A médio prazo, o governo Lula estará morto – Por Luis Nassif, no Jornal GGN

A apresentadora da CNN mostra dados da indústria automobilística. Está paralisando a produção por falta de demanda. E conclui, com a lógica dos racionais, que o motivo central são as altas taxas de juros. O comentarista do jornal mostra, então, estatísticas de aumento da inadimplência. Qual a solução, então? Aí entra em cena o demiurgo, o sábio que há décadas domina o pensamento brasileiro: o economista de mercado, de consultoria ou de papel, e dá a receita definitiva. Esses dados mostram que o governo precisa acelerar o arcabouço fiscal (termo que reforça a reputação de quem o menciona), convencer o Banco Central e, se tudo der certo, os juros começarem a cair no próximo ano e o país voltar a crescer. Porque este ano, diz ele, este ano o crescimento não vai chegar a 1%. E aí me dou conta de que, definitivamente, o Alienista continua dando as cartas no país, recusando-se a voltar para o hospício ou, sendo politicamente correto, recorrer a um tratamento de redução de danos. Vamos tentar entender, de forma bastante simplificada, a lógica alienista por trás da maneira como se pensa os juros. Ponto 1 – o governo Lula é bastante vulnerável. Não conta com maioria na Câmara, está nas mãos do Centrão, não tem garantia sólida de isenção das Forças Armadas e tem contra si o tal do mercado. Ponto 2 – os trunfos que Lula têm, ainda, é o fato de ser a única liderança capaz de se contrapor ao bolsonarismo, de defender a democracia. Mas sua sobrevivência política depende, substancialmente, da sua popularidade, que depende do atendimento das expectativas da população. Sua popularidade é elemento essencial para se fortalecer perante o Centrão e a mídia. Ponto 3 – vê-se por aí, portanto, que a economia é desafio chave para a manutenção da governabilidade. Não se trata de um elemento solto no ar, um assunto para a Fazenda, o Banco Central e o mercado. E, principalmente, não pode se subordinar ao ritmo do BC e do mercado. Ou entende o tempo político, ou poderá colocar a perder o projeto Lula 3. Tem-se um maremoto a caminho, do qual a paralisação da indústria automobilística é apenas um dos sintomas – gravíssimo, por sinal. Há uma crise no mercado de crédito, uma crise contratada no varejo, uma crise bancária internacional e uma impaciência da opinião pública, cujas expectativas são sempre maiores do que os governos podem contemplar. Na melhor das hipóteses, no ritmo do BC, haverá dois anos perdidos. E, nesses dois anos, mais vulnerabilidade ainda do governo Lula, aumento da expectativa de que não conseguirá eleger o sucessor, desapontamento definitivo das bases lulistas e queda da popularidade abrindo espaço para campanhas de mídia e uma defecção da base aliada para outro candidato, que mostre maior potencial eleitoral em 2026 – e que será, inevitavelmente, da direita. Portanto, não adianta a lógica da lição de casa da Fazenda. O próprio Fernando Haddad sabe que juros nos níveis atuais derrubam a atividade econômica (e a receita fiscal), ampliando o fosso fiscal, e aumentando a dívida pública. Parafraseando John Maynard Keynes (“a longo prazo todos estaremos mortos”), a médio prazo o governo Lula estará morto. Como disse Joseph Stiglitz, no Seminário organizado pelo BNDES, foi milagre o Brasil ter sobrevivido com taxa Selic de 13,75% e taxa real de 8%. Jornal GGN

Bolsonarista ainda acredita que o Brasil corre risco de virar um país comunista

Pesquisa Ipec aponta que 44% dos brasileiros acreditam na possibilidade do país instaurar o comunismo. Destes, 57% são evangélicos Além de medir a aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a pesquisa Ipec também trouxe um dado surpreendente. Segundo o levantamento, a mudança de regime no país para o comunismo é uma hipótese totalmente plausível para 31%, enquanto 13% concordam em parte. Ou seja: nada menos que 44% acreditam no ‘risco’ disseminado pela extrema-direita “A maior parte das pessoas associa o comunismo na América Latina com as situações de Venezuela e Cuba, combinações de um regime autoritário com realidades como fome e desabastecimento. Isso esteve muito presente nas narrativas do Bolsonaro”, diz a cientista política Camila Rocha, pesquisadora do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), em reportagem do Globo sobre a pesquisa. “Em setembro de 2022, em Sorocaba (SP), Bolsonaro chamou Lula de “capeta” e disse que o petista queria ‘impor’ o comunismo no Brasil. Não à toa, a pergunta ‘o que é comunismo?’ foi a que mais cresceu em uma das categorias nas pesquisas dos brasileiros no Google no ano passado”, destaca a reportagem.

