Michelle e Eduardo eram da ala mais radical do golpe, diz Mauro Cid em delação

Em seu depoimento de colaboração premiada, o tenente-coronel Mauro Cid, chefe da Ajudância de Ordens de Jair Bolsonaro (PL), revelou detalhes sobre a ala “mais radical” do grupo que defendia um golpe de Estado no Brasil no final de 2022. Segundo Cid, essa ala envolvia a então primeira-dama Michelle Bolsonaro e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). O depoimento, prestado em 28 de agosto de 2023 e obtido pelo colunista Elio Gaspari, da Folha, indicou que Michelle e Eduardo estavam entre os que incitavam o ex-presidente a agir contra a democracia, alegando que ele tinha o apoio popular e dos CACs (Colecionadores, Atiradores Desportivos e Caçadores). Apesar das revelações, o relatório final da investigação da Polícia Federal, concluído em 21 de novembro de 2024, não incluiu Michelle e Eduardo entre os 40 indiciados. O nome da ex-primeira-dama não aparece no documento, enquanto o deputado é mencionado apenas como contato de um dos investigados. Ambos negaram as acusações, com a defesa de Michelle classificando as afirmações de “absurdas” e Eduardo chamando a delação de Cid de “devaneio”. Cid descreveu três grupos distintos ao redor de Bolsonaro no final de 2022. O primeiro grupo buscava convencer o ex-presidente a aceitar a derrota e se tornar “o grande líder da oposição”. O segundo, que se opunha a medidas de ruptura, incluía figuras como o comandante do Exército. Mauro Cid e Jair Bolsonaro. Foto: Adriano Machado/Reuters O terceiro grupo, favorável a ações golpistas, estava dividido entre uma ala “menos radical”, que procurava evidências de fraudes eleitorais, e uma ala “mais radical”, que defendia a assinatura de decretos de exceção. Entre os membros da ala mais radical, Cid mencionou Felipe Martins, ex-assessor de Bolsonaro, e Onyx Lorenzoni, ex-ministro. Apenas Martins e Mário Fernandes, secretário-executivo da Secretaria-Geral da Presidência, foram indiciados pela Polícia Federal. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, também foi citado como parte do grupo que buscava questionar os resultados eleitorais, mesmo ciente de que as alegações de fraudes nas urnas eram falsas.

