Venezuelanos são resgatados de situação análoga à escravidão

 Fiscalização encontra venezuelanos em situação semelhante a escravidão em RoraimaInvestigação demorou dez dias e aconteceu em Boa Vista e região metropolitana Quatro trabalhadores em situação semelhante a de escravos foram resgatados, em Roraima. Outros 38, inclusive venezuelanos, também foram encontrados trabalhando em situação irregular. Por Renata Martins – Radioagência Nacional Durante dez dias, o Grupo Especial Móvel do Ministério do Trabalho fiscalizou áreas rurais na capital Boa Vista e região metropolitana. A ação terminou no dia 27 de abril deste ano. Entre os casos, um homem de mais de 65 anos foi encontrado em situação irregular, em uma fazenda no município de Mucajaí. Ele foi retirado do local pelos auditores e encaminhado à assistência social para dar entrada no processo de aposentadoria. Um vaqueiro foi resgatado em Iracema, também em situação semelhante a de escravo. Ele foi encaminhado para um hotel, em Boa Vista, e teve as despesas pagas pelo fazendeiro. Na mesma propriedade, oito pessoas trabalhavam sem carteira assinada. Todos receberão os direitos trabalhistas retroativos à admissão. O trabalhador resgatado, além de receber as indenizações trabalhistas, receberá três parcelas de seguro-desemprego, direito concedido a trabalhadores nesta situação. Trabalhadores estrangeiros, principalmente venezuelanos, também estão entre as vítimas encontradas durante a fiscalização. Em uma única fazenda, no município de Cantá, os auditores encontraram 18 trabalhadores irregulares, sem registro em carteiras. Treze deles são venezuelanos e um colombiano. O grupo exercia atividades de pesca e trato do peixe para a venda, dormindo em redes e bebendo água de um poço. Também foram encontrados três trabalhadores venezuelanos em situação degradante, numa obra de construção civil. De acordo com o Mistério do Trabalho, ano passado foram resgatadas 556 pessoas nessa situação ilegal. A maioria dos trabalhadores submetidos ao trabalho degradante está caracterizado no Código Penal como trabalho análogo ao de escravo, que consiste em submeter alguém a trabalhos forçados ou a jornada exaustiva, por exemplo. Desde sua criação, em 1995, já foram encontradas e resgatadas pelo Grupo Móvel mais de 50 mil pessoas em trabalho análogo ao de escravo. Os trabalhadores resgatados receberam indeniização – Créditos: Antônio Cruz/Agência Brasil Edição: EBC Radioagência Nacional

