Sindmina é questionado por trabalhadores de mineradora de Riacho dos Machados

O Sindicato dos trabalhadores nas indústrias de prospecção, pesquisa, extração e beneficiamento de minérios metalúrgicos e não metalúrgicos do Norte de Minas (Sindmina), com sede em Porteirinha, está sendo questionado pelos trabalhadores da mineradora de Riacho dos Machados (Equinox Gold) pela cobrança arbitrária da contribuição confederativa. A entidade é acusada, ainda, de impedir que os empregados recusem os descontos nos seus contracheques, como prevê o próprio Acordo Coletivo de Trabalho da categoria. Para dificultar a manifestação da oposição à cobrança, o Sindmina exige que o trabalhador faça uma declaração de próprio punho, além de apresentar cópias autenticadas dos documentos pessoais e do contracheque. Diante desse imbróglio, um grupo de trabalhadores da mineradora fez um Boletim de Ocorrência relatando os fatos. Após a negativa do sindicato, os trabalhadores provocaram o Ministério Público do Trabalho (MPT), que acionou a Justiça do Trabalho, suspendendo liminarmente a cobrança da contribuição assistencial até a data da audiência de conciliação, que acontecerá na próxima segunda-feira (19). “A contribuição pode até ser legal, mas não é moral, uma vez que esse sindicato não nos representa. Nunca fez uma assembleia séria da categoria, nunca distribuiu nenhum informativo e jamais conversou com a gente”, denunciou uma trabalhadora que pediu para não ser identificada. “Não precisamos de sindicato que não tenha representatividade”, reagiu outro trabalhador que também pediu para resguardar sua identidade. A reportagem do Em Cima da Notícia tentou falar com o presidente do Sindmina, Carlos André dos Santos, mas não obteve êxito. Somente na tarde desta quinta-feira (22) , que o Sindicato dos trabalhadores nas indústrias de prospecção, pesquisa, extração e beneficiamento de minérios metalúrgicos e não metalúrgicos do Norte de Minas (Sindmina), enviou a seguinte nota de esclarecimento abaixo, datada do dia 21/02/2024
Montes Claros teme tragédia anunciada na duplicação da BR 135

População cobra dos deputados do norte de Minas, através de um abaixo-assinado, intervenção no projeto da duplicação da BR 135, na serra de Montes Claros, antes que vidas sejam ceifadas Carta aberta aos deputados(as) estaduais do Norte de Minas Prezados(as) deputados(as) Esta carta objetiva alertá-los para uma futura tragédia que está prestes a se abater sobre o Norte de Minas. Ao contrário de violências concentradas em minutos, como em Mariana e Brumadinho, tal desastre ocorrerá em pequenas etapas, atingirá norte-mineiros e ocasionalmente pessoas de fora, mas as perdas humanas serão bem maiores. Sendo assim peço atenção de vossas excelências, responsáveis diretamente pela tragédia que está sendo produzida a olhos vistos, e com dinheiro público, no Norte de Minas, mais especificamente em Montes Claros. Trata-se da duplicação da Br 135 no trecho da serra, na saída para Bocaiúva. Projeto mal elaborado e mal executado desde o início, agora está em uma etapa chave onde é possível salvar centenas de vidas. O projeto de duplicação foi elaborado no processo de concessão da Br 135, no governo passado e revisto no governo atual. Ou seja, os dois deram suas contribuições para o que se avizinha. No entanto, a responsabilidade pelo que virá a partir de agora é de toda a sociedade civil da região e em especial dos senhores deputados, responsáveis legais por zelar pela correta aplicação dos recursos públicos referentes ao Estado de Minas Gerais. Mais que recursos financeiros, no momento trata-se de zelar pela proteção de vidas humanas. Apesar da não publicização do projeto detalhado da duplicação entre Montes