Isto é Temer: tudo para os ruralistas e nada para os desvalidos

– Ao mesmo tempo em que corre para cortar o Benefício de Prestação Continuada (BPC), que alcança diretamente os idosos com mais de 65 anos e as pessoas com deficiência alegando irregularidades na concessão do programa social, a bancada ruralista, que dá sustentação ao governo Michel Temer, apresentou um projeto para renegociar dívidas do setor que chegam a R$ 17,1 bilhões. O decreto que acelera o corte do BPC, assinado nesta quinta-feira (9) por Temer e pelo ministro do Desenvolvimento Social, Alberto Beltrame prevê a suspensão do benefício mesmo que o INSS não consiga notificar o beneficiário suspeito de receber irregularmente o pagamento mensal no valor de um salário mínimo. A estimativa do próprio governo é que sejam bloqueados e cancelados cerca de 151 mil benefícios, que somam cerca de R$ 150 milhões mensais. O governo Michel Temer vem acelerando o desmonte dos programas sociais voltados para a parcela mais necessitada da população. Além de cortes em programas como o Bolsa-Família, o INSS vem ampliando os cortes alegando a existência de fraudes. Somente em julho, esta alegação foi utilizada para cancelar aposentadorias e auxílios-doença de cerca de 220 mil pessoas, totalizando R$ 9,6 bilhões. A intensificação das perícias, segundo o Ministério do Desenvolvimento Social, deverá resultar em uma economia de R$ 15,7 bilhões. O valor pago pelo BPC a uma parcela da população mais necessitada, contudo, é bem inferior ao projeto apresentado – também nesta quinta-feira – pelo senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE) em favor do “perdão” da dívida dos ruralistas. O relatório do parlamentar foi apresentado menos de três horas após a instalação da comissão mista que irá analisar a MP 842. A despeito do posição contrária da equipe econômica – que já havia conseguido reduzir a tentativa de perdão da dívida da bancada ruralista para R$ 1,579 bilhão, alegando que não há espaço para uma benesse deste tamanho. O projeto apresentado pelo emedebista retoma, na prática, todas as renegociações que o Congresso já tentou emplacar e que acabaram vetadas, além de ampliar a iniciativa original ao prever a extensão de alguns benefícios para dívidas que não forem pagas até o final deste exercício, de maneira que o devedor possa se programar para não pagar o débito e ainda assim poder renegociar o contrato em condições mais favoráveis a ele. Os descontos para os devedores podem chegar a 95% e seriam cobertos pelo tesouro Nacional, embora não haja previsão orçamentária para isso. Esta foi a alegação para a edição da MP 842, que beneficiou somente os pequenos agricultores do Norte e Nordeste no âmbito do Pronaf, e não para todo o setor como desejava a bancada ruralista no Congresso. Ao fim do governo, enquanto aprofunda a crise junto aos mais pobres e necessitados ao cortar benefícios sociais, a bancada que deu suporte ao golpe parlamentar de 2016 aprofunda a sanha em seu próprio benefício a despeito das necessidades e anseios da população que a cada dia sente os efeitos da crise que já deixou mais de 13 milhões de desempregados, estagnou a economia e trou a esperança de milhões de brasileiros quanto ao futuro.
