Cadê a apresentadora Ana Maria Braga, com seu ridículo colar de tomate?

Em 2013 ela protestou contra o preço do tomate que custava R$ 10,00. Hoje, o preço do tomate ultrapassa a casa dos 13 reais A Fundação Getúlio Vargas divulgou nesta segunda-feira (8) que o Índice de Preços ao Consumidor segue em trajetória de alta, e forte: de 0,35% de variação mensal medida na última semana de fevereiro passou a o,8% na primeira semana de abril. Sem sinal de melhora, o preço do tomate custa mais de 13 reais, e nenhum sinal de protesto da cansada apresentadora serviçal das elites, que no dia 11 de abril de 2013, apresentou seu programa matinal “Mais você” vestindo um colar de tomates. Patética, Ana Maria Braga ironizou que o produto é “uma joia”, seguindo a linha de ataque da poderosa emissora para derrubar a ex-presidente Dilma Rousseff. Na época, o preço do tomate custava, em média, R$ 10,00, e a mídia rentista aproveitou a alta sazonal do preço do tomate para fazer terrorismo pelo aumento dos juros. Até a colunista Miriam Leitão, uma arqui-inimiga do governo Dilma, reconheceu que aquele aumento da inflação é um fenômeno momentâneo. Em 2017, esta mesma apresentadora protagonizou o movimento direitista “Cansei” pelo impeachment de Lula.
Governo quer corrigir o salário mínimo só com base na inflação a partir de 2020

O Ministério da Economia irá propor que o reajuste do salário mínimo seja feito apenas com base na inflação. Na prática, isso significa que os trabalhadores não terão 1 ganho real. As informações são do jornal O Globo e foram divulgadas nesta 6ª feira (5.abr.2019). De acordo com o governo, estabelecer este parâmetro como correção do piso nacional do próximo ano ajudará no equilíbrio das contas públicas. Os técnicos avaliam que a União pode economizar R$ 7,6 em 2020 com a medida. O salário mínimo dos brasileiros é de R$998 e foi definido pelo presidente Jair Bolsonaro na 1ª edição do Diário Oficial da União de 2019. Atualmente, além da inflação, o salário mínimo também direciona 1 acréscimo com base no crescimento do PIB (Produto Interno Bruto). Essa medida vem sendo usada desde 2007. A fórmula usada pelo governo fez com que o piso salarial superasse a inflação, ajudando a reduzir a pobreza e estimou o consumo das famílias. Porém, também fez aumentar as despesas públicas acima da inflação e colaborou para que as contas públicas do governo piorassem. O governo precisa, necessariamente, apresentar uma nova previsão de reajuste no PLDO (Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias) até o próximo dia 15 de abril. Isso acontece porque o salário mínimo é base para o pagamento de benefícios previdenciários, assistenciais e trabalhistas.
Endividamento das famílias brasileiras sobe ao maior patamar desde setembro de 2015

O endividamento das famílias brasileiras alcançou em março o maior patamar desde setembro de 2015, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O total de famílias endividadas subiu de 61,5% em fevereiro para 62,4% em março, um aumento de 0,9 ponto porcentual e a terceira alta mensal consecutiva, de acordo com os dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic). Em março de 2018, o indicador estava em 61,2%. A inadimplência também aumentou no último mês. O total de famílias com dívidas ou contas em atraso cresceu de 23,1% em fevereiro para 23,4% em março. Em março de 2018, porém, a fatia de inadimplentes era mais elevada, de 25,2%. O porcentual de famílias que declararam não ter condições de pagar suas contas ou dívidas em atraso – e que, portanto, permaneceriam inadimplentes – aumentou de 9,2% em fevereiro para 9,4% em março deste ano. Em março do ano passado, o índice estava em 10,0%. Segundo a CNC, a recuperação gradual das concessões de crédito e do consumo das famílias impulsiona o endividamento, mas houve impacto também da incidência dos gastos extras característicos de início de ano, ocasionando uma demanda maior por empréstimos. “Entretanto, apesar da alta do porcentual de endividados, o comprometimento médio de renda com o pagamento de dívidas ficou estável, refletindo condições ainda favoráveis de juros e prazos”, lembrou Marianne Hanson, economista da CNC responsável pela pesquisa, em nota oficial. Em março, as famílias endividadas tinham, em média, 29,1% da renda comprometida com contas a pagar em cheque pré-datado, cartão de crédito, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro ou seguro. O tempo médio de comprometimento com dívidas entre as famílias endividadas foi de 6,8 meses. O cartão de crédito foi apontado como a principal fonte de dívida por 78,0% das famílias endividadas, seguido por carnês (14,4%) e financiamento de carro (10,0%). Fonte: MSN – Daniela Amorim
Governo faz leilão de terminais portuários com lance mínimo de R$ 1

