Votação da Previdência é aprovada em comissão da Câmara

Aprovação de texto-base em comissão não atende completamente a policiais e agrada produtores rurais. Texto vai ser analisado pelos 513 deputados Via El País A reforma da Previdência foi aprovada com folga na comissão especial do tema nesta quinta-feira, mas chega ao plenário da Câmara dos Deputados na próxima semana com algumas batalhas ainda a serem travadas. Uma delas envolve diretamente uma base de apoio do presidente Jair Bolsonaro: a bancada ligada à segurança pública. Outra atinge uma categoria que tem obtido êxito em seus anseios e também o apoio de boa parte da sociedade, os professores. Já outra base bolsonarista, a dos ruralistas, obteve uma vitória no último minuto. Para além da pressão dos partidos e da guerra de lobbies, a proposta de mudanças de aposentadorias que passará pelo crivo de 513 deputados na semana que vem mantêm os principais pontos defendidos como essenciais pela equipe econômica de Paulo Guedes, apesar de ter sofrido alterações. A fixação de uma idade mínima continua no cerne do texto, pondo fim às aposentadorias apenas por tempo de contribuição, que em geral beneficiam os mais ricos e com mais estabilidade no mercado de trabalho. A reforma também dá mais um passo rumo à convergência entre o sistema de benefícios dos servidores públicos, um dos mais generosos do mundo, e o regime dos trabalhadores comuns. O texto-base prevê o benefício apenas a partir dos 65 anos para homens e de 62 para mulheres, com ao menos 20 e 15 anos de contribuição respectivamente. A sessão nesta quinta-feira foi maratônica outra vez, com direito a protesto de agentes de segurança que diziam “traídos” pelo partido de Jair Bolsonaro, o PSL: “PSL traiu a polícia do Brasil”, gritaram os manifestantes quando sua tentativa de mudar o texto de forma ampla foi derrotada mais vez. Agora, resta apenas apelar ao plenário ou buscar alternativas, como uma lei própria para o setor, assim como o Planalto reservou aos militares. Já se sabe que emendas envolvendo não só os policiais, mas também os professores, devem tentar a sorte com o pleno dos deputados. Os ruralistas, por sua vez, mostraram mais força. No último minuto, conseguiram retirar do projeto um artigo que suspendia a isenção previdenciária ao exportador rural, ao custo de 8 bilhões de reais em economia para os cofres públicos. Já os agentes de segurança pública tentarão se manter como uma categoria diferenciada, para se aposentar até dez anos antes dos demais trabalhadores com salários e pensões integrais. Essa mudança foi chamada pelo relator da proposta, Samuel Moreira (PSDB-SP), de “a destruição da reforma”, porque o seu custo ainda não foi calculado, mas criaria regras com impactos bilionários aos cofres públicos. Os professores do setor privado queriam, por exemplo, extinguir a idade mínima, mantendo apenas um tempo básico de contribuição, de 25 anos para as mulheres e de 30 para os homens. Tanto os policiais quanto os professores já são grupos que obtiveram vitórias antes mesmo do projeto chegar ao plenário. No relatório de Samuel