Pesquisa Ipec mostra Lula com 41% de avaliação boa ou ótima

O terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não reproduz a empolgação de seus dois governos anteriores. “O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) começou o seu terceiro mandato com uma avaliação de governo melhor do que a de Jair Bolsonaro (PL), seu antecessor, mas inspirando menos empolgação do que em suas duas outras gestões. Segundo dados da mais recente pesquisa Ipec, 41% dos brasileiros classificam a administração de Lula como boa ou ótima. Outros 24% dizem que ela é ruim ou péssima, enquanto 30% consideram o início do governo regular”, aponta reportagem do jornal O Globo que lembra que, em março de 2019, Bolsonaro era avaliado positivamente por 34% da população, sete pontos percentuais a menos do que Lula. “Apesar de superar o adversário, Lula está aquém de seus dois mandatos anteriores. Lula chegou a ter 51% de ótimo e bom em março de 2003, quando governou o país pela primeira vez. Naquele momento, a reprovação era de apenas 7%. Ao fim do mesmo mês de 2007, logo após a reeleição, o petista tinha o endosso de 49% da população, contra 16% que o achavam ruim ou péssimo”, acrescenta a reportagem. “A pesquisa mostra que a polarização política continua. Considerando esse cenário, que é distinto do que o Lula encontrou nos outros mandatos, ele começa num bom patamar. Os segmentos que aprovam o governo são os mesmos nos quais Lula tinha uma intenção de voto maior: as pessoas que estudaram só até o ensino fundamental, os moradores do Nordeste, aqueles com renda de até um salário mínimo por mês e os católicos”, diz Márcia Cavallari, do Ipec. “O início do governo Lula expõe a dificuldade de aceitação no segmento evangélico, em que tem números piores aos de sua média geral. Nesse grupo, que corresponde a mais de um quarto da população, são 31% os que avaliam a gestão petista como boa ou ótima, 32% os que a veem como regular, e 32% os que a classificam como ruim ou péssima”, aponta ainda a reportagem. A pesquisa do Ipec realizou entrevistas presenciais com 2 mil pessoas de 16 anos ou mais em 128 municípios do país entre os dias 2 e 6 de março. A margem de erro máxima estimada é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, para um nível de confiança de 95%.

Requião sinaliza distanciamento em relação ao presidente Lula

Ex-candidato ao governo do Paraná postou em suas redes notícia sobre agenda de Lula no estado sem sua participação (Lula e Roberto Requião – Foto: Reprodução/YouTube) O ex-senador Roberto Requião, que se filiou ao PT e disputou o governo paranaense na eleição passada, sinalizou um certo distanciamento em relação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que cumprirá agenda no Paraná sem visitá-lo, ao postar notícia do jornal O Globo sobre o tema: Lula volta ao Paraná em agenda sem Requião, aliado local na eleição passada | Lauro Jardim | O Globo https://t.co/WhETAiWJNR — Roberto Requião (@requiaooficial) March 16, 2023 “Lula estará no Paraná na quinta-feira, pela primeira vez desde que voltou à Presidência, para posse de Enio Verri como diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional. Beleza. Só que a agenda em Foz do Iguaçu não contempla Roberto Requião, principal nome de seu palanque local na eleição do ano passado. O ex-governador do estado, derrotado por Ratinho Júnior na tentativa de voltar ao cargo, não consta na lista de compromissos do presidente. Preterido também na disputa pelo comando da hidrelétrica, ficará de fora da cerimônia”, escreve Lauro Jardim.

