Pequi, patrimônio da cultura sertaneja – Por Manoel de Freitas

No Norte de Minas, a floração do pequi ocorre de setembro a dezembro (Manoel de Freitas) Genuinamente nacional, o pequi faz parte do prato e da vida do norte-mineiro. É das Minas – que são muitas – os gerais em que sua gente se senta à sombra do pequizeiro para celebrar o sertão que vive em cada um. E não poderia ser diferente: a árvore-símbolo do cerrado tem forte cheiro de poesia. Seja em caroço, polpa, doce, azeite, castanha in natura ou cristalizada, o pequi é cultura pura e povoa o imaginário coletivo. Para o norte-mineiro, mais que sustento e saboroso alimento à mesa, o pequi também é renda. Com o apoio e confiança de toda a equipe de O NORTE, em reconhecimento ao valor do pequi e à excelente safra que começou em novembro, aos finais de semana o leitor terá acesso a uma série de reportagens especiais a respeito do fruto. Trata-se de um conteúdo que reclama pesquisa e imersão em sua cadeia produtiva, na qual personagens têm muitas histórias para contar. A despeito de ser encontrado em alguns estados do Nordeste, Sudeste e até no Centro-Oeste, o pequi é cantado em prosa e verso sobretudo em Minas e em Goiás. A propósito, nos chamou a atenção primeiramente o fato de que Goiás e o Distrito Federal são os principais compradores da polpa e da castanha do pequi no município de Japonvar, Norte de Minas, tanto pela qualidade quanto pelo baixo custo. Senão, vejamos: enquanto uma garrafa pet com dois quilos de sua polpa custa em Japonvar R$ 20, no Planalto Central não sai por menos de R$ 50, e, no Mercado Livre, chega a ser anunciado até a R$ 169. Dez a 12 caixas por dia Fartura. Palavra-chave da atual safra do pequi em Japonvar. Isso é bom para as populações agroextrativistas e para toda a cadeia produtiva local, haja vista que os ganhos advindos de sua coleta são igualmente observados durante os outros meses do ano com a produção da polpa, da conserva e da castanha do pequi. Por sinal, no município foi formada em 2006 a Cooperativa de Pequenos Produtores Rurais de Japonvar. Na época, a entidade chegou produzir anualmente 150 toneladas de polpa de pequi. Investiu em tecnologia para o processamento e, graças aos recursos financeiros do Sebrae, colocou em operação a 1ª unidade de beneficiamento de frutos do cerrado do Brasil. Nos dias atuais, diante da nova realidade, o próprio Sebrae atua no sentido de colocá-la uma vez mais em funcionamento. Para falar sobre esse novo tempo de bonança, O NORTE ouviu, em Japonvar, a extrativista Maria dos Anjos Ferreira da Silva, a Neném, que mora há 46 anos na comunidade do Mangaí. “Colho pequi desde que me entendo por gente. Lá em casa, temos o hábito de comer na semana inteira: no frango, no macarrão, com arroz, mandioca, cru com farinha… Ou seja, é pequi todo dia”, declara. Maria dos Anjos explica que trabalha na coleta e processamento do pequi em família: “Eu, meu esposo, Divalim Ferreira de Aquino, meu filho, William Ferreira, e meu pai, José Ferreira da Silva, estamos sempre na batalha. O meu pai tem 80 anos, mas todos os dias levanta com o sol nascendo para nos ajudar”. Emocionada, se recorda da mãe, Ana Fernandes: “Minha mãe também coletava o fruto enquanto viveu”. A extrativista revela: “Todo ano eu apanho e compro também de outras coletoras, mas este ano não foi preciso porque meu esposo está pegando de 10 a 12 caixas de pequi por dia! Então posso dizer que essa safra foi boa. Boa, muito boa, maravilhosa”. Sorrindo, Maria dos Anjos diz que tão logo o pequi é colhido, já tem mercado”. “Pra você ter uma ideia”, prossegue Neném, “em 2021 vendi 700 quilos de castanha de pequi; ano passado, mesmo com a queda na safra, vendi 350 quilos; e, acredite, em 2023 a expectativa é ultrapassar mil quilos de castanha”. Maria dos Anjos informa que Goiânia e Brasília absorvem toda a produção de polpa e castanha de pequi: “Compram tudo! Do ponto de vista econômico, a castanha que comercializo sem nenhum espinho, é melhor para mim”. É do Cerrado, é do Brasil O pequi (caryocar brasiliense) é da família das cariocaráceas nativa do Cerrado brasileiro. Seu nome tem origem na língua tupi, ‘py’, que significa pele; ‘qui’, espinho, que significa casca espinhosa, em alusão à camada espinhosa mais interna do fruto, que se acha em contato com a semente. Também é chamado de piqui, piquiá, amêndoa-de-espinho, grão-de-cavalo, pequiá e pequerim. Sua propagação é feita por semente, frutificando de novembro a fevereiro já no início da sua fase reprodutiva, aos oito anos de idade. O pequizeiro, que leva em média cinco anos para dar frutos, atinge de 10 a 12 metros de altura e pode viver até 50 anos. É capaz de produzir, por safra, de 500 a 5000 frutos, que vão amadurecendo paulatinamente e caindo. Tem espinhos que chegam a até quatro milímetros de comprimento, e seu fruto é rico em óleo insaturado, vitaminas C, A, E, além de fósforo, potássio, magnésio e carotenóides. Segundo o IBGE, em 2021 mais de 74 mil toneladas de pequi foram extraídas no país, dados que ajudam a dimensionar o seu significado para milhares e milhares de famílias, sendo que a partir de 2012 Minas Gerais (que declarou a espécie como sendo de interesse comum, de modo a proibir o seu corte) passou a ser considerado o estado de maior produção extrativista de pequi do Brasil. Sua cadeia produtiva começa com a colheita do fruto, passando pelo transporte, comercialização e consumo. Em Minas, apenas duas regiões de boa luminosidade são grandes produtoras, Norte e Jequitinhonha, embora menos de 40% da produção seja comercializada, o que demonstra claramente o significado do pequi para o autoconsumo das famílias coletoras. Isto posto, não é à toa que o seu extrativismo é importante fonte de renda no Norte de Minas Gerais com reflexos positivos na economia informal, vital para comunidades tradicionais e agricultores

