O martelo da justiça de Aécio Neves

– PF: Gilmar falou com Aécio no dia em que deu decisão favorável a ele – Segundo reportagem, relatório da PF mostra 33 ligações e tentativas de ligação entre o ministro e o senador tucano em dois meses Um relatório da Polícia Federal apontou que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes conversou com o senador Aécio Neves (PSDB-MG) no dia em que concedeu a ele uma decisão favorável em inquérito no qual o tucano é investigado por corrupção. De acordo reportagem do site Buzzfeed, que teve acesso ao relatório da PF, uma perícia nos telefones celulares do senador mostrou que, em um período de dois meses, de 16 de março a 13 de maio, havia 33 ligações e tentativas de ligação entre um dos aparelhos de Aécio e o número atribuído a Gilmar. No dia 24 de abril, os registros do celular de Aécio apontam cinco tentativas de ligação e uma conversa de 24 segundos com Gilmar, afirma o site. Neste mesmo 24 de abril, Gilmar Mendes atendeu a um pedido do parlamentar e suspendeu um depoimento que seria prestado por ele à Polícia Federal no dia seguinte. A defesa de Aécio alegava que só queria falar após ter acesso a depoimentos de outras testemunhas ouvidas no caso. Na investigação em questão, a Procuradoria-Geral da República apura casos de corrupção em Furnas. O pedido de depoimento de Aécio foi feito em março pelo então procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Além do tucano, o ex-PGR pede também os depoimentos de José Dirceu (PT), ex-ministro-chefe da Casa Civil no governo Lula, e do ex-secretário-geral do PT Silvio Pereira, que ficou famoso no escândalo do “mensalão” por ter recebido como presente um carro da marca Land Rover. No total, Aécio Neves responde a sete inquéritos no STF, sendo que Gilmar Mendes é relator em quatro deles. A respeito da ligação feita entre Aécio e Gilmar no dia em que o ministro concedeu decisão favorável ao tucano, o advogado do parlamentar, Alberto Zacharias Toron, disse que tratou-se de uma ligação institucional. “O senador Aécio Neves mantém relações formais com o ministro Gilmar Mendes e, como presidente nacional do PSDB, manteve contados com o ministro, presidente do TSE, para tratar de questões relativas à reforma política”, afirmou ao Buzzfeed. Delcídio e Youssef Na base do pedido de Janot feitor por Janot em março estão os depoimentos de duas testemunhas que comprometem Aécio Neves. O primeiro é o do senador cassado Delcídio do Amaral, cujo acordo de delação premiada foi tornado público em março de 2016. Ex-integrante do PSDB que migrou para o PT na transição entre FHC e Lula, Delcídio do Amaral descreveu diversos esquemas de corrupção em sua delação e afirmou que Aécio “sem dúvida” foi um dos beneficiários de desvios realizados em Furnas, cujo operador seria Dimas Fabiano Toledo, ex-diretor de Engenharia de Furnas. Em seus depoimentos, Delcídio citou ainda uma suposta participação de Andréa Neves, irmã de Aécio, no esquema, e apontou a existência de uma conta de titularidade da mãe do senador, Inês Maria Neves Farias, no principado de Liechtenstein, um conhecido paraíso fiscal europeu. A fala de Delcídio renovou uma denúncia que já fora feita por Alberto Youssef, o mais importante delator da Lava Jato. O doleiro citou o esquema em Furnas, disse que Aécio dividia os recursos ilícitos da estatal com o PP, mas não conseguiu trazer provas. Assim, o caso foi arquivado na época, até reemergir com a delação de Delcídio. A colaboração do senador cassado com os investigadores causou preocupação a Aécio, como contou o então presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), a Sergio Machado, ex-presidente da Transpetro, subsidiária da Petrobras, em áudios vazados para a imprensa em 2016. MACHADO – E tá todo mundo sentindo um aperto nos ombros. Está todo mundo sentindo um aperto nos ombros. RENAN – E tudo com medo. MACHADO – Renan, não sobra ninguém, Renan! RENAN – Aécio está com medo. [me procurou] ‘Renan, queria que você visse para mim esse negócio do Delcídio, se tem mais alguma coisa.’ MACHADO – Renan, eu fui do PSDB dez anos, Renan. Não sobra ninguém, Renan. Furnas e a partilha PT-PSDB O segundo depoimento contra Aécio citado por Janot é o de Fernando Antônio Guimarães Houneaux de Moura, ou simplesmente Fernando Moura, outro delator da Operação Lava Jato. De acordo com Moura, no final de 2002, quando ainda estavam sendo decididas as composições para as diretorias de estatais no primeiro mandato de Lula, uma reunião foi feita entre integrantes do PT para definir as composições na Petrobras, Caixa Econômica, Correios, Banco do Brasil e nas centrais hidrelétricas de Furnas. No encontro, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares teria afirmado que havia interesse de Aécio na indicação de um diretor na estatal. Ao saber que Aécio já teria indicado o ex-diretor Dimas Toledo para Furnas, Dirceu teria dito que o senador não poderia colocar outro apadrinhado na Petrobras. Segundo o delator, o pedido de indicação de Toledo por Aécio em Furnas teria sido feito diretamente ao ex-presidente Lula. Silvio Pereira também teria participado das tratativas. A respeito da suposta divisão de propina, Moura afirmou que Dimas teria dito a ele durante a conversa como funcionaria o esquema. “O Dimas na oportunidade me colocou que da mesma forma que eu coloquei o caso da Petrobras, em Furnas era igual. Ele falou: ‘Vocês não precisam nem aparecer aqui, vocês vão ficar um terço São Paulo, um terço nacional e um terço Aécio’”. Um terço seria destinado ao núcleo político de Dirceu, a parte nacional ao PT e o restante ao senador. O esquema de Furnas foi divulgado por CartaCapital em 2006 mostrando a existência de uma lista com nomes de políticos do PSDB e seus aliados que receberiam propina oriunda de contratos de Furnas. Em depoimento, Dimas Fabiano Toledo negou a existência de um esquema de corrupção em Furnas no período em que tinha um alto cargo na estatal elétrica, bem como qualquer participação de Aécio nos supostos desvios. Diante disso, uma acareação
Temer libera verba para deputada golpista

Governo autorizou liberação de recursos para instituição do ex-prefeito de Montes Claros Ruy Muniz, cuja mulher, que é deputada, votou pela rejeição da denúncia contra Temer Em agosto, deputada Raquel Muniz deu voto na Câmara pela recusa da denúncia da PGR (foto: Internet/Reprodução) Jornal Estado de Minas – O governo federal autorizou liberação, no início do mês, de R$ 10,9 milhões para o Hospital Doutor Mário Ribeiro da Silveira, cujo proprietário é o ex-prefeito de Montes Claros Ruy Muniz. Na semana seguinte, a esposa de Ruy, deputada Raquel Muniz (PSD) – que votou a favor do presidente Michel Temer (PMDB) na primeira denúncia – foi cotada para assumir uma das vagas do PSD na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara para análise da segunda denúncia contra Temer. O parecer foi aprovado na comissão e será levado ao plenário amanhã. O hospital privado foi alvo da Operação Máscara da Sanidade, deflagrada pela Polícia Federal no ano passado, e levou o ex-prefeito à prisão. De acordo com a Portaria 2.570, publicada pelo Ministério da Saúde em 4 de outubro, o hospital de Muniz passa a ter à disposição, por meio de financiamentos R$ 10.937.852,80, para operações de média e alta complexidade ambulatorial e hospitalar. O repasse da verba para o hospital só é feito a partir da confirmação de procedimentos realizados para atender o Sistema Único de Saúde (SUS). Fiel ao presidente Temer na primeira denúncia, Raquel Muniz foi apontada pelo PSD como opção para ser incluída na CCJ no lugar do deputado Delegado Éder Mauro, que declarou que não votaria a favor de Temer na comissão. No entanto, o líder do PSD na Câmara, deputado Marcos Montes, não conseguiu entrar em contato com Raquel Muniz para que ela assumisse a cadeira na CCJ e a vaga foi ocupada por outro parlamentar da base aliada. Em junho, Raquel Muniz esteve ao lado de Temer durante pronunciamento para rebater a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR). Ao vê-la, Temer disse: “Agora sim uma companhia feminina”, antes de saudar os demais aliados. Segundo a assessoria de imprensa da deputada Raquel Muniz, o valor liberado pela portaria já havia sido assegurado em junho, durante visita do ministro da Saúde, Ricardo Barros (PP), em