Secretário da PBH mantém atuação no Norte de Minas e incomoda servidores

Zé Reis, segundo relatos de funcionários, estaria deixando a gestão da pasta em segundo plano para se promover junto a prefeitos e eleitores das cidades onde ele mantém base eleitoral O esforço que o secretário de Meio Ambiente de Belo Horizonte, o ex-deputado estadual Zé Reis (Podemos), faz para agradar suas bases eleitorais no Norte de Minas tem causado insatisfações entre os servidores da pasta na prefeitura da capital. Segundo relatos de funcionários, Zé Reis estaria deixando a gestão da pasta em segundo plano para se promover junto a prefeitos e eleitores das cidades onde ele mantém base eleitoral. Ele foi deputado até 2022, mas não conseguiu se reeleger. Naquele ano, José Reis, que é vice-presidente do Podemos em Minas, fez dobradinha com a então presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte, Nely Aquino (Podemos), candidata a deputada federal e presidente do partido no Estado. Entre as reclamações listadas pelos servidores da pasta está o uso de assessores nomeados pelo secretário e que seriam utilizados para fazer promoção pessoal do gestor em vez de trabalhar para projetos da secretaria. “Ficam atrás dele filmando e fotografando tudo, só para postagem em redes sociais e fazer campanha”, dizem. Nas redes sociais, o secretário continua, inclusive, utilizando o seu slogan de campanha, “Gente que Vale”, como mote em todas as suas postagens. Ele mostra, por exemplo, sua participação na inauguração de uma ponte sobre o rio Pardo, em Januária, no Norte de Minas, principal destino de Zé Reis em dezembro último. O secretário também participou, ao lado do governador Romeu Zema (Novo) e do senador Cleitinho (Republicanos), da inauguração de um centro de hemodiálise na cidade, cujas verbas foram solicitadas por Zé Reis quando era deputado. Além disso, o secretário registrou, ainda em dezembro, participação na entrega de um microtrator, em Chapada Gaúcha, também no Norte de Minas. Na região, ele ainda participou, na Câmara Municipal de Montes Claros, em 8 de dezembro, feriado na capital mineira, da entrega de título de cidadão honorário para um empresário do ramo hospitalar da cidade. Já no início de janeiro, ainda em Januária, ele participou, ao lado do prefeito, Maurício Almeida (PP), da entrega de cinco veículos para uso na Secretaria Municipal de Saúde. José Reis assumiu o cargo na Prefeitura de Belo Horizonte em abril de 2023. Ao longo do ano, o secretário fez postagens ao lado do prefeito da capital, Fuad Noman (PSD), em projetos ambientais, sempre intercaladas com diversos registros de participações e homenagens a políticos de sua base eleitoral, como entregas em Montalvânia, Porteirinha e Pirapora. A reportagem tentou contato com o secretário via mensagem e telefone e também acionou a assessoria de comunicação da prefeitura pedindo posicionamento, desde o último dia 9, porém não havia obtido retorno até ontem à noite de ontem O Tempo

Estudo mostra que elite ficou ainda mais rica durante período Bolsonaro

Nota foi elaborada pelo economista Sérgio Gobetti, publicada pelo Observatório de Política Fiscal do FGVA Nota técnica elaborada pelo economista Sérgio Gobetti, publicada pelo Observatório de Política Fiscal do FGVA, indica que a renda de 15 mil pessoas pertencentes ao topo da pirâmide social no Brasil cresceu nos últimos anos até o triplo do ritmo observado entre o restante da população, elevando a concentração da riqueza ao fim do governo Jair Bolsonaro (PL). As informações são do jornal Folha de S.Paulo. A reportagem ainda indica que, entre essa elite, que representa 0,01% da população, o crescimento médio da renda praticamente dobrou (96%) entre 2017 e 2022. Na fatia 1% mais rica, o crescimento também foi alto, de 67%. Entre os 5% com mais ganhos, de 51%. Enquanto isso, os ganhos da imensa maioria da população adulta (os 95% mais pobres) não avançaram mais do que 33% —pouca coisa acima da inflação do período (31%).  

