Líder do golpe, Aécio vira réu por corrupção e obstrução de justiça

Dois anos depois do golpe dos corruptos contra a presidente eleita, Dilma Rousseff, o senador Aécio Neves (PSDB-MG), que protagonizou uma das maiores farsas da história do País, passa a ser réu, no Supremo Tribunal Federal, por corrupção e obstrução de Justiça. O julgamento corre na Primeira Turma. Votaram a favor do recebimento integral da denúncia, por corrupção e obstrução de Justiça, os ministros Marco Aurélio Mello, relator do caso, Luís Roberto Barroso, Rosa Weber e Luiz Fux. O ministro Alexandre de Moraes, presidente da Turma, não aceitou a denúncia por obstrução, apenas por corrupção. Marco Aurélio votou para receber a denúncia integralmente contra Aécio. Segundo o ministro, há indícios de recebimento de vantagem indevida e de embaraço às investigações. “Há transcrições de conversas telefônicas ligações realizadas pelo senador das quais se extrai que estaria tentando influelnciar na escolha de delegados da PF na Operação Lava Jato”, declarou. Também são alvos da mesma denúncia e se tornarão réus a irmã do senador, Andrea Neves, o primo Frederico Pacheco e Mendherson Souza Lima, ex-assessor parlamentar do senador Zezé Perrella (PMDB-MG), flagrado com dinheiro vivo. Todos foram acusados de corrupção passiva. Segundo a denúncia, apresentada há mais de 10 meses, Aécio pediu a Joesley Batista, em conversa gravada pela Polícia Federal (PF), R$ 2 milhões em propina, em troca de sua atuação política. O senador foi acusado pelo então procurador-geral da República Rodrigo Janot. A obstrução ocorreu de “diversas formas”, segundo a PGR, como por meio de pressões sobre o governo e a Polícia Federal para escolher os delegados que conduziriam os inquéritos da Lava Jato e também de ações vinculadas à atividade parlamentar, a exemplo de interferência para a aprovação do Projeto de Lei de Abuso de Autoridade (PLS 85/2017) e da anistia para crime de caixa dois. No início da sessão, o advogado Alberto Toron, que representa o senador Aécio Neves afirmou que o valor era fruto de um empréstimo e que o simples fato de ele possuir mandato no Senado não o impede de pedir dinheiro a empresários. 247 Com informações da Agência Brasil

Cármen Lúcia proíbe a superexposição do amiguinho Aecinho

 STF NÃO AUTORIZA TRANSMISSÃO DO JULGAMENTO DE AÉCIOAssessoria de imprensa do Supremo Tribunal Federal, presidido pela ministra Cármen Lúcia, mandou recado em caixa alta: “NÃO está autorizada a transmissão ao vivo/tempo real, por internet ou pela TV, de imagens e áudio das sessões de julgamentos das Turmas do STF”– O Supremo Tribunal Federal proibiu a transmissão do julgamento que pode tornar o senador Aécio Neves (PSDB-MG) réu por corrupção e lavagem de dinheiro, no processo em que é julgado por ter pedido R$ 2 milhões ao empresário Joesley Batista, da J&F, e ter falado em matar um possível delator, em referência ao seu primo, que receberia o dinheiro.“Transmissão do julgamento de Aécio Neves: o recado da assessoria de imprensa do STF, em caixa alta: ‘NÃO está autorizada a transmissão ao vivo/tempo real, por internet ou pela TV, de imagens e áudio das sessões de julgamentos das Turmas do STF’”, informou pelo Twitter o portal jurídico Jota, que cobre o julgamento.O julgamento do habeas corpus do ex-presidente Lula foi transmitido ao vivo pela TV Justiça e foi motivo de Plantão da Globo.Mas para os golpistas e aliados de Aecinho, a tentação dos holofotes é somente para quem não comunga com o golpe.

