Depois de chorar em campo, Neymar é fotografado gargalhando ao lado de Messi

Imagem foi classificada como “a foto da final” pelo jornal Olé. “Eles podem perder e sofrer, mas em um piscar de olhos, o carnaval e a alegria nascem”, diz jornalista argentino, sem saber que essa capacidade está cada vez mais distante do “DNA” brasileiro O pranto de Neymar no gramado do Maracanã na noite deste sábado (10) após perder a final da Copa América para a Argentina durou pouco. Entre os “hermanos” do país vizinho o que viralizou foi uma foto do principal jogador brasileiro gargalhando ao lado de Leonel Messi no vestiário, após a entrega do troféu. Henrique Rodrigues: O choro de Neymar foi mais fake que a invoice da Covaxin No tuite do jornal esportivo Olé – que classificou o jogo como o Maracanazo Argentino, em alusão à derrota da seleção brasileira para o Uruguai na Copa de 1950 – mais de 32 mil pessoas haviam curtido e outras 3,4 mil compartilhado a imagem até o início deste domingo (11). ???? Esta foto es post partido Teoría: para Neymar es más fuerte la alegría de ver a su amigo campeón que la tristeza de no poder ganado él el título ???????????????????? pic.twitter.com/TzdvHiWRtT — Diario Olé (@DiarioOle) July 11, 2021 É certo que a Copa América teve um significado diferente na Argentina, que se livrou de seu projeto de Jair Bolsonaro – o direitista Maurício Macri – para retomar o progressismo e um viver sem ranços e ódio com Alberto Fernandez. No periódico esportivo, o jornalista Maxi Friggieri classificou a imagem de Neymar no vestiário argentino com Messi como “a foto da final”, que mostra o camisa 10 brasileiro “feliz” por seu amigo. “É verdade, o DNA brasileiro tem uma idiossincrasia muito diferente do argentino. Eles podem perder e sofrer, mas em um piscar de olhos, o carnaval e a alegria nascem. São assim. Nem todos, é sabido. Mas na maioria deles. É invejável. O que outros jogadores argentinos fariam se perdessem a final? Sentar e rir com Ney? E não se trata de criticar o que cada um sente, mas de valorizar que os 10 do Brasil, os melhores deles, deixem de lado a sua tristeza para rir junto com os nossos 10. Obrigado Ney. E, claro, obrigado Leo”, escreve o jornalista argentino, sem saber que essa capacidade de se alegrar em momentos adversos está cada vez mais distante do comportamento brasileiro. Obrigado, Argentina, por nos ensinar que por aqui também poderemos ter um novo dia, sem o ódio e a hipocrisia propagados pela extrema-direita golpista.
O choro de Neymar foi mais fake que a invoice da Covaxin – Por Henrique Rodrigues

Tudo virou um grande engodo, um teatro patriótico falso e ridículo para endossar os delírios do pilantra que tomou o Brasil de refém – O bolsonarismo, como eficiente desgraça que representa, conseguiu tirar do brasileiro até o hábito de torcer e assistir à seleção. A tarefa agora é privativa das hostes idiotizadas que urram suas saudações fascizantes em homenagem ao maior canalha já parido nessa Terra de Vera Cruz. Leia também Argentina bate o Brasil, conquista a Copa América e acaba com jejum de títulos Casagrande chuta a canela de Neymar: ‘Ele não fica bravo com 500 mil mortes? Os jogadores também não colaboram na tarefa de se desvincularem do regime político da morte. Neymar, ao contrário, gosta mesmo é de mostrar seu alinhamento com o quadrúpede genocida. Tudo que a onda de boçalidade e transe coletivo toca vira merda. Tenho medo da feijoada tornar-se símbolo dessa milícia imunda, porque aí teremos que dar adeus à sagrada tradição dos sábados e substitui-la por alguma outra iguaria mais desconhecida. Vejam só como são as coisas. Passei boa parte da minha vida andando de moto por todo o Brasil e somo