Acionistas da Televisa revelam a propina que a Globo pagou, por GGN

Globo e duas emissoras pagaram US$ 15 mi de propina para transmitir Copas futuras Jornal GGN – A rede Globo de televisão volta a entrar na mira do esquema de corrupção do futebol. Uma denúncia movida por acionistas contra a Televisa, emissora mexicana, revela um acordo com a argentina Torneos e a brasileira Globo para o pagamento de US$ 15 milhões para os direitos de transmissão das Copas do Mundo de 2026 e 2030. Com as novas denúncias, que suscitam o esquema de pagamentos de propina na chamada #FifaGATE, investigada pela Corte do Brooklin, em Nova York (EUA), a Globo aumenta o seu nível de apurações que antes se restringia ao período de 2006 até 2015 para os torneios que nem sequer chegaram. Em novembro do último ano, o GGN trazia detalhes, a partir dos depoimentos prestados por cartolas e dirigentes aos investigadores norte-americanos, que a Rede Globo havia sido delatada por pagar propina diretamente pelos direitos de transmissão de jogos da FIFA no Brasil, em articulação com a argentina Torneos e também com a Televisa. Depoimentos FIFAGate Alejandro Burzaco, após depoimento nos EUA – Foto: La Nación O argentino Alejandro Burzaco, empresário e ex-diretor da Torneos y Competencias (ex TyC), foi quem trouxe as acusações mais fortes contra os grupos de televisão da América Latina. Como CEO da Torneos de 2006 a 2015, foi este o período delatado. Burzaco declarou-se culpado no final de 2015 por fraude, lavagem de dinheiro e corrupção. “Alejandro Burzaco disse que a Fox Sports, a Televisa, a Media Pro, a TV Globo, a Fill Play e a Traffic, todas as emissoras pagaram propinas em troca de direitos [para a transmissão] do futebol. (…) Ele disse que sua empresa teve parceirias com todas estas companhias [que pagaram propinas pelos direitos de transmissão] e ele, pessoalmente, está ciente do suborno”, havia narrado o jornalista da BuzzFeed, Ken Bensinger, que acompanha de perto o caso. “Testemunha num caso da FIFA disse que seis das maiores companhias de comunicação, incluindo a Fox Sports, pagaram subornos para os direitos de transmissão. (…) De acordo com Burzaco, [Ricardo] Teixeira [ex-presidente da Confederacão Brasileira de Futebol] recebeu subornos da T&T para a Copa Libertadores e a Copa Sul Americana também. A partir de 2006, ele recebeu US$ 600 mil a cada ano”, seguiu. Mas apesar de Burzaco ter mencionado a brasileira Rede Globo, a argentina Torneos e a mexicana Televisa, as apurações detalhavam até o ano de 2015. E as investigações contra os grandes grupos de televisão da América Latina apenas começavam. Livro de Blatter Foto: Marca Em maio deste ano, por exemplo, o próprio ex-presidente da FIFA denunciou que “televisão brasileira” criou uma “caixa-preta” de propina do futebol. A acusação foi publicada em seu livro Ma vérité (Minha Verdade), da editora francesa Éditions Héloïse d’Ormesson, lançado no dia 24 de maio na Europa. Entre as narrativas das 240 páginas de Blatter contando como ele via os fatos hoje deflagrados no chamado FIFAGate, as artimanhas envolvendo o seu antecessor, João Havelange, e Ricardo Teixeira, como ex-presidente da CBF, e que “descobriu” que o dinheiro de uma emissora de televisão brasileira teria sido desviado para a criação de uma “caixa-preta” no futebol. Apesar de não mencionar diretamente “TV Globo”, Blatter estava se referindo à falência da empresa de marketing esportivo ISL, que vendia direitos de transmissão de jogos e é acusada de pagar propinas incluindo aos cartolas brasileiros. Ao descrever como o caso passou a ser investigado, ainda em 2001, pelo tribunal da Suíça, abrindo um processo contra a ISL e realizando buscas na Fifa, Blatter mostrou-se surpreendido com o envolvimento da corrupção no Brasil: “Eu então descubro que uma caixa-preta foi constituída com o dinheiro desviado da televisão brasileira”, disse. Esquema continuou na América Latina Foto: Reprodução Mas as novas acusações são ainda mais graves. Porque revelam que mesmo após a deflagração do esquema de corrupção no futebol pelas autoridades suíças e norte-americano, gerando a prisão de cartolas e dirigentes esportivos por todo o mundo, os esquemas de compra de direitos de transmissão seguiram. Mas gira em torno da mexicana Televisa, após sofrer uma ação de acionistas por supostamente participar de pagamentos de propina para obter os direitos de transmissão da Copa do Mundo deste ano de 2018, de 2022, 2026 e 