Estabilidade no emprego dos servidores públicos está com os dias contados

Depois de dificultar a aposentadoria e rasgar a CLT, Bolsonaro vai acabar com a estabilidade do servidor público Jair Bolsonaro teve ontem um encontro fora da agenda com Rodrigo Maia, em que os dois discutiram uma reforma administrativa que contempla o fim da estabilidade dos servidores públicos, que poderiam passar a ser demitidos, em mais uma etapa do choque neoliberal em curso no Brasil – Os servidores públicos, que hoje têm estabilidade no emprego, podem perdê-la se a forma administrativa que começa a ser discutida em Brasília vier a ser aprovada. “Sem constar na agenda oficial, o presidente Jair Bolsonaro se encontrou o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, na manhã deste domingo no Palácio da Alvorada, para discutir o envio nos próximos dias da reforma da administrativa, que prevê o fim da estabilidade para servidores públicos, e outro texto para a regra de ouro, que, segundo Maia, terá ‘gatilhos para controlar as despesas obrigatórias do governo’”, segundo informa a jornalista Naira Trindade, em reportagem publicada no jornal O Globo. “A reunião foi sobre a pauta, os projetos e a preocupação dele para que se organize a questão da cessão onerosa. Disse que o presidente Davi (Alcolumbre, do Senado) está tocando isso e disse que ia dialogar com senadores e nossos líderes para mostrar que há unidade nas duas Casas, não vai ter conflito de jeito nenhum, com projetos do governo que já estão na Câmara e com os que vão chegar”, disse Maia, que não deu mais detalhes sobre a reforma administrativa.

