Caminhoneiros: não é só o diesel, é a recessão de Bolsonaro

Embora o assunto esteja em quase toda a mídia, com a concentração de caminhoneiros marcada para o próximo dia 19, em Brasília, é disparado a melhor cobertura a que traz hoje a Folha, da repórter Heloísa Negrão, que foi ver, nos estacionamentos próximos aos terminais de cargas – sem deixar de reunir os números do setor – o que de fato está motivando a agitação dos transportadores de cargas. Ou, para muitos, ex-transportadores, porque já não conseguem, senão depois de muito tempo, contratos para encherem seus caminhões e sairem para as estradas. João Batista Rodrigues Alves, 47, de Fortaleza, no Ceará, conta que passou 14 dias na beira de uma estrada, em Belém, no Pará, quando aderiu ao protesto. Agora, porém, para por não ter que o fazer. Na segunda-feira (6), completava o quarto dia sem encontrar trabalho no Terminal de Cargas de São Paulo. Antes do serviço que o levou à capital paulista, ficara 18 dias em casa à espera de um frete. Pelo trajeto de Fortaleza para São Paulo, recebeu R$ 9.300 —R$ 2.700 menos do que ganhou da última vez. Outro motorista, gaúcho, diz que “ndiantam tabela do frete ou diesel barato”, porque “está tudo parado, não tem serviço, não tem carga para todo mundo. Precisa melhorar o país como um todo. É saindo da crise, voltando a produzir mais e a vender mais que vai ter carga para a gente transportar”. Com a queda da produção e do consumo, a oferta de frete fica sobrando, não há tabela que resista. E com ganho cada vez menor, porque o preço do diesel – média nacional – alcançou R$ 3,664 na última medição da ANP voltando a ficar perto dos R$ 3,82 que fizeram explodir a paralisação das estradas no ano passado. Mas há dois outros fatores. O número de novos caminhões emplacados – e por empresas, não por caminhoneiros autônomos, decolou: 46,7% a mais, a mauior parte pertencentes a empresas que pretendem eliminar os riscos de prejuízo como os que sofreram com o movimento. Pela mesma razão, cresceu o transporte por navegação de cabotagem, que oferece menos riscos por sua estrutura empresarial. O quadro é desesperador para profissionais que, em grande maioria, caíram no colo da demagogia bolsonarista. Fizeram “arminha”, ganharam o direito de andar com uma pistola .40, só não ganharam o direito de sustentar suas famílias.
62,7% das famílias estão endividadas e desespero campeia com Bolsonaro

– Desde a posse de Bolsonaro, o índice de famílias endividadas no país ultrapassa 60% – 62,7% em abril, segundo a Confederação Nacional do Comércio; quase 10% das famílias declaram não ter como pagar as dívidas; o cartão de crédito, ícone do sistema financeiro, é o maior vilão das famílias Brasil de Fato – Pelo quarto mês consecutivo, a taxa de famílias endividadas no Brasil ultrapassa a marca dos 60%. Em abril deste ano, a parcela de devedores, em atraso ou não, registrou 62,7%, sendo o patamar mais expressivo desde setembro de 2015, quando o número de endividados foi de 63,5%. O índice de famílias que declararam não ter condições de pagar suas contas também subiu de 9,4% para 9,5% entre março e abril. Os dados são da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada nesta terça-feira (7) pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O estudo é feito mensalmente desde janeiro de 2010. Os dados são coletados em todas as capitais dos Estados e no Distrito Federal, com cerca de 18 mil consumidores. Para Juliane Furno, doutoranda em Desenvolvimento Econômico na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), mais do que um impasse econômico, o endividamento é um problema social e coletivo, visto que atinge mais de 50% da população. Segundo a pesquisa, a inadimplência é maior entre os mais pobres. Na faixa de menor renda, o contingente de famílias com contas ou dívidas em atraso passou de 26% em março para 