2030. Somente para a transmissão dos dois últimos, teriam sido pagos pelo menos US$ 7,25 milhões. Os valores, segundo as novas acusações, eram parte de um total de US$ 15 milhões. Assim, enquanto a mexicana teria investido a metade da quantia da propina, a brasileira Globo e a argentina Torneos teriam entrado com a outra metade. Os acusadores são membros do Plano de Pensões do Colégio de Artes e Tecnologia, que possui ações da Televisa na Bolsa de Valores de Nova York. Eles afirmam que foram lubridiados. Em um dos casos, em 2013, a Televisa teria conspirado com a Globo e a Torneos para pagar os US$ 15 milhões ao ex-executivo da Fifa, Julio Grondona, pelos direitos de 2026 e 2030 na América Latina. A mexicana teria usado a filiar suiça Mountrigi Management Group para o repasse ilícito de US$ 7,25 milhões. A íntegra da acusação foi divulgada por Ken Bensinger: Arquivo ecf-32-amended-complaint-for-violation-of-the.pdf
Corte do BPC: para os pobres, crueldade – Por Fernando Brito

Laís Alegretti e Ranier Bragon, hoje, na Folha, pintam um retrato da insensibilidade das elites brasileiras e de seus tecnocratas. É o decreto em gestação no Governo Temer que suspende o Benefício de Prestação Continuada – o BPC, pago a idosos e deficientes sem fontes de renda mínima de subsistência, estipulada em R$ 238,50 por pessoa da família – no caso de que se verifiquem “inconsistências ou insuficiências cadastrais que afetem a avaliação de elegibilidade do beneficiário”. Ou seja, “em caso de dúvida, passem fome”. O decreto esmera-se na perversão: o beneficiário vai ser avisado do corte por uma método genial: no dia em que chegar na lotérica ou no caixa bancário e sua “merreca” estiver indisponível. Logo ele, que estava para sair dali para a venda, para comprar o “dicumê”. Quem sabe consegue um fiado do vendeiro, não é? Mas isso não é tudo. Apatetado com o bloqueio, sem recursos e em geral com baixa capacidade de lidar com problemas burocráticos, tem dez dias para fazer a regularização: Só após o bloqueio, se entrar em contato com o INSS, o beneficiário entenderá o motivo pelo qual teve o benefício cortado. Além disso, terá apenas dez dias para para apresentar a defesa. Nem é preciso dizer que, se depender de documentos. laudos, certidões e outros papéis é virtualmente que consiga cumprir este prazo. Ninguém está, claro, defendendo situações de fraudes, usando pessoas simples. Mas é impressionante como, quando se trata de maracutaias fiscais de grandes empresas e de bancos, como aconteceu com os bilhões sonegados pela Globo ou pelo Itaú, a compreensão do Tesouro é infinita…Anos e anos se passam até que, para perdoar, parcelar ou facilitar o pagamento.
A justiça haverá de triunfar, diz Levandowki a grevistas de fome

– O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Ricardo Lewandowski disse que a “Justiça haverá de triunfar”, durante audiência com um grupo de militantes que está em greve de fome há 10 dias e reivindica a liberdade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ao longo da audiência, os manifestantes mencionaram a situação das pessoas no campo e demonstraram preocupação com um futuro governo que não olhe para os pobres. Também disseram que “nosso líder” está preso, em referência a Lula. “Ao final da conversa, o ministro fez suas considerações. “Precisamos ter confiança e paciência que a Justiça haverá de triunfar por todos os segmentos, classes, categorias sociais”, disse Lewandowski aos militantes, que chegaram ao Supremo carregando exemplares da Constituição Federal. O grupo pediu audiência com todos os ministros do STF, mas só foi atendido até agora por Lewandowski, que deixou por aproximadamente 15 minutos a sessão plenária da Corte, enquanto se discutia o sacrifício de animais em rituais de religiões de matriz africana. Em abril, Lewandowski votou a favor da liberdade de Lula, mas o plenário do Supremo, por 6 a 5, decidiu não conceder habeas corpus ao ex-presidente, em um sessão tensa que durou quase 11 horas. Naquela sessão, Lewandowski chamou de ilegalidade a previsão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) de prisão de Lula logo após a conclusão da análise dos recursos naquela instância. “A ilegalidade está justamente na falta da fundamentação para motivar essas prisões. O Tribunal Regional Federal decidiu pela prisão automática, o que não existe em nenhum país”, afirmou Lewandowski na época, no voto mais enfático em defesa de Lula.” Leia mais aqui.
