos Correios, mas descartou uma privatização integral da Petrobras. Segundo ele, eventuais mudanças na estatal poderiam ocorrer por meio de parcerias com a iniciativa privada, redução da participação acionária da União ou outros modelos de desestatização.

Camilo Santana defende classificação de PCC e Comando Vermelho como terroristas

Ex-ministro diz que as facções “causam terrorismo no Brasil inteiro” e diverge do presidente Lula O ex-ministro, ex-governador e senador Camilo Santana (PT-CE) defendeu classificar o PCC e o Comando Vermelho como terroristas e afirmou que as facções “causam terrorismo no Brasil inteiro”, em posição que diverge da reação pública do presidente Lula (PT) à decisão do governo Donald Trump sobre organizações criminosas brasileiras. A Igor Gadelha, do Metrópoles, Camilo disse concordar com os 60% dos brasileiros que defendem que o PCC e o Comando Vermelho sejam considerados organizações terroristas também pelo governo brasileiro. O percentual foi apontado pela pesquisa Genial/Quaest divulgada na manhã de quarta-feira (10).“O PCC e o Comando Vermelho causam terrorismo no Brasil inteiro. O que houver de pior para classificar esse pessoal, tem que classificar”, declarou Camilo Santana.A avaliação do senador ocorre em meio ao debate sobre a forma como o Brasil deve enquadrar juridicamente e politicamente as facções criminosas. Ex-governador do Ceará, estado onde PCC e Comando Vermelho atuam, Camilo afirmou já ter comunicado ao presidente sua posição sobre o tema.O ex-ministro disse a Lula que considerou “equivocado” o discurso feito pelo presidente ao reagir à decisão dos Estados Unidos. Em fala no Sergipe, Lula afirmou que o combate ao PCC e ao Comando Vermelho é uma guerra do Brasil, e não dos norte-americanos.Apesar da divergência, Camilo avalia que a cooperação internacional pode contribuir para a proposta defendida por Lula de enfrentamento ao crime organizado. Para o senador, a participação dos Estados Unidos pode se somar a uma estratégia mais ampla contra as facções.“Não podemos usar esse tema da segurança para fazer politicagem, como é feito lá no Ceará todos os dias pelo nosso adversário. É um desafio que precisa estar acima de qualquer questão partidária ou política”, afirmou o senador.