GÊNERO – ‘Boa tarde a todes’: governo Lula adota linguagem neutra

Governo Lula (PT) faz aceno de respeito à população LGBTQIA+ com uso da linguagem neutra | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil – 03/07/2022 Além da saudação tradicional a homens e mulheres, o governo Lula passou a adotar o pronome neutro ‘todes’ em eventos e cerimônias oficiais. “Boa tarde a todos, a todas e todes”, disse o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, ao abrir o discurso de posse nessa terça-feira (3/1), em gesto que se repetiu em outros atos na semana passada. O uso de uma expressão que não abarca nem o gênero masculino nem feminino busca atingir pessoas trans e não-binárias – além de retirar a predominância do gênero masculino da língua portuguesa Um exemplo comumente usado é como se referir a um ambiente composto por nove mulheres e um homem: usa-se “todos” e não “todas”. O uso de “todes” buscaria aglomerar todos os gêneros, de forma neutra – algo que comum em outros idiomas, mas não previsto na gramática normativa do português. O fenômeno também acontece no setor privado. A Braskem lançou em 2018 um guia de “comunicação inclusiva” para melhorar o relacionamento entre funcionários no ambiente de trabalho. Para falar com pessoas de gêneros não-binários, o guia recomenda o uso dos artigos “x/ile/dile”, em vez de “a/ela/dela” ou “o/ele/dele”. O material também orienta os funcionários a evitarem expressões como “homossexualismo” (o sufixo “ismo” indica doença) e “opção sexual” e a utilizarem, por outro lado, os termos “homossexualidade” e “orientação sexual”. Ainda assim, há apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que criticam o uso da linguagem. “Não preciso nem dizer que se o governo federal adotar o uso do pronome neutro em cerimônias oficiais, eles vão alimentar cada vez mais o bolsonarismo, né?”, questionou um influenciador petista com mais de 200 mil seguidores no Twitter. “Nada contra, mas temos 1001 problemas pra resolver nos próximos 4 anos, e um deles é evitar dar narrativa pra essa gente.” Bolsonaristas Ao longo de 2020, deputados apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro adotaram uma postura contrária à linguagem neutra. Eles investem, no Legislativo, na promoção de leis que proíbam o seu uso. O projeto de lei 5198/20, de autoria do deputado Junio Amaral (PL-MG), “proíbe instituições de ensino e bancas examinadoras de concursos públicos de utilizarem o gênero neutro para se referir a pessoas que não se identificam com os gêneros masculino e feminino, como a população LGBTI”. O texto da ementa argumenta que a “nova forma de flexão de gênero e número” atua “em contrariedade às regras gramaticais consolidadas”. A proposta não avançou na Câmara dos Deputados. Tramitaram em todos os Estados do País, com exceção de Roraima, Piauí e Tocantins, projetos de lei que buscam proibir o uso da linguagem neutra. Propostas também avançaram em diversas Câmaras Municipais pelo Brasil. Por Estadão Conteúdo

Criminosos espancam jornalistas na cara da PM, que nada faz. E aí, Zema?