26,7% em abril. “As pessoas que estão com o nome sujo, endividadas, isso tem um peso social importante, porque não se sabe como vai comer no próximo dia, se vai conseguir continuar morando em algum lugar ou vai ter que morar na rua, mas também tem uma dimensão econômica importante”. As dívidas são relacionadas com cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, cheque pré-datado, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro. De acordo com o levantamento, o cartão de crédito é o maior vilão dos entrevistados, com a marca de 77,6%. A pesquisa também constatou um crescimento na quantidade de famílias com dívidas ou contas em atraso. A taxa de inadimplência, que foi de 23,4% em março, alcançou a marca de 23,9% em abril. Ao passo que aumenta o endividamento das famílias, a estimativa de crescimento econômico do Brasil diminui. O consumo das famílias é o principal motor do Produto Interno Bruto (PIB), medida que quantifica a atividade econômica do país. Portanto, se a população está endividada, não há renda para consumir. A demanda das famílias tem um peso de 64% no cálculo do PIB brasileiro, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As projeções do mercado financeiro também não são animadoras: na décima baixa consecutiva, o crescimento da economia brasileira em 2019 caiu de 1,7% para 1,49%, de acordo com a pesquisa semanal Focus, divulgada pelo Banco Central (BC) nesta segunda-feira (6). Desemprego crescente e economia patinando Para solucionar a questão do endividamento das famílias, Juliane argumenta que o Estado brasileiro deveria pensar em políticas de facilitação de crédito para as pessoas conseguirem negociar e pagar suas dívidas. Ela aponta que o desemprego é o principal responsável pelo aumento dos devedores. “Concretamente, o Estado não consegue criar nenhuma política pública de aumento do emprego, que seria um elemento para diminuir o endividamento, nem de reparcelamento das dívidas, porque isso envolveria enfrentar o sistema financeiro brasileiro do qual é um financiador das grandes campanhas da direita, é o sustentáculo do governo [de Jair] Bolsonaro [PSL] no Brasil, então com os bancos ele não mexe”. “Nas séries históricas, toda vez que o desemprego no Brasil está baixo, o índice de endividamento também acompanha a baixa. E, sempre que o desemprego aumenta, o número de endividamento das famílias também aumenta”, esclarece a doutoranda. De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) divulgados pelo IBGE no último dia 30, 12,7% dos brasileiros estão desempregados. Com isso, mais de 1,2 milhão de pessoas entraram para a população desocupada no primeiro trimestre do ano, na comparação com o último trimestre de 2018. Juliane ressalta que os 13,4 milhões de desempregados apontados pela pesquisa não representam a totalidade da desocupação no país. “Quando a gente leva em consideração [outros] dois elementos, a pessoa que é subutilizada, ou seja, que teria condições físicas e mentais de trabalhar 44 horas semanais, mas que foi ocupada com uma hora ou duas horas na semana, ou a pessoa que não procurou emprego porque já está desalentada, o número de desempregados seria de aproximadamente 23 milhões”. A categoria conhecida como desalento foi criada nos anos 1980, no surgimento da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e da Fundação Seade. O desalento caracteriza as pessoas que desistiram de procurar emprego, por desestímulo ou outras circunstâncias, como a falta de dinheiro para a condução. Juliane destaca que a ausência de ocupações e os crescentes empregos precários e informais colaboram para o aumento de pessoas endividadas. Com a recessão econômica e os reflexos da reforma trabalhista, o quadro deve piorar, alerta a doutoranda. “Em 2017, pela primeira vez, o número de trabalhadores informais superou o número de trabalhadores formais, um contingente de cerca de 20 milhões de pessoas que trabalham em empregos informais, que também contraem dívidas sem uma garantia concreta de que vão ter emprego nos próximos meses para poder honrar essas dívidas”. (por Emilly Dulce)