Caso Bolsomaster derruba Flávio; Lula amplia vantagem em 10 pontos

O chamado efeito ‘Tariflávio’ e o escândalo do Banco Master consolidam a liderança de Lula, que atinge 44% contra 38% do bolsonarista no embate direto A nova pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira (10), confirma que o caso “Bolsomaster” e o recente tarifaço imposto pelos Estados Unidos deixaram marcas profundas na corrida presidencial de 2026. No cenário de primeiro turno, o presidente Lula (PT) manteve 39% das intenções de voto, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) recuou para 29%, ampliando para dez pontos a diferença entre os dois principais pré-candidatos.  O levantamento da consultoria é o primeiro a medir o impacto real do vazamento de áudios em que o parlamentar aparece pedindo dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro. O estudo vem acompanhado de um forte desgaste na imagem do senador, que viu sua rejeição disparar para 56% após passar a ser responsabilizado pelo eleitorado pelas recentes barreiras alfandegárias impostas pelos norte-americanos ao Brasil.  De acordo com a Quaest, Lula mantém os 39% das intenções de voto que já registrava em maio, enquanto Flávio Bolsonaro caiu quatro pontos, de 33% para 29%, no intervalo entre as duas pesquisas. A estabilidade de Lula frente à oscilação negativa do rival abre uma dianteira de dez pontos no primeiro turno, configurando o maior distanciamento entre os dois desde que Flávio assumiu a posição de principal nome do campo bolsonarista. No novo cenário, completam a lista Renan Santos (3%), Ronaldo Caiado (3%), Romeu Zema (2%), Aécio Neves (2%), Augusto Cury (1%), Joaquim Barbosa (1%) e Samara Martins (1%), além de 9% de brancos e nulos e 10% de indecisos.   O dado mais revelador do avanço de Lula está na movimentação do eleitorado independente: entre aqueles que não se identificam com o lulismo nem com o bolsonarismo, Lula cresceu de 29% para 37%, enquanto o senador do PL despencou de 31% para 24%. O isolamento e o desgaste da oposição de extrema direita ficam ainda mais evidentes nas simulações de segundo turno divulgadas hoje pela Quaest. Nos cenários testados, o presidente Lula consolida a liderança e amplia a vantagem para além da margem de erro, atingindo 44% das intenções de voto contra 38% de Flávio Bolsonaro em um embate direto. Em maio, a vantagem do petista era de apenas um ponto (42% a 41%). A atual diferença de seis pontos reflete a transferência de votos de setores moderados e de centro que rejeitam a associação do candidato do PL com esquemas de fraudes financeiras e com os prejuízos causados à economia nacional após sua última agenda em Washington. Em outros cenários de segundo turno testados pelo instituto, o presidente venceria Romeu Zema e Ronaldo Caiado, ambos por 45% a 35%, além de derrotar Renan Santos por 45% a 31%. Traição e corrupção bolsonarista A própria pesquisa destaca de forma combinada o impacto do caso Master e das decisões recentes do governo de Donald Trump que interferem diretamente no ambiente político e econômico brasileiro. O eleitorado demonstrou forte sensibilidade ao anúncio das novas sobretaxas de 25% impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, episódio que ganhou as redes sociais sob o apelido de “Tariflávio”. Embora o questionário não traga uma porcentagem isolada de culpa exclusiva pela tarifa, o cruzamento de dados feito pelo instituto comprova que a viagem de Flávio a Washington atraiu uma reação que pune o setor produtivo nacional e esvaziou o discurso de alinhamento com a Casa Branca. Esse fracasso diplomático atrelado à figura do senador ajuda a explicar o salto de sua rejeição para a marca de 56%, a mais alta entre todos os presidenciáveis. Em paralelo ao revés no exterior, o escândalo financeiro ganhou corpo com os áudios e mensagens de Flávio cobrando de Daniel Vorcaro o financiamento do longa-metragem de exaltação à trajetória política do pai. O impacto nas pesquisas é direto: os números da Quaest revelam que 12% dos entrevistados relatam que a relação do senador com Vorcaro diminuiu objetivamente sua vontade de votar nele para presidente, consolidando a erosão das intenções de voto já captadas. As conversas de Flávio e Vorcaro aparecem no contexto de investigações sobre fraudes e contratos suspeitos envolvendo o Banco Master, e o avanço dos inquéritos reabriu as negociações de delação premiada do ex-banqueiro com a Polícia Federal. O quadro traçado pela Quaest dialoga com outras sondagens recentes que reforçam a tendência de queda do bloco conservador. O levantamento AtlasIntel/Bloomberg já indicava que 64,1% dos entrevistados avaliaram que a divulgação dos áudios enfraqueceu a candidatura de Flávio, com 51,7% considerando que as conversas representam evidências de envolvimento direto no escândalo de fraudes financeiras. A sucessão de crises reativou o debate sobre corrupção centrado na direita, em um momento de recuperação para o governo federal, cuja aprovação subiu para 47% na Quaest, empatando tecnicamente com a desaprovação de 48%.

PF mira Ciro Nogueira por mesada de Vorcaro, “Emenda Master” e viagem de quase R$ 2 milhões