O governo faz hoje seu quarto leilão para concessão de infraestrutura no país em menos de cem dias desde a posse do presidente Jair Bolsonaro (PSL). Desta vez serão leiloados seis terminais portuários no estado do Pará, com lance mínimo de R$ 1. Os investimentos previstos nos seis terminais –cinco em Miramar, no Porto Organizado de Belém, e uma no Porto de Vila do Conde, em Barcarena– são de R$ 430,6 milhões. Todas as áreas leiloadas são destinadas à movimentação e armazenagem de granéis líquidos (combustíveis). A abertura dos envelopes com as propostas está marcada para as 10h na B3, a Bolsa de Valores, em São Paulo. O ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, afirmou que o objetivo do leilão é fazer investimentos e aumentar a capacidade de movimentação de cargas nesses portos. “A entrega da capacidade vai trazer redução dos custos beneficiando toda a população do estado”, disse Freitas. Para o secretário Nacional de Portos e Transportes Aquaviários do Ministério da Infraestrutura, Diogo Piloni, a expectativa para o leilão é muito positiva, já que último leilão portuário do governo, feito em 22 de março, teve um “resultado extraordinário na arrecadação de outorgas”. O mercado tem demonstrado agressividade, no que diz respeito aos lances, e isso demonstra a confiança dos investidores nos ativos portuários. Diogo Piloni, secretário Nacional de Portos e Transportes Aquaviários Os três leilões anteriores aconteceram no mês passado. O primeiro foi a concessão de 12 aeroportos, que garantiu uma arrecadação de R$ 2,377 bilhões para os cofres públicos. Em seguida, o governo leiloou quatro terminais portuários (três na Paraíba e um no Espírito Santo). O último leilão foi o de um trecho da ferrovia Norte-Sul, vencido pela Rumo. Mesma empresa não poderá arrematar 2 áreas No leilão, os proponentes, isolados ou em consórcio, não poderão arrematar mais de duas áreas, exceto nos casos de propostas únicas. Com isso, o governo espera incentivar a concorrência do certame. “O benefício é o de não excluir a oportunidade de distribuição dos arrendatários distintos para vários empreendimentos. Isso vai proporcionar um novo cenário de organização de operadores com o foco no incentivo a concorrência”, afirmou o Ministério da Infraestrutura. Veja quais são as áreas que serão leiloadas pelo governo: Porto de Belém BEL 09 – investimento previsto: R$ 128 milhões pelo prazo de 20 anos BEL 08 – investimento previsto: R$ 89 milhões pelo prazo de 20 anos BEL 02A – investimento previsto: R$ 48,3 milhões pelo prazo de 15 anos BEL 02B – investimento previsto: R$ 27,4 milhões pelo prazo de 15 anos BEL 04 – investimento previsto: R$ 11,6 milhões pelo prazo de 15 anos Porto de Vila Conde Terminal VDC12 – investimento previsto: R$ 126,3 milhões pelo prazo de 25 anos Fonte: UOL
Desemprego explode, mas a culpa é do IBGE, diz Jair Bolsonaro

Após o IBGE divulgar uma explosão no desemprego, que atinge agora 13,1 milhões de pessoas (no trimestre encerrado em fevereiro), o presidente Jair Bolsonaro voltou a culpar o IBGE. Para ele, a questão não é a economia, mas a metodologia empregada pela instituição para medir a taxa; quase um milhão de pessoas somaram-se ao exército da população desocupada; mesmo reconhecendo que a metodologia do IBGE é utilizada internacionalmente, Bolsonaro acusou o instituto: “Parecem índices que são feitos para enganar a população” O presidente Jair Bolsonaro voltou a criticar a metodologia empregada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE, para medir a taxa de desemprego no País. Segundo dados divulgados pelo órgão, o índice aumentou para 12,4% no trimestre encerrado em fevereiro, atingindo 13,1 milhões de pessoas. O percentual era de 11,6% no trimestre anterior. De acordo com o instituto, a alta representa a entrada de 892 mil pessoas na população desocupada. “Com todo respeito ao IBGE, essa metodologia, em que pese ser aplicada em outros países, não é a mais correta. (…) Tenho dito aqui, fui muito criticado, volto a repetir, não interessam as críticas. Tem de falar a verdade”, afirmou o chefe do Planalto à Record nesta segunda-feira (1). “Como é feita hoje em dia a taxa? Leva-se em conta quem está procurando emprego. Quem não procura emprego, não está desempregado. (…) Então, quando há uma pequena melhora, essas pessoas que não estavam procurando emprego, procuram, e, quando procuram e não acham, aumenta a taxa de desemprego. É uma coisa que não mede a realidade. Parecem índices que são feitos para enganar a população”, acrescentou. De acordo com o presidente, “é fácil ter a metodologia precisa no tocante à taxa de desemprego. É você ver dados bancários, dados junto à Secretaria de Trabalho, quantos empregos geramos a mais ou a menos no mês”. Em outubro do ano passado, depois de eleito presidente, Bolsonaro disse à TV Bandeirantes que pretendia mudar a metodologia da entidade para calcular a taxa de desemprego porque os beneficiários do Bolsa Família são contabilizados como empregados. Em nota, o IBGE afirmou na época que o levantamento segue padrões internacionais. O instituto também negou que beneficiários do Bolsa Família não são considerados empregados.
Economia não decola com Bolsonaro e mercado revisa para baixo crescimento do PIB pela quinta vez