TCU obriga Bolsonaro a devolver joias e armas em 5 dias e determina auditoria geral

Ex-mandatário tem prazo para entregar segundo estojo e armamento recebidos em viagens ao Oriente Médio à Secretaria-Geral da Presidência; joias de R$ 16,5 milhões sairão da Receita Em votação nesta quarta-feira (15), o plenário do Tribunal de Contas da União (TCU) decidiu, por unanimidade, obrigar Jair Bolsonaro a entregar à Secretaria-Geral da Presidência do governo Lula, no prazo de até 5 dias, joias milionárias e armamentos recebidos em viagens ao Oriente Médio entre 2019 e 2022. A decisão se trata de uma reforma da determinação proferida pelo ministro Augusto Nardes na última semana em resposta a uma ação protocolada pela deputada federal Luciene Cavalcante (PSOL-SP). Na ocasião, o magistrado proibiu Bolsonaro de utilizar ou vender joias dadas como “presente” pelo governo da Arábia Saudita ao Estado brasileiro e que o ex-presidente se apropriou de maneira clandestina. Na votação desta quarta-feira, entretanto, Nardes mudou sua posição e foi seguido pelos demais ministros, que endureceram a resolução ao darem prazo de 5 dias úteis para que o ex-presidente entregue o estojo de joias. Pouco antes da sessão do TCU, a deputada Luciene Cavalcante entrou com uma nova petição solicitando que um fuzil de uso restrito e uma pistola que Bolsonaro recebeu nos Emirados Árabes em 2019 também fossem devolvidos. A parlamentar pediu, ainda, que fosse feita uma auditoria em todos os “presentes” recebidos pelo ex-mandatário entre 2019 e 2022. O Tribunal acatou ambas as solicitações. “Acho que seria muito bem-vindo que isso fosse feito, pois parece que a PF está fazendo algo neste sentido”, afirmou na votação o ministro Benjamin Zymler. Desta maneira, o conjunto de joias avaliado em R$ 16,5 milhões “dadas” pelo governo da Arábia Saudita em 2021, que Bolsonaro tentou fazer entrar de forma clandestina no país através de um assessor do ex-ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, será liberado pela Receita Federal e entregue à secretaria-geral da Presidência para que passe por auditoria junto com as outras peças luxuosas e armamentos. Joias e armas; entenda  Na mesma viagem oficial, em outubro de 2021, na qual o governo saudita deu à comitiva de Bolsonaro as joias de R$ 16,5 milhões que foram apreendidas pela Receita Federal no Aeroporto de Guarulhos – as peças não foram declaradas e estavam escondidas na mala de um assessor do então ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque -, as autoridades do país árabe presentearam o ex-mandatário com um segundo conjunto de peças de luxo milionárias, composto por relógio (de R$ 223 mil), abotoaduras, caneta, anel e uma espécie de rosário. Este segundo estojo de joias entrou no Brasil de forma ilegal através de Bento Albuquerque que, ao contrário de seu assessor, não foi pego pela Receita Federal chegando ao país com as peças não declaradas. O ex-ministro passou um ano com o conjunto valioso mantido sob sua posse – e sem ser declarado – e, somente em novembro de 2022, isto é, um mês antes de Bolsonaro deixar o país, entregou o pequeno tesouro ao então mandatário no Palácio da Alvorada, conforme mostra um recibo da presidência da República. O próprio Bolsonaro chegou a admitir, em entrevista já após o escândalo ser revelado, que incorporou o segundo estojo árabe ao seu “acervo pessoal”, sob a alegação de que trata-se de um presente “personalíssimo”. O ex-presidente, no entanto, não poderia se apossar das joias. Pela lei, elas deveriam ir para o acervo da presidência da República. Antes dos presentes das Arábias, Bolsonaro recebeu em 2019, durante viagem oficial nos Emirados Árabes, um fuzil calibre 5,56mm, de uso restrito, e uma pistola 9mm. As armas teriam sido repassadas a um terceiro que as entregou para Bolsonaro dentro do avião da FAB. O fuzil vale entre R$ 32 mil e R$ 42 mil, enquanto a pistola é avaliada entre R$ 5,9 mil e R$ 15,6 mil. O fato de Bolsonaro ter se apossado dos armamentos e os incorporado ao seu “acervo pessoal” pode ser considerado ilegal, visto que acórdão do Tribunal de Contas da União (TCU)  diz que “o recebimento de presentes de uso pessoal com elevado valor comercial”, por parte do presidente da República, “extrapola os limites de razoabilidade” e, por isso, devem ser devolvidos, quando for este o caso, à União. Foi com base neste entendimento que o TCU determinou, recentemente, que membros da comitiva de Bolsonaro que o acompanharam na mesma viagem aos Emirados Árabes devolvam relógios de luxo das marcas Hublot e Cartier, dados por autoridades do país do Oriente Médio, que chegam a custar R$ 53 mil cada um. Como o valor das armas que Bolsonaro trouxe ao Brasil é parecido, ele não poderia ficar com elas. Por este motivo, a deputada federal Luciene Cavalcante (PSOL-SP) protocolou junto ao Ministério Público Federal (MPF), nesta sexta-feira (10), uma representação em que solicita a prisão preventiva de Bolsonaro por improbidade administrativa, peculato e tráfico internacional de armas, que é um crime hediondo. Segundo a deputada, o crime de improbidade administrativa estaria configurado pelo fato de Bolsonaro não ter respeitado o acórdão do TCU ao incorporar as armas ao seu acervo privado. Já a prática de peculato estaria na apropriação que o ex-presidente fez do fuzil e da pistola, que deveriam ser considerados, pelo valor, bens públicos. O crime de tráfico internacional de armas, por sua vez, teria sido praticado a partir do momento em que o ex-mandatário importou o armamento pesado e de uso restrito “sem autorização do Estado brasileiro”. Revista Fórum