Sem nenhuma carreira, o viciado STJ julga Aécio, o patrono do golpe

 STF irá absolver Aécio Neves por “falta de provas” ou será “cuspido” pelo sistema? Está previsto o julgamento do senador Aécio Neves (PSDB-MG), até pouco tempo atrás presidente do PSDB nacional, por crimes de corrupção e obstrução de Justiça. O caso do tucano será apreciado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, cuja denúncia foi formulada pela Procuradoria Geral da República (PGR). Abstraindo a questão da culpa, se Aécio recebeu propina ou não da JBS, como dizem os vídeos e as delações dos executivos dos açougueiros, o senador tucano caiu no “esquema” que ele próprio ajudou alimentar com o denuncismo contra o PT e o golpe de Estado de 2016. A questão é: o Supremo irá absolver Aécio Neves por “falta de provas” ou atirá-lo às feras para justificar a “imparcialidade” da justiça que mantém preso político, em Curitiba, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva? A Primeira Turma do STF é composta pelos seguintes ministros: Alexandre de Moraes (presidente), Marco Aurélio, Luiz Fux, Rosa Weber e Luís Roberto Barroso. Portanto, faça a sua aposta. Aécio será cuspido pelo sistema?

LULA FICOU MAIS FORTE APÓS PRISÃO, SEGUNDO O VOX POPULI

 – Pesquisa do Instituto Vox Populi, realizada entre os dias 11 e 15 de abril, mostra que o ex-presidente Lula, mesmo depois de ter sido preso, mantém a liderança e até ampliou sua vantagem sobre os demais candidatos às eleições de outubro. Segundo a pesquisa, 41% dos brasileiros consideram que Lula foi condenado sem provas, 44% consideram que a prisão de Lula foi injusta e 58% acham que ele tem o direito de ser candidato novamente à presidência da República, mesmo depois da prisão. Na pergunta espontânea sobre intenção de votos para presidente da República, Lula marcou 39% (eram 38% na pesquisa Vox de dezembro de 2016). Nos cenários comparáveis de segundo turno, Lula marca 56% x 12% contra Geraldo Alckmin do PSDB (eram 50% x 14% em dezembro), 54% x 16% contra Marina Silva, da Rede, (eram 52% x 21%) e 54% x 20% contra Joaquim Barbosa, do PSB (eram 52% x 21%). Segundo o diretor do Vox Populi, Marcos Coimbra, a pesquisa mostra que aumentou o sentimento de que o ex-presidente é vítima de uma injustiça e de que recebe um tratamento desigual por parte do Judiciário”. A pesquisa constata o aumento da simpatia ao PT e a diminuição da rejeição a Lula. “A prisão de Lula, da forma como ocorreu, parece ter afetado a visão do cidadão comum, de forma a torná-la mais favorável ao ex-presidente”, avalia Coimbra.

Dois anos depois do golpe, ação popular pede anulação do impeachment

 – Na semana em que se completam dois anos do golpe que tirou Dilma Rousseff da Presidência da República, é dada entrada na justiça uma Ação Popular pela anulação do impeachment, impetrada por cidadãos brasileiros e assinada pelo jurista Fábio Konder Comparato. Mais de 70 mil assinaturas físicas foram coletadas em várias cidades do país e no exterior, numa campanha que já dura 10 meses. O trabalho de coleta de assinaturas foi realizado por Comitês Nacionais e Internacionais pela Anulação do Impeachment e de Luta Contra o Golpe, coletivos que surgiram com a necessidade de um enfrentamento cidadão contra o processo que resultou no afastamento de Dilma Rousseff do cargo de Presidenta da República. No dia 17 de abril, às 12h, no Auditório Joaquim Nabuco da Faculdade de Direito da Universidade de Brasília, estarão presentes para uma coletiva de imprensa explicando toda a construção desse processo popular o professor Marcelo Neves, jurista e professor titular da Faculdade de Direito da UnB e Giselle Mathias, advogada, além de representantes dos coletivos. Anexa à Ação Popular estão assinaturas de políticos, juristas, lideranças dos principais movimentos sociais, intelectuais, artistas e cidadãos de São Paulo, Rio de Janeiro, Alagoas, Paraná, Brasília, Ceará, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Bahia, Santa Catarina, Piauí, Mato Grosso do Sul, Espírito Santo, Goiás, Amazonas, Tocantins, Pernambuco, Rondônia, Sergipe e, no exterior, cidadãos brasileiros residentes na Espanha, Alemanha, França, Áustria, Estados Unidos e Suíça. No próximo mês, a Ação Popular, bem como as milhares de assinaturas de apoio à ela, serão anexadas ao Mandado de Segurança 3441, impetrado pela Presidenta Dilma Rousseff, em 29 de setembro de 2017 e que, ainda hoje, tramita no STF, sem a devida e responsável celeridade de direito. A iniciativa desta Ação Popular espera pressionar o Supremo Tribunal Federal a pautar a nulidade do processo de impeachment contra Dilma Rousseff arrogando a soberania dos 54,5 milhões de votos recebidos no pleito de 2016, no intuito de resguardar os princípios democráticos e constitucionais no Brasil e o respeito institucional às decisões políticas no Brasil, validadas a partir do voto popular.