Darcy Ribeiro, o futebol “nacional” e outras quinquilharias…

*  Por Ildenilson Meireles Barbosa 1° Tempo: Por um nacionalismo de esquerda Não é novidade pra ninguém, mesmo para aqueles que nunca leram uma página sequer de qualquer texto de Darcy Ribeiro, que sua defesa da autonomia política e econômica do Brasil se expressa como sua mais entusiasmada defesa do nacionalismo. E o sabemos somente porque Darcy Ribeiro tem popularidade de jogador de futebol dos bons. É um pensador do Brasil. Um brasileiro, nascido por aqui pelo arraial das formigas e terra da cultura catopé, que ganhou o mundo, convidado por estadistas e intelectuais famosos a morar na Europa e nos Istêites, preferiu se entranhar na América Latina e reinventar a Pátria Grande das revoluções socialistas no seio da qual pulsaria a pátria de chuteiras. Esse enraizamento de Darcy na América Latina e seu encantamento pelo ‘povo’ brasileiro, esse povo sofrido e festivo, dá a ele, merecidamente, a tarja de capitão dos intelectuais nacionais. E parece estranha a letra “nacionalismo” no texto de um autor que radicalizou sua crítica social dos instrumentos truculentos das ditaduras que se perfilaram pela América Latina, inclusive no Brasil, pois que o argumento dos milicos aqui e acolá não era outro senão o da defesa da pátria, ou seja, a defesa da nação contra o perigo comunista. Desde então, essa pecha “nacionalista” se alojou nas entranhas do pensamento conservador de modo que o termo mesmo ganhou ares de “posse”, de propriedade dos defensores da pátria contra seus inimigos, os insurgentes de toda espécie. Os acontecimentos mais recentes em toda a América Latina tem demonstrado justamente isso. A ascensão alhures das extremas direitas traz em sua fachada a reivindicação da defesa da nação contra os detratores, ao mesmo tempo em que recupera o fantasma do comunismo como o mal a ser combatido à bala. Zeladores da pátria, eles conclamam seus pares para uma guerra de morte contra os inimigos da nação. Ora, mas não é de se estranhar que os ecos da extrema direita, da direita e coisas afins, que reivindicam a chancela de “protetores” da nação, façam suas alianças com os colonizadores de sempre e retroalimentam o seu discurso nacionalista com enunciados propalados pelo império vampiresco que devasta todas as riquezas da nação que defendem? Não é de se estranhar que a defesa da nação esteja aí contaminada pelo servilismo ao império capitalista que superexploração o trabalho e mantem dependente a nação que defendem esses “nacionalistas”? Retórica política, servilismo, subserviência, entreguismo, dependentismo, tudo isso entra na conta desse projeto “nacionalista” cada vez mais em voga. Como tantos outros de sua geração, mas com uma radicalidade ímpar, Darcy Ribeiro denunciou toda a farsa da extrema direita, desde o militares, até alcançar a direita conservadora que se perpetuou no poder como uma “elite burra” e mesquinha. O nacionalismo, e essa é a correção feita por Darcy Ribeiro, tem a ver com a defesa da nação contra os colonizadores e sua sanha vampiresca de a tudo devastar, sugar, expropriar, roubar, matar e deixar à míngua um povo e suas riquezas naturais. O nacionalismo requer um amor à pátria que exige a elevação cultural do seu povo, a distribuição equilibrada de suas riquezas para a sua gente, a recusa do autoritarismo e da tortura, a autonomia política e econômica, a garantia de direitos fundamentais e o aprimoramento, em nível de excelência, das qualidades culturais que nascem de forma espontânea das manifestações do povo e que devem retroalimentar a vida espiritual da nação como marcas de sua “identidade” cultural. A riqueza de um povo está em sua opção pelo que é “seu” e não pela importação das receitas prontas. Intervalo: O futebol nacional… Vamos ao futebol…! Tivesse Darcy Ribeiro escrito sobre futebol, ou fosse ele um grande entusiasta da pelota, não tenho dúvidas de que suas resenhas esportivas rechaçariam de forma contundente isso que se pratica como “futebol brasileiro” atual. Façamos algumas apostas no DarcyBet a ver se acumulamos alguns pontos no nosso Cartola de plantão. Comecemos por aquilo que parece ser a máxima expressão de uma nação em chave futebolística, a seleção. Brasileira? A tomar pelos atestados de nascimento, sim, é uma seleção genuinamente brasileira. Todos nascidos nesse latifúndio da Pátria Grande. Mas não é isso que caracteriza o sentido mais profundo do “nacional”. Há o pathos do pertencimento à vida espiritual do povo no seio do qual se nasce. Há a compreensão das contradições que atravessam a história de formação de uma nação. Há o compromisso social com as desigualdades que assolam trabalhadores e trabalhadoras, superexplorado/as que são pelas forças produtivas do império capitalista. A defesa de uma nação, àqueles que pleiteiam o nacionalismo e o amor à sua pátria, carece de envolvimento político com os problemas do seu povo. Ainda que não de modo a transformar as 4 linhas em palanque eleitoral, mas fazer do futebol, além da expressão da alegria e do entusiasmo, uma instância de contestação, revolta, insurgência e desobediência. Ora, considerando esses pré-requisitos, Darcy Ribeiro seria assertivo: não temos uma seleção nacional. Não porque os jogadores, quase todos, não jogam no Brasil, mas porque desconhecem completamente o sentido, as vibrações, as contradições, as peripécias, as dores e as alegrias do seu próprio povo. Então, o que representam em campo, se não há esse horizonte nacional? Todos já sabemos, representam grandes empresas capitalistas, grandes marcas de negócios. Em outro flanco, podemos seguir essa trilha que vai do futebol praticado no país durante algumas temporadas até alcançar esse ponto máximo que é a seleção. O que temos aí? Um futebol nacional? Olhemos para as marcas que patrocinam os clubes e os campeonatos. Olhemos para o perfil dos nossos jogadores e fiquemos atentos às performances dentro e fora de campo. Uma playboyzada… Muito similar, em termos de propósito, ou falta dele, àquilo que Darcy Ribeiro disse sobre a juventude “revolucionária” das universidades latino-americanas. Não que essa gente não tenha direito ao lazer, ao esporte em geral e ao futebol. É que, no caso do futebol, se perde a graça, a leveza, a paixão, o entusiasmo, a