Articulador do golpe de estado de 2016, Eliseu Padilha morre aos 77 anos

Eliseu Padilha foi um dos principais articuladores do golpe que trouxe de volta a fome ao Brasil O ex-ministro da Casa Civil Eliseu Padilha (MDB-RS) morreu nesta segunda-feira (13) aos 77 anos. Ele fazia tratamento contra um câncer no estômago no Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre. Padilha deixa a mulher e seis filhos. O velório será realizado nesta quarta-feira (15), entre 10h e 17h, no Palácio Piratini, sede do governo gaúcho. Eliseu Padilha teve um papel ativo no golpe de 2016 contra a presidente Dilma Rousseff. Em 2015, foi ministro-chefe da Secretaria de Aviação Civil da Presidência. Deixou o cargo em dezembro, quando as relações entre os petistas e o MDB, do então vice-presidente Michel Temer, se deterioraram por causa da abertura de um processo de impeachment contra Dilma. Dilma foi afastada do cargo em abril e depois cassada definitivamente. Padilha, então, integrou o governo de Michel Temer (MDB), assumindo a chefia da Casa Civil. Natural de Canela (RS), Eliseu Lemos Padilha era contador, advogado e empresário. Em 1966, filiou-se ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido de oposição ao regime militar instaurado no país em abril de 1964, de acordo com o Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Em sua trajetória, foi prefeito e ministro de três presidentes, Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (MDB). Como deputado federal pelo RS, cumpriu quatro mandatos, entre os anos de 1995 e 2015. Via Brasil 247