A mais terrível de nossas heranças, por Darcy Ribeiro

 Este texto é para quem não percebe a importância das cotas, das políticas de ação afirmativa, para reparar uma injustiça histórica. Às vezes penso que muitas pessoas não têm noção do que significa para um ser humano ser escravizado. As marcas que isso deixou, os traumas, e inclusive a absurda desvantagem em termos de ocupar um lugar digno na sociedade. Darcy Ribeiro explica. “Apresado aos quinze anos em sua terra, como se fosse uma caça apanhada numa armadilha, ele era arrastado pelo pombeiro – mercador africano de escravos – para a praia, onde seria resgatado em troca de tabaco, aguardente e bugigangas. Dali partiam em comboios, pescoço atado a pescoço com outros negros, numa corda puxada até o corpo e o tumbeiro. Metido no navio, era deitado no meio de cem outros para ocupar, por meios e meio, o exíguo espaço do seu tamanho, mal comendo, mal cagando ali mesmo, no meio da fedentina mais hedionda. Escapando vivo à travessia, caía no outro mercado, no lado de cá, onde era examinado como um cavalo magro. Avaliado pelos dentes, pela grossura dos tornozelos e nos punhos, era arrematado. Outro comboio, agora de correntes, o levava à terra adentro, ao senhor das minas ou dos açúcares, para viver o destino que lhe havia prescrito a civilização: trabalhar dezoito horas por dia todos os dias do ano. No domingo, podia cultivar uma rocinha, devorar faminto a parca e porca ração de bicho com que restaurava sua capacidade de trabalhar, no dia seguinte, até à exaustão. Sem amor de ninguém, sem família, sem sexo que não fosse a masturbação, sem nenhuma identificação possível com ninguém – seu capataz podia ser um negro, seus companheiros de infortúnio, inimigos –, maltrapilho e sujo, feio e fedido, perebento e enfermo, sem qualquer gozo ou orgulho do corpo, vivia a sua rotina. Esta era sofrer todo o dia o castigo diário das chicotadas soltas para trabalhar atento e tenso. Semanalmente, vinha um castigo preventivo, pedagógico, para não pensar em fuga, e, quando chamava atenção, recaía sobre ele um castigo exemplar, na forma de mutilação de dedos, do furo de seio, de queimaduras com tição, de ter todos os dentes quebrados criteriosamente, ou dos açoites no pelourinho, sob 300 chicotadas de uma vez, para matar, ou 50 chicotadas diárias, para sobreviver. Se fugia e era apanhado, podia ser marcado com ferro em brasa, tendo um tendão cortado, viver peado com uma bola de ferro, ser queimado vivo, em dias de agonia, na boca da fornalha ou, de uma vez só, jogado nela para arder como um graveto oleoso. Nenhum povo que passasse por isso como sua rotina de vida através de séculos sairia dela sem ficar marcado indelevelmente. Todos nós, brasileiros, somos carne da carne daqueles pretos e índios supliciados. Todos nós, brasileiros, somos, por igual, a mão possessa que os supliciou. A doçura mais terna e a crueldade mais atroz aqui se conjugaram para fazer de nós a gente sentida e sofrida que somos e a gente insensível e brutal que também somos. Descendentes de escravos e senhores de escravos seremos sempre servos da malignidade destilada e instalada em nós, tanto pelo sentimento da dor intencionalmente produzida para doer mais quanto pelo exercício da brutalidade sobre homens, sobre mulheres, sobre crianças convertidas em pasto de nossa fúria. A mais terrível de nossas heranças é esta de levar sempre conosco a cicatriz de torturador impressa na alma e pronta a explodir na brutalidade racista e classista. Ela é que incandesce, ainda hoje, em tanta autoridade brasileira predisposta a torturar, seviciar e machucar os pobres que lhes caem às mãos. Ela, porém, provocando crescente indignação nos dará forças, amanhã, para conter os possessos e criar aqui uma sociedade solidária.” (Do livro “O povo brasileiro”, editora Companhia das Letras, 1995)

