Instrutor do crime. O dano colateral ao Exército que vira polícia

O Estadão dá manchete para algo que não é novo e tende a se agravar à medida em que se repete, ao longo dos anos, o emprego das Forças Armadas como polícia. Por Fernando Brito – Tijolaço “Ex-militares treinam bandidos com táticas do Exército no Rio“, anuncia o jornalão paulista, em matéria assinada por um experiente analista de assuntos militares de sua redação, Roberto Godoy. Como, há 16 anos, Gilberto Dimenstein escrevia na Folha que “Ex-militares treinam tráfico no Rio“, relatando que ” pelo menos 15 ex-militares treinam bandidos, num total de 265 jovens, o equivalente a metade de um batalhão da PM como o do Leblon” Os métodos são parecidos com os que descreve, hoje, Godoy: ” Além de ensinar táticas de guerrilha urbana, sobrevivência na selva e manuseio de armas pesadas, eles usam fardas e granadas exclusivas das Forças Armadas, desviadas do próprio Exército. Os exercícios são feitos nas favelas ou em campos próximos aos morros, em turmas de 14 a 20 alunos”. Os resultados da promiscuidade entre uma força militar e um ambiente criminoso é sempre este, porque acabam saindo dali, depois de oito anos de serviço, homens altamente capazes no manejo de armas e táticas militares e, agora, com contatos e informações que tornam o crime um “mercado de trabalho” atraente. Não é um “palpite”. É dito pelo ministro da Defesa, o general da reserva Joaquim Silva e Luna, lembrando que as Forças Armadas dispensam entre 75 mil e 85 mil reservistas todos os anos. “Esse pessoal passa pelas Forças, é treinado, adestrado, preparado e, quando sai, às vezes volta ao desemprego. E eles podem se tornar vulneráveis nesse momento, podem ser cooptados.” Podem e, como registram as reportagens, são.
Aécio transformou o Brasil numa republiqueta de bananas

– O deputado estadual Rogério Correia (PT) voltou a criticar o senador Aécio Neves (PSDB-MG), arquiteto do golpe parlamentar junto com Michel Temer e com o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (MDB-RJ) para derrubar a então presidente Dilma Rousseff em 2016. “Há um famoso vilão dos desenhos animados chamado Mumm-Ra. Ele é mau, ambiciona conquistar o poder e vale-se de qualquer método para isso. E é um sujeito sozinho, abandonado pelos mais antigos aliados. Aécio a cada dia se torna mais parecido com Mumm-Ra. É o Mumm-Ra da política mineira”, escreveu Correia em sua conta no Facebook.. “A mais nova notícia dá conta que nem um de seus mais antigos aliados, o ex-prefeito de BH Márcio Lacerda, quer Aécio Neves em seu palanque. Merecido destino para aquele que quebrou Minas Gerais, não soube perder uma eleição e, por conta disso, transformou o Brasil numa republiqueta de bananas”, acrescentou. As bancas federal e estadual do PSDB discutiram a possibilidade de os tucanos apoiarem o Lacerda para disputar o governo mineiro foi debatida após encontro das bancadas federal e estadual da sigla, na segunda-feira (26). Tucanos querem o senador Antonio Anastasia como candidato, mas, de acordo com o jornal O Tempo, como ele rejeita a postulação, o partido discute um plano B, em que apoiariam outras legendas.