Crise dispara e indicadores de desemprego aumenta em abril

Indicador Antecedente de Emprego (Iaemp), que antecipa as tendências do mercado de trabalho, recuou 1 ponto na passagem de março para abril, na terceira queda consecutiva; indicador chegou a 92,5 pontos e acumula perda de 8,6 pontos em três meses; o Indicador Coincidente de Desemprego subiu 0,7 ponto de março para abril e chegou a 94,8 pontos; nessa escala, quanto maior a pontuação, pior é o resultado Vitor Abdala, repórter da Agência Brasil – Os dois indicadores do mercado de trabalho da Fundação Getulio Vargas (FGV) apresentaram piora na passagem de março para abril deste ano. O Indicador Antecedente de Emprego (Iaemp), que busca antecipar as tendências do mercado de trabalho para os próximos meses, com base na opinião de consumidores e de empresários da indústria e de serviços, recuou 1 ponto no período. Com essa, que foi a terceira queda consecutiva, o indicador passou para 92,5 pontos, em uma escala de zero a 200, o menor nível desde outubro do ano passado. Em três meses, o Iaemp acumula perda de 8,6 pontos. Já o Indicador Coincidente de Desemprego, que mede a percepção dos consumidores sobre o mercado de trabalho atual, subiu 0,7 ponto de março para abril e chegou a 94,8 pontos, em uma escala invertida de zero a 200. Nessa escala invertida, quanto maior a pontuação, pior é o resultado.
Efeito Bolsonaro: preço do gás de cozinha sobe 3,4% neste domingo

A diabólica política de preços dos combustíveis de Jair Bolsonaro (PSL) permitirá o reajuste no gás de cozinha em 3,4% a partir deste domingo (5). O botijão de 13 quilos já é encontrado pelo consumidor final nas revendas, dependendo da região do País, por entre R$ 78 e R$ 100. A Petrobras também aumentou hoje (4) o preço do óleo diesel em 2,56%. A elevação poderá deflagar a greve de caminhoneiros. A política de preços de Bolsonaro para os combustíveis consiste na majoração dos preços da Petrobras de acordo com a variação do dólar e oscilação do barril de petróleo no mercado internacional. É a mesma fórmula de Michel Temer (MDB) que levou à greve de caminhoneiros em 2018.
Alta do desemprego amplia arrependimento de bolsonaristas

Da Rede Brasil Atual – O aumento do desemprego registrado no primeiro trimestre do governo Bolsonaro já faz eleitores se arrependerem do voto e sentirem saudades dos governos do PT, em especial do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quando havia políticas de estímulo ao crescimento. “Ele não está do lado da população pobre, está do lado dos ricos. Não vejo ele ajudando o meu lado. Votei completamente errado. Se eu tivesse votado num homem que desse serviço…”, diz o pedreiro Pedro de Santana. Ao repórter Jô Miyagui, do Seu Jornal, da TVT, ele conta que quer largar o bico, mas está desempregado há 10 meses. “Falar que o Lula foi ruim para o trabalhador é mentira”, afirma o metalúrgico Laerte de Paula. Com as contas de água e luz atrasadas, ele diz que mandou mais de uma centena de currículos, “mas até agora, nada”. Dados divulgados pelo IBGE na última terça-feira (30) revelam que o número de desempregados cresceu 10,2%, para um total de 13,387 milhões nos primeiros três meses deste ano. A taxa de subutilização – pessoas que trabalham em jornada reduzida por falta de opção – atingiu 25%, a maior da série histórica. Segundo o professor de economia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) Rubens Sawaya, medidas adotadas pelo governo, como cortes no orçamento, colaboram para o agravamento do desemprego. Para combater a crise, o Estado deveria ampliar gastos para estimular a demanda, aquecendo a economia.
