Fazendeiro Zé Ruim ameaça casal de Varzelândia, que protege área de cerrado

Segundo relato, terra foi vendida sem documentação e pode ser apropriada para a pecuária bovina – Por duas vezes, em janeiro deste ano segundo o BO registrado, Zé Ruim teria levado policiais para a residência do casal – Foto: Arquivo | MTC Durante a solenidade de entrega do prêmio “Mulheres Rurais – Espanha Reconhece”, no final do mês de abril, o projeto “Sabores do Cerrado” foi premiado em Brasília. Na ocasião, Marineide Santos, presidenta da cooperativa localizada em Miravânia (MG) e coordenadora do projeto premiado, chamou a atenção dos presentes. Ela disse ter sido inspirada por Izabel, “uma mulher que estava ameaçada de morte por defender seu território”. Trata-se da história do casal Maria Izabel e Clailson Gonçalves, moradores há cerca de 15 anos do Sítio Barreiro Azul, localizado da zonal rural de Varzelândia, Norte de Minas Gerais. Maria Izabel, que também é coordenadora nacional do Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Campo (MTC), registrou boletim de ocorrência (BO) na Polícia Civil de Varzelândia e denunciou o fazendeiro José Pereira, conhecido na região por “Zé Ruim”. Por duas vezes, em janeiro deste ano segundo o BO registrado, Zé Ruim teria levado policiais para a residência do casal, sendo uma das vezes sem que eles estivessem presentes na casa, e tem ameaçado Maria Izabel e Claison, de morte. A motivação seria que área de cerrado, próxima à fazenda, que é protegida pelo casal, seja apropriada para a pecuária bovina. “Eu sou herdeira legítima da área. No entanto, ela foi vendida sem documentação, sem que a partilha tivesse sido feita entre herdeiros e sem meu conhecimento. O fazendeiro sabia que eu residia na área e que tinha interesse em ficar nela quando procedeu a compra. Ele cercou a área em que vivo, mesmo sem a decisão da Justiça. No outro lado, a casa sede da fazenda está abandonada, o fazendeiro não reside por lá”, explica Maria Izabel. Testemunhas De acordo com relato publicado no blog Cartas Proféticas por Dom Orvandil, há testemunhas da ameaça. Euclides Lopes, um vizinho do casal, afirma que o José Pereira teria dito ao policial que “o filho dele quer vir resolver do jeito dele”. Segundo Lopes, o fazendeiro estava com dois policiais armados. “Eu falei que não adianta brigar, porque não vai resolver nada. Se seu filho vier aqui brigar, se ele matar alguém, ele vai preso, e se alguém matar ele, vai preso também. Tem que ser resolvido na Justiça e não com as próprias mãos”, disse. A área do Sítio Barreiro Azul, onde Maria Izabel e Clailson residem, é área de cerrado preservado. Eles mantêm hortas e plantio de ervas medicinais. No entanto, a situação é de extrema vulnerabilidade social. A casa onde mora o casal não possui energia elétrica, não possui água e o abastecimento é por caminhão pipa. Com a cerca construída, o “ir e vir” do casal também está prejudicado. Segundo Maria Izabel, a tensão é constante. “O fazendeiro segue rondando meu barraco. Às vezes vai só, às vezes com os filhos. Na última vez, já no mês de maio, ele rodeou a área com uma pessoa desconhecida”, narra. Solidariedade Além do próprio MTC, outras organizações têm acompanhado o caso. No dia 4 de abril, a Comissão Pastoral da Terra (CPT) visitou Maria Izabel. De acordo com Irmã Etelvina Moreira de Arruda, representante da CPT, é preciso que entidades de direitos humanos estejam a par da situação, pois apoiam Maria Izabel como uma “liderança na comunidade, parceira, companheira na luta e mulher”. Durante a visita da CPT, o advogado Aldinei Leão, do Centro de Referência em Direitos Humanos (CDRH), localizado em Montes Claros, também esteve no local. Segundo Leão, o trabalho desenvolvido pelo Centro é de monitoramento do que já tem sido feito pela advogada do casal. “Apesar de Maria Izabel empreender uma luta coletiva, o conflito está no âmbito do direito individual, pois se trata de um conflito que envolve herança. Nós queremos garantir que as providências sejam tomadas em relação às ameaças. Nós encaminhamos junto ao município