Violência contra mulher: mais da metade dos estados não repassou dados

– Dezoito estados e o Distrito Federal (DF) não forneceram dados sobre violência contra as mulheres, em descumprimento à Lei Acesso à Informação (LAI). Entre eles, Acre, Paraíba e Santa Catarina negaram completamente o acesso aos seus indicadores estaduais. Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e DF não responderam aos pedidos de envio dos indicadores. O mapeamento faz parte de uma parceria entre o Observatório da Mulher contra a Violência do Senado Federal, a empresa social Gênero e Número e o Instituto Avon. Os pedidos de dados de segurança aos estados e ao Distrito Federal foram encaminhados pela Gênero e Número, em meados de 2022. Em resposta, Maranhão, Tocantins, Piauí, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Alagoas, Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná, e Rio Grande do Sul enviaram informações insuficientes. Apenas os estados de Roraima, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Ceará, São Paulo e Espírito Santo mandaram os dados completos conforme solicitado. “Como somos do Senado, a gente tem feito um trabalho de procurar os senadores desses estados que ainda não enviaram [os dados] para pedir esse reforço junto aos secretários de Segurança estaduais, para ver se a gente consegue esses dados e dar continuidade ao projeto”, disse a coordenadora do Observatório da Mulher no Senado Federal, Maria Teresa Prado, em entrevista à Agência Brasil. A reportagem da Agência Brasil entrou em contato com os estados que não apresentaram as informações solicitadas para ouvir seus posicionamentos, mas até a publicação deste conteúdo não recebeu resposta. Levantamento A parceria surgiu da necessidade de unificar, organizar, analisar e monitorar estatísticas públicas nacionais sobre violência contra mulheres. O primeiro caminho da pesquisa foi utilizar a LAI para pedir às unidades federativas dados sobre segurança pública, especialmente, dos registros de ocorrência e feminicídios, e ainda das chamadas para a Polícia Militar. O projeto partiu do entendimento que, para a pesquisa, era preciso fazer o mapeamento dos dados pelos integrantes da parceria e, assim, garantir “a transparência e a disponibilidade de bases sobre violência contra as mulheres em diferentes setores: saúde, segurança pública, justiça, entre outros”. A intenção era assegurar o cumprimento da lei, que garante acesso aos dados a todos os cidadãos de forma igualitária. “A gente quer trabalhar a qualidade desses dados gerais de violência contra mulher para que eles sejam melhorados. É nessa linha que a gente quer trabalhar com essa parceria”, pontuou a coordenadora do Observatório da Mulher no Senado Federal. Segundo a coordenadora de Projetos, Pesquisa e Impacto do Instituto Avon, Beatriz Accioly, por meio dessas informações será possível entender qual o cenário brasileiro em relação à violência contra a mulher: “O projeto é de criar esse repositório [de dados] que vai estar hospedado em [uma extensão] .gov, ou seja, vai ter uma plataforma oficial ligada ao Senado Federal.” Beatriz acrescenta que essa consolidação de dados já ocorreu com o DataSUS em relação à saúde da mulher. No entanto, as informações relativas à segurança pública ainda não têm uma plataforma de fácil acesso, destacou. Padronização De acordo com a coordenadora do Observatório da Mulher, a ideia é trabalhar em cima da conscientização sobre a importância desse levantamento. “A gente sabe que são vários impedimentos, desde a pessoa que preenche o boletim, o fato de ter um formulário único. São várias questões para serem tratadas e [é importante que] isso seja resolvido para que a gente tenha um banco de dados”, diz Maria Teresa, acrescentando que além de virem, muitas vezes, incompletos, os dados são organizados de forma diferente em cada estado. De acordo com os pesquisadores, o trabalho seria mais fácil se as unidades da federação e o Distrito Federal tivessem uma padronização. Maria Teresa lembrou que, em 2021, foi aprovada a lei que criou a Política Nacional de Dados e Informações Relacionadas à Violência contra as Mulheres (PNAINFO), mas ainda precisa de regulamentação para entrar em prática. “O que é chocante é a gente ver que os dados de feminicídio são altos, mas pensar que existe uma subnotificação muito grande. Se fosse real, ainda seria muito maior”, completou Maria Teresa. Políticas públicas A coordenadora do observatório espera que, com as medidas anunciadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para garantir mais segurança e direitos das mulheres, as pesquisas evoluam com maior disponibilidade de dados que vão favorecer a elaboração de políticas públicas. “Tenho muita esperança que sim. Só o fato de ter o Ministério da Mulher e ter as ações anunciadas que perpassam todos os ministérios. Colocar a questão da mulher como questão transversal aos ministérios acho que foi muito importante. Agora cabe a gente cobrar tudo que estava ali. Tudo indica que o tema vai ser priorizado”, afirmou Maria Teresa. Na visão de Beatriz Accioly, o dado é um instrumento para possibilitar análises, diagnósticos, direcionar recursos e tomar decisões. “Para isso é que deve ser utilizado, mesmo que não tenha a qualidade que se procura. A gente tem que trabalhar nas duas frentes: buscar a qualidade, a transparência, mas também utilizar os que tem na medida do possível para orientar as políticas públicas”, apontou.

Bolsonaro entra para livro ‘Como não ser um babaca’

A publicação se propõe a, de forma irreverente, ensinar os homens a evitar “piadas bem-intencionadas” O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi incluído no livro “Como não ser um babaca”, lançado pelo Sindilegis, que representa os servidores do Poder Legislativo, por ocasião do Dia Internacional da Mulher. A publicação se propõe a, de forma irreverente, ensinar os homens a evitar “piadas bem-intencionadas”. Principalmente em um ambiente ainda predominantemente masculino, como o político, tais agressões ainda passam por brincadeiras. O livro estará disponível para download gratuito pela Amazon. A segunda versão do guia, lançada agora, faz menção a duas falas do ex-presidente em um capítulo chamado “Sobre a babaquice inacreditável”, dedicado a uma espécie de teste. A primeira é a agressão de Bolsonaro contra a deputada Maria do Rosário (PT-RS), quando ele ainda estava na Câmara. “Ela não merece ser estuprada porque ela é muito feia. Eu não sou estuprador, mas, se fosse, não iria estuprar porque não merece”, disse o então parlamentar. O livro oferece duas opções de contexto, para o leitor escolher a verdadeira: “durante a invasão de colonização” ou “em pleno Congresso Nacional”. A segunda foi proferida por Bolsonaro já na Presidência, a respeito das características do turismo no Brasil. “Quem quiser vir aqui fazer sexo com uma mulher, fique à vontade”, disse, após afirmar que o país não poderia ser um paraíso do turismo gay. O livro pergunta se a fala foi feita em “1980, em um bar do Rio de Janeiro” ou “na última década, dita por um presidente, em um evento oficial”. Juliana Braga Folhapress