Moro chega ao STF, mas como investigado – Por Altamiro Borges

Sergio Moro sempre nutriu o sonho de um dia virar ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Para isso, o ex-juizeco promoveu abusos na midiática Lava-Jato, ajudou no golpe do impeachment de Dilma Rousseff, decretou a prisão de Lula e ganhou de presente um carguinho no covil fascista de Jair Bolsonaro. Apesar dessas manobras e golpes, o “marreco de Maringá” não conseguiu realizar seu desejo. Agora, porém, ele finalmente chegará ao STF, mas como investigado. A vida é cruel! Nesta semana, o ministro Dias Toffoli determinou a abertura de um inquérito contra o senador do União Brasil do Paraná. Ele atendeu ao pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), que apresentou suspeita de fraude em uma delação premiada da Operação Lava-Jato. A abertura da investigação foi revelada pela GloboNews. O processo está sob sigilo e a decisão do ministro é de 19 de dezembro, um dia antes do recesso do Judiciário. O caso ruidoso envolve o empresário e ex-deputado estadual Antônio Celso Garcia, conhecido como Tony Garcia. Fraude processual, organização criminosa e concussão Em depoimentos e entrevistas, ele revelou que foi obrigado a gravar pessoas de forma ilegal a pedido do ex-juiz Sergio Moro e dos procuradores de Curitiba, liderados pelo jagunço Deltan Dallagnol. Isso ocorreu após o empresário firmar acordo de delação premiada em 2004. Por decisão de Dias Toffoli, os investigadores agora irão apurar as suspeitas da prática de crimes como fraude processual, organização criminosa e concussão (crime contra a administração pública). O ministro do STF autorizou a abertura do inquérito, determinou a juntada dos documentos apresentados por Tony Garcia aos autos e expediu ofícios solicitando documentos da Justiça Federal em Curitiba e do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4). Ele ainda ordenou “que seja mantido o regime restritivo de publicidade dos autos para que não haja prejuízo para as diligências solicitadas”. Tony Garcia apresentou todos os indícios de crimes da Lava-Jato à juíza federal Gabriela Hardt, em 2021. Mas a magistrada – famosa “copia e cola” de Sergio Moro – abafou o caso. O relato do empresário somente foi enviado ao STF em abril de 2023. Rosangela Moro também está na mira Mais próximo ironicamente do STF e também da perda do seu mandato de senador, o ex-juizeco e ex-ministro do fascista reagiu a decisão de Dias Toffoli. Em nota, ele afirmou que “sua defesa não teve acesso aos autos e reafirma que não houve qualquer irregularidade no processo de quase vinte anos atrás”. Ele também “nega os fatos afirmados no fantasioso relato do criminoso Tony Garcia”. Já em sua rede social, o senador postou que não teme qualquer investigação e que sempre agiu “com correção e com base na lei para combater o crime”. Será que o valentão está mesmo tão tranquilo? Nos próximos dias, o imbróglio pode ficar ainda mais cabeludo. A Folha informa que a Polícia Federal “também apontou a necessidade de investigação do caso e pediu a Dias Toffoli que sejam ouvidos no inquérito a deputada federal Rosangela Moro (União Brasil-SP), esposa de Moro, e procuradores e ex-procuradores da República que atuaram na Lava Jato, como Deltan Dallagnol”. Em relato à PF, Tony Garcia afirmou que foi “utilizado, por longo tempo, como um instrumento de constrangimento ilegal”. Sergio Moro finalmente chegou ao Supremo. Será que também irá para a cadeia – junto com a sua “conje”? Altamiro Borges é editor do Blog do Miro