Imagens do triplex mostra que reforma foi mentira de Moro para condenar Lula

 – Foram publicadas na internet duas imagens da cozinha do apartamento em Guarujá, litoral de São Paulo, que a Operação Lava Jato ser do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acusado de ter recebido o triplex como propina da empreiteira OAS. O curioso é o que o termo “triplex” vinha sendo usado para designar o apartamento maior e luxuoso, que teria sido reformado para receber o ex-presidente. As imagens, no entanto, desmontam a versão de uma reforma para entregar o imóvel a Lula, condenado sem provas na primeira e na segunda instância jurídica. Inclusive, em janeiro deste ano, a Justiça do Distrito Federal determinou a penhora dos bens da construtora, dentre eles o triplex que a Lava Jato dizia ser do ex-presidente, preso desde o último dia 7, em Curitiba (PR), depois de ter seus Habeas Corpus negado pelo Supremo Tribunal Federal. Lula foi condenado a 12 anos e 1 mês de prisão pelo Tribunal Regional Federal da Quarta Região, sediado em Porto Alegre. Luis Felipe Miguel: imagens do triplex desmontam acusação contra Lula “A divulgação das imagens do famoso “triplex” cumpre papel importante. A crer na imprensa brasileira, o imóvel do Guarujá seria um novo Taj Mahal. O que vemos, no entanto, é um apartamento simples, acanhado, mal-acabado”, diz o cientista político Luis Felipe Miguel Por Luis Felipe Miguel, em seu Facebook – A divulgação das imagens do famoso “triplex” cumpre papel importante. A crer na imprensa brasileira, o imóvel do Guarujá seria um novo Taj Mahal. O que vemos, no entanto, é um apartamento simples, acanhado, mal-acabado. Por que isso é importante? Porque a disputa em torno da condenação de Lula tem duas dimensões. Uma é a dos argumentos jurídicos, das provas de culpabilidade, das evidências sujeitas a uma investigação racional. Quem é sensível a este aspecto já está careca de saber que o veredito de Moro é injusto. Mas há a outra dimensão, que toca num imaginário difuso e emocional, que a própria palavra “triplex” aciona, com sua conotação de luxo e requinte. Nessa dimensão, que não está preocupada com provas, a resposta à campanha contra Lula é a que ele próprio dá: que ele jamais se sujaria por tão pouco. Isso está cada vez mais evidente. Lula é daqueles que veem a si mesmos como figuras na história. É um sujeito que está na prisão por julgar que a busca por um asilo político, que lhe garantiria a liberdade, mancharia sua imagem. Não é alguém que se deixaria comprometer por uma propina. Qualquer um que veja aquele apartamento no Guarujá, o pequeno e desgracioso apartamento real, não a opulenta fantasia que o noticiário alimentou por anos, e o compare com a dimensão política e histórica de Lula precisa admitir: a hipótese de que ele foi corrompido é profundamente descabida. PIMENTA: ‘A MÍDIA SABE QUE O TRIPLEX NUNCA PERTENCEU A LULA’ O líder do PT na Câmara dos Deputados, Paulo Pimenta (RS), afirmou que, “após condenação sem crime e sem provas, agora mídia fala em tríplex ‘atribuído’ a Lula”; “Até eles sabem que esse apto nunca pertenceu ao ex-Presidente. Tudo foi uma farsa para tentar impedir Lula de voltar a governar o Brasil”  – No dia em que membros do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e da Frente Povo Sem Medo ocuparam o triplex em Guarujá (SP) que a Operação Lava Jato atribuiu ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o líder do PT na Câmara dos Deputados, Paulo Pimenta (RS), afirmou que, “após condenação sem crime e sem provas, agora mídia fala em tríplex ‘atribuído’ a Lula”. “Até eles sabem que esse apto nunca pertenceu ao ex-Presidente. Tudo foi uma farsa para tentar impedir Lula de voltar a governar o Brasil”, escreveu o parlamentar nesta segunda-feira (16) em sua conta no Twitter. A condenação do ex-presidente foi contestada por vários juristas. Vale ressaltar que dia antes de o Tribunal Regional Federal da Quarta Região (TRF4), sediado em Porto Alegre, condenar Lula, o que ocorreu no dia 24 de janeiro, 600 juristas divulgaram uma carta em cinco idiomas para o mundo, denunciado o estado de exceção judicial no Brasil, que tem dentre os alvos o ex-presidente Lula. Segundo o texto, “com cumplicidade de parte do Poder Judiciário, o Sistema de Justiça, não apenas em relação a Lula, mas especialmente em razão dele, tem sufocado o direito à ampla defesa, tratando-o de forma desigual e discriminatória e criado normas processuais de “exceção” contra ele e vários investigados e processados, típico ‘lawfare’, subordinado ao processo eleitoral” (leia aqui). Quando o Ministério Público Federal denunciou Lula, em setembro de 2016, o procurador Henrique Pozzobon admitiu que não havia “prova cabal” de que o ex-presidente era o proprietário do apartamento, o que levanta dúvidas sobre a legalidade da condenação. Antes de se entregar à Polícia Federal em São Paulo, no último dia 7, Lula fez um discurso histórico. “Não adianta tentar acabar com as minhas idéias, elas já estão pairando no ar e não tem como prendê-las. Não adianta parar o meu sonho, porque quando eu parar de sonhar, eu sonharei pela cabeça de vocês e pelos sonhos de vocês”, disse. “Não adianta eles acharem que vão fazer com que eu pare, eu não pararei porque eu não sou um ser humano, sou uma ideia”.