Derrubando o mito: o Brasil não está quebrado e quem paga o pato é o povo

 Pato na Avenida Paulista, em São Paulo: os neoliberais entregam e o povo paga Solução para recuperar economia não está no arrocho fiscal e na paralisia dos investimentos, mas na reinclusão do povo no orçamento público Por Gleisi Hoffmann – Carta Capital Um espectro ronda o Brasil. O governo, o mercado e a mídia apontam que não há dinheiro, o país está quebrado e precisa de reformas. Isso é útil para justificar a agenda neoliberal, que retira direitos e foi adotada no país desde o Golpe de 2016, intensificada agora pela dupla Jair Bolsonaro e Paulo Guedes. Aqueles que propagam o caos não apenas decretam a falência do país, mas tratam de apontar, indevidamente, o culpado: o PT. Isso é mentira. Aos fatos. De maio de 2016 até agosto de 2019, a dívida bruta passou de 68% para 79% do PIB. Um aumento de 11 pontos. Como a dívida pode ter crescido, se o governo não para de cortar despesas sociais e investimentos? É que, conforme o Banco Central, os juros nominais explicam a maior parte do aumento da dívida nos últimos anos. Entre 2014 e 2018, quando houve déficit primário, os juros nominais responderam pelo aumento médio por ano de 6,7 pontos percentuais da dívida bruta em relação ao PIB. Caso sejam considerados os juros reais, a elevação anual foi superior a 3 pontos percentuais do PIB, constituindo o fator de maior peso no aumento da dívida. É sabido que, em 2015, quando Dilma já não governava efetivamente, o aumento dos juros se deveu à Selic, mas também à desvalorização cambial, que impulsionou os valores pagos em relação aos contratos de swap. Além disso, a contribuição do PIB para a queda da dívida caiu pela metade em relação a 2014. Portanto, não são os déficits primários – diferença entre o que o governo arrecada e gasta, excluídos os itens financeiros, como juros – que explicam predominantemente o aumento da dívida nos últimos anos. Assim, cai por terra o primeiro mito, segundo o qual a “gastança” da era Dilma teria sido responsável pelo endividamento do país. A queda do resultado primário é explicada pela redução da receita em ritmo superior ao aumento da despesa. Entre 2014 e 2016, a receita líquida real caiu, na média anual, 5,3%, enquanto a despesa subiu apenas 0,37%. Inverteu-se a tendência pré-crise, em que as receitas cresciam acima das despesas. Portanto, os déficits primários são reflexo da crise, e não sua causa. Isso desmonta o segundo mito, que associa enganosamente a crise ao excesso de gastos. Mesmo com a elevação da dívida, é possível modificar o conjunto das regras fiscais para estimular crescimento e garantir proteção social. E aí precisamos derrubar o terceiro mito. O país não está quebrado. Sua dívida é denominada em reais e as reservas internacionais, herança de Lula que o Banco Central já começou a torrar, fornecem ao país um colchão de segurança contra crises externas. Lula ainda está salvando a economia brasileira. O teto de gastos resulta que, mesmo havendo aumento da arrecadação, a despesa está congelada. Pior. Diminuirá em relação ao PIB. No caso da saúde, o congelamento do mínimo obrigatório, obra da Emenda Constitucional 95, deve retirar do setor 20 bilhões de reais entre 2019 e 2020. O dado revela o regime fiscal em contraposição direta ao interesse popular. A saúde é apontada como principal problema do país, segundo recente pesquisa Datafolha. Diante da política de austeridade, os investimentos não param de cair. No projeto de lei orçamentária para 2020, não chegam a 20 bilhões de reais, menos de 30% previsto em 2014. O Minha Casa Minha Vida também sofre cortes, com previsão de 2,7 bilhões de reais. Sem investimentos públicos, o país não cresce, a arrecadação é fraca e outra regra fiscal – a da LRF – exige contingenciamentos para cumprir o resultado primário se a receita cair. Como as receitas não reagem, a fórmula adotada pelo governo é achatar despesas. Tanto as discricionárias, afetando investimentos e serviços públicos, como as obrigatórias, alterando a Constituição para cortar direitos, especialmente os da Previdência, da aposentadoria. É preciso ter clareza. A reforma da Previdência é, na verdade, uma reforma fiscal. Restringe acesso e reduz o valor dos benefícios dos trabalhadores em até 40%, apenas para que o Estado caiba nas regras fiscais vigentes. A lógica é tão perversa que abrange até a aposentadoria das pessoas com incapacidade permanente, pensionistas e trabalhadores expostos a agentes nocivos à saúde, para citar alguns exemplos. O resultado é mais arrocho sobre o povo. Diante da insuficiência de demanda, a economia está mais de 5 pontos abaixo do seu potencial de crescimento. O consumo não reage, tendo em vista os 12 milhões de desempregados e os 28 milhões de brasileiros vivendo na informalidade, conforme o IBGE. O investimento privado é fraco, pois há capacidade ociosa. E o investimento público, variável que poderia impulsionar o crescimento, é afetado pelas regras fiscais. A piora do mercado de trabalho já produz aumento das desigualdades, que tende a ser agravada pela redução das políticas sociais. Para 2020, o orçamento do Bolsa Família não tem 1 real de reajuste. Segundo a FGV, o índice de Gini, que mede a desigualdade de renda, bateu recorde em 2019. Mesmo assim, não há nenhuma medida do governo para taxar o andar de cima. Os dados da Receita mostram que os mais ricos chegam a ter 70% de sua renda não tributada no Imposto de Renda. Desonerações com forte impacto fiscal, como as do setor de petróleo, seguem intocadas. Enquanto isso, o governo quer acabar com qualquer obrigação de gastos mínimos em saúde e educação, reduzir o poder de compra do salário mínimo e vender o patrimônio nacional para pagar dívida. Todo esse custo social e econômico para nada. Afinal, a dívida não para de crescer, aprisionando o país numa espiral de estagnação e piora dos índices sociais e fiscais. Derrubados os três mitos – “a gastança da era Dilma”, “a crise causada pelo gasto social” e o “país quebrado” – só

Livro reúne contribuição de Maria da Conceição Tavares à economia

Obra editada pelo Centro Celso Furtado e a Fundação Perseu Abramo traz seleção de textos produzidos nos últimos 50 anos pela professora – Ao (re)fazer uma leitura da influência das ideias econômicas e sociais latino-americanas na formação teórica de Conceição Tavares, percebemos sua inserção diferenciada no debate público brasileiro. Não foram poucas as contribuições teóricas do estruturalismo ao pensamento de Conceição Tavares. Começando pelo método histórico-estrutural de análise, passando pelo desafio do desenvolvimento econômico na periferia, atingiu o repúdio à visão de automatismos do mercado para se percorrer a via do desenvolvimento, a ideia de estilo distinto de desenvolvimento em economia periférica e o papel das empresas transnacionais na dinâmica do sistema capitalista mundial. Posteriormente, a autora adicionará ao método histórico-estrutural a sua chamada Economia Política, apoiada em Marx, Keynes, Kalecki, Steindl e Schumpeter, para analisar a dinâmica e o processo da acumulação de capital no Brasil. Na Escola de Campinas, nos anos 1970, ela reverá muitos pontos discutidos no âmbito da Cepal. Em auto subversão da própria ideia de “estrangulamento externo”, a terceira contribuição de Conceição Tavares à análise da natureza do crescimento brasileiro incorpora um esquema de reprodução kaleckiano capaz de descrever os mecanismos endógenos do processo de acumulação de capital no Brasil. Embora fosse ainda uma industrialização restringida por implantação parcial dos departamentos industriais, o processo de crescimento brasileiro já continha elementos em comum com o processo de crescimento verificado nos países desenvolvidos