Ausência de Lula em MG gera críticas de caciques do PT e tensão no Planalto

“Do mesmo jeito que existe aquela campanha: ‘O Acre existe’, sabe? Tem a campanha Minas Gerais existe”, contou um interlocutor à reportagem Por Manoel Marçal – O Tempo A falta de previsão de agenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Minas Gerais tem irritado os caciques do Partido dos Trabalhadores no Estado e também de auxiliares no Palácio do Planalto. Nos bastidores, interlocutores contam que já se queixaram com os responsáveis por fechar a agenda prioritária do petista de que é preciso ter compromissos oficiais em Minas Gerais. Mas, apesar dos alertas de que o Estado é o segundo maior colégio eleitoral do país e foi essencial para a vitória de Lula nas urnas, os apelos são ignorados. E a preocupação de correligionários e de alguns governistas é justamente com o pleito e 2024, quando brasileiros vão eleger novos prefeitos e vereadores. Grandes cidades do país devem reproduzir o cenário de polarização de 2022, o que vai servir de termômetro para 2026. Conforme Lula havia anunciado, neste ano ele vai priorizar agendas pelo Brasil ao invés de compromissos no exterior – no primeiro ano do seu terceiro mandato, ele visitou 24 países em 15 viagens, ficando mais de dois meses fora. O plano prevê visitas a todos os Estados brasileiros já no primeiro semestre para acompanhar as entregas do governo. Nesse sentido, Lula começa na próxima quinta-feira (18), em Salvador (BA), uma série de viagens que fará pelo Nordeste, região em que concentra sua maior popularidade. Além da Bahia, o petista passará por Ceará e Pernambuco. Caciques do PT de Minas Gerais esperavam que o petista iniciasse a peregrinação por Minas Gerais, o que não se concretizou. Desde que assumiu o terceiro mandato, o petista não pisou no Estado. Ano passado, uma agenda em Belo Horizonte chegou a ser preparada para o final de setembro e a base de apoio foi mobilizada. Às vésperas, o compromisso no Estado foi cancelado, por causa da cirurgia no quadril de Lula, que ele postergou desde a campanha eleitoral. Uma comitiva de ministros do governo desembarcaram para uma maratona de atividades. O efeito não foi o mesmo. Em entrevista na manhã desta segunda-feira (15) ao Café com Política, da FM O TEMPO 91.7, o presidente do PT de Minas Gerais, Cristiano Silveira, disse que também aguarda o indicativo de quando o presidente irá ao Estado. “Boa pergunta. Estamos aguardando também. O presidente Lula já havia indicado que viria a Minas, mas em decorrência da cirurgia que ele teve que fazer, adiou. E agora a gente aguarda da equipe dele um indicativo de nova data. Ainda não tem”, afirmou. Campanha no Planalto é por “Minas Gerais existe” “Do mesmo jeito que existe aquela campanha: ‘O Acre existe’, sabe? Tem a campanha Minas Gerais existe”, contou irritado um interlocutor à reportagem de O TEMPO em Brasília. Ele não deu detalhes sobre que campanha seria essa, mas deu a entender que tem sido uma das vozes no Planalto para que o Estado seja inserido, o quanto antes, nas agendas do presidente da República. Sob a condição de anonimato, ele reportou ainda que já perdeu a paciência pela falta de retorno e ver que Minas Gerais não é contemplada na montagem das agendas do presidente da República. Segundo contou, os responsáveis por bater o martelo nas agendas oficiais no Palácio do Planalto não são tão próximos ao Estado e acabam, por assim dizer, contemplando outras regiões do país, a exemplo de São Paulo. Indefinição sobre futuro do PT na disputa pela PBH é apontada como um dos motivos Um dos motivos apontados para demora de Lula em pisar na capital mineira seria uma indefinição do diretório nacional do PT se o partido vai seguir com o nome do deputado federal Rogério Correia para a disputa ou poderia se apoiar o nome do atual prefeito, Fuad Noman (PSD). Com isso, poderia se gerar um mal-estar na composição do palanque para anunciar obras. Cristiano Silveira, também em entrevista ao Café com Política, negou essa hipótese e ressaltou que agendas institucionais na capital mineira não podem se confundir com a de campanhas eleitorais. “A inauguração de uma obra evidentemente que é uma ação do governo federal com a prefeitura municipal. Cabe todo mundo. Não temos esse problema. O que for para Belo Horizonte do governo federal nós estaremos juntos na institucionalidade. Agora, a campanha é diferente. Tendo a candidatura do PT, evidentemente o presidente Lula terá sua posição que é do partido”, disse. Fontes do Palácio do Planalto, no entanto, acreditam que ainda é muito embrionária uma aliança com Fuad. Isso porque o nome dele não é unanimidade dentro do próprio partido e nem do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD). Nesse sentido, avaliam que uma candidatura própria ganha peso, pelo menos em um primeiro turno. Contudo, é comentado nos bastidores do governo que Rogério Correia e outros nomes da sigla não têm conseguido fechar uma agenda com Lula. Para esse interlocutor, é “um absurdo a falta de previsão de agendas para Minas Gerais”, uma vez que, na avaliação dele, a polarização nacional vai se repetir não apenas na capital paulista, mas também em Belo Horizonte. O deputado estadual Bruno Engler (PL), por exemplo, já se declara pré-candidato à PBH desde maio de 2023, quando afirmou ter o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Engler também foi candidato ao executivo municipal nas eleições de 2020. Atualmente, a maior cidade do país comandada pelo PT é Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, que tem Marília Campos à frente do executivo municipal. São mais de 660 mil habitantes, de acordo com o Censo de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Classe médica reage a ‘pesquisa’ do CFM sobre vacinação infantil