Repórteres da Band Minas e do jornal O Tempo foram violentados por bolsonaristas nessa sexta-feira (6/1) (foto: Jair Amaral/EM/DA Press) Por Ricardo Kertzman – EM O comandante da Polícia Militar e, no limite, seu chefe, Governador Zema, devem, além da detenção dos selvagens, desculpas aos agredidos e à sociedade Eu não vou cobrar de um chimpanzé que se comporte como uma gazela, nem vou exigir de um selvagem a civilização que a mãe não lhe deu, mas a partir do momento em que um animal descontrolado avança sobre a multidão, caberá ao domador do bicho retorná-lo sob vara e chicote à jaula de onde jamais deveria ter saído. Essa digressão zoológica acima ilustra cabalmente o comportamento da seita bolsonarista, em sua maioria idosos e barrigudos e barrigudas de média idade, todos brancos, ricos ou de classe média, ninguém que precise, portanto, trabalhar para ganhar a vida, que tomou conta da Avenida Raja Gabaglia, em Belo Horizonte. Sim, eu sei que o fenômeno não é exclusivo da capital mineira e que o perfil dos velhos adolescentes se repete por todo o País. Sei também que a maioria ali é de gente imperfeita como eu e você, leitor amigo, leitora amiga, que faz besteira, comete indelicadezas e até mesmo pequenas transgressões. A diferença é que não somos hipócritas. Se você é, digamos normal, não irá para a porta de quartel pedir golpe em nome da… democracia! Não se dirá patriota pretendendo segregar nordestinos. Não dirá que é “cidadão de bem” corrompendo agentes públicos. Não falará que é “cristão” enquanto espanca um trabalhador. Não enaltecerá a família pagando prostitutas às escondidas. Mas aquele bando de desocupados hipócritas fazem tudo isso e muito mais, ao mesmo tempo em que juram amor à pátria e fidelidade a Deus, bando de cretinos. E aproveitam a frouxidão moral e o “cagaço” de policiais para bater, sem dó nem piedade, na cara de jornalistas, causando ferimentos e estragos irreversíveis em equipamentos caríssimos. A PMMG, em especial, cumpriu um papelão institucional digno de vexame histórico. Ao menos dois policiais assistiram, impassíveis, a três ou quatro bolsonaristas selvagens agredirem impiedosamente dois jornalistas nesta sexta-feira, dia 6 de janeiro, defronte às suas fardas e suas fuças. No mínimo, prevaricaram. Na realidade, se acovardaram. Minha mais do que querida e competente colega de Rádio Itataia, Edilene Lopes, em excelente trabalho de reportagem e apuração, mostrou que, desde o início dos atos golpistas, cerca de 80 profissionais da imprensa foram agredidos por vândalos bolsonaristas que se dizem manifestantes pacíficos. Uma ova que são! Historicamente, jornalistas e veículos de imprensa são atacados, no Brasil e no mundo, por gente autoritária, obscurantista, sem argumentos e sem modos. Porém, em países decentes, quem age assim é punido com o máximo rigor. No Brasil, leis rígidas existem para garantir a liberdade de imprensa, mas não são aplicadas, para não variar. Nos últimos anos, então, a coisa degringolou de vez. Sob o bolsonarismo, autoridades policiais se renderam ao crime e permitiram, como ainda permitem, não apenas a violência contra trabalhadores e o impedimento do direito de ir e vir de cidadãos comuns, mas também a pregação golpista contra o Estado de Direito, crime previsto no código penal. A maioria dos eleitores, gostemos ou não (e eu não gosto!), escolheu Lula da Silva o presidente da República Federativa do Brasil. Aos agentes e autoridade públicos cabe, pois, de acordo com a Constituição, garantir não apenas o cumprimento da vontade popular, mas a paz e ordem sociais, e estes senhores andam falhando miseravelmente nesta missão. A responsabilidade pela agressão aos jornalistas é dos agressores, mas a prevenção é do Poder Público. Assim como, uma vez consumada, a identificação e prisão dos criminosos também. O comandante da Polícia Militar de Minas Gerais e, no limite, seu chefe, Governador Romeu Zema, devem, além da detenção dos selvagens, desculpas veementes e sinceras aos agredidos e à sociedade. Chega de conivência e omissão