as questões sociais envolvidas, pois há uma grande vulnerabilidade social e psicológica”, disse Leão. De acordo com o último relatório “Conflitos no Campo”, divulgado pela Pastoral da Terra, no ano de 2021 houve aumento de 75% no número de assassinatos em conflitos no campo, no Brasil. Já o número de mortes em decorrência de conflitos teve aumento de 1.100%. Ainda segundo a CPT, a atuação da “pistolagem sob encomenda” e das “agromilícias”, bem como de agentes públicos, ocasionaram 35 assassinatos por conflitos no campo no Brasil, em 2021. Outro lado Fábio Jean, advogado de José Pereira, afirmou que a “toda a narrativa não passa de uma mentira que estão contra meu cliente, que comprou as terras da mãe da senhora Izabel”. Afirmou ainda que “nunca houve ameaça por tarde do meu cliente” e que tramita na comarca de São João da Ponte uma possessória em desfavor de Maria Izabel e de seu companheiro. “No caso das ameaças alegadas por ela para os órgãos de imprensa, já foram tomadas as medidas cabíveis”. O advogado relata que tramita na Polícia Civil de Varzelândia um inquérito para apurar o crime de calúnia contra o casal. Fonte: Brasil de Fato
A travessia de Guimarães Rosa pelas veredas fez brotar um grande sertão

Há 70 anos, Guimarães Rosa fazia anotações sobre uma boiada. Escritos do escritor mineiro que foram base para “Grande Sertão: Veredas” serão analisados em evento on-line nesta semana Em maio de 1952 -, o escritor mineiro João Guimarães Rosa (1908-1967) acompanhou uma boiada – conduzida pelo vaqueiro Manuelzão – numa viagem de 240 quilômetros pelo sertão de Minas Gerais, desde Sirga até Araçaí, ao longo de dez dias. Enquanto seguia com o rebanho em sua lenta marcha, Rosa registrou o que via em cadernetas penduradas no pescoço, que conservaram suas anotações em forma de rabiscos e comentários soltos. Os escritos, que descrevem com minúcias os cenários e situações vividas naquela ocasião, foram depois datilografados e serviram de base para duas das mais importantes obras do escritor, Corpo de Baile e Grande Sertão: Veredas, ambas lançadas em 1956. Essas anotações de Rosa – que só foram publicadas em livro em 2011 pela Editora Nova Fronteira, com o título A Boiada – serão o tema do ciclo de seminários Infinitamente Maio: A Boiada – 70 Anos, que o Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) da USP e a Oficina de Leitura Guimarães Rosa, instalada no IEB, promovem nesta terça, quarta e quinta-feira, dias 10, 11 e 12, sempre às 15 horas. “Maio é um mês mágico para Guimarães Rosa”, afirma Regina Pereira, da Oficina de Leitura Guimarães Rosa, uma das organizadoras do evento, citando um trecho do conto Desenredo, de Rosa, que inspirou o título do ciclo de seminários: “Sorriram-se, viram-se. Era infinitamente maio e Jó Joaquim pegou o amor. Enfim, entenderam-se”. Regina acrescenta: “É um mês muito citado nas obras dele. A viagem que fez pelo sertão mineiro e a publicação de Grande Sertão: Veredas também ocorreram em maio”. “Às 6 horas da manhã. Claridade da madrugada. O sol ainda não saiu. “Está clareando agora, resumindo”. “Romper da aurora”, perto de nós, o grosso, enorme rôlo reto, de bruma branca (‘fumaça’) desce da bocâina pela baixada. Sôbre êle o outeiro, que marca o nascente. Grandes nuvens alaranjadas, que, a certa hora, se mudam em azuis – mas sobre elas o céu se toma de difusos laivos côr de rosa, extensos – aumentação dos raios do sol (parecem uma). Maiora a claridade.” (Trecho das anotações de Guimarães Rosa feitas em maio de 1952) No primeiro seminário, dia 10, intitulado A Boiada Presente no Arquivo de João Guimarães Rosa – IEB/USP, as discussões vão se concentrar nas duas cadernetas originais de Rosa que conservam as anotações sobre a boiada, guardadas no IEB. Foram os únicos cadernos que restaram, entre os vários utilizados para descrever a experiência. Os demais, de acordo com o que o escritor revelou numa entrevista, foram “jogados fora”. Além das cadernetas, o vasto acervo relacionado com o escritor, hospedado no instituto – do qual fazem parte os manuscritos de Grande Sertão: Veredas -, também será tema de debates. Vão participar do encontro Diana Vidal, diretora do IEB, Dina Elisabete Uliana e Elisabete Marins Ribas – ambas do Arquivo do IEB -, com mediação de Linda Yazbek Rivitti, da Oficina de Leitura Guimarães Rosa. “Esta madrugada, deitado, via a lua, já baixa, lua cheia, pronta a ir-se. (Lado meu era o do poente). Poente da lua cheia (ainda alto, eclipsado). Depois, às 4 hs. 30, as nuvens cinzento-verde, leves. Hora em que as nuvens (isoladas) refletem os verdes do mundo. Depois, elas ficam azul e rosa.” (Trecho das anotações de Guimarães Rosa feitas em maio de 1952) A Boiada em Imagens é o título do segundo seminário do ciclo, no dia 11. Nele, o coordenador do Museu Casa Guimarães Rosa, de Cordisburgo – cidade natal de Rosa -, Ronaldo Alves, fará análises sobre as imagens da boiada produzidas pelo fotógrafo Eugênio Silva para a revista O Cruzeiro, no último dia do percurso. Já a arquiteta Gabriella Roesler Radoll, da Oficina de Leitura Guimarães Rosa, vai apresentar mapas da época que descrevem a trajetória da boiada acompanhada por Rosa. Ainda nesse segundo seminário, a pesquisadora Beth Ziani vai explicar a obra coletiva O Manto do Vaqueiro, idealizada por ela, que foi composta com bordados feitos por mais de 200 moradores do sertão mineiro e está em exposição no Museu Casa Guimarães Rosa. A mediação será de Regina Pereira. A importância das anotações para a compreensão da obra completa de Guimarães Rosa será o tema do terceiro e último seminário, no dia 12, intitulado A Boiada Presente em Corpo de Baile e Grande Sertão: Veredas. A apresentação será do pesquisador Frederico Camargo, organizador do Arquivo de João Guimarães Rosa, com mediação de Rosa Haruco Tane, da Oficina de Leitura Guimarães Rosa. “Essas anotações são um material muito interessante para aqueles que fazem crítica genética”, destaca Regina Pereira, referindo-se ao campo de estudo voltado para a investigação das origens mais remotas de uma obra de arte. Regina conclui: “Ao reler as anotações, você percebe o quanto o Cerrado foi destruído. Guimarães Rosa já possuía a visão de que o progresso estava chegando e aquele local não continuaria o mesmo por muito tempo. Refletir sobre o que mudou na geografia de Guimarães Rosa é essencial para a conservação desse patrimônio ecológico e cultural brasileiro”. “TREM DE GADO – Passando (Brumadinho). Alguns bois, ao extremo de uma das gaiolas, conseguiram deitar-se. Um guarda-freio sentado, no extremo final, perto do engate, no último carro. Outro vem andando, sôbre a táboa longa, de cima do carro (tablado). Os bois estão lá dentro, quietos.” (Trecho das anotações de Guimarães Rosa feitas em maio de 1952)
Rodrigo Cadeirante cobra contrapartida de mineradora no Norte de Minas

Durante audiência pública em Grão Mogol, vereador disse ser favorável ao empreendimento, mas pediu união de todos para reivindicar da SAM Metais parceria para as obras de duplicação da BR-251 Audiências públicas realizadas nas noites dos dias 10 e 11 de maio em Grão Mogol e Fruta de Leite, respectivamente, sinalizaram que o empreendimento de mineração da Sul Americana de Metais (SAM) – empresa de capitão chinês ligada à Honbridge Holdings – está prestes a ter seu licenciamento ambiental aprovado pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad). Representantes da empresa mineradora se revezaram por horas em explanações para minimizar os impactos ambientais e socioculturais que o megaprojeto causará na região, compreendida entre os municípios de Grão Mogol, Padre Carvalho, Fruta de Leite e Josenópolis. Em março deste ano, o Ministério Público de Minas Gerais recomendou a suspensão do licenciamento do projeto, sob alegação de que são necessários estudos complementares sobre o impacto ambiental. O vereador Rodrigo Cadeirante, que acompanha as discussões desde março, quando a diretoria executiva da SAM apresentou o Projeto Bloco 8 na Câmara Municipal de Montes Claros, sugeriu como contrapartida que a empresa assuma a execução de obras de duplicação da BR-251, utilizando as Parcerias Público