O cerco que Temer quer impor a Minas Gerais – Por Carlos Lindenberg

Não foi por acaso ou por outra razão qualquer que o governador de Minas, Fernando Pimentel, deixou de atender ao convite do presidente Michel Temer para uma reunião quinta-feira, dia primeiro de março, em Brasília, para tratar de assuntos relacionados com a Segurança Pública, assunto tão em voga face à intervenção no Rio de Janeiro e à posse do ministro da nova Pasta, Raul Jungmann. Dois dias antes, a Secretaria do Tesouro Nacional, quebrou um acordo com o governo de Minas e sorrateiramente bloqueou nada menos de R$ 6 bilhões de repasses federais para o Estado. Ora, para quem está em dificuldades financeiras e que montou uma vasta operação de vendas de prédios públicos e de refinanciamento de dívidas tributárias em busca de maior arrecadação, como aliás sabe o governo federal, bloquear R$ 6 bilhões de repasses é como jogar a água do cantil fora para quem está no meio do deserto. Pois foi o que o presidente Temer fez, ao que se fala por inspiração de seus aliados tucanos no Estado, ate que a ministra Rosa Weber acatou o pedido de liminar do governo mineiro e na terça-feira ordenou o desbloqueio dos repasses e mandou que o Tesouro devolvesse a Minas a primeira parcela, de R$ 222 milhões, que já estava nos cofres da União Ao contestar o bloqueio na justiça, o governo mineiro reagiu também no campo político, cabendo ao secretário Odair Cunha, do Governo, uma espécie de porta-voz de Pimentel, dar uma resposta ao ato considerado hostil do governo federal, afirmando que Minas não aceitou o plano de ajuste fiscal da União, no caso da renegociação da dívida, para não submeter os mineiros à humilhação do tacão federal nem permitir a intervenção de qualquer natureza no Estado. O presidente não gostou de ler nos jornais a resposta do secretário e resolveu tomar satisfações por telefone com o governador Fernando Pimentel. Foi pior: o governador, ainda que polidamente, respaldou a ação do seu secretário – que não falou por falar, claro – e disse ao presidente que enquanto o seu governo continuar tratando Minas com o descaso com que o vem fazendo ao Estado não caberá outra reação senão aquela verbalizada por Odair Cunha. Ou seja, ao buscar lã, Temer saiu tosquiado. E para consolidar sua posição de desconforto com o tratamento que seu governo vem recebendo do governo Temer, Fernando Pimentel se recusou a participar da reunião do presidente com os demais governadores e o novo ministro da Segurança Púbica, quinta-feira, mandando em seu lugar o secretario de Segurança, Sérgio Menezes, que, ao que parece, não gostou muito do que ouviu: dinheiro do BNDES para reequipamento das policias, mas com juros e no prazo de cinco anos. Como os índices de criminalidade no Estado vem caindo há dois anos, com uma ação descentralizada das Polícias Civil e Militar que cobre todo o Estado, é provável que o governo mineiro não aceitará a oferta de crédito com as taxas de juros praticadas pelo BNDES. De qualquer forma, Minas se associará ao esforço dos Estados do Espírito Santo e São Paulo, especialmente, já que faz fronteira com o Rio de Janeiro, agora sob intervenção do Exército na área de Segurança Pública, de maneira que na próxima reunião de Jungmann com os secretários de Segurança de todo o País, o Estado novamente estará presente, já agora na busca de resultados práticos para evitar a entrada pela fronteira mineira de bandidos que por ventura estejam fugindo da ação policial do Exército no Rio de Janeiro. Mas não só isso. Minas vai participar do esforço conjunto que visa interromper a escalada de violência que assola o País, em que o Rio se transformou em símbolo dessa situação, ainda que ocupe o décimo lugar no ranking da violência nacional, trocando informações e experiência com os demais Estados, boa parte deles vivendo agora um novo tipo de ação criminosa, qual seja o assalto com detonação dos caixas eletrônicos de bancos espalhados pelo interior do País. Na verdade, o que Minas vive hoje, do ponto de vista político e financeiro, é uma espécie de cerco que lhe vem sendo imposto pelo governo federal desde que Michel Temer assumiu o poder. Tudo começou com a recusa de Minas em participar do acordo para a renegociação da dívida do Estado com a União, em que o governo federal impunha como condição para a adesão de Minas, a dispensa de servidores, a proibição de novos concursos e o cancelamento dos por ventura em perspectiva de realização, a elevação do percentual da contribuição do funcionalismo estadual ao seu sistema previdenciário