Crise transferiu renda dos 40% mais pobres para os 10% mais ricos

Os mais ricos tiveram aumento de 3,3% da renda acumulada e os mais pobres, uma queda de mais de 20% Pesquisa do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV/IBRE) mostra que a desigualdade de renda dos brasileiros atingiu no primeiro trimestre de 2019 o maior patamar desde 2012. Entre outros efeitos, as pessoas que ganham menos sofreram mais com a crise que os que possuem renda maior. Além disso, os mais pobres estão demorando mais para se recuperar. Os números são perversos. Antes da crise, os 10% mais ricos tiveram aumento de 5% da renda acumulada, enquanto os 40% mais pobres tiveram 10%. Após a crise, os mais ricos tiveram aumento de 3,3% da renda acumulada e os mais pobres, uma queda de mais de 20%. Em sete anos, a renda acumulada dos mais ricos aumentou 8,5% e a dos mais pobres caiu 14%. Pode-se dizer que a crise foi um golpe dos mais ricos contra os mais pobres, um programa de transferência de renda ao contrário, que beneficiou quem tinha mais bala na agulha. Não é à toa que o novo presidente da CNBB, Dom Valmor Oliveira de Azevedo declarou que “todos nós devíamos ter vergonha dessa desigualdade social e pensar que é algo na contramão da civilidade; um ter tudo e o outro, nada”, em entrevista à Folha. “É uma vergonha para a elite, para quem dirige, para quem tem poder de decisão, para quem pode fazer as escolhas de rumos novos. E é uma vergonha para nós, como cristãos”, completou o religioso.
Brasil registra déficit de US$ 62 mil nas transações correntes em abril

O Brasil teve déficit em transações correntes de 62 milhões de dólares em abril, em linha com o registrado no mesmo mês do ano passado, em meio a uma melhora na balança comercial, mas piora na conta de serviços. No mês, os investimentos diretos no país (IDP) somaram 6,957 bilhões de dólares, conforme dados informados pelo Banco Central nesta segunda-feira. No acumulado dos quatro primeiros meses de 2019, o déficit em transações correntes é de 8,225 bilhões de dólares, abaixo do rombo de 9,062 bilhões de dólares de igual etapa do ano passado. Em 12 meses, o saldo negativo chegou a 13,672 bilhões de dólares, equivalente a 0,73% do Produto Interno Bruto (PIB). Por ora, a projeção do BC é de que o país fechará o ano com déficit em transações correntes de 30,8 bilhões de dólares. A projeção deverá ser revisada no próximo Relatório Trimestral de Inflação, no fim de junho. Com menor crescimento econômico, a tendência é de um apetite mais modesto pelas importações, resultando em maior superávit comercial — variável que vem definindo o resultado das transações correntes. O mercado, que começou o ano prevendo um superávit de 52 bilhões de dólares para a balança comercial, já enxerga um saldo positivo menor, de 50,25 bilhões em 2019, conforme pesquisa Focus mais recente. Em abril, a balança comercial ficou positiva em 5,539 bilhões de dólares, alta de 2,7% sobre o mesmo mês de 2018. No período, as exportações caíram sobre um ano antes (-0,7%), mas as importações sofreram uma retração maior (-2%). O déficit na conta de serviços, por sua vez, cresceu 11,9% na mesma base de comparação, a 3,019 bilhões de dólares. Neste caso, o BC destacou a queda de 18% nas receitas de outros serviços de negócio, a 1,1 bilhão de dólares. Os gastos líquidos de brasileiros no exterior sofreram ligeiro recuo em abril, a 1,021 bilhão de dólares, ante 1,040 bilhão de dólares em igual mês do ano passado. Enquanto isso, o déficit em renda primária teve uma retração de 4,9 por cento em abril, a 2,854 bilhões de dólares. Dentro dessa rubrica, as remessas de lucros e dividendos para fora caíram 6,8%, a 1,457 bilhão de dólares.