Lava Jato poupou donos e executivos da Odebrecht para arrancar delação

 O novo capítulo da Vaza Jato, trazido pelos jornalistas Ricardo Balthazar e Paula Bianchi, em reportagempublicada na Folha, revela bastidores da negociação em torno da delação premiada da Odebrecht. “Procuradores da Operação Lava Jato pouparam a Odebrecht e seus principais executivos de medidas drásticas cogitadas durante as negociações do acordo bilionário que assegurou a cooperação da empresa com as investigações a partir de 2016”, aponta a reportagem “Os investigadores também discutiram a possibilidade de impedir a Odebrecht de pagar os advogados dos delatores e se responsabilizar pelas multas impostas aos executivos, para evitar que preservassem o patrimônio acumulado quando estavam envolvidos com a corrupção na empresa”, apontam ainda os jornalistas. Segundo eles, os procuradores deixaram de lado essas medidas com o avanço das negociações, para não inviabilizar o acordo com a Odebrecht, que era um dos maiores grupos empresariais do país e entrou em crise quando foi atingido pela Lava Jato.” Em junho de 2016, Deltan e outros dois procuradores sugeriram aos colegas que a empresa fosse impedida de assumir as multas. “Executivos devem arcar, na minha opinião”, disse no Telegram. Ele propôs que a empresa fosse punida com a rescisão do acordo se pagasse as penalidades dos executivos. No entanto, prevaleceu a segunda opção: a empresa pagou as multas de seus delatores premiados.

Governo Bolsonaro quer mudar a Constituição para congelar salário mínimo

Congelamento do valor dos salários seria de até dois anos e em situações de “aperto fiscal” O Ministério da Economia, de Paulo Guedes, analisa retirar da Constituição a obrigatoriedade de que o valor do salário mínimo seja corrigido pela inflação, para então autorizar o seu congelamento provisório em situações de “aperto fiscal”. Uma das hipóteses é que o valor fique travado por dois anos. Proposta atualmente está em tramitação no Congresso. Informação foi confirmada nesta segunda-feira (16) por Bernardo Caram, da Folha de S.Paulo. O salário mínimo já não tem mais a obrigatoriedade de ser reajustado acima da inflação, pois tal regra caiu esse ano no governo Bolsonaro. Agora, a nova mudança iria além, permitindo o congelamento do valor, sem reposição da inflação. No entanto, a Constituição define que o salário mínimo deve ter reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo. A teoria de Paulo Guedes é que, como o governo tem gastos atrelados ao salário mínimo, como as aposentadorias, a medida traria alívio ao Orçamento em situações de “aperto fiscal”. A medida será incluída na PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que altera regras fiscais e tem autoria do deputado Pedro Paulo (DEM-RJ). O texto atualmente está na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara e é debatido por um grupo de parlamentares, representantes do Ministério da Economia e técnicos de Orçamento no Congresso.

