Jornalista Luis Nassif detalha armação do caso Sérgio Moro-PCC

“E assim, de política em política, vai sendo jogado o jogo do que restou da Lava Jato”, diz Nassif Por Luis Nassif, GGN – Tem uma investigação sobre o PCC conduzida pelo Ministério Público Estadual de São Paulo. De repente, não mais que de repente, aparece um delator anônimo e diz que o PCC pretende sequestrar o senador Sérgio Moro. Imediatamente o processo é transferido para a Justiça Federal do Paraná, embora o senador tenha o apoio da polícia do Senado e sua esposa o apoio da polícia da Câmara. Aí o caso cai com um juiz que, nomeado desembargador, passa o caso para a substituta. Um dia antes da decisão, a substituta tira férias e passa o caso para a juíza Gabriela Hardt, estreitamente ligada a Sérgio Moro. Bota o fogo no parquinho e dias depois tira merecidas férias em um cruzeiro organizador pela própria Hardt, Diretora Social e Cultural do APJUFE. Leia a íntegra no GGN.

Tríplex do Guarujá – 04 de abril de 2018, o dia que o Supremo pariu Bolsonaro

Põe na conta de Cármen Lúcia, Luiz Fux, Alexandre de Moraes, Rosa Weber, Luís Roberto Barroso e Edson Fachin esta aberração jurídica Há cinco anos, o STF cometia o maior erro de sua história Por José Reinaldo Carvalho, 247 – O 4 de abril entra na história do Brasil como o dia da ignomínia nacional. Na noite daquela quarta-feira, o Supremo Tribunal Federal, tomou uma decisão indigna, cobriu-se de opróbrio, conspurcou a democracia e ofendeu o povo brasileiro, punindo injustamente um dos seus mais ilustres filhos, o maior líder político nascido no solo pátrio.  Por 6 a 5, a mais alta corte do país rejeitou o pedido de habeas corpus do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, postulado pela defesa para tentar evitar que ele fosse preso até que o processo chegasse ao fim em todas as instâncias da Justiça. Votaram pela concessão do habeas corpus Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski, Marco Aurélio e Celso de Mello. Pela rejeição, votaram Edson Fachin, Alexandre de Moraes, Luís Roberto Barroso, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Rosa Weber. Com a decisão proclamada já na madrugada de 5 de abril, Lula foi preso dois dias depois por ordem de um togado de fancaria, um juizeco tão desqualificado para o exercício de qualquer função do mundo jurídico que três anos depois foi eliminado de suas funções ao ser declarado suspeito e parcial por decisão da 2ª Turma do Supremo e subsequentemente pelo Plenário. O juiz que fabricou a condenação de Lula e forcejou sua prisão cometeu atos venais e espúrios de lesa-pátria ao se colocar a serviço de potentados internacionais para destruir capacidades produtivas da indústria e dos serviços nacionais. Sua ação mutilou a ordem jurídica e democrática e danificou a engenharia nacional. A negação do habeas corpus de Lula e sua prisão constituíram uma sucessão de arbitrariedades típicas de um país sob regime ditatorial, vítima que tinha sido de um golpe de Estado travestido de procedimento constitucional, onde o Estado democrático de direito tinha sido violado, com a Carta Magna vilipendiada pelas próprias instituições encarregadas de zelar pela estrita aplicação dos seus dispositivos. A prisão de Lula, decorrente da sua injusta condenação em janeiro de 2018 pelo TRF 4 e da rejeição ao pleito de habeas corpus, foi uma ação atrabiliária, repressiva e odiosa pela qual são responsáveis – independentemente das cínicas declarações que alguns próceres do governo, do parlamento e do judiciário politizado pudessem fazer diante do fato consumado – os personagens envolvidos no golpe de Estado de 17 de abril e 31 de agosto de 2016. Todos, sem exceção. Todos os que estiveram implicados na trama golpista que resultou na derrubada da presidenta legítima Dilma Rousseff e posteriormente na prisão de Lula, que era indubitavelmente parte do golpe. A prisão do presidente Lula resultante da ação de procuradores e juízes com mentalidade de meganhas e torquemadas foi uma expressão concentrada do retrocesso político por que passou o  país depois de haver vivido um ciclo virtuoso de ampliação da democracia, do exercício de direitos sociais e da soberania nacional, entre 2003 e 2016. Sob o regime golpista, e posteriormente sob o governo de extrema-direita recentemente derrotado nas urnas, o país viveu a tragédia do aniquilamento da democracia, conquistada a duras penas em 1985, após o fim da ditadura militar. Foi um episódio revelador da guerra ao povo, declarada pelos setores mais reacionários do país, mancomunados com o imperialismo internacional. Uma guerra que levou a nação ao abismo, à mutilação da vida democrática, ao aumento da dependência e à degradação das condições de vida do povo. Felizmente, com o posterior desenrolar dos acontecimentos, fez-se a justiça, Lula foi libertado após um cativeiro de 580 dias, reassumiu seu posto de comando na luta democrática e patriótica, colocando-se à frente do povo, que resistiu, uniu-se e venceu, abrindo novas perspectivas para a vitória da democracia e da justiça social. Cinco anos depois que o Supremo cometeu o maior erro da sua história, Lula deu uma completa volta por cima e mais tarimbado, exerce de novo a Presidência da República, para dar o melhor de si à causa da democracia, da independência e do progresso social, abrindo nova etapa no desenvolvimento político do povo brasileiro.

