Na faculdade, cotistas têm taxa de conclusão 10% maior do que demais alunos

Assim como no caso das cotas, entre os beneficiários do Prouni, 58% concluíram a graduação em 2023, contra 36% entre os estudantes que não fazem parte da política O Censo da Educação Superior, divulgado nesta quinta-feira (3), reafirmou a importância de alguns mecanismos de acesso a esse nível de ensino disponibilizados às populações negra, indígena e mais pobre, historicamente alijadas do ensino superior. Segundo a pesquisa, por exemplo, na década de 2014 a 2023, estudantes que chegaram ao ensino superior federal por meio de cotas tiveram uma taxa de conclusão 10% maior que a de não cotistas (51% a 41%). Outra política que mostrou resultados positivos foi o Prouni. O Censo verificou que 58% dos beneficiários concluíram a graduação em 2023, contra 36% entre os estudantes que não fazem parte da política. Já o índice de concluintes — os que estão perto de terminar o curso — entre os alunos que contam com o Fies (49%) foi 15% superior ao de quem não o utiliza (34%). Produzido pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) — autarquia vinculada à pasta —, o Censo faz uma ampla radiografia sobre estudantes, professores e instituições de ensino que servirá para traçar planos de melhoria tanto no que diz respeito ao acesso e continuidade nos cursos quanto à qualidade e distribuição desse nível de formação. A pesquisa também apontou que entre os jovens de 18 a 24 anos, que somam 22,3 milhões de pessoas, quase 45% não frequentam e concluíram o ensino médio; 22% frequentam a educação superior; 20% não frequentam ou não concluíram o ensino médio e quase 8% frequentam o ensino médio. Os demais se dividem entre os que não estão e concluíram a educação superior (4%) e os que frequentam o ensino fundamental (1%). Esses dados se inserem nos desafios colocados, sobretudo, na meta 12 do Plano Nacional de Educação (PNE), que se destina a “elevar a taxa bruta de matrícula na educação superior para 50% e a taxa líquida para 33% da população de 18 a 24 anos, assegurando a qualidade da oferta e expansão para, pelo menos, 40% das novas matrículas, no segmento público”. Metas por raça, renda e local No quesito cor/raça, o Censo mostra que os estudantes concluintes pretos, pardos ou indígenas são a grande maioria no Amazonas (89%), na Bahia (88%) e em Roraima (87%), números que vão decaindo conforme se percorre estados do Centro-Oeste, Sudeste e Sul. No Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, por exemplo, eles são, respectivamente, 17% e 18%. Em São Paulo, são 30% e no Rio de Janeiro, 56%. Quando é averiguado o número médio de anos de estudo da população de 18 a 29 anos no Brasil em 2023, conclui-se que o perfil majoritário é de mulheres, brancas, de renda maior e que vivem em áreas urbanas, principalmente do Sudeste. Segundo os dados, entre os 25% de maior renda, a média é de 13,5 anos; entre os brancos, é de 12,4 anos; no Sudeste é de 12,2 anos; entre mulheres, é de 12,1 anos e da área urbana, 12 anos. No extremo oposto, aqueles com menos anos médios de ensino, em torno de 9 a 9,4 anos, têm como perfil preponderante homens, pretos, de zonas rurais do Norte e Nordeste e que fazem parte dos 25% com menor renda. Quanto à localização, o acesso aos que terminaram o ensino médio e seguiram para o superior em 2022 continuava sendo maior para quem estava na área urbana (27%) em relação a quem vivia em zonas rurais (16%). De acordo com o MEC, esse conjunto de pessoas acima descritos são o foco central da meta 8 do Plano Nacional de Educação (PNE), cujo objetivo é “elevar a escolaridade média da população de 18 a 29 anos, de modo a alcançar, no mínimo, 12 anos de estudo no último ano de vigência deste plano, para as populações do campo, da região de menor escolaridade no País e dos 25% mais pobres, e igualar a escolaridade média entre negros e não negros declarados à Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)”. Na avaliação de Leonardo Barchini, ministro da Educação substituto, “os dados nos mostraram que o caminho é cuidar desses estudantes, especialmente dos que mais precisam, porque eles respondem, eles dão resultado quando instados a entrar