Montes Claros. “O credenciamento do hospital para atender o SUS foi uma demanda dos próprios vereadores da cidade que somaram esforços com a deputada para garantir atendimento de qualidade à população”, informou a assessoria. Por meio de nota, o Ministério da Saúde informou que os repasses são liberados com prioridade para hospitais públicos e depois, de forma complementar, são disponibilizados para unidades filantrópicas e privadas. Procurados, o Hospital Dr. Mário Ribeiro da Silveira e o ex-prefeito Ruy Muniz não atenderam a reportagem. SANIDADE Durante a Operação Máscara da Sanidade, em abril do ano passado, a Polícia Federal informou que os acusados “direta e indiretamente visavam inviabilizar a existência e o funcionamento dos hospitais públicos e filantrópicos de Montes Claros que atendem pelo SUS para favorecer hospital privado, não filantrópico, pertencente e gerido de fato por Ruy Muniz, seus familiares e respectivo grupo econômico”. O Ministério Público Federal (MPF) denunciou o ex-prefeito e dois ex-secretários municipais por falsidade ideológica, dispensa indevida de licitação, desvio de verbas federais, peculato, estelionato majorado e advocacia administrativa. Ruy Muniz foi preso preventivamente em abril de 2016 – um dia depois de Raquel Muniz dizer na votação do processo de impeachment de Dilma Rousseff (PT) que o marido era exemplo de honestidade para o país. Em maio, ele passou a cumprir prisão domiciliar. Em agosto, a prisão foi revogada.
TEMER USA R$ 12 BILHÕES PARA COMPRAR VOTOS

– As negociações de Michel Temer com os deputados para garantir que a segunda denúncia da Procuradoria-Geral da República seja sepultada na Câmara esta semana envolveram pelo menos R$ 12 bilhões — além de cargos e benesses de valor inestimável, como a mudança no combate ao trabalho escravo. No vale-tudo para escapar da segunda denúncia da PGR na Câmara, Michel Temer já mexeu em R$ 12 bilhões dos cofres públicos; valor inclui, entre outras coisas, alívio de dívidas e multas e liberação de emendas — sem contar o que foi negociado entre cargos e benesses de valor inestimável, como a mudança no combate ao trabalho escravo; só de emendas parlamentares pagas desde o início de setembro foram R$ 881 milhões. Mas houve ainda uma frustração de receita com o novo Refis, estimada até o momento em R$ 2,4 bi; a desistência de privatizar Congonhas no ano que vem, cuja outorga era estimada em R$ 6 bi, e, por fim, a possibilidade de abdicar de R$ 2,8 bi com a anistia de parte das multas ambientais prevista no decreto editado na segunda-feira. Só de emendas parlamentares pagas desde o início de setembro foram R$ 881 milhões. Mas houve ainda uma frustração de receita com o novo Refis, estimada até o momento em R$ 2,4 bi; a desistência de privatizar Congonhas no ano que vem, cuja outorga era estimada em R$ 6 bi, e, por fim, a possibilidade de abdicar de R$ 2,8 bi com a anistia de parte das multas ambientais prevista no decreto editado na segunda-feira. O Palácio do Planalto acelerou a liberação de recursos para o empenho de emendas parlamentares obrigatórias desde setembro, quando apareceu a segunda denúncia contra Temer. Foram R$ 881,3 milhões em menos de dois meses, sendo R$ 607,9 milhões apenas nos primeiros 21 dias de outubro e R$ 273,4 milhões em setembro. No final da semana passada, grandes volumes foram liberados para deputados e senadores: R$ 122,4 milhões na sexta-feira e ainda R$ 53,2 milhões no sábado, segundo os dados da Comissão Mista de Orçamento (CMO). Desde a primeira denúncia, o governo já empenhou R$ 5,1 bilhões, sendo R$ 4,28 bilhões apenas com os 513 deputados. Na prática, já foi gasto quase tudo do que está previsto para o ano, que é de R$ 6,1 bilhões com o contingenciamento. Mas Temer resolveu ampliar a promessa e, segundo aliados, quer esquecer este contingenciamento e retomar o valor original destinado às emendas parlamentares, que é de R$ 9 bilhões no Orçamento de 2017. Se Temer fizer isso, cada um dos 513 deputados e 81 senadores vai ganhar uma cota de R$ 15 milhões e não os R$ 10,7 milhões fixados depois do corte. As informações são de reportagem de Cristiano Jungblut em O Globo.