mais de 23 mil quilômetros só de sertão. Dia desses me peguei olhando feio para a companheira de aço. Percebi que era involuntário. O princípio de asco repentino e incontrolável já é um resultado das motocadas da morte que o facínora promove, emulando um de seus padrinhos ideológicos, o tirano italiano Benito Mussolini. Até a bandeira da pátria na qual nascemos, nosso pendão nacional, provoca-nos agora calafrios. Ver esses sem-vergonhas enrolados nela é de virar o bucho. Ontem, na final da Copa América entre Brasil e Argentina, no Maracanã, tivemos um exemplo prático de como essa lógica trágica e triste, mas real, funciona. Audiência quase zero. A imensa maioria dos brasileiros sequer assistiu ao embate, numa competição continental que foi marcada mesmo pelas contaminações de Covid-19, em número muito maior que o de gols. A transmissão foi feita pelo SBT, um canal de tevê decadente, cafona e tosco em todos os aspectos, cujo dono, um senhor quase centenário que apoiou a Ditadura Militar, resolveu servir de porta-voz às loucuras do símio do Planalto. E eis que nesse cenário sem graça e insípido surge uma final entre os dois grandes rivais das Américas. As nações de Pelé e Maradona, que juntas somam sete títulos de Copa do Mundo. Só que isso não é o suficiente para trazer emoção, senso de unidade ou para fazer emanar uma energia em prol do Brasil. Não no país em que seu líder autoritário e de contornos psicopáticos sequestrou símbolos nacionais populares para servir aos seus propósitos assassinos. O choro de Neymar ao final da partida, milimetricamente projetado e calculado para servir ao regime como imagem do patriota sofredor, foi o ponto máximo dessa encenação patética. Ajoelhou-se com as mãos em oração, aos prantos, do jeito que o fundamentalismo evangélico bolsonarista ama. Chorinho forçado, sem lágrimas, escondendo a cara na barra da camisa, como um criança manipuladora tentando comover os pais para ganhar um brinquedo. Aquele choro de Neymar ontem foi mais fake que a invoice da Covaxin apresentada pelo Onyx Lorenzoni. Mas o bolsonarismo é isso. É esse incessante espalhar de safadezas, essa distribuição gratuita do ranço. Um dia vai passar. Até esse dia chegar, sigamos assim: eles lá e a gente aqui. Henrique Rodrigues é jornalista e professor de Literatura Brasileira
Argentina bate o Brasil, conquista a Copa América e acaba com jejum de títulos

O jogador Messi comemora título após partida entre Argentina e Brasil, válido pela final da Copa América 2021 (Dhavid Normando/Estadão Conteúdo) Com a vitória por 1 a 0, neste sábado, no Maracanã, a seleção argentina voltou a ganhar um título depois de 28 anos e coroa Lionel Messi O jogador Messi comemora título após partida entre Argentina e Brasil, válido pela final da Copa América 2021 Acabou! Acabou a Copa América que a seleção brasileira não queria disputar no país em meio à pandemia de Covid-19. Acabou também o jejum de títulos da Argentina. Com a vitória por 1 a 0, neste sábado, no Maracanã, a seleção argentina voltou a ganhar um título depois de 28 anos e coroa Lionel Messi, o seu grande astro. Desde a Copa América de 1993, quando bateu o México, a seleção argentina não levantava uma taça. Depois daquele triunfo no Equador, gerações de jogadores talentosos chegaram perto da glória, mas sempre fracassaram. A Argentina vivia até esse sábado o seu maior jejum de títulos da história. Nunca o país ficou tanto tempo sem conquistas. Entre as seleções campeãs do mundo, seu período sem taças só era menor do que o da Inglaterra, que não vence uma competição desde a Copa de 1966 e hoje decide a Eurocopa em casa com a Itália. O jogo deste sábado no Maracanã também encerra uma série de