BH inicia desmonte de acampamento golpista na Raja Gabaglia

Agentes da Guarda Municipal e da BHTrans chegaram ao local nesta sexta (6/1) pela manhã para retirar os apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro acampados na avenida desde o fim das eleições presidenciais (Manifestantes são tirados da Raja — Foto: Reprodução) A prefeitura de Belo Horizonte iniciou, na manhã desta sexta-feira (6/1), a operação para desmontar o acampamento dos apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na avenida Raja Gabaglia, em frente à Companhia de Comando da 4ª Região Militar, no bairro Gutierrez, região Oeste da capital. Os manifestantes, que protestam contra o resultado das eleições presidenciais, estão acampados na avenida há mais de dois meses. Agentes da Guarda Municipal e da BHTrans, fiscais da subsecretária municipal de Fiscalização e servidores da procuradoria da prefeitura de Belo Horizonte estão no local. Fonte: O Tempo

21 de março – Lula sanciona lei que cria o Dia Nacional do Candomblé

Data reverencia tradições de matrizes africanas e nações do candomblé Agência Brasil – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a lei que institui o 21 de março como Dia Nacional das Tradições das Raízes de Matrizes Africanas e Nações do Candomblé. Publicada no Diário Oficial da União de hoje (6), a Lei nº 14.519 foi aprovada pela Câmara dos Deputados (como PL 2.053/22) no dia 21 de dezembro de 2022 e encaminhada à sanção presidencial. A data escolhida para a comemoração – 21 de março – é também Dia Internacional contra a Discriminação Racial, marco estabelecido pelas Nações Unidas (ONU) tendo como referência o episódio que ficou conhecido como “Massacre de Shaperville”, em 1960 na África do Sul. O massacre ocorreu quando cerca de 20 mil sul-africanos protestaram contra a determinação imposta pelo governo da época, de limitar os locais onde a população negra poderia circular. Em resposta à manifestação que era considerada pacífica, militares da África do Sul atuaram violentamente para reprimir o protesto. Tiros foram disparados contra os manifestantes, resultando na morte de 69 pessoas.

Procon multa postos que aumentaram preço de combustíveis em Montes Claros

O Procon de Montes Claros aplicou multas aos postos de combustíveis da cidade que aumentaram indevidamente os preços da gasolina, álcool e óleo diesel no dia 1º de janeiro, aproveitando o vácuo deixado pela mudança no Governo federal em relação à desoneração do ICMS, PIS, Cofins e CIDE. O presidente do Procon municipal, Alexandre Braga explicou que desde segunda-feira, os fiscais do órgão estão levantando dados e adotando medidas administrativas. O órgão também informou que acionou o Ministério Público, tendo em vista que o assunto é de interesse coletivo. Conforme o Jornal GAZETA divulgou na edição de ontem, os montes-clarenses foram surpreendidos no início do ano novo com o aumento no preço da gasolina que passou de R$ 4,77 para R$ 5,67, implicando em aumento de R$ 0,90 no litro. O aumento ocorreu aproveitando a brecha da desoneração do ICMS, venceria no sábado (31), véspera da posse presidencial de Lula e o preço da gasolina poderia subir R$ 0,69 a partir do domingo; o do diesel, R$ 0,33; e o do etanol, R$ 0,26, com o fim da desoneração federal. O cálculo é o Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), do consultor Adriano Pires. Ontem, alguns postos da cidade notaram o erro e reduziram o preço. O álcool que tinha saído de R$ 3,68 para R$ 4,59, voltou para 3,99. A gasolina ficou alta em R$ 5,69. O empresário Gustavo Xavier, ex-presidente do PT em Montes Claros, não aumentou seus preços, pois tomou conhecimento do decreto prorrogando a desoneração. Porém, lembra que o etanol sofreu alteração para cima, pois a safra acabou e elevou os preços. Ele afirma que o diesel e gasolina mantiveram o preço, mas afirmou: “é preciso acompanhar o mercado nos próximos dias para ver o que realmente acontecerá”. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), decidiu prorrogar a isenção de tributos federais sobre os combustíveis (PIS/Cofins e Cide), por mais 90 dias, porém o decreto foi publicado apenas no domingo à noite, depois de encerrada a sua posse.