Moreira aprovado nesta quinta-feira, oficializou-se que ambos poderão se aposentar antes das demais categorias (policiais aos 55 e professoras aos 57). Leia também – Vitória de Marcelo de Freitas e derrota do trabalhador e do povo miserável – Marcelo de Freitas será reconhecido por ajudar a jogar a velhice na miséria – Marcelo de Freitas é a favor da reforma da Previdência de Bolsonaro Disputa sobre pensionistas Há um prazo de cinco sessões, previsto no regulamento, até que a Câmara possa de fato votar o projeto em dois turnos, com a aprovação da maioria qualificada (o que representa 308 dos 513 deputados). O plano do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, um dos maiores entusiastas da reforma, é liquidar o trabalho até 17 de julho, quando começa o recesso parlamentar. Haverá pressão e haverá correria, mas já é certo também que haverá barulho dos opositores ao Governo ultraconservador. Trechos da reforma que envolvem a população mais pobre acabarão sendo discutidos de novo no plenário, como a nova regra do abono salarial, que reduz o número de beneficiários. Outro ponto é a diminuição no valor da pensão por morte. Essas são alguns dos maiores motes das críticas dos parlamentares opositores, minoritários na Câmara. Caso a reforma seja aprovada, o abono salarial será pago apenas para quem recebe até 1.364,43 reais. Hoje, anualmente, trabalhadores que recebem até dois salários mínimos (1.996 reais) têm direito a receber o benefício equivalente ao salário mínimo por ano, que, em 2019, é de 998 reais. Já em relação a pensão por morte, o valor do benefício que é atualmente de 100% para segurados do INSS, respeitando o teto de 5.839, 45 reais, passará para 60% mais 10% por dependente adicional. Apenas no caso dos beneficiários que não possuem outra fonte de renda, a pensão será de, pelo menos, um salário mínimo. Neste ponto das pensões, os policiais ligados à União —federais e rodoviários— conseguiram sua demanda: garantir que a pensão integral por morte seja paga em todos os casos relacionados com o trabalho. No texto anterior, o benefício integral era apenas nos casos em decorrência de agressões sofridas no exercício do posto, deixando de lado, por exemplo, acidentes de trânsito e doenças relacionadas à atividade policial. A partir de agora, qualquer mudança no texto depende de um elevado quórum de votação, equivalente a quintos dos parlamentares. Se for feita uma analogia com o que ocorreu na comissão, essa quantidade de votos será alcançada. Quatro quintos dos deputados do colegiado (36 entre 49) concordaram com o relatório de Moreira. “É um indicativo bom, mas ainda temos de brigar pelos votos”, afirmou o líder do Governo, Major Vítor Hugo (PSL-GO). Os opositores, contudo, minimizaram esse apoio obtido na comissão especial. “Foi um resultado fabricado. O Governo teve de trocar parlamentares de alguns partidos para chegar ao resultado de hoje. No plenário não tem como trocar deputado”, disse o líder da oposição, Alessandro Molon (PSB-RJ). Na prática, a oposição teria oficialmente hoje cerca de 140 votos. O Governo não tem base de