A amizade do senador Ciro Nogueira, presidente do Progressistas (PP) com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, resultou em uma investigação que aponta mesada, sociedade oculta, viagens de luxo, uso de imóveis e atos parlamentares sob suspeita. Com informações da Piauí, que teve acesso a relatório da Polícia Federal e a documentos do Coaf que embasam a apuração sobre a relação entre o senador e o banqueiro. A Polícia Federal vê na relação entre o Senador e o ex-banqueiro um “arranjo funcional e instrumental orientado por benefício mútuo, extrapolando relações de mera amizade”, nas palavras do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), ao autorizar nova operação no caso Master.Em março, após mensagens de WhatsApp ligarem seu nome ao banqueiro, Ciro tentou minimizar a relação. “Sem falsa modéstia, você sabe que eu me tornei um dos homens mais influentes da política nacional. Eu conheço todos os grandes empresários do nosso país. Todos”, disse em entrevista a um telejornal de Teresina.O senador também afirmou: “Não tem nenhum grande empresário nesse país que não já tenha me procurado em Brasília, ou me convidado para eventos, ou para palestra, ou para jantares”. Em outro momento, declarou: “Agora, você nunca vai ver nada de errado nesses diálogos. Ah, ‘foi convidado para jantar’. Ah, ‘botou um helicóptero à minha disposição’, que eu não usei. Poxa, mas, pelo amor de Deus. Isso é o fato de nós termos um homem influente que conhece todos os homens influentes do país”.A investigação mostra, porém, que a relação seria mais antiga e mais ampla. Um documento do Coaf aponta que, entre agosto de 2023 e agosto de 2024, a BRGD, empresa da família de Vorcaro, depositou R$ 902 mil na CNLF Empreendimentos Imobiliários, empresa ligada à família de Ciro. O órgão considerou as operações atípicas, e a PF suspeita de pagamentos de propina disfarçados de relação empresarial.Em abril de 2024, a CNLF comprou por R$ 1 milhão uma fatia de 30% da Green Investimentos que valeria R$ 13 milhões, segundo a reportagem. O negócio foi feito por contrato de gaveta e, conforme Mendonça, buscava “evitar a supervisão regulatória”. Três meses depois, a CNLF teria direito a cerca de R$ 720 mil em dividendos.Também foram reveladas mensagens que indicam pagamento de mesada ao senador. Em junho de 2025, Vorcaro cobrou o primo Felipe Cançado Vorcaro sobre atrasos: “Cara, eu no meio dessa guerra, atrasou dois meses Ciro?” O primo respondeu: “Vou ver se dou um jeito aqui” e perguntou: “Vai continuar os 500k, ou pode ser os 300k?”Outro trecho envolve o uso de imóvel de Vorcaro por Ciro. Em diálogo, o senador disse: “Não quero abusar da tua boa vontade, não. Tá bom, meu irmão?”O banqueiro respondeu: “Relaxa com isso”. Depois, Ciro escreveu: “Me avisa que eu dou um jeito se tu precisar. Abração, meu irmão. Saudade grande de você”. Vorcaro concluiu: “Irmãozão, já te falei desse apto. Zero estresse. Vamos conversar depois”.A investigação também aponta que a chamada “Emenda Master”, apresentada por Ciro em agosto de 2024 para elevar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos, teria sido redigida pela assessoria do próprio banco. Segundo a PF, Vorcaro comemorou que o texto saiu “exatamente como mandei”. No “pacote” da amizade entre os ambos ainda tem o financiamento de viagens de luxo, como uma temporada em Courchevel, nos Alpes franceses, que teria custado R$ 1,849 milhão e sido paga por Vorcaro. Procurado, Ciro Nogueira não respondeu uma lista de 60 perguntas enviadas pela revista.