Câmara de Vereadores de Montes Claros exonera Hélio Machado

 O jornalista é acusado de estuprar colega de trabalho  Por Juliana Gorayeb, do G1 Grande Minas A Câmara de Vereadores de Montes Claros divulgou nesta terça-feira (8) a exoneração do ex-chefe do setor de comunicação do órgão, Hélio Machado, após a conclusão de um processo administrativo aberto contra ele. Hélio é acusado de ter cometido estupro contra uma assessora de comunicação, ex-colega de trabalho do acusado, dentro da Câmara. Em nota enviada pela assessoria, a casa legislativa diz que uma Comissão Especial foi instaurada para apurar os fatos e que “pela existência de conduta administrativa inadequada no setor decidiu-se pela exoneração do servidor Hélio Machado”. Os abusos pelos quais o servidor, que era contratado, foi acusado de ter cometido ocorreram no último dia sete de fevereiro. Desde a denúncia, Hélio havia sido afastado do cargo e aguardava o resultado do processo administrativo. O caso também foi investigado pela Delegacia da Mulher e um inquérito foi finalizado no dia 19 de abril. No documento, encaminhado à Justiça, a Polícia Civil afirma que o acusado teria “agarrado à vítima de 24 anos, por trás, passando as mãos por sua barriga e seios, e ainda teria dado uma leve ‘chupada’ em seu pescoço”. O jornalista foi indiciado pela PC por crime de estupro. A exoneração do servidor ainda não foi publicada no Diário Oficial do município. O que dizem os envolvidosApós nota de esclarecimento da Câmara de Montes Claros informando decisão da exoneração, Hélio Machado falou com o G1 ao telefone. O jornalista foi servidor contratado por 23 anos e nega ter cometido o crime. “Me causa estranheza, tanto o teor do inquérito policial quanto o relatório da Câmara. Eu não fiz nada, nunca agrediria ninguém dessa forma. A decisão de me exonerar é injusta, porque nunca tive problemas com ninguém na casa durante todo o tempo em que trabalhei lá”, afirma. Hélio conta não ter tido acesso à conclusão do processo instaurado pela Câmara oficialmente, e que não esperava ser exonerado. “Pelo que sei, a apuração nem chegou ao resultado concreto. Não conseguiram concluir o que houve, então por que me exonerar?”, questiona. O ex-servidor foi questionado pelo G1 sobre os motivos que levaram uma colega de trabalho a denunciá-lo. Ele acusa os assessores da Câmara de Montes Claros de terem interesse no cargo que ocupava e alega sofrer perseguição política por parte da presidência da Câmara, ocupada pelo vereador Cláudio Prates (PTB). “Essa história é mais um capítulo da perseguição política que venho sofrendo. Como a jornalista dava as cartas antes que eu fosse nomeado chefe, depois que eu assumi ela tentava fazer escalas de trabalho sem meu consentimento, e talvez até tivesse interesse em ocupar meu cargo. Outras pessoas que estão lá também tinham este interesse, de ocupar a chefia. A intenção de me atingir começa pelo fato de eu ser presidente de um partido político”, alega o ex-servidor. Sobre a tentativa de estupro, em si, Hélio Machado afirma nunca ter tocado na jornalista sem o consentimento dela e que beijá-la como cumprimento era uma prática recorrente. “No dia em que ela alega ter sido abusada, eu apenas fiz um cumprimento, como fazíamos todos os dias, com um beijo e um abraço. Ela me cobrava que a cumprimentasse, inclusive, se em algum dia eu não o fizesse. Tanto não houve nada anormal, que na data do possível estupro ela não me disse nada, só depois eu soube que estava sendo acusado de estupro. Minha ascensão profissional a incomodou”, declara. Hélio Machado disse não saber se vai recorrer da decisão tomada pela Câmara Municipal de Montes Claros e que vai aguardar decisão da Justiça. Em resposta, a jornalista envolvida no caso enviou nota ao G1. Ela informa que jamais se exporia a uma situação constrangedora em vão e que a delegada responsável pelo caso relatou a situação de maneira sensata. “A verdade está clara, prova disso foram as decisões da Polícia Civil e da Câmara. Essa luta não é minha e sim coletiva. A denúncia é importante para que os agressores saibam que existe justiça”, diz. O que diz o presidente da CâmaraO vereador Cláudio Prates, presidente da Câmara de Montes Claros, acusado por Hélio Machado de perseguição política, diz que as declarações do ex-servidor não são verdadeiras. A assessoria do parlamentar respondeu, através de nota, que o servidor demitido foi ouvido pela gerência e presidência da Casa Legislativa. “Jamais haveria perseguição política até porque o jornalista ocupava um cargo de chefia na gestão, indicado pelo presidente. A argumentação dele é para justificar o injustificável. A decisão foi colegiada com base no relatório da comissão especial instaurada para apurar o caso”, diz a nota. Entenda o casoUma assessora de comunicação da Câmara de Vereadores de Montes Claros acusou o ex-chefe de comunicação do órgão, agora demitido, de tentativa de estupro ocorrida no dia sete de fevereiro deste ano. A partir do registro do boletim de ocorrência, a Delegacia da Mulher instaurou um inquérito para investigar o então chefe de comunicação da Câmara de Montes Claros, no dia 2 de março. O inquérito que investigava o caso foi concluído no dia 19 de abril e entregue à Justiça. A Polícia Civil diz que o acusado teria “agarrado a vítima de 24 anos, por trás, passando as mãos por sua barriga e seios, e ainda teria dado uma leve ‘chupada’ em seu pescoço”, relatou a Polícia Civil, em nota. O caso segue em trâmite na Justiça. A Câmara Municipal, que também instaurou processo administrativo para investigar o caso, decidiu nesta terça-feira (8) exonerar Hélio Machado.