Adalclever Lopes retorna à Assembleia Legislativa de Minas Gerais

O cenário político de Minas Gerais passa por alteração significativas com o retorno de Adalclever Lopes (PSD) à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). A convocação ocorreu após o prefeito de São Gotardo, Makoto Sekita (PSD), abrir mão do cargo e renunciar à possibilidade de assumir uma vaga como deputado estadual. O ato foi oficializado no último sábado, 18 de janeiro, pelo presidente da ALMG. Adalclever Lopes, que presidiu a ALMG entre 2015 e 2019, volta ao Legislativo mineiro após seis anos afastado. Em 2018, ele deixou a Casa para disputar o governo de Minas Gerais, alcançando o quarto lugar na corrida, com apenas 2,77% dos votos. À época, Adalclever assumiu a candidatura ao governo após o diretório nacional do PSB inviabilizar a candidatura de Márcio Lacerda, ex-prefeito de Belo Horizonte, com quem Adalclever havia formado inicialmente uma chapa como vice. Sem mandato desde então, Adalclever ocupou posições estratégicas. Foi secretário de Governo de Alexandre Kalil durante sua gestão em Belo Horizonte e coordenador de campanhas importantes, como a de Kalil ao governo de Minas em 2022 e a de Mauro Tramonte (Republicanos) à Prefeitura de Belo Horizonte em 2024. Com a volta à ALMG, Adalclever assume a cadeira deixada pelo ex-deputado estadual Douglas Melo (PSD), que atualmente é prefeito de Sete Lagoas, na região Central do estado. Como segundo suplente do PSD, Adalclever foi convocado após Makoto Sekita, o primeiro suplente, optar por permanecer à frente da prefeitura de São Gotardo, no Alto Paranaíba. A decisão de permanecer no PSD, em vez de migrar para o Republicanos, foi estratégica para garantir sua volta ao Legislativo mineiro. Analistas políticos avaliam que o ex-presidente da ALMG enfrentará o desafio de reconstruir sua base eleitoral, especialmente considerando a proximidade das eleições de 2026. Para isso, é provável que Adalclever se aproxime do governo Romeu Zema (Novo), buscando apoio e estrutura política do Palácio Tiradentes. Adalclever não é o único novo integrante da ALMG. A advogada Carol Caram (Avante) e o ex-vereador de Coronel Fabriciano, Lincoln Drumond (PL), também foram convocados para ocupar vagas deixadas por deputados que assumiram prefeituras. Carol substitui Fábio Avelar (Avante), agora prefeito de Nova Serrana, na região Centro-Oeste, enquanto Lincoln Drumond assume a cadeira de Coronel Sandro (PL), eleito prefeito de Governador Valadares, na região do Rio Doce. Essas alterações na composição da ALMG refletem o impacto das eleições municipais de 2024, que levaram diversos deputados estaduais a ocupar cargos no Executivo municipal. Esse movimento cria novas oportunidades para suplentes, mas também exige reconfigurações estratégicas por parte dos partidos e lideranças políticas. O retorno de Adalclever à ALMG acontece em um momento de transição e desafios políticos. A necessidade de retomar espaço no cenário estadual e preparar-se para as eleições de 2026 exigirá articulação intensa. Sua proximidade com figuras como o ex-governador Fernando Pimentel (PT) e Alexandre Kalil pode influenciar suas escolhas políticas, especialmente em relação à base de apoio ao governo de Romeu Zema. Além disso, Adalclever herda a responsabilidade de representar regiões estratégicas, como Sete Lagoas e São Gotardo, que participaram diretamente de sua convocação para o cargo. Sua experiência como ex-presidente da ALMG e secretário de Governo deve ajudá-lo a navegar pelas demandas legislativas e políticas do momento. As mudanças na ALMG demonstram como o ciclo eleitoral impacta diretamente a composição das Casas Legislativas, levando a ajustes frequentes na representatividade política. O retorno de figuras experientes como Adalclever Lopes pode fortalecer o papel do PSD na ALMG, mas também representa desafios no equilíbrio entre diferentes interesses regionais e partidários. A convocação de suplentes como Carol Caram e Lincoln Drumond reforça a importância de lideranças locais no cenário estadual. Ambos assumem posições com expectativas de continuidade no trabalho legislativo e representação de suas regiões. A entrada de novos deputados na ALMG, somada ao retorno de Adalclever Lopes, adiciona uma dinâmica nova ao Legislativo mineiro. O reposicionamento político das bancadas, o alinhamento de interesses regionais e a relação com o Executivo estadual devem moldar o cenário legislativo nos próximos anos. Adalclever, em particular, terá a oportunidade de usar sua experiência para influenciar discussões importantes e fortalecer sua presença política antes das eleições de 2026. O desafio de reconquistar bases eleitorais e se reposicionar politicamente será central em sua trajetória nos próximos dois anos. Com essas mudanças, a Assembleia Legislativa de Minas Gerais se prepara para um período de intensa articulação política, em que os novos parlamentares e os veteranos terão papel crucial na condução das demandas do estado e no equilíbrio entre os interesses partidários e regionais.