Violência contra mulheres – ‘Em briga de marido e mulher, o Estado mete a colher’

Ministra das Mulheres, Cida Gonçalves, afirmou que a denúncia é o primeiro passo para combater a violência contra a mulher (Foto: Valter Campanato/Ag. Brasil) Tiago Pereira, Rede Brasil Atual – Na véspera do Dia Internacional da Mulher, a ministra Cida Gonçalves antecipou algumas das medidas que o governo federal deve anunciar nesta quarta-feira (8) para combater o aumento da violência contra a mulher. Serão entregues, por exemplo, 270 viaturas da Patrulha Maria da Penha, serviço que acompanha as mulheres em situação de violência. Para a ministra, a patrulha é a política publica mais eficaz na prevenção ao feminicídio. Ao lado da primeira-dama Janja da Silva e da atriz e apresentadora Luana Xavier, a ministra participou do programa especial Papo de Respeito: Enfrentamento à violência contra a Mulher, transmitido na TV Brasil e nas redes Sociais, nesta quarta-feira (7). Ela prometeu fortalecer as Casas da Mulher Brasileira e as delegacias especializadas. Disse que a denúncia é o primeiro passo para combater a violência. Citou o Ligue 180 – Central de Atendimento à Mulher – como o mais importante serviço de informação e orientação à mulher vítima de violência. Mas para além do fortalecimento das políticas públicas, a ministra disse que a sociedade também precisa combater a violência machista. Nesse sentido, Cida Gonçalves lembrou que qualquer pessoa pode denunciar casos de violência contra a mulher, e não apenas a vítima. “‘Ah, mas vou meter a colher em briga de marido e mulher?’ – comentou a ministra, citando o dito popular que deve ser abandonado. “Não, você vai pedir para que o Estado intervenha”, afirmou. Para Janja, defender a mulher vítima de violência é responsabilidade de todo indivíduo. “Porque o Poder Público pode criar toda a rede de proteção, mas se você está ali do lado, vendo uma mulher sofrer em situação de violência, você tem, enquanto cidadão, a obrigação de acolher essa mulher e protegê-la”. Discurso machista Somente no primeiro semestre do ano passado, 700 mulheres foram vítimas de feminicídio no Brasil, de acordo com dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Em 2021, foram 1.341 casos, contra 1.229 registrados em 2018. Para a ministra, também é preciso parar de “culpabilizar” a mulher. “Quando uma mulher é estuprada, fica aquela pergunta: ‘mas o que ela fez? que roupa você estava? 2h da manhã, o que estava fazendo na rua? Bêbada então, é pior ainda”. Esse tipo de “julgamento moral” não ajuda no combate à violência e provoca a “revitimização” da mulher agredida. Quando o agressor é o marido, Cida citou outra frase popular – “ele não sabe por que está batendo, mas ela sabe por que está apanhando” – que acaba “legitimando” esse tipo de violência. Armas e racismo Durante o governo Bolsonaro, a ministra ainda que aumentou o percentual de feminicídios executados por arma de fogo. Antes, os agressores preferiam facas e outras armas brancas. Para a ministra, isto se deve pela banalização do porte de armas na gestão anterior. “Hoje as armas estão dentro das casas das mulheres”, frisou Janja. A primeira-dama também fez questão de lembrar que 67% dos feminicídios são praticados contra as mulheres negras. São “maiorias minorizadas”, frisou Luana Xavier. A atriz e apresentadora destacou o projeto, desenvolvido em Mato Grosso, chamado Mulheres de Terreiro, que capacita líderes religiosas a receberem mulheres vítimas de violência. De acordo com o FBSP, 3% das vítimas procuram igrejas e outras instituições religiosas em busca de apoio. Entre as que procuraram ajuda, recorreram principalmente à família (17,3%) e amigos (15,6%). Somente depois, em terceiro lugar, que aparecem os serviços públicos de denúncia – como o 180, 190, delegacias convencionais ou especializadas. A maior parte (45%) acaba não tomando nenhuma atitude frente a um episódio grave de agressão. Seja por não acreditar na polícia, por vergonha ou medo de represálias do agressor. “Precisamos reforçar o serviço público, para ter credibilidade e a mulher ir até lá. Mas precisamos ter também a amiga, a mãe, o irmão, o pastor ou o padre do nosso lado. E dizer que é preciso dar um basta”, disse a ministra.