Privadas (PPP). Rodrigo reclamou da ausência dos deputados representantes da região na audiência. “Mas a gente sabe que daqui a pouco vai brotar político até no asfalto para pedir voto”, criticou. Ele, que é o vereador mais votado do Norte de Minas, cobrou uma posição mais objetiva das lideranças políticas no imbróglio que se tornou a concessão da licença ambiental para o início do empreendimento. “Enquanto uma parte bate palma e a outra é contra, penso que devemos nos juntar para pedir uma contrapartida dos investidores para nossa região, que poderia ser a duplicação da BR-251”, reiterou. “Sou favorável ao Bloco 8, mas peço aos empreendedores que priorizem à segurança, porque somos gente trabalhadora, queremos o desenvolvimento, mas não podemos correr riscos de sermos vítimas de uma tragédia, como ocorreu em Mariana e Brumadinho”, ponderou. A diretora de Relacionamento e Meio Ambiente da mineradora, Gizelle Andrade Tocchetto, disse que a preocupação de Rodrigo Cadeirante com a segurança é pertinente, mas informou que a empresa adota modelo de barragem mais moderno. “Para maior segurança, haverá um outro muro de contenção, abaixo da área do projeto, totalizando duas barreiras de proteção”, explicou. Um dos populares presentes ao evento, o vigilante Elisson Ribeiro Magalhães trocou de turno com um colega para prestigiar a audiência pública. Ele elogiou a posição de Rodrigo, reforçando a preocupação com a segurança de quem vai trabalhar na mineração e com a população. “Vim para tirar dúvidas”, disse. O Bloco 8 está orçado em US$ 3,5 bilhões e engloba uma mina de minério de ferro, duas barragens de rejeitos e um mineroduto de 482 quilômetros. Texto e fotos: Waldo Ferreira
Lula tem mais que o dobro de votos de Bolsonaro no Norte de Minas

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) registrou mais que o dobro de intenções de voto do que o presidente Jair Bolsonaro (PL) na pesquisa do DATATEMPO para as eleições presidenciais no Norte de Minas Gerais, a primeira realizada em ano eleitoral. Segundo a pesquisa, Lula lidera a disputa com 56,69% das intenções de voto, contra 24,20% do atual presidente, Jair Bolsonaro (PL). Um dos eleitores mais fiéis ao presidente Jair Bolsonaro (PL) são os evangélicos, além dos homens e os mais ricos. Lula, por sua vez, continua avançando entre os jovens, os mais pobres e as mulheres, o que parece ser o seu principal trunfo nessas eleições, A pesquisa DATATEMPO, instituto que faz parte da Sempre Editora, foi realizada com recursos próprios, por meio de 2.000 entrevistas domiciliares, em todas as regiões de Minas Gerais, entre os dias 30 de abril e 5 de maio de 2022. A margem de erro do levantamento é de 2,19 pontos percentuais para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%. Conforme preceitua a legislação eleitoral, o levantamento foi registro no TSE com o protocolo BR-00720/2022 e no TRE-MG com o protocolo MG-01720/2022. Veja AQUI a pesquisa completa
Bolsonarismo na pele de Tartufo – Por Douglas Aquino Gusmão

“Ser ou não ser, eis a questão”. Tal indagação caberia o beneficio da dúvida não é mesmo? Porém não é a tragédia de Shakespeare que iremos tratar, a peça é outra a de Moliere, outro dramaturgo de renome. Iremos falar de Tartufo, um hipócrita e falso puritano que tinha sido um vagabundo antes de Orgon começar a ajuda-lo. Orgon é aquele personagem que na inocência sofre influência de Tartufo. A exemplo da aristocracia francesa na época, Tartufo consegue enganar todo um meio e família à sua volta. Ele é símbolo do que o ser humano é capaz para chegar ao poder e se manter lá a seu único e exclusivo proveito, sendo capaz de mentir, roubar, fraudar, especular, transgredir normalmente com o único objetivo de granjear mais privilégios. E tudo em nome de Deus. Fazendo um paralelo, vemos como o Bolsonarismo se veste da mesma forma. Bolsonaro é Tartufo, o impostor e os Bolsonaristas se travestem na pele de Orgon, e seguem obcecados rumo ao seu mentor em peculiar obediência cega. A peça de Moliere, apesar de retratar uma situação que antecedeu a ascensão da