na educação superior. A gente dá uma chance para esses estudantes de baixa renda, pretos, pardos e indígenas, e eles respondem”. Barchini completou dizendo que com base nesses dados, “estamos desenhando os novos programas de concessão de benefícios de assistência estudantil para esses estudantes”, e lembrou que o MEC já aumentou o valor da Política Nacional de Assistência Estudantil (Pnaes). Tipos de instituição Observando o tipo de instituição dos que terminaram o ensino médio em 2022 e ingressaram na educação superior no ano seguinte — cujo percentual é de 27% —, o índice é bem superior entre os concluintes do ensino médio de escolas federais (58%) e privadas (59%). Já os alunos oriundos de escolas estaduais ficaram abaixo da média: apenas 21% ingressaram no ensino superior logo após concluírem o ensino médio. Os estudantes que terminaram o ensino médio articulado com a educação profissional (integrado ou concomitante) também tiveram mais facilidade para ingressar na educação superior no ano seguinte. Desse grupo, 44% entraram em um curso de graduação logo após a formatura, outro número acima da média. Quando analisados aqueles que concluíram o ensino médio na modalidade regular e na educação de jovens e adultos (EJA), o percentual é de 30% e de 9%, respectivamente. Oferta de vagas e matrículas Além desses dados, o Censo de 2023 registrou 2.580 instituições de educação superior. Dessas, 87,8% (2.264) eram privadas e 12,2% (316), públicas. Nesse contexto, a rede privada ofertou 95,9% (23.681.916) das mais de 24,6 milhões de vagas. Já a rede pública foi responsável por 4,1% (1.005.214) das ofertas, com 65,5% (658.273) dessas vagas em instituições federais. Na modalidade de Educação à Distância (EaD), a
Prefeito de Glaucilândia e candidato à reeleição sob suspeita

Apenas uma servidora teria sido contemplada com gratificação de R$ 35 mil. Ministério Público vai investigar * Por Waldo Ferreira Candidato a reeleição pelo PSD, o prefeito de Glaucilândia, no Norte de Minas, Herivelto Alves Luiz, está sendo acusado por supostos atos de improbidade administrativa. Ele teria autorizado pagamentos de gratificações, de forma indiscriminada, a vários servidores em 2024. No mês de julho o valor com salários extras ultrapassou R$ 74 mil. De acordo com o MP, apenas uma funcionária teria recebido em fevereiro gratificação de R$ 35 mil. Os dados que alicerçam a denúncia podem ser encontrados no próprio Portal da Transparência do município de Glaucilândia. O MP vai investigar se a prática caracterizaria as chamadas “rachadinhas”, em que parte dos vencimentos seriam entregues ao atual prefeito. De acordo com a denúncia, as gratificações precisam ser previstas em lei específica e só podem ser pagas no mesmo percentual. Para serem criadas é necessária prévia dotação orçamentária, suficiente para atender às projeções de despesas de pessoal e aos acréscimos dela decorrentes, critérios que não teriam sido observados por Herivelto Alves Luiz O prefeito teria concedido gratificação em “patamares imorais” sem apresentar qualquer justificativa para a concessão de valores tão elevados a determinados servidores. As investigações também esclarecerão se a prática tem correlação com o ano eleitoral. O caso mais espantoso é da assessora de controle de endemias e zoonoses, Millene Katerinne Costa, cujo salário-base é de R$ 1.412. Em fevereiro deste ano somente de gratificação ela recebeu R$ 34.947, o que elevou seus vencimentos para R$ 36.359. “Com efeito, a concessão de gratificações aos servidores por simples critério discricionário afronta o princípio da legalidade, caracterizando ato de improbidade administrativa. Desta forma, é preciso investigar com cautela os fatos articulados nesta denúncia, levando em consideração o contraditório e ampla defesa, para que nenhuma injustiça seja cometida”, diz a denúncia encaminhada ao Ministério Público. Procurado, Herivelto Alves Luiz não foi encontrado para responder às acusações *Jornalista
Incêndio ameaça Parque Estadual da Lapa Grande, Paulinho Ribeiro