e a venda de ativos, principalmente da Cemig. O governo, que recebeu o Estado em 2014 com um déficit orçamentário de R$10 bilhões, recusou a oferta para não sacrificar ainda mais seu pessoal e propôs o encontro de contas entre o que a União deve a Minas e o que Minas deve à União – o que daria ao Estado um troco nada desprezível de R$ 150 bilhões, sendo que 40 por cento desse dinheiro seriam destinados aos municípios, por força da Lei Kandir, de acordo com decisão do Supremo Tribunal Federal. Mesmo assim, o governo Temer recusou a proposta do encontro de contas. Ato seguinte, sem que houvesse escolhido um único mineiro para seu Ministério, e sem ter pisado o pé em Minas desde que assumiu após o golpe que derrubou a presidente eleita Dilma Rousseff, Temer impediu que a Cemig continuasse operando quatros das suas principais usinas hidrelétricas e as vendeu ao capital estrangeiro, complicando a vida da empresa mineira que terá agora de comprar energia, mais cara evidentemente, dos novos donos de suas antigas barragens. Minas, contudo, resiste e se mantém fiel ao disposto pelo condestável presidente do Estado em tempos idos, Antônio Carlos Ribeiro de Andrada, em resposta a uma consulta de Getúlio Vargas sobre a situação de Minas no alvorecer da Revolução de 30: – Minas está onde sempre esteve. E assim continuará, sem arredar o pé, garante o governador Fernando Pimentel. * Carlos
LULA SERÁ INDICADO AO PRÊMIO NOBEL DA PAZ
– O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva será indicado ao Prêmio Nobel da Paz de 2018. A decisão foi anunciada pelo argentino Adolfo Perez Esquivel, que venceu o Prêmio em 1980 e fará a indicação à Academia Sueca, segundo revelou o site Poder 360. “A chegada do PT e Lula à presidência marcou 1 antes e 1 depois para o Brasil, a ponto de se tornar uma referência internacional na luta contra a pobreza. Mais de 30 milhões de pessoas foram resgatadas da pobreza extrema (um país inteiro), a desigualdade diminuiu e o índice de desenvolvimento humano aumentou”, disse Esquivel, em sua página pessoal, Reconhecido no mundo como um dos maiores estadistas de sua época, Lula vem sendo caçado pelo Poder Judiciário brasileiro para que não possa disputar as eleições presidenciais de 2018 – o que também fere a maioria popular, que deseja sua candidatura. O argentino recebeu o Nobel da Paz em reconhecimento à luta pela não-violência em prol da democracia na América Latina. Leia abaixo a entrevista em que Esquivel afirma que o Brasil foi vítima de um golpe branco liderado pelos Estados Unidos. NOBEL DA PAZ: BRASIL SOFREU GOLPE BRANCO E LULA INCOMODA OS EUA Por Eleonora de Lucena, no Tutaméia – Os EUA não querem aliados, querem súditos. Buscam os recursos naturais na América Latina e disseminam golpes para obter governos submissos. Lula incomoda os Estados Unidos ao adotar políticas independentes. É a visão de Adolfo Pérez Esquivel, Nobel da Paz de 1980. Ele almoçou nesta sexta-feira (2/3) em São Paulo com jornalistas, advogados e militantes de direitos humanos. Depois, se encontrou com Lula e disse que vai propor o nome do ex-presidente para o Nobel da Paz (foto Ricardo Stuckert, na pág. inicial). Antes de se reunir com Lula, no início da tarde, Esquivel falou especialmente ao TUTAMÉIA. Disse estar preocupado com o retrocesso nas liberdades cidadãs e na democracia na América Latina. Lembrou dos golpes de Estado brancos, como o que ocorreu no Brasil com a derrubada da presidente Dilma Rousseff –e que segue com os movimentos para proibir a candidatura de Lula. Recordou que esse movimento começou em Honduras (com a queda de Manuel Zelaya), depois aconteceu no Paraguai (deposição de Fernando Lugo) e segue em curso nas tentativas de desestabilização na Venezuela. Citou também o embargo norte-americano a Cuba como parte desse mesmo quadro. Na análise de Esquivel, os Estados Unidos enxergam a América Latina como seu quintal, uma fonte de recursos naturais, e seu plano é sempre de dominação. Citou a reativação da 4ª frota dos EUA como indicador dessa política. E rememorou o histórico tenebroso de interferência norte-americana no continente, quando o país do Norte ajudou a estruturar ditaduras que promoveram torturas e assassinatos. Escultor e arquiteto por formação, Esquivel vivenciou a repressão dos regimes autoritários na América do Sul. Argentino, foi preso pela ditadura em seu país. Militante pelos direitos humanos, recebeu o Nobel da Paz em 1980, quando a região ainda estava sufocada por governos despóticos. Aos 86 anos, é referência mundial no combate a