Desemprego salta 10% no governo Bolsonaro e chega a 13,4 milhões de pessoas

A derrocada econômica do país por conta da política econômica da dupla Jair Bolsonaro-Paulo Guedes resultou em uma alta brutal no desemprego. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nos primeiros três meses deste ano, a massa de desocupados cresceu 10,2% sobre o trimestre anterior, correspondendo a 13,4 milhões de pessoas, um acréscimo de 1,2 milhão de desempregados. O desemprego é um dos elementos -dos mais dramáticos- no cenário desolador para a economia. A falta de confiança quanto aos rumos da economia levaram as instituições financeiras a reduzir pela nona vez consecutiva as projeções para o crescimento ecnômico este ano. Segundo o boletim Focus do Banco Central, o mercado reduziu a estimativa para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB de 1,71% para 1,70% este ano. Há quatro semanas, a estimativa estava em 1,98%. Nesta linha, os indicadores inflacionários também causam apreensão. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), que mede a prévia da inflação oficial, ficou em 0,72% em abril deste ano, o maior para o mês desde 2015 (1,07%). O IGP-M, utilizado como referência para a correção de valores de contratos, como os de aluguel de imóveis, subiu 0,92% em abril, de acordo com dados da Fundação Getulio Vargas (FGV). Com os empresários segurando os investimentos e o consumo em baixa, a taxa de desemprego no período chegou a 12,7%, alta de 1,1 ponto percentual quando em comparação com o trimestre anterior. O índice é considerado o maior desde o trimestre terminado em maio de 2018, quando a taxa também ficou em 12,7%. Ainda segundo o IBGE, a renda média real do trabalhador no primeiro trimestre foi de R$ 2.291,00, uma alta de 1,4% em relação ao mesmo período do exercício anterior. A massa de renda real habitual paga aos ocupados somou R$ 205,3 bilhões no trimestre até março, alta de 3,3% ante igual período do ano anterior.
Colapso econômico faz aplicativos os maiores empregadores do Brasil

– O colapso econômico que assola o Brasil fez com que aplicativos de serviço como Uber e iFood sejam os maiores “empregadores” do País, se tornando a principal renda de quase 4 milhões de autônomos, quando deveria ser fonte complementar. “O trabalho com aplicativos foi potencializado pela crise e deve se consolidar como complemento de renda quando o mercado de trabalho melhorar”, disse o economista Sergio Firpo, do Insper, ao Estado de S. Paulo. “Após quase três décadas trabalhando como gerente de vendas de imóveis, Salomão Sousa, de 57 anos, se viu sem saída: com sua principal fonte de renda prejudicada pela recessão, as comissões, que em alguns meses passavam de R$ 80 mil, sumiram. Sem pensar duas vezes, ele guardou o diploma de Direito e se tornou motorista do Cabify há dois anos e meio”, conta a reportagem. Já são 5,5 milhões de profissionais cadastrados – entre autônomos e os que têm emprego fixo, mas usam apps como complemento – nas plataformas de mobilidade e entrega de produtos como Uber, 99, Cabify e iFood, de acordo com o Instituto Locomotiva. “A relação entre motoristas e aplicativos, porém, já rendeu brigas na Justiça, tanto no Brasil quanto no exterior. Em março, a Uber teve de pagar US$ 20 milhões a motoristas que moveram uma ação contra a empresa nos Estados Unidos. Os profissionais alegavam que eram empregados da companhia e não contratados independentes. Em agosto, uma decisão do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo reconheceu o vínculo de emprego entre um motorista e a Uber, mas o mesmo tribunal já havia tomado uma decisão em sentido contrário”, conta O Estado.
