É a percepção do povo, estúpido! Por Laurez Cerqueira

 Diálogo num posto de gasolina: – Ponha vinte contos. – Cartão ou dinheiro? – Dinheiro. Não tenho mais cartão. – A gasolina tá cara, né? – Rapá! E o gás? – Tiraram a Dilma dizendo que ia melhorar, mas piorou! … Aqui no posto é carteira assinada? – Era. O patrão demitiu todo mundo. Agora a gente trabalha por hora. – Na padaria, onde eu trabalho, também. Até eu, padeiro, trabalho por hora. – Todo mundo aqui está recebendo metade do que recebia com carteira assinada. E não tem mais tiket alimentação, transporte, férias, décimo terceiro, aquelas coisas que tinham, né? – Voltou a escravidão. – Eu sou solteiro, me viro, mas já pensou quem tem mulher e filhos? – Meu patrão é mau. Vive gritando com a gente como se nós fossemos escravos. Só falta o chicote. – O meu, nem aqui vem. Ele tem 12 postos de gasolina. Botou um gerente que anota até o tempo que a gente vai ao banheiro. Desconta tudo. Chega no fim do dia a gente recebe sem saber quantas horas trabalhou. – Rapá! Lá na padaria também está assim. E se reclamar vai demitido. Tem hora que eu fico tão nervoso, revoltado, que me passa umas coisas malucas na cabeça. – É muita humilhação! A gente virou escravo mesmo. Não temos mais direitos. Tive que vender meu Monza. Meu ganho aqui caiu muito. A gasolina e o gás diapararam, e eu não estava conseguindo pagar conta de celular e as prestações. – Escravidão? Mate o patrão! – Tá doido, véi! – Não estou doido não. Hoje mesmo o gerente me chamou pra conversar. Disse que eu estou muito lerdo, que tem muita gente querendo meu lugar. Eu me matando de trabalhar, chego em casa morto de cansado, no dia seguinte pego dois ônibus, venho pra cá e fico ouvindo essas coisas do gerente o dia inteiro, ganhando uma miséria. Tem hora que dá vontade mesmo, de fuzilar. – Eu, tenho que chegar na padaria quatro horas da manhã, e é a mesma coisa: o patrão gritando comigo e me ameaçando. Tem hora que dá vontade mesmo. (*) O gerente grita com o frentista, manda ele encerrar o atendimento e o chama para lavar carro, no Lava-Jato. A gangorra política está se invertendo. O manto da mentira, que cobria o golpe de estado, se esfarrapou. A reforma trabalhista, a terceirização, e a perseguição implacável da “operação Lava-Jato” ao ex-Presidente Lula, parecem ser os fatores causadores do maior desgaste do golpe, na opinião pública, por baterem na porta das casas dos trabalhadores brasileiros como anúncio de empobrecimento, de roubo da renda e de direitos, e pelo fato de juízes e procuradores mergulharem a justiça no pântano da descrença nas instituições. A divulgação da folha de pagamento mostrando a corrupção de juízes, desembargadores e procuradores recebendo muito acima do teto salarial determinado por lei tem causado revolta e indignação na sociedade, e, evidentemente, a perda de confiança e respeito pela justiça, um dos mais preciosos bens da democracia. A demissão em massa, em todo o país, de quem tinha carteira de trabalho assinada, para contratação em regime de trabalho intermitente (por hora), está reduzindo drasticamente o ganho dos trabalhadores e bloqueando a mobilidade social. Enquanto isso, a mídia mente, afunda também no descrédito, dizendo que a economia está crescendo e o Brasil saindo da crise. Os órgãos que cuidam das informações oficiais, por sua vez, desmentem o noticiário. A construção civil, por exemplo, setor que mais emprega, teve uma queda neste ano de 6%, com demissão de 105 mil empregados. O setor de serviços, até outubro já havia acumulado queda de 3,4%. Na comparação do acumulado no ano até setembro de 2017 e igual período de 2016, a queda da indústria chega a 3,4%. As mentiras do juiz Sérgio Moro e do procurador Deltan Dallangnol também estão na praça, à luz do dia. A injustiça deles está nua. Ficaram claras a perseguição ao ex-Presidente Lula e a proteção a Aécio Neves, um dos principais conspiradores do golpe, e dos tucanos envolvidos em corrupção, todos impunes. A credibilidade da “operação Lava-Jato” e de Sérgio Moro estão ruindo, segundo pesquisa do Instituto Ipsos, enquanto o ex-Presidente Lula dispara na preferência do eleitorado, em todos os institutos de pesquisa, podendo ser eleito no primeiro turno das próximas eleições. É sintomático o fato de os magistrados do Tribunal Federal de Recursos (TRF-4) apressarem o julgamento do recurso do ex-Presidente Lula contra a decisão do juiz Sérgio Moro de condená-lo, sem provas, e marcarem para o próximo dia 24 de janeiro. Eles perceberam o desmoronamento da credibilidade da Lava-Jato. Outro fato relevante foi a atitude do procurador Deltan Dallangnol, que, por não conseguir nenhuma prova, recusou os recibos originais e periciados apresentados pelos advogados de defesa, de pagamento do aluguel de um apartamento que prova não ser o ex-presidente proprietário do imóvel. Por outro lado, as redações da grande mídia se desesperam. Recorrem ao estoque de mentiras e crueldades de autoridades da Lava-Jato para disseminar, dia e noite, ódio contra o ex-Presidente Lula, a fim de legitimar as ações de Moro e Dallangnol. Âncoras e comentaristas, nas telas, não se conformam e não conseguem conter a aflição ao verem a gangorra virar contra eles. Se fosse apenas um ou outro instituto de pesquisa que tivesse revelado a opinião pública e a avaliação política dos brasileiros sobre o golpe, a operação Lava-Jato e a preferência eleitoral para a próxima eleição, poderia até ser questionado. Mas são todos os institutos de pesquisa que demonstram claramente uma mudança rápida e radical da percepção da população sobre o que está acontecendo no Brasil. Por mais dinheiro que Temer tenha injetado nas grandes corporações de mídia, para garantir apoio ao golpe, a realidade se impõe e o povo percebe o jogo político. Os grupos Abril e Globo, por exemplo, andam mal, beirando o precipício, tendo que reduzir custos, mais uma vez, e demitir empregados. A revista encalha nas bancas e os telejornais despencam os