Em meio ao caos econômico, juros do cartão de crédito explodem e vão a 299,8% ao ano

Taxa média do rotativo subiu 1,2 ponto percentual em relação a abril, chegando a 299,8% ao ano, segundo dados do Banco Central; taxa de juros do cheque especial caiu 2,4 pontos percentuais em maio, comparada a abril, e está em 320,9% ao ano; apesar da queda, o aumento no ano chegou a 8,3 pontos percentuais e a 9 pontos percentuais em 12 meses Andreia Verdélio, repórter da Agência Brasil – Os consumidores que caíram no rotativo do cartão de crédito pagaram juros um pouco mais caros em maio. A taxa média do rotativo subiu 1,2 ponto percentual em relação a abril, chegando a 299,8% ao ano. Os dados foram divulgados hoje (26) pelo Banco Central. A taxa média é formada com base nos dados de consumidores adimplentes e inadimplentes. No caso do consumidor adimplente, que paga pelo menos o valor mínimo da fatura do cartão em dia, a taxa chegou a 279,9% ao ano em maio, aumento de 1,9 ponto percentual em relação a abril. A taxa cobrada dos consumidores que não pagaram ou atrasaram o pagamento mínimo da fatura (rotativo não regular) subiu 0,4 ponto percentual, indo para 314% ao ano. O rotativo é o crédito tomado pelo consumidor quando paga menos que o valor integral da fatura do cartão. O crédito rotativo dura 30 dias. Após esse prazo, as instituições financeiras parcelam a dívida. Em abril de 2018, o Conselho Monetário Nacional (CMN) definiu que clientes inadimplentes no rotativo do cartão de crédito passem a pagar a mesma taxa de juros dos consumidores regulares. Essa regra entrou em vigor em junho do ano passado. Mesmo assim, a taxa final cobrada de adimplentes e inadimplentes não será igual porque os bancos podem acrescentar à cobrança os juros pelo atraso e multa. Enquanto a taxa de juros do rotativo chegou a 299,8% ao ano, o parcelamento das dívidas do cartão de crédito pôde ser feito com juros de 174,1% ao ano em maio. As taxas médias do crédito parcelado do cartão subiram 3,3 pontos percentuais em relação a abril. Cheque especial Já a taxa de juros do cheque especial caiu 2,4 pontos percentuais em maio, comparada a abril, e está em 320,9% ao ano. Mesmo com a queda no mês, o aumento no ano chegou a 8,3 pontos percentuais e a 9 pontos percentuais em 12 meses. De acordo com o Banco Central, essa taxa esteve em queda de maio a outubro do ano passado, mas essa dinâmica de diminuição mudou devido a um aumento nas taxas pelas instituições bancárias. As regras do cheque especial também mudaram em julho do ano passado. Segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), os clientes que utilizam mais de 15% do limite do cheque durante 30 dias consecutivos passaram a receber a oferta de um parcelamento, com taxa de juros menores que a do cheque especial definida pela instituição financeira. As taxas do cheque especial e do rotativo do cartão são as mais caras entre as modalidades oferecidas pelos bancos. A do crédito pessoal não consignado é mais baixa, de 120,1% ao ano em maio, queda de 7 pontos percentuais em relação a abril. A taxa do crédito consignado (com desconto em folha de pagamento) recuou 0,2 ponto percentual, indo para 23,2% ao ano em maio. A taxa média de juros para as famílias caiu 1,5 ponto percentual em maio para 44,4% ao ano. A taxa média das empresas ficou em 19,5% ao ano, baixa de 0,4 ponto. Inadimplência A inadimplência do crédito, considerados atrasos acima de 90 dias, para pessoas físicas, subiu 0,1 ponto percentual e ficou em 4,8% em maio. No caso das pessoas jurídicas, o indicador se manteve em 2,7% no mês. Esses dados são do crédito livre, em que os bancos têm autonomia para emprestar o dinheiro captado no mercado. No caso do crédito direcionado (empréstimos com regras definidas pelo governo, destinados, basicamente, aos setores habitacional, rural, de infraestrutura e ao microcrédito), os juros para as pessoas físicas oscilaram 0,1 ponto percentual para cima, para 7,8% ao ano. A taxa cobrada das empresas se manteve em 9,6% ao ano. A inadimplência das pessoas físicas no crédito direcionado ficou estável em 1,8% e a das empresas subiu 0,1 ponto percentual, para 2,4%. Saldo dos empréstimos Em maio, o estoque de todos os empréstimos concedidos pelos bancos ficou em R$ 3,286 trilhões, com expansão de 0,6% em relação a abril e de 0,9% no ano. Em 12 meses, a expansão foi de 5,5%. Esse estoque do crédito corresponde a 47,2% de tudo o que o país produz – o Produto Interno Bruto (PIB). Isso representa aumento de 0,1 ponto percentual em relação a abril, que foi de 47,1%.