Até o momento não há informações do tamanho da área atingida pelas chamas. Duas guarnições dos Bombeiros atuam no combate ao fogo O Corpo de Bombeiros de Minas Gerais (CBMMG) combateu um incêndio em vegetação próxima ao Parque Estadual da Lapa Grande Paulinho Ribeiro, no Norte de Minas, na tarde desta quarta-feira (2/10). Até o momento, não há informações do tamanho da área atingida pelas chamas. Duas guarnições compareceram ao local. Além disso, brigadistas do Instituto Estadual de Florestas (IEF) foram acionados para ajudar no combate ao fogo com objetivo de evitar a propagação do fogo para o interior da área de preservação. Como forma de intensificar a prevenção, a corporação mantém diariamente guarnições de combate a incêndio de prontidão que realizam vistorias a fim de orientar as comunidades no entorno do Parque da Lapa Grande. Durante a ação, também é realizado o monitoramento que permite a rápida identificação dos focos e uma resposta mais rápida aos princípios de incêndio. Prevenção Durante a época de altas temperaturas e baixa umidade relativa do ar, os bombeiros alertam à população do aumento da incidência de queimadas. De acordo com o órgão, qualquer descuido com o manuseio inadequado do fogo, pode provocar um grande incêndio florestal que pode atingir as Unidades de Conservação, trazendo um prejuízo muito grande para a natureza, portanto, nessa época de longa estiagem, jamais utilize o fogo para limpar terrenos ou fazer a queima de lixos e resíduos. Qualquer atitude de pessoas suspeitas em provocar incêndios deve ser denunciada por meio do telefone 190 ou do Disque denúncia Unificado 181, nesse último caso é mantido o sigilo do denunciante. MG: polícia prende e indicia suspeito de atear fogo em área de vegetação Prisões A ofensiva das autoridades contra incêndios criminosos em Minas Gerais resultou, até o dia 20 de setembro, na condução de 216 pessoas por crimes relacionados a incêndios. Desses, 76 foram por crimes ligados a queimadas florestais, segundo dados apresentados pelo Governo de Minas. Entre janeiro e setembro de 2024, a Polícia Civil indiciou 91 pessoas por crimes relacionados a incêndios em Minas Gerais, um aumento de 13,75% em relação ao mesmo período de 2023. Ainda assim, o número é muito inferior ao de ocorrências registradas. A dificuldade em identificar os responsáveis é uma das principais barreiras no combate a esses crimes. A prática de atear fogo em áreas de vegetação é considerada crime ambiental, conforme estabelecido pelo artigo
Candidato a vereador fica sem poder fazer campanha em Montes Claros

Juiz proíbe Rodrigo Cadeirante de utilizar a “carretinha”, carro de som com reboque que ele utiliza nas eleições. O candidato tem doença degenerativa e está impossibilitado de fazer campanha por outro meio “Devemos tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais, na medida de sua desigualdade” Aristóteles (filósofo grego) * Por Waldo Ferreira Em decisão surpreendente, o juiz eleitoral João Adílson Nunes Oliveira, da 184ª Zona Eleitoral, proibiu a utilização de carro de som e reboque, a chamada “carretinha”, pelo candidato a vereador Rodrigo Cadeirante, que vive numa cadeira de rodas e tem severas limitações de movimento, condição que o impede de participar de caminhadas e de outras formas de fazer campanha, como os demais postulantes à Câmara Municipal. Embora a “carretinha” seja utilizada pelo candidato desde as eleições de 2022, com autorização da Justiça Eleitoral, e esteja nas ruas diariamente na atual campanha, a proibição veio por meio de denúncia de suposta propaganda irregular, feita pelo Sistema Pardal. Para os advogados de Rodrigo Cadeirante, Luiz Miguel Silva Ribeiro e João Carlos Prates Bertolino, a medida foi equivocada e insensata, ignorando a condição especial do candidato e produzindo uma desigualdade em relação aos demais. “O Judiciário deve sempre considerar as particularidades dos casos, a fim de garantir a equiparação”, consideram. A defesa impetrou mandado de segurança, alegando tratar-se de uma questão de dignidade da pessoa humana. “Isonomia e paridade de armas são princípios basilares do nosso ordenamento jurídico”, explicam, destacando que no pleito de 2022 o candidato também foi vítima de denúncias da mesma natureza. Todavia, naquela oportunidade, decisão da mesma 184ª Zona Eleitoral decidiu pelo arquivamento, por