STF invalida decreto de Zema sobre licença ambiental em terras indígenas

O Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu, nesta sexta-feira (24), o decreto 48.893/2024 do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), que estabelecia regras específicas para a consulta prévia a povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais em áreas impactadas por licenciamentos ambientais. A medida foi anulada por decisão cautelar do ministro Flávio Dino, que destacou que a competência para tratar de assuntos indígenas é da União, tornando o decreto estadual inconstitucional. A Consulta Livre, Prévia e Informada (CLPI) é um direito garantido a povos originários para que sejam consultados sobre projetos que possam impactar suas terras e modos de vida. A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) entrou com a ação contra o decreto cerca de dois meses após sua publicação, argumentando que o texto restringia direitos fundamentais dessas comunidades. O decreto de Zema estabelecia critérios que, na prática, limitavam a abrangência da CLPI. Apenas povos indígenas reconhecidos pela Funai, comunidades quilombolas certificadas pela Fundação Cultural Palmares e povos tradicionais registrados pela Comissão Estadual de Desenvolvimento Sustentável poderiam ser consultados. Além disso, terras indígenas seriam consideradas apenas aquelas demarcadas e homologadas pela União, excluindo áreas ainda em processo de regularização. O decreto também dispensava a consulta para comunidades situadas em áreas urbanas. Essas medidas foram duramente criticadas por lideranças indígenas e quilombolas, que alegaram que o decreto ameaçava sua autonomia e facilitava o avanço de empreendimentos em territórios tradicionais. A Apib classificou o decreto como um retrocesso e afirmou que ele era incompatível com os princípios constitucionais que protegem os direitos dessas populações. Maurício Terena, advogado indígena e coordenador jurídico da Apib, criticou o decreto como “colonial” e uma tentativa de retirada de direitos. “O governo de Minas Gerais apresenta um histórico de violação de direitos de povos indígenas. O texto do decreto é um reflexo de uma visão ultrapassada e excludente, ignorando a jurisprudência brasileira”, afirmou. A decisão do STF ocorre em um contexto de intenso debate nacional sobre demarcação de terras. O Marco Temporal, previsto na Lei 14.701, condiciona o direito à demarcação à comprovação de ocupação indígena em 5 de outubro de 1988, o que gera controvérsias e disputas judiciais. O governador Romeu Zema, por meio de nota oficial, informou que não comenta ações judiciais em andamento, afirmando que se manifestará no processo quando for intimado. Enquanto isso, a suspensão do decreto reforça a importância da consulta prévia como instrumento de proteção dos direitos dos povos originários e tradicionais.

Minas Gerais mantém o ritmo e lidera crescimento do turismo no Brasil

Análise realizada pelo Núcleo de Estudos Econômicos da Fecomércio MG, com base nos dados da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) do IBGE, mostra que a atividade turística no estado ficou estável no mês de novembro, (dados mais recentes divulgados pelo IBGE) em relação a outubro com estabilidade (0,0%) no período. No contexto nacional, houve recuo de -1,8% na atividade turística. Na comparação entre novembro de 2024 e novembro de 2023, o indicador de atividade turística no estado registrou incremento de 4,6%, indicando queda em relação a igual período de 2023, quando houve crescimento de 10,6%. Nesta frente de análise, o indicador evolui positivamente no estado desde 2021. No mesmo período no país, o incremento foi de 10,3%. De acordo com Fernanda Gonçalves, economista da Fecomércio MG, Minas Gerais apresenta crescimento acima da média nacional desempenhando em quinto lugar no acumulado dos 12 meses com 4,4%. “De acordo com Gonçalves, o turismo em Minas Gerais continua a apresentar um desempenho notável, performando entre os cinco melhores do Brasil. Um dos principais fatores que garantem essa estabilidade, é o mercado de trabalho aquecido, além das promoções oferecidas pelas agências de turismo no período do chamado “fora de temporada”. Essas iniciativas têm possibilitado viagens a outros estados a preços mais acessíveis, juntamente com a promoção de destinos internos. Além disso, as ofertas de roteiros gastronômicos e de ecoturismo têm gerado um impacto positivo, incentivando o crescimento dos setores de turismo, serviços e comércio.” Explica Gonçalves. Entre janeiro e novembro de 2024, o indicador da atividade turística aponta para crescimento de 4,4% em Minas Gerais e de 2,9%. Ainda conforme a análise, nos últimos 12 meses, o incremento da atividade turística no estado chega a 4,4% e no país a 2,9%. FECOMÉRCIO | A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais integra o Sistema Fecomércio MG, Sesc e Senac em Minas que tem como presidente o empresário Nadim Donato. A Fecomércio MG é a maior representante do setor terciário no estado, atuando em prol de mais de 740 mil empresas mineiras. Em conjunto com a Confederação Nacional do Comércio (CNC), presidida por José Roberto Tadros, a Fecomércio MG atua junto às esferas pública e privada para defender os interesses do setor de Bens, Serviços e Turismo a fim de requisitar melhores condições tributárias, celebrar convenções coletivas de trabalho, disponibilizar benefícios visando o desenvolvimento do comércio no estado e muito mais. Há 86 anos fortalecendo e defendendo o setor, beneficiando e transformando a vida dos cidadãos.