Governo libera 11 milhões para escola de Boni (fácio)

Governo Temer libera dinheiro para fundação do deputado Bonifácio Andrada, relator da denúncia contra Temer, com repasse de R$ 7 milhões do Fies para sua instituição de ensino apenas em junho e julho – Deputado que fez parecer favorável a Temer na segunda denúncia contra o presidente recebeu dinheiro do financiamento estudantil Boni Fácio de Andrada (PSDB), o relator que recomendou arquivar a segunda denúncia contra Michel Temer na Comissão de Constituição e Justiça, tem uma instituição universitária em Minas Gerais; a Fundação Presidente Antônio Carlos recebeu neste ano mais de R$ 11 milhões do governo federal, por meio de empréstimos e financiamentos para estudantes, de acordo com reportagem do jornal O Estado de Minas A Fundação Presidente Antônio Carlos (Fupac), instituição universitária criada pelo deputado federal Bonifácio de Andrada (PSDB), recebeu em 2017 mais de R$ 11 milhões do governo federal por meio de empréstimos e financiamentos para estudantes. O parlamentar relatou a segunda denúncia contra o presidente Michel Temer (PMDB) na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados e deu parecer pelo arquivamento da denúncia contra o peemedebista. Seu parecer foi aprovado na comissão e será votado em plenário na quarta-feira. O cenário das instituições ligadas à Fupac – da qual o deputado é presidente e reitor licenciado – é diferente do panorama de crise enfrentado no financiamento estudantil desde 2016. No ano passado, segundo o Censo da Educação Superior, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas (Inep), o número de matrículas caiu por causa da crise econômica. Foram 190 mil estudantes a menos matriculados no ensino superior. Neste ano, o cenário continuou ruim. Em fevereiro, o ministro da Educação, Mendonça Filho (DEM), anunciou a redução de 29% nos investimentos do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Na contramão do cenário nacional, a Fupac quase dobrou os valores recebidos pelo governo federal por meio do Fies. Segundo dados do Portal da Transparência e do Sistema Integrado de Administração Financeira do governo federal, em 2015, a instituição recebeu R$ 6.573.987,02 em repasses diretos do governo. Em 2016, os repasses pularam para R$ 13.783.156,70 – mais que o dobro em relação ao ano anterior. Neste ano, até o início do mês, foram repassados à Fupac R$ 11.447.799,83 por meio de concessões de empréstimos para o Fies e R$ 11.787,57 por meio do Fundo de Desenvolvimento da Educação. A maior parte das liberações aconteceram nos meses de junho e julho, quando foram repassados mais de R$ 7 milhões à Fupac. Procurado pela reportagem, o deputado Bonifácio Andrada não atendeu as ligações. A assessoria da Fupac foi procurada, mas também não respondeu. A Universidade Presidente Antônio Carlos (Unipac) foi criada pelo deputado em 1963, com duas unidades em Barbacena. Logo depois a instituição se expandiu para outros municípios mineiros e foi criada a Fundação Presidente Antônio Carlos, que administra as faculdades do grupo. O nome da instituição é homenagem ao ex-governador de Minas, ex-deputado, ex-senador e ex-ministro da Fazenda, Antônio Carlos de Andrada (1870-1946). Parecer pró-Temer O deputado tucano que relatou a denúncia contra Temer enfrentou resistência dentro do próprio partido ao ser indicado para apresentar o parecer sobre a acusação de obstrução de Justiça e organização criminosa. Após se recusar a deixar o cargo de relator, Bonifácio viu o líder do PSDB na Câmara, Ricardo Trípoli, retirar sua indicação para a