Conselho Federal de Medicina quer “percepção dos médicos brasileiros sobre a obrigatoriedade da vacinação contra covid-19”; médico infectologista denuncia a proposta Por Murilo da Silva – Portal Vermelho O bolsonarismo foi retirado do governo federal, porém uma das mais conhecidas autarquias nacionais ainda padece de seus resquícios. No dia 9 de janeiro o Conselho Federal de Medicina (CFM) lançou uma “pesquisa” para “entender a percepção dos médicos brasileiros sobre a obrigatoriedade da vacinação contra a covid-19 em crianças de 6 meses a 4 anos e 11 meses”. A própria ideia já revela que algo está fora do lugar, pois não revela os critérios para que algo nesse sentido seja realizado. Mas o caso chama a atenção uma vez que o Conselho foi envolvido em diversas polêmicas durante o auge da pandemia pela defesa de tratamentos contra a doença sem comprovação científica. Agora os gestores acham de bom tom, para dizer o mínimo, observar o que a classe percebe sobre a obrigatoriedade da vacinação que se mostrou eficaz e permitiu que o Brasil e o mundo impedissem que a pandemia continuasse avançando. Como forma de protesto, uma nota assinada por diversas entidades, entre elas a Associação Brasileira de Médicas e Médicos pela Democracia (ABMMD), repudia tal pesquisa e coloca que o CFM “atenta contra a saúde e a ciência”. Confira a nota ao final do texto. Na mesma linha crítica, o médico infectologista Roberto da Justa, professor da Universidade Federal do Ceará e integrante do Coletivo Rebento – Médicos em Defesa da Vida, da Ciência e do SUS, denunciou na sexta-feira (12), o presidente do CFM, José Hiran da Silva Gallo, para que a pesquisa fosse imediatamente suspensa. A denúncia foi apresenta no Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal (CRM-DF), onde Gallo tem CRM (registro do Conselho Regional de Medicina). Ao Portal Vermelho, o médico Roberto da Justa, indica que a pesquisa de opinião proposta não trará benefício algum, nem para a categoria médica, nem para a sociedade. Por outro lado, ressalta que vacinação contra a covid-19 é uma estratégia comprovadamente eficaz e segura, inclusive em crianças. Ele ressalta que o CFM, deveria substituir esta pesquisa por campanhas de estímulo à vacinação para covid-19 em crianças, reforçando a importância da vacinação no SUS como um direito à saúde. Além disso, lembra que a pesquisa não traz nenhum critério científico e é possível fraudá-la. “A “pesquisa” não possui metodologia adequada. A plataforma para a resposta é vulnerável, é possível fraudar os resultados, qualquer pessoa pode responder quantas vezes quiser no lugar de qualquer médico ou médica. Os códigos de validação, que deveriam ser sigilosos, podem ser facilmente revelados. Ou seja, há uma quebra de sigilo muito grave, ferindo preceitos éticos e a própria LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais). Em outras palavras, a “pesquisa” está inválida, seus resultados serão inúteis e não poderão ser divulgados. Mantê-la em curso incorre em infração ética e legal, portanto precisa ser suspensa imediatamente”, reforça Justa. A médica infectologista e membro do colegiado nacional da ABMMD, Ceuci Nunes, compartilha do entendimento que a pesquisa não tem base metodológica e que mesmo se for uma enquete não cabe a autarquia realizá-la. Outro ponto de observação é sobre a desconfiança que uma atitude dessa lança sobre a vacinação. “Quando o conselho lança uma questão dessa, lança um questionamento sobre a vacina, sobre o Ministério Da Saúde e sobre a ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), que prevê a obrigatoriedade de vacinação de crianças. Então, já é uma coisa muito ruim”, ressalta Nunes. Ela ainda explica que a medicina não é feita pela opinião dos médicos, mas sim baseada na ciência e sob indicação de especialistas em cada área em um comitê. “O que o conselho vai fazer com essa opinião, se a maioria acha que não deve ser obrigatório [a vacina]. O conselho vai entrar contra o ECA? O Ministério da Saúde quando faz a inclusão de alguma vacina no programa nacional de imunização, como é o caso da vacina de covid-19 para criança, escuta um comitê técnico assessor que é composto por médicos especialistas da área de imunização, de pediatria, de infectologia etc. Os dados da vacina que esse comitê utiliza são muito robustos, de que a vacina é segura”, revela a médica infectologista. Compartilha dessa visão o médico sanitarista e professor de medicina Arruda Bastos, que é ex-Secretário da Saúde do Ceará e Coordenador da Secretaria Geral da ABMMD. “Classifico a pesquisa lançada pelo CFM como tendenciosa, anticientífica e contraproducente, pois as perguntas formuladas têm o potencial de alimentar uma falsa controvérsia em torno da vacina de covid-19, baseada em negacionismo médico-científico e teorias da conspiração”, critica Bastos. Código de Ética A denúncia feita pelo médico infectologista Roberto da Justa coloca que o Conselho Federal feriu um princípio e dois artigos do Código de Ética Médica. “O CFM é o defensor maior do Código de Ética Médica. Infelizmente, com a promoção desta dita “pesquisa”, está infringindo princípio fundamental e os artigos 100 e 103 do próprio Código de Ética Médica, e o seu representante deve responder por isso. O CFM é uma autarquia pública federal e está em flagrante descumprimento de suas prerrogativas legais. Este fato deveria ser investigado pelo Ministério Público Federal”, disse o médico. Leia também: Desabastecimento de vacinas infantis contra Covid é ‘herança’ de Bolsonaro Os artigos e o princípio a que ele se refere são: Princípio Fundamental XXIV (“Sempre que participar de pesquisas envolvendo seres humanos ou qualquer animal, o médico respeitará as normas éticas nacionais, bem como protegerá a vulnerabilidade dos sujeitos da pesquisa”); artigo 100 ( “Deixar de obter aprovação de protocolo para a realização de pesquisa em seres humanos, de acordo com a legislação vigente”); e 103 (“Realizar pesquisa em uma comunidade sem antes informá-la e esclarecê-la sobre a natureza da investigação e deixar de atender ao objetivo de proteção à saúde pública, respeitadas as características locais e a legislação pertinente”). “Inúmeros pleitos” A repercussão sobre a pesquisa fez o CFM se pronunciar em uma