Zema confessa falta de autonomia na nomeação de reitor da Unimontes

Governador foi pressionado para nomear primo do deputado Arlen Santiago, que é desafeto do PT, partido ligado ao reitor preterido Em trapalhada do governo, Zema parabeniza reitor que ele não reconduziu Por Pedro Augusto Figueiredo – O Tempo O governador Romeu Zema (Novo) mudou sua escolha para reitor da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) para conseguir apoio de um deputado estadual na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), mostram áudio e mensagem enviados pelo governador e obtidos por O TEMPO. Em nota (confira a íntegra no final do texto), o Palácio Tiradentes lamentou que mensagens privadas tenham sido usadas como forma de ataque e afirmou que o reitor nomeado por Zema “possui currículo impecável e inquestionável capacidade técnica para assumir o cargo”. Conforme o Diário Oficial de Minas Gerais do último sábado (31), Zema escolheu o professor Wagner de Paulo Santiago para comandar a Unimontes pelos próximos quatro anos. Com 34,28% dos votos, ele foi o segundo colocado na lista tríplice elaborada após eleição realizada pela comunidade acadêmica da universidade. Wagner é primo do deputado estadual Arlen de Paulo Santiago Filho (Avante). O primeiro colocado na eleição foi o professor Antônio Alvimar, que era o reitor da universidade até o fim de 2022. Em áudio obtido pela reportagem, Zema parabeniza Alvimar, que obteve 50,07% dos votos, e diz que irá reconduzi-lo ao cargo. Ouça o áudio: “Professor Alvimar, boa tarde. Espero que tudo bem aí com o senhor. Estou aqui para comemorar a sua recondução ao cargo. Fico muito satisfeito e isso mostra claramente que estamos amadurecendo, que todos estão vendo os frutos do seu trabalho, do seu esforço. Continue contando com o nosso governo aqui, comigo. Estamos aqui para fazer tudo que estiver ao nosso alcance em prol da Unimontes. Parabéns”, disse Zema ao reitor. Diante da nomeação de Wagner Santiago, o governador enviou uma segunda mensagem a Alvimar, essa em texto, em que diz que foi pego de surpresa pois não sabia que a discussão sobre a nomeação ainda estava aberta.