burguesia, mantém-se atual ao denunciar males eternos e universais como a corrupção, a hipocrisia religiosa, a malandragem governamental, negociações obscuras e a ocupação de cargos de mando. Tartufo X Bolsonaro Para ilustrarmos melhor essa temática vamos retratar os fatos resumindo um pouco o que foi a vida pregressa de Bolsonaro antes de chegar ao poder. Bolsonaro conseguiu entrar para Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), e foi um dos paraquedistas. Insatisfeito com a questão salarial planejou um atentado a bomba, foi julgado na primeira vez por indisciplina, condenado e posteriormente absorvido com a condição de sair da academia. Entrou para reserva do exercito e consequentemente para a politica. Alinhado aos insurgentes militares e ao poder paralelo como as milícias conseguiu primeiramente se eleger para vereador e posteriormente para deputado federal, onde ficou até cair de paraquedas na presidência da republica surfando na onda do antipetismo, da retórica anticomunista e de pautas identitárias com um eleitorado mais conservador e que se mantém fiel até os dias de hoje e tem na sua base evangélicos e uma pequena massa de católicos mais radicais. Agora não mais no exercício militar, mas como uma desastrosa escolha da sociedade brasileira. Homem que se apresentou como o novo para candidatar a presidência está há 30 anos na vida politica, porém é amarrado nas velhas práticas. Mudou de partidos diversas vezes, nunca se opôs a privilégios e ainda constitui outro elemento da politica velha que é o apoio sem fundamentação ideológica a outros políticos, sendo frequentemente um fiel apoiador de velhos caciques. Ele não ficou famoso por algum projeto de lei que tenha apresentado e lutado pela aprovação. Dos 172 que apresentou em 26 anos de vida parlamentar, nenhum teve destaque e apenas dois foram aprovados. Nunca apresentou projetos com fins sociais e sim com interesses aos militares, 53 no total e nenhum aprovado. Bolsonaro não tinha nenhuma visibilidade nacional, era do baixo clero. Só ganhou projeção nacional nos anos de 2010 ao começar participar de programas com temas polêmicos e dando voz a uma extrema direita conservadora que até então estava escondida e calada. Daí então aquela figura considerada caricata ganhou palanque para colocar em pauta temas como politicas de gênero, sexualidade e religião. Sempre se opôs debochando do direito da mulheres e fazendo campanha em defesa da ditadura militar. Oficialmente católico (mero detalhe) e por tradição por causa da sua mãe, posteriormente ele começou a flertar com evangélicos até ter um batizado simbólico por um pastor por pura conveniência politica. Pastor Everaldo que aliás foi preso ano passado pela policia federal por corrupção e lavagem de dinheiro. Casou-se três vezes, teve quatro filhos homens e segundo ele uma “fraquejada”. Nos dois casamentos anteriores fomentou suas companheiras com fartura de imóveis, estes com suspeitas de lavagem de dinheiro; a esposa atual recebeu repasses ilegais. Bolsonaro e os filhos são suspeitos de participarem de rachadinhas com funcionários, desviar verbas rescisórias, colocar familiares e amigos em cargos fantasmas e também utilizar de laranjas na esfera publica. Em síntese, Bolsonaro é da família tradicional que se casou três vezes; o religioso que segue dupla doutrina; o cristão que já fez apologia à tortura, a matança em série; o honesto que já praticou peculato, nepotismo e lavagem de dinheiro; o “cidadão de bem” que já incentivou a sonegação de impostos, extrapola valores com o coração cheio de propósitos do mal, mas que alegoricamente é aclamado assim pelos seus seguidores. E por fim, é o patriota que coloca a bandeira e a soberania nas costas para cortejar e ser subserviente ao imperialismo norte-americano. Nós temos o dever de desconstruir essa estrutura hipócrita que se constituiu no ambiente da politica nacional, nos lares, nas igrejas, desmascarando a imagem desse homem para seus devotos, esse que nunca fez nada pela nação, e que sabe apenas arrotar palavrões, transferir responsabilidades e