comissão. No entanto, em uma manobra do Palácio do Planalto, o PSC liberou uma vaga do partido para que o tucano permanecesse como relator. Em seu parecer, favorável ao presidente Temer, Bonifácio Andrada criticou a Procuradoria-Geral da República (PGR) e afirmou que a peça apresentada pelo ex-procurador-geral Rodrigo Janot se baseava em “gravações criminosas” feitas pelos empresários da J&F. Para o parlamentar, o Ministério Público tenta criminalizar a política e fragilizar os Poderes Legislativo e Executivo. “O MPF hoje, órgão poderoso do nosso sistema, que domina a Polícia Federal, mancomunado com o Judiciário, trouxe para o país desequilíbrio na relação entre os poderes da República”, afirmou o relator. “Não há nenhuma prova real ou concreta que o presidente tenha tomado providência ou atitude para dificultar investigações. Conclui-se pela impossibilidade da denúncia contra o presidente Michel Temer”, finalizou Andrada.
Montes Claros perde o irreverente Bala Doce

– Faleceu na tarde deste Domingo (23), aos 72 anos de idade, o escritor Augusto José Vieira Neto, mais conhecido como Augustão Bala Doce. Ele foi encontrado já sem vida em seu apartamento, no Bairro Morada do Sol, em Montes Claros – Colunista do EM CIMA DA NOTÍCIA, Bala Doce foi advogado, professor universitário, juiz de direito e procurador-chefe de defensoria pública, e deixou tudo pela literatura, tendo publicado 12 livros: Casa do Direito (1979), Estórias do Bala – vol. I (1996), Estórias do Bala – vol. II (1997), Judiciário e Cidadania (1998), Balorizonte – Memórias (1999), Bala XXI (2000), Baladas – Poemas (2001), Bala 60 (2005), Nico Porreta (2009), Vou te contar… (2009), O roubo do pequi atômico (2012) e Meus Amigos… Minas Turmas… Meus 70 anos (2015). Baladocianas – Augusto Vieira A ACADEMIA MONTES-CLARENSE DE LETRASSei que minha aldeia é um centro regional. Sei que muita gente de outras plagas veio para cá, gostou, ficou, constituiu família e deixou descendência. Sei de nossa integração com a Bahia. Costumo até dizer que sou “baianeiro”. Meu pai veio de Conselheiro Lafayette, nos anos 20, do século passado. Minha mãe é nativa. Meu bisavô, Ângelo de Quadros Bittencourt nasceu em Caeteté, na Bahia. Casou-se com duas irmãs Sá, da Fazenda Santo André, do antigo Brejo das Almas. Foi meu primo Francisco Sá que, como Ministro da Viação, trouxe a estrada de ferro para nós. Hospedou-se na casa de minha avó Zizinha, quando veio inaugurar.Passei minha infância e juventude em minha aldeia e fui estudar fora porque ela ainda não tinha ensino superior. Voltei pra ela, onde exerci minha profissão de 1970 a 1982, quando ingressei na magistratura mineira, na qual fiquei até 1997, quando me aposentei, em Belo Horizonte. Continuei residindo em Belo Horizonte e em minha aldeia, depois de aposentado, para o que comprei nela um pequeno apartamento, aonde hoje resido sozinho, desde novembro de 2014, depois que requeri o meu divórcio e obtive a separação preliminar de corpos. Pelas minhas andanças, vê-se que eu jamais poderia ser xenófobo. No entanto, anotem bem isso, meus caros leitores: pelo andar da carruagem, dentro de pouco tempo, não teremos mais nenhum montes-clarense nativo nos quadros da Academia Montes-clarense de Letras. É preciso um trabalho de base nela, uma total reformulação. Aponto algumas coisas que poderiam ser feitas:1 – Sede própria;2 – Concursos literários, especialmente para a juventude;3 – Seminários, simpósios, conferências sobre as obras dos antigos acadêmicos, já falecidos;4 – Intercâmbio com outras academias nacionais, estaduais e municipais.5 – Semanas