Mercado se desencanta com Bolsonaro, mas não perde fé na Previdência

Agentes financeiros apostam agora no presidente da Câmara, Rodrigo Maia, como grande fiador da reforma. Especialista já fala em ‘parlamentarismo branco’ Se durante as eleições presidenciais Paulo Guedes era visto pelo mercado como uma garantia do DNA reformista de Jair Bolsonaro e minimizava a possível falta de base ou o radicalismo do discurso do candidato na expectativa de uma política econômica mais alinhada com seus interesses, o cotidiano da política real já se impôs após cinco meses de Governo e mudou os humores dos operadores financeiros. As dificuldades de articulação de Bolsonaro com o Congresso, as revisões semanais do crescimento da economia brasileira —que deve retroceder neste primeiro trimestre— e, agora, as manifestações contra as medidas de contingenciamento do presidente têm esfriado a euforia do mercado, que, agora, já reza para um novo santo: o Congresso. Especialistas escutados pelo EL PAÍS dizem acreditar que apesar da percepção de que o engajamento político de Bolsonaro no Lesgislativo esteja aquém do projetado, a reforma da Previdência —a maior aposta da equipe econômica para devolver a confiança dos investidores e retomar o crescimento do país— deve ser, sim, aprovada neste ano. Nem que seja por meio de uma espécie de parlamentarismo improvisado. Na avaliação de Camila Abdelmalack, economista da Capital Markets, o apoio do mercado ao presidente sempre foi calcado no projeto econômico de reformas apresentada por Bolsonaro e não em sua ideologia, mas, nos últimos meses, a leitura é de que o presidente atrapalha o andamento de seu próprio plano ao fazer comentários polêmicos e dar holofotes a temas irrelevantes. “A tensão hoje é que o mercado precificou que a aprovação da reforma da Previdência seria mais rápida e mais fácil. Mas a dificuldade não está na reforma em si, mas na falta de articulação do presidente. Ele vem se expressando de forma equivocada, afirmando que o problema do país são os políticos, inflama polêmicas e acaba desfocando o Congresso do tema central”, diz. A turbulência política dos últimos dias refletiu no câmbio. Nas últimas duas semanas, o real recuou 3,25% frente ao dólar. A moeda americana chegou a ser cotada a 4,10 reais. “Ainda que haja uma influência do exterior no câmbio, o real foi a moeda que mais se desvalorizou dos emergentes, o que reflete essa instabilidade no Brasil “, afirma Abdelmalack. A economista opina, no entanto, que há um esforço grande dos parlamentares de passar as mudanças na aposentadoria. “Ainda contamos que o texto deve sofrer algumas emendas, mas vai passar, o Congresso tem consciência da relevância da reforma ainda que não apoie o Governo”, diz. Silvio Cascione, analista da consultoria política Eurasia, também aposta na aprovação da reforma mesmo diante da tensão entre o presidente e o Congresso, que poderia prejudicar o trâmite. “O próprio Congresso está se apropriando e protegendo essa agenda do Executivo, já que os parlamentares estão com medo da crise que pode se instaurar caso a reforma não seja aprovada e querem blindar o projeto”, explica. O analista da Eurasia ressalta, entretanto, que em um Governo sem uma base de apoio consolidada é difícil saber se outras reformas e medidas terão o mesmo tratamento.”O fato da Previdência estar blindada não significa que a tensão política não esteja crescendo. Há um risco grande de medidas provisórias e projetos permanecerem parados prejudicando os planos econômicos do Governo”, explica. Na avaliação de Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados, a ficha do mercado caiu sobre qual a forma real de governar de Bolsonaro. “Houve uma ilusão que seria diferente, mas ele não dá sinais de mudanças. Continua com o espírito de guerra da eleição, os filhos incitam, ele se aprofunda em picuinhas e na pauta dos costumes”, explica. Parlamentarismo branco Assim como os outros especialistas, Vale defende, no entanto, que hoje a despeito das divergências e polêmicas, a pauta da reforma da Previdência está acima do Governo. “Hoje estamos como uma economia derrapando, com risco de uma nova recessão. Por mais que exista tensão com Bolsonaro, o Congresso sabe da necessidade da reforma. Hoje o mercado vê com grande fiador da reforma o presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Vê que há vontade dos parlamentares e a situação irá azedar se algo acontecer