Caixa preta do BNDES não é nenhum mistério: está tudo no site

 Entre os 50 maiores tomadores de recursos, nada de Venezuela ou Cuba; campeões são Petrobras e Embraer O presidente Jair Bolsonaro prometeu, em campanha, abrir a “caixa-preta” do BNDES. Chegou a falar que “estava por aqui” com Joaquim Levy, presidente demissionário do banco, por ele não dar notícia do que foi feito dos recursos investidos na Venezuela e em Cuba. O substituto Gustavo Montezano assumiu com a mesma missão, mas será que há algum mistério a ser revelado? Ex-dirigentes da instituição, inclusive no governo Temer, se mostraram ofendidos com as insinuações do presidente de que havia uma caixa-preta, o que consequentemente poderia significar que eles a esconderam. Ao contrário, não há indícios de escândalo, culpados ou propinas. Os dados sobre devedores do BNDES estão disponíveis no próprio site do banco para quem quiser consultar. E a caixa-preta, quem diria, parece mais uma caixa branca, ou melhor, chapa branca: o maior cliente do BNDES é a Petrobras, que tem compromissos de R$ 62,4 milhões com o banco, entre renda variável e financiamentos. A seguir vem a ex-empresa brasileira Embraer, agora pertencente à americana Boeing, que deve R$ 49,3 milhões em financiamentos. Entre os 50 maiores tomadores de recursos do BNDES, nenhum governo ou empresa da Venezuela ou de Cuba e sim uma estatal brasileira e uma empresa norte-americana. Além dos estados de São Paulo e Rio, operadoras de telefonia, Fiat, Klabin, Banco do Brasil, Caixa e até a JBS… Veja aqui a lista. Via: Bianca Alves – Os Novos Inconfidentes

Toyota vai demitir mais de 800 operários no interior de São Paulo

Crise é jogada no colo do trabalhador A empresa Toyota, uma fabricante automotiva japonesa, afirmou que irá demitir mais 400 trabalhadores até o dia 5 de agosto, quando encerrará o terceiro turno da planta de Sorocaba, no interior de São Paulo. Somando-se aos 340 que foram dispensados anteriormente, chegamos agora ao total de 740 demitidos, mais um número trágico para a classe trabalhadora dentro da destruição do golpe de Estado. Em outra planta, na cidade de Porto Feliz, onde são fabricados os motores da empresa, foram mais 100 funcionários jogados no “olho da rua”, onde também foi anunciado o encerramento do terceiro turno. Setores da imprensa noticiaram que houve uma “má interpretação” das informações do fabricante, com a divulgação de que seriam demitidos 400 colaboradores apenas em Sorocaba. Porém, a fábrica quer eliminar todas as vagas criadas para o terceiro turno, o que não muda em nada as demissões. Cinicamente, declararam que a última leva será demitida ao longo do mês de julho e não toda agora de uma vez. Quanta benevolência! Para finalizar, vale analisar brevemente de onde veio o grande golpe que levou às demissões que estamos presenciando. No final do mês de maio, o fraco desempenho nas exportações da marca, principalmente pela crise da Argentina, que era o maior importador dos automóveis brasileiros da marca, foi o golpe de misericórdia. A empresa preparou durante esse tempo as demissões dos temporários na primeira leva, o que, lembremos, é mais uma grande vitória do fim da CLT feita pelos golpistas, e sem pensar nas famílias dos operários, agora irá encerrar um turno inteiro para manter seus lucros. Aqui temos o reflexo da crise capitalista mundial, que atingiu a Ford, a Mercedes Benz no Brasil, e, para que os patrões possam salvar os seus lucros, atacam frontalmente os empregos da classe operária, especialmente nos países oprimidos como é o caso da Argentina e do Brasil. Na Argentina, a mão de obra vem ficando cada vez mais barata, o desemprego aumenta exponencialmente, a crise interna do país é brutal. No Brasil, idem! E o melhor de tudo, segundo a nova CLT – que ainda será mais atacada com a destruição total dos sindicatos -, agora os patrões podem mandar embora todo dia milhares de trabalhadores temporários, contratar de novo mais barato, até chegarem no lucro ideal sobre o suor de seus escravos assalariados. Por isso é preciso derrotar o golpe no Brasil e derrotar a direita argentina nas ruas, organizando amplas massas, os operários, estudantes, colocando os partidos de esquerda nas ruas contra o golpismo imperialista. Isso é resultado da política de intervenção dos EUA nesses dois países.