Casal Ruy e Raquel Muniz foi condenado pela Justiça Federal

 Segundo decisão, os golpistas Ruy e Raquel praticaram improbidade administrativa ao pressionar auditores-fiscais da Receita Federal  O Tribunal Regional Federal (TRF1) em Montes Claros condenou o ex-prefeito Ruy Muniz e a esposa dele, a deputada federal Raquel Muniz (PSD), por improbidade administrativa. Pela decisão, a Justiça pede multa no valor de R$ 30 mil, suspensão dos direitos políticos dos dois por três anos e a proibição de contratar com o poder público pelo prazo três anos. Segundo a decisão do juiz Jefferson Ferreira Rodrigues, expedida no último dia 19 de dezembro, o casal teria utilizado de forma explícita, e pública, a influência dos seus cargos para pressionar auditores fiscais da Receita Federal, com o objetivo de promover os interesses do grupo econômico que seriam os verdadeiros proprietários. A sentença destaca especificamente quanto à liberação de equipamentos médicos adquiridos na Alemanha e apreendidos pela alfândega por suposta prática de interposição fraudulenta. Na apuração da Justiça, Ruy e Raquel são os verdadeiros donos e gestores das associações AMAS Brasil e Soebras, além do Hospital Mário Ribeiro da Silveira, para onde os equipamentos médicos seriam destinados. O Ministério Público Federal (MPF) é o responsável pela Ação Civil Púbica. Entenda o caso Na ação, o MPF aponta que Ruy e Raquel visavam favorecer seu grupo empresarial, que atua na área da saúde e educação, após terem comprado equipamentos em uma empresa da Alemanha. Segundo o MPF, “para se esquivarem do pagamento de tributos de importação” o prefeito (à época) e a deputada usaram o nome da Associação Mantenedora de Estabelecimentos Escolares, Promoção e Ação Social (Amas). Ao chegarem ao Porto de Santos (SP) os equipamentos foram apreendidos pela Receita Federal. Segundo a ação, foi constatada “a ausência de capacidade financeira da AMAS para o processo de importação”. O casal teria então tentado endossar as mercadorias da AMAS para a Soebras, para conseguir a liberação, mas o pedido foi negado pela Receita Federal. Por isso, segundo o MPF, os acusados passaram a pressionar, intimidar e violar competências legais de auditores-fiscais da Receita Federal. A denúncia aponta ainda que Ruy Muniz tentou, junto à cúpula da Receita, substituir o responsável pela fiscalização. Segundo o MPF, a motivação seria porque o delegado em Montes Claros “não se vergara às suas pressões para satisfação de interesses privados”. Com informação do G1 Grande Minas