com essa liderança do Maia”, ressalta Vale. Para o economista, a tendência é que o Executivo perca força cada vez mais. “As mudanças e medidas devem vir cada vez mais do Congresso e o presidente deve colecionar mais derrotas. É uma espécie de parlamentarismo branco. Líderes dos partidos assumem o compromisso com a pauta econômica própria, colocando seu DNA na reforma da Previdência e na Tributária”, opina. Os descolamento do Congresso e as instabilidades criadas por Bolsonaro devem dificultar ainda mais a retomada do crescimento do país, segundo Vale. “A reforma da Previdência continua sendo extremamente necessária, mas ela por si só não fará o país voltar a crescer. Esse elemento de instabilidade política dificulta novamente o investimento a longo prazo, explica. A MB Associados estima um crescimento médio de 2% do PIB durante os quatro anos de mandato de Bolsonaro. “Do jeito que o presidente vem atuando, avalio que o atual Governo é de transição, que prepara o terreno inclusive com reformas. Mas somente um novo Governo com estratégia política, menos belicoso, saberá realmente aproveitar mais as condições para o país retomar a rota de crescimento”. Via El País
Banco Central reconhece: PIB diminuiu no primeiro trimestre

O Banco Central finalmente reconheceu que a economia encolheu no primeiro do governo Bolsonaro, num desastre de largas proporções: o índice do Produto Interno Bruto (PIB) do período, a ser divulgado oficialmente em breve, será negativo; o país está mergulhando na recessão. A informação consta da ata do Comitê de Política Monetária (Copom) que aponta que os indicadores disponíveis sugerem uma “probabilidade relevante” de que a economia brasileira tenha tido queda no primeiro trimestre. Na semana passada, o BC já havia reconhecido sinais de fraqueza econômica, mas disser preciso mais tempo para analisar em profundidade o comportamento da economia. O dado negativo agrava o risco de que o país entre em uma recessão técnica já que a revisão do PIB do último trimestre de 2018 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou para um crescimento pífio da economia, de apenas 0,1%. Caso os dados do primeiro trimestre deste exercício sigam esta tendência o Brasil entrará oficialmente em recessão. “Leia a seguir reportagem da agência Reuters sobre o assunto: Reuters – Indicadores disponíveis sugerem “probabilidade relevante” de que a economia brasileira tenha recuado ligeiramente no primeiro trimestre deste ano sobre o período anterior, apontou o Banco Central, com implicações para o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano. Na ata do Comitê de Política Monetária (Copom), publicada nesta terça-feira, o BC apontou que “o processo de recuperação gradual da atividade econômica sofreu interrupção no período recente, mas o cenário básico contempla sua retomada adiante”. O BC avaliou no documento que alguns efeitos de choques vividos pela economia em 2018 ainda persistem e acrescentou que “incertezas sobre aspectos fundamentais do ambiente econômico futuro – notadamente sobre sustentabilidade fiscal – têm efeitos adversos sobre a atividade econômica”, numa provável referência à necessidade de aprovação da reforma da Previdência. “A manutenção de incertezas quanto à sustentabilidade fiscal tende a ser contracionista. Reformas que geram sustentabilidade da trajetória fiscal futura têm potencial expansionista, que pode contrabalançar efeitos de ajustes fiscais de curto prazo sobre a atividade econômica, além de mitigar os riscos de episódios de instabilidade com elevação de prêmios de risco, como o ocorrido em 2018”, pontuou. Na semana passada, o BC reconheceu mais sinais de fraqueza econômica, mas manteve o discurso de que precisa analisar com tempo suficiente o comportamento da atividade antes de eventual mudança na rota dos juros, com a Selic mantida na mínima histórica de 6,5 por cento. A mensagem foi reforçada na ata nesta terça-feira. Por Marcela Ayres
Caminhoneiros: não é só o diesel, é a recessão de Bolsonaro