Lava Jato condenou Lula para tirá-lo da eleição, diz ex-chefe da PF

A força-tarefa da Lava Jato estava “com sangue na boca” e condenou Lula às pressas para tirá-lo do jogo político. A afirmação é do ex-delegado da Polícia Federal Paulo Lacerda a uma extensa reportagem publicada ontem, dia 8, pela Agência Pública. Funcionário de carreira da instituição desde os anos 70, Lacerda chefiou a reestruturação promovida durante o governo Lula. Em 2003, o ex-presidente autorizou um repasse de US$500 milhões à instituição. A verba garantiu combustível, viaturas, equipamentos, sedes modernas e mais servidores à PF. Lacerda presidiu a Polícia Federal entre 2003 e 2008 e testemunhou diversas idas e vindas na abertura de investigações contra políticos. Conforme o texto, ele é uma das vozes solitárias a criticar os exageros da operação, citando o caso do líder petista. “Para julgá-lo rapidamente, o tribunal furou a fila. Antes do processo do tríplex, havia mais de cem casos esperando para entrar na pauta”, disse ele ao repórter Vasconcelo Quadros. Foi sob o governo Lula que a sede da PF em Curitiba foi construída. Na ocasião da prisão, ele lembrou o fato a colegas. “Se não fossem os grandes investimentos [do governo Lula], dificilmente teria havido a Operação Lava Jato. É uma grande ironia do destino: hoje o ex-presidente Lula é o mais ilustre dos presos da PF em Curitiba”, escreveu para um grupo de quase 1000 delegados no WhatsApp. Ele também analisa a mudança no papel no Ministério Público, que se juntou aos protestos difusos de 2013 e, a partir da derrubada de uma emenda parlamentar, passou a liderar investigações nos casos de maior repercussão. Da Agência PT de Notícias, com informações de Agência Pública
Pesquisa em SP com Haddad em 3º expõe a fraqueza de Alckmin

Antes mesmo de ser ungido por Lula, Haddad aparece empatado com Marina Por Kiko Nogueira – DCM A pesquisa CNT/MDA em São Paulo divulgada nesta quarta, dia 8, expõe mais uma vez o problema do consórcio que quer levar Alckmin ao segundo turno. O levantamento inclui os dois cenários costumeiros — com e sem Lula. No primeiro, o ex-presidente fica com 21,8% das intenções de voto, contra 18,4% de Bolsonaro e 14% de Geraldo. No segundo, o capitão aparece com 18,9%, o tucano com 15,0% e Fernando Haddad em terceiro com 8,3%, empatado com Marina Silva (8,4%) e Ciro Gomes (6,0%) na margem de erro. Antes de ser sido ungido por Lula, Haddad já encosta em Alckmin. Isso em São Paulo, em cuja capital ele levou uma surra de João Doria e onde Geraldo reina há décadas. O mesmo Doria, aliás, está empatado com Paulo Skaf na corrida para o governo do estado — 16,4% contra 16,2%. No segundo turno, Skaf ganharia do João Trabalhador (rs): 29,7% contra 26,8%. Tão certo quanto Haddad vai crescer assim que seu nome for confirmado como homem de Lula será a reação da mídia e da Justiça: pancadaria. Em janeiro, Merval Pereira, porta voz da família Marinho na Globo, cravou o seguinte: “Com o indiciamento por caixa 2 na eleição de 2012, Fernando Haddad deixa definitivamente de ser o plano B do PT para a eleição presidencial de 2018”. Nesta semana, Merval tirou do chapéu outra tese. “A chapa Haddad – Manuela é mais fraca politicamente até que a de Dilma – Temer, que tinha Lula em seu auge e com capacidade presencial para fazer campanha”, escreveu. “A ver se na cadeia e com uma chapa de nicho esquerdista, Lula conseguirá transferir seu prestígio em votos para Haddad.” A ver. Se os fatos não colaborarem, danem-se os fatos. E para isso existe o Judiciário.