derrotas para o Brasil em partidas decisivas, como as Copas Américas de 1995, 1999, 2004, 2007 e 2019, além da Copa das Confederações de 2005. Já a seleção de Tite amarga uma derrota diante do seu maior rival em uma partida em que praticamente nada deu certo. A começar pelo lateral-esquerdo Renan Lodi, que saiu do jogo como vilão da derrota ao cometer um erro feio no lance que decidiu o título. Como em um jogo de xadrez, as duas equipes começaram a partida cautelosas, estudando cada movimento do adversário. Até por isso, os primeiros 15 minutos foram pouco intensos, com exceção das faltas dos argentinos para segurar as investidas do Brasil. Neste cenário, qualquer vacilo poderia ser fatal. E foi. Aos 21 minutos, Renan Lodi falhou ao não conseguir interceptar o lançamento de De Paul para Di María. Com extrema qualidade e tranquilidade, o atacante argentino sobrou sozinho de frente para Ederson e só deu um “tapa” na bola para encobrir o goleiro. Um golaço. Se nas demais partidas da Copa América a conexão entre Lucas Paquetá e Neymar funcionou bem e foi fundamental para que o Brasil chegasse à decisão, neste sábado a dupla teve muita dificuldade para encaixar as jogadas. O craque do Paris Saint-Germain era sempre vigiado de perto por dois marcadores mesmo quando estava sem a bola, enquanto Paquetá ficou preso entre as linhas de defesa da Argentina. Everton Cebolinha e Richarlison também pouco produziram ao longo de todo o primeiro tempo. No intervalo, Tite sacou o volante Fred para a entrada do atacante Roberto Firmino. O Brasil ficou mais leve, passou a pressionar a saída de bola argentina e até chegou a balançar a rede aos sete minutos com Richarlison – o atacante, no entanto, estava impedido no momento em que recebeu o passe de Paquetá e a arbitragem anulou o gol. Mesmo com mais posse de bola, o maior problema do Brasil estava na armação das jogadas. Faltava, por exemplo, lances em profundidade com os laterais para abrir espaços no meio. Neymar, por muitas vezes, exagerava na individualidade e facilitava o trabalho dos zagueiros argentinos. Tite, então, resolveu partir com tudo para cima da Argentina. Colocou em campo Vinicius Junior e Gabigol e o Brasil passou a jogar com cinco atacantes. Somente Casemiro ficava na marcação à frente da defesa. Mas as alterações não surtiram o efeito desejado pelo treinador brasileiro. Para segurar a vantagem, a Argentina deixou o jogo truncado, tenso. Os jogadores valorizavam cada falta ou bola para fora para ganhar tempo. Deu certo. O jogo se arrastou assim até o apito final e a Argentina, enfim, acabou com o seu mais longo jejum de títulos. Lágrimas de crocodilo Neymar chora em campo após vice do Brasil para a Argentina no Maracanã O atacante Neymar foi às lágrimas depois da derrota do Brasil por 1 a 0 para a seleção da Argentina, neste sábado, no Maracanã. Depois que não conseguiu ajudar o Brasil a virar o placar na decisão da Copa América, Neymar chorou – e muito – no gramado do Maracanã. FICHA TÉCNICA BRASIL 0 X 1 ARGENTINA GOL – Di María, aos 21 minutos do primeiro tempo. ÁRBITRO – Esteban Ostojich (URU). CARTÕES AMARELOS – Fred, Paredes, Lo Celso, De Paul, Renan Lodi, L. Paquetá, Otamendi, Marquinhos e Montiel. BRASIL – Ederson; Danilo, Marquinhos, T. Silva e Renan Lodi (Emerson); Casemiro, Fred (Firmino) e L. Paquetá (Gabigol); Everton (Vinicius Jr.), Neymar e Richarlison. Técnico: Tite. ARGENTINA – E. Martínez; Montiel, Romero (Pezzella), Otamendi e Acuña; Paredes (G. Rodríguez), Lo Celso (Tagliafico), Di María (Palacios), De Paul e Messi; Lautaro Martínez (N. González). Técnico: L. Scaloni. Agência Estado
Casagrande chuta a canela de Neymar: ‘Ele não fica bravo com 500 mil mortes?