Preço do tomate pode subir ainda mais no mês abril no Norte de Minas

Baixa produção do fruto é o principal impulsionador do preço; caixa do tomate chegou a ser comercializado por R$ 120 no Ceanorte de Montes Claros. A alta do preço do tomate deve continuar nas últimas semanas de abril. Isso é o que revela os comerciantes e produtores do Norte de Minas. A região é um importante produtor do fruto, mas a maior parte desta produção é vendida para mercados de outros estados, o que elevou a venda da caixa do tomate por até R$ 140. Nesta terça-feira (23), o produtor Eilton Sampaio carregou cerca de 1.200 caixas de tomates colhidos em sua propriedade, mas todas vão para o Nordeste do país. “Todas as caixas foram vendidas de R$ 75 a R$ 80. Com certeza o preço vai estar mais caro nesta semana e na próxima. Aqui em Salinas são carregados cinco caminhões por semana, e nas bancas já chegou a R$ 7 o quilo”. Sampaio possui uma área de 6 hectares com pés de tomates na comunidade de Nova Matrona, em Salinas. Para ele, o alto preço está diretamente relacionado a baixa oferta do fruto. “Muitos produtores deixaram de cultivar, aqui na região e em outras partes do estado também. Com certeza quem tem uma boa produção consegue vender bem nesta época”. Segundo o gerente da Central de Abastecimento do Norte de Minas (Ceanorte), Flávio José Reis, é que o preço do fruto continue elevado nesta quarta-feira (24). “Na semana passada o preço médio foi de R$ 80, mas encontramos tomates sendo vendidos a R$ 120. Neste caso, eram tomates com melhor qualidade. Infelizmente, os preços devem chegar ainda bastante elevado na feira desta semana. Não registramos nada que mude esta expectativa”. Essa variação no preço da caixa de tomate leva os comerciantes a inovarem para mantê-lo nas bancas dos sacolões. O comerciante Valcir Pereira da Fonseca afirma que buscou alternativas conseguir comprar o tomate com preço melhor. “Eu não posso ficar preso a apenas um produtor. Tenho que ter alternativas de qualidade e preço, pois o consumidor final também vai querer opções para levar o produto. Por isso tenho que fornecer esta opção”. Leia também – Cadê a apresentadora Ana Maria Braga, com seu ridículo colar de tomate? – Onde anda os colares da Ana Maria Brega? Patética, a cansada apresentadora serviçal das elites Ana Maria Braga que ironizou em 201 o preço do tomate, dizendo que o produto é “uma joia”, para justificar o seu colar ridículo pendurado no pescoço para seguir a linha de ataque da Globo para derrubar a ex-presidente Dilma Rousseff, emudecei. Com informação do G1 Grande Minas
PIB per capita despenca no Brasil, indica o Fundo Monetário Internacional

Uma matéria do Portal G1 diz que, estagnado, Brasil vê riqueza de colombianos e peruanos se aproximar. Em 2018, renda média da população da Colômbia e do Peru equivalia a 93% e 88% da brasileira, respectivamente. Distância vem diminuindo ao longo dos anos. Em 2018, os dados do Fundo Monetário Internacional (FMI) mostraram que o Produto Interno Bruto (PIB) per capita da Colômbia chegou a US$ 14,943 mil, enquanto o do Peru foi a US$ 14,424 mil. A riqueza dois países equivaliam, respectivamente, a 93% e 88% da renda do brasileiro (US$ 16,154 mil) no ano passado. É a menor diferença já registrada pelo fundo. A aproximação das economias colombiana e peruana marca mais um revés para o Brasil e deixa evidente que o país tem ficado para trás na região. Nas últimas décadas, a economia brasileira já foi superada pelo Chile e viu a distância de outros países latino-americanos, como México e Argentina, crescer em vários momentos. O PIB per capita é um indicador que mede toda a riqueza produzida por um país e a divide pela quantidade de habitantes. Os dados foram calculados em Paridade do Poder de Compra (PPC) e, portanto, permitem a comparação entre os países porque exclui qualquer tipo de efeito do câmbio nas moedas locais. Em 1980, quando o indicador começou a ser mensurado pelo