literárias.Academias de Letras não foram feitas para fazerem solenidades de lançamento de livros de seus membros. O escritor que pertence a uma Academia lança seu livro é para o público, nos lugares que ele julgar mais conveniente. Muitas vezes o escritor nem decide isso, mas sua editora e/ou distribuidora. Aqui é considerado desfeita, por exemplo, se eu lançar um livro no Quarteirão do Povo, como já fiz. Eles tem que fazer uma solenidade, constituir uma mesa e cansarem o publico com um chato discurso de apresentação da obra e com mais outras palavras de outros viciados, que não podem ver uma plateiazinha que fazem um discurso. O escritor se cansa e depois ainda vai dar autógrafos. Cansam o público. Depois eles saem do local com seus egos lavados e com suas vaidades satisfeitas.Estou decepcionadíssimo com minha Academia, hoje comandada, na prática, por um jovem escritor, principiante, que fez a mim uma grande desfeita, emprenhando-se por falas maledicentes, sem sequer me dar o benefício da dúvida. Esse menino forasteiro encontrou apoio de antigo acadêmico, bem manjado, que dominou de fato a instituição e faz o que bem entende dentro dela. Nós, os acadêmicos – e eu sou dos mais antigos – não somos mais ouvidos para nada. Nem nos reunimos mais, como antigamente. Eles são imperativos. Não são pessoas dialógicas. Infelizmente. Se vagar uma cadeira eles colocam lá quem eles bem entenderem, até pessoas que nunca escreveram um livro sequer. E assim vão reforçando sua oligarquia, com o objetivo de se perpetuarem no poder…Fica aqui registrado meu mais veemente protesto contra essa situação. Eles estão destruindo não é a mim, não. Tenho onde lançar meus livros, que são muito bem recebidos. Estão destruindo é nossa identidade cultural. E saibam que eu digo isso tudo sem pretensão de cargo. Jamais me candidatarei a qualquer cargo em nossa Academia. Só não quero é deixar morrer nossa História, nossa cultura e nossas mais caras tradições – aqui, é bom que se diga, sem qualquer reacionarismo de minha parte, mas apenas com a intenção de legar à juventude nossa identidade literária e, portanto, também cultural.Vejam como eu era, quando tomei posse da cadeira 34, na presença de meu querido e inesquecível amigo Cyro dos Anjos, montes-clarense, membro da Academia Brasileira de Letras, para a qual minha aldeia, infelizmente, negou o fardão ao imortal montes-clarense nativo Darcy Ribeiro.
Nadadora relembra conchavo de Marina e Aécio

– JOANNA MARANHÃO RELEMBRA A MARINA DA ALIANÇA FEITA POR ELA COM O PSDB DE AÉCIO – – A nadadora pernambucana Joanna maranhão usou sua conta no Twitter para ironizar a postura da ex-senadora Marina Silva (Rede) que condenou, também no Twitter, o que chamou de aliança do “PT, PMDB, PSDB e DEM, que nunca se juntaram para defender saúde, educação e segurança” mas que “agora estão unidos para evitar a punição dos crimes que cometeram”. Ao comentar a postagem, Joanna destacou: “Nossa senhora da sororidade que me perdoe mas a sra acha que a gente esqueceu sua aliança com Aécio e PSDB em 2014? Ah pfv!”, escreveu a nadadora na rede social. TEMER PERDOA CRIMES AMBIENTAIS DE RURALISTAS E MARINA FICA EMUDECIDA – A volta da escravidão no Brasil não foi o favor final de Michel Temer aos deputados da bancada ruralista, que podem salvá-lo da acusação de obstrução judicial e comando de organização criminosa na próxima quarta-feira. Neste sábado (21), ele concedeu descontos de 60% em multas ambientais de R$ 4,6 bilhões e converteu as penas em prestações de serviços. Mesmo diante desta barbaridade, Marina continua de bico calado.