Violência Invisível leva Tadeu Leite e seus comparsas para o banco dos réus

 Os envolvidos serão julgados por formação de quadrilha, fraude em licitações e crimes de peculato.O Juiz Bruno Sena Carmona, da 2ª Vara Criminal de Montes Claros designou para a próxima sexta-feira, 11, às 13:15 horas, a audiência do Processo 0433 130285086, para interrogar o ex-prefeito de Montes Claros Luiz Tadeu Leite e o ex-secretário de administração Elias Siuf, além do ex-procurador do município Sebastião José Vieira Filho e do ex-presidente da comissão se licitação Noélio Francisco Oliveira, que foram denunciados a justiça após as investigações desencadeadas pela Operação Violência Invisível. Eles são suspeitos de desviar mais de R$ 8 milhões com compras de créditos precatórios falsos.O proprietário da empresa Digicorp, Mateus Roberte Carias, e sua esposa, Rosilene Trindade Rodrigues Carias, e os dois funcionários da Digicorp, Marcos Vinícius da Silva e Ademilson Emídio de Abreu, também foram denunciados.O ex-prefeito de Montes Claros, Luiz Tadeu Leite, que já teve prisão preventiva decretada pela juíza da comarca de Pirapora, Arlete Aparecida da Silva Coura, tentou ser ouvido através de carta precatória, na cidade de Nova Lima, Região Metropolitana da capital mineira, onde reside atualmente, mas o Juiz Bruno Sena Carmona indeferiu e exigiu a presença de Tadeu Leite, juntamente com os demais investigados. Entenda o casoO Ministério Público de Minas Gerais divulgou, em setembro de 2014, a denúncia contra Luiz Tadeu Leite, Elias Siuf, Sebastião José Vieira Filho, Noélio Francisco Oliveira, Mateus Roberte Carias, Rosilene Trindade Rodrigues Carias, Marcos Vinícius da Silva e Ademilson Emídio de Abreu.De acordo com o MP, Luiz Tadeu Leite “tomou conhecimento da atuação dos ‘empresários’ do Espírito Santo em outros municípios da região e viu uma oportunidade de desviar recursos do município”. O ex-prefeito é considerado pelo MP como o líder do grupo criminoso na cidade, pois ele era “único que tinha o poder de decidir quanto à efetiva contratação e realização dos milionários pagamentos direcionados à DIGICORP”.As fraudes, de acordo com a denúncia ocorreram entre 2011 e 2012. Neste período foram realizadas 25 transferências bancárias com diversos valores. “Foi apurado que o dinheiro foi depositado em uma única conta, do Mateus Carias. Descobrimos ainda que vários saques foram realizados após os depósitos”, afirma o procurador Guilherme Roedell.Ainda segundo o MP, o prejuízo total aos cofres públicos pode chegar aos R$ 30 milhões. “Quando a Receita Estadual percebe que houve uma movimentação financeira sem a devida declaração, ela aplica uma multa e este valor não declarado muitas vezes é triplicado”, explicou o promotor. Luiz Tadeu Leite, Sebastião José Vieira Filho, Elias Siuf e Noélio Francisco Oliveira

STF manda processo contra Aécio começar do zero, em Minas Gerais

 O ministro Alexandre de Moraes, do STF, mandou processos contra políticos do PSDB começar do zero na primeira instância. Dentre os beneficiados pela medida estão o senador mineiro Aécio Neves e os deputados paranaenses Valdir Rossoni e Luís Nishimori. Os processos foram remetidos às justiças de Minas Gerais e do Paraná, haja vista o novo entendimento acerca do ‘foro por prerrogativa de função’ que prevê permanência no STF apenas as ações cujos crimes ocorreram durante o mandato do parlamentar e estejam ligados às funções do cargo. Quando é acionada contra políticos do PSDB, a Justiça costuma demorar bastante para decidir. Vide o caso do ex-governador mineiro Eduardo Azeredo, que recentemente obteve o benefício de um novo julgamento. Sua ação penal demorou mais de 12 anos para ser apreciada, mesmo assim não foram esgotados os recursos na segunda instância. (A ação contra Lula demorou seis meses). No caso de Aécio, a bronca dele é de quando era governador de Minas. O tucano teria fraudado licitações para construir a Cidade Administrativa. Já Valdir Rossoni responde por prevaricação e é investigado na Operação Quadro Negro. Luís Nishimori respondia no STF pelo emprego de nove “funcionários fantasmas” quando era deputado estadual no Paraná, entre os anos de 2003 e 2010, implicando desvio do total de R$ 2,8 milhões. Além do trio — Aécio, Rossoni e Nishimori –, a decisão do ministro Alexandre de Moraes também beneficiou mais cinco parlamentares: Roberto Rodrigues Goes, César Hallum, Carlos Henrique Amorim, Lamarck Gomes e Ricardo Cavalcanti. Aécio vai para “juízes amigos de Minas”. Viram, bobinhos do foro privilegiado? Por Fernando Brito Na hipocrisia brasileira, as coisas são o contrário do que parecem. O fim do foro privilegiado, disseram a você, agilizaria o julgamento dos políticos acusados de crimes. Celeridade, celeridade, celeridade, bradavam os colunistas dos grandes jornais. E hoje, na Folha, lê-se que Alexandre de Moraes, mandado diretamente do PSDB para o Supremo, acaba de remeter para a Justiça de Minas Gerais o inquérito sobre as propinas supostamente pagas a Aécio Neves pela construção do Centro Administrativo do Estado. Aquela mesma justiça estadual onde, por anos arrastou-se o processo do “mensalão mineiro”, novela que ainda não terminou e que corre o risco de ter como epílogo a prescrição da pena dada a Eduardo Azeredo, ex-presidente nacional do PSDB, já perdido nas brumas da memória pública. Embora vá ser muito difícil Aécio Neves livrar-se , de imediato, do outro processo que se lhe move, o da mala da JBS, ficam maiores as possibilidades de que, findo seu mandato, também este tenha o mesmo destino. E em Minas, como se sabe, até um aeroporto privado, para uso de lazer, vira uma obra de infraestrutura, essencial para escoar a produção da indústria da pequena cidade de Cláudio. Que, como se sabe, é conhecida pelo grande número de fundições de ferro, um material levíssimo, adequado para transporte aéreo.