O dedo do Lula – Por Emir Sader

 Dois ídolos do ódio racista que a direita promoveu no Brasil, Jair Bolsonaro e Sergio Moro, usaram o dedo do ex-presidente Lula para expressar seus valores. Bolsonaro imprimiu e difundiu camisetas em que aparece a mão de Lula com quatro dedos, explorando o defeito físico do maior líder popular que o Brasil já teve. Moro, conversando com seus comparsas, se refere ao maior dirigente político que o país tem como “nine”, uma forma depreciativa de mencionar Lula. Condenou Lula, sem provas, a nove anos e meio, achando que era uma ironia sobre os dedos de Lula. São duas formas de expressão em que se revelam personalidades desprezíveis, odiosas, execráveis, de preconceito e de tentativa de desqualificação de um líder popular, de um operário, de um imigrante nordestino. Coisas que incomodam profundamente a direita brasileira e por isso ela se expressa, através de seus lideres, dessa forma. Expressam bem o que é a elite branca brasileira do centro sul, que se considera dona do país e sempre buscou tratar aos outros – os de origem popular, os do Nordeste, os trabalhadores como bárbaros, selvagens, “mal informados”, como disse o outrora líder dessa gente, o FHC. A sociedade brasileira teve sempre a discriminação como um dos seus pilares. A escravidão, que desqualificava, ao mesmo tempo, os negros e o trabalho – atividade de uma raça considerada inferior – foi constitutiva do Brasil, como economia, como estratificação social e como ideologia. Uma sociedade que nunca foi majoritariamente branca teve sempre como ideologia dominante a da elite branca. Sempre presidiram o país, ocuparam os cargos mais importantes nas FFAA, nos bancos, nos ministérios, na direção das grandes empresas, na mídia, na direção dos clubes, nas universidades, nos governos – em todos os lugares em que se concentra o poder na sociedade, estiveram sempre os brancos. A elite paulista e do sul do país representa melhor do que qualquer outro setor esse ranço racista. Nunca assimilaram a Revolução de 30, menos ainda o governo de Getúlio Vargas. Foram derrotados sistematicamente por Getúlio e pelos candidatos que ele apoiou. Atribuíam essa derrota aos “marmiteiros” – expressão depreciativa que a direita tinha para os trabalhadores, uma forma explícita de preconceito de classe. A ideologia separatista de 1932 – que considerava São Paulo “a locomotiva da nação”, o setor dinâmico e trabalhador, que arrastava os vagões preguiçosos e atrasados dos outros estados – nunca deixou de ser o sentimento dominante da elite paulista em relação ao resto do Brasil. Os trabalhadores imigrantes, que construíram a riqueza de São Paulo, eram todos “baianos” ou “cabeças chatas”, trabalhadores que sobreviviam morando nas construções – como o personagem que comia gilete, da música do Vinicius e do Carlos Lira, cantada pelo Ari Toledo, com o sugestivo nome de pau-de-arara, outra denominação para os imigrantes nordestinos em São Paulo. A elite paulista foi protagonista essencial nas marchas das senhoras com a igreja e a mídia, que prepararam o clima para o golpe militar e o apoiaram, incluindo o mesmo tipo de campanha de 1932, com doações de joias e outros bens para a “salvação do Brasil” – de que os militares da ditadura eram os agentes salvadores. Terminada a ditadura, tiveram que conviver com Lula como líder popular e o Partido dos Trabalhadores, contra quem canalizaram seu ódio de classe e seu racismo. Lula é o personagem preferencial desses sentimentos, porque sintetiza os aspectos que a elite paulista mais detesta: nordestino, não branco, operário, esquerdista, líder popular. Não bastasse sua imagem de nordestino, de trabalhador, sua linguagem, seu caráter, está em sua mão: Lula perdeu um dedo não em um jet-sky, mas na máquina, como operário metalúrgico, em um dos tantos acidentes de trabalho cotidianos, produto da super exploração dos trabalhadores. Está inscrito no corpo do Lula, nos seus gestos, nas suas mãos, sua origem de classe. É insuportável para o racismo da elite branca brasileira. Essa elite racista teve que conviver com o sucesso dos governos Lula, depois do fracasso do seu queridinho – FHC, que saiu enxotado da presidência – e da sua sucessora, Dilma Rousseff. Teve que conviver com a ascensão social dos trabalhadores, dos nordestinos, dos não brancos, da vitória da esquerda, do PT, de Lula, do povo. O ódio a Lula é um ódio de classe, vem do profundo da burguesia paulista e do centro sul do país e de setores de classe média que assumem os valores dessa burguesia. O anti-petismo é expressão disso. Os tucanos foram sua representação política e a mídia privada seu porta-voz. Da discriminação, do racismo, do pânico diante das ascensão das classes populares, do seu desalojo da direção do Estado, que sempre tinham exercido sem contrapontos. Os Cansei, a mídia paulista, os moradores dos Jardins, os adeptos de FHC, de Serra, de Moro, dos otavinhos – derrotados, desesperados, racistas, decadentes. Na crise atual, a burguesia e setores da classe média do centro sul protagonizaram algumas das cenas mais vergonhosas da história brasileira, nas manifestações contra a democracia, a favor do golpe e da ditadura militar, exibindo suas dimensões mais fascistas e discriminatórias. Colocavam pra fora o ódio contra os que tinham regulamentado o trabalho das empregadas domésticas, que já não serviriam à opressão e à exploração indiscriminada das patroas. Contra os que tinham transformado o Nordeste, que tinham aberto as universidades para os jovens pobres, contra os que tinham permitido aos pobres de viajar para ver seus parentes ou para fazer turismo. Contra os que fizeram do Brasil um país menos injusto, menos desigual, contra os que tiraram o país do Mapa da Fome, a que as elites brancas tinham condenado o povo para sempre. E Lula sempre foi e continua sendo a expressão mais alta desse movimento de democratização social do Brasil. Gente como Bolsonaro e Moro ofendem a Lula porque sabem que assim ofendem ao povo, aos trabalhadores, aos nordestinos. Tentam desconhecer que a indústria brasileira foi construída com as mãos de operários como Lula, que os carros em que eles passeiam foram construídos por trabalhadores como Lula.