Claros e Bocaiúva, devido o início das obras, mesmos os leigos já percebem tratar-se de uma obra econômica financeiramente, mas futuramente dispendiosa em termos de acidentes, os quais resultarão em muitas mortes e mutilações. Lembrando que os recursos ali são bancados exclusivamente pelo caríssimo pedágio pago pelos usuários da rodovia. Para demonstrar nossas preocupações, listamos aqui algumas ações e/ou omissões da empresa responsável pela obra, as quais podem ser observadas pela senhora e pelos senhores, em loco. Tais observações certamente serão confirmadas e terão outras levantadas por pessoas mais entendidas no assunto. Esta pode ser uma saída urgente, ouvir pessoas especializadas e isentas, assim como os usuários da estrada como forma de subsídio para as ações de autoridades responsáveis. Ações e omissões observadas por usuários da rodovia: 1 – Retirada de enorme quantidade de terra das margens da estrada criando imensos buracos rentes ao acostamento. Um cochilo do motorista que antes poderia significar uma saída de pista sem grandes consequências, a partir de agora pode se tornar um acidente fatal. 2 – Colocação de montanhas de terra ao lado da rodovia o que também impedirá uma saída de emergência da pista, pela direita, situação comum em um aclive da dimensão do trecho. Ou seja, uma carreta sem freios que poderia sair pela direita será obrigatoriamente direcionada para se chocar com veículos do mesmo porte ou esmagar automóveis menores a sua frente. Vale lembrar que isto já está ocorrendo com as barreiras de concreto pré-moldado colocadas na principal curva da serra, inclusive já tendo causando mortes no ano de 2023. 3 – O ápice da tragédia anunciada será o resultado do modelo de duplicação aparentemente escolhido pela empresa. Vale lembrar que não sabemos se com o aval do poder público ou não. Tudo indica que teremos uma duplicação nos moldes da famigerada serra de Igarapé, na rodovia Fernão Dias, ligação entre Belo Horizonte e São Paulo. Traduzindo, teremos duas pistas separadas apenas por pequena barreira de concreto onde os veículos continuarão trafegando na descida da serra a cerca de dois metros de distância, em direções opostas. Tais barreiras não conseguem impedir batidas frontais quando estão envolvidos veículos de grande porte nos acidentes. 4 – Cabe também alguns questionamentos sobre a duplicação da Br 135. A Eco 135 possui um vídeo institucional onde apresenta a duplicação e demais melhorias no trecho de sua responsabilidade, mas o mesmo vai da Br 040 até Bocaiúva. Por que ela nunca detalhou o trecho mais complexo da obra, ou seja, de Bocaiúva até Montes Claros? Quantos retornos teremos, onde eles estarão localizados? Onde está o projeto executivo e detalhado da obra? A sociedade civil pode opinar na construção de uma obra que está sendo construída com seus recursos diretos? Concluindo, teremos uma duplicação tão sonhada que poderá se transformar em um grande pesadelo para os usuários da BR 135 na serra de Montes Claros. Os acidentes tendem a aumentarem e junto com eles o aumento da letalidade também. Com a palavra as autoridades responsáveis por fiscalizar as atividades do poder público de Minas Gerais. Diga-se de passagem, o auxílio dos vereadores da cidade assim como demais autoridades também será bem-vindo. A hora de cobrar uma obra segura para todos é agora, depois só resta contar, por longos anos, os mortos e feridos decorrentes não de simples acidentes, mas da irresponsabilidade e omissão daqueles que poderiam ter feito diferente e não fizeram. Com a palavra nossa deputada estadual, nossos deputados estaduais e todos aqueles que puderem intervir para evitar essa tragédia anunciada. Montes Claros, 03 de fevereiro de 2024.