Uma postagem de Neymar nas redes sociais, na qual ele se diz bravo com brasileiros torcerem para a Argentina na final da Copa América, não agradou o comentarista e ex-jogador da seleção brasileira Walter Casagrande, do Grupo Globo. Ele questionou o “patriotismo” e se o camisa 10 não fica bravo com os verdadeiros problemas do Brasil. “Torcer para a seleção brasileira é uma agulha no palheiro no contexto do universo de patriota. Ficar bravo com quem dizer que vai torcer para a Argentina e não ficar bravo com mais de 500 mil mortes no país, que o governo não comprou vacina, dos escândalos da ‘rachadinha’, de CPI e de excessivas ações da polícia em morros do Rio de Janeiro?”, questionou Casagrande durante o programa “Seleção SporTV” desta sexta-feira (9). “Eu nunca vi o Neymar falar que o governo tem que comprar vacina, que as pessoas têm que vacinar, que não podem escolher a vacina, usar máscara e para fazermos isolamento social. Eu nunca vi o Neymar ficar bravo com os problemas de verdade dos brasileiros”, afirmou o comentarista. “O Neymar se sente brasileiro só quando o problema é torcer para a Argentina? Ele acha que ser brasileiro é isso?”, completou.
Isso a Globo não mostra: Brasil vai disputar com Argentina a final da Copa América

A TV Globo não tem o direito de transmissão para a final entre Brasil e Argentina, no sábado (10/7), às 21h, no Maracanã, Rio de Janeiro, pela Copa América 2021. O homem do baú, o empresário Silvio Santos, dono do SBT, é quem possui esse privilégio. Aliás, futebol é coisa tão séria que não deveria ter reservas na transmissão pela televisão ou pela internet. Assim como a vacina na pandemia, que não deveria ter patente ou propriedade intelectual, porque é direito humano fundamental. Dito isso, após a Argentina passar pela Colômbia na semifinal, que após empate de 1 a 1 no tempo regulamentar, o time liderado por Messi venceu por 3 a 2 nos pênaltis. “O Brasil com o Neymar vai ser muito difícil. Conhecemos o potencial deles, o que o Ney faz individualmente …”, disse Messi após a vitória sobre os colombianos. A Argentina chega a final contra o Brasil com 19 jogos de invencibilidade. A última derrota da equipe de Lionel Messi foi diante da Seleção Brasileira na semifinal da Copa América de 2019. A seleção argentina também é a última equipe a ter vencido o Brasil, em novembro de 2019, quando Messi fez o único gol do amistoso disputado na Arábia Saudita. O presidente Jair Bolsonaro, que bancou a realização da Copa América 2021 no Brasil, mesmo na pandemia, terá a oportunidade de fazer no sábado uma propaganda adicional do ‘regime genocida’ para a América Latina e o Mundo. Onde assistir ao vivo a Brasil x Argentina, pela semifinal da Copa América? Brasil e Argentina decidem a Copa América neste sábado (10/7), no Maracanã, às 21h (horário de Brasília). Você poderá acompanhar o duelo ao vivo pelo SBT e pela ESPN Brasil. Via Blog do Esmael
Copa América já tem 140 casos de Covid-19 confirmados, segundo Conmebol

Trabalhadores terceirizados e operários são maioria entre infectados na competição A Conmebol divulgou uma atualização no número de casos confirmados de Covid-19 na Copa América nesta segunda-feira (21). Segundo dados da confederação, já são 140 infectados. Segundo a entidade, “a maioria dos afetados são trabalhadores, membros de delegações e pessoal terceirizado”. Essa informação, que reforça a precarização desses trabalhadores, foi tratada como uma boa notícia pela entidade. “Apenas 140 testes foram positivos, um número que representa 0,9% do total. […] Em comparação com o relatório anterior, a incidência do coronavírus diminuiu, o que é um sinal claro de que as medidas preventivas e os protocolos de saúde estão funcionando conforme o esperado”, diz a nota. A entidade afirma que “os protocolos sanitários implementados pela CONMEBOL provaram ser altamente eficazes em torneios internacionais disputados na América do Sul”.