“Zema se precipitou”, diz Flávio ao negar pedido de recursos a Vorcaro

O senador Flávio Bolsonaro reagiu nesta segunda-feira (1º) às declarações do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), sobre sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Durante participação no evento Eloos, promovido pela Rádio Itatiaia em parceria com a CNN Brasil, o parlamentar afirmou que Zema “se precipitou” ao comentar o caso e defendeu a união dos nomes da centro-direita para as eleições presidenciais.“Não tenho nenhuma preocupação com isso e acho, mais uma vez, que o Zema se precipitou. Tenho convicção de que tanto Zema quanto Caiado e qualquer outro candidato de centro-direita estarão unidos, porque temos que impedir que o Brasil quebre nas mãos do PT”, declarou o senador.As críticas de Zema ganharam força após a divulgação de informações sobre a relação entre Flávio e Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Nos últimos dias, o político mineiro classificou o episódio como “imperdoável”, afirmou que “gambá cheira a gambá” e avaliou que uma eventual candidatura do senador poderia favorecer a reeleição do presidente Lula. Além de responder ao ex-governador, o pré-candidato da extrema direita comentou sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, obra inspirada na trajetória de Jair Bolsonaro. O senador negou ter solicitado recursos ao ex-banqueiro para a produção do longa-metragem.“Não pedi dinheiro para ninguém. Era um dinheiro privado para um filme privado”, afirmou durante o encontro realizado em Belo Horizonte.Na sequência, ele reforçou que a produção não recebeu recursos públicos. “Não teve dinheiro público no filme. Foi investimento privado em um filme privado para contar a história do melhor presidente que este Brasil já teve, Jair Messias Bolsonaro”, disse.

Chegou a hora do Norte de Minas Gerais ocupar seu lugar de destaque, após mais de 300 anos de história

O ex-procurador-geral de Justiça do estado, Jarbas Soares Júnior, está determinado a reescrever os rumos de Minas, colocando os Gerais no centro das decisões e conquistas. O estado de Minas Gerais foi oficialmente criado em 2 de dezembro de 1720 por meio de um alvará assinado pelo Rei Dom João V de Portugal, que determinou o desmembramento da antiga Capitania de São Paulo e Minas do Ouro, originando a Capitania de Minas Gerais. Com uma geografia diversa e uma identidade histórica rica, essa pluralidade inspirou o renomado escritor Guimarães Rosa a dizer que “Minas Gerais são muitas. São, pelo menos, várias Minas.” Contudo, entre essas várias Minas mencionadas pelo Guimarães, o Norte do estado sempre teve papel secundário, sendo explorado principalmente para a extração de suas riquezas destinadas a Portugal e outras regiões. Durante seus mais de três séculos de existência, nenhum governante em Minas Gerais foi originário da região Norte. Jarbas Soares Júnior, natural de Montes Claros, parece disposto a mudar esse capítulo da história. Filho de Sebastião Jarbas Soares, de Taiobeiras e de Rosalice Caetano Soares, da cidade de São Francisco, Jarbas lançou sua pré-candidatura ao governo do estado pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB). Ex-procurador-geral de Justiça em Minas Gerais, ele ingressou no PSB a convite do vice-presidente da República Geraldo Alkmin e do senador da República, Rodrigo Pacheco, com a intenção de compor a chapa majoritária que disputará as eleições estaduais. O nome de Jarbas vem ganhando destaque nas recentes negociações políticas, tornando-se uma das principais apostas no cenário político mineiro. Isso se intensificou após o senador Rodrigo Pacheco, também filiado ao PSB, anunciar que não disputará o governo estadual em 2026. Com esse cenário, o Norte de Minas busca conquistar um protagonismo há muito almejado na política estadual e, assim, contribuir para a construção de um novo capítulo na história de Minas Gerais. Neste fim de semana, durante sua participação na 43ª Expô Janaúba, Jarbas Soares Júnior oficializou sua pré-candidatura ao Governo do Estado. Em entrevista ao EM CIMA DA NOTÍCIA, Jarbas reforçou seu objetivo de governar com enfoque em todo o território mineiro, destacando especialmente o grande potencial dos Gerais, que ele acredita merecer maior reconhecimento e valorização. Jarbas também relembrou sua importante atuação no âmbito jurídico, como no caso do Acordo Judicial de Reparação firmado com a mineradora Vale após o rompimento da barragem em Brumadinho, que tragicamente resultou em mais de 200 mortes em janeiro de 2019. Sob sua liderança como procurador-geral de Justiça, esse acordo beneficiou os 853 municípios mineiros, com prioridade para os 26 territórios diretamente atingidos pelo desastre. O feito reforça seu discurso de compromisso com o desenvolvimento integral de Minas Gerais e a reparação histórica das regiões afetadas.