Governo Bolsonaro tinha mapa com locais para impedir votação em Lula

Informações sobre os locais com maior desempenho de voto no primeiro turno resultaram em estratégia para conter passagem de ônibus de eleitores, segundo PF O ex-ministro da Justiça de Jair Bolsonaro (PL), Anderson Torres, tinha em mãos um “boletim de inteligência” que continha os locais em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi mais votado no primeiro turno. A informação foi compartilhada neste domingo (2/4), na coluna do jornalista político Lauro Jardim, para o jornal O Globo. Segundo a coluna, o documento descoberto recentemente pela Polícia Federal (PF) foi produzido pela então diretora de Inteligência do Ministério da Justiça, Marília Alencar, que posteriormente foi trabalhar com Anderson Torres na Secretaria de Segurança do Distrito Federal — cargo ocupado pelo ex-ministro durante os atos antidemocráticos do 8 de janeiro e pelo qual ele é investigado por suposto envolvimento. Os investigadores observam que o material serviu para que Anderson Torres colocasse em curso uma operação que atrapalhasse a chegada dos eleitores aos locais de votação. Marília tentou apagar o documento do seu celular, mas o material foi recuperado pela PF. Dias antes do segundo turno, Anderson Torres também fez uma viagem fora da agenda oficial, até a Bahia. Em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB), o ex-ministro estava acompanhado do então diretor da PF, Márcio Nunes. Já no dia do segundo turno, em 30 de outubro de 2022, as abordagens da Polícia Rodoviária Federal (PRF), em ônibus, foram 70% maiores do que no primeiro turno. Somente em alagoas, 82 ônibus foram parados pelos policiais. Na época, as operações foram vistas como uma tentativa de obstruir os votos a Lula, favorecendo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Cabe lembrar que um dia antes, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Alexandre de Moraes, proibiu operações da PRF contra veículos de transporte de passageiros.