entender que a “carretinha” não está em desacordo com a legislação eleitoral. “À época foi garantido ao candidato o direito de continuar com a prática de campanha, equiparando a utilização da “carretinha” a caminhada, em razão da cristalina impossibilidade do mesmo”, diz o arrazoado. Isso porque, no caso, o deficiente físico com dificuldade de locomoção fica em situação de desigualdade, por não poder participar de caminhada e passeata com carro de som. “A deficiência jamais pode ser uma restrição, tampouco ´punição`, reforçam. Conforme o próprio nome de campanha do candidato sugere, ele é portador de uma doença rara e degenerativa, sendo tetraplégico. Logo, não tem nenhum movimento no corpo, sendo preso a uma cadeira de rodas e totalmente dependente de terceiros. Segundo os advogados, a decisão proferida ignorou todas as especificidades do caso, deixando o candidato desamparado. A defesa alega que a prática utilizada por Rodrigo Cadeirante é antiga, visto que o contínuo processo degenerativo dos seus músculos o obrigou a se reinventar, e, portanto, “não configura ferramenta para obter vantagem, até porque, ninguém em sã consciência gostaria de estar vivenciado a situação dele”. “O que se busca é apenas estar em igualdade com os demais, conseguindo alcançar o público de alguma forma. Nessa perspectiva, entendemos que estamos diante de aplicação do princípio da isonomia, ou igualdade substancial, assegurado já no preâmbulo da Constituição Federal de 1988 como valores supremos”, explicitam os advogados. “Em contraposição à condição de Rodrigo Cadeirante, o candidato que tem todos os movimentos preservados pode trafegar pela via caminhando, realizando discurso, conversando com as pessoas e utilizando carro de som, pois, a legislação eleitoral o permite. Além disso, o candidato pode apertar a mão de seu eleitor, pegar crianças no colo, comer pastel e tomar caldo de cana na feira, atos que são comuns e servem para aproximar o político da população”, argumenta a defesa. O recurso reforça que o candidato somente utiliza a “carretinha” (carro de som) em decorrência da falta de outro meio de se locomover com eficácia para alcançar o eleitorado. A defesa lembra que o estilo de campanha adotado pelo candidato se baseia nas atividades de rua, sem muitas reuniões, comícios e poucas carreatas, realizando apenas visitas nos bairros da cidade com alguns apoiadores que contribuem na distribuição do material impresso. Assim, a proibição de utilização do único meio de conseguir alcançar seu eleitorado na fase final da campanha pode produzir danos irreparáveis ao candidato. Jornalista
Montes Claros terá ônibus gratuito no dia da eleição

No próximo domingo, 6, os brasileiros irão às urnas para exercer a democracia através do direito ao voto. Em Montes Claros, o Decreto Municipal nº 4.867 assegura a gratuidade do transporte coletivo urbano aos munícipes durante os dias de votação. A medida considera que o Supremo Tribunal Federal decidiu que, até a edição de Lei pelo Congresso Nacional sobre a matéria, caberá ao Poder Público Municipal a responsabilidade por garantir o transporte público urbano gratuito nos dias das eleições, com frequência compatível àquela dos dias úteis. A iniciativa também leva em consideração o Ofício nº 101/2024, de 27 de setembro de 2024 da 184ª zona eleitoral, o qual solicita informações sobre o transporte público urbano gratuito nos dias das eleições municipais; e a recomendação da Promotoria Eleitoral nº 7/2024, de 30 de setembro de 2024, da 317ª zona eleitoral, no sentido de que sejam adotadas as providências necessárias para assegurar, nos dias de votação, a oferta gratuita de transporte coletivo urbano municipal. Assim, fica determinada a disponibilização gratuita do serviço de transporte público coletivo urbano de passageiros, que deverá ser mantido em níveis normais, na frequência compatível com àquele prestado em dias úteis. O decreto ainda determina que caberá à Empresa Municipal de Planejamento, Gestão e Educação em Trânsito e Transportes de Montes Claros (MCTrans) elaborar junto à concessionária de transporte público municipal a rede de serviços e o quadro de horários para cumprimento do decreto.