MG tem alta de 330% nos casos de dengue e pode ter nova epidemia em 2024

Nos primeiros dias deste ano, o Estado registrou aumento de diagnósticos positivos acima do esperado para o período Minas Gerais pode enfrentar uma nova epidemia de dengue em 2024. Nos primeiros dias deste ano, o Estado registrou aumento de casos acima do esperado para o período. A doença pode ter feito uma vítima já neste ano. A dengue é investigada como a causa da morte de uma adolescente de 17 anos em Timóteo, no Vale do Aço. O crescimento do número de diagnóstico vem após um ano considerado endêmico — quando houve um crescimento de 330,5% em relação a 2022. Além da morte da garota, outro ponto que aumenta a preocupação das autoridades em saúde é com relação ao ressurgimento do tipo 3 da dengue – que há mais de 15 anos não causa epidemias no país. No ano passado, Minas Gerais registrou 321.038 casos de dengue, uma média de quase 880 por dia, e 198 mortes. Em 2022, foram 74.796 casos (246.242 a menos), uma média de quase 205 por dia, e 68 óbitos. Historicamente, Minas Gerais registra epidemias de dengue a cada três anos. Antes de 2023, o último ano epidêmico foi em 2019, quando foram 413.717 casos e 195 mortes. Para evitar contágios, o governo de Minas Gerais informou que vai repassar R$ 80,5 milhões para ações de conscientização e mobilização sobre os focos do mosquito. Em Belo Horizonte, os Agentes de Combate a Endemias (ACE) vistoriam os imóveis e reforçam junto à população as orientações sobre os riscos do acúmulo de água, além de orientar sobre como eliminar os focos. O infectologista Leandro Curi analisa o cenário para 2024. “Esperamos volumes altos de pessoas infectadas, enchendo serviço de saúde, como no ano passado. A tendência é que, até o fim do período chuvoso e do verão, os casos cheguem a um nível muito alto”, explicou. Aumento da demanda já ocorre Quem trabalha na área da saúde percebe aumento de pacientes com a suspeita da doença. “Estamos atendendo, na média, dez casos por dia. Não é tanto como no ano passado, mas já estamos preocupados. A direção da zoonose do distrito Nacional nos alertou que corremos risco de ter nova epidemia”, afirma o técnico em enfermagem Rodrigo do Nascimento da Unidade Básica de Saúde (UBS) Nacional, em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte. O período chuvoso está relacionado ao aumento de casos de dengue. Isso ocorre porque água parada é ambiente para reprodução do Aedes aegypti. Além disso, o calor favorece a criação do mosquito. Tipo 3 preocupa O ressurgimento recente do sorotipo 3 do vírus da dengue no Brasil fez acender o sinal de alerta quanto ao risco de uma nova epidemia da doença causada por esse sorotipo viral. Em 2023, quatro casos do tipo 3 da dengue foram registrados em Votuporanga, no interior de São Paulo. Um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) aponta que a circulação de um sorotipo há tanto tempo ausente preocupa os especialistas. A dengue tem quatro sorotipos, e a infecção por um deles cria imunidade contra o mesmo sorotipo, mas o indivíduo pode contrair dengue se tiver contato com um sorotipo diferente. Como poucas pessoas contraíram o tipo 3, há risco de epidemia porque há baixa imunidade contra esse sorotipo. “Como muitas pessoas já tiveram os tipos 1 e 2, ao ter o tipo 3, podem desenvolver uma forma grave da doença, o que pode gerar superlotação das unidades de pronto atendimento e hospitais”, alerta o infectologista Kleber Luz, coordenador do Comitê de Arboviroses da Sociedade Brasileira de Infectologia. Diante disso, é preciso ter maior vigilância sobre as formas graves da doença, conforme afirma o especialista. “Do ponto de vista clínico, não há diferença, mas o que chama mais a atenção é a gravidade do caso, por ser uma infecção sequencial”, acrescenta Luz. Entenda os sintomas Entre os sintomas de alerta da doença, estão: febre, manchas vermelhas pelo corpo, dor abdominal, vômito persistente, acompanhados também de sangramento na gengiva, no nariz ou na urina. Ao perceber qualquer sintoma, a pessoa deve procurar atendimento médico na unidade de saúde. Justamente isso que a aposentada Ilza Aparecida Telles, de 62 anos, fez ao sentir os primeiros sintomas. “Voltava de um encontro da igreja quando tive muita tontura. Uma amiga me amparou até a minha casa, pois não conseguia caminhar sozinha. No dia seguinte foi muita dor de cabeça e febre de até 39ºC. Também tive diarreia, além de dores no corpo e vômito”. O teste negativo para Covid-19 fez com que os médicos suspeitassem que Ilza estivesse com dengue. “Fui para a emergência da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e passei pela consulta e exame. Diante do resultado positivo, segui as recomendações médicas, pois tinha muito medo da evolução do quadro, pois tenho outras comorbidades. Graças a Deus me recuperei e estou firme e forte”, comemora.