órgão, a distância do Brasil para Colômbia e Peru era bem maior. O PIB per capita colombiano equivalia a 56% do brasileiro, enquanto o peruano correspondia a 64%. Naquele ano, o Brasil tinha um PIB per capita de US$ 4,9 mil, enquanto o da Colômbia somava US$ 2,762 mil, e o Peru tinha uma riqueza média de US$ 3,151 mil. O Brasil também superava o Chile, cuja renda per capita era de US$ 3,441 em 1980. Em 2018, no entanto, o PIB per capita chileno avançou a US$ 27,059 mil – 60% superior ao brasileiro no mesmo ano. O mau desempenho do Brasil na comparação com os pares latino-americanos é explicado pelo baixo crescimento econômico ao longo dos últimos anos. O cenário foi agravado com a recessão de 2015 e 2016 e por avanços modestos do PIB nos dois anos seguintes, em 2017 e 2018. Nas projeções do fundo, a diferença da Colômbia e do Peru para a economia brasileira deve continuar diminuindo e os países devem praticamente se igualar no quesito PIB per capital em poucos anos. Em 2024, a projeção do FMI é que o PIB per capita da Colômbia chegue a US$ 19,766 mil e alcance 99% da renda do Brasil (US$ 20,052 mil). Já o PIB per capita peruano (US$ 19,027 mil) deve equivaler a 95% do brasileiro.
Bolsonaro está espremido entre mercado, caminhoneiros e agronegócio

– Keynes estaria aflito com as práticas introduzidas no Brasil para o reajuste dos preços dos derivados do petróleo. – Por Luiz Gonzaga Belluzzo* Os mercados derrubaram as ações da Petrobras, enquanto os caminhoneiros rilhavam os dentes diante do vai-mas-não-vai do novo reajuste do preço do diesel. Já a ministra do Agronegócio apresentou as queixas da sua turma contra a tabela de fretes ajambrada pelo destemido Michel Temer. Espremido entre os humores dos mercados financeiros, as ameaças dos caminhoneiros e as investidas do agronegócio, o presidente Bolsonaro aprestou-se a dizer que não era economista e negou ter perpetrado uma “intervenção” no reajuste do diesel. O Odisseu de Homero navegou seu barco entre ameaças de Cila e Caríbdis, dois monstros que o atormentaram no Estreito de Messina. Nosso Odisseu de Xiririca enfrenta três: 1. Os mercados nervosos, despóticos e autorreferidos. 2. Os caminhoneiros em desassossego com o novo reajuste. 3. A turma do agronegócio que manifesta o desagrado com a tabela de fretes. Na primeira trombada entre os caminhoneiros e a Petrobras escrevi no jornal Valor que, “em 2017, os contratos futuros (paper barrel) negociados nos mercados de Londres e Nova York movimentaram um valor 23 vezes superior àquele registrado no mercado físico (wet barrel)”. No mundo acarpetado pelas novas formas financeiras, as relações entre demanda e oferta de petróleo não podem ser avaliadas conforme critérios tradicionais. A formação de preços está sempre acompanhada por movimentos especulativos que sujeitam os mercados da preciosa matéria-prima à amplificação das flutuações que caracterizam os auges e derrocadas dos preços de ativos. A finança global lambe os beiços diante das operações nos mercados futuros de petróleo. Em princípio destinados a proteger os agentes do mundo real contra as imprevisibilidades da precificação de ativos e commodities executada pelos mercados, os derivativos ganharam vida própria e se transmutaram em formas financeiras que abrem espaço para manobras especulativas de ordem superior. As taxas de câmbio e as apostas nos mercados futuros com índices de commodities são, hoje, exemplos escandalosos e aberrantes dessa “inversão” que submete as políticas econômicas a constrangimentos e a conflitos nada triviais. Segue o enterro: os acontecimentos recentes mostram que os “mercados” tendem a exasperar a volatilidade dos preços diante de expectativas de desequilíbrios momentâneos entre oferta e procura. Esses derivativos ateiam gasolina ao fogo nos períodos de alta e, na baixa, jogam mais água do que o necessário na fervura. A “inflação” ou a deflação do petróleo impacta as economias com força redobrada. No