Avião da FAB com brasileiros deportados dos EUA chega a Minas Gerais

Voo com 88 passageiros que tiveram que deixar o país governado por Donald Trump após endurecimento de medidas contra imigração parou em Manaus A FAB (Força Aérea Brasileira) informou que o avião que transportava os brasileiros deportados dos Estados Unidos de Manaus para Minas Gerais pousou no Aeroporto Internacional de Confins, em Belo Horizonte, às 21h10 deste sábado, 25. Os 88 passageiros integram a primeira leva de brasileiros que precisaram deixar os EUA por causa das medidas do presidente americano Donald Trump, que anunciou o endurecimento de medidas contra a imigração já nos primeiros dias de seu segundo mandato. Confira a nota da FAB: “A Força Aérea Brasileira (FAB) informa que uma aeronave KC-30, do Segundo Esquadrão do Segundo Grupo de Transporte (2º/2º GT – Esquadrão Corsário), pousou no Aeroporto Internacional de Confins, em Belo Horizonte (MG), às 21h10 (local) deste sábado (25/01), transportando deportados oriundos dos Estados Unidos da América”. Brasileiros chegaram algemados O Ministério da Justiça e a Polícia Federal informaram neste sábado, 25, que houve tentativa das autoridades americanas de manter os 88 brasileiros deportados dos Estados Unidos algemados durante o voo de deportação. O avião, que transportava 158 pessoas, deveria pousar em Belo Horizonte ontem, mas parou em Manaus após apresentar um problema técnico. Ao chegar em solo brasileiro, policiais federais tiraram as algemas e impediram que elas fossem recolocadas em função da “garantia da soberania brasileira em território nacional e dos protocolos de segurança em nosso país”. A informação de que os brasileiros viajariam algemados foi repassada ao ministro da Justiça e Segurança Pública Ricardo Lewandowski pelo diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues. O ministro, então, conversou com o presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, que determinou que os deportados fossem levados para Belo Horizonte em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB). Medidas de Trump O grupo volta ao Brasil em meio ao anúncio de um calhamaço de medidas determinadas pelo novo presidente americano, que endureceram as regras para a entrada e permanência de imigrantes no país. Na noite de quinta-feira 23, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, usou o X, antigo Twitter, para anunciar que 538 imigrantes ilegais, de diferentes origens, já foram presos desde a posse de Trump — incluindo um suspeito de terrorismo, quatro integrantes da gangue venezuelana Tren de Aragua e outros indivíduos condenados por crimes sexuais contra menores. Segundo ela, “centenas” de imigrantes ilegais também já foram deportados em aeronaves militares, apenas o início do que ela chamou de “a maior operação de deportação em massa da história”, uma promessa da campanha trumpista. Além disso, o governo Trump deu aos funcionários da ICE, a temida polícia da imigração, o poder de deportar estrangeiros que foram autorizados a entrar nos Estados Unidos temporariamente durante a gestão de seu antecessor, Joe Biden, de acordo com um memorando interno da Casa Branca obtido pelo jornal americano The New York Times nesta sexta-feira. A medida afeta dois programas do governo anterior. O primeiro é um aplicativo chamado CBP One, usado por imigrantes para agendar audiências com autoridades americanas de fronteira e alfândega de modo a  entrar legalmente no país. O segundo se trata de uma iniciativa que deu sinal verde à chegada de certas pessoas que fugiam de perseguição política em Cuba, na Nicarágua, na Venezuela e no Haiti. Juntos, os programas permitiram a entrada de cerca de 1,4 milhão de imigrantes nos Estados Unidos desde o início de 2023.

Luto nas artes – Montes Claros perde o talento da musicista Marina Lorenzo Fernandez