A farsa de Guaidó na Venezuela chega ao fim

Direita fragmentada – Fim da ‘presidência’ de Guaidó reflete esgotamento e crise da direita na Venezuela  Principais opositores abandonaram ‘interinato’; necessidade de suspender sanções pode explicar reconfiguração Por Lucas Estanislau – Brasil de Fato  Após passar anos boicotando eleições e apostando na criação de uma “institucionalidade paralela” para forçar uma mudança de governo, o principal setor da direita venezuelana dá sinais de esgotamento e decide se reconfigurar politicamente. Nas últimas semanas de dezembro, três dos quatro principais partidos da oposição encerraram o maior artifício político utilizado em sua estratégia desde 2019: a “presidência interina” de Juan Guaidó. Reunidos no que chamam de “Assembleia Nacional legítima”, uma espécie de legislativo paralelo composto por ex-deputados eleitos em 2015, 72 dos 104 ex-parlamentares que compunham o “governo interino” concordaram em desmontar o cargo fictício de Guaidó por considerar que “o processo político que se iniciou em 23 de janeiro de 2019 se debilitou e não é visto como uma opção real de mudança”. A decisão havia sido tomada durante a primeira votação que ocorreu em 22 de dezembro e foi ratificada em uma segunda reunião realizada no dia 30 do último mês. Guaidó e aliados próximos tentaram adiar o segundo encontro, mas não tiveram sucesso. De acordo com a resolução elaborada pelos partidos Ação Democrática, Primeiro Justiça e Um Novo Tempo, a “presidência interina” e todos os supostos cargos ligados a ela serão encerrados quando a Assembleia Nacional paralela reiniciar suas atividades na próxima quinta-feira (5). Na prática, toda a estrutura fictícia de embaixadores, ministros, assessores e diretores de empresas estatais será desmontada para dar lugar a uma comissão composta por cinco ex-deputados. O controle desse setor da oposição sobre os ativos que pertencem ao Estado venezuelano no exterior – que se converteram na principal fonte de renda do “interinato” – será mantido, já que as “direções interinas” da PDVSA e do Banco Central seguirão existindo. “A primeira coisa que deve ser dita sobre esse processo é que existe uma grave crise de liderança política nos setores de oposição da Venezuela”, explica ao Brasil de Fato o cientista político venezuelano Luis Díaz. Para o pesquisador, a crise é reflexo do fracasso da estratégia de “pressão máxima” adotada nos últimos anos, que consistiu em boicotar eleições e pedir a Washington a ampliação do pacote de sanções para asfixiar economicamente o país e tentar derrubar o governo Maduro. “Sob o ponto de vista retórico, se supõe que as sanções afetam exclusivamente o governo, mas na prática o bloqueio afetou toda a população, afetou o desenvolvimento econômico de todos os setores da sociedade venezuelana, inclusive de empresários e empreendedores”, diz. O esgotamento da política de sanções e da “pressão máxima” estaria por trás desse rearranjo de forças dentro da direita venezuelana, pois setores econômicos internos e externos passaram a encarar o bloqueio estadunidense como um obstáculo para seus próprios interesses. “Neste momento existe a necessidade de uma mudança de alianças, de suspender sanções e sobretudo de levar a Venezuela de volta ao contexto internacional, principalmente pelo tema energético por conta das consequências do conflito entre Ucrânia e Rússia. A Venezuela volta a entrar nesse contexto internacional e, certamente, para o governo dos Estados Unidos, o interinato já era algo muito incômodo e difícil de sustentar”, afirma. O governo do presidente Joe Biden se manifestou nesta terça-feira (03) sobre as mudanças políticas feitas pela oposição. Em coletiva de imprensa, o porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Ned Price, afirmou que o país seguirá sem reconhecer a presidência de Maduro, mas se referiu a Guaidó como “membro da Assembleia Nacional” e não mais como “presidente interino”. “Juan Guaidó continua sendo um membro da Assembleia Nacional de 2015, a qual nós reconhecemos porque é a última instituição eleita democraticamente no país. Nós seguiremos coordenando com ele como membro da Assembleia Nacional de 2015 assim como com outros atores democráticos na Venezuela”, disse. A posição marca um giro no tratamento de Washington em relação a Guaidó, que, até então, era considerado “presidente” pela Casa Branca. Apesar de ter dado alguns sinais de aproximação com o governo Maduro ao longo de 2022, Biden vinha mantendo a estratégia de seu antecessor, o republicano Donald Trump, de considerar o ex-deputado como chefe do “governo interino”. Citgo e ouro: quem controla? O papel dos EUA também será decisivo para o futuro das empresas e dos fundos venezuelanos que estão bloqueados no exterior. Isso porque foi o reconhecimento dado por Washington e por países europeus aliados ao “interinato” que permitiu que os aliados de Guaidó controlassem esses ativos. Por meio da “direção interina” da PDVSA, a subsidiária da estatal petroleira venezuelana Citgo, que possui uma rede de refinarias e postos nos EUA cujo patrimônio é avaliado em cerca de 10 bilhões de dólares, passou às mãos da oposição que era liderada por Guaidó. Já o “Banco Central” da oposição é o responsável por gerir fundos e reservas como, por exemplo, as 31 toneladas de ouro que estão retidas no Banco da Inglaterra. Nesta terça-feira, o porta-voz do Departamento de Estado também se referiu aos ativos venezuelanos no exterior e disse que o programa de sanções continua, mas reconheceu a necessidade de discutir o tema com os opositores. “Entendo que os membros da Assembleia Nacional estão discutindo entre eles como irão lidar com os ativos no exterior. Nós vamos continuar discutindo esse tema com eles”, disse. Para Diaz, é improvável que Washington abra mão de ter alguma influência no futuro desses ativos, pois devolver as empresas e os fundos ao Estado venezuelano implicaria reconhecer a autoridade do governo Maduro, algo que o pesquisador acredita que não está no horizonte da Casa Branca. “As juntas interinas da PDVSA e do Banco Central serão mecanismos que seguramente o governo dos Estados Unidos vão reconhecer para manter uma legitimidade porque não pode, no seu ponto de vista político, manter uma relação direta com o governo de Nicolás Maduro. Acho que existirá uma relação chamada de duas faixas, ou seja, abertamente não irão reconhecer Maduro, e sim os setores da oposição, mas pragmaticamente buscarão mais aproximação