EM CRISE – Mais da metade das famílias brasileiras acumula dívidas

Pesquisa mostra que inadimplência atingiu 63,4% dos lares em maio, um aumento de 4,4 pontos percentuais em relação a igual período no ano passado – Diretor técnico do Dieese avalia aumento das dividas como resultado do desemprego e do baixo crescimento da economia, e propõe programa para regularizar situação dos brasileiros São Paulo – O total de famílias endividadas no Brasil já chega a 63,4% dos lares, de acordo com levantamento divulgado nesta terça-feira (11) pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O aumento é 4,4 pontos percentuais a maior em comparação a igual período do ano passado. O levantamento, que considera as dívidas que as famílias têm com cheque pré-datado, cartão de crédito, carnê de loja, prestação de carro, seguro ou empréstimo pessoal feito com financiadores, indica que o número de inadimplentes cresce entre as famílias com até 10 salários mínimos em decorrência, sobretudo, do cartão de crédito e do cheque especial. Os dados revelam ainda uma média de 63 a 64 dias de atraso para o pagamento das faturas. E cerca ainda de 1/3 das famílias acumula dívidas há mais de um ano. Para o diretor técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio, o crescimento no número das famílias inadimplentes mostra a “fragilidade da economia brasileira”, como descreve à jornalista Marilu Cabañas, da Rádio Brasil Atual. “Não é um atraso conjuntural. No geral, está associado ao problema do desemprego e da ausência de uma renda garantida para fazer frente ao endividamento”, avalia. De acordo com Clemente, o aumento do endividamento prejudica o consumo das famílias. Afeta negativamente a economia, o que torna fundamental, por parte do governo federal, um programa voltado à regularização dos devedores. “Um programa de regularização é também um programa que apoia à retomada do crescimento econômico, apoiando a capacidade de consumo das famílias e da regularização dos seus débitos para que elas possam ter capacidade de realizar o consumo e parcelamento das dívidas”, propõe o diretor técnico do Dieese.

Relatório do IPC mostra maio com queda na inflação de Montes Claros

Maio foi o mês com a menor inflação em Montes Claros, em 2019, segundo dados do Índice de Preços ao Consumidor, projeto do Departamento de Economia da Universidade Estadual de Montes Claros. O percentual foi de 0,34% e o acumulado geral do ano chega a 2,72%. Até então, o menor registro havia sido em abril, com 0,42%. Os produtos alimentícios seguem como de maior influência no índice de inflação. Entre os “vilões”, alho (10%), vagem (9,86%), cenoura (6,53%), banana prata (5,95%) e limão (4,25%), além dos industrializados como bacon (4,3%), leite longa vida (2,9%) e milho verde (2,86%). Gás de cozinha (1,15%), etanol (2,54%), diesel (1,3%) e gasolina (1,25%) foram outras variações destacadas no estudo do IPC/Unimontes referente ao quinto mês do ano. Por outro lado, maio registrou uma queda significativa nos preços de produtos que tiveram peso na inflação dos meses anteriores, como maracujá (- 20,85%), tomate (- 13,71%) e abóbora (- 12,49%). COMPARATIVO Em maio do ano passado, a inflação registrada na maior cidade do Norte de Minas foi maior que o dobro do índice deste ano: 0,78%. No entanto, o acumulado naquela época era menor do que o de agora: 2,15%. O relatório revela, ainda, que o trabalhador local em Montes Claros precisou gastar 33,83% do salário mínimo (R$ 998,00) para adquirir os 13 produtos que compõem a cesta básica. SOBRE – O IPC/Unimontes é feito com base na pesquisa de preços de produtos, bens e serviços em 400 estabelecimentos comerciais da cidade, com coleta de dados sempre no primeiro dia de cada mês. A equipe é formada por oito pesquisadores coordenados pela professora Vânia Silva Vilas Bôas Lopes. O cálculo é feito com base no rendimento de famílias entre um e 6 salários mínimos. IPC/UNIMONTES – MENSAIS EM 2019 Janeiro – 0,64% Fevereiro – 0,65% Março – 0,92% Abril – 0,42% Maio – 0,34% Acumulado – 2,72% Via Site Unimontes