NOBEL DA PAZ PEDE PRA VISITAR O EX-PRESIDENTE LULA NA CADEIA

 – Autor da campanha pela indicação do prêmio Nobel da Paz para o ex-presidente Lula, o argentino vencedor do Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel solicitou nesta segunda-feira, 16, à Justiça Federal do Paraná autorização para visitar Lula na próxima sexta-feira, 19, na Superintendência da Polícia Federal do Paraná, em Curitiba. Entre os argumentos apresentados por Esquivel, ele menciona sua condição de Prêmio Nobel da Paz e presidente de Organismo de Tutela Internacional dos Direitos Humanos. “De acordo com Tratados Internacionais, dos quais o Brasil é signatário, visitar o Apenado é prerrogativa do Requerente, na condição de Prêmio Nobel da Paz e Presidente de Organismo de Tutela Internacional dos Direito Humanos (SERPAJ), cabendo-lhe a tarefa de constatar as condições do enclausuramento do ex-presidente Lula, para que possa dar testemunho se os direitos fundamentais do custodiado estão sendo observados”, diz a petição. A campanha lançada por Esquivel para o Nobel da Paz para Lula já conta com cerca de 230 mil assinaturas, entre elas a do também Nobel da Paz Mohammed El-Baradei. Perez Esquivel já antecipado ao 247 a iniciativa de tentar visitar o ex-presidente Lula. Em entrevista ao colunista do 247 Paulo Moreira Leite, Esquivel disse que, se for impedido pelo juiz Sérgio Moro, irá produzir um inesquecível vexame internacional na reputação de um país que já começa a ser olhado com desconfiança no exterior, depois da deposição de uma presidente eleita e, agora, pela condenação sem prova do candidato favorito as eleições presidenciais marcadas para outubro. “O que fizeram com Lula é uma injustiça”, diz Esquivel, em entrevista pelo telefone ao 247. “Tudo está sendo feito para impedir que ganhe a eleição. Querem que ele desapareça do noticiário, que que se torne invisível”. Leia, abaixo, a petição na íntegra:

Por Lula livre, frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo reforçam acampamentos