injustiças. Interlocutor do papa Francisco, ele contou ao TUTAMÉIA que o pontífice está muito preocupado com a situação no continente. “Ele é muito atento à pobreza, à fome, ao que se está vivendo. Porque uma democracia significa direitos iguais para todos, e isso não existe”. Crítico do modelo que “privilegia o capital financeiro em relação à vida das pessoas”, ele afirmou, durante o almoço, que propostas de integração regional, de combate à fome e à pobreza não são boas para o sistema de poder. “Se há redistribuição [de renda] não há lucros”, resumiu. Esquivel condenou o que definiu como uma “monocultura das mentes” –a ideologia dominante que propaga ideias favoráveis aos poderosos. Mesmo nesse quadro difícil, ele enfatizou que a resistência é necessária –nos campos social, cultural e político. E acrescentou que a saída para Lula estará na manifestação popular em seu apoio nas ruas. Aos pessimistas, lembrou do poeta e dramaturgo argentino Leopoldo Marechal (1900-1970). Ele dizia que, quando parecemos perdidos em um labirinto, devemos saber buscar a saída. E a saída está em ir para cima.
Para tristeza dos patos, a gasolina aumentou de novo na sexta-feira

São Paulo – A Petrobras anunciou que, com o reajuste que entrará em vigor na sexta-feira, 2, o preço médio do litro da gasolina A sem tributos nas refinarias será de R$ 1,6105, 0,5% acima do valor vigente de R$ 1,6023. O valor médio nacional do litro do diesel A cairá 2,9%, para R$ 1,7495, ante R$ 1,8017. A nova política de revisão de preços foi divulgada pela petroleira no dia 30 de junho do ano passado. Com o novo modelo, a Petrobras espera acompanhar as condições do mercado e enfrentar a concorrência de importadores. Em vez de esperar um mês para ajustar seus preços, a Petrobras agora avalia todas as condições do mercado para se adaptar, o que pode acontecer diariamente. Além da concorrência, na decisão de revisão de preços, pesam as informações sobre o câmbio e as cotações internacionais. Via Agência Estado
Desemprego aumenta, após reforma trabalhista, segundo dados do Pnad e IBGE

– Em vigor desde 11 de novembro, a reforma trabalhista prometia aumentar o número de empregos, segundo seus defensores. Os dados mais recentes do Ministério do Trabalho e do IBGE (Instituo Brasileiro de Geografia e Estatística), contudo, mostraram redução das vagas e uma taxa de desemprego no País que segue alta. O Brasil iniciou 2018 com aumento da taxa de desemprego acima do esperado e do número de pessoas sem trabalho, reflexo das demissões sazonais após as vagas temporárias de final de ano, mas também da reação débil do mercado de trabalho à recuperação econômica. A taxa de desemprego brasileira subiu a 12,2% no trimestre até janeiro de acordo com os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira. O resultado voltou ao mesmo patamar visto no trimestre até outubro do ano passado, depois de a taxa ter ficado em 11,8% no final do ano passado, e veio acima da expectativa em pesquisa da Reuters de 12%. “Não houve retenção plena de pessoas que foram contratadas para as festas de final de ano. Isso é normal. Só em momentos de boom e aquecimento é que os serviços, o comércio e as empresas seguram essas pessoas”, explicou o coordenador da pesquisa, Cimar Azeredo. “Se não fosse o período sazonal, a taxa deveria continuar caindo”, completou Azeredo, explicando que a tendência sazonal deve provocar aumento da taxa até março, mas que o Carnaval em fevereiro foi forte para o setor e pode criar novo efeito. Entre novembro e janeiro, o País tinha 12,689 milhões de pessoas desempregadas, contra contingente de 12,3 milhões no quarto trimestre de 2017 e de 12,921 milhões no mesmo período do ano anterior. Já o número de pessoas ocupadas caiu no período a 91,702 milhões, sobre 92,1 milhões no período anterior e 89,854 milhões no mesmo período do ano anterior. O emprego informal continua ditando a regra no mercado de trabalho, que ainda mostra dificuldades de deslanchar após dois anos de recessão, apesar do cenário de inflação e juros baixos, com recuperação da atividade. Na comparação com o mesmo período do ano passado, o número de trabalhadores no setor privado sem carteira assinada subiu 5,6 por cento e era de 10,987 milhões no trimestre até janeiro. Ao mesmo tempo, o contingente de empregados com carteira caiu 1,7% e foi a 33,296 milhões. A Pnad Contínua mostrou ainda que o rendimento médio do trabalhador foi a R$ 2.169 reais nos três meses até janeiro, sobre R$ 2.161 no trimestre até dezembro e 2.135 reais no mesmo período do ano anterior.