Crise transferiu renda dos 40% mais pobres para os 10% mais ricos

Os mais ricos tiveram aumento de 3,3% da renda acumulada e os mais pobres, uma queda de mais de 20% Pesquisa do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV/IBRE) mostra que a desigualdade de renda dos brasileiros atingiu no primeiro trimestre de 2019 o maior patamar desde 2012. Entre outros efeitos, as pessoas que ganham menos sofreram mais com a crise que os que possuem renda maior. Além disso, os mais pobres estão demorando mais para se recuperar. Os números são perversos. Antes da crise, os 10% mais ricos tiveram aumento de 5% da renda acumulada, enquanto os 40% mais pobres tiveram 10%. Após a crise, os mais ricos tiveram aumento de 3,3% da renda acumulada e os mais pobres, uma queda de mais de 20%. Em sete anos, a renda acumulada dos mais ricos aumentou 8,5% e a dos mais pobres caiu 14%. Pode-se dizer que a crise foi um golpe dos mais ricos contra os mais pobres, um programa de transferência de renda ao contrário, que beneficiou quem tinha mais bala na agulha. Não é à toa que o novo presidente da CNBB, Dom Valmor Oliveira de Azevedo declarou que “todos nós devíamos ter vergonha dessa desigualdade social e pensar que é algo na contramão da civilidade; um ter tudo e o outro, nada”, em entrevista à Folha. “É uma vergonha para a elite, para quem dirige, para quem tem poder de decisão, para quem pode fazer as escolhas de rumos novos. E é uma vergonha para nós, como cristãos”, completou o religioso.

Brasil registra déficit de US$ 62 mil nas transações correntes em abril

O Brasil teve déficit em transações correntes de 62 milhões de dólares em abril, em linha com o registrado no mesmo mês do ano passado, em meio a uma melhora na balança comercial, mas piora na conta de serviços. No mês, os investimentos diretos no país (IDP) somaram 6,957 bilhões de dólares, conforme dados informados pelo Banco Central nesta segunda-feira. No acumulado dos quatro primeiros meses de 2019, o déficit em transações correntes é de 8,225 bilhões de dólares, abaixo do rombo de 9,062 bilhões de dólares de igual etapa do ano passado. Em 12 meses, o saldo negativo chegou a 13,672 bilhões de dólares, equivalente a 0,73% do Produto Interno Bruto (PIB). Por ora, a projeção do BC é de que o país fechará o ano com déficit em transações correntes de 30,8 bilhões de dólares. A projeção deverá ser revisada no próximo Relatório Trimestral de Inflação, no fim de junho. Com menor crescimento econômico, a tendência é de um apetite mais modesto pelas importações, resultando em maior superávit comercial — variável que vem definindo o resultado das transações correntes. O mercado, que começou o ano prevendo um superávit de 52 bilhões de dólares para a balança comercial, já enxerga um saldo positivo menor, de 50,25 bilhões em 2019, conforme pesquisa Focus mais recente. Em abril, a balança comercial ficou positiva em 5,539 bilhões de dólares, alta de 2,7% sobre o mesmo mês de 2018. No período, as exportações caíram sobre um ano antes (-0,7%), mas as importações sofreram uma retração maior (-2%). O déficit na conta de serviços, por sua vez, cresceu 11,9% na mesma base de comparação, a 3,019 bilhões de dólares. Neste caso, o BC destacou a queda de 18% nas receitas de outros serviços de negócio, a 1,1 bilhão de dólares. Os gastos líquidos de brasileiros no exterior sofreram ligeiro recuo em abril, a 1,021 bilhão de dólares, ante 1,040 bilhão de dólares em igual mês do ano passado. Enquanto isso, o déficit em renda primária teve uma retração de 4,9 por cento em abril, a 2,854 bilhões de dólares. Dentro dessa rubrica, as remessas de lucros e dividendos para fora caíram 6,8%, a 1,457 bilhão de dólares.