Marta recebe Boulos e anuncia aliança por São Paulo

“A hora é a de nos unirmos para construirmos a mais ampla frente política e social para o progresso e o desenvolvimento da cidade de São Paulo”, disse a ex-prefeita – A ex-prefeita Marta Suplicy recebeu o pré-candidato Guilherme Boulos (Psol) em sua casa e anunciou uma frente ampla na disputa pela Prefeitura de São Paulo. “Recebi em minha residência, neste sábado (13 de janeiro), e me sinto muito honrada com a vinda de Guilherme Boulos e sua esposa, Natália, os amigos e companheiros de lutas Rui Falcão e sua esposa Cris”, destacou Marta. De acordo com a ex-prefeita, “a hora é a de nos unirmos para construirmos a mais ampla frente política e social para o progresso e o desenvolvimento da cidade de São Paulo”. Marta aceitou o convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para fazer parte da frente ampla. A ex-dirigente foi prefeita da capital paulista entre 2001 e 2004. Ela, que está sem partido atualmente, deixou o PT em 2015 após 33 anos no partido. A ex-secretária foi deputada, senadora, e ministra da Cultura e do Turismo Leia o Manifesto da Frente Ampla: A cidade de milhões de refugiados das secas, não vai se refugiar no silêncio quando tanta gente precisa da sua voz marcante. Não, nós não vamos e não podemos fugir desta missão, São Paulo. A gente implora à sua alma vanguardista: vamos caminhar juntos pra manter o seu e o nosso espírito de liberdade e respeito vivos! Você, São Paulo, que inspirou Mário de Andrade e toda uma geração a romper com velhos modelos; você que fez o Caetano aprender “de pressa a chamar-te de realidade”; você levou o Tom a cantar que em São Paulo “se ama com todo ódio e se odeia com todo amor”; e o Itamar Assunção nos lembrou que “São Paulo é outra coisa, não é exatamente amor, é identificação absoluta”. E todos nós que nos identificamos com as suas virtudes e qualidades, queremos fazer de você, novamente, o palco da vanguarda, o refúgio da lucidez, o marco-zero do respeito, a reserva da dignidade. A hora é a de nos unirmos para construirmos a mais ampla frente política e social para o progresso e o desenvolvimento da cidade de São Paulo. O desafio central será o de nos organizarmos em torno de uma plataforma democrática de convivência e desenvolvimento da cidade de São Paulo. Convocar a todos para o esforço de uma grande mobilização pela democracia. A favor do progresso, desenvolvimento e respeito pela diversidade. Pela preservação do meio ambiente, pela manutenção de todas as conquistas e avanços de nossa sociedade. Reafirmar nossa índole democrática, pluralista e igualitária. Por justiça social, igualdade, respeito ao ser humano e liberdade. Pelo incentivo permanente à cultura, pela educação e por toda a liberdade de manifestação. Por uma FRENTE AMPLA que possa unir, juntar e somar todas as entidades da sociedade, partidos políticos, juventude, pessoas de todas as classes sociais, empresas, cidadãos, homens e mulheres que defendem, apreciam e lutam de forma intransigente pela manutenção de todas as nossas conquistas democráticas na nossa cidade e em nosso país. Viva São Paulo …!!! Viva o Brasil …!!!

Estados Unidos realizam segundo ataque em ofensiva contra os Houthis no Iêmen

Forças Armadas estadunidenses afirmam que atingiram uma instalação de radar do grupo Pelo segundo dia consecutivo, os Estados Unidos atacaram o Iêmen em nova ofensiva contra o grupo rebelde Houthis. De acordo com comunicado das Forças Armadas estadunidenses, o alvo deste bombardeio foi uma instalação de radar do grupo, que foi atingida por mísseis de cruzeiro Tomahawk, na madrugada deste sábado (13) – noite de sexta-feira no Brasil. Já um canal de televisão ligado aos Houthis informou, na manhã deste sábado (13), que os Estados Unidos e o Reino Unido lançaram uma série de ataques contra a capital do Iêmen. Este é o segundo ataque contra o grupo iemenita em 24 horas. Na madrugada da sexta-feira (12), uma ofensiva dos EUA com apoio do Reino Unido bombardeou instalações do grupo rebelde. A ação foi uma retaliação a ataques coordenados pelos Houthis a navios mercantes aliados de Israel no Mar Vermelho. Segundo cálculos do Pentágono, foram atingidos quase 30 alvos no primeiro ataque. A Folha de S. Paulo informou, neste sábado (13), que uma autoridade americana declarou sob anonimato à CNN que este segundo ataque foi uma ação isolada dos EUA e não contou com apoio dos aliados, a exemplo do Reino Unido. Além disso, explicou que o alcance da ação foi menor do que a da sexta-feira (12). Após o ataque ocidental, os Houthis prometeram uma reposta feroz. Em um discurso gravado, o porta-voz militar Yahya Saree afirmou que os ataques não ficariam sem respostas. Outro integrante importante do grupo, Hussein al-Ezzi, declarou que os EUA e aliados devem “suportar todas as terríveis consequências desta agressão flagrante”. Em Saná, capital do Iêmen, e em diversas cidades do país, como Al Hudaydah, milhares de pessoas se reuniram para protestar contra os ataques. As lideranças políticas locais afirmavam que os bombardeios ocidentais “são terrorismo”. Desde novembro, o grupo iemenita tem realizado ataques contra navios comerciais de países aliados de Israel, uma ação militar em solidariedade aos palestinos. Em dezembro, os EUA lideraram a criação de uma coalizão para proteger o tráfego marítimo na região dos ataques dos Houthis.