“Taradão” da Câmara de Montes Claros está na corda bamba

– Presidente do PDT de Montes Claros é denunciado por assédio sexual contra uma colega jornalista A Delegacia da Mulher instaurou um inquérito, nesta sexta-feira (2), para investigar uma denúncia de abuso sexual supostamente praticado pelo jornalista Hélio Machado dentro da Câmara de Vereadores de Montes Claros, onde ele ocupa o cargo de chefe do Setor de Comunicação. A vítima seria uma das assessoras da Casa, sua subordinada. A jornalista registrou um boletim de ocorrência na última segunda-feira (26) e foi ouvida na delegacia nesta sexta. O inquérito deve ser concluído em até 30 dias.“Ela nos disse que ele já vinha fazendo ‘gracinhas’ com ela, por meio de comentários, de mensagens. E que no dia do fato, a jornalista estava sozinha na sala onde os dois trabalham, quando o homem chegou e ela perguntou pelo atraso dele já que alguém queria falar com ele. A vítima conta que o suspeito aproveitou a oportunidade para perguntar se ela havia sentido falta dele e, em seguida, passou por trás dela. Neste momento, a jornalista pensou que ele pegaria um café, mas foi agarrada. Segundo a vítima, ele passou a mão na barriga e no peito dela, por cima da roupa, e ainda deu um ‘chupão’ no pescoço, sem possibilidade de defesa”, explicou a delegada do caso, Karine Maia.De acordo com a delegada, a jornalista resolveu denunciar após ser procurada pela esposa do suspeito. “Ela disse que procurou a gerência sem querer contar em um primeiro momento e que até sugeriu que o assunto fosse tratado na Câmara de forma preventiva. Mas, a mulher do acusado a procurou, inclusive muito abalada e jogando uma ‘culpa’ na vítima caso algo ocorresse com ele”, disse a policial.Segundo ela o caso é tratado como estupro, porque, esclarece, crime de assédio é quando há uma tentativa de oferecer algum benefício, como promoção, em troca de sexo. “O caso, mesmo que não tenha tido ‘agressividade explícita’, é de estupro. Ou seja, a vítima foi ‘pega’ de surpresa, sem possibilidade de se defender”, explicou a delegada. A pena para assédio é de 1 a 2 anos e de estupro de 6 a 10 anos.A Câmara instaurou sindicância e criou uma comissão especial, formada por três servidores efetivos, com apoio jurídico, para apurar a denúncia. A portaria foi publicada no Diário Oficial na terça-feira (27). O suspeito está afastado de suas funções durante as apurações. O prazo para conclusão é de 60 dias, podendo ser prorrogado.Em nota, o presidente da Câmara, Cláudio Prates (PTB), informou que assim que soube do caso tomou todas as medidas necessárias para averiguação do fato. Os dois envolvidos são contratados, sendo que o suposto agressor trabalha no local há mais de 20 anos.Atualmente, o setor de comunicação da Câmara é composto por cinco funcionários e um estagiário. Após o fato, a jornalista pediu para ser liberada por alguns dias do trabalho, em função do abalo emocional. O que dizem os envolvidosPor telefone, o chefe do setor e acusado disse que está sendo vítima de perseguição política e de linchamento em redes sociais, antes de qualquer resultado de apuração.“Eu tenho 23 anos de Casa e não tenho nenhum registro de má conduta. Quem me conhece sabe que eu não seria capaz disso. O que aconteceu foi apenas um cumprimento normal, do dia a dia. Trata-se de perseguição de uma corrente política que quer me prejudicar. O fato de eu ter assumido a chefia do setor também faz com que muita gente tente me prejudicar. Eu estou muito tranquilo e sossegado quanto aos procedimentos. A própria apuração da Câmara vai chegar à verdade”, disse.Ele esclareceu também que não sabia da representação da vítima na Delegacia da Mulher. “É um direito dela e nós vamos nos defender para esclarecer os fatos e provar que estamos sendo vítima”, concluiu.O