Comissão de Direitos Humanos da Câmara é impedida de visitar Lula

 “Há pessoas no Judiciário utilizando suas opiniões políticas para manter um inocente preso e que não respeitam a lei”, afirmou a deputada Maria do Rosário São Paulo – A Comissão de Direitos Humanos da Câmara foi impedida pela juíza substituta Carolina Lebbos, da Vara de Execuções Penais de Curitiba, de vistorias as condições do cárcere do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. É a segunda vez que uma comissão que representa o Legislativo é barrada na Superintendência da Polícia Federal do Paraná, onde Lula está preso há 31 dias. Também foram barrados governadores e até mesmo o ganhador do Prêmio Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel. “Isso mostra que vivemos em um Estado de exceção”, disse o presidente da comissão, deputado Luiz Couto (PT-PB). “Nossa comissão aprovou dois requerimentos para essa visita e diligência. Infelizmente, a juíza, novamente, de forma insensível e autoritária, negou”, completou. Foram barrados, além de Couto, Patrus Ananias (PT-MG), Dionilso Marcon (PT-RS), Maria do Rosário (PT-RS) e Luzianne Lins (PT-CE). A deputada Maria do Rosário disse que a comissão deve ingressar com um pedido ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para que a juíza explique sua sentença de impedimento, já que tal decisão “interfere no regimento interno da Câmara dos Deputados”. “Isso é autoritarismo mediado por opinião política. Há pessoas no Judiciário utilizando suas opiniões políticas para manter um inocente preso, para não respeitarem a lei. Também já acionamos a presidência da Câmara (Rodrigo Maia, do DEM-RJ).” Luzianne criticou a interferência da juíza em prerrogativa do Legislativo. “Sempre aprendemos que há divisão entre os poderes. A partir do momento em que há um documento aprovado na comissão do Parlamento, não é mais uma questão pessoal, é uma questão da Câmara. Temos a prerrogativa de fiscalizar, essa é nossa função. No momento que uma juíza nos impede de legislar, de fiscalizar, temos que denunciar esse desrespeito de poderes”, disse. “Uma juíza de primeiro grau que prestou um concurso acha que pode impedir uma comissão da Câmara de visitar um preso político.” O presidente da CDHM lembrou que visitas eram respeitadas mesmo durante a ditadura civil-militar (1964-1985). “Durante a ditadura, Lula visitou vários presos políticos. Agora que ele é um preso político, impedem a comissão de direitos humanos de verificar as condições dele. O velho mundo agoniza e o novo tarda a nascer. Neste claro escuro, irrompem-se os monstros. Os monstros estão aí”, disse, citando o filósofo italiano Antônio Gramsci. Barrados, os deputados aproveitaram para almoçar no acampamento, que foi levantado no primeiro dia de cárcere do ex-presidente e resiste. “O pessoal do acampamento é de muita luta. Eles nunca desistem porque eles têm uma causa que é mais do que justa. Lula é candidatíssimo. Ele representa o povo brasileiro e essa é a questão que nos trás aqui novamente para verificarmos como ele se encontra, seus direitos e para dizermos que essa prisão política não pode permanecer”, disse Maria do Rosário. Parlamentares foram barrados de vistoriar prisão de Lula e visitaram acampamento de resistência