Conmebol confirma 65 casos de coronavírus na Copa América

Número de doentes vem aumentando a cada dia na competição Em comunicado divulgado nesta quinta-feira (17), a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) confirmou que já foram constatados 65 casos de Covid-19 em pessoas envolvidas com a Copa América, que está sendo disputada no Brasil desde o último domingo (13). Conforme a entidade, 19 infectados fazem parte das delegações das seleções, como jogadores e comissão técnica, e 46 correspondem a funcionários que atuam na própria Conmebol, nos estádios e na arbitragem. Até o momento, já teriam sido feito 6.548 testes da doença, dos quais 98,81% deram resultado negativo. “A Conmebol se compromete com a estrita aplicação do Protocolo de Recomendações Médicas para treinamentos, viagens e competições durante a pandemia, respeitando as medidas sanitárias nele estipuladas. A Conmebol também mantém um canal permanente de comunicação com as Autoridades Sanitárias da República Federativa do Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS)”, disse. “Lembrando que a Conmebol é a única Confederação que segue firme com seu Plano de Vacinação contra Covid-19 para as pessoas que compõem a família do futebol. Ratificando nossa prioridade e compromisso com o cuidado com a saúde de nossos atletas e com todo o ambiente futebolístico, desejo a minha despedida”, escreve Dr. Osvaldo Pangrazio Presidente da Comissão Médica Diretor da Unidade Antidopagem.
Infectados com Covid, jogadores venezuelanos pegaram cepa de origem do Brasil

Variantes foram identificadas após sequenciamento genético realizado nas amostras coletadas dos atletas Os jogadores e integrantes da delegação da Venezuela detectados com o coronavírus estão infectados com a variante P1, que é a de origem no Brasil, identificada inicialmente na Amazônia, de acordo com o sequenciamento genético realizado nas amostras. A reportagem é da CNN Brasil. “Relatório do sequenciamento das amostras positivas enviadas pelo Sabin provenientes tanto da equipe da Venezuela, quanto de membros organizadores do torneio – o que inclui o membro da Conmebol e outras 7 amostras de terceirizados. Totalizando assim 20 amostras enviadas, das quais 14 estavam em condições para sequenciamento. Todas as 14 amostras sequenciadas deram positivas para a cepa P1”, informa um resumo da nota técnica, ao qual a CNN teve acesso. Segundo a reportagem, a íntegra da nota técnica, elaborada pelo governo do Distrito Federal, será encaminhada ao médico da delegação da Venezuela. Apesar da variante ser a do Brasil, as autoridades do governo local afirmam que a infecção não ocorreu no país. A delegação, que esteve antes na Colômbia, teria chegado já doente ao Brasil, apesar de não apresentar sintomas. “Não houve tempo para que eles fossem infectados no Brasil”, afirmou o secretário de Saúde de Brasília, Osnei Okumoto, à CNN.