Zema e o estadista Itamar Franco: o que eles não têm em comum?

Itamar Franco manteve e ampliou o caráter social da Cemig. Romeu Zema precariza os serviço para privatiza-la Por Mariângela Castro Romeu Zema, o homem que chegou ao governo de Estado com a trajetória de gestão para o mercado, deveria aprender com alguns estadistas sobre a importância de manter o diálogo com a população e os trabalhadores, numa relação democrática e republicana. O ex-governador Itamar Franco é um dos exemplos que Zema deveria se espelhar. Quando ainda candidato ao governo de Minas, em 1998, Itamar sentou-se com o Sindieletro e conversou sobre os interesses dos eletricitários; depois, assumiu compromissos com a categoria eletricitária da Cemig. Ele enviou para o Sindieletro a “Carta compromisso de Itamar Franco com os trabalhadores da Cemig” e cumpriu o que assinou. Destacamos alguns pontos da carta e os comparamos com os “descompromissos” do governador Zema que, em sua gestão na Cemig, impõe o desmonte da empresa e do nosso Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), tenta privatizar a todo custo por meio da retirada do referendo popular da Constituição Mineira, promove assédios e persegue os trabalhadores. A gestão Zema vem tentando utilizar o ACT para impor a implementação de suas medidas de mercado, como disparar ataques para inviabilizar o nosso plano de saúde e lançar práticas antissindicais sistemáticas para enfraquecer as lutas da categoria e do Sindieletro. O primeiro e importantíssimo compromisso de Itamar Franco com a categoria eletricitária da Cemig e com todo o povo mineiro foi o de não privatizar a empresa e adotar medidas judiciais para a revisão do Acordo de Acionistas feito durante a gestão do ex-governador tucano, Eduardo Azeredo. Esse acordo foi assinado com os sócios norte-americanos AES, Southern Eletric e o Banco Opportunity. Os sócios compraram 33% das ações ordinárias, mas garantiram o poder de mando na empresa. Com o processo judicial movido pelo governo Itamar, o acordo foi anulado. A interlocução do Sindieletro com o governo Itamar e com deputados que defendem a Cemig pública garantiu o envio à ALMG da PEC 50, aprovada e que incluiu na Constituição Mineira o voto qualificado de três quintos dos deputados para autorizar a privatização e a realização de referendo popular junto à população mineira para a decisão final sobre a venda da empresa. Outro importante compromisso foi com a Forluz, de manter os aportes financeiros necessários para a manutenção dos benefícios de aposentadoria. Agora, a gestão Zema na Cemig tenta impor a migração dos planos de aposentadoria da Forluz, em prejuízo dos trabalhadores ativos e aposentados, para planos somente de benefícios variáveis. Os planos de benefício variável têm caráter puramente financista, ao contrário dos planos de benefício definido, que têm caráter mutualista e solidário. Enquanto o estadista Itamar Franco manteve e ampliou o caráter social e de fomento da Cemig, Romeu Zema, desde o primeiro mandato e sempre que tem oportunidade, desfere críticas aos serviços e aos trabalhadores da Cemig, desdenhando a empresa na tentativa de mudar a opinião pública sobre a privatização da empresa. Ele aponta descaso da empresa com atendimento “deficiente” aos consumidores, mas esquece-se que é o governador o responsável pela gestão, inclusive pelos investimentos. Outro ponto: Itamar Franco garantiu a participação de um representante dos trabalhadores no Conselho e Administração da Cemig, mas o homem de mercado que governa Minas agora tenta restringir a atuação do conselheiro indicado pelos trabalhadores. Na contramão dos estadistas, Zema vende o patrimônio da Cemig Ainda na contramão dos estadistas, Zema vende o patrimônio da Cemig, fecha localidades e agências de atendimento e sucateia locais fundamentais para os trabalhadores, como a Escolinha de Sete Lagoas. Em alguns casos, a sua gestão cria extrema precariedade para as equipes, como denunciamos recentemente, sobre o ambiente insalubre no CRIU-Uberlândia, onde trabalhadores são obrigados a atuarem num calor de 40 graus sem ar condicionado e convivem com alagamentos de chuvas e até fezes de pombo em galpão de eletricistas. * Mariângela Castro é jornalista.