Ministro Barroso, do STF, é chamado de ‘lixo’ e ‘ladrão’ no aeroporto de Miami

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso foi hostilizado por bolsonaristas inconformados com a posse de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao tentar embarcar em um avião no aeroporto de Miami (EUA) que o traria de volta ao Brasil. As agressões aconteceram na segunda-feira (2). Os ataques começaram no salão de embarque do terminal aeroportuário, após uma mulher gritar que os ministros do STF “tiraram Lula da cadeia para colocá-lo na presidência”. Logo em seguida, outros passageiros começaram a chamar Barroso de “lixo” e “ladrão”. Também foram registrados gritos de “sai do voo” e “Pede para sair”. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, foi hostilizado por passageiros dentro do aeroporto de Miami (EUA). Aguarde mais informações. pic.twitter.com/iFibmqqTXx — Metrópoles (@Metropoles) January 3, 2023 Dino enviará ofício ao STF colocando a PF à disposição para investigar perseguição a ministros Logo após as imagens das hostilidades a Luís Roberto Barroso em Miami ganharem as redes sociais, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, disse nesta terça-feira (3) que enviará ofício a ministra Rosa Weber, presidente do STF, colocando a Polícia Federal à disposição para investigar episódios de agressões e ameaças a ministros.

Minas Gerais assume o terceiro lugar como maior exportador de cachaça no país

Programa “Cachaça Mineira Legal e de Qualidade” ajuda na ampliação de mercados O aumento das exportações da cachaça produzida em Minas elevou o patamar do estado no ranking nacional. De janeiro a novembro de 2022, os embarques renderam ao estado US$ 2,069 milhões em divisas, alta de 135%. Com isso, Minas Gerais saltou da quinta para terceira posição, ficando atrás de São Paulo e Pernambuco. No período, foram embarcados 378 mil litros, volume 86% superior ao registrado em igual intervalo de 2021. Os dados são do Instituto Brasileiro da Cachaça (Ibrac). Assumindo a terceira colocação, o estado passou a responder por 11,2% do valor exportado pelo Brasil. No mesmo período de 2021, o volume direcionado ao mercado externo representou 4,4% do país e manteve o estado em quinto lugar, atrás de São Paulo, Pernambuco, Paraná e Rio de Janeiro. No Brasil, mantendo-se a base comparativa com janeiro a novembro de 2021, os embarques da cachaça apresentaram crescimento de 54,74% em valor, que chegaram a US$ 18,47 milhões. Ao todo, foram 8,6 milhões de litros, ou 30,38% a mais. “Cachaça Mineira Legal e de Qualidade” Para manter a qualidade da bebida, considerando ampliação de mercados, melhora da produção e segurança sanitária, o Governo de Minas, por meio Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), autarquia vinculada à Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), criou projeto “Cachaça Mineira Legal e de Qualidade”. A iniciativa envolve toda a cadeia produtiva da cachaça para os próximos cinco anos. Dentre os objetivos específicos destacam-se ações educativas estratégicas em regiões do estado onde há elevado número de estabelecimentos clandestinos. Desde 2020, o instituto executa operações de denúncia em conjunto com a Polícia Civil do Estado de Minas Gerais (PCMG), verificando a falsificação do destilado pelo uso de álcool combustível. A fiscalização no estabelecimento comercial ou no alambique busca garantir a oferta de bebidas no padrão da legislação de bebidas. Para isso, também são feitas análises para avaliação de conformidade dos parâmetros estabelecidos para que a cachaça seja comercializada dentro dos padrões oficiais de identidade e de qualidade. A regularização melhora a estrutura da produção e incentiva o processo de aprimoramento contínuo, podendo ampliar vendas e conquistar novos mercados. Artesanal Minas Gerais é o maior produtor de cachaça artesanal do país. O processo tradicional de fabricação da bebida em alambique é declarado como patrimônio cultural pela lei estadual Nº 16.688, de 11 de janeiro de 2007. Já são mais de 1,7 mil marcas registradas em Minas Gerais, cerca de mil a mais do que São Paulo, segundo lugar no ranking. Salinas, no Norte do estado, é considerado o município com mais estabelecimentos registrados, seguido de cidades como Alto Rio Doce, Córrego Fundo, Bonfim, Rio Espera, Divinésia, Lamim e Perdões.