Capela de Niemeyer poderá sair do papel

– Projeto elaborado pelo renomado arquiteto Oscar Niemeyer, de construção de Capela às margens da Lagoa do Interlagos deverá ser executado – Na última quinta-feira (19) engenheiros, arquitetos, secretários municipais e ambientalistas estiveram visitando as margens da lagoa, para fazer um diagnóstico e verificar a possibilidade de executar uma capela ecumênica, projeto do arquiteto Oscar Niemeyer. O pedido da capela para o renomado arquiteto foi feito pelo ex-prefeito Mário Ribeiro (irmão de Darcy Ribeiro), quando a sede da Unimontes recebeu a denominação de Câmpus Darcy Ribeiro. A capela ecumênica seria construída na Universidade Estadual de Montes Claros, mas por incompetência dos reitores, este projeto nunca saiu do papel.Além da capela ecumênica, Niemeyer elaborou para Montes Claros o Museu de História Natural, com estilo de caracol que contaria a história da cidade, desde a fundação até os dias atuais e o Centro Integrado de Educação e Formação de Professores, contudo os nossos gestores ignoraram sua arte. Mesmo com todos seus projetos sendo ignorado, um ex-prefeito ainda teve a coragem de procurar Oscar Niemeyer pedindo um projeto arquitetônico do Centro de Convenções de Montes Claros, que seria construído no Bairro Interlagos, mas o gênio da arquitetura ignorou, demonstrando irritação por ter elaborado três projetos arquitetônicos para Montes Claros e nenhum deles ter sido executado. Leia mais AQUI
A NOVA BANDEIRA DE MINAS GERAIS

– Os mineiros não querem mais a “liberdade, ainda que tardia”, como aponta sua bandeira. Eles gritam agora para se livrar de Aécio Neves e Michel Temer, a dupla que rebaixou o Brasil a um país corrupto, sem instituições e escravocrata. Abaixo, nota da OAB sobre a volta da escravidão: “OAB manifesta contrariedade com mudanças na fiscalização do trabalho escravo O Conselho Federal da OAB e o Colégio de presidentes das seccionais da OAB vem a público divulgar Nota Oficial sobre as mudanças na política de combate ao trabalho escravo: São preocupantes as mudanças nas regras de fiscalização do trabalho em condições análogas à escravidão. Um dos pontos mais alarmantes é que a divulgação da lista de empregadores autuados será facultada ao ministro e não mais ao corpo técnico do Ministério do Trabalho. As novas regras já fizeram, inclusive, com que a Organização Internacional do Trabalho (OIT) retirasse o Brasil do grupo de referência em combate ao trabalho escravo. Ao alterar as regras que regiam o combate ao trabalho escravo, o governo produziu imenso retrocesso, abandonou parâmetros consagrados, feriu o Código Penal e não trouxe, ao contrário do que alardeou, qualquer segurança jurídica. Cabe ainda lembrar que, neste momento difícil para o país, de crise política e econômica, o Brasil deve buscar a efetiva valorização das relações de trabalho, de modo a reconhecer sua contribuição para o país”
SÓ FALTA REVOGAR A LEI ÁUREA

– Primeiro, a gente tira Dilma. Depois, a princesa Isabel – Um meme genial resume a catástrofe civilizatória representada por Michel Temer. Abaixo, texto postado pelo facebook da presidente deposta Dilma Rousseff: SÓ FALTA REVOGAR A LEI ÁUREA Manifesto meu total apoio ao movimento dos profissionais da área de fiscalização do Ministério do Trabalho que estão entrando em greve em todo o o país para protestar contra a portaria do governo Temer que tornou o Brasil tolerante e leniente com a exploração do trabalho análogo à escravidão. A portaria assinada pelo governo Temer é indigna, desumana e envergonha o Brasil perante o mundo civilizado. Para obter votos no Congresso que salvem sua pele das acusações de