Fundadora do Conservatório, Marina Lorenzo Fernândez nos deixa aos 98 anos Faleceu neste sábado a professora Marina Helena Lorenzo Fernândez Silva, fundadora do Conservatório Estadual de Música Lorenzo Fernândez. Carioca de nascimento e montesclarense de coração, dona Marina nasceu no dia 8 de fevereiro de 1926, filha do maestro e compositor Oscar Lorenzo Fernândez e Irene Sotto. Ela faria centenário no ano que vem. Professora de piano, ficou encantada com o alto nível e musicalidade dos montes-clarenses, surgindo assim, a ideia de fundar um conservatório, o que ocorreu em 14 de março de 1962. A escola de música leva o nome do seu pai. Dona Marina foi uma mulher dinâmica, à frente do seu tempo, que sempre viu perspectivas de mudanças no ser humano por meio das realizações artísticas. Em 1987 voltou ao Rio de janeiro para dirigir o Conservatório Brasileiro de Música, fundado pelo seu pai. Homenagem da Prefeitura de Montes Claros A educadora Marina Helena Lorenzo Fernândez Silva foi homenageada pela Prefeitura de Montes Claros, através do programa Jardim para Borboletas (uma parceria da Prefeitura com o Ministério Público – MP), que tem a finalidade de homenagear mulheres que são ou que foram influentes na nossa sociedade, com jardim e escultura de borboleta. A escultura em homenagem a dona Marina foi afixada na praça da Igreja Rosa Mística, no bairro São Luiz. Quem é Marina Lorenzo Fernândez A Prof. Dona Marina Helena Lorenzo Fernândez Silva é fundadora do Conservatório Estadual de Música Lorenzo Fernândez e da Faculdade de Educação Artística (FACEART) – atual Departamento de Artes da UNIMONTES. À ufrente do Conservatório, com pulso forte e com ajuda das fundadoras, Dona Marina realizou trabalhos maravilhosos e de grande valor para cidade, incentivando a inovação e a motivação através da arte. Mulher dinâmica, à frente do seu tempo, vê perspectivas de mudanças no ser humano através das realizações artísticas. Após contribuir com o enriquecimento artístico-cultural da cidade e região, aposentou-se em 1987, indo fixar residência no Rio de Janeiro, para assim tomar conta do Conservatório Brasileiro de Música, fundado pelo seu pai, mas sem esquecer os laços artísticos e familiares com Montes Claros.

Justiça – Certidão de óbito de Rubens Paiva agora admite assassinato pela ditadura

Novo documento aponta para morte “não natural, violenta, causada pelo Estado brasileiro no contexto da perseguição sistemática […] do regime ditatorial instaurado em 1964.” Na última quinta-feira (23), a certidão de óbito do ex-deputado federal Rubens Paiva foi corrigida. A história dele e de sua família é contada no filme “Ainda Estou Aqui”, que concorre em três categorias no Oscar 2025. Agora consta na certidão emitida pelo Cartório da Sé, como causa da morte: “não natural, violenta, causada pelo Estado brasileiro no contexto da perseguição sistemática à população identificada como dissidente política do regime ditatorial instaurado em 1964.” A notícia foi veiculada em primeira mão pela Rede Globo. A versão anterior da certidão, de 1996, constava apenas que ele havia desaparecido em 1971, e isto após a luta de sua esposa, Eunice Paiva. A mudança atende a uma determinação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para que cartórios retifiquem certidões de mortos e desaparecidos políticos. Dessa maneira, conforme o ONRCPN (Operador Nacional do Registro Civil de Pessoas Naturais), o Conselho entende que deve ocorrer retificação de certidões de óbito em 202 casos, além de serem emitidos 232 novo registros de óbitos referentes a desaparecidos. Neste casos, com a indicação da violência cometida pelo Estado no período da ditadura, como na certidão de Paiva. PGR A Procuradoria-Geral da República (PGR) recebeu, em novembro passado, ofício do Supremo Tribunal Federal (STF) para se manifestar sobre a apuração quanto à morte de Rubens Paiva. A corte aguarda o posicionamento, ainda não realizado, para dar prosseguimento, ou não, em uma ação penal contra cinco acusados pelo assassinato. A denúncia original, feita pelo Ministério Público Federal, em 2014, envolve os já falecidos Rubens Paim Sampaio, Raymundo Ronaldo Campos e Jurandyr Ochsendorf e Souza, e os ainda vivos Jacy Ochsendorf e Souza e José Antônio Nogueira Belham. Nestes anos de tramitação, com diversas apelações, o caso chegou ao STF. Em decisão recente, o ministro Flávio Dino aceitou recurso do MPF para que a Lei da Anistia não tenha validade para proteger crimes de ocultação de cadáver – legislação que vinha favorecendo a defesa dos acusados. Dados levantados pelo ICL Notícias com base no Portal da Transparência revelam que juntos os cinco acusados custam para os cofres públicos mais de R$ 140 mil por mês, entre aposentadorias e pensões. Ao ano o valor é superior a R$ 1.6 milhão. O major da reserva Jacy Ochsendorf recebe R$ 23,4 mil, já o general reformado José Antônio R$ 35,9 mil, além de gratificações. Os valores são sem descontos. Os outros mais de R$ 80 mil são pagos em pensões a familiares dos três acusados já mortos