Joaquim Barbosa desiste de concorrer a Presidência da República

 – O ex-presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) Joaquim Barbosa, filiado ao PSB, informou, por meio de sua conta pessoal no Twitter, na manhã desta terça-feira (8), que não será candidato à Presidência da República. “Está decidido. Após várias semanas de muita reflexão, finalmente cheguei a uma conclusão. Não pretendo ser candidato a Presidente da República. Decisão estritamente pessoal”, escreveu. Joaquim Barbosa vinha sendo apontado como um nome capaz de representar “o novo” na disputa, capaz de representar uma opção de direita ou centro-direita. Logo depois do anúncio de sua pré-candidatura, ele obter índices ao redor de 10% nas pesquisas eleitorais. Com decisão, muda todo o cenário eleitoral mais uma vez. Aparentemente, a candidatura de Ciro Gomes deve ser favorecida e Marina Silva perde sua única chance de composição na disputa. Está decidido. Após várias semanas de muita reflexão, finalmente cheguei a uma conclusão. Não pretendo ser candidato a Presidente da República. Decisão estritamente pessoal.

País inexistente – Por Felipe Gabrich

Está mais do que evidenciado o golpe de 2016. Tiraram na marra uma presidenta da República inocente, reeleita para um novo mandato que iria até dezembro de 2018 com mais de 54 milhões de votos.Criminalizaram o Partido dos Trabalhadores.Condenaram e prenderam um ex-presidente da República por uma acusação vergonhosa sem prova.Juntaram o PSDB, o Poder Judiciário, os pequenos partidos venais, a mídia falada, escrita e televisionada, lideradas pelas Organizações Globo, os grupos econômicos, a elite festiva e os medíocres e fanáticos fascistas, para – em nome de um suposto combate à corrupção – expulsar o vibrante partido dos trabalhadores do cenário político nacional.O povo e a opinião brasileira engoliram a fajuta versão.E não sabem o que fazer na atualidade, pois está tudo dominado.E o sistema golpista continua em andamento.Em nome de um estado mínimo de uma política neoliberal o governo espúrio e golpista está entregando praticamente a valores irrisórios o patrimônio nacional.Já leiloaram o pré-sal.Já aprovaram uma reforma trabalhista que escraviza o trabalhador.E vão entregar na bandeja a Embraer, a Eletrobras e a Petrobrás.Enquanto isso, o presidente interino, líder do MDB, acena uma possível aliança com o PSDB para concorrer à Presidência da República em outubro próximo.MDB e PSDB.Quem diria, mas em política tudo é possível acontecer. Sem Lula no caminho, fica mais fácil abiscoitar a vitória no próximo pleito eleitoral. E as denúncias de corrupção envolvendo o próprio chefe da nação, seus principais assessores, senadores e deputados de seu partido, além de conceituados políticos da ex-oposição, vão sendo engavetadas escandalosamente.A bandidagem de colarinho branco anda livre e solta nos corredores palacianos e nas altas cortes do judiciário brasileiro.O senador Romero Jucá foi flagrado numa conversa telefônica grampeada anunciando o golpe “com o Supremo e tudo”. O senador Aécio Neves, que perdeu as últimas eleições presidenciais e tem se dedicado desde o resultado em expulsar o PT da vida política nacional, foi pilhado em vídeo negociando uma propina e mandando matar.A Polícia Federal descobriu um apartamento do ex-Ministro e deputado Geddel Vieira Lima, em Salvador, contendo malas cheias de dinheiro de origem não explicada.O deputado federal Rodrigo Rocha Loures foi flagrado correndo numa avenida de uma cidade grande com uma mala cheia de dinheiro sujo.Além do envolvimento de outros nomes famosos no panorama político do país em aviltantes casos de corrupção ativa.Dinheiro, muito dinheiro dos cofres públicos, saindo pelos ralos da corrupção.E os verdadeiros corruptos debochando da impunidade nacional.Lula está condenado e preso. A famigerada operação Lava Jato de Curitiba cumpriu sua finalidade.Deteve a invencibilidade eleitoral do Partido dos Trabalhadores que já durava mais de uma dezena de anos.Aliás, varreu a agremiação egressa das minorias do cenário político brasileiro.Tudo em nome da moralidade política e do combate à corrupção.Mas as denúncias cada vez mais escandalosas de sangria dos cofres públicos pipocam todo dia.Com o silêncio conivente dos golpistas e da chamada mídia chapa branca.E os bandidos, travestidos de heróis da pátria, continuam livres e soltos.Recorrer a quem? À ONU? À Comissão Internacional de Direitos Humanos?Na verdade, o sentimento que fica entre os brasileiros patriotas é o de que o país não existe.Ou continua adormecido em berço esplêndido, como na letra do Hino Pátrio. Felipe Gabrich é jornalista e colaborador do EM CIMA DA NOTÍCIA