A nova lei trabalhista é um verdadeiro paraíso dos patrões

 Após a reforma da CLT, os direitos dos trabalhadores estão indo para a lata do lixo  Tendo entrado em vigor em 11 de novembro, a nova lei trabalhista – aprovada na reforma, com votos da deputada Raquel Muniz e de Saraiva Felipe, além de outros 27 deputados mineiros – mostra cada vez mais sua natureza golpista, desenvolvida sob a necessidade de manter-se o lucro de uma parte do empresariado nacional. Logo no primeiro dia de implementação da Lei, a Justiça condenou um empregado a pagar R$ 8,5 mil por ele ter acionado a Justiça, segundo o entendimento do juiz do caso, com má-fé, supostamente com intenções ruins contra seu patrão. O medo imposto ao trabalhador de ter de pagar multa consiste em um obstáculo ao livre acesso à Justiça, o que ao fim e ao cabo favorece tão somente aos patrões.Em diversos outros aspectos a nova legislação trabalhista é trágica e anti-popular. Um caso recente elucida de maneira concreta que a nova legislação trabalhista serve aos patrões em detrimento da situação econômica e jurídica dos trabalhadores. Trata-se da possibilidade de demissões em massa impostas pelo patrão sem acordo com os sindicatos. É o caso da Universidade Estácio de Sá, que demitiu cerca de 1200 professores com o intuito de recontratar professores com salários mais baixos e em regimes mais “flexíveis” permitidos agora pela nova legislação. As demissões tinham sido suspensas por uma liminar do Ministério Público do Trabalho (MPT), mas a decisão do desembargador deferiu um mandado de segurança impetrado pela instituição e autorizou a homologação das dispensas.Na próxima eleição, não se esqueça dos deputados que votaram para acabar com seus direitos. Em Minas Geias, são eles:– Aelton Freitas – PR– Bilac Pinto – PR– Brunny – PR– Caio Narcio – PSDB– Carlos Melles – DEM– Delegado Edson Moreira – PR– Domingos Sávio – PSDB– Eduardo Barbosa – PSDB– Fábio Ramalho – PMDB– Franklin Lima – PP– Jaime Martins – PSD– Leonardo Quintão – PMDB– Luis Tibé – PTdoB– Luiz Fernando Faria – PP– Luzia Ferreira – PPS– Marcelo Aro – PHS– Marcos Montes – PSD– Marcus Pestana – PSDB– Mauro Lopes – PMDB– Misael Varella – DEM– Newton Cardoso Jr – PMDB– Paulo Abi-Ackel – PSDB– Raquel Muniz – PSD– Renzo Braz – PP– Rodrigo de Castro – PSDB– Rodrigo Pacheco – PMDB– Saraiva Felipe – PMDB– Tenente Lúcio – PSB– Toninho Pinheiro – PP