Embora o assunto esteja em quase toda a mídia, com a concentração de caminhoneiros marcada para o próximo dia 19, em Brasília, é disparado a melhor cobertura a que traz hoje a Folha, da repórter Heloísa Negrão, que foi ver, nos estacionamentos próximos aos terminais de cargas – sem deixar de reunir os números do setor – o que de fato está motivando a agitação dos transportadores de cargas. Ou, para muitos, ex-transportadores, porque já não conseguem, senão depois de muito tempo, contratos para encherem seus caminhões e sairem para as estradas. João Batista Rodrigues Alves, 47, de Fortaleza, no Ceará, conta que passou 14 dias na beira de uma estrada, em Belém, no Pará, quando aderiu ao protesto. Agora, porém, para por não ter que o fazer. Na segunda-feira (6), completava o quarto dia sem encontrar trabalho no Terminal de Cargas de São Paulo. Antes do serviço que o levou à capital paulista, ficara 18 dias em casa à espera de um frete. Pelo trajeto de Fortaleza para São Paulo, recebeu R$ 9.300 —R$ 2.700 menos do que ganhou da última vez. Outro motorista, gaúcho, diz que “ndiantam tabela do frete ou diesel barato”, porque “está tudo parado, não tem serviço, não tem carga para todo mundo. Precisa melhorar o país como um todo. É saindo da crise, voltando a produzir mais e a vender mais que vai ter carga para a gente transportar”. Com a queda da produção e do consumo, a oferta de frete fica sobrando, não há tabela que resista. E com ganho cada vez menor, porque o preço do diesel – média nacional – alcançou R$ 3,664 na última medição da ANP voltando a ficar perto dos R$ 3,82 que fizeram explodir a paralisação das estradas no ano passado. Mas há dois outros fatores. O número de novos caminhões emplacados – e por empresas, não por caminhoneiros autônomos, decolou: 46,7% a mais, a mauior parte pertencentes a empresas que pretendem eliminar os riscos de prejuízo como os que sofreram com o movimento. Pela mesma razão, cresceu o transporte por navegação de cabotagem, que oferece menos riscos por sua estrutura empresarial. O quadro é desesperador para profissionais que, em grande maioria, caíram no colo da demagogia bolsonarista. Fizeram “arminha”, ganharam o direito de andar com uma pistola .40, só não ganharam o direito de sustentar suas famílias.
62,7% das famílias estão endividadas e desespero campeia com Bolsonaro

– Desde a posse de Bolsonaro, o índice de famílias endividadas no país ultrapassa 60% – 62,7% em abril, segundo a Confederação Nacional do Comércio; quase 10% das famílias declaram não ter como pagar as dívidas; o cartão de crédito, ícone do sistema financeiro, é o maior vilão das famílias Brasil de Fato – Pelo quarto mês consecutivo, a taxa de famílias endividadas no Brasil ultrapassa a marca dos 60%. Em abril deste ano, a parcela de devedores, em atraso ou não, registrou 62,7%, sendo o patamar mais expressivo desde setembro de 2015, quando o número de endividados foi de 63,5%. O índice de famílias que declararam não ter condições de pagar suas contas também subiu de 9,4% para 9,5% entre março e abril. Os dados são da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada nesta terça-feira (7) pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O estudo é feito mensalmente desde janeiro de 2010. Os dados são coletados em todas as capitais dos Estados e no Distrito Federal, com cerca de 18 mil consumidores. Para Juliane Furno, doutoranda em Desenvolvimento Econômico na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), mais do que um impasse econômico, o endividamento é um problema social e coletivo, visto que atinge mais de 50% da população. Segundo a pesquisa, a inadimplência é maior entre os mais pobres. Na faixa de menor renda, o contingente de famílias com contas ou dívidas em atraso passou de 26% em março para 26,7% em abril. “As pessoas que estão com o nome sujo, endividadas, isso tem um peso social importante, porque não se sabe como vai comer no próximo dia, se vai conseguir continuar morando em algum lugar ou vai ter que morar na rua, mas também tem uma dimensão econômica importante”. As dívidas são relacionadas com cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, cheque pré-datado, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro. De acordo com o levantamento, o cartão de crédito é o maior vilão dos entrevistados, com a marca de 77,6%. A pesquisa também constatou um crescimento na quantidade de famílias com dívidas ou contas em atraso. A taxa de inadimplência, que foi de 23,4% em março, alcançou a marca de 23,9% em abril. Ao passo que aumenta o endividamento das famílias, a estimativa de crescimento econômico do Brasil diminui. O consumo das famílias é o principal motor do Produto Interno Bruto (PIB), medida que quantifica a atividade econômica do país. Portanto, se a população está endividada, não há renda para