Emater conclui doação de sementes de feijão para municípios castigados pela seca

A Empresa de Assistência e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG) concluiu as doações de sementes de feijão para municípios atingidos pela forte estiagem em 2023. Os últimos pacotes foram entregues em Paracatu, no Noroeste de Minas, na segunda-feira (29/1), durante reunião entre diretores da Emater-MG, prefeitos e lideranças da região. As entregas tiveram início no dia 17/1. Esta ação emergencial do Governo de Minas irá beneficiar mais de 12 mil famílias de agricultores familiares. Ao todo, 254 municípios foram contemplados nas regiões Norte, Noroeste, Central e nos vales do Jequitinhonha, Mucuri e Rio Doce. Os pacotes foram doados para as prefeituras. Para facilitar a logística, a Emater-MG realizou reuniões de entregas em cidades que serviram de base para que cada prefeitura pudesse buscar os sacos de sementes. Foram 13 encontros: Januária, Brasília de Minas, Nova Porteirinha, Montes Claros, Salinas, Almenara, Teófilo Otoni, Governador Valadares, Capelinha, Diamantina, Curvelo, Santana do Pirapama e Paracatu. Cada município define os critérios dos beneficiados e faz a distribuição aos agricultores, com ajuda da Emater-MG. “A escolha por sementes de feijão foi feita, principalmente, por causa do ciclo curto da cultura, de aproximadamente 75 dias. Cada família recebe um pacote com 10 quilos de sementes e poderá colher cerca de 600 quilos de feijão, na primeira safra. Este feijão poderá ser replantado e gerar um círculo virtuoso, não só garantindo a segurança alimentar, mas também a geração de renda, com a venda do produto colhido”, explica o presidente da Emater-MG, Otávio Maia. Os técnicos da Emater-MG recomendam que o plantio seja feito em fevereiro e março, aproveitando o período chuvoso. A variedade doada permite três gerações de plantio. Como cada saco de dez quilos de semente pode produzir aproximadamente 600 quilos de feijão na primeira safra, é possível produzir até três mil quilos de feijão, desde que plantados 20 quilos na segunda e na terceira safra. Considerando o feijão a um preço de R$ 8,00/quilo, pode-se dizer que cada uma das famílias beneficiadas poderá obter R$ 20 mil, comercializando 2,5 mil quilos da produção e utilizando outros 500 quilos para consumo, replantio e distribuição. Somente com as 12 mil famílias beneficiadas diretamente, estima-se que sejam gerados R$ 240 milhões com a venda do feijão, garantindo renda aos agricultores familiares. “Tinha muito produtor esperando por esta doação. As terras já estão prontas. Muitos querem plantar, mas não têm como comprar a semente. Vai ser importante para todos”, afirmou dona Idete Ramos Walquer, do município de Teófilo Otoni, no Vale do Mucuri. Outro produtor que comemorou a chegada das sementes de feijão foi Rui de Albuquerque, de São João da Lagoa, no Norte de Minas. Com o retorno das chuvas, ele espera uma boa colheita de feijão para amenizar os prejuízos do ano passado. “Foi uma das mais cruéis secas dos últimos tempos. Foi muito sofrido. Quem plantou, perdeu. Agora estamos contando com esta chuva para dar uma nova esperança para o povo da nossa região”. Seleção dos municípios Os municípios beneficiados foram selecionados conforme a situação de cada um deles, identificada em um levantamento feito pela equipe técnica da empresa. Mais da metade das prefeituras decretou estado de emergência devido à longa estiagem. Para definir a quantidade de sementes doada a cada município, a Emater-MG fez um cálculo que considerou o número de agricultores familiares nas localidades, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e a quantidade de sacos disponíveis para esta ação emergencial. A compra emergencial de 12.195 sacos de sementes, no valor de R$ 2 milhões, foi feita com recursos da Emater-MG, após autorização do Governo do Estado. (Agência Minas)
Mortes violentas da população LGBTQIA+ disparam mais de 60% em Minas

As mortes violentas de gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais aumentaram 66% em Minas. Foram 30 assassinatos e suicídios de pessoas LGBTQIA+ em 2023, contra 18 no ano anterior. Especialistas afirmam que os números são alarmantes e evidenciam a urgência de ações e políticas públicas efetivas para enfrentar o problema. O dado é do Grupo Gay da Bahia (GGB), ONG LGBT mais antiga da América Latina, fundada na década de 1980. No Brasil, foram 257 vidas perdidas no ano passado. O país é o campeão mundial de mortes de forma violenta. O relatório foi feito com base em notícias, pesquisas e informações obtidas com parentes das vítimas. O levantamento mostra que, pela primeira vez em 40 anos, o Sudeste assumiu a primeira posição, com 100 casos registrados. Outra estatística preocupante é que Minas subiu no ranking nacional. O Estado passou do quarto lugar em 2020 para o segundo em 2023. Apenas em Belo Horizonte foram 4 mortes. Continue lendo depois da publicidade Outra estatística preocupante é que