minimizar os seus erros. Diante de um estado laico o fanatismo religioso não pode ser divisor do debate público dentro de uma sociedade já bem polarizada pelos extremismos de algumas ideologias, que atualmente se assemelham a heresias praticadas por seitas ancestrais. E como irmãos siameses e separado pelos tempos, Bolsonaro segue sendo o exemplo mais vivo de Tartufo. É nessa guerra pelo Deus cristão que Bolsonaro alimenta a base do governo autoritário ao reforçar sua gestão do ideário maniqueísta. Ao se resumir como presidente dos cristãos, simplifica os conflitos políticos, que passam a se dar em embates entre o bem versus mal. O moralista que já gozou de privilégios se diz o enviado de Deus para salvar a pátria. Esse homem de passado nada ilibado e caráter duvidoso não tem envergadura nenhuma para o cargo que ocupa. Como percebem Bolsonaro se faz igualmente Tartufo, o farsante. * Douglas Aquino Gusmão é bacharel em Ciências Contábeis pela Universidade Estadual de Montes Claros
Egressos do sistema prisional de Montes Claros se formam em curso de Eletricista Predial

Eletricidade Básica, Empreendedorismo e Execução de Projetos Elétricos foram alguns dos temas trabalhados. Formatura ocorreu nesta sexta-feira (29/4) Estudar, se especializar, ter uma profissão. O sonho de muitos pode se tornar um empecilho para alguns quando se é egresso do sistema prisional. Mas não para 16 ex-detentos de Montes Claros, no Norte de Minas. Durante oito meses, o grupo participou do curso Eletricista Instalador Predial de Baixa Tensão. A formatura aconteceu na noite desta sexta-feira (29/4), no auditório do campus do Instituto Federal do Norte de Minas (IFNMG). O treinamento faz parte do projeto Alvorada, criado pelo Departamento Penitenciário Nacional (Depen), em parceria com os institutos federais de educação, e possui como objetivo proporcionar àqueles que saem dos presídios e penitenciárias novas possiblidades de educação e trabalho, mudando, desta forma, suas trajetórias e evitando que voltem a cometer novos crimes. Em Montes Claros, o projeto foi executado pelo IFNMG em parceria com a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), por meio do Programa de Inclusão Social de Egressos do Sistema Prisional (PrEsp), que faz parte da Subsecretaria de Prevenção à Criminalidade (Supec). Com histórico no tráfico de drogas e com a família com grande envolvimento na criminalidade, José Henrique Pimenta, 44 anos, viu a vida mudar após o início do treinamento. De uma pessoa arredia para um dos melhores alunos. Ele não perde uma aula e já tem inclusive alguns clientes. “Eu não tenho nem palavras para falar o quanto esse curso foi importante para a minha vida. Antes, aos olhos da sociedade eu não era ninguém. Agora eu tenho uma profissão, a capacitação me tirou do tráfico de drogas”, celebra. Ao longo de todo o período, os estudantes aprenderam conceitos como Eletricidade Básica, Projetos e Instalações Prediais, Execução de Projetos Elétricos, Empreendedorismo e Inovação, Informática, além de Matemática, Língua Portuguesa e outros. O treinamento contou com 500 horas/aulas e outros três meses chamados de incubação, em que os alunos puderam escolher entre empreendedorismo com a autogestão, ou seja, atuação como autônomo, ou estágio supervisionado. Eles receberam ainda, durante os oito meses, uma bolsa mensal, além de uma ajuda de custo para a compra de um kit de ferramentas para eletricistas, uma forma de contribuição para a qualificação do trabalho. “O projeto Alvorada evidenciou o quanto é potente e transformador o trabalho no enfrentamento às vulnerabilidades relacionadas a processos de criminalização por vezes agravados pelo aprisionamento”, destaca Vanessa Alves, gestora social das Unidades de Prevenção à Criminalidade de Montes Claros. “Houve acolhimento, vinculação, afeto, inclusão, transformação. Nos atendimentos e grupos reflexivos realizados pelo PrEsp fomos percebendo gradativamente um reposicionamento por parte dos participantes, a escolha de novos caminhos e o fortalecimento de vínculos familiares e comunitários”.