Igreja orienta leigos para voto consciente, mas fica em cima do muro

Mensagem dos arcebispos de Montes Claros sobre as eleições 2018 foram lidas neste final de semana em todas as celebrações da Arquidiocese Os Arcebispos de Montes Claros, Dom José Alberto Moura e Dom João Justino de Medeiros Silva, escreveram aos Padres e Diáconos da Arquidiocese orientando a leitura da Carta dos bispos do Regional Leste 2 sobre as eleições 2018 que foi lida, logo após da oração pós-comunhão, nos dias 04 e 05 (sábado e domingo) de agosto em todas as celebrações. A ideia era para motivar as pessoas para levarem o texto da mensagem e que a divulguem em suas famílias e ambientes de trabalho. Foram impressas 100 mil cópias e distribuídas para todas as paróquias e comunidades. No texto, os arcebispos dizem que contribuirão com o processo de participação do povo, publicando subsídios, em diferentes mídias. O conteúdo disponibilizado, conforme explica a mensagem, respeitará a autonomia dos fiéis na escolha de seus candidatos.Como de costume, a líder da Igreja Católica vai ficar em cima do muro. ACESSE AQUI AS CARTAS ENVIADAS AOS PADRES E DIÁCONOS: Carta Clero_ Folheto eleições.pdf_2018Carta Bispos Leste 2 sobre Eleições 2018
Veneno: uso de agrotóxico cresce e mata nove mineiros neste ano

Nos últimos anos, agrotóxico já matou 120 pessoas e houve mais de 2.500 internações por intoxicaçãoA manchete do jornal O Norte, desta terça-feira, 7, destaca o avanço do uso de defensivos agrícolas em fazendas mineiras, que acontece em uma velocidade superior à registrada na média nacional.O jornal da família Muniz, só não explicou que a ainda deputada Raquel Muniz foi uma das deputadas que votou a favor do PL do Veneno, que alivia o controle de agrotóxicos. O projeto aprovado em comissão especial da Câmara, com votos de Raquel e de Zé Silva, prevê esconder o termo agrotóxico de produtos e dá mais poder para Ministério da Agricultura para deliberar sobre substâncias permitidas. (Leia aqui)Das nove mortes registradas em Minas neste ano por intoxicação por agrotóxico, uma foi em São João da Ponte, no Norte de Minas. Segue a matéria do O Norte Veneno no campo matou 120 em 7 anos Desenvolvido para eliminar pragas nas lavouras, os agrotóxicos também têm provocado mortes em Minas. Nos últimos sete anos, 120 pessoas perderam a vida após contato direto ou indireto com a substância química. Entre 2012 e 2018 foram mais de 2.500 internações por intoxicação. Os números da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) vão ao encontro de uma pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). Conforme o estudo, o avanço do uso de defensivos agrícolas em fazendas mineiras acontece em uma velocidade superior à registrada na média nacional. De acordo com a SES, a aplicação desses pesticidas aumenta a exposição da população. Geralmente, as intoxicações ocorrem por meio de inalação ou ingestão. Alimentos com resíduos dos produtos também apresentam risco. Os efeitos no organismo variam de acordo com “o princípio ativo, a dose absorvida, a forma de exposição e as características individuais da pessoa exposta”, explica nota da pasta. Os mais vulneráveis são os trabalhadores do campo, mas crianças, gestantes, lactantes e idosos estão no grupo de risco. “Os agrotóxicos são substâncias com o objetivo claro de destruir pragas. Acontece que, assim como atuam no sistema nervoso do inseto, fazem o mesmo com as pessoas”, diz o professor Marcus Vinicius Polignano, do Departamento de Medicina Preventiva Social da UFMG. Segundo o médico, até mesmo o leite materno pode ser contaminado pelos defensivos agrícolas. Outras pesquisas vão além e associam casos de câncer ao contato com os defensivos. CINTURÃODas nove mortes registradas em Minas neste ano por intoxicação por agrotóxico, uma foi em São João da Ponte, no Norte de Minas. Para tentar mudar esse quadro, a Emater está implantando um projeto com agricultores na região que visa eliminar o uso de componentes químicos no cultivo – o Cinturão Verde. Apesar de o órgão não ter um controle sobre o uso do agrotóxico nas lavouras, técnicos pontuam que no Norte de Minas os produtores rurais estão reduzindo o uso de produtos com substâncias venenosas, substituindo pelos naturais. Dos 60 produtores rurais que compõem o Cinturão Verde, pelo menos 30 estão em processo de transição para conseguir o selo Sem Agrotóxico (SAT), que garante ao consumidor que as verduras e frutas não possuem venenos normalmente utilizados nas plantações. Além disso, o produtor que possui o SAT tem assistência técnica do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) que coleta uma amostra e verifica em laboratório se o produto é isento de agrotóxicos. “Estamos ensinando o homem do campo a produzir compostos naturais que podem ser usados para combater pragas. As caldas naturais são soluções alternativas para o manejo e controle de pragas e doenças, sem dizimar. Elas podem ser feitas de pimenta, sabão em pó, fumo, vinagre”, explica o extensionista da Emater José Carlos Dias. Produto químico passa bem longe do cultivo de morangos – um dos produtos mais “acusados” de contaminação por agrotóxico – de José Simael Silva. Presidente da Associação dos Produtores de Hortifrutigranjeiros da Região do Pentáurea (Aspropen), que reúne cerca de 120 famílias, ele diz que esse é o diferencial na hora da comercialização. “Usamos produtos com composições naturais, assim podemos vender na Ceanorte e feiras livres da cidade”. Representantes dos produtores rurais negam os perigos para a população em geral. “Quem mais tem problema em relação ao uso de agroquímicos é o aplicador do produto, e não o consumidor. Por isso, a necessidade de equipamento de proteção individual, como máscara”, afirma o engenheiro agrônomo e analista de agronegócios da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Caio Coimbra.