10 anos após a PEC das Domésticas, cresce a ‘uberização’ da categoria

Manifestação no Congresso Nacional pela ratificação da Convenção 189 da OIT e aprovação da PEC das trabalhadoras domésticas. Brasília, 2012 — Foto: José Cruz/Agência Brasil Trabalhadoras, quase sempre negras e acima dos 40 anos, continuam na informalidade por falta de registro e para conseguir melhores remunerações Por Camila da Silva – Carta Capital Ana Selma Trajano, de 47 anos, mora em Rondonópolis (MT) e trabalha há nove anos como diarista. No início, em 2014, ainda recém-chegada no município e cuidando sozinha dos dois filhos pré-adolescentes, ela recorreu às agências para ter contato com os os primeiros clientes. A empresa indicava as casas, ela ia até o empregador e faziam a negociação. “Eu não colocava o meu preço, era o que o cliente pagava”, relata. “Chegava às 6h30 e saia às 17h, eram quase 12h de trabalho e eu não enxergava isso”. Na época com um valor pela diária menor que 180 reais. Ela chegou a migrar para um trabalho em supermercado, mas saiu pela falta de estabilidade financeira. “O salário era muito pouco, não dava para suprir a necessidade, porque eu morava numa vila bem pequena e mudei para a cidade grande, então tudo é mais caro: aluguel, água e luz”, conta. ” Como eu já tinha experimentado trabalhar de faxina e vi que dava para tirar mais, eu voltei para faxina novamente.” Ana faz parte do primeiro grupo de trabalhadoras que entram na profissão após a PEC das Domésticas — que posteriormente virou emenda constitucional e lei, que estabeleceu igualdade de direitos dos trabalhadores domésticos com os demais trabalhadores. No ramo da limpeza, porém, ela nunca foi registrada. Antes de 2013, ano em que a PEC foi promulgada, as domésticas não tinham acesso a salário-mínimo e a garantias como seguro desemprego, salário-maternidade, auxílio-doença, auxílio-acidente de trabalho e aposentadoria via INSS. No entanto, todo esse pacote de direitos existe apenas para uma parcela específica das domésticas, as que têm registro na carteira de trabalho – para isso, é preciso trabalhar mais de dois dias na semana na mesma residência – o que, atualmente, é a “exceção da exceção” dentro da categoria. Em janeiro de 2023, o País contava ao todo com quase 5,9 milhões de trabalhadores domésticos. Do total, apenas 25,2% tinham carteira assinada. Os outros 74,8% (ou 4,4 milhões de trabalhadores) atuavam na informalidade. Em 2013, a taxa de informalidade também alcançava 4,1 milhões de trabalhadores. Como mostra a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad), do IBGE. Para Camila Carvalho, advogada trabalhista, esse movimento ganhou novas proporções com a pandemia da Covid-19 e com a reforma trabalhista. “Elas acabam indo para informalidade justamente pela dificuldade de conseguir um trabalho como empregada doméstica com um valor bacana”, explica. “O mínimo é o que está garantido pela lei.” E complementa: “O ideal seria que elas fossem registradas com valores assim de salário, mas infelizmente por conta da oneração da pessoa que contrata criou uma nova modalidade de informalidade que são diaristas”. com valores assim de salário, mas infelizmente por conta da oneração da pessoa que contrata criou uma nova modalidade de informalidade que são diaristas”. Sobre a oneração, o empregador que registra o trabalhador doméstico arca, além do salário, com uma cobrança de impostos chamada “Simples Doméstico”, que conta com o valor de 8% — a parte do salário, para contribuição patronal para o INSS, 8% para o FGTS e 3,2% para indenização por perda do trabalho. Diante disso, a maioria propõe apenas o salário mínimo como remuneração às profissionais. “Eu já tive várias propostas de trabalhar registrada [como doméstica] e eu recusei todas, o salário hoje de uma diarista… acho que é o triplo de uma empregada doméstica, dependendo do combinado [com o empregador]“, conta Ana. Atualmente, ela adaptou sua rotina para contratação por hora trabalhada e serviços solicitados pelo morador. “Calculei [o piso salarial] e fiz o meu pacote de horário, coloquei 4h de trabalho por 120 reais, 6h por 170 e 8h por 200 reais”, explica. A ideia surgiu a partir do relato de outra diarista, Geisiane Almeida dos Santos, conhecida como ‘Geisa Diaristax’, através das redes sociais. Tanto Ana quanto Geisa produzem vídeos para a internet sobre o cotidiano da profissão. “Hoje eu me vejo assim.. eu me imponho, sabe? Nossa gente, hoje eu trabalho 6 horas e ganho mais do que em 12 horas de trabalho”, conta. Além das indicações e do costumeiro “boca a boca”, a busca de profissionais cresceram também a partir dos sites e aplicativos. ‘Pagar pra tentar trabalhar’ As formas de contratação funcionam entre a uberização – onde não há vínculo trabalhista, nem com o site que hospeda as vagas, nem com o empregador – e uma dinâmica de rede social, ao qual é disponibilizado o perfil dos trabalhadores disponíveis e o perfil dos contratantes. Plataformas como a Famyle possue mais de 100 mil cadastrados. No entanto, as reclamações dos usuários é a necessidade de pagar para pleitear uma vaga. A maioria dos sites funcionam por assinatura ou pagamento de uma taxa para desbloqueio dos contatos, tanto para os empregadores, quanto para os trabalhadores profissionais. Em outro site, o GetNinjas, por exemplo, um pacote básico de “moedas virtuais” para o trabalhador ter acesso aos clientes interessados no serviço custa 150 reais e o valor aumenta conforme o tamanho da lista. Além das diaristas As babás, copeiras, cozinheiras, caseiros e cuidadores de idosos integram a categoria protegida pela PEC das Domésticas e também sentem a repercussão da informalidade em seus ramos. Priscilla Cleia Machado, de 44 anos, trabalha em São Paulo como cuidadora de idosos há seis anos e relata que grandes demandas surgem através de agências, que não fazem contratações formais no ramo. “A agência quer pagar em torno de 100 a 120 reais, um plantão de 12 horas onde o cuidador deixa a sua casa duas horas antes, até chegar a essa família. Você tem que ir com o EPI (Equipamento de Proteção Individual) impecável, porque você vai cuidar de uma pessoa, você não pode ir de qualquer jeito”, conta.