Correios vão fechar 513 agências e demitir 5,3 mil funcionários

 Os Correios decidiram fechar nos próximos meses 513 agências próprias e demitir os funcionários que trabalham nelas, o que deve atingir 5.300 pessoas. A medida foi aprovada em reunião da diretoria em fevereiro e é mantida em sigilo pela empresa. Quem participou dela teve de assinar um termo de confidencialidade, o que não é usual. Na lista há agências com alto faturamento. Em Minas, das 20 mais rentáveis, 14 deixarão de funcionar. Os clientes serão atendidos por agências franqueadas que funcionam nas proximidades das que serão fechadas. Em São Paulo, serão fechadas 167 agências – 90 na capital e 77 no interior. A decisão causa polêmica dentro dos Correios. O assunto foi tratado como extra pauta na reunião da diretoria sem o anexo da relação de agências. A desconfiança é de que a medida foi tomada para beneficiar os franqueados. O ex-presidente dos Correios Guilherme Campos justificou que serão fechadas agências próprias que ficam muito próximas de outras operadas por agentes privados. Ele diz que o número de demissões pode ser até maior. Vai depender da capacidade financeira da empresa para indenizar os trabalhadores. A decisão exigiu sigilo, segundo o ex-presidente, porque envolve a demissão de muitos funcionários da empresa. A economia anual com o fechamento das agências somada às demissões é calculada em R$ 190 milhões. Correios: Sucatear e privatizar? Esta notícia do fechamento de 513 agências e demissão de mais de 5 mil funcionários dos Correios vem causando medo entre os trabalhadores e incerteza nos usuários. Seria esse mais um passo rumo à privatização dos serviços postais no País? Na realidade, os serviços prestados pelos Correios vêm sendo precarizados desde o golpe de 2016. Constantes atrasos e extravios de encomendas, irritam os usuários dos serviços. Os serviços de Banco Postal foram encerrados em quase 2 mil agências de 12 estados. Agora, com o fechamento de agências, o serviço deve piorar ainda mais, abrindo espaço para a quebra do monopólio e a privatização dos serviços da empresa.

Greve da Unimontes deverá ser encerrada nos próximos dias

 PROFESSORES DA UNIMONTES ACEITAM PROPOSTA DO GOVERNO E SE REÚNEM NESTA SEMANA PARA DELIBERAR SOBRE FIM DA GREVE Em assembleia realizada na manhã da última sexta-feira 4, no campus da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), os professores aceitaram a proposta do Estado. Na próxima terça-feira a comissão de negociação se reúne com representantes do governo para definir os termos do acordo. Na quinta será realizada nova assembleia, para deliberar pelo encerramento da greve. A proposta aprovada consiste em incorporar gratificações ao vencimento básico e aplicar o recurso que seria destinado ao aumento da Dedicação Exclusiva (DE) nas tabelas da carreira. Na assembleia de hoje também foi aprovada a inclusão no acordo de ponto que garante o gozo das férias regulamentares para os professores, no mês de janeiro. O comando de greve informou que a categoria está sem férias há quase 3 anos. A Associação dos Docentes da Unimontes (Adunimontes) sempre defendeu a necessidade de reservar esse período para isso.A greve já dura quase 100 dias e foi a forma encontrada pelos professores para fazer valer o acordo celebrado com o governo em 2016, que pôs fim ao movimento daquele ano. Fotos e Texto: Waldo Ferreira