Bolsonaro e Mourão: chapa puro sangue da extrema direita foi registrada

Quem é o general vice do capitão Bolsonaro, admirador do torturadores? Nos últimos anos, o general da reserva Hamilton Mourão, que foi recém-indicado vice na chapa de Bolsonaro, passou a adotar um perfil linha dura semelhante ao do candidato de extrema-direita; em seu último discurso como general no Salão de Honras do Comando Militar do Exército, no fim do ano passado, chamou o torturador Carlos Bilhante Ustra de “herói”; pouco antes havia defendido um novo golpe militar – Jair Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PSL, anunciou seu vice neste domingo 5. Após negociações frustradas com a advogada Janaína Paschoal e sondagens ao ‘príncipe’ Luiz Phillipe, descendente da família imperial, o deputado confirmou a escolha do nome do general da reserva Hamilton Mourão como integrante de sua chapa. Integrante da “linha dura” das Forças Armadas, é um confesso admirador do torturador Carlos Bilhante Ustra, a quem qualifica de “herói”, como Bolsonaro. Em 2017, defendeu um novo golpe militar. Um perfil do general Antonio Hamilton Martins Mourão ingressou no Exército em 1972, na Academia Militar das Agulhas Negras, em Resende, no Rio de Janeiro, também frequentada por Bolsonaro. Foi instrutor da mesma academia, cumpriu missão de Paz em Angola e foi adido militar do Brasil na Venezuela. Ele também comandou a 6ª Divisão de Exército e o Comando Militar do Sul. Embora também seja militar, Bolsonaro tem um currículo bem mais modesto que o de seu vice no Exército. O presidenciável chegou a capitão, enquanto Mourão foi general de exército, segunda patente mais alta da corporação. Nos últimos anos, Mourão passou a adotar um perfil linha dura semelhante ao de Bolsonaro. Em seu último discurso como general no Salão de Honras do Comando Militar do Exército, no fim do ano passado, chamou o torturador Carlos Bilhante Ustra de “herói”. Chefe do DOi-Codi quando foram registradas 45 mortes e desaparecimentos de presos políticos, segundo a Comissão Nacional da Verdade, Ustra também costuma ser enaltecido por Bolsonaro. Na sessão da Câmara que aprovou o impeachment contra Dilma Rousseff, o presidenciável referiu-se ao torturador como o “terror” da ex-presidenta. Em recente entrevista ao Roda Viva, Bolsonaro disse que seu livro de cabeceira era “Verdade Sufocada”, de autoria de Ustra. Antes de deixar o cargo de secretário de Economia e Finanças do Comando do Exército e seguir para a reserva, Mourão causou enorme polêmica ao defender, em uma palestra promovida pela maçonaria em Brasília em 2017, uma possível intervenção das Forças Armadas caso as instituições não resolvessem “o problema político” À época, o militar afirmou que ou o Judiciário retirava da vida pública “esses elementos envolvidos em todos os ilícitos” ou o Exército teria de “impor isso”. Ele afirmou que não existe uma fórmula de bolo para uma revolução ou uma intervenção, mas que haveria “planejamentos muito bem feitos”. Muitos cobraram à época uma punição para o general, mas Villas Bôas preferiu resolver o caso internamente e acelerar a aposentadoria de Mourão. Em 2015, o comandante do Exército também resolveu internamente outra polêmica. Exonerou Mourão do Comando Militar do Sul e o transferiu para a secretaria de Finanças após seu subordinado criticar abertamente o governo de Dilma Rousseff. Há três anos, Mourão chegou a afirmar em uma apresentação que a mera substituição da petista, embora necessária em sua visão, não traria uma mudança significativa no “status quo”, que dependeria do “despertar para a luta patriótica”. Leia mais aqui, em Carta Capital.