Lewandowski entrega pedido para antecipar sua aposentadoria do STF

Ministro do Supremo Tribunal Federal Ricardo Lewandowski pede que sua aposentadoria seja efetivada no dia 11 de abril, 30 dias antes de completar 75 anos O ministro Ricardo Lewandowski entregou na noite desta quinta-feira (30/3) para a presidente do Supremo Tribunal Federal, a ministra Rosa Weber, um ofício para que antecipe em cerca de 30 dias sua aposentadoria. “Todos os nomes que estão aparecendo como candidatos são de pessoas com reputação ilibada, trajetória jurídica impecável. O Supremo Tribunal Federal e a sociedade brasileira estarão muito bem servidos com qualquer dos nomes que tenha aparecido com frequência na mídia”, afirmou o ministro ao ser questionado sobre a possibilidade do advogado Cristiano Zanin ocupar a vaga. Lewandowski, que completa 75 anos em maio, idade em que é obrigado a se aposentar, pediu que sua retirada se torne efetiva a partir do dia 11 de abril. Ele afirmou que não chegou a conversar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o tema. “Tive a oportunidade, de maneira muito informal, de comunicar ao presidente que eu anteciparia minha aposentadoria. Não tive nenhum encontro com ele para tratar deste assunto e, a respeito do meu sucessor, é uma decisão exclusiva do presidente da República. Eu nem ousaria fazer uma sugestão neste sentido”, afirmou o ministro. Anteriormente, o ministro disse a pessoas próximas que gostaria que o jurista Manoel Carlos de Almeida Neto fosse o nome escolhido para o cargo. Lewandowski acredita que o substituto deve, além dos critérios definidos na Constituição, ser “corajoso para enfrentar as enormes pressões que um ministro do Supremo Tribunal Federal tem que enfrentar no seu cotidiano”. Cristiano Zanin Advogado de Lula durante as acusações da Operação Lava-Jato, Cristiano Zanin é um dos nomes mais fortes para assumir o cargo. O petista afirmou, em entrevista à BandNews, que “todo mundo compreenderia que ele merece” a vaga no Supremo Tribunal Federal. Zanina foi responsável pelo pedido de habeas corpus no STF, em 2021, que permitiu que o presidente Lula pudesse concorrer ao cargo em 2022. Lula também deve indicar mais um nome para o STF. A ministra Rosa Weber, indicada em 2011 pela ex-presidente Dilma Rousseff (PT), também terá que se aposentar neste ano. Ela completa a idade limite no dia 2 de outubro.