Outubro Rosa – A Importância da prevenção e do diagnóstico precoce

Com a chegada de outubro, a doutora Raiana Chaves Barbosa, oncologista e paliativista, se junta ao movimento mundial do “Outubro Rosa”, que visa conscientizar a sociedade sobre a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de mama. * Por Wesley Gonçalves de Souza De acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), estima-se que mais de 73 mil novos casos de câncer de mama sejam diagnosticados no Brasil em 2024, representando a principal causa de morte por câncer entre as mulheres no país. A doutora Raiana Chaves Barbosa, destaca a importância do diagnóstico precoce. “A detecção precoce aumenta significativamente as chances de cura do câncer de mama. Por isso, é essencial que as mulheres realizem o autoexame regularmente e, a partir dos 40 anos, façam a mamografia anualmente. A prevenção é o melhor caminho para salvar vidas”, explica a especialista. O câncer de mama, embora grave, tem altas chances de cura quando diagnosticado precocemente. Nesse sentido, o INCA recomenda algumas ações preventivas que podem reduzir o risco de desenvolvimento da doença, como: Manter uma alimentação equilibrada e rica em frutas, legumes e vegetais; praticar atividades físicas regularmente; evitar o consumo excessivo de álcool; manter o peso corporal adequado; realizar exames periódicos, como a mamografia, especialmente para mulheres a partir dos 40 anos ou com histórico familiar da doença. Além disso, a médica reforça seu compromisso com a saúde da mulher, oferecendo apoio especializado e multidisciplinar para o tratamento do câncer de mama, com foco no cuidado integral da paciente, na OncoCenter. Durante todo o mês de outubro, diversas ações de conscientização serão realizadas, promovendo o debate sobre a importância da prevenção e do cuidado com a saúde feminina. Cuide-se! A prevenção é o melhor presente que você pode dar a si mesma. Jornalista
Vício em bets compromete finanças e prejudica apostadores e familiares

Compulsão pelas apostas on line é comparada a epidemia e reforça necessidade de regulamentação dura sobre empresas que lucram às custas da saúde financeira e mental As bets, apostas esportivas on line, se tornaram presença frequente na vida dos brasileiros nos últimos anos e há quem compare seu alcance e disseminação a uma epidemia. Seus efeitos sobre a saúde psicológica e financeira dos usuários e sobre a economia têm despertado cada vez mais preocupação por parte do poder público e entre profissionais e entidades dessas áreas. Para se ter uma ideia da presença das bets no Brasil, pesquisa de opinião feita pelo Instituto Locomotiva em agosto apontou que 25 milhões de pessoas passaram a fazer apostas esportivas em plataformas eletrônicas nos sete primeiros meses de 2024, uma média de 3,5 milhões por mês. Conforme aferido no levantamento, esse intervalo de tempo é menor do que o que o coronavírus levou, 11 meses, para contagiar o mesmo número de pessoas no Brasil no início da pandemia. Em cinco anos, o número de apostadores nas bets chegou a 52 milhões. “As bets não são diferentes de outros jogos do mesmo tipo. Quem lucra é o proprietário. E para que isso aconteça, o apostador precisa ser cativado, então, a pessoa ganha pequenas quantidades de dinheiro, com uma certa frequência. Mas, além disso, o ‘quase ganhar’ é tão estimulante quanto o próprio ganhar e também é um componente que mantém a pessoa jogando”, explica Lisiane Bizarro, professora do Programa de Pós-graduação em Psicologia e coordenadora do Núcleo de Estudos Translacionais em Adições (Netad) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Outra vantagem para quem lucra com esses jogos é que todo comportamento frequente e que é mantido por uma recompensa ocasional, é muito difícil de ser eliminado ou facilmente controlado. “Portanto, não se trata necessariamente de um resultado sobre o qual a pessoa vai ter controle. O próprio jogo é planejado para que ela se engaje e gaste dinheiro”, acrescenta. Estes elementos se somam à disponibilidade deste tipo de aposta, resultando num contexto de fácil captura do usuário. “Quando se apostava em cavalos, por exemplo, a pessoa tinha que se dirigir a um determinado local para isso. Agora, é possível apostar em qualquer horário, de qualquer lugar, com a frequência que você quiser, utilizando um celular. Essa