Ministro critica postura de Aécio sobre BR-381 e reafirma início das obras

O ministro dos Transportes, Renan Filho, rebateu com firmeza as críticas do deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG) sobre o contrato de concessão da BR-381, assinado pelo governo Lula na quarta-feira, 22. Conhecida como “Rodovia da Morte”, a duplicação da estrada é uma demanda histórica dos mineiros e foi usada como palco para um embate público nas redes sociais nesta sexta-feira, 24. Aécio, ex-governador de Minas Gerais, adotou um tom cético em uma publicação no Instagram, sugerindo que a assinatura do contrato poderia ser mais uma “promessa adiada”. “Após décadas de descaso, o governo Lula assinou o contrato de duplicação da BR-381. Será que os mineiros finalmente podem acreditar que a obra será concluída?“, escreveu. Renan Filho, por sua vez, apontou o histórico de negligência em gestões anteriores e ressaltou que as obras começam no dia 6 de fevereiro, como parte dos compromissos firmados pelo governo. “Faltou você lembrar que, no governo FHC, as rodovias federais de Minas foram estadualizadas sob sua gestão, com promessas de investimentos que nunca se concretizaram. Devolveram essas rodovias em condições ainda piores”, rebateu o ministro. Aécio governou Minas Gerais de 2003 a 2010, período em que as demandas pela duplicação da BR-381 cresceram, sem que houvesse avanços concretos. A crítica de Renan reflete o cansaço dos mineiros com promessas não cumpridas, enquanto vidas continuam sendo ceifadas na perigosa estrada. Durante a assinatura do contrato, Renan também criticou a ausência do governador Romeu Zema (Novo), que optou por não participar da cerimônia. “Parece que a cobrança é mais política do que pelo interesse real na obra. O foco deveria ser o cidadão, não o oportunismo político”, declarou o ministro. O contrato firmado com a Concessionária Nova 381, do grupo 4UM Investimentos, prevê investimentos de R$ 10 bilhões ao longo de 30 anos, com o objetivo de melhorar a infraestrutura e reduzir os altos índices de acidentes. A postura de Aécio foi vista por muitos como uma tentativa de desviar o foco de sua própria inação enquanto governador, ignorando que o governo Lula agora avança em um projeto há muito negligenciado. Renan Filho destacou que a duplicação não será apenas um compromisso no papel, mas uma obra prioritária que, finalmente, sairá do campo das promessas políticas.

Hugo Motta promete não pautar anistia aos condenados do 8 de janeiro

O deputado Rogério Correia (PT-MG), vice-líder do governo na Câmara, afirmou nesta sexta-feira que Hugo Motta (Republicanos-PB), favorito para a presidência da Casa, garantiu à bancada petista que não pautará o projeto de lei que propõe anistiar os condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro. Segundo Correia, o compromisso foi assumido durante reuniões com a bancada do PT e reforçado diante dos governistas. “O compromisso foi feito em reunião com a coordenação da bancada do PT e, posteriormente, com toda a bancada. Caso Arthur Lira não resolva a questão, Hugo Motta, como presidente, se comprometeu a não pautar o projeto”, declarou Correia. O deputado mencionou ainda que o inquérito da Polícia Federal, que indiciou Jair Bolsonaro e outros envolvidos nos atos, torna mais fácil a consolidação desse compromisso. O tema da anistia é considerado prioritário pela bancada bolsonarista, que também apoia Motta. Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, confirmou que a anistia aos condenados tem maior relevância para o grupo do que outros projetos, como o que poderia garantir a elegibilidade do ex-presidente. “Estamos trabalhando na anistia aos condenados. É um tema sensível, sujeito a interferências judiciais, por isso não deve ser publicizado agora”, declarou Eduardo. Hugo Motta, que busca apoio tanto do PL quanto do PT, tenta equilibrar posições diante do tema polêmico. Em outubro, o atual presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), criou uma comissão especial para analisar o projeto de anistia, retardando sua tramitação para evitar que o assunto interferisse no processo de sucessão à presidência da Casa. “O tema precisa ser debatido pela Câmara, mas não pode contaminar a eleição da Mesa Diretora. Determinei a criação de uma comissão especial para buscar convergência no texto”, afirmou Lira à época. Enquanto isso, a possível presidência de Hugo Motta coloca o tema em evidência, especialmente com pressões de diferentes bancadas que divergem sobre a anistia aos envolvidos nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro.