Nelson Piquet esconde muambas do amigo ”fujão” em sua casa em Brasília

Arte: Gilmar Machado (Cartunista das Cavernas), em facebook.com/gilmar.cartunista  Nelson Piquet, o ex-piloto de Fórmula 1 que virou o chofer puxa-saco do “capetão”, está novamente no topo das redes digitais – e sempre por motivos torpes, asquerosos. Por Altamiro Borges, em seu blog O jornal Estadão revelou nesta terça-feira (28) que “o ex-presidente Jair Bolsonaro contou com a ajuda de um apoiador para arrumar um lugar onde guardar suas caixas de presentes recebidas durante seu mandato, como as joias de diamantes, e que não queria entregar para a União”. O local escolhido para esconder a muamba é conhecido como “Fazenda Piquet”, e está localizado no Lago Sul, uma das regiões mais nobres de Brasília. “O Estadão apurou ainda que tudo que foi destinado à propriedade de Nelson Piquet saiu pelas garagens privativas do Palácio do Planalto e também do Palácio da Alvorada, a residência oficial dos presidentes da República. A data inicial para envio das caixas foi registrada no dia 7 de dezembro do ano passado, quando Jair Bolsonaro começava a organizar a sua saída dos palácios, após a derrota na eleição presidencial”. Doou R$ 501 mil e garfou R$ 6,6 milhões do covil A investigação confirma que o fascista, que ainda engana os otários com a falsa imagem de simplório e incorruptível, tinha o objetivo de ficar com os itens de maior valor obtidos durante seu desgoverno. Apenas as joias e outros bens mais caros foram enviados para a propriedade de Nelson Piquet, “enquanto outros itens, como cartas e livros, foram despachados para o Arquivo Nacional do Rio de Janeiro e a Biblioteca Nacional do Rio. Para estes itens, portanto, o entendimento foi de que seriam bens do Estado brasileiro, enquanto as joias foram tratadas como bens pessoais”. O ex-piloto topou esconder o contrabando – já que não foi declarado à Receita Federal – do seu amigo “fujão”. Como lembra o jornal, “Piquet é um cabo eleitoral ativo de Bolsonaro. Em novembro passado, um mês antes de alocar os presentes do então presidente, ele participou das manifestações contra a derrota de Bolsonaro na disputa à reeleição. Um vídeo do tricampeão mundial de Fórmula 1 circulou nas redes sociais onde ele dizia: ‘Vamos botar esse Lula filho de uma p* para fora’. Ao fim da gravação, um eleitor ao seu lado repetiu o lema do ex-presidente, ‘Brasil acima de tudo, Deus acima de todos’, e o ex-piloto completou dizendo ‘E o Lula lá no cemitério’, seguido de um palavrão”. Nelson Piquet chegou a doar R$ 501 mil para a reeleição de Jair Bolsonaro, tornando-se um dos maiores doadores da frustrada campanha. Toda essa bondade não era apenas por motivos ideológicos, por suas posições reacionárias. Ela também decorria de razões mais mesquinhas, bem mais sujas. Em agosto passado, a mídia revelou que a empresa de Nelson Piquet, a Autotrac Comércio e Comunicações, recebeu um aditivo de cerca de R$ 6,6 milhões, correspondente a um contrato assinado em 2019, sem licitação, do Ministério da Agricultura do covil fascista. Multa de R$ 5 milhões por racismo e homofobia O ex-piloto bolsonarista vive metido em confusões. Sempre foi um fascistoide, preconceituoso e elitista. No sábado passado (25), o site Notícias da TV registrou que “a 20ª Vara Cível de Brasília condenou Nelson Piquet a pagar R$ 5 milhões para uma associação de promoção da igualdade racial e contra a discriminação da comunidade LGBTQIA+ por falas e termos racistas que ele usou para se referir a Lewis Hamilton. Em uma entrevista, de forma depreciativa, o brasileiro chamou o britânico de ‘neguinho’. Não cabe recurso”. O juiz Pedro Matos de Arruda não vacilou na condenação. “Esta ofensa é intolerável. Mais ainda quando se considera a projeção que é dada quando é uma pessoa tão reconhecida e tão admirada como o réu. Assim, tenho que o dano moral coletivo está caracterizado, porque houve ofensa grave aos valores fundamentais da sociedade”, sentenciou. Para o cálculo da multa, “o juiz tomou uma decisão usando como base a doação de R$ 501 que Piquet fez para a campanha de reeleição de Jair Bolsonaro, em 2022. Como a Justiça Eleitoral limita doações a 10% do patrimônio na época, o magistrado entendeu que em 2021 o ex-piloto tinha um valor mínimo de R$ 5 milhões disponíveis”.