facilidade é um componente que aumenta o risco da dependência”, pontua. Lisiane também chama atenção para o papel negativo da publicidade dos jogos on line e como isso naturaliza a aposta desde cedo. “Uma parte do problema está também na propaganda, feita indiscriminadamente na internet, entre um e outro vídeo, nas redes sociais, via influencers, nos intervalos comerciais da televisão e mesmo em meio à programação infantil. Isso vai habituando as pessoas à presença daquela marca. É como acontecia com os cigarros, por exemplo”, lembra. Efeitos financeiros A análise da psicóloga vai ao encontro do que foi apontado pela pesquisa já citada, segundo a qual sete de cada dez apostadores costumam jogar no mínimo uma vez ao mês e 60% dos que já ganharam usaram ao menos parte do valor para apostar novamente. O pior é que boa parte dos usuários não encara a “fezinha digital” como um vício. Apenas 6% avaliam dessa forma, de acordo com levantamento feito na capital paulista pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio), que está temerosa com o impacto que o uso desses jogos pode ter no aumento da inadimplência e na redução do dinheiro que circula no setor. Ainda de acordo com os dados obtidos, cerca de 25% dos jogadores buscam dinheiro rápido e 9% encaram a atividade como investimento. Esse conjunto de comportamentos tem se refletido em outras constatações alarmantes. Segundo o Banco Central, os brasileiros estão gastando cerca de R$ 20 bilhões por mês em bets e os apostadores somam 24 milhões de pessoas físicas. E, de acordo com a Confederação Nacional do Comércio, as apostas online teriam deixado cerca de 1,3 milhão de brasileiros inadimplentes somente no primeiro semestre deste ano. Nesse universo de jogadores, muita gente é de média ou baixa renda. O Locomotiva apontou que oito de cada dez apostadores são pessoas das classes C,D e E; e dois de cada dez são classe A ou B. O mesmo levantamento do BC mostrou que do montante total averiguado, cerca de R$ 3 bilhões teriam vindo de 5 milhões de beneficiários do Bolsa Família, que tem um total de 20 milhões de cadastrados. Diante das informações, o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, emitiu nota na qual disse que vai “acompanhar a regulamentação e encontrar mecanismos para evitar que dinheiro dos benefícios sociais sejam utilizados em jogos”. Efeitos pessoais Outra questão preocupante são os impactos do vício nos cassinos on line sobre a vida pessoal. Reportagem recente da BBC Brasil mostrou que escritórios de advocacia já verificaram aumento na procura por divórcios motivados pelo vício nesse tipo de jogo e trouxe relatos de pessoas que perderam bens como casa e carro para saldar dívidas. Além do que isso significa do ponto de vista material, situações como essas também pesam no campo emocional. “Se a pessoa tem um gasto de tempo excessivo em apostas, então tanto a parte financeira quanto a energia, o tempo que ela ocupa com isso, vai faltar para outras coisas. Vai faltar tempo para o convívio com a família, para o lazer, a cultura, o trabalho e o estudo”, destaca Lisiane Bizarro. Ela salienta ainda que “pessoas endividadas se tornam muitas vezes desesperadas, perdem a rede de apoio porque se envolveram em empréstimos e não pagaram as dívidas e estão sempre pedindo dinheiro emprestado. E essa roda viva não acaba de um jeito muito legal”, alerta a psicóloga. Do ponto de vista dos prejuízos sociais, Lisiane elenca o isolamento, a precarização de cuidados pessoais, além de problemas no trabalho ou nos estudos. E, do ponto de vista emocional, são comuns comportamentos como a irritabilidade e problemas de sono. A compulsão
Falta de vagas para embarque e desembarque compromete prestação de serviços em Montes Claros