As contas falsas da Reforma da Previdência

O subsídio para os pobres pós-reforma será muito menor, e não maior como alegam os cálculos do governo – Tomamos um susto quando recebemos, em agosto, as planilhas do governo com os cálculos que embasavam a apresentação feita pelo Secretário da Previdência à imprensa, em 25 de abril, em um de suas idas ao Congresso Nacional. A apresentação de Rogério Marinho, em abril, foi uma resposta ao escândalo provocado pela decisão do governo de decretar sigilo dos estudos técnicos que justificam a reforma e suas supostas economias. Não resolvia o problema, contudo, porque as planilhas continuavam secretas. Até que o pedido solicitado via Lei de Acesso à Informação por Ricardo Knudsen foi atendido em agosto. André Passos, Henrique Sá Earp e eu mal acreditamos. O susto foi maior quando se percebeu que as planilhas não faziam sentido. Elas não podiam estar calculando o que diziam calcular. Uma injustiça evidente: como pode um país cheio de problemas fiscais e carência sociais subsidiar a aposentadoria de um brasileiro muito bem de vida com R$ 400 mil no período de 23 anos até sua morte? A reforma não o deixaria na mingua, apenas reduziria o subsídio para R$ 75 mil. Só que não. Poucos sabem, mas os aposentados por tempo de contribuição (30 anos para mulheres e 35 anos para homens) contribuem mais para a Previdência do que recebem, sobretudo caso se aposentem cedo. Isso é conhecido entre contadores especialistas em Previdência e é repetido há anos por pesquisadores como Fabio Giambiagi (BNDES) e Luiz Eduardo Afonso (USP) sem críticas acadêmicas. Já o contador pelo menos costuma aconselhar o aposentado a se aposentar mais tarde com integralidade de benefícios. Caso se aposente mais cedo, o Fator Previdenciário, criado em 1999, vai descontar o valor da aposentadoria mais do que a extensão da aposentadoria. É por isso que sindicatos pedem há anos o fim do Fator. Se o próprio governo barrar a aposentadoria precoce e deixar de descontar o Fator Previdenciário, ele vai apenas adiar o pagamento da aposentadoria, mas vai pagar mais por ela no final. Vai jogar a conta para as gerações futuras, mas vai aumentar a conta. Os bancos e empresas de previdência adorariam isto, pois passariam a oferecer aos trabalhadores de maior renda a possibilidade de se aposentar mais cedo, vendendo planos de previdência privada. Daí o escândalo quando se descobriu que a BrasilPrev, uma empresa privada, pagava como conselheiro o Secretário da Previdência de Michel Temer, Marcelo Caetano. Ele foi forçado a ficar só com o cargo público em 2017 sob acusação de conflito de interesses no momento em que defendia mais ou menos a mesma reforma da Previdência aprovada pela Câmara dos Deputados, em julho de 2019. Se a aposentadoria por tempo de contribuição traz hoje mais recursos do que tira do sistema ao longo do tempo, como o governo podia chegar à conta inversa na planilha que nos enviou? Percebemos que o governo não cometeu o erro primário de economistas como Paulo Tafner, Marcos Lisboa e Pedro Nery, que usam só a álgebra elementar, sem sequer aplicar o Fator Previdenciário ao apresentar o cálculo atuarial das aposentadorias. Aqueles que fizeram os cálculos na planilha oficial que recebemos usaram as técnicas de matemática financeira que são consagradas na comunidade internacional e nacional especializada em avaliar o equilíbrio atuarial de diversos regimes de aposentadoria (e não apenas regimes de capitalização). Demoramos, mas descobrimos que eles não calcularam o que diziam, ou seja, uma aposentadoria aos 60 anos com 35 anos de contribuição. Calculavam uma aposentadoria por idade. E isto faz toda a diferença. O Regime Geral de Previdência Social (RGPS) funciona assim: os aposentados por idade em geral recebem mais do que contribuem, ao contrário dos aposentados por tempo de contribuição. O sistema é de repartição e solidariedade não apenas geracional, mas social: as aposentadorias com grande tempo de contribuição, maior valor e menor idade financiam a aposentadoria de menor valor dos trabalhadores que se aposentam mais velhos e com pouco tempo de contribuição. O RGPS diminui a concentração pessoal e regional da renda, ao contrário do argumento usado contra a aposentadoria por tempo de contribuição e que é de interesse dos bancos e fundos de previdência privada. Assim, os trabalhadores dos estados mais ricos, onde se concentram as aposentadorias com grande tempo de contribuição, contribuem para a aposentadoria dos trabalhadores dos estados mais pobres, onde se concentram as aposentadorias por idade e pouco tempo de contribuição. O chamado déficit do RGPS é muito recente e foi provocado pela crise econômica. Vai se tornar superávit sem reforma alguma, desde que a crise passe, e o emprego formal e a arrecadação das contribuições fiscais para a previdência (CSLL e Cofins) se recuperem. No longo prazo, basta que a renda per capita cresça a uma taxa de 0,72% a.a. para que as contribuições arquem o envelhecimento populacional de aposentados que terão salários fixos além do piso. O Fator Previdenciário e impostos sobre os muito ricos também podem ajudar se necessário. Leia também Marcelo de Freitas será reconhecido por ajudar a jogar a velhice na miséria https://emcimadanoticia.com/2019/07/28/reforma-da-previdencia-ameaca-familias-sustentadas-por-aposentados/ Finalmente descobrimos que a planilha do governo simulava, na verdade, o caso de um aposentado com 65 anos de idade e 25 anos de contribuição. Pior: inflava o déficit ao descartar as contribuições empresariais acima do teto até R$ 11700,00. A matéria de capa da Carta Capital explica as outras manipulações. Um escândalo que vale CPI, pois são estas as contas que ilustram as apresentações enganosas feitas por representantes do governo desde abril. O governo precisa liberar publicamente todas as outras planilhas. O povo precisa saber a conta verdadeira. A “economia” da reforma não vem da abolição da aposentadoria por tempo de contribuição, mas de critérios mais duros de acesso à aposentadoria e de desconto nos valores que vão fazer os trabalhadores contribuírem mais para receberem menos. O trabalhador mais pobre pós-reforma continuará recebendo salário mínimo, mas precisará contribuir cinco anos a mais, ou 33% a mais. Para salários superiores ao piso, o desconto