 As frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo reforçaram o contingente de pessoas e a programação dos acampamentos de Brasília e Fortaleza. Nesta semana novas ações de rua estão programadas para diversas capitais do país. O acampamento Lula Livre em Curitiba segue como o principal foco de resistência na campanha em defesa da liberdade do ex-presidente Lula, porém é necessário estender as mobilizações e protestos por todo o país, como a ocupação do triplex atribuído ao ex-presidente Lula no Guarujá, no Litoral de São Paulo, ocorrida nesta segunda-feira (16), segundo informou a coordenação das ocupações. O acampamento Lula Livre em Brasília está localizado no ginásio Nilson Nelson, região central do Distrito Federal, integrado por militantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), Via Campesina, Confederação dos Trabalhadores da Agricultura (Contag) e Movimento dos Atingidos Por Barragens (MAB). Caravanas de Minas Gerais, São Paulo, Goias, Tocantins e Mato Grosso estão acampadas desde quarta-feira (11), totalizando um grupo fixo com mais de 600 pessoas. Em Fortaleza, o acampamento Lula Livre está na Praça Murilo Borges, centro da capital cearense. Coordenado pelas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo e cerca de 800 pessoas participam das atividades programadas de forma permanente pelo acampamento. “O povo de Fortaleza tem sido bastante solidário e isso nos anima ainda mais a lutar por Lula”, informou a coordenação da ocupação. “A todo o momento recebemos doações de pessoas ligadas aos nossos movimentos e da população em geral. Chegam aqui alimentos, material de higiene e água”. Em Brasília, foi lançada uma campanha de doações. Itens como arroz, feijão, carne, legumes, verduras, macarrão e vários outros produtos poderão ser entregues em uma tenda específica no acampamento. Quem não puder ir ao local, tem a opção de fazer a doação em dinheiro, que será convertido em alimentos. Neste caso, a pessoa interessada deve acessar o site Vigília Lula Livre e seguir o passo a passo para doação.

ANASTASIA QUER SALVAR TEMER E OS CORRUPTOS BRASILEIROS

 – Um projeto apresentado pelo senador Antonio Anastasia (PSDB-MG), pré-candidato ao governo de Minas Gerais, pode enfraquecer órgãos de controle e salvar a pele de políticos suspeitos de improbidade, na avaliação de procuradores, juristas e auditores, que se uniram pelo veto ao texto. O projeto aguarda apenas a assinatura de Michel Temer para entrar em vigor. Como explica o colunista Bernardo Mello Franco, do Globo, “o texto limita as hipóteses em que os políticos e gestores podem ser processados. Eles passariam a responder apenas em casos de ‘dolo ou erro grosseiro’. Quem for acusado de negligência ou de imperícia ficaria a salvo da lei”. Entre “outras novidades que soam como música para os políticos”. Em seu discurso de defesa, Anastasia usa argumentos nada inovadores: o excesso de regras teria gerado “incerteza” e “imprevisibilidade” para quem administra verbas públicas.