Minas subiu no ranking nacional. O estado passou do quarto lugar em 2020 para o segundo em 2023 “Infelizmente, tais dados evidenciam que, diferentemente do que se propala e que todos aspiramos, maior escolaridade e melhor qualidade material de vida regional (IDH) não têm funcionado como antídotos à violência letal homotransfóbica”, afirma o coordenador do Centro de Documentação do Grupo Dignidade de Curitiba, Alberto Schmitz. Para o antropólogo, professor da Universidade Federal da Bahia e fundador do Grupo Gay da Bahia, Luiz Mott, ainda não há uma explicação sociológica evidente sobre o crescimento dos registros violentos nos estados do Sudeste. No entanto, ele explica que, em termos absolutos, a distribuição dos assassinatos de LGBTQI-A+ em 2023 por estados demonstrou equivalência proporcional entre as quatro unidades mais populosas da federação (SP, MG, RJ, BA) e o respectivo número de mortes violentas desse grupo. Leia também Montes Claros terá roda de conversa sobre direitos das pessoas trans Políticas públicas Para a ONG, os números alarmantes reforçam a necessidade de ações, a começar pela contabilização oficial dos óbitos. “O Grupo Gay da Bahia sempre reivindicou que o poder público se encarregasse das estatísticas de ódio em relação a LGBT, negros e indígenas. Mas, infelizmente, nem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) incluiu os LGBTs no censo de forma sistemática e universal, e muito menos as delegacias e secretarias de Segurança Pública”, analisa Mott. O antropólogo reforça que o poder público precisa garantir a segurança da população LGBT. “É um dado grave, reflexo da homofobia e homotransfobia institucional e estrutural”. Segundo o Grupo Gay da Bahia, do total de mortes 2023, as autoridades policiais conseguiram elucidar os autores de apenas 77. “Esse quadro reflete a falta de monitoramento efetivo da violência homotransfóbica pelo Estado brasileiro, resultando inevitavelmente na subnotificação, representando apenas a ponta visível de um iceberg de ódio e derramamento de sangue”.
Municípios aderem a nova política farmacêutica

Com a publicação da Resolução 9.305, no dia 18 de janeiro, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) alcançou 94,44% de adesão dos municípios que integram a área de atuação da Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Montes Claros à Política de Descentralização da Assistência Farmacêutica (PDCEAF). O trabalho foi iniciado em 2021 e, na nova Resolução, o município de Capitão Enéas teve formalizada a adesão à PDCEAF. Com isso, na área de jurisdição da SRS Montes Claros, 51 municípios já assumiram a gestão do componente especializado da assistência farmacêutica. Restam formalizar adesão os gestores dos municípios de Nova Porteirinha, São João da Lagoa e Verdelândia. A coordenadora de Assistência Farmacêutica da Superintendência Regional de Saúde, Cynthia Antunes Barbosa, explica que “com a implementação da descentralização da assistência farmacêutica, o objetivo da SES-MG é facilitar o acesso de usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) aos processos de solicitação e recebimento de medicamentos. Até 2021, esse trabalho estava centralizado nas unidades regionais da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais. Com a descentralização, a meta das unidades regionais de saúde é alcançar os 835 municípios do estado”. Com a publicação da Resolução 9.305, neste início de ano, o município de Capitão Enéas está sendo contemplado com o repasse de recurso superior a R$ 79,9 mil, destinado à compra de mobiliários e equipamentos e/ou realização de obras em imóvel destinado ao funcionamento da farmácia pública. Antes dos municípios assumirem a gestão do componente especializado da assistência farmacêutica, as unidades regionais da SES-MG realizam encontros de capacitação. Entre os temas abordados estão o cadastro, envio e recebimento de processos; montagem e cadastro de processos no Sistema Integrado de Gerenciamento da Assistência Farmacêutica (Sigaf); dispensação de medicamentos, renovação da continuidade e monitoramento; consumo médio, casos novos e balanço. CRITÉRIOS Para aderir à PDCEAF, os municípios precisam cumprir critérios obrigatórios, entre eles: garantir, no mínimo, um profissional farmacêutico, devidamente registrado no Conselho Regional de Farmácia, para atuação no local onde é feita a dispensação dos medicamentos; possuir, no mínimo, um computador com conexão estável à internet e uma impressora com função de digitalização; possuir sistema de monitoramento de temperatura das câmaras de conservação de medicamentos e um gerador de energia ou plano de contingência, prevendo ações de controle, prevenção e correção para variações de temperatura; possuir armário exclusivo para armazenamento de medicamentos sujeitos a controle especial e possuir sistema de segurança eletrônica ou vigilante nos locais de armazenamento de medicamentos durante o período da noite, finais de semana e feriados.