Mercado se desencanta com Bolsonaro, mas não perde fé na Previdência

 Agentes financeiros apostam agora no presidente da Câmara, Rodrigo Maia, como grande fiador da reforma. Especialista já fala em ‘parlamentarismo branco’ Se durante as eleições presidenciais Paulo Guedes era visto pelo mercado como uma garantia do DNA reformista de Jair Bolsonaro e minimizava a possível falta de base ou o radicalismo do discurso do candidato na expectativa de uma política econômica mais alinhada com seus interesses, o cotidiano da política real já se impôs após cinco meses de Governo e mudou os humores dos operadores financeiros. As dificuldades de articulação de Bolsonaro com o Congresso, as revisões semanais do crescimento da economia brasileira —que deve retroceder neste primeiro trimestre— e, agora, as manifestações contra as medidas de contingenciamento do presidente têm esfriado a euforia do mercado, que, agora, já reza para um novo santo: o Congresso. Especialistas escutados pelo EL PAÍS dizem acreditar que apesar da percepção de que o engajamento político de Bolsonaro no Lesgislativo esteja aquém do projetado, a reforma da Previdência —a maior aposta da equipe econômica para devolver a confiança dos investidores e retomar o crescimento do país— deve ser, sim, aprovada neste ano. Nem que seja por meio de uma espécie de parlamentarismo improvisado. Na avaliação de Camila Abdelmalack, economista da Capital Markets, o apoio do mercado ao presidente sempre foi calcado no projeto econômico de reformas apresentada por Bolsonaro e não em sua ideologia, mas, nos últimos meses, a leitura é de que o presidente atrapalha o andamento de seu próprio plano ao fazer comentários polêmicos e dar holofotes a temas irrelevantes. “A tensão hoje é que o mercado precificou que a aprovação da reforma da Previdência seria mais rápida e mais fácil. Mas a dificuldade não está na reforma em si, mas na falta de articulação do presidente. Ele vem se expressando de forma equivocada, afirmando que o problema do país são os políticos, inflama polêmicas e acaba desfocando o Congresso do tema central”, diz. A turbulência política dos últimos dias refletiu no câmbio. Nas últimas duas semanas, o real recuou 3,25% frente ao dólar. A moeda americana chegou a ser cotada a 4,10 reais. “Ainda que haja uma influência do exterior no câmbio, o real foi a moeda que mais se desvalorizou dos emergentes, o que reflete essa instabilidade no Brasil “, afirma Abdelmalack. A economista opina, no entanto, que há um esforço grande dos parlamentares de passar as mudanças na aposentadoria. “Ainda contamos que o texto deve sofrer algumas emendas, mas vai passar, o Congresso tem consciência da relevância da reforma ainda que não apoie o Governo”, diz. Silvio Cascione, analista da consultoria política Eurasia, também aposta na aprovação da reforma mesmo diante da tensão entre o presidente e o Congresso, que poderia prejudicar o trâmite. “O próprio Congresso está se apropriando e protegendo essa agenda do Executivo, já que os parlamentares estão com medo da crise que pode se instaurar caso a reforma não seja aprovada e querem blindar o projeto”, explica. O analista da Eurasia ressalta, entretanto, que em um Governo sem uma base de apoio consolidada é difícil saber se outras reformas e medidas terão o mesmo tratamento.”O fato da Previdência estar blindada não significa que a tensão política não esteja crescendo. Há um risco grande de medidas provisórias e projetos permanecerem parados prejudicando os planos econômicos do Governo”, explica. Na avaliação de Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados, a ficha do mercado caiu sobre qual a forma real de governar de Bolsonaro. “Houve uma ilusão que seria diferente, mas ele não dá sinais de mudanças. Continua com o espírito de guerra da eleição, os filhos incitam, ele se aprofunda em picuinhas e na pauta dos costumes”, explica. Parlamentarismo branco Assim como os outros especialistas, Vale defende, no entanto, que hoje a despeito das divergências e polêmicas, a pauta da reforma da Previdência está acima do Governo. “Hoje estamos como uma economia derrapando, com risco de uma nova recessão. Por mais que exista tensão com Bolsonaro, o Congresso sabe da necessidade da reforma. Hoje o mercado vê com grande fiador da reforma o presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Vê que há vontade dos parlamentares e a situação irá azedar se algo acontecer com essa liderança do Maia”, ressalta Vale. Para o economista, a tendência é que o Executivo perca força cada vez mais. “As mudanças e medidas devem vir cada vez mais do Congresso e o presidente deve colecionar mais derrotas. É uma espécie de parlamentarismo branco. Líderes dos partidos assumem o compromisso com a pauta econômica própria, colocando seu DNA na reforma da Previdência e na Tributária”, opina. Os descolamento do Congresso e as instabilidades criadas por Bolsonaro devem dificultar ainda mais a retomada do crescimento do país, segundo Vale. “A reforma da Previdência continua sendo extremamente necessária, mas ela por si só não fará o país voltar a crescer. Esse elemento de instabilidade política dificulta novamente o investimento a longo prazo, explica. A MB Associados estima um crescimento médio de 2% do PIB durante os quatro anos de mandato de Bolsonaro. “Do jeito que o presidente vem atuando, avalio que o atual Governo é de transição, que prepara o terreno inclusive com reformas. Mas somente um novo Governo com estratégia política, menos belicoso, saberá realmente aproveitar mais as condições para o país retomar a rota de crescimento”. Via El País