corrupção, o presidente golpista se rende ao que há de pior e mais retrógrado, subordinando-se a empresários atrasados, egoistas e responsáveis por práticas de trabalho escravagistas. Segundo a portaria com a qual o governo tenta comprar no Congresso o apoio de representantes do ruralismo mais arcaico, o trabalho em condições análogas à da escravidão só será caracterizado se houver restrição ao direito de ir e vir, pouco importando se o empregado está sendo submetido a condições de trabalho degradantes, a maus tratos e ao descumprimento de direitos trabalhistas fundamentais. Além disso, a nova regra decide que a chamada “lista suja” que denuncia os empresários que se aproveitam de trabalho escravo só será tornada pública com autorização do Ministro do Trabalho, o que hoje é feito por rotina da área técnica. A portaria do golpista Michel Temer protege e esconde atos criminosos, já condenados em sentenças do Supremo Tribunal Federal, e legaliza práticas abjetas que há muitas décadas são tratadas no Brasil como crimes contra a dignidade do trabalhador. Trata-se de mais um retrocesso civilizatório que apenas o golpe parlamentar cometido no ano passado pode sustentar e que jamais seria sequer cogitado sob um governo legitimado pelo voto. Quanto falta para que o governo golpista resolva revogar a Lei Áurea para adquirir mais alguns votos no Congresso?
Dilma quer a vaga de Aécio no Senado

– Presidente deposta vem a Minas Geraes na caravana de Lula e pode preparar sua volta pelo Senado – Líder nas intenções de voto ao Senado em Minas Gerais, Dilma Rousseff deve acompanhar Lula em parte dos compromissos da caravana que o petista fará no Estado. Movimentação de Dilma pode significar que ela pretende voltar à política como senadora. – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participará na próxima semana de uma série de atos em Minas Gerais como parte de sua pré-campanha para as eleições presidenciais de 2018. Líder nas intenções de voto ao Senado no Estado, a presidente deposta Dilma Rousseff deve acompanhá-lo em ao menos um compromisso, um evento na Praça da Estação, no centro de Belo Horizonte. Participação pode sinalizar intenção de Dilma em voltar à política, através de eleição ao Senado. Lula lidera todas as pesquisas de intenção de voto à Presidência. Em Minas Gerais, Estado governado pelo PT desde 2015, Lula tem programado visitar 12 cidades. A primeira, na noite de 23, será Ipatinga, no Vale do Aço, região da siderurgia e da indústria metal mecânica, com um histórico de votações no PT. De acordo com a presidente estadual do PT, Cida de Jesus, Lula terá compromissos em Governador Valadares, Teófilo Otoni, Itaobim, Itinga, Araçuaí, Salinas, Montes Claros, Bocaiúva, Diamantina, Cordisburgo e, encerrando o giro, em Belo Horizonte no dia 30. Ontem, Lula afirmou que a Justiça terá de arcar com as consequências por uma eventual decisão que o impeça de se candidatar. O petista concedeu uma entrevista de mais 40 minutos à Rádio Super Notícia, de Belo Horizonte. O ex-presidente disse que a Polícia Federal e o Ministério Público levantaram mentiras contra ele e que o juiz Sérgio Moro já o condenou por crimes que ele afirma não ter cometido. “Eles invadiram minha casa, invadiram a casa dos meus filhos. Procurando o quê? Deviam estar procurando ouro, deviam estar procurando joias, deviam estar procurando dólar. Eles encontraram isso na casa do Serra, na casa do Aécio, na casa do Temer, na casa do Cunha, na casa do Cabral, na casa de não sei de quem, no banco da Suíça, na casa no Nuzman e não encontraram na minha casa”, disse. As informações são de reportagem de Marcos de Moura e Souza no Valor.