Maioria no STF vota contra prisão especial para quem tem ensino superior

Para os magistrados, a norma é inconstitucional e fere o princípio da isonomia.Fachada do edifício sede do Supremo Tribunal Federal – STF. Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil O Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria, nesta quinta-feira 30, pelo fim do direito à previsão de prisão especial para quem tiver diploma de curso superior. Os ministros julgaram, em plenário virtual, uma ação protocolada pela Procuradoria-Geral da República em 2015 que questionou o benefício previsto no Código de Processo Penal. A prisão especial dá permissão para que investigados antes da condenação estejam em celas separadas dos presos comuns, até dada sentença sobre o caso. Para o ministro relator do caso, Alexandre de Moraes, a norma é inconstitucional e fere o princípio da isonomia. “O princípio da igualdade se volta contra as diferenciações arbitrárias, as discriminações absurdas, mas não impede o tratamento desigual dos casos desiguais, na medida em que se desigualam, como exigência própria do conceito de Justiça”, disse Moraes, em seu voto. O voto de Moraes foi seguido por Cármen Lúcia, Rosa Weber, Luiz Edson Fachin, Dias Toffoli e Luís Roberto Barroso. Em seu voto, Fachin considerou que “a existência da prisão especial também não se justifica com base no princípio da igualdade, porque condições condignas no cumprimento da pena deve ser estendida a todos os presos, sem distinção, os quais merecem respeito aos direitos fundamentais”. Caso não tenha novo pedido de vista ou destaque, o julgamento do caso termina nesta sexta-feira 31.

PF deflagra operação contra líderes e financiadores de atos antidemocraticos no CE

Operação cumpre 32 mandados de busca e apreensão no Ceará, no Maranhão e no Rio Grande do Sul A Polícia Federal deflagra, na manhã desta quinta-feira 30, a Operação Impávido Colosso, que tem como objetivo investigar líderes e agentes financiadores de atos antidemocráticos promovidos no estado do Ceará (CE). Após o resultado das eleições de 2022, acampamentos foram montados em frente ao Quartel do Exército da 10a Região Militar, em Fortaleza, e bloqueios foram feitos na BR-116. No total, a PF cumpre 32 mandados de busca e apreensão, sendo 21 em Fortaleza. Os demais estão sendo cumpridos nas cidades de Maracanaú, Itaitinga, Caucaia, Pacajus, Tauá e Brejo Santo, todas no estado do Ceará, bem como em Imperatriz (MA) e Condor (RS). Os mandados foram expedidos pela 12ª Vara da Justiça Federal do Ceará e a operação conta com a participação de 140 policiais federais. De acordo com as autoridades policiais, foram coletados documentos de contabilidade dos acampamentos mantidos por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que não aceitavam o resultado da eleição de 2022. A operação visa investigar o possível cometimento dos crimes de associação criminosa e incitação das Forças Armadas contra os poderes institucionais. As penas podem chegar a três anos de prisão, embora as autoridades não descartem o aumento da pena, em caso de descoberta de crimes mais graves. Carta Capital