Investigação da PF sobre o caso das joias correrá sob sigilo

Correrá sob sigilo o inquérito aberto pela Polícia Federal nesta segunda-feira (6) sobre o caso das joias trazidas ilegalmente para o Brasil por uma comitiva do governo Jair Bolsonaro (PL). Quem investiga o episódio é a Delegacia Especializada de Combate a Crimes Fazendários da superintendência da PF em São Paulo. “Os investigadores têm 30 dias para concluir o inquérito, mas o prazo pode ser prorrogado se houver necessidade. Uma das primeiras medidas da investigação deverá ser o depoimento de integrantes da comitiva que trouxe as joias da Arábia Saudita”, explica reportagem do Estado de S. Paulo. O inquérito foi aberto por ordem do ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino (PSB), que citou ‘lesões a serviços e interesses’ da União no caso. Entenda caso de joias que o governo Bolsonaro tentou trazer ilegalmente ao Brasil O governo de Jair Bolsonaro (PL) tentou trazer ilegalmente ao Brasil um conjunto de joias avaliado em R$ 16,5 milhões, de acordo com informações publicadas pelo jornal “O Estado de S. Paulo” e confirmadas pela CNN. O que se sabe até o momento sobre o caso: Em outubro de 2021, a Receita Federal apreendeu, no aeroporto de Guarulhos (SP), joias supostamente enviadas pela Arábia Saudita à então primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL). O colar, anel, relógio e par de brincos de diamantes estavam na mochila de um assessor do então ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque. Na ocasião, a comitiva brasileira retornava de missão no Oriente Médio. Integrantes do governo Bolsonaro tentaram retirar os itens retidos pela Receita. A gestão solicitou o envio das joias como entrega diplomática para a embaixada da Arábia Saudita. O ex-presidente Jair Bolsonaro, afirmou que as joias iam para acervo da Presidência e negou ilegalidade. Michelle Bolsonaro disse desconhecer o assunto em uma postagem nas redes sociais. “Eu tenho tudo isso e não estava sabendo? Meu Deus! Vocês estão longe mesmo hein?, escreveu. Governo menciona envio de joias a acervo em ofício A CNN teve acesso a ofício de Bolsonaro (PL), do dia 6 de outubro de 2021, em que ele agradece ao príncipe Mohammed bin Salman Al Saud, da Arábia Saudita, pelo convite ao evento “Iniciativa Verde do Oriente Médio”, mas informa que não iria comparecer. Ele sugeriu que o então ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, o representasse. Após o evento, Albuquerque recebeu presentes de integrantes do governo. O ex-ministro e sua equipe viajaram em voo comercial. Ao chegar em Guarulhos, no dia 26 de outubro de 2021, um dos assessores, Marcos André dos Santos Soeiro, foi impedido de levar os presentes, já que os valores ultrapassaram R$ 1 mil dólares Apuração aponta que joias eram presente para Michelle, não para governo O presidente da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco), Mauro Silva, disse em entrevista à CNN neste sábado (4) que elementos apurados até o momento mostram que as joias do reino da Arábia Saudita eram presente para a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, não para o governo brasileiro. “Não há elementos que mostrem que a intenção era dar um presente ao governo brasileiro. Os elementos que até agora foram apurados mostram que se pretendia dar um presente à primeira-dama. E a maneira de isso ser feito foi ilegal, porque entrou como bagagem um bem destinado a um terceiro”, explica. A entrada do material em território brasileiro, segundo Mauro Silva, é ilegal, já que não respeita a definição de “bagagem”. O movimento em que uma pessoa atravessa as fronteiras com um bem destinado a um terceiro não está enquadrado no conceito. “O próprio portador deste alegado presente não afirmou que seria para o governo brasileiro, mas para a pessoa da primeira-dama. Isso retirou a condição de bagagem e trouxe as consequências legais”, disse.