Ponte da Unimontes vai destravar o trânsito em importante região da cidade

A Prefeitura de Montes Claros inaugurou nessa quinta-feira, 23, a “Ponte da Unimontes”, chamada assim por facilitar o acesso à Universidade Estadual de Montes Claros, mas que vai muito além, pois melhora significativamente a mobilidade e a fluidez no trânsito numa região de grande movimento. A ponte fica sobre o Córrego Vieira, na Avenida José Corrêa Machado, interligando as ruas Benedito Helvécio Guimarães, no bairro Melo, e Santo Antônio, no Todos os Santos. Com custo estimado em R$ 1,2 milhão, é composta por duas pistas de 3,7 metros de largura cada, para veículos, e duas passarelas laterais, de 2 metros de largura, para pedestres, separadas por guarda-rodas e protegidas por guarda-corpos nos lados externos. Ao inaugurar a obra, o prefeito Guilherme Guimarães fez questão de ressaltar o papel dos deputados de Montes Claros, nos âmbitos estadual e federal, para a concretização do empreendimento. A ponte se junta a um conjunto de mais de 2.500 obras realizadas pela gestão do ex-prefeito Humberto Souto, da qual Guilherme foi vice. Durante o ato de inauguração, o agora prefeito se propôs a dar continuidade ao projeto de cidade que se iniciou em 2016 por seu antecessor. Ele enumerou os pressupostos para uma gestão com foco nos anseios da população: determinação, vontade, eficiência, honestidade, correção e dedicação. Guilherme, que é professor da Unimontes, fez menção ao histórico da universidade e seu papel no desenvolvimento de Montes Claros e do Norte de Minas. Ele citou o ex-deputado Cícero Dumont (já falecido), autor da Lei Estadual 2.615, que criou a Fundação Norte Mineira de Ensino Superior (FUNM). Por intermédio da Constituição Mineira de 1989, a extinta FUNM foi transformada na atual Unimontes. Guimarães lembrou que a instituição de ensino foi estadualizada pelo ex-deputado Milton Cruz, lembrando ainda da luta dos professores João Valle Maurício e Alfredo Dolabella e do ex-prefeito Mário Ribeiro para o desenvolvimento do ensino superior na cidade. “Eles construíram a universidade e são responsáveis pela transformação da cidade”, homenageou. “Essa ponte vai melhorar não só o acesso à universidade, mas também o grande fluxo da região Norte à região Central, saindo do bairro Eldorado e passando pela Vila Atlântida, Santos Reis, Vila Brasília, Barcelona e Todos os Santos, para chegar ao bairro Melo, Centro e Jardim São Luiz. Ou seja, vamos liberar um grande corredor viário que estava congestionado na rua São Paulo, onde pessoas ficavam até meia-hora paradas nos semáforos”, explicou o prefeito. A partir de agora, assinalou Guilherme Guimarães, Montes Claros entrará em um novo estágio de realização de obras mais complexas, que exigirão aporte maior de recursos e participação dos representantes do município nas esferas estadual e federal. A cerimônia de inauguração contou com grande presença de público e autoridades, como a do presidente da Câmara Municipal, Júnior Martins, que ressaltou a continuidade do ritmo de obras. “Nem parece que trocamos de administração”, observou. O reitor da Unimontes, Wagner Santiago, destacou o fato de a primeira obra a ser inaugurada pela nova gestão ser batizada de “Ponte da Unimonntes”. Segundo ele, mais que ligar carros e pessoas, a ponte tem o papel de salvar vidas. Santiago disse que a intervenção no trânsito vai evitar os frequentes acidentes entre as ruas Tupis e São Paulo Foto: Solon Queiroz