Especialistas veem o jornalismo nas mãos das big techs

Seminário na ABI debateu o papel das plataformas digitais e sua relação com o jornalismo (Foto: Reuters | Reprodução) Agência Brasil – Profissionais e pesquisadores de comunicação manifestaram preocupação, durante a 1ª Semana Nacional de Jornalismo da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), com a falta de uma regulação eficaz das chamadas big techs, empresas responsáveis pelas plataformas digitais. Ao mesmo tempo, se preocupam com algumas propostas que vêm sendo colocadas para discussão. O evento, que acontece no Rio de Janeiro, promoveu na tarde desta terça-feira (28) uma discussão sobre a relação entre a mídia hegemônica, a mídia independente e as plataformas digitais. De acordo com a pesquisadora da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), Patrícia Maurício, os grandes portais de notícia recebem atualmente uma audiência expressiva proveniente de plataformas digitais, seja pela busca do Google, seja por compartilhamentos de redes sociais. Dessa forma, precisam modular seus conteúdos para se adequarem aos algoritmos que regem essas plataformas. “Existem determinados parâmetros que são criados pelo Google, por exemplo, para ranquear uma matéria. É óbvio que o jornalismo comercial vai atrás da audiência para poder vender os anúncios que estão no seu site. A questão da audiência já era um problema no passado e hoje estamos em uma situação em que é preciso observar as métricas, usar as palavras-chaves, estruturar os parágrafos do jeito que as plataformas querem, se não o Google não vai ranquear bem”, observa. A pesquisadora destaca que as plataformas assumiram um protagonismo na distribuição das notícias e mantém um grande poder, já que podem controlar a visibilidade que certo assunto terá, até mesmo vetar determinado tipo de conteúdo. “O jornalismo está nas mãos das plataformas digitais”, acrescenta. Patrícia aponta que as big techs possuem modelos de negócio baseados nos dados coletados dos usuários e que essas tecnologias precisam ser reguladas para servirem ao interesse público. Ela considera preocupante o nível de concentração do mercado. Embora chame atenção para o crescimento da plataforma chinesa Tik Tok, ela vê uma hegemonia das empresas estadunidenses, sobretudo do Google (que inclui serviços como o Youtube, Gmail, Google Meet e outros, além do buscador) e da Meta (que administradora do Facebook, Instagram e Whatsapp). “Elas usam os dados das pessoas que estão navegando para direcionar a publicidade a elas. Você faz buscas no Google e daí eles sabem que você está procurando uma geladeira. Então começam a te mostrar anúncios de geladeira. E isso foi se sofisticando”, explica. “O Google foi criando novas ferramentas e comprando outras empresas, como por exemplo o Youtube. A Meta também. Como o Whatsapp se financia? Se financia porque é do mesmo grupo. Mesmo que você não receba anúncio pelo Whatsapp, os dados coletados ali vão se reverter em publicidade para você em outros momentos”, acrescenta. De acordo com o sociólogo Sérgio Amadeu, a televisão deixou de ser o maior destino de publicidade no mundo porque é mais interessante apostar nas estruturas hierárquicas das big techs. Segundo ele, os dados vêm sendo coletados em uma intensidade sem precedentes e o algoritmo modula a nossa atenção, nos direcionando anúncios e discursos sob medida. Dessa forma, os anunciantes podem comprar audiência em tempo real. “As plataformas usam modelos estatísticos para tentar predizer as nossas ações”, explica. Sérgio Amadeu considera que houve uma mudança no que chama de economia da atenção. “A internet inverteu o fluxo de comunicação. O difícil não é falar. É ser ouvido”, pontua. Ele reconhece que a pluralidade de vozes é maior do que no passado, mas pondera. “Quando você expande as oportunidades de fala, há uma maior possibilidade democrática. Ocorre que a internet é também uma rede distribuída. E uma rede distribuída não é necessariamente uma rede democrática. Ela distribui também a vigilância, o discurso de ódio, a desinformação”. O sociólogo argumentou que a tecnologia não é neutra e tem implicações raciais, sociais e de gênero. “A democracia precisa controlar as plataformas que tem como objetivo a monetização e a formatação das atenções”. Mídia independente A abertura das plataformas digitais para vozes dissonantes até então escanteadas pela mídia hegemônica foi um aspecto destacado durante o debate. A jornalista Cris Gomes defende a necessidade de ajustes na comunicação digital, mas disse ser preciso reconhecer os avanços. “Hoje temos blogueiros e youtubers que falam de pessoas pretas, que falam sobre o racismo e sobre o capacitismo, que falam em defesa dos povos indígenas. Essas pessoas apareceram primeiro de forma independente para depois aparecerem na grande mídia com o peso que vemos hoje”, observou. O jornalista Leonardo Attuch, fundador e editor do portal Brasil 247, se posicionou na mesma direção. Ele conta que deixou de receber recursos de publicidade estatal a partir do governo de Michel Temer e que a receita obtida com os anúncios através das plataformas lhe permitiu dar sequência ao trabalho jornalístico, que inclui um canal no Youtube batizado de TV 247. “Nossa existência também foi fruto da relação com essas plataformas’, afirma. Ele considerou que a falta de neutralidade do algoritmo, responsável por estabelecer qual conteúdo terá visibilidade e qual será escondido, é um desafio. Segundo Attuch, as redes sociais, em especial o Facebook, tem reduzido a visibilidade de conteúdos jornalísticos. Ele cobra mais transparência das big techs. Ao mesmo tempo, aponta que elas possuem uma infraestrutura que permite a existência do jornalismo independente e de portais que defendem o regime democrático. “Sei que há discussões relevantes sob o ponto de vista da democracia. O algoritmo pode beneficiar conteúdos que geram mais engajamento. E o engajamento muitas vezes é produzido por discursos de ódio, fake news, clickbait [“isca de cliques”, em tradução livre], etc”. Attuch apresentou algumas propostas. “É muito difícil discutir hoje o retorno da obrigatoriedade do diploma de jornalismo. Eu sou favorável a uma espécie de certificação, para subir um conteúdo no Youtube que seja classificado como jornalismo”. Marco Civil Uma proposta que gerou preocupação entre os debatedores é a modificação do artigo 19º do Marco Civil da Internet, segundo o qual as plataformas não podem ser responsabilizadas por conteúdos gerados por