Levantamento da Confederação Nacional do Transporte aponta que os brasileiros estão usando menos os transportes coletivos. * Por Waldo Ferreira A falta de conforto, horários e rotas mais flexíveis e viagens mais rápidas ajudam a explicar a opção por aplicativos de corridas. Na contramão desse processo, em Montes Claros motoristas de aplicativos e taxistas têm dificuldade em trabalhar por falta de locais de embarque e desembarque. O rigor da MCTrans, empresa que gere o trânsito da cidade, tem provocado uma onda de reclamações por parte dos motoristas, devido ao número de multas que a categoria vem recebendo. Por causa disso, o vereador Rodrigo Cadeirante já protocolou vários requerimentos e ofícios à Prefeitura, solicitando a criação de áreas de embarque e desembarque. Cadeirante alega que eles já enfrentam inúmeras dificuldades no exercício da função e ainda têm que se submeter a arcar com o pagamento de multas. Para piorar, ele citou o fato de o aplicativo ficar com até 50% dos ganhos do motorista, o que considera um “roubo”. “Sobra uma mixaria para colocar combustível, trocar pneu, óleo e se o carro bater foi o lucro de dois meses de trabalho. E, como se não bastasse, eles ainda têm dificuldade para achar vagas de embarque e desembarque”, lamentou. Por isso, Rodrigo Cadeirante reivindica à MCTrans a disponibilização de mais dessas vagas para motoristas de aplicativo e taxistas, para facilitar, principalmente, o embarque e desembarque de pessoas com deficiências e idosos. “Atualmente o motorista fica numa ´sinuca de bico`, pois se parar longe prejudica o passageiro e se parar no local para desembarcar, por exemplo, alguém numa cadeira de rodas, será multado. E aí vai embora o pouco lucro que conseguiu, pois o aplicativo já levou uma parte”, explicou. O vereador acrescentou que os entregadores de delivery também sofrem com a situação. Cadeirante citou uma iniciativa do prefeito de Sorocaba, Rodrigo Manga, como alternativa para melhorar a atividade desses trabalhadores, que é a criação de pontos de apoio espalhados pela cidade. * Jornalista
CENTENÁRIO – Mário Ribeiro: ícone e legado de Montes Claros

Quem chega a Montes Claros por via aérea desembarca no Aeroporto Mário Ribeiro da Silveira. Caso a chegada seja por via terrestre, é possível passar pelo imponente Hospital das Clínicas Doutor Mário Ribeiro da Silveira (HCMR). Percorrendo o centro, vai se deparar com um edifício de quarteirão inteiro no coração de Montes Claros, denominado Shopping Popular Mário Ribeiro. Na mesma praça do Shopping está o edifício Ciosa, o mais antigo da cidade. Mais adiante, na mesma rua, paralela à lateral do shopping, ainda resiste a construção em que funcionou o antigo Cine Montes Claros, hoje uma loja de departamento. De norte a sul da cidade, o médico Mário Ribeiro deixou sua marca. Nascido em 23 de setembro de 1924, o filho da professora Mestra Fininha (Josefina) e Reginaldo Ribeiro, ambos nomes de ruas na cidade, estaria completando 100 anos este mês. O saudoso Mário, que partiu em 1999, aos 75 anos, é lembrado com respeito e reconhecimento por aqueles que partilharam do seu convívio. Para o historiador Wanderlino Arruda, Mário Ribeiro é uma das personalidades mais importantes da história de Montes Claros e presença indispensável nos principais acontecimentos econômicos, sociais, políticos e culturais da sua época. Wanderlino lembra que ele nasceu em uma casa na esquina das ruas Doutor Santos e Dom João Pimenta e ali residiu por muitos anos, antes de se mudar com a família para a Rua Cel. Luiz Pires. Casado com Maria Jacy de Oliveira Ribeiro, constituiu uma família numerosa. “Conheci o Dr. Mário Ribeiro como médico e como membro do Rotary Clube de Montes Claros, nas reuniões no antigo Hotel São Luiz, início da Rua Doutor Santos, quando lá pensava e trabalhava tudo de importante para a cidade e região” conta Wanderlino, lembrando que Mário, além de médico, era empresário dos setores de cinema e curtume, antes mesmo de ingressar na política. “Líder o tempo todo, estava presente em tudo. Foi ele o idealizador e construtor do primeiro edifício de muitos andares em Montes Claros, o Edifício Ciosa (entre a Praça Doutor Carlos e a Rua Lafetá), o primeiro com instalação de elevador”, relembra. Sobre o amigo, Wanderlino pontua que resumidamente era um cidadão e um político, sempre reconhecido como honesto e empreendedor. VIDA POLÍTICA Nas décadas de 1950 e 1960, Mário Ribeiro foi vereador e candidato a vice-prefeito. Em julho de 1969, durante a ditadura, foi cassado e perdeu os direitos políticos. Em consequência, foi perseguido e demitido da direção da Faculdade de Medicina, do cargo de professor titular da cadeira de Dermatologia e do cargo de Médico Sanitarista do Estado de Minas Gerais. “Ele sofreu muitas perseguições políticas, quando, embora com muito sofrimento, superou todas as dificuldades e manteve com normalidade a família, os seus negócios e a vida médica”, recorda Wanderlino, destacando que, no período em