OS VÍCIOS – Em 2008 escrevi sobre isso e hoje repito – Por Pedro Ruas Neto*

Sei que posso e estou consciente. Português é difícil e procuro ser eclético. O texto é sobre o vício, sem A. Os vícios podem ser percebidos em muitos homens e mulheres. Entorpecentes, doces, remédios, ir e vir sempre pelo mesmo rumo, costumes repetitivos, tudo isso é vício. O primeiro é o peito. Depois, vêm os outros. Temos que ter discernimento e conhecimento porque esse tormento doe em quem tem vício e muitos, próximos, sofrem. Existem médicos e feiticeiros que prometem tudo. Uns creem nisso. Outros têm Deus como socorro. Enfim, é possível ser livre dos vícios. Determine em si próprio e renegue gole, jogos, muito sexo, tudo sem controle. Pensem bem: nós podemos decidir sobre o presente e o futuro. Por isso, sempre que tivermos desejos viciosos, contemos: um, dois, três. Pronto, refletindo, seguimos em frente, sem sofrer. Ser feliz é o princípio de tudo que queremos. O vício impede muitos de serem felizes. Eu mesmo sofri com este tormento, mesmo sendo consciente dos erros. Esforcei e deixei o vício (muito gole) em 2023. Escrevo este texto e espero contribuir com os que sofrem com este erro terrível e desejo que melhorem, se possível, eu e eles, libertos de vez. Terminei o texto. Quem escreveu? repórter Pedro Neto.
MST completa 40 anos de luta pela distribuição de terras no país

Movimento atualmente está presente em 24 estados A luta pela terra sempre esteve presente na história do Brasil, fruto da concentração de terras desde o período colonial. Revoltas, guerras e repressão marcaram a disputa pela sobrevivência no país, como as lutas camponesa, indígenas e quilombolas. No final da década de 1970, ressurgiram as ocupações de terra por camponeses, principalmente na região sul, em meio à forte repressão da ditadura. E a sociedade brasileira se organizava pela redemocratização. Em 22 de janeiro de 1984, em Cascavel, no Paraná, camponeses, pequenos agricultores, posseiros e excluídos rurais se juntaram no 1º Encontro Nacional dos Sem Terra. Esse evento marcou a fundação do maior movimento social pela distribuição de terras do país, o Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST). Para o professor da Universidade de Brasília e pesquisador sobre a questão agrária no país Sérgio Sauer, o MST ampliou as suas lutas ao longo desses 40 anos. “A organização que luta pela terra se ampliou para outras lutas: luta por educação, luta por saúde, luta por condições dignas de vida no campo. A garantia de vida no campo passa pelo acesso acesso à terra, mas acesso com dignidade, crédito, assistência técnica, condições saudáveis de produção, portanto menos violência e assim por diante.” Mas a violência do campo sempre acompanhou a luta pela terra. Só em 2022, 70 pessoas foram mortas em conflitos agrários, segundo a Comissão Pastoral da Terra. O professor Sérgio Sauer destaca que a impunidade impede a diminuição dessa violência. Já Ceres Hadich, integrante da Direção Nacional do MST, afirma que essa é uma estratégia do agronegócio contra os excluídos do campo. “Ao longo desses 40 anos, perpassaram a história do nosso movimento, nesse processo de tentar impedir a ação da organização popular a partir do uso da força e da violência. E também seguem resistindo, por meio da ação do estado, seja por meio das milícias organizadas, ou mesmo dos fazendeiros e da força do agronegócio, hoje cada vez mais organizada e violenta no campo brasileiro.” O pesquisador Sérgio Sauer ressalta que a reforma agrária ainda é uma demanda social frente às desigualdades existentes no campo. “Do ponto de vista mais estrutural, econômico e social, a reforma agrária continua sendo uma demanda social. Onde se tem, de um lado, mais ou menos um milhão de famílias assentadas em projetos de reforma agrária, tem pelo menos outro um milhão, um milhão e meio de famílias sem terra ou com menos terra do que o mínimo necessário para viver.” E o movimento dos sem terra cresceu