Segundo boletim Focus do Banco Central, instituições financeiras do mercado projetam crescimento menor que 2% em 2019 O governo Bolsonaro não consegue fazer a economia decolar e o mercado reduz novamente a projeção de crescimento da economia de 2% para 1,98% até o final deste ano, segundo relatório Focus mais recente, divulgado todas as segundas-feiras pelo Banco Central e elaborado com base nas estimativas e instituições financeiras sobre os principais indicadores econômicos. Na semana passada, a estimativa dos analistas do mercado financeiro era uma expansão do Produto Interno Bruto (PIB) no país de 2%, já revendo a estimativa de crescimento da economia em 2019 que antes estava prevista e 2,4%. A título de comparação, projeção de crescimento do PIB na primeira semana de janeiro do boletim Focus foi de 2,53% para o ano. Além de revisar o crescimento de 2019, os analistas recuaram as projeções para 2020 de 2,78% para 2,75%. No mês passado o Ministério da Economia também reduziu a projeção de crescimento da economia brasileira de 2,5% para 2,2% até o final deste ano. Enquanto isso, as projeções para a inflação, calculada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), permanecem estáveis em 3,89% neste ano, e em 4% para 2020. Ainda não há impacto entre os analistas da visita de Bolsonaro à Israel, com a abertura do escritório de negócios em Jerusalém e a repercussão negativa nos países árabes (4º maiores exportadores da carne brasileira). Por isso, em relação a balança comercial, o mercado aumentou levemente a previsão de superávit de US$ 50,50 bilhões para US$ 50,25 bilhões, em 2019. O Banco Central prevê ainda que, até o final do ano, o dólar ficará em torno de R$ 3,70 e aumentou levemente a expectativa de investimento estrangeiro direto no país de US$ 81 bilhões para US$ 81,89 bilhões. Fonte: Jornal GGN
Em fevereiro, rombo nas contas públicas chegou a R$ 14,9 bilhões

As contas públicas tiveram saldo negativo em fevereiro; segundo dados do BC, o setor público consolidado, formado pela União, os estados e municípios, registrou déficit primário de R$ 14,931 bilhões no mês passado; em fevereiro de 2018 o resultado negativo foi de R$ 17,414 bilhões; em 12 meses encerrados em fevereiro, o déficit primário ficou em R$ 105,818 bilhões, o que representa 1,54% do PIB; meta para o setor público consolidado é de um déficit primário de R$ 132 bilhões neste ano Kelly Oliveira, repórter da Agência Brasil – As contas públicas tiveram saldo negativo em fevereiro. De acordo com dados divulgados hoje (29) pelo Banco Central (BC), o setor público consolidado, formado pela União, os estados e municípios, registrou déficit primário de R$ 14,931 bilhões no mês passado. Em fevereiro de 2018 o resultado negativo foi maior: R$ 17,414 bilhões. O resultado primário é formado por receitas menos despesas, sem considerar os gastos com juros. Em fevereiro, o Governo Central (Previdência, Banco Central e Tesouro Nacional) foi o responsável pelo saldo negativo, ao apresentar déficit primário de R$ 20,612 bilhões. Os governos estaduais e municipais registraram saldo positivo: R$ 4,292 bilhões e R$ 558 milhões, respectivamente. As empresas estatais federais, estaduais e municipais, excluídas as dos grupos Petrobras e Eletrobras, registraram superávit primário de R$ 832 milhões no mês passado. Devido ao resultado positivo registrado em janeiro (R$ 46,897 bilhões), o setor público acumulou superávit primário no primeiro bimestre de R$ 31,967 bilhões. Em 12 meses encerrados em fevereiro, o déficit primário ficou em R$ 105,818 bilhões, o que representa 1,54% do Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços produzidos no país. A meta para o setor público consolidado é de um déficit primário de R$ 132 bilhões neste ano. Despesas com jurosOs gastos com juros ficaram em R$ 30,082 bilhões em fevereiro, contra R$ 28,393 bilhões no mesmo mês de 2018. No primeiro bimestre, essas despesas acumularam R$ 50,936 bilhões. Em fevereiro, o déficit nominal, formado pelo resultado primário e os resultados dos juros, ficou em R$ 45,013 bilhões, praticamente estável ante o resultado de R$ 45,806 bilhões de fevereiro de 2018. No acumulado de dois meses do ano, o déficit nominal chegou a R$ 18,969 bilhões. Dívida públicaA dívida líquida do setor público (balanço entre o total de créditos e débitos dos governos federal, estaduais e municipais) chegou a R$ 3,752 trilhões em fevereiro, o que corresponde 54,4% do PIB, estável em relação a janeiro. Em fevereiro, a dívida bruta – que contabiliza apenas os passivos dos governos federal, estaduais e municipais – chegou a R$ 5,336 trilhões ou 77,4% do PIB, 0,1 ponto percentual a mais que o registrado em janeiro
Projeto de Bolsonaro acaba com aumento real do salário mínimo

O projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) a ser enviado pelo governo ao Congresso Nacional não terá previsão previsão de reajuste real do salário mínimo. A equipe econômica liderada pelo ministro Paulo Guedes orienta que o salário mínimo deve ser corrigido apenas pela inflação, usando como índice o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor). Prevê-se que até abril o texto será enviado ao Legislativo. Uma nova fórmula de cálculo do reajuste do salário mínimo pode ser enviada ao Congresso até 31 de dezembro, por meio de uma Medida Provisória, mas o assunto só será tratado depois da tramitação da reforma da Previdência. Reportagem de Antonio Temóteo para o UOL aponta que “o Orçamento precisa trazer uma previsão sobre o reajuste do mínimo, porque o piso salarial é referência para o pagamento de benefícios previdenciários, assistenciais e trabalhistas. Entretanto, o dado é apenas um parâmetro para o cálculo das despesas do governo e pode ser alterado ao longo do debate orçamentário”. “Hoje o salário mínimo está em R$ 998. A fórmula de cálculo do reajuste foi fixada por lei a partir de 2007. Até 2019, essa revisão levava em conta o resultado do PIB (Produto Interno Bruto) de dois anos antes mais a inflação do ano anterior, medida pelo INPC”. “Durante a transição do governo Michel Temer (MDB) para o de Jair Bolsonaro (PSL), o antigo Ministério da Fazenda recomendou a Guedes que a política de reajuste do mínimo fosse revisada”.
IBGE constata: em apenas três meses, mais um milhão de desempregos

Em meio à crise interminável entre governo e Congresso, a taxa de desemprego subiu e atingiu 13,1 milhões de pessoas, segundo a Pnad Contínua do IBGE. No trimestre anterior, o número de desempregados estava em 12,2 milhões. O salto foi, portanto, de 11,6% para 12,4%. A taxa de subutilização da força foi de 24,6%, outra alta em relação ao trimestre anterior, quando havia ficado em 23,9%. A população subutilizada, estimada em 27,9 milhões de pessoas, é recorde para a série histórica da pesquisa, iniciada em 2012. A reportagem do jornal O Globo destaca que a “alta foi de 900 mil pessoas em relação aos três meses encerrados em novembro do ano passado e mais 795 mil pessoas em relação ao mesmo período de 2018.” A matéria ainda acrescenta que “os subutilizados são aqueles trabalhadores subocupados por insuficiência de horas trabalhadas (têm jornada inferior a 40 horas semanais e estavam disponíveis e gostariam de trabalhar mais), os desempregados, as pessoas que procuraram trabalho mas não estavam disponíveis para trabalhar por alguma razão e aqueles que estavam disponíveis para uma vaga mas não estavam procurando emprego porque haviam desistido da busca, os chamados desalentados.” Sobre a relação trabalho formal/informal, o dado é que “o número de trabalhadores com carteira ficou estável em 33 milhões de pessoas nas duas comparações. Já os sem carteira, 11 milhões, caíram em relação ao trimestre anterior, 4,8% ou menos 561 mil pessoas trabalhando sem direitos, mas esse grupo cresceu 3,4% ou mais 367 mil pessoas em relação ao mesmo período de 2018. Os conta própria foram estimados em 23,8 milhões – alta de 2,8% em relação a fevereiro de 2018 e estabilidade na comparação com o trimestre anterior.”
Desconfiança do mercado com Bolsonaro cresce e dólar supera 4 reais