Quatro ministros do STF votam contra ação que tenta impedir Copa América no Brasil

Voto da relatora, ministra Cármen Lúcia, foi acompanhado pelos ministros Marco Aurélio Mello, Edson Fachin e Ricardo Lewandowski Eduardo Simões, Reuters – Quatro dos 11 ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) se manifestaram contra a ação que busca impedir a realização da Copa América no Brasil por causa da pandemia de Covid-19 em julgamento no plenário virtual da corte. A relatora da ação, ministra Cármen Lúcia, justificou a recusa da ação pela “carência de atendimento aos pressupostos processuais”, como a ausência de indicação do ato do Poder Executivo a ser revogado na Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF). Ela disse, no entanto, que a recusa da ação “não exime os agentes públicos competentes de adotarem decisões e providências sanitárias, de segurança pública e outras que dêem cumprimento aos protocolos adotados no plano nacional, estadual e local e ainda daqueles que venham a ser necessários para que se completem todas as medidas para prevenir, dificultar e tratar os riscos e sequelas de transmissão, contaminação e cuidado pela Covid-19”. A relatora foi acompanhada pelos ministros Marco Aurélio Mello, Edson Fachin e Ricardo Lewandowski. Lewandowski, que é relator de uma outra ADPF que também questiona a realização da Copa América, determinou em seu voto nesta segunda ação que os governos federal, do Distrito Federal, dos Estados do Rio de Janeiro, Mato Grosso e Goiás, além das prefeituras das outras cidades que sediarão jogos –Rio de Janeiro, Cuiabá e Goiânia– apresentem em até 24 horas antes do início do torneio, marcado para domingo, planos para realizar a competição de forma segura e para impedir o avanço da Covid-19. Os demais ministros têm até o final desta quinta-feira para se manifestarem sobre a ação no plenário virtual da corte. Em uma terceira ação, esta um mandado de segurança, que questiona a Copa América no Brasil e também é relatada por Cármen Lúcia, a ministra rejeitou a ação que buscava impedir a adoção de atos legais ou administrativos que permitissem a realização do torneio e foi acompanhada por Marco Aurélio e Lewandowski. Fachin, por sua vez, divergiu da relatora, não para votar contra a realização da Copa América –por entender não “haver razões suficientes para, em juízo de deliberação, concluir pela interrupção de todo e qualquer preparativo que viabilize a realização do referido torneio”–, mas para determinar a adoção de “medidas de mitigação de risco”. Entre elas, Fachin cita a divulgação de informações confiáveis sobre a situação da pandemia no Brasil, planos de emergência com autoridades sanitárias e de segurança, protocolo de notificação rápida de casos de Covid-19 relacionados ao torneio, protocolos a serem adotados em caso de surtos da doença, entre outras.
Presidente da CBF, acusado de assédio, patrocina o bolsonarista Milton Neves

Rogério Caboclo, Presidente da CBF, e ainda presidente da República, Jair Bolsonaro. (Foto: Lucas Figueiredo/CBF) O presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Rogério Langanke Caboclo, formalmente acusado nesta sexta-feira (04) de assédio moral e sexual por uma funcionária da organização, conforme publicou o portal ge.globo, possui participação em doze empresas, entre elas distribuidoras de produtos alimentícios. Ao todo, pelo menos 49 pessoas são sócias do cartola em empresas de atuações bastante distintas, da advocacia ao esporte. Alguns CNPJs estão diretamente ligados ao futebol, como os da própria CBF e o Copa América 2019 – Comitê Organizador Brasileiro Eireli, criado para promover o evento. Dois anos depois, em plena pandemia e diante da recusa da Colômbia e da Argentina, a Copa América deve ocorrer novamente no Brasil, sob as bênçãos do presidente Jair Bolsonaro. Somado, o capital social das corporações que estão em nome do dirigente chega a R$ 1.249.065,00. Na lista há um escritório de advocacia e três distribuidoras (um setor anterior ao atacadista na cadeia de vendas), cujas sociedades ele divide com familiares: Caboclo Distribuidor Ltda, Cromma Logística Empresarial e Rommac Distribuidora de Produtos Alimentícios, esta com sede em vários municípios. Com 50 anos de história, a Caboclo é distribuidora exclusiva da Mondelez Brasil, detentora das marcas Lacta, Sonho de Valsa, Bis, Oreo, Trident e Trakinas, entre outras, nos segmentos de