Morre Juca Chaves, “O Menestrel Maldito”, aos 84 anos

O renomado artista Jurandyr Czaczkes Chaves, mais conhecido como Juca Chaves, faleceu na noite de sábado (25/3) no hospital São Rafael, em Salvador, onde estava internado há 15 dias devido a problemas respiratórios. O hospital confirmou a morte do artista, mas a família pediu privacidade e não divulgou mais detalhes sobre o ocorrido. Juca Chaves será cremado no Cemitério Bosque da Paz, em Salvador, neste domingo (26/3) às 16h. Conhecido como “O Menestrel Maldito”, Juca nasceu em 22 de outubro de 1938 no Rio de Janeiro, mas vivia em Salvador com a família. Ele iniciou sua carreira em 1955, na TV Tupi, em São Paulo, com um humor ácido e inteligente que incluía críticas sociais. Ao longo de sua carreira, Juca enfrentou perseguições durante a Ditadura Militar e viveu seis anos fora do Brasil, em Portugal e Itália. Além de humorista, Juca também era compositor e músico. Ele era autor de várias músicas que se tornaram sucessos no Brasil, incluindo “A cúmplice”, “Menina”, “Que saudade” e “Presidente Bossa Nova”. Ele também chegou a se candidatar ao Senado pela Bahia em 2006, usando da poesia e do humor para pedir votos, mas não foi eleito. Juca deixa sua esposa, Yara Chaves, e duas filhas, Maria Morena e Maria Clara. O artista era torcedor do São Paulo e costumava convocar o público com uma de suas frases célebres antes das apresentações: “vá ao meu show e ajude o Juquinha a comprar o seu caviar”. Com 60 anos de carreira, Juca Chaves divertiu plateias por todo o Brasil com seu humor inteligente e sua música, deixando um legado inesquecível para a cultura brasileira.