que Darcy Ribeiro, irmão de Mário, era Chefe da Casa Civil, em Brasília, chegou a correr notícia de sua possível nomeação para o Ministério da Saúde, o que acabou não acontecendo. “Exilado Darcy, no Uruguai, Mário chegou a conviver com ele lá, por algum tempo”. Com a anistia de 1979, Mário Ribeiro recuperou seus direitos e enveredou novamente na política. Foi vice-prefeito (1982 a 1988), secretário de Estado do Trabalho e Ação Social (1986) e prefeito de Montes Claros (1989 a 1992). Foi também o primeiro presidente da pioneira indústria incentivada pela Sudene na região-Frigorífico Norte de Minas (Frigonorte); viabilizou a construção do ginásio esportivo do Montes Claros Tênis Clube, hoje Ginasium Darcy Ribeiro; lutou pela implantação e construção da Escola Estadual Professor Plínio Ribeiro; apoiou a Construção do Estádio João Rebello; foi presidente da Associação Desportiva Ateneu; diretor dos “Cinemas Norte de Minas S/A”, empresa que detinha 16 salas de exibição em 14 cidades do Norte de Minas; diretor-executivo do Curtume Montes Claros; primeiro presidente do Automóvel Clube de Montes Claros, entre outras atividades. LIVRO Para o antropólogo João Batista Almeida Costa (Joba), ainda são poucas as homenagens ao ilustre montes-clarense. “Falta uma estátua dele e de Darcy. Idealizei essa estátua na pracinha da Unimontes e na Avenida que dá acesso ao Campus e que leva seu nome”, diz Joba, que acaba de organizar um livro de 192 páginas em sua homenagem. O livro “Marão — Mário Ribeiro, Um Visionário Progressista do Norte de Minas”, será doado às bibliotecas de ensino médio e faculdades e universidades, “para que, no futuro mais distante, quando as pessoas pesquisarem quem é essa pessoa que dá nome a tantos locais da cidade saibam a grandeza de Mário. Esse reconhecimento faz jus à pessoa dele”, diz Joba, que foi o escolhido pela família de Mário para a missão. Com laços estreitos com a família, o antropólogo conheceu Mário ainda na infância, em Jequitaí, quando seu pai recebia a visita de Mário em casa. Joba pontua que sempre admirou o ex-prefeito pela sua serenidade, generosidade e bondade. “Essa visão que eu tinha dele se confirmou. Muita coisa que aconteceu no Norte de Minas teve o dedo do Dr. Mário. Foi ele quem deu partida para a criação da Faculdade de Medicina e, além disso, criou o sistema de bolsa de estudo para estudantes carentes, que se tornaria o Fies. Propôs o concurso nacional de vestibular, que se tornaria o Enem. Era um visionário com uma personalidade fantástica”, disse Joba. Com acesso a diversos arquivos e registros fotográficos que utilizou na confecção do livro, Joba avalia que Mário era uma figura amada por toda a cidade. Mas isso não o livrou de perseguições e esse amor foi colocado de lado em nome de interesses que uma camada da população montes-clarense defendia. “Montes Claros é uma cidade extremamente conservadora e, no período da ditadura, houve maldade em torno da família”, relata. E ressalta que trechos do livro contam esse e outros capítulos da história. PAI AMIGO De maneira amorosa e visivelmente emocionada, Mário Ribeiro Filho, o Ucho, diz que é sempre com alegria que relembra o pai. Desde pequeno, ele conta, tinha verdadeira adoração pelo jeito expansivo, alegre e solidário de Marão.
Claudia Sheinbaum é a primeira mulher eleita presidente do México

Sheinbaum toma posse nesta terça-feira, depois de conquistar uma vitória eleitoral histórica Nascida em 1962, em uma família judaica da Cidade do México, Sheinbaum é cientista, formada em física pela Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM), com doutorado em engenharia energética. Ela se destacou em sua carreira acadêmica e como colaboradora do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), que recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 2007. Na política, Sheinbaum é membro do partido de esquerda Morena, fundado por Andrés Manuel López Obrador (AMLO), que encerra agora o mandato presidencial. Ela foi prefeita da Cidade do México de 2018 a 2023, enfrentando desafios como a pandemia de covid e questões de infraestrutura. Eleita presidente com aproximadamente 60% dos votos, sua vitória é histórica Sua presidência promete dar continuidade às políticas de bem-estar social de AMLO, embora enfrente desafios como a violência relacionada ao narcotráfico e questões econômicas complexas.