Banco Central reconhece: PIB diminuiu no primeiro trimestre

O Banco Central finalmente reconheceu que a economia encolheu no primeiro do governo Bolsonaro, num desastre de largas proporções: o índice do Produto Interno Bruto (PIB) do período, a ser divulgado oficialmente em breve, será negativo; o país está mergulhando na recessão. A informação consta da ata do Comitê de Política Monetária (Copom) que aponta que os indicadores disponíveis sugerem uma “probabilidade relevante” de que a economia brasileira tenha tido queda no primeiro trimestre. Na semana passada, o BC já havia reconhecido sinais de fraqueza econômica, mas disser preciso mais tempo para analisar em profundidade o comportamento da economia. O dado negativo agrava o risco de que o país entre em uma recessão técnica já que a revisão do PIB do último trimestre de 2018 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou para um crescimento pífio da economia, de apenas 0,1%. Caso os dados do primeiro trimestre deste exercício sigam esta tendência o Brasil entrará oficialmente em recessão. “Leia a seguir reportagem da agência Reuters sobre o assunto: Reuters – Indicadores disponíveis sugerem “probabilidade relevante” de que a economia brasileira tenha recuado ligeiramente no primeiro trimestre deste ano sobre o período anterior, apontou o Banco Central, com implicações para o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano. Na ata do Comitê de Política Monetária (Copom), publicada nesta terça-feira, o BC apontou que “o processo de recuperação gradual da atividade econômica sofreu interrupção no período recente, mas o cenário básico contempla sua retomada adiante”. O BC avaliou no documento que alguns efeitos de choques vividos pela economia em 2018 ainda persistem e acrescentou que “incertezas sobre aspectos fundamentais do ambiente econômico futuro – notadamente sobre sustentabilidade fiscal – têm efeitos adversos sobre a atividade econômica”, numa provável referência à necessidade de aprovação da reforma da Previdência. “A manutenção de incertezas quanto à sustentabilidade fiscal tende a ser contracionista. Reformas que geram sustentabilidade da trajetória fiscal futura têm potencial expansionista, que pode contrabalançar efeitos de ajustes fiscais de curto prazo sobre a atividade econômica, além de mitigar os riscos de episódios de instabilidade com elevação de prêmios de risco, como o ocorrido em 2018”, pontuou. Na semana passada, o BC reconheceu mais sinais de fraqueza econômica, mas manteve o discurso de que precisa analisar com tempo suficiente o comportamento da atividade antes de eventual mudança na rota dos juros, com a Selic mantida na mínima histórica de 6,5 por cento. A mensagem foi reforçada na ata nesta terça-feira. Por Marcela Ayres