Vacinação contra febre aftosa começa neste domingo, 1º de maio, em Minas

Começa no dia 1º de maio a primeira etapa anual de vacinação contra a febre aftosa em Minas. Devem ser imunizados bovinos e bubalinos de zero a 24 meses. O Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), vinculado à Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), é o responsável pelo gerenciamento e fiscalização da campanha junto aos pecuaristas. Nesta etapa, a expectativa é que sejam imunizados cerca de 10 milhões de animais em todo o Estado com o objetivo de preservar a sanidade dos rebanhos e manter o compromisso com o agronegócio mineiro. A campanha vai até 31 de maio. O produtor pode comprovar a vacinação dos animais usando o formato eletrônico de declaração que estará disponível em www.ima.mg.gov.br ou, caso tenha cadastro, acessando o Portal de Serviços do Produtor. Uma outra opção será o envio da declaração para o e-mail da unidade do IMA responsável pela jurisdição do município. O prazo para comprovar a vacinação (declaração) termina em 10/06. Para facilitar a localização da propriedade, recomenda-se o envio do Cadastramento Ambiental Rural (CAR) na realização desse procedimento. A movimentação de animais durante as etapas de vacinação continuará seguindo as regras da Instrução Normativa nº 48/2020, ou seja, propriedade adimplente com a etapa de vacinação em curso poderá movimentar normalmente seus animais. Saúde do rebanho O coordenador estadual do Programa de Vigilância para a Febre Aftosa, o médico veterinário do IMA, Natanael Lamas Dias, defende a necessidade da vacinação para manter a saúde do rebanho e o reconhecimento internacional de zona livre com vacinação, obtido pelo estado junto à Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). “Este status favorece o agronegócio e o acesso a mercados internacionais, contribuindo de forma significativa para o Produto Interno Bruto (PIB) mineiro”, lembra Dias reforçando a importância da vacinação correta, de forma a garantir eficácia na imunização dos animais. “A vacina deve ser adquirida em estabelecimento da iniciativa privada credenciado para a revenda. Lembrando que a dose da vacina é de 2 ml. Além disso, a vacina deve ser conservada em temperatura entre 2 e 8 graus centígrados, do momento da compra até a vacinação dos animais. Recomenda-se também programar a aplicação para os horários mais frescos do dia”. A febre aftosa é causada por um vírus, altamente contagioso e que pode trazer grandes prejuízos econômicos para os produtores, pois afeta o comércio internacional. A doença é transmitida pela saliva, aftas, leite, sêmen, urina e fezes dos animais doentes, e também pela água, ar, objetos e ambientes contaminados. Uma vez doente, o animal pode apresentar febre, aftas na boca, lesões nas tetas e entre as unhas. Evite multas O produtor que não vacinar os animais estará sujeito a multa de 25 Unidades Fiscais do Estado de Minas Gerais (Ufemgs) por animal, o equivalente a R$ 119,25 por cabeça. A declaração de vacinação também é obrigatória e o produtor que não o fizer até 10/6 poderá receber multa de 5 Ufemgs, o equivalente a R$ 23,85 por cabeça. (Portal IMA)
Depois de 6 anos justiça vai decidir se Lei Nacional vale para Januária

Judiciário leva mais de 6 anos para decidir se Prefeitura de Januária deve cumprir Lei de Acesso à Informação * Por Fábio Oliva Mais de seis anos depois, desestimulando aqueles que se dedicam e gastam recursos próprios para exercer o controle social da administração pública e combater a corrupção, o Poder Judiciário de Minas Gerais julgará no próximo dia 26 de abril, terça-feira, em segunda instância, se a Prefeitura de Januária é obrigada a cumprir integralmente ou apenas parcialmente a Lei de Acesso à Informação, em vigor desde 2011. O descumprimento da LIA foi parar na justiça através de uma ação popular ajuizada em 04 de fevereiro de 2016 por três cidadãos januarenses, o jornalista investigativo e advogado Fábio Oliva, o educador João Fernandes de Paes e o micro empreender rural José Almeida da Fonseca. O último faleceu no curso do processo, sem ver o resultado definitivo da ação. Em primeira instância, a ação consumiu mais de três anos, até chegar ao primeiro resultado, tendo sido julgada parcialmente procedente em 15 de março de 2019. Ao sentenciar a ação popular, em primeiro grau, o juiz Juliano Carneiro Veiga, da 1ª Vara Cível, Criminal e da Infância e da Juventude da Comarca de Januária, constatou que “o Município de Januária, conforme até por ele mesmo confessado na contestação, não está cumprindo integralmente a Lei de Acesso a Informação e não possui Portal de Transparência adequado aos ditames legais”. A Prefeitura de Januária recorreu da sentença e o processo foi parar na 1ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais em 24 de junho de 2019. Não são todos os processos que padecem da morosidade judicial e demoram tanto a serem julgados no TJMG. A 18ª Câmara Cível do tribunal julgou em pouco mais de dois meses recurso do interesse do desembargador Antônio Carlos Cruvinel, interposto por um advogado de Montalvânia contra sentença de primeira instância que o condenou a pagar indenização ao magistrado. O recurso chegou ao TJMG em 8 de novembro de 2021 e em 14 de dezembro do mesmo ano já havia sido julgado. A ação popular visa a obrigar a Prefeitura de Januária a disponibilizar, em seu portal na internet, todas as informações previstas na Lei de Acesso a Informação, especialmente aquelas relacionadas a contratos e pagamentos, entre outros. Via Blog do Fábio Oliva