depoimento da jornalista durou duas horas e ela estava sozinha no momento que foi ouvida pela equipe da delegacia. “Eu me sinto mal com tudo isso. Vejo alguns olhares, já ouvi coisas absurdas, inclusive, de mulheres dizendo que isso é normal e que acontece mesmo. Eu me sinto ameaçada, já que meu agressor está dizendo que pode se matar. Então, o que impede ele de fazer algo contra mim? Mas também me sinto amparada pela minha classe, pelos meus amigos que me deram toda força para continuar. Não é fácil denunciar, não é fácil não se culpar. Mas acredito que, infelizmente, eu estou sendo exemplo para muitas, pois isso é comum no nosso cotidiano”, disse a jornalista. Com informações do G1 Trenzinho da AlegriaHélio Machado é passageiro do Trem da Alegria da Câmara Municipal de Montes Claros. A manobra faz com que não seja realizado concurso público na Casa há mais de 20 anos. Relembre o casoEm março de 2002, um projeto de lei da ex-vereadora Rita Vieira efetivava, sem concurso público, três funcionários da Câmara de Montes Claros. Hélio Machado estava entre eles, no cargo de Assessor de imprensa. O objetivo seria regularizar o quadro de cargos e carreira da Câmara. O projeto tinha a seguinte redação: “Os servidores nomeados para os cargos constantes do caput deste parágrafo, há mais de 5 (cinco) anos, ficam efetivados nos respectivos cargos que estejam, mantendo-se os atuais níveis e classes salariais”.Os beneficiados foram o assessor Heron Domingues, o jornalista Hélio Machado e o advogado Luciano Braga, com vencimentos de R$ 11 mil, cada, incluídos os benefícios. Outros servidores que estão no legislativo há mais de 15 anos foram deixados de fora do “acordo”, criando revolta. “Tudo foi feito em sigilo absoluto, com o projeto sendo aprovado sem parecer da Comissão de Constituição e Justiça, e também em regime de urgência, durante o envolvimento da população com a Copa do Mundo”, denunciaram.
VOZ DO POVO: PARA 56%, CONDENAÇÃO DE LULA FOI POLÍTICA

– Pesquisa do instituto Vox Populi para a Central Única dos Trabalhadores (CUT), divulgada nesta sexta-feira, 2, mostra que 56% dos brasileiros acham que o processo e a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foram políticos, porque muita gente não gosta dele. Já para 32%, o processo foi normal, sem misturar questões jurídicas com políticas. Outros 13% não souberam ou não responderam. Segundo a pesquisa CUT/Vox, para 40% dos brasileiros, os juízes do TRF-4 não provaram nada contra Lula. Outros 34% acham que os juízes provaram e 27% não souberam ou não quiseram responder. Entre dezembro e fevereiro aumentou de 40% para 46% o percentual dos entrevistados que acham que os juízes tratam Lula de maneira mais dura, se comparada ao tratamento que dão a outros políticos, como Michel Temer (MDB-SP) e Aécio Neves, senador do PSDB-MG. Já o percentual dos que acreditam que Lula é tratado com o mesmo rigor que os outros, caiu de 43% para 40% no mesmo período. 48% dos brasileiros acham que quem tem de julgar Lula é o povo, nas urnas, e não Moro ou outros juízes – 41% discordam e 11% não sabem ou não quiseram responder. A CUT/Vox quis saber dos brasileiros se eles acham que Lula tem o direito de se candidatar a presidente nas eleições deste ano, independentemente de votarem ou não no ex-presidente. Para 54% Lula deveria e tem o direito de ser candidato, apesar da condenação que pode impedi-lo de concorrer nas próximas eleições. Outros 37% acham que Lula deveria ser impedido e 9% não souberam ou não quiseram responder. Segundo a pesquisa, 52% dos entrevistados acham que Lula vai ser candidato. Outros 33% não acreditam nessa possibilidade e 15% não sabem ou não responderam. Perguntados se a condenação de Lula foi justa e baseada em provas e que, portanto ele deveria ser preso, 49% responderam