Aécio diz que foi ingênuo ao pedir propina e sugerir matar o primo

 Prestes a virar réu por corrupção, o senador Aécio Neves (PSDB-MG), responsável direto pelo golpe que destruiu o Brasil, publica artigo nesta segunda-feira, em que diz ter sido ingênuo no episódio em que pede R$ 2 milhões à JBS e sugere que as malas sejam entregues a “alguém que a gente possa matar antes de fazer delação” – no caso, o seu primo, Fred Pacheco. Segundo o ministro Luis Roberto Barroso, que integra a turma que deve julgá-lo, há poucas pessoas presas no Brasil com mais provas do que no caso Aécio. “Fui ingênuo, cometi erros e me penitencio diariamente por eles”, diz Aécio. Sua excelência, o fato Por Aécio Neves A narrativa que se impõe como um tsunami no país tende a considerar, de antemão, todos os políticos culpados.Fragmentos de imagens e manchetes repetidos à exaustão definem percepções. Vivemos o tempo da opinião muitas vezes desvinculada da informação. Sou alvo de denúncia em função da delação da JBS. Aos que não conhecem o seu conteúdo, ofereço este esclarecimento. Ofereço mais, ofereço os fatos. No início de 2017, precisei contratar advogados. Era uma despesa inesperada e eu não possuía recursos pessoais para enfrentá-la. Minha mãe colocou então à venda o apartamento em que reside há mais de 35 anos no Rio de Janeiro. Minha irmã, Andrea, ofereceu o imóvel a alguns empresários, inclusive ao senhor Joesley Batista. Ela teve com ele, em toda a sua vida, um único encontro, a meu pedido, motivado por esse assunto familiar que nada teve a ver com política. Mais tarde, de passagem pelo Rio, ela lhe telefonou, convidando-o para conhecer o imóvel. Ele preferiu não ir e pediu um encontro comigo. Felizmente, esse telefonema, omitido pelo delator, foi recuperado pela Polícia Federal. Ele mostra, de forma inequívoca, o objetivo do contato feito: a venda do imóvel. Apesar da relevância, essa informação não foi mencionada na denúncia. Recebi, de boa-fé, o delator no hotel em que estava e, numa conversa criminosamente gravada e induzida por ele, permiti-me usar um vocabulário inadequado e fazer brincadeiras injustificáveis e de enorme mau gosto, das quais me arrependo profundamente. Lamento, especialmente, o que esse episódio acarretou para outras pessoas. Meu primo, Frederico, é uma pessoa absolutamente correta, íntegra e não tem nenhuma responsabilidade pelos fatos ocorridos. Limitou-se a me fazer um favor ao receber um empréstimo pessoal, a mim dirigido, que não tinha nenhuma vinculação com o cargo que ocupo. Reitero a ele e ao seu amigo Menderson, que o acompanhou, o meu pedido público de desculpas pelas consequências que eles e suas famílias vêm sofrendo. Minha irmã, reconhecida até mesmo pelos meus adversários por sua seriedade e correção, foi injusta e covardemente exposta apenas por ter contatado o delator com a intenção de vender um imóvel. Na gravação de que fui alvo, o delator atesta a origem lícita e particular dos recursos e deixa claro — também em depoimento— que partiu dele a decisão de que o empréstimo teria que ser feito em espécie, o que não é ilegal, uma vez constatada a licitude dos recursos. Errei em aceitá-lo. Mas não cometi nenhum crime. Não houve nenhum prejuízo aos cofres públicos. Ninguém foi lesado. Hoje, é fácil reconhecer que o objetivo dessa exigência era gerar as imagens para o seu extraordinário acordo de delação. Os recursos ficaram guardados, esperando serem formalizados, para que eu pudesse pagar honorários de advogados. Como isso não ocorreu, não foram usados e foram entregues à Justiça. Mas vamos às acusações. Sou acusado de corrupção passiva, crime que pressupõe que um agente público receba vantagem indevida em troca de contrapartida. Não houve vantagem indevida, e a própria Procuradoria-Geral da República indicou que não houve nenhuma contrapartida no caso. Na gravação, poucos se recordam de que rechacei prontamente a sugestão, feita por ele , para que apoiasse um nome para a presidência da Vale. A menção a diretorias da empresa se deu como forma de encerrar o assunto introduzido, premeditadamente, por ele. Prova de que essa questão nem sequer foi considerada é que absolutamente nenhuma iniciativa foi tomada nesse sentido. Na minha vida pública, não existe um ato sequer em favor da JBS, o que foi confirmado pelos delatores.Como falar em corrupção onde não existe dinheiro público ou contrapartida? A segunda acusação, de tentativa de obstrução, é também desprovida de fundamento. Basta dizer que o precedente citado em longas 15 páginas para justificar a denúncia contra mim foi arquivado pelo Supremo Tribunal Federal, a pedido da própria PGR. Ou seja, pelos critérios da própria instituição eu não deveria nem sequer estar sendo denunciado. Acusam-me por votos que dei no Senado e por opiniões que externei em conversa particular, sem que tivessem nenhum desdobramento fático. Tenta-se, com isso, criminalizar opiniões e votos de congressistas cujas imunidades são garantidas pela Constituição. De forma seletiva, a denúncia ignora, por exemplo, que cheguei a apresentar emenda alterando o projeto original da Lei de Abuso de Autoridade, defendendo, justamente, o ponto de vista do Ministério Público Federal! É, portanto, com o sentimento de grande impotência que vejo as versões devorarem os fatos.O que me define são os meus 32 anos de vida pública honrada e não os poucos minutos de uma armadilha montada por criminosos. Fui ingênuo, cometi erros e me penitencio diariamente por eles. Mas não cometi nenhuma ilegalidade.Por isso, não esmoreço. Em nome da minha história, da minha família e de todos aqueles que confiaram a mim a esperança de uma Minas Gerais e de um Brasil melhor, sigo em frente, porque sei que a verdade vai prevalecer. Apesar do tsunami. AÉCIO NEVES é senador (PSDB-MG). Foi candidato à Presidência em 2014 e governador de Minas Gerais de 2003 a 2010   O “INGÊNUO” MAIS ESPERTO DO MUNDO Por Rogério Correia Na semana em que provavelmente virará réu por corrupção, o ainda senador Aécio Neves publica artigo hoje na Folha de São Paulo. Nega qualquer ilegalidade. E diz que, se errou, foi por ser “ingênuo”. Aécio é, portanto, o “ingênuo” que aparelhou o governo mineiro, quebrando o