Petrobras anuncia novo aumento na gasolina

 A Petrobras anunciou novo reajuste de 1,1% para a gasolina e de 0,5% para o diesel, que começa a valer hoje. O último aumento havia sido na quinta-feira, com a gasolina subindo 1,4% e o diesel, 0,7%.  O diretor do Centro Brasileiro de Infra-estrutura (CBIE), Adriano Pires, explicou que essa instabilidade de preços nos combustíveis é normal e esperada desde a nova política de preços da Petrobras, iniciada em 3 de julho. Os ajustes passaram a acompanhar o mercado internacional. Para ele, essa fórmula estimula a concorrência e os consumidores terão de buscar postos que estejam com promoções. “O petróleo é uma commodity, então, quando aumenta no mercado, é normal que isso seja repassado e o consumidor sinta pesar um pouco o bolso”, disse.Porém, não custa relembrar do histerismo dos coxinhas, principalmente dos caminhoneiros, quando tinha qualquer aumento de combustível na época da presidenta Dilma. Veja por exemplo, como a Globo tratou preço da gasolina com Dilma e como trata com TemerSem palavras.

Maus caminhos: pau que bate em José Melo não bate em Aécio

 O ex-governador do Amazonas José Melo, que é do Pros, foi preso acusado de comprar votos e de ter usado dinheiro público para asfaltar o acesso ao sítio de sua propriedade. Enquanto isso, o ex-governador de Minas Aécio Neves, acusado de construir um aeroporto em sua fazenda, e que é do PSDB, continua solto.  A Polícia Federal (PF) prendeu nessa quinta-feira (21), em Manaus, o ex-governador do Amazonas José Melo (Pros), cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por compra de votos nas eleições de 2014. A prisão temporária, inicialmente por um prazo de cinco dias, faz parte da operação Estado de Emergência, terceira fase da operação Maus Caminhos, que investiga desvios de agentes públicos no Amazonas.Melo é suspeito de ser um dos políticos que receberam propina, originada de valores desviados do Fundo Estadual de Saúde, para direcionar contratos, liberar pagamentos e acobertar os crimes praticados no sistema de saúde do estado. Segundo a PF, os fatos envolvendo o ex-governador na operação, que começou em 2016, “somente apareceram após o avanço da investigação e dão conta de que este recebia pagamentos periódicos dos membros da organização criminosa”.Enquanto isso, o ex-governador Aécio Neves construiu um Aeroporto feito com dinheiro público em área da família de Aécio quando governou Minas Gerais. Trata-se do aeroporto de Cláudio (cidade de 25 mil habitantes) por 14 milhões pagos pelo governo do estado Cocaína – Também ninguém fala mais nada sobre o helicóptero apreendido com 600 quilos de cocaína. De quem era aquela droga? Tudo bem, era do piloto e ponto final. Outra caso emblemático foi o Lunus, que acabou com a candidatura de Roseana Sarney e favoreceu José Serra na disputa de 2002. Desde o governo Collor, a velha mídia passara a se valer de dossiês, falsos ou verdadeiros, relevantes ou meros factóides, como ferramenta do jogo político. O auge se deu no episódio Lunus. Roseana Sarney começara a crescer vigorosamente nas pesquisas eleitorais que antecederam a escolha do candidato do governo de FHC. Em determinado dia seu escritório de campanha foi invadido pela Polícia Federal e Ministério Público, acompanhados de jornalistas – especialmente da TV Globo. Posteriormente, constatou-se que tanto do lado da PF quanto do MP, estavam envolvidos funcionários públicos diretamente ligados ao pré-candidato José Serra. A exposição do dinheiro encontrado liquidou com a candidatura de Roseana e selou o rompimento da aliança PSDB-PFL (DEM).O intuito de FHC era montar um plano B em que o presidente da Câmara, Aécio Neves (PSDB-MG), encabeçaria uma chapa presidencial com o PFL (DEM), caso os pefelistas desistissem da disputa e recusassem apoio a Serra.