Mensagem do Papa Francisco ao ex-presidente Lula humilha golpistas

E AGORA! Vai haver uma autocrítica dos “checadores”? A Luiz Inácio Lula da Silva com a minha bênção, pedindo-lhe para orar por mim, Francisco O Papa Francisco abençoou na quinta-feira, dia 2/8, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que é mantido como preso político na sede da Polícia Federal em Curitiba desde 7 de abril.O Sumo Pontífice escreveu, de próprio punho, uma mensagem a Lula, que foi entregue ao ex-chanceler Celso Amorim após encontro entre os dois no Vaticano. Em espanhol, a mensagem do próprio punho do Papa diz: “A Luiz Inácio Lula da Silva com a minha bênção, pedindo-lhe para orar por mim, Francisco.”No encontro com o ex-chanceler Celso Amorim, as palavras utilizadas pelo Papa Francisco para se referir à situação brasileira foram “interesse e preocupação”, o que demonstra que ele acompanha de perto a crise política e institucional do País. No encontro com Amorim, o Papa recebeu o livro A verdade vencerá, em que Lula narra sua luta contra tribunal de exceção que o persegue no Brasil. Antes da audiência, o Papa já havia condenado ataques à democracia feitos pela mídia e pelo Judiciário e também enviado um rosário abençoado a Lula, por meio de Juan Grabois, consultor do Vaticano. Todos se lembram que, um mês e meio atrás, os pretensiosos “checadores de notícia” disseram que era “falsa” a informação de que o Papa Francisco teria enviado um terço para o ex-presidente Lula.Não era falsa e o próprio Vaticano fez uma corrigenda ao responsável pelo seu serviço de notícias em português, mas mesmo assim insistiram e nunca pediram desculpas públicas por terem levado, até, o Facebook a bloquear uma publicação do jornalista Renato Rovai.Agora, Francisco foi além disso e enviou um manuscrito a Lula, por intermédio do ex-chanceler Celso Amorim, que o visitou, aliás na folha de rosto de outro exemplar do livro que recebeu: “Lula, A verdade vencerá”.Recebeu-o numa visita pessoal, porque o Papa tem, mais que ninguém, consciência das liturgias do cargo e o Brassil tem uma representação diplomática que se relaciona com o Francisco que é chefe de Estado, no Vaticano.O significado do gesto, porém, é inequívoco, evidente.Aliás, Francisco maneja muito bem as entrelinhas do que comunica. A duração do encontro – uma hora – e permitir-se fotografar segurando o livro foram atitudes com significado, não acasos.Infelizmente, a grande mídia brasileira – exceção à Folha, que registrou o encontro – preferiu jogar o fato na sombra do silêncio. Papa também recebeu mãe de Marielle Franco Da esq. para a dir.: Marinete da Silva, mãe de Marielle, Carol Proner, advogada e jurista, Papa Francisco, Paulo Sérgio Pinheiro e Cibele Kuss, pastora luterana representante da Conic. O Papa Francisco também recebeu mais um grupo de brasileiros que o procuraram para denunciar a violação de direitos humanos no país. A comitiva era formada por Marinete Silva, mãe da vereadora Marielle Franco (PSOL/RJ), assassinada em março, a advogada Carol Proner, co-autora de um livro que critica a condenação do ex-presidente Lula, a pastora luterana Cibele Kuss e Paulo Sérgio Pinheiro, ex-ministro de Direitos Humanos e ex-coordenador da CNV (Comissão Nacional da Verdade).O encontro ocorreu um dia depois de o santo padre ter recebido o ex-embaixador brasileiro Celso Amorim.