Bolsonaro vai privatizar todas as estatais e implantar nova CPMF

O ministro da Economia, Paulo Guedes, anunciou a nova política fiscal do governo Bolsonaro e disse o que o capital financeiro quer ouvir: “Vamos desindexar, desvincular e desobrigar todas as despesas de todos os entes federativos”. E completou escancarando o seu entreguismo: “Eu quero privatizar todas as empresas estatais”. Guedes também anunciou a criação da nova CPMF – Em entrevista publicada nesta segunda-feira (9) pelo jornal Valor Econômico, o ministro da Economia, Paulo Guedes, falou sobre a nova política fiscal do governo Bolsonaro e disse o que o capital financeiro quer ouvir: “Vamos desindexar, desvincular e desobrigar todas as despesas de todos os entes federativos”. E completou escancarando o seu entreguismo: “Eu quero privatizar todas as empresas estatais”. Guedes também anunciou a criação da nova CPMF. O ministro da Economia informou que o governo Bolsonaro fará uma “transformação sistêmica”. Segundo ele, o eixo dessa transformação é “desinvestir e desmobilizar ativos públicos”. Guedes quer uma via rápida para consumar seu plano de pritatizações. Diz que fará a lista das empresas públicas a serem alienadas e o governo vai fazer aprovar uma lei autorizando a inclusão dessas empresas no Programa de Desestatização. O ministro não deixou dúvida quanto à voracidade fiscal do governo Bolsonaro e deixou claro que vai meter a mão no bolso do povo. A reforma tributária vai trazer novos impostos – o IVA-Dual e o Imposto sobre Transações Financeiras, que é a CPMF com novo nome. Leia a íntegra da entrevista

Efeito Bolsonaro: Produção industrial cai novamente em junho

A produção industrial brasileira teve nova queda de 0,3% na passagem de junho para julho deste ano, o terceiro resultado negativo consecutivo. A perda acumulada no período chega a 1,2%, segundo dados da Pesquisa Industrial Mensal, divulgada nesta terça-feira (3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o que revela o quadro de estagnação econômica do país. A produção teve queda ainda maior na comparação com julho do ano passado (-2,5%). A indústria também acumula recuos de 1,7% neste ano e de 1,3% em 12 meses. Entre as grandes categorias econômicas, a queda de junho para julho foi puxada pelos bens de capital, isto é, as máquinas e equipamentos (-0,3%), e pelos bens intermediários – os insumos industrializados usados no setor produtivo (-0,5%). Por outro lado, os bens de consumo tiveram alta no período e evitaram um desempenho pior da indústria no mês. Os bens semi e não duráveis cresceram 1,4% no período, enquanto os bens duráveis avançaram 0,5%. Onze das 26 atividades industriais tiveram queda na passagem de junho para julho, com destaque para outros produtos químicos (-2,6%), bebidas (-4,0%) e produtos alimentícios (-1%). Entre as 15 atividades com crescimento, o principal destaque ficou com as indústrias extrativas, que tiveram alta de 6%.