É isso a “salvação do Brasil”?

 Ser de esquerda, revolucionário, transformador, ao longo da história, foi algo que sempre significou ter um alto sentimento de humanidade. Por Fernando Brito Tijolaço Mesmo quando a esquerda, em momentos revolucionários, usou da violência ela não foi – ou não deveria ter sido – gratuita e sádica. O que Maluf roubou ao longo de sua trajetória política, roubado está e roubado continua. Só dos casos de desvios de dinheiro de sua passagem pela prefeitura paulistana, alguns chegam a estimar que, corrigidos, chegam a US$ 1 bilhão. A multa que lhe foi imposta pouco passa de R$ 1 milhão. E isso só é citado ou tratado no rodapé das sentenças e do noticiário. O essencial é esta cena sádica que, acima, reproduzo do Estadão. Há gente que se compraz em levar um caco humano, decrépito, para um cárcere. Não, não há o que possa fazer de gente dotada de sentimentos humanos de sentir prazer nisso. O gestor de Estado e de seu poder coercitivo – e o juiz é um deles – deve reger-se pelo interesse público e não há nem pode haver interesse público em levar um quase moribundo a uma cela prisional. Se algum moralista ou patrulheiro quiser xingar-me, que xingue. Sadismo, para mim, não é jamais justiça. Maluf, a esta altura, deve ir para o lixo político, não para a Papuda. Está para morrer e morrer como vítima de gente má é uma honra que Maluf não merece. Se algo lhe deve ser tirado, devem ser os milhões, não direito de cambalear, capengando numa bengala. Se aceitamos, contra os nossos mais abjetos adversários, como ele, o escracho de um ser humano decrépito e incapaz, tornamo-nos também abjetos. E ajudamos a formar uma sociedade de sádicos, de maus, de impiedosos. E o ódio não é salvação, mas danação da qual é difícil livrar-se. E num mundo assim não vale a pena viver, senão como um covarde como Luís Edson Fachin, um cristão que crê em Cristo muito menos do que este ateu que aqui escreve.

A “emenda Gilmar Mendes” é marola. É inconstitucional.