que o ex-presidente não deveria ser preso; 36% que deveria e 16% não sabem ou não responderam. Para 48% dos entrevistados, Lula e qualquer pessoa tem direito a só ser presa se a condenação for confirmada pelos tribunais superiores. Outros 28% acham que a prisão deve ser feita após condenação por um tribunal de recursos, como aconteceu no TRF-4, e 24% não souberam ou não quiseram responder. Para 26% Lula só deve ser preso se for condenado pelos tribunais superiores. Outros 28% acham que Lula deveria ser preso imediatamente e 12% não souberam ou não quiseram responder. Lula vai ser preso? A maioria dos entrevistados, 52% acha que Lula não vai ser preso; 29% que vai e 19% não souberam ou não quiseram responder. A pesquisa CUT/Vox Populi fez 2000 entrevistas, em 118 municípios. Estratificação foi por cotas de sexo, idade, escolaridade e renda. A margem de erro é de 2,2 %, estimada em um intervalo de confiança de 95%. Foram entrevistados brasileiros com mais de 16 anos, residentes em áreas urbanas e rurais, de todos os estados e do Distrito Federal, em capitais, regiões metropolitanas e no interior, de todos os estratos socioeconômicos. (Brasil 247, Com informações da CUT)
Disciplina sobre o golpe dispara nas Universidades do Brasil

– Pelo menos 13 universidades públicas brasileiras irão oferecer a disciplina sobre o golpe parlamentar de 2016, idealizada pelo professor da UnB Luis Felipe Miguel. Na UnB, a disciplina “Tópicos Especiais em Ciência Política 4: O golpe de 2016 e a democracia”, do professor Luís Felipe Miguel, ficou lotada e com lista de espera. Clique aqui para ler a ementa divulgada e os textos que serão debatidos. Veja, abaixo, as universidades que terão aulas sobre o “Golpe de 2016”: UnB (Universidade de Brasília); UFBA (Universidade Federal da Bahia); UFAM (Universidade Federal do Amazonas); Unicamp (Universidade Estadual de Campinas); UEPB (Universidade Estadual da Paraíba); UFMS (Universidade Federal do Mato Grosso do Sul); USP (Universidade de São Paulo); UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul); UFC (Universidade Federal do Ceará); UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte); UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina); UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora); UFSJ (Universidade Federal de São João del-Rei). A oferta provocou reação do ministro da Educação, Mendonça Filho, que chegou a dizer que enviaria ofício a vários órgãos de controle para que seja analisada a legalidade do curso oferecido pela UnB. A Comissão de Ética da Presidência abriu processo contra Mendonça Filho para ele explicar se ameaçou a autonomia da UnB ao anunciar o recurso contra a disciplina.
MADURO AUMENTA EM 58% O SALÁRIO MÍNIMO DA VENEZUELA

– O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou ontem (quinta-feira 01/02) um aumento de 58% no salário mínimo, justificado por ele como uma medida para proteger os trabalhadores do país, em meio a uma grave crise política e econômica, segundo informou a Reuters. “Decidimos aumentar o salário mínimo e as tábuas salariais em 58%”, disse Maduro em seu Twitter. “Em breve, alcançaremos o alvo de 100% de pensionistas na Venezuela!”, acrescentou. Com esse aumento, o segundo do ano, o salário venezuelano passa de 248.510 bolívares para 392.646. Levando-se em conta que, somado a ele, haverá um bônus de alimentação que, com um aumento de 67%, chegou a 915.000 bolívares, o rendimento integral básico de cada trabalhador deverá ser de 1,3 milhões de bolívares mensais, algo em torno de 36, 5 dólares. “Nas semanas e meses que estão por vir, seguirei fazendo um esforço para que o salário real dos trabalhadores, o salário mínimo, esteja acima, acima, no combate, na guerra que temos contra os especuladores”, afirmou o presidente.