comércio. Atua na capital paulista, em bares, padarias, lanchonetes, restaurantes, bombonieres, hotéis, motéis e supermercados de pequeno, médio e grande porte. A Rommac cobre todos os ambientes de varejo e tem clientes de peso, caso da multinacional Cargill (com suas marcas de azeite, por exemplo), da Jacobs Douwe Egberts e da Toscado. Fundada em 2016, também está presente na Grande São Paulo, além do litoral paulista, do Vale do Ribeira e do Vale do Paraíba. PATROCINADO PELA ROMMAC, MILTON NEVES DIZ QUE DENÚNCIA NÃO É CONDENAÇÃO A Rommac Distribuidora é uma das patrocinadoras do programa “Domingo Esportivo“, apresentado pelo jornalista bolsonarista Milton Neves. Ele comanda a atração ao lado de Guilherme Cimatti e Ricardo Garcia. Conhecido como rei do merchandising no esporte, prática da qual se orgulha, Neves possui um quadro, o “Empório do Miltão”, no qual apresenta produtos de seus parceiros comerciais. O apresentador apoia publicamente o governo Bolsonaro e é amigo pessoal do secretário-executivo do Ministério das Comunicações, Fabio Wajngarten. Em post de 2019 no blog Bela Jogada, ele disse que votou no presidente duas vezes e votaria mais 500 ou em qualquer outro, “desde que o candidato da vermeiada de mãos e olhos gigantescos fosse derrotado e desaparecido”. Ao justificar o convite para estrelar a campanha publicitária a favor da Reforma da Previdência, a qual chamou de excelente, afirmou, citando ao final a distribuidora de Caboclo, a Rommac: — Seria apenas mais uma de minhas milhares de campanhas que faço desde 1982 de bancos, cinco marcas de cervejas, cada uma a seu tempo, palestras, eventos corporativos de multinacionais, móveis, chuveiros, fios e cabos, água mineral, ar condicionado, sapato, celular, atacados, supermercados, restaurantes top, Thinner da Natrielli, Distribuidora de Produtos, EMS, Bradesco, Febraban, Cartão Corinthians, Sicredi, Alimentos Aurora, Magnus, Cepam da Village, Rommac e mais uns 30 clientes regionais também de mercado imobiliário. Nesta sexta-feira, ao comentar em seu blog sobre o caso envolvendo o presidente da CBF, o apresentador se apressou em dizer que “denúncia não é condenação” e que “precisamos esperar que os fatos sejam esclarecidos”. Segundo ele, muitos “antenados jornalistas” já indicam a “morte política” do dirigente. “Mas, olha, eu já vi muito presidente da CBF cair por desvios dos mais variados tipos”, completou. “Agora, por assédio, se de fato acontecer, será a primeira vez! Infelizmente, tenho a sensação de que a poltrona do mandatário da entidade máxima de nosso futebol esteja amaldiçoada”. FUNCIONÁRIA RELATOU SUCESSIVOS COMPORTAMENTOS ABUSIVOS Conforme apuração dos repórteres Gabriela Moreira e Martín Fernandez, a denúncia contra Caboclo foi protocolada no início da tarde de sexta-feira na Comissão de Ética da CBF e na Diretoria de Governança e Conformidade. Os abusos teriam ocorrido contra uma funcionária, que detalhou episódios vividos por ela desde abril do ano passado. No documento, a mulher afirma ter provas de todos os fatos e pede que o dirigente seja investigado e punido com o afastamento da organização e, também, pela Justiça Estadual. Entre os fatos narrados estão constrangimentos sofridos em viagens e reuniões com o presidente e na presença de diretores da CBF, homens. Na denúncia, a vítima detalha o dia em que o dirigente, após sucessivos comportamentos abusivos, perguntou se a funcionária se “masturbava”. Em um dos episódios de extrema gravidade, de acordo com o relato, ele tentou forçá-la a comer um biscoito de cachorro, chamando-a de “cadela”. Procurado, o cartola não se pronunciou sobre a denúncia. PATRIMÔNIO CRESCEU QUANDO ADVOGADO VIROU CARTOLA Reportagem de 2015 da Folha mostrou que o dirigente, formado em Direito e Administração de Empresas, viu seu patrimônio em carros e imóveis se multiplicar desde que começou a trabalhar como cartola de federações de futebol. Em 2001, quando ele assumiu seu primeiro cargo na Federação Paulista de Futebol (FPF), tinha em torno de R$ 570 mil em bens. Após 17 anos, já acumulava R$ 8,6 milhões, cerca de quinze vezes a quantia original. O aumento dos bens aconteceu principalmente a partir de 2012, quando Caboclo entrou no Comitê Organizador Local da Copa de 2014, financiado com recursos da Fifa. Na época, ele argumentou, por meio da assessoria da CBF, que o crescimento era condizente com a sua renda no período. Via De olho nos ruralistas