 – A “emenda constitucional” do “cidadão” Gilmar Mendes, noticiada em alguns jornais, é um factóide e uma aberração. –  Factóide porque não existe a menor possibilidade de que um “cidadão” – nem mesmo um “supercidadão” como o Ministro, propor emenda à Constituição. Por Fernando Brito – Tijolaço O artigo 60 da Constituição Federal é claríssimo ao afirmar que só o presidente da República, um terço, no mínimo, dos membros da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal ou a metade das Assembléias Legislativas dos Estados o podem fazer. Gilmar é muito poderoso, mas não tudo isso. Juridicamente, é apenas uma “cartinha” ao Senado, com o mesmo valor de uma que eu ou você resolvêssemos escrever. Politicamente, claro, tem outro peso. É um “balão de ensaio” cavilosamente lançado por Michel Temer para despertar a ambição de mando total dos parlamentares, que se assenhorariam formalmente do Poder Executivo. Essa, a aberração. A proposta não tem o mínimo de realismo político, faz tanto sentido quanto a possibilidade de que os eleitores escolhessem, se este fosse o candidato a presidente, um traste como Temer ou o próprio Gilmar como cabeça de chapa presidencial Fala em “dissolução da Câmara dos Deputados” pelo Presidente, coisa com a qual duvi-de-o-dó alguma maioria parlamentar venha a concordar, exceto se estabelecida num processo de confronto por uma Constituinte eleita para uma reforma política, distinta do Congresso Nacional. Trata-se de uma flor – e ainda com odor nauseante – do recesso parlamentar, como dizia, nos anos 80, Thales Ramalho, o avô do “Centrão”. A “Emenda Gilmar” não existe, mas suas intenções, sim. Não é difícil imaginar o que daria um monstrengo destes: em 2014, ninguém menos que Eduardo Cunha seria consagrado como Primeiro-Ministro, e fácil. Corresponde ao desejo da camada fisiológica da política de retirar do povo o poder de escolher os governantes, entregando-o aos “homens çábios“. O mais trágico nisso é que estamos na dependência de um tipo abjeto como Gilmar para dizer o óbvio diante de situações de arbítrio, como na proclamação do óbvio de que condução coercitiva só pode ser feita quando o cidadão recusa o comparecimento espontâneo à polícia. Está claro que não o faz por consciência jurídica, mas porque faz parte do seu enfrentamento aos arroubos de poder policialesco do MP e da ala MM (Medíocres e Maus) do próprio STF: Fachin, Barroso e – não sabe sequer bem porque está ali – Rosa Weber. Pelo poder – que ele deseja tanto quanto o trio mas sempre esteve mais perto dele que qualquer um dos três – Gilmar Mendes presta-se ao papel de autor da “cartinha de sugestões” ao Senado. Segue o exemplo de Temer: verba volant, scripta manent. Fica nela o registro eterno de seu golpismo, como ficou o de seu parceiro, o ex-vice-decorativo.

Mandato de hena: deputado da tatuagem é cassado

 Lê-se no Poder360 que o deputado Wladimir Costa, que ganhou notoriedade ao tatuar com hena o nome de Michel Temer no ombro, teve o mandato cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Pará, por irregularidades de R$ 250 mil em seus gastos de campanha, em 2014. Vai demorar, ainda, para que o TSE confirme a cassação e o mais provável é que o mandato de Wlad, como é conhecido, seja apagado nas urnas. Se não, deve-se esperar que ele tatue Bolsonaro ou Alckmin , já que, ingrato, não escreveu “Cunha”, retribuindo o que dele contou o delator Lúcio Funaro, no Estado de Minas: Um deputado que ele (Eduardo Cunha) comprava com frequência, quando ele queria comprar um cara para fazer alguma votação: Wladmir Costa”, respondeu. O investigador pergunta se ele teria recebido dinheiro no caso do impechment e Funaro responde: “Neste caso eu não sei, mas comprava com frequência o Wladmir Costa para tudo”. E viva o parlamentarismo! Via Fernando Brito – Tijolaço

Lula, o pão-de-ló. Quanto mais batem, mais cresce

   Realizada sob o patrocínio insuspeito do Estadão, a pesquisa do Instituto Ipsos “Barômetro Político”, mostra as razões do corre-corre judicial para acabar logo com a possibilidade de que o povo o escolha para dirigir o país.  Por Fernando Brito – Tijolaço O texto de Daniel Bramatti, no jornal, é aterrador para essa gente: O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) atingiu o ápice de aprovação na série histórica das pesquisas Barômetro Político Estadão-Ipsos, enquanto outros possíveis candidatos, como Geraldo Alckmin (PSDB), Marina Silva (Rede) e Jair Bolsonaro (PSC), sofrem desgaste na imagem. Em dezembro, Lula teve seu sexto mês seguido de melhora na avaliação, chegando a 45% de aprovação. Nem mesmo o fecho do parágrafo, dizendo que a ” parcela da população que o desaprova, no entanto, ainda é maior: 54%”, serve como tranquilizante. É que a reprovação dos adversários é maior que a dele: Geraldo Alckmin tem 72%, Jair Bolsonaro e Marina Silva 62%, ambos. Nenhum dos três tem sequer a metade da taxa de aprovação de Lula. Leonel Brizola, cheio de suas metáforas rurais, costumava dizer: “eu sou que nem pão-de-ló: quanto mais me batem, mais cresço”. Parece que que a receita que arranjaram está produzindo este efeito em Lula.