Bolsa caiu 3,6% nesta quarta-feira diante das dúvidas cada vez maiores sobre a reforma da previdência e constantes polêmicas do Governo brasileiro As enormes expectativas que acompanharam a sólida vitória eleitoral de Jair Bolsonaro estão diminuindo rapidamente à medida que o presidente brasileiro e seus ministros embarcam em diversas polêmicas, passados apenas três meses no poder. O mandatário joga ainda mais lenha na fogueira por conta do aniversário da ditadura militar, neste domingo, ao mesmo tempo em que se envolve em escaramuças em público com o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, apesar de lhe pedir todo o seu apoio para fazer avançar a reforma mais urgente do seu mandato, a da previdência. Os investidores expressaram com clareza a sua crescente preocupação nesta quarta-feira: a Bolsa caiu 3,6% e o dólar fechou no nível mais alto em relação ao real dos últimos seis meses. Na abertura dos mercados nesta quinta-feira, a moeda brasileira continuava a cair até cruzar a barreira dos quatro reais por dólar, depois de um áspero embate na noite passada entre Bolsonaro e o presidente da Câmara. Maia disparou primeiro a artilharia verbal: “São 12 milhões de desempregados, 15 milhões de brasileiros vivendo abaixo da linha da pobreza (…), e o presidente brincando de presidir o Brasil”. Bolsonaro respondeu imediatamente: “Não existe brincadeira da minha parte. Muito pelo contrário”, rebateu. “[Isso] não é palavra de uma pessoa que conduz uma casa. Brincar? Se alguém quiser que eu faça o que os presidentes anteriores fizeram, eu não vou fazer. Já dei o recado aqui”, frisou ele. Mas, no jogo de forças, foi a chamada de Maia a que parece ter surtido mais efeito. Embora sua retórica agrade seus seguidores das redes sociais, Bolsonaro parece ter ouvido a mensagem do mercado e de empresários que já falam abertamente que não confiam nele. Nesta quinta, disse a jornalistas que as fricções já eram “página virada e mando um abraço para o Maia”. Classificou, ainda, como “chuva de verão” os embates entre o Legislativo e o Executivo. Ainda assim, nos mercados se aprofunda a desconfiança de que Bolsonaro e sua equipe econômica ultraliberal não terão o amplo apoio parlamentar (tem apenas 53 cadeiras em uma Câmara de 513) que a reforma da previdência requer, tendo em vista a velocidade em que está perdendo capital político imprescindível para mudar o sistema insustentável. A proposta visa economizar 1,1 trilhão de reais em uma década. Já o Banco Central piorou sua projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2019 de 2,4 por cento para 2,0 por cento, reforçando o fraco ritmo de recuperação econômica, em relatório publicado nesta quinta-feira. A mensagem de paz desta quinta deixa dúvidas sobre o tempo de duração da trégua de Bolsonaro. O presidente brasileiro não tem perdido a oportunidade de alimentar provocações que desnorteiam os investidores. Apesar da tempestade desta semana, o militar reformado teve tempo para ir na terça-feira pela manhã ao cinema com sua mulher e insistir na controvérsia sobre o golpe militar, depois de incentivar oficialmente seus antigos companheiros a comemorarem nos quartéis a quebra da ordem constitucional de 1964. Nesta quarta, reiterou em uma entrevista seu discurso de que não foi uma ditadura o que o Brasil viveu até 1985 e minimizou as graves violações dos direitos humanos documentadas pela Comissão Nacional da Verdade. “Temos que conhecer a verdade. Não quer dizer que foi uma maravilha, não foi uma maravilha regime nenhum. Qual casamento é uma maravilha? De vez em quando tem um probleminha, é coisa rara um casal não ter um problema, tá certo?”, disse ele, depois de afirmar que as Forças Armadas nunca tiveram “uma política repressiva de Estado” e declarar, como se fosse um fato inédito na história, que entregaram o “Governo à oposição de forma pacífica”. Algo que se assemelha ao que aconteceu nos últimos anos em Mianmar (antiga Birmânia) e agora na Tailândia. Mas possivelmente as palavras que mais preocupam os investidores são a advertência feita pelo czar da economia, Paulo Guedes, em uma comissão parlamentar sobre a reforma previdenciária que ele elaborou. “Estou aqui para servi-los. Se ninguém quiser o serviço, vai ser um prazer ter tentado”, respondeu aos senadores o ministro Guedes, que enriqueceu no setor financeiro e carece de experiência política.