estudo A Model of Financialization of Commodities, Suleyman Basak e Anna Pavlova estudam cuidadosamente os efeitos da “financeirização” sobre a volatilidade dos índices de preços da commodities. Esses índices têm um peso considerável do petróleo. Demonstram os autores do estudo que “a volatilidade é acentuada pela participação das grandes instituições financeiras – investidores institucionais – sempre empenhadas em não ficar na rabeira dos movimentos do índice”. Os caminhoneiros rilham os dentes diante do vai-mas-não-vai do reajuste do preço do diesel Uma vez assumida a posição dominante nas transações financeiras – tanto no que diz respeito ao volume negociado quanto no que se refere à alavancagem –, os derivativos passaram a “comandar” os movimentos dos ativos subjacentes. As taxas de câmbio e as apostas nos mercados futuros com índices de commodities são, hoje, exemplos escandalosos e aberrantes dessa “inversão”, o que submete as políticas econômicas a constrangimentos e conflitos nada triviais – vamos às questões atuais – entre o objetivo de manter a inflação sob controle e o propósito de não danar o crescimento ou colocar em risco a estrutura industrial e, consequentemente, o “arcabouço” de geração de renda e emprego. Na aurora da crise financeira, Willem Buiter, hoje economista-chefe do Citi-group, apontou as armas da crítica na direção dos sistemas financeiros “intrinsecamente disfuncionais, ineficientes, injustos e regressivos, vulneráveis a episódios de colapso”, um exemplo de “capitalismo de compadres”, sem paralelo na história econômica do Ocidente. “É uma questão interessante, para a qual não tenho resposta… Não sei se os que presidiram e contribuíram para a criação e operação (desse sistema) eram ignorantes, cognitivamente e culturalmente capturados ou, talvez, capturados de forma mais direta e convencional pelos interesses financeiros.” Dizem os frequentadores que nas salas e corredores do King’s College, em Cambridge, na Inglaterra, ainda ressoa a indagação da professora Joan Robinson, uma das herdeiras intelectuais de Keynes: “ O que Maynard diria?” Maynard, o leitor já sabe, é John Maynard Keynes. Maynard, imagino, estaria aflito com as práticas introduzidas no Brasil para o reajuste dos preços dos derivados de petróleo. Seja como for, Maynard ficaria chocado com uma mudança que poderá ampliar assustadoramente os intervalos de flutuação do preço de uma commodity tão importante como o petróleo. Pouca gente sabe, mas Keynes advogou, no espírito da Nova Ordem Econômica Internacional do Pós-Guerra, a criação do General Council of Commodity Controls, destinado a atenuar as excessivas flutuações de preços de commodities, lesivas aos países produtores e consumidores, danosas à estabilidade das economias. Isso seria feito mediante uma política de gestão de estoques, coordenada por um comitê de especialistas formado por representantes dos países produtores e consumidores. O preço do petróleo está dependente ao sabor dos mercados, das ameaças dos transportadores de cargas e das pressões do agronegócio “Uma agência internacional seria constituída, a Commod Control, com representantes dos governos dos principais países produtores e consumidores. A Commod fixaria os preços em um nível mínimo razoável (garantindo a renda dos produtores e o conforto dos consumidores) e esses valores seriam modificados de tempos em tempos, com base na tendência observada na variação de estoques, para cima ou para baixo. Não seria tecnicamente difícil estabelecer uma relação entre os valores ‘básicos de sustentação’ e o complexo de preços atuais, porquanto os movimentos de preços nos mercados futuros sinalizariam a atuação correta para o comitê de especialistas.” Keynes reconhece que a formação de preços deveria decorrer da interação entre as informações do mercado e a agência internacional incumbida de manejar os “estoques reguladores”, com o propósito de aplainar as flutuações agudas e garantir