De novo! Previsão do PIB cai para 0,8%! Dólar vai fechar 2019 a R$ 3,80! Um colosso!

O Banco Central publicou na manhã desta segunda-feira, 26/VIII, nova edição do Boletim Focus – o levantamento semanal sobre as expectativas do “mercado”, elaborado a partir das previsões de banqueiros, economistas e especuladores. Depois de uma semana de ligeira alta (antecedida por vinte semanas consecutivas de queda, uma semana de magnânimo crescimento de 0,01%, mais duas de crescimento zero e outra de queda), a previsão do PIB para 2019 voltou a cair: de 0,83% para 0,80%. Além disso, a previsão para 2020 também foi reduzida: de 2,20% para 2,10%. Os banqueiros também esperam que o dólar irá encerrar o ano em forte alta: a expectativa subiu de R$ 3,78 para R$ 3,80. Para 2020, a previsão permanece em R$ 3,81. (Não era só tirar a Dilma que o Dólar iria cair?) Ainda segundo o Focus, a previsão para a inflação caiu de 3,71% para 3,65%. Já a taxa de juros está mantida em 5% ao ano. Em tempo: a Agência Brasil, do Governo Federal, diz que a queda de 0,03% não foi uma queda: na verdade, “a previsão foi ajustada”… Via Conversa Afiada

Sob ameaças de privatização, Banco do Nordeste vira tema de debate pela região

Coordenador do Comitê em Defesa do BNB diz promover um “trabalho de prevenção” às privatizações de caráter ideológicas – Embora ainda não tenha recebido nenhuma retaliação direta, o Banco do Nordeste do Brasil (BNB) está entre as instituições públicas com ameaças de privatização pelo Governo Bolsonaro. Como uma forma de buscar apoio da população em defesa do órgão, um Comitê em Defesa do Banco do Nordeste foi formado para discutir e explicar a importância que o Banco tem na região. Coordenador do Comitê e funcionário do órgão, Robson Araújo, explica que há 67 anos o Banco vem criando uma série de ações que visam o desenvolvimento de pequenos empreendedores na região. Segundo ele, o BNB consegue chegar em regiões remotas para oferecer empréstimos de financiamento. “A gente vai até as comunidades mais distantes e isoladas oferecer oportunidade de crescer, através de financiamento com juros muito baixos (de 1% ao ano), prazo adequado, sempre com políticas desse tipo e sempre de forma responsável. A gente vê quem tem o potencial de crescer”, afirma. Em 2019, o resultado líquido do BNB chegou, nos seis primeiros meses, em R$ 1,1 bilhão, cerca de 160% maior do que no mesmo período de 2018. O que mostra a rentabilidade do Banco, mesmo com o financiamento de baixos juros e isenção de tarifas bancárias a pequenos agricultores que fazem parte do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), um dos grandes beneficiados da política de desenvolvimento do BNB. “É um público de pequenos produtores, famílias que vivem disso, que pegam financiamentos pequenos. O crédito é pulverizado, atinge muita gente com valores pequenos, adequados às suas realidades, para que cresçam. O cliente do Pronaf é isento de tarifa bancária, o banco não pode vender seguros – como a maioria dos bancos fazem. Isso traz um resultado social muito grande: mantém o homem do campo no campo, e faz o dinheiro circular na economia local”, destaca. Somente na geração de emprego, Araújo aponta que, em 2018, o Banco do Nordeste foi responsável pela manutenção e criação de 1,4 milhão de empregos no Nordeste inteiro. Caso privatizado, a situação de desempregados no país seria ainda maior. Mesmo com essa série de benefícios gerados, Araújo acredita que a questão ideológica do Governo Federal chega a se sobrepor a prova prática de desenvolvimento gerado. “Não importam os dados, não importam os números, o que as pesquisas digam e o que as pesquisas mostram. Eles têm uma visão: estado mínimo”. Passando por Natal (RN), o Comitê de Defesa do Banco do Nordeste participou de uma audiência pública na Assembleia Legislativa do RN, proposta pelo deputado estadual Francisco do PT, para discutir as ameaças do BNB e a importância da sua manutenção. “Estamos fazendo um trabalho de prevenção. Participando de audiências públicas para mostrar ao máximo de pessoas possíveis a importância do banco, para que a gente tenha apoio da população na hora que vier a retaliação”.