Comandada pelo Centrão, Codevasf gasta R$ 3 bilhões sem comprovação de obras

Dinheiro foi para os cofres da empresa via emendas parlamentares para obras que não tiveram o valor real de execução comprovados. Empresa está nas mãos do PP, que dá sustentação ao governo Bolsonaro Entre 2020 e 2021, segundo e terceiro anos do governo de Jair Bolsonaro (PL), a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), comandada pelo Centrão, recebeu R$ 3,6 bilhões em emendas parlamentares para obras que não tiveram o valor real de execução comprovados, segundo denúncia sobre corrupção na estatal publicada pelo do jornal Folha de S.Paulo. Centrão no comando dos mal-feitos A Codevasf é vinculada ao Ministério do Desenvolvimento Regional e até o mês passado era comandada por Rogério Marinho (PL), que saiu do cargo para ser candidato ao Senado pelo Rio Grande do Norte nas eleições deste ano. O presidente da estatal foi indicado pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP) e pelo ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira (PP). R$ 7,3 bilhões escoaram pelos cofres da Codevasf Pelos cofres da estatal, presidida por Marcelo Moreira Pinto, escoaram R$ 7,3 bilhões, diz a Folha. Desse total, os R$ 3,6 bilhões vieram das emendas de relator, as já conhecidas emendas do orçamento secreto e paralelo criado por Bolsonaro para conseguir apoio do Centrão no Congresso Nacional. As emendas do relator são usadas pelos parlamentares para mandar verbas públicas para seus aliados nos redutos eleitorais, sem transparência, como no caso dos milhões em emendas de Lira enviados para escolas de Alagoas que não têm computadores, comprarem kits robóticas. O levantamento considerou os repasses feitos até o final de 2021 e consta em um relatório de auditoria independente da Russell Bedford divulgado pela Folha. Ainda de acordo com o jornal, a Condevasf recebeu, no ano passado, em emendas parlamentares, o equivalente a 61% das dotações da empresa. O documento ressalta, porém, que a estatal encerrou o exercício “verificando a existência de operações” para apresentar números de maneira confiável. No balanço, a Codevasf afirmou ter um saldo de R$ 2,7 bilhões na rubrica, mas os auditores dizem não ser possível “opinar sobre os saldos dessas contas e os componentes das demonstrações do resultado, das mutações do patrimônio líquido e dos fluxos de caixa”. Em 2021 a Condevasf registrou um prejuízo de R$ 358 milhões. Via CUT
Exportação de frutas cítricas pode crescer com produtores do Norte de Minas

A exportação de laranja alcançou, entre julho de 2021 e fevereiro deste ano a marca de quase 660 mil toneladas comercializadas. Isso representou uma queda aproximada de 1,02% em relação ao mesmo período da safra 2020/2021. A queda, ainda que pequena, é atribuída à forte concorrência do mercado mexicano, que faz fronteira com os EUA, o principal comprador da produção brasileira. Mas a expectativa das negociações nacionais e internacionais para esta safra é positiva entre os produtores de citros do Norte de Minas. Aliás, não só para 2022. Eles acreditam que as próximas safras vão oferecer bons motivos para se comemorar. O otimismo vai além do solo ou das questões climáticas. Há um trabalho de fortalecimento da competitividade que promete tornar ainda melhor os produtos locais, que já são de excelência. “Deveríamos fortalecer o trabalho, a pesquisa e o desenvolvimento de produtores profissionais que busquem sabor e que tenham uma fruta que seja desejada em todo território nacional e também no mundo. E que esse desejo seja pelo seu sabor, não apenas pela oportunidade numa janela de exportação”, avalia engenheiro agrônomo Alencar Saito. Por isso, ele defende que as ações dos produtores sejam focadas também no mercado nacional, onde as oportunidades de negócios ocorrem durante todo o ano. “Há muito que ser feito ainda no mercado interno antes de pensar em exportação. Existem janelas de produção, existe demanda para produtos saborosos, coisa que tem sido pouco explorada no Brasil e no mundo”, observa. Luiz Antunes, especialista em estratégias de posicionamento de marcas e no fortalecimento de lideranças, explica que essa expansão passa pelo entendimento dos desafios da região. “É essencial expandir a visão para os grandes centros e mercados externos, entendendo as expectativas de cada mercado, analisando como os players de destaque atuam”, orienta. Entender o comportamento do consumidor, segundo Luiz Antunes, pode ajudar a aproximar os produtores das grandes oportunidades. “Conhecer os movimentos culturais, as tendências nacionais e internacionais para assim ser possível ao território trabalhar diretrizes e ações que o posicionem de forma intencional e estratégica frente a tudo isso. Mas isso visando sempre, acima de tudo, o desenvolvimento da região como um todo”, recomenda. Fonte: Notícias Agrícolas