e se organiza hoje em 1900 associações, 185 cooperativas e 120 agroindústrias para produzir e comercializar os produtos da reforma agrária. Ceres Hadich afirma que o MST amadureceu e adaptou seus instrumentos de luta. “Um amadurecimento do MST em relação à necessidade de calibrar melhor, a gente poderia dizer na roça, né, amolar melhor as nossas ferramentas de luta para poder fazer o nosso pleito render. A cada momento histórico, se organizou para poder fazer com que nossos objetivos de fato se realizassem, a nossa luta fosse cumprida em concordância aos nossos princípios, que também se mantiveram ao longo desses 40 anos.” Segundo o MST, o movimento atualmente está presente em 24 estados, com 400 mil famílias assentadas e 70 mil acampadas. Agência Brasil
Secretário da PBH mantém atuação no Norte de Minas e incomoda servidores

Zé Reis, segundo relatos de funcionários, estaria deixando a gestão da pasta em segundo plano para se promover junto a prefeitos e eleitores das cidades onde ele mantém base eleitoral O esforço que o secretário de Meio Ambiente de Belo Horizonte, o ex-deputado estadual Zé Reis (Podemos), faz para agradar suas bases eleitorais no Norte de Minas tem causado insatisfações entre os servidores da pasta na prefeitura da capital. Segundo relatos de funcionários, Zé Reis estaria deixando a gestão da pasta em segundo plano para se promover junto a prefeitos e eleitores das cidades onde ele mantém base eleitoral. Ele foi deputado até 2022, mas não conseguiu se reeleger. Naquele ano, José Reis, que é vice-presidente do Podemos em Minas, fez dobradinha com a então presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte, Nely Aquino (Podemos), candidata a deputada federal e presidente do partido no Estado. Entre as reclamações listadas pelos servidores da pasta está o uso de assessores nomeados pelo secretário e que seriam utilizados para fazer promoção pessoal do gestor em vez de trabalhar para projetos da secretaria. “Ficam atrás dele filmando e fotografando tudo, só para postagem em redes sociais e fazer campanha”, dizem. Nas redes sociais, o secretário continua, inclusive, utilizando o seu slogan de campanha, “Gente que Vale”, como mote em todas as suas postagens. Ele mostra, por exemplo, sua participação na inauguração de uma ponte sobre o rio Pardo, em Januária, no Norte de Minas, principal destino de Zé Reis em dezembro último. O secretário também participou, ao lado do governador Romeu Zema (Novo) e do senador Cleitinho (Republicanos), da inauguração de um centro de hemodiálise na cidade, cujas verbas foram solicitadas por Zé Reis quando era deputado. Além disso, o secretário registrou, ainda em dezembro, participação na entrega de um microtrator, em Chapada Gaúcha, também no Norte de Minas. Na região, ele ainda participou, na Câmara Municipal de Montes Claros, em 8 de dezembro, feriado na capital mineira, da entrega de título de cidadão honorário para um empresário do ramo hospitalar da cidade. Já no início de janeiro, ainda em Januária, ele participou, ao lado do prefeito, Maurício Almeida (PP), da entrega de cinco veículos para uso na Secretaria Municipal de Saúde. José Reis assumiu o cargo na Prefeitura de Belo Horizonte em abril de 2023. Ao longo do ano, o secretário fez postagens ao lado do prefeito da capital, Fuad Noman (PSD), em projetos ambientais, sempre intercaladas com diversos registros de participações e homenagens a políticos de sua base eleitoral, como entregas em Montalvânia, Porteirinha e Pirapora. A reportagem tentou contato com o secretário via mensagem e telefone e também acionou a assessoria de comunicação da prefeitura pedindo posicionamento, desde o último dia 9, porém não havia obtido retorno até ontem à noite de ontem O Tempo
Ave de Botumirin é transferida para o Paraná para evitar extinção