consumir. A demanda das famílias tem um peso de 64% no cálculo do PIB brasileiro, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As projeções do mercado financeiro também não são animadoras: na décima baixa consecutiva, o crescimento da economia brasileira em 2019 caiu de 1,7% para 1,49%, de acordo com a pesquisa semanal Focus, divulgada pelo Banco Central (BC) nesta segunda-feira (6). Desemprego crescente e economia patinando Para solucionar a questão do endividamento das famílias, Juliane argumenta que o Estado brasileiro deveria pensar em políticas de facilitação de crédito para as pessoas conseguirem negociar e pagar suas dívidas. Ela aponta que o desemprego é o principal responsável pelo aumento dos devedores. “Concretamente, o Estado não consegue criar nenhuma política pública de aumento do emprego, que seria um elemento para diminuir o endividamento, nem de reparcelamento das dívidas, porque isso envolveria enfrentar o sistema financeiro brasileiro do qual é um financiador das grandes campanhas da direita, é o sustentáculo do governo [de Jair] Bolsonaro [PSL] no Brasil, então com os bancos ele não mexe”. “Nas séries históricas, toda vez que o desemprego no Brasil está baixo, o índice de endividamento também acompanha a baixa. E, sempre que o desemprego aumenta, o número de endividamento das famílias também aumenta”, esclarece a doutoranda. De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) divulgados pelo IBGE no último dia 30, 12,7% dos brasileiros estão desempregados. Com isso, mais de 1,2 milhão de pessoas entraram para a população desocupada no primeiro trimestre do ano, na comparação com o último trimestre de 2018. Juliane ressalta que os 13,4 milhões de desempregados apontados pela pesquisa não representam a totalidade da desocupação no país. “Quando a gente leva em consideração [outros] dois elementos, a pessoa que é subutilizada, ou seja, que teria condições físicas e mentais de trabalhar 44 horas semanais, mas que foi ocupada com uma hora ou duas horas na semana, ou a pessoa que não procurou emprego porque já está desalentada, o número de desempregados seria de aproximadamente 23 milhões”. A categoria conhecida como desalento foi criada nos anos 1980, no surgimento da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e da Fundação Seade. O desalento caracteriza as pessoas que desistiram de procurar emprego, por desestímulo ou outras circunstâncias, como a falta de dinheiro para a condução. Juliane destaca que a ausência de ocupações e os crescentes empregos precários e informais colaboram para o aumento de pessoas endividadas. Com a recessão econômica e os reflexos da reforma trabalhista, o quadro deve piorar, alerta a doutoranda. “Em 2017, pela primeira vez, o número de trabalhadores informais superou o número de trabalhadores formais, um contingente de cerca de 20 milhões de pessoas que trabalham em empregos informais, que também contraem dívidas sem uma garantia concreta de que vão ter emprego nos próximos meses para poder honrar essas dívidas”. (por Emilly Dulce)
Crise dispara e indicadores de desemprego aumenta em abril

Indicador Antecedente de Emprego (Iaemp), que antecipa as tendências do mercado de trabalho, recuou 1 ponto na passagem de março para abril, na terceira queda consecutiva; indicador chegou a 92,5 pontos e acumula perda de 8,6 pontos em três meses; o Indicador Coincidente de Desemprego subiu 0,7 ponto de março para abril e chegou a 94,8 pontos; nessa escala, quanto maior a pontuação, pior é o resultado Vitor Abdala, repórter da Agência Brasil – Os dois indicadores do mercado de trabalho da Fundação Getulio Vargas (FGV) apresentaram piora na passagem de março para abril deste ano. O Indicador Antecedente de Emprego (Iaemp), que busca antecipar as tendências do mercado de trabalho para os próximos meses, com base na opinião de consumidores e de empresários da indústria e de serviços, recuou 1 ponto no período. Com essa, que foi a terceira queda consecutiva, o indicador passou para 92,5 pontos, em uma escala de zero a 200, o menor nível desde outubro do ano passado. Em três meses, o Iaemp acumula perda de 8,6 pontos. Já o Indicador Coincidente de Desemprego, que mede a percepção dos consumidores sobre o mercado de trabalho atual, subiu 0,7 ponto de março para abril e chegou a 94,8 pontos, em uma escala invertida de zero a 200. Nessa escala invertida, quanto maior a pontuação, pior é o resultado.
Efeito Bolsonaro: preço do gás de cozinha sobe 3,4% neste domingo

A diabólica política de preços dos combustíveis de Jair Bolsonaro (PSL) permitirá o reajuste no gás de cozinha em 3,4% a partir deste domingo (5). O botijão de 13 quilos já é encontrado pelo consumidor final nas revendas, dependendo da região do País, por entre R$ 78 e R$ 100. A Petrobras também aumentou hoje (4) o preço do óleo diesel em 2,56%. A elevação poderá deflagar a greve de caminhoneiros. A política de preços de Bolsonaro para os combustíveis consiste na majoração dos preços da Petrobras de acordo com a variação do dólar e oscilação do barril de petróleo no mercado internacional. É a mesma fórmula de Michel Temer (MDB) que levou à greve de caminhoneiros em 2018.
Alta do desemprego amplia arrependimento de bolsonaristas

Da Rede Brasil Atual – O aumento do desemprego registrado no primeiro trimestre do governo Bolsonaro já faz eleitores se arrependerem do voto e sentirem saudades dos governos do PT, em especial do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quando havia políticas de estímulo ao crescimento. “Ele não está do lado da população pobre, está do lado dos ricos. Não vejo ele ajudando o meu lado. Votei completamente errado. Se eu tivesse votado num homem que desse serviço…”, diz o pedreiro Pedro de Santana. Ao repórter Jô Miyagui, do Seu Jornal, da TVT, ele conta que quer largar o bico, mas está desempregado há 10 meses. “Falar que o Lula foi ruim para o trabalhador é mentira”, afirma o metalúrgico Laerte de Paula. Com as contas de água e luz atrasadas, ele diz que mandou mais de uma centena de currículos, “mas até agora, nada”. Dados divulgados pelo IBGE na última terça-feira (30) revelam que o número de desempregados cresceu 10,2%, para um total de 13,387 milhões nos primeiros três meses deste ano. A taxa de subutilização – pessoas que trabalham em jornada reduzida por falta de opção – atingiu 25%, a maior da série histórica. Segundo o professor de economia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) Rubens Sawaya, medidas adotadas pelo governo, como cortes no orçamento, colaboram para o agravamento do desemprego. Para combater a crise, o Estado deveria ampliar gastos para estimular a demanda, aquecendo a economia.
Desemprego salta 10% no governo Bolsonaro e chega a 13,4 milhões de pessoas

A derrocada econômica do país por conta da política econômica da dupla Jair Bolsonaro-Paulo Guedes resultou em uma alta brutal no desemprego. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nos primeiros três meses deste ano, a massa de desocupados cresceu 10,2% sobre o trimestre anterior, correspondendo a 13,4 milhões de pessoas, um acréscimo de 1,2 milhão de desempregados. O desemprego é um dos elementos -dos mais dramáticos- no cenário desolador para a economia. A falta de confiança quanto aos rumos da economia levaram as instituições financeiras a reduzir pela nona vez consecutiva as projeções para o crescimento ecnômico este ano. Segundo o boletim Focus do Banco Central, o mercado reduziu a estimativa para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB de 1,71% para 1,70% este ano. Há quatro semanas, a estimativa estava em 1,98%. Nesta linha, os indicadores inflacionários também causam apreensão. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), que mede a prévia da inflação oficial, ficou em 0,72% em abril deste ano, o maior para o mês desde 2015 (1,07%). O IGP-M, utilizado como referência para a correção de valores de contratos, como os de aluguel de imóveis, subiu 0,92% em abril, de acordo com dados da Fundação Getulio Vargas (FGV). Com os empresários segurando os investimentos e o consumo em baixa, a taxa de desemprego no período chegou a 12,7%, alta de 1,1 ponto percentual quando em comparação com o trimestre anterior. O índice é considerado o maior desde o trimestre terminado em maio de 2018, quando a taxa também ficou em 12,7%. Ainda segundo o IBGE, a renda média real do trabalhador no primeiro trimestre foi de R$ 2.291,00, uma alta de 1,4% em relação ao mesmo período do exercício anterior. A massa de renda real habitual paga aos ocupados somou R$ 205,3 bilhões no trimestre até março, alta de 3,3% ante igual período do ano anterior.