A rolinha-do-planalto (Columbina cyanopis), que corre risco de ser extinta e foi encontrada no Parque Estadual de Botumirim, no Norte de Minas, foi transferida para Foz do Iguaçu, a 1.918 quilômetros de distancia, para se procriar. A operação realizada pelo Ibama é porque apenas duas espécimes foram encontradas ainda no Brasil. A rolinha-do-planalto não chama a atenção apenas pelos olhos azuis e a bela plumagem marrom-castanho: ela está entre as aves mais raras do mundo. A espécie, que vivia no Cerrado e era avistada de Goiás a São Paulo, de Mato Grosso a Minas Gerais, praticamente desapareceu do mapa e não era encontrada na natureza há 75 anos. Mas essa história ganhou uma reviravolta surpreendente em 2015, quando 12 rolinhas-do-planalto foram descobertas ao acaso no município mineiro de Botumirim. Desde então, um time de cientistas lançou uma verdadeira ‘operação de guerra’ para tentar salvar essa espécie da extinção. E o mais recente capítulo deste trabalho aconteceu nos primeiros meses de 2023, quando dois ovos da rolinha-do-planalto foram retirados da natureza e incubados com o auxílio de máquinas e especialistas. Os filhotes que nasceram foram então transportados de jatinho até Foz do Iguaçu, onde inaugurarão um viveiro cheio de cuidados especiais – para que, no futuro, indivíduos dessa espécie possam ser reintroduzidos na natureza. Em 2015, o ornitólogo Rafael Bessa viajava pelo interior de Minas Gerais quando decidiu parar num determinado local da Serra do Espinhaço, no Norte de Minas, para tirar fotos e apreciar a vista. Foi aí que o especialista ouviu o canto de um pássaro diferente, que ele não reconheceu de primeira. Ele resolveu voltar ao mesmo lugar no dia seguinte, munido dos equipamentos necessários para registrar aquela espécie misteriosa. “Só pensava em documentar e aproveitar o momento. Até então, não sabíamos absolutamente nada sobre a espécie, e aqueles poucos minutos de observação poderiam significar muito para a conservação da rolinha”, disse Bessa. O biólogo Pedro Develey, diretor-executivo da Save Brasil, ONG que trabalha pela conservação das aves na natureza, lembra que ficou sabendo da descoberta durante a realização do Congresso Brasileiro de Ornitologia de 2015, em Manaus. “Os registros eram extraordinários. Estávamos diante de uma das maiores descobertas da ornitologia do último século. Só conhecíamos a rolinha-do-planalto por algumas peças de museu, e os órgãos responsáveis já a classificavam como uma espécie praticamente extinta”, pontua. A descoberta de Bessa deu início a uma verdadeira corrida contra o tempo. Afinal, ele só havia observado cerca de 12 indivíduos no local. “Um de nossos primeiros questionamentos foi justamente sobre a propriedade. Quem era o dono daquela terra? Tratava-se de uma área protegida? Havia alguma ameaça à vida daquelas poucas aves?”, questiona Develey. A Save Brasil começou a fazer toda essa investigação e, em cerca de três anos, comprou o terreno localizado na cidade de Botumirim com recursos próprios para montar uma reserva natural privada de 600 hectares. Proteção das aves “Em paralelo, trabalhamos com o governo de Minas Gerais para a criação do Parque Estadual de Botumirim, que tem 35 mil hectares”, conta o biólogo. A primeira missão estava cumprida: a área onde as raras rolinhas-do-planalto foram observadas depois de tanto tempo estava finalmente protegida. Começava, então, a próxima etapa. “A gente precisava entender a biologia dessa ave. O que ela come, onde vive, se faz migração, como se comporta nas temporadas de chuva ou seca, como se reproduz…”, lista Develey. E, ao longo dos estudos, os cientistas depararam com uma boa notícia. “A rolinha-do-planalto é prolífera quando o assunto é fazer ninhos e botar ovos. Ela pode fazer até três posturas de ovos durante a temporada reprodutiva, que acontece durante a primavera e o verão”, explica. Isso significa, portanto, que os especialistas poderiam colher ovos logo no início desse período de reprodução sem prejudicar o futuro da espécie na natureza, já que a fêmea botaria outra unidade na sequência, sem prejuízos. “A gente também percebeu que a predação dos ovos era muito alta”, acrescenta o biólogo. Outras aves maiores costumam entrar nos arbustos onde a rolinha-do-planalto esconde o ninho para roubar os ovos e usá-los como alimentos. Ao retirar o primeiro ovo, portanto, os cientistas evitariam o “desperdício” de um material tão precioso. “Vale ressaltar que temos todas as licenças ambientais para realizar esse trabalho e, antes de iniciar o projeto, fizemos um workshop com 20 instituições e quase 30 especialistas do mundo todo”, pondera Develey. “Foi nessa reunião que planejamos todas as ações de acordo com as evidências científicas e as experiências prévias”, completa. Todo o planejamento de quase oito anos foi colocado em prática na última temporada reprodutiva, entre o final de 2022 e o início de 2023. Os cientistas coletaram dois ovos da rolinha-do-planalto na natureza. Eles foram colocados numa incubadora artificial e tiveram todos os parâmetros monitorados de perto. O processo de desenvolvimento dos embriões foi marcado por alguns sustos. “Certo dia, aconteceu uma queda de luz e não podíamos ficar sem energia. Tivemos que comprar um gerador para garantir o funcionamento dos aparelhos”, relata. “Passamos momentos de muita tensão, pois tínhamos que cuidar de dois ovos de uma das espécies mais raras do mundo”, constata ele. Felizmente, deu tudo certo: os dois filhotes nasceram nos dias 21 e 22 de fevereiro, sob o olhar atento e um tanto apreensivo da equipe de especialistas. Nos primeiros dias, eles foram alimentados com papinhas entre às 6 horas da manhã e às 18h da tarde. Parceria para o cuidado das aves Ambos se desenvolveram bem e estavam prontos para alçar um voo precoce — e inédito. Um dos ovos da rolinha-do-planalto recolhido da natureza. “Nós, da Save Brasil, conhecemos muito sobre a conservação das aves na natureza, mas não temos expertise sobre o manejo e o cuidado delas em cativeiro”, admite Develey. “Foi daí que surgiu a parceria com o Parque das Aves.” Localizada em Foz do Iguaçu, no Paraná, a instituição tem como foco a conservação das aves da Mata Atlântica e aceitou a missão de abrigar os filhotes da rolinha-do-planalto. Tinha início, assim,
Pacheco aciona governo Lula para atenuar seca no Norte de Minas

Presidente do Senado quer que ministérios atuem para minimizar efeitos da crise O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), irá acionar o governo Luiz Inácio Lula da Silva, nesta segunda-feira (18), para que sejam adotadas medidas visando amenizar os efeitos da seca prolongada no Norte de Minas Gerais. Segundo o senador mineiro, além de ajuda emergencial às famílias, é necessário um plano de recuperação financeira com renegociação de dívidas e concessão de crédito. O foco seriam os pequenos e médios produtores rurais. “A seca está castigando o Norte de Minas. Onze meses sem chuva e temperaturas acima do normal. Amanhã, segunda-feira, acionarei o Governo Federal para que ações dos ministérios possam minimizar os efeitos da crise. Fornecimento de milho para o gado, disponibilização de caminhão-pipa, ajuda emergencial a famílias mais necessitadas e um plano de recuperação financeira com renegociação de dívidas e concessão de crédito, em especial para os pequenos e médios produtores”, afirmou Pacheco, em nota. “Não tenho dúvida do compromisso do governo federal em nos ajudar a enfrentar esse grave problema econômico, ambiental e social”, complementou o parlamentar. Nos últimos meses, o Norte de Minas vem tendo algumas das cidades mais quentes e secas do país. Em Salinas, a umidade mínima do ar chegou a 11%, o que indica estado de emergência. Itaobim (13%) e Espinosa (15%) também estão na lista. Rodrigo Pacheco tem se aproximado do governo federal para tratar de assuntos referentes ao Estado. O senador também articula, junto ao Palácio do Planalto, um plano alternativo ao do governador Romeu Zema (Novo) para solucionar